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sábado, 19 de março de 2011 Inglaterra | 22:23

Virou bagunça

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Capello troca de capitão como quem troca de técnico no Brasil

Fabio Capello tomou várias decisões desastradas como técnico da Inglaterra. O italiano, que até merece crédito pelo renascimento de uma seleção em frangalhos após McClaren, deve ser criticado pelo fracasso na Copa. Mas nada, nem ignorar Hart, Young e Adam Johnson ou insistir em Heskey até o próprio atacante desistir de si mesmo, é mais grave que a postura do treinador no assunto capitania. Após um ano de Rio Ferdinand, ele devolve o cargo a John Terry.

Em fevereiro de 2010, o zagueiro do Chelsea perdeu a faixa por conta da traição a Wayne Bridge, que abandonou a seleção. Bridge já estava tecnicamente abaixo de Baines e Warnock, mas houve um barulho enorme em função da escolha do agora lateral do West Ham. A maioria do grupo, pelo que se sabe, queria a manutenção de Terry. Capello ignorou, misturou comportamento social (área em que muita gente da seleção vai mal) com caráter profissional (o que Terry tem de sobra) e confiou a liderança a Ferdinand.

Destituir Terry era uma “decisão irreversível” para o italiano. Como Ferdinand se lesionou, Gerrard assumiu a capitania temporariamente. Foi o menos pior inglês na Copa e, após o fiasco, garantiu a Capello uma vitória psicologicamente fundamental contra a Hungria. Um autêntico líder pelo exemplo. Se fosse para quebrar a hierarquia, aquele seria o momento. Não o fez. Quebra agora. Ferdinand é muito profissional, mas já manifestou sua tristeza por perder o cargo e teria se recusado a conversar com Capello na última terça-feira.

"I missed you"

No amistoso contra a Dinamarca, no mês passado, a faixa passou por Lampard, Ashley Cole e Barry. Foi a humilhante confirmação de que Terry, sempre em campo, era carta fora do baralho. O defensor ficou mal e teria comovido Capello. “Eu me aborreci ao ver os jogadores se perguntando: ‘quem é o capitão?’”, contou o treinador. Ele devolve a faixa a Terry porque quer um nome definitivo e aposta na vantagem física dele sobre os outros líderes, que têm jogado pouco. Mas erra porque quebra a promessa, banaliza um cargo importante na Inglaterra e pode ter criado um problema. O argumento de que o novo velho capitão “já foi punido o bastante” é fraco.

Em meio à confusão, Capello convoca a seleção amanhã para o importante duelo pelas Eliminatórias da Euro contra País de Bale (e de Gales) e o amistoso diante de Gana. A Inglaterra vai a Cardiff no próximo sábado antes de se exibir em Wembley no dia 29. Ferdinand e Gerrard, lesionados, estão virtualmente fora.

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sexta-feira, 18 de março de 2011 Curiosidades, Premier League | 15:05

Vale a pena ver de novo

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Na Copa, as mãos de Suárez classificaram o Uruguai contra Gana. No domingo, ele enfrenta três dos homens que fez chorar

“Em seu lugar, eu teria feito a mesma coisa, mas ele não pode ir ao meu país. É o homem mais odiado em Gana”. Asamoah Gyan, atacante do Sunderland, definiu bem o estrago provocado pelas mãos de Luis Suárez, hoje no Liverpool. No último minuto da prorrogação, a defesa instintiva do uruguaio evitou o gol que daria a classificação inédita às semifinais da Copa do Mundo a um africano. Gyan teve a chance no pênalti, mas a bola bateu no travessão, e Gana acabou eliminada. Oito meses depois, os dois se reencontram.

Aliás, não só eles. O Sunderland, que recebe o Liverpool no domingo, tem no elenco John Mensah, capitão de Gana, e Sulley Muntari, autor do gol africano no empate por 1 a 1 contra o Uruguai. Em setembro do ano passado, quando Suárez ainda estava no Ajax, Mensah disse à BBC que “chutaria” o uruguaio se o encontrasse. A conversa foi bem-humorada, e o zagueiro deixou claro que entendeu o que seu adversário fez, mas ainda havia certo ressentimento. Hoje, nem tanto.

