A revolução de Lambert
O novo técnico do Aston Villa, Paul Lambert, criou uma situação inusitada no clube. Contratado há 21 meses como salvador da pátria, por £24 milhões, Darren Bent virou reserva do belga Christian Benteke, de 21 anos, por quem o Villa pagou £7 milhões no último mercado de verão. Bent ainda sofreu o constrangimento de perder a faixa de capitão para o zagueiro holandês Ron Vlaar, também recém-contratado.
Quando capturou Bent, na metade da temporada 2010-11, o Aston Villa corria considerável risco de rebaixamento. O raciocínio do então treinador Gérard Houllier era de que Bent, autor de 36 gols em 63 jogos pelo Sunderland, aproveitaria as oportunidades que os cônicos Heskey e Carew desperdiçavam. Ele estava certo. O novo atacante marcou nove gols em 16 partidas e levou os Lions à nona posição.
Bent foi um excepcional paliativo, mas não passou disso. O Villa não construiu nada em torno dele, e o objetivo na temporada seguinte, atingido de forma muito mais dramática, foi igual ao de 2010-11: escapar da queda. Paul Lambert foi contratado para reestruturar o clube dançando conforme a música, ou seja, reconhecendo que o status, as metas de curto prazo e o poder de atrair grandes jogadores não são os mesmos de três anos atrás.
Em tese, Lambert é perfeito para esse trabalho. O treinador escocês foi indicado ao hall da fama do Norwich especialmente pelos acessos consecutivos e a grande campanha na Premier League, mas também pela maneira como controlou o clube, formando o elenco com poucos recursos e tomando decisões drásticas quando necessário. Foi Lambert quem trocou seis titulares do Norwich de uma vez – tirou até o capitão Grant Holt – no início da temporada passada e obteve ótimos resultados. O mesmo técnico que acaba de barrar Bent, simbolicamente um aviso de que as coisas mudaram.
O começo no Villa é tortuoso (apenas cinco pontos em sete rodadas), mas não poderia ser diferente. Lambert contratou oito jogadores, dos quais cinco foram titulares na derrota para o Tottenham, na última rodada. A equipe mudou demais, ganhou novas referências (o que é importante, para depender menos dos jovens) e precisa de tempo antes de ser julgada. O Villa, não mais de Bent, agora é de Vlaar, El Ahmadi, Holman e Benteke, estrangeiros capturados por Lambert no verão. Benteke foi o único contratado por mais de £4 milhões.
Há dois anos, o Villa era um time baseado em jogadores locais. Dos 11 titulares na primeira partida de 2010-11, nove são britânicos ou irlandeses. Lambert deve mudar isso gradualmente, explorando o mercado externo. No verão, foram três contratações do futebol holandês e uma do belga, o que exige um trabalho intenso de observação, mas também salva muito dinheiro do clube. É mais ou menos o que o Newcastle faz desde que retornou à primeira divisão.
Se Lambert será um sucesso no Villa, ainda é incerto. Apesar da fase ruim, o clube é maior e mais ambicioso do que o Norwich. A diretoria sabe que precisa de paciência, mas também quer evolução em relação à temporada passada, quando a equipe foi mal treinada por Alex McLeish. Para que o trabalho caminhe, ainda que a passos curtos, é necessário que os reforços emplaquem e Lambert administre bem o vestiário, o que não parece tão simples. O recomeço é mais difícil para quem regrediu tanto nas últimas temporadas.









