Arsenal x Bayern
Arsène Wenger acredita. Afirmou em entrevista coletiva que confia “na qualidade, no espírito e na força mental” do Arsenal para o confronto da Champions League contra o Bayern Munique, que começa amanhã no Emirates. É difícil falar em espírito e força mental dois dias após perder em Londres para o Blackburn e ser eliminado da FA Cup, tratada como a maior chance de conquistar um troféu que não vem há quase oito anos. Mas Wenger insiste: “vivemos numa democracia de experts e opiniões, e há vários experts que não estão exatamente certos”.
Para silenciar os experts, o Arsenal precisa fazer frente ao melhor Bayern dos últimos anos. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 50 gols – 57 marcados e sete sofridos. Como visitantes, os bávaros foram vazados apenas uma vez, pelo Nuremberg, em novembro de 2012.
O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular. O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.

Possíveis escalações. Arsenal pode ter Ramsey para proteger o lado direito. Batalha do meio-campo, com Arteta-Wilshere-Cazorla x Martínez-Schweinsteiger-Kroos, promete.
Além do adversário em ótima fase e da lembrança da derrota para o Blackburn, o Arsenal tem de lidar com um problema sério em seu lado esquerdo. Gibbs está lesionado, André Santos foi emprestado ao Grêmio (o que restringe as opções, mas não é necessariamente ruim), e o recém-contratado Monreal não pode atuar porque já defendeu o Málaga na Champions. Wenger deve ser obrigado a deslocar Vermaelen à posição. Não é o melhor cenário, pois indica que Mertesacker será titular e um lateral improvisado ficará exposto a Müller (ou Robben) e dependerá demais da ajuda de Podolski no combate a Lahm.
Mas nem tudo é tragédia. Com cuidado no passe e velocidade, o Arsenal pode explorar a confiança do Bayern. Se o time alemão adiantar suas linhas e pressionar, haverá Wilshere, Cazorla e Walcott para responder em contra-ataques. Aliás, especula-se que Wenger abrirá mão de Giroud para priorizar a velocidade e a movimentação (provavelmente com Walcott adiantado) em detrimento de uma referência na área. Seria uma mensagem clara de como ele pretende abordar o jogo.
Pela situação das equipes, o confronto lembra muito o de dois anos atrás, quando o Arsenal enfrentou o Barcelona, também nas oitavas de final da Champions. Os catalães avançaram, mas perderam a primeira partida por 2 a 1, no Emirates. Jack Wilshere foi o grande jogador daquela noite. É nele que o Arsenal deve apostar de novo.