A exploração do reencontro vale só pela curiosidade. Muntari e Gyan já deixaram claro que o trio (se todos forem titulares) vai cumprimentar Suárez antes de um jogo que perdeu importância. A definição de que o sexto lugar não leva ninguém à Europa pode ter tirado parte do apetite do Sunderland. O Liverpool, quatro pontos acima dos Black Cats, ainda pensa em alcançar pelo menos o Tottenham. Mas vai ser difícil. Mesmo fora da luta por copas europeias, o time dos ganeses se comportou bem contra o Arsenal e está mais encorpado que em fevereiro. Na temporada passada, um gol de balão foi determinante para a vitória por 1 a 0 sobre os Reds.

No Chelsea-City da temporada passada, Bridge, hoje no West Ham, ignorou Terry

Confira todos os jogos da 30ª rodada (favoritos destacados):

Sábado
9h45 Tottenham x West Ham (ESPN Brasil)
12h Aston Villa x Wolverhampton
12h Blackburn x Blackpool
12h Manchester United x Bolton (ESPN)
12h Stoke x Newcastle
12h West Bromwich x Arsenal (ESPN Brasil)
12h Wigan x Birmingham
14h30 Everton x Fulham

Domingo
10h30 Sunderland x Liverpool (ESPN Brasil)
13h Chelsea x Manchester City (ESPN Brasil e ESPN HD)

Sorteio da Champions

Poxa, Lineker

Real Madrid x Tottenham. Gary Lineker foi quem escolheu as bolinhas. E o ex-atacante dos Spurs passou longe de levar sorte a White Hart Lane. Depois do Milan nas oitavas, vêm aí Real Madrid nas quartas e, se os londrinos avançarem, Barcelona (ou Shakhtar) nas semifinais. A decisão em casa, contra Mourinho, não ajuda. No reencontro de van der Vaart com o clube que o desprezou, o Tottenham vai precisar de Modric, Lennon, Bale e do holandês em excelente forma para eliminar um time que não deve oferecer muitos contra-ataques. Atuações onipresentes de Sandro também serão bem-vindas.

Chelsea x Manchester United. Em outubro do ano passado, daria Chelsea. Em dezembro, United. Para abril, não há um claro favorito. Os Blues terão boa chance de abrir vantagem, valendo-se do tabu de Stamford Bridge. Mas a decisão em Old Trafford contra um time tão habituado ao sucesso na Europa está longe de ser simples. Ancelotti não pode contar com David Luiz, e Ferguson deve ter de se virar sem Ferdinand. O sorteio castigou ambos, mas pelo menos eles escaparam de Real Madrid e Barcelona até a decisão. Nas semifinais, o adversário sai de Inter x Schalke.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 17 de março de 2011 Copas Europeias, Jogadores, Man City | 19:38

Um talento entre os piores

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Mario Balotelli vai de Golden Boy a Bidone d'Oro

A eliminação do Manchester City da Europa League está na conta de Mario Balotelli. O golpe do italiano em Goran Popov, do Dynamo Kiev, foi intencional e obrigou o árbitro turco Cuneyt Cakir a expulsá-lo no primeiro tempo. Por maior que fosse a vantagem do Dynamo, o 1 a 0 e a apatia ofensiva dos ucranianos sugerem que, no dia de São Patrício, Super Mario tirou do City a chance de chegar à final na Irlanda. O peso de outro não-título é incalculável.

A patacoada ratifica a candidatura de Balotelli ao posto de pior contratação da temporada. E a concorrência é pesada. A turma do Liverpool (Joe Cole, Jovanovic, Poulsen e Konchesky), Squillaci (Arsenal), Boselli (já emprestado pelo Wigan) e Ireland (Aston Villa, enviado ao Newcastle) se esforçaram para tirar o italiano da conversa.

O mais talentoso e produtivo é Balotelli, não há dúvida. Pelo Manchester City, foram 10 gols em 18 jogos. No entanto, o preço alto (£24 milhões), o evidente desinteresse, as declarações imbecis, o baixo número de partidas (duas lesões o tiraram de combate por um bom tempo) e a expulsão de hoje ridicularizam uma aposta que não parecia tão absurda em agosto. Mancini já conhecia Balotelli e, com dinheiro sobrando, comprou um potencial e a crença de que poderia domá-lo. Tem sido um desastre.

Até quando se destaca, ele dá um jeito de pisar na bola. Meia hora depois de marcar seus dois primeiros gols na Premier League, contra o West Bromwich, Super Mario agrediu Mulumbu e foi expulso. Ao ganhar o Golden Boy, prêmio concedido pelo Tuttosport ao melhor jogador jovem da Europa, disse não saber quem é o excelente Jack Wilshere, o segundo colocado. No mesmo dia, colocou apenas Messi acima dele. Aos 20 anos, Balotelli se desperdiça e é um talento entre os piores.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 16 de março de 2011 Championship, Curiosidades, História, Leeds United, Treinadores | 19:20

É Natal em Leeds

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The Damned United: enfrentar o vitorioso Leeds de Don Revie não era fácil para ninguém.

Associe a história do Leeds United a uma pessoa. Não há muito para dizer além de Donald George Revie. Há exatos 50 anos, o então jogador Don Revie, como era conhecido, foi nomeado técnico do Leeds. Don teve um fim de carreira melancólico e faleceu em 1989, mas seu trabalho em Elland Road está longe de ser esquecido. No Twitter, os fãs criaram o #DonRevieDay para celebrar o histórico 16 de março de 1961. Teve até um papo em Elland Road entre jogadores que trabalharam com ele.

Foram 13 anos de reinado. Revie mudou tudo no clube. Até o tradicional uniforme azul e amarelo se tornou o segundo kit para abrir espaço ao 100% branco. A vontade do treinador era transformar o Leeds no Real Madrid de Yorkshire. De certa forma, ele conseguiu. Em três anos, Don tirou o time da segunda divisão. A partir daí, criou uma consistência inabalável. Dois títulos na elite, quatro finais de FA Cup e três prêmios de Treinador do Ano até parecem pouco para a força dos pavões de 1961 a 1974.

Quem assistiu a The Damned United (Maldito Futebol Clube, que em breve será mais bem discutido nesta coluna) sabe que a rivalidade com seu sucessor Brian Clough, outro treinador histórico, expôs supostos métodos sujos de Revie. Não sabemos tanto quanto gostaríamos, mas os méritos da construção de uma família e de um conjunto espetacular em Leeds jamais podem ser tirados dele. O time de Hunter, Bremner e Giles vencia porque era bom demais, não porque batia.

Um bom exemplo de como a equipe era forte é um trecho de Leeds 5 x 1 Manchester United, em 1971-72. Os Red Devils de Best e Charlton (que aparece comentando o jogo com Norman Hunter) estavam a dois pontos do time de Revie, já perdiam por 3 a 1 e mal conseguiam passar do meio-campo em Elland Road:

O United é o único clube profissional de Leeds e monopoliza a paixão na cidade, ansiosa pelo retorno à elite de um time poderoso também nos anos 90 e no início dos 2000. Longe da Premier League desde 2004 e no quinto lugar da segunda divisão (portanto, na zona dos play-offs), os pavões estão se recuperando. O ótimo técnico Simon Grayson se inspira em Revie. “Deixou um legado fantástico e é o modelo para todos os seus sucessores”, avaliou.

Alguns jogadores estão no grupo há muito tempo. Howson (o melhor deles), Snodgrass e o argentino Becchio podem não ser os novos Hunter, Bremner e Giles, mas têm participado da reconstrução do clube desde o fracasso na terceira divisão. Grayson deu ao time um ethos que possibilitou resultados marcantes na FA Cup nas duas últimas temporadas. As finanças já não incomodam tanto, e o Leeds prepara o terreno para a volta. Se acontecer em 2011, será uma bela homenagem a Don Revie.

Classificação tranquila
O Chelsea 0 x 0 Copenhague entrou para a lista de jogos que não deveriam ter acontecido. A vantagem conquistada na Dinamarca foi o travesseiro de um Chelsea preguiçoso, que preservou Torres (?), Essien e Malouda durante a maior parte do encontro. Os Blues se juntam a Manchester United e Tottenham para o sorteio da próxima sexta-feira, que vai definir os confrontos das quartas-de-final da Champions League.

Bryan Robson
Depois de Eric Abidal, o ex-capitão do Manchester United e da Inglaterra Bryan Robson teve diagnosticado um câncer na garganta e já foi submetido a cirurgia. O Capitão Marvel, de 54 anos, é treinador da seleção tailandesa desde 2009. Quem o conhece garante que se trata de um homem forte – não só em campo. Força, Bryan!

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , ,

Curiosidades, Fulham | 15:11

Que loucura!

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Thriller: Michael Jackson é homenageado pelo Fulham. Ou melhor: pelo fã e amigo Mohamed Al-Fayed

O proprietário do Fulham, o egípcio Mohamed Al-Fayed, tomou uma decisão extravagante: ordenou a construção de uma estátua de Michael Jackson nas imediações do estádio do clube. “Ele era meu amigo, uma figura com quem passei bons momentos e que teve uma morte trágica. Espero que os torcedores gostem da estátua do maior cantor da história”, tentou, sem sucesso, explicar a atitude. A expectativa é de que o monumento seja revelado em 3 de abril, antes do jogo em casa contra o Blackpool.

O Rei do Pop era, de fato, amigo de Al-Fayed. O egípcio assumiu o controle do clube em 1997. Dois anos depois, Jackson assistiu, em Craven Cottage, a Fulham x Wigan, pela terceira divisão. Ele levou sorte ao time, que venceu os Latics por 2 a 0. Mesmo assim, o teor da notícia é bizarro. Mohamed, que é pai do falecido Dodi Al-Fayed (aquele mesmo, da princesa Diana), confundiu interesses do clube com uma apreciação pessoal. Tanto é que o plano inicial era erguer a estátua ao lado de uma loja dele.

Sim, a entrada de Michael Jackson no estádio em 1999 foi triunfal:

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terça-feira, 15 de março de 2011 Copas Europeias, Jogadores, Man Utd | 20:06

Quê de Solskjaer

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Chicharito repete Solskjaer e abre os braços: ao lado de van der Vaart, do Tottenham, a barganha da temporada

O Olympique de Marselha impôs muitas dificuldades a um Manchester United desfalcado na defesa e sonolento no meio-campo. Carrick acertou quase todos os passes (93%, segundo a Opta Sports), mas segue transmitindo a impressão de que esqueceu seu jogo. Mesmo assim, o time do ótimo Didier Deschamps caiu em Old Trafford. E quem derrubou? Ele, Chicharito Hernández, com mais dois gols decisivos.

O status pode até ser temporário, mas Chicharito é titular do Manchester United. O mexicano capitalizou a queda de Berbatov por ter sido impressionante vindo do banco. Hernández já marcou 16 gols na temporada, dez no campeonato. Por enquanto, tem a melhor média da história da Premier League: um gol a cada 96 minutos. Thierry Henry, o grande jogador da última década na Inglaterra, precisava de 121 para comemorar.

Atributos objetivos (posicionamento, finalização) e subjetivos (estrela em jogos decisivos, empatia com a torcida) nos levam a uma óbvia comparação, já discutida na Inglaterra, com o norueguês Ole Gunnar Solskjaer, no clube de 1996 a 2007. Solskjaer chegou a Old Trafford com 23 anos, ligeiramente mais velho que Chicharito. Também marcou na estreia e impressionou muito na primeira temporada: 18 gols na liga, 19 em todas as competições.

Solskjaer era praticamente desconhecido fora da Noruega. Quando fechou com o Manchester United, três meses antes da Copa, Chicharito também não tinha muitos admiradores longe do México. Ambas as transferências custaram pouco e foram mérito do staff de observadores. No mesmo ritmo de Solskjaer, Hernández ganhou espaço durante a temporada. Mas, pela menor concorrência, tem tudo para ir além e dar ainda mais orgulho aos olheiros. Em pouco tempo, a comparação pode ser outra.

Le Blog du Foot, de Bruno Pessa, comenta a exibição dos franceses.

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segunda-feira, 14 de março de 2011 Arsenal, Curiosidades, Jogadores | 21:38

Mexeu no vespeiro

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Lehmann e Almunia se cumprimentam na final da Champions de 2006: tempo em que Don-Don jogava no Andaraí

A contratação de Jens Lehmann pelo Arsenal parece questão de tempo. Quando a BBC anuncia o acerto iminente, a tendência é o negócio se confirmar, até pela pública intenção do goleiro. Aos 41 anos, o alemão deve abandonar a vida de aposentado e atender ao chamado de Arsène Wenger, que se viu sem alternativas a Almunia. Os poloneses Fabianski e Szczesny não retornam tão cedo. Mannone foi emprestado ao Hull City e poderia ser chamado de volta, mas também está lesionado.

Em cinco anos de casa, Lehmann conquistou a Premier League de forma invicta em 2004, a FA Cup em 2005 e, como protagonista, uma inédita vaga na final da Champions em 2006. A história no clube é de sucesso, e a relação com Wenger, muito boa. Se de fato acertar, Lehmann será o segundo jogador recontratado pelo técnico no Arsenal. O primeiro foi o zagueiro Sol Campbell, que, na temporada passada, chegou como opção a Gallas e Vermaelen.

Tecnicamente, não dá para fazer tantas ressalvas. A temporada final no Arsenal e o risco de resgatar a carreira após nove meses sugerem o contrário, mas Lehmann deve ter algum tempo de treinamento, é ídolo e aparece como um paliativo “de confiança”. O problema é o vestiário. Embora tenha a experiência de um tempo bom para o clube, o goleiro desenvolveu um relacionamento bem difícil com Manuel Almunia. No último ano do alemão no Emirates, os dois disputaram posição e trocaram farpas regularmente.

O titular Lehmann começou 2007-08 falhando e se lesionou logo em agosto. Almunia entrou em seu lugar e, incrivelmente, foi bem. Era o estopim. Veja a compilação de frases dos meses seguintes. O levantamento é do Arsenal FC Blog:

Quem volta: o Lehmann de raiz, que adora uma confusão, ou alguém disposto a buscar o título?

Lehmann, a 6/9: “Só não volto se ele (Almunia) for um superman e pegar tudo”

Lehmann, a 9/9: “Ouvi Almunia dizer que merece o número 1, mas até agora ele não ganhou sequer um jogo importante para o Arsenal”

Almunia, a 27/9: “Sou o número 1 agora e me vejo como o melhor goleiro. Este é o meu momento e não vou deixá-lo escapar”

Lehmann, a 13/10: “Ele diz que é o melhor, mas só joga porque eu me lesionei. Acho esses comentários desrespeitosos”

Em abril de 2008, Almunia, que realmente virou a primeira opção de Wenger, admitiu a situação extrema. “Eu sei que ele me odeia. Nós nem sequer conversamos. Mas não me importo mais. Trabalho sempre com Mannone e Fabianski, que são melhores que ele”, revelou ao Guardian.

A titularidade do espanhol e o mau relacionamento levaram o alemão ao Stuttgart. Sem a convivência diária, tudo ficou mais tranquilo. Lehmann até elogiou Almunia algumas vezes. Hoje, já manifestou a intenção de ajudar o antigo desafeto, que obviamente será o titular. Há quem diga que pior do que ‘tá não fica, mas o jovem James Shea, que já treinou com a seleção inglesa e ficou no banco contra o Manchester United, poderia cobrir a lacuna e evitar um trololó desnecessário.

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Curiosidades, Premier League | 00:02

A Premier League vai conhecer o mundo

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Em 2010, o troféu da Premier League passou pela casa do mais fanático torcedor do Chelsea em Mumbai

Enquanto o revezamento da tocha olímpica não começa, outro objeto de grande valor simbólico sai da Inglaterra para um passeio. Em parceria com a patrocinadora Barclays, a Premier League promove, a partir desta semana, o primeiro tour global de seu troféu.

A visita inaugural será a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, de sexta-feira a domingo. Dubai, a catariana Doha e a saudita Riad serão as outras cidades contempladas ainda em 2010-11. Após a ida ao Oriente Médio, o troféu passará por China, Sudeste Asiático, Estados Unidos, Índia e África do Sul até 2013.

As atividades não ficarão restritas à tradicional aproximação com o objeto de cobiça dos ingleses. Os fãs vão conhecer as histórias dos 20 clubes, experimentar emoções de um jogo da Premier League e simular a festa do título, como se estivessem levantando o troféu.

Não é pouco. A importância simbólica disso tudo aparece nas palavras do indiano Yorrick Pinto (foto), um dos 20 vencedores de uma promoção da Barclays no ano passado. “Não acreditei quando me disseram. Somos os primeiros indianos a receber o troféu da Premier League. Estamos muito orgulhosos”. O troféu ficou um dia na casa de Yorrick.

A clara intenção da Barclays e da Premier League é explorar mercados ascendentes através de um retorno mais palpável a quem assiste aos jogos há tanto tempo. É pena que o tour não inclua o Brasil, onde o número de fãs tem crescido muito, especialmente com a articulação de torcidas em sites e redes sociais. Fica para a segunda edição.

A Copa e a Europa
Nas quartas-de-final da FA Cup, nenhuma surpresa. O sorteio determinou que Manchester United x Manchester City e Stoke x Bolton farão as semifinais. O que isso significa? Um finalista (Stoke ou Bolton) certamente não será um dos cinco primeiros colocados da Premier League. Daí, o sexto lugar não garante vaga na Liga Europa. Péssimo para o Liverpool.

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sábado, 12 de março de 2011 Bolton, Temporada, Treinadores | 20:33

Pés e bola no chão

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Dizem que Owen Coyle poderia fazer um cosplay mal-acabado de George Clooney

Responsável pelo remodelado Bolton, Owen Coyle é outro ótimo treinador da linha de produção escocesa. Aos 44 anos, nada deve a Alex McLeish e David Moyes. Para chegar a esse patamar, ele teve de trabalhar muito em pouco tempo.

Em 2005, o ex-atacante começou a nova carreira no St. Johnstone, então na segunda divisão de seu país. O time de Perth, que se arrastava nas temporadas anteriores, conseguiu dois segundos lugares consecutivos sob o comando dele. Coyle não levou os Saints à Premier League local, mas tem seu espaço na história do clube. Com ele, o St. Johnstone venceu o Rangers em Glasgow pela primeira vez em 35 anos.

O escocês chegou à Inglaterra pela porta do Burnley. Bastaram duas temporadas para os Clarets retornarem à elite após 33 anos, razão para vários torcedores divinizarem o treinador: “Owen Coyle é Deus“, dizia uma página no Facebook. Seu Burnley fazia bom papel na primeira divisão até janeiro de 2010, quando o técnico atraiu o interesse do Bolton, que havia demitido Gary Megson. A oportunidade profissional e a identificação com o time pelo qual marcou seus gols de 1993 a 1995 o fizeram aceitar a proposta.

Coyle pagou caro do ponto de vista emocional. Em Burnley, foi de Deus a Judas. Ele também corria o risco de se afundar. Se caísse com os Clarets, tudo certo. Cedo ou tarde, teria outra chance na Premier League. No novo clube, não era bem assim. Os Trotters não visitam a segunda divisão desde 2001. Por pior que fosse a herança deixada por Megson, o escocês poderia ser demitido e perder mercado. Após algum sofrimento, um Bolton titubeante conseguiu a manutenção.

McLeish treinou Coyle no Motherwell. Como o Birmingham de 2009-10, o Bolton tem o esquema e os titulares bem definidos

Para 2010-11, Coyle mudou tudo. Num claro 4-4-2, o estadunidense Holden ganhou espaço e faz parceria interessante com Muamba. Eles passaram a acionar mais os velozes wingers Lee e Petrov, que começaram muito bem a temporada antes de caírem um pouco. Elmander sai da área, marca gols e dá assistências como nunca. O parceiro Kevin Davies lidera o time e recebe menos cartões. O goleiro Jaaskelainen segue em boa forma. À frente dele, Knight e o ótimo Gary Cahill dão o recado. Nem os laterais Steinsson e Robinson comprometem.

A obsessão por bolas longas e o suposto jogo sujo, que inspiraram ódio pelo clube mesmo nos grandes momentos da era Allardyce, ficaram para trás. Até os empréstimos de Weiss, Wilshere (temporada passada) e Sturridge sinalizam isso. O novo estilo foi recompensado oficialmente em novembro, quando Coyle ganhou o prêmio de Treinador do Mês.

Após a chegada de Sturridge, Elmander, o homem mais alto do ataque, tem jogado à direita do meio-campo. Antes, seria um desperdício. É claro que o time pode recorrer a bolas altas, como na vitória sobre o Birmingham na FA Cup. Mas a abordagem mudou. Na sétima posição da liga e nas semifinais da Copa, Coyle é novamente divino.

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sexta-feira, 11 de março de 2011 Brasileiros, Jogadores, Mercado, Newcastle | 00:48

Viagem na maionese

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Alguém aí acredita na formação da dupla Adriano & Joey Barton?

Adriano era talhado para jogar na Premier League. Seus atributos poderiam ter rendido sucesso ainda maior que o de Andy Carroll, também alto, forte e canhoto. Não à toa, o Chelsea considerou pagar uma fortuna à Inter pelo brasileiro em 2005, auge da carreira do Imperador. Seis anos e muitas besteiras depois, é difícil levar a sério as especulações de que Alan Pardew, treinador do Newcastle, tem incentivado a diretoria a fazer uma proposta ao ex-romanista.

Na Inglaterra, sempre há espaço para informações não muito confiáveis. A possível intenção de Pardew foi divulgada pelo Caught Offside, que adora um boato. O de Adriano explora o desespero de um Newcastle empobrecido no ataque após a venda de Carroll. Um cenário nada animador, com Lovenkrands, Ameobi, Ranger e Best (apesar do surpreendente hat-trick contra o West Ham), já levou a clube a contratar o também livre e muito discutível finlandês Shefki Kuqi, dispensado pelo Swansea aos 34 anos.

Além de estar fora de combate até o fim de abril, Adriano se enquadra em uma exceção. Como ainda era jogador da Roma ao fechamento da janela de transferências de janeiro, teoricamente não pode atuar em 2010-11, ao contrário do que tem sido especulado. Paliativo, ele não será. Imaginar que o acordo é para a próxima temporada e de longo prazo requer ainda mais esforço. A aposta seria um ato de negação à promessa de deixar de lado ofertas polpudas a jogadores livres e decadentes, pois, em campo, Adriano também está mal. Kluivert e Caçapa são exemplos para esquecer.

Ainda há a indisciplina, pule de dez para o brasileiro, que já escolheu a terra natal. A questão é que ainda não sabemos quem ou mesmo se alguém terá coragem de recebê-lo. O proprietário Mike Ashley, com incrível propensão a trapalhadas, até poderia aproveitar o ambiente de incerteza para tentar levá-lo ao St James’ Park. Mesmo assim, a vontade e o histórico do jogador fazem a maioria dos torcedores do Newcastle duvidar do interesse e não gostar da ideia. Em fórum na internet, um deles diz preferir um Kevin Doyle a três Adrianos.

Cartão imaginário
Peter Walton foi o árbitro de Everton x Birmingham, único jogo da Premier League na quarta-feira. Quando iria mostrar o cartão amarelo a Jordon Mutch, dos visitantes, percebeu que o importante acessório não estava no bolso. Como diria Galvão Bueno, olha o que ele fez.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , ,

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