O voo dos Magpies
A temporada do Newcastle pode ser dividida em três partes: os primeiros 11 jogos, nos quais somou 25 pontos e não perdeu; as 17 partidas seguintes, quando foi irregular demais e limitou-se a 19 pontos; e as últimas seis rodadas, com 100% de aproveitamento. O início foi brilhante porque ninguém esperava um Newcastle tão competitivo, mas a reação na reta final é o fator que pode levar os Magpies a uma antes impensável vaga na Champions League.
O calendário até o fim da temporada é bem complicado – Wigan (f), Chelsea (f), Manchester City (c) e Everton (f) –, mas a chance de voltar à Champions após uma década de ausência é real. Afinal, o Newcastle já é o quarto colocado, o Tottenham está mal demais, e o Chelsea tem um elenco bem desgastado.
O técnico Alan Pardew teve participação decisiva na surpreendente recuperação de um time que, marcando 13 gols e sofrendo apenas um, superou Norwich, West Brom, Liverpool, Swansea, Bolton e Stoke em sequência. O blog separou quatro novidades fundamentais para que o Newcastle deixasse a Inglaterra boquiaberta outra vez:
Papiss Demba Cissé. Contratado em janeiro, o senegalês Cissé é ainda mais artilheiro do que seu compatriota Demba Ba. Em dez jogos, foram onze gols a partir de um vasto repertório de finalizações. O ex-atacante do Freiburg comanda o ataque no 4-3-3 de Pardew e aproveita muito bem a criatividade de Ben Arfa e Cabaye. A embaixada do Senegal no Reino Unido precisa se mudar para Newcastle.
Hatem Ben Arfa. O talentoso francês sofria para conquistar um lugar no time, pois Pardew era adepto do 4-4-2 ortodoxo com dois centroavantes – na primeira metade da temporada, Demba Ba e Leon Best. No entanto, um suposto amadurecimento e uma sequência de ótimas atuações incentivaram o técnico a encontrar um espaço para ele. Canhoto, rápido, driblador e criativo, Ben Arfa foi decisivo em várias das últimas vitórias do Newcastle, marcou um golaço contra o Bolton e, sem exagero, poderia reaparecer na seleção francesa.
Compromisso tático. Demba Ba e Jonás Gutiérrez têm sido sacrificados para que Cissé jogue dentro da área e Ben Arfa atue com liberdade a partir da faixa direita do campo. Ba é deslocado à ponta esquerda e, até por isso, sua média de gols desabou. Jonás é naturalmente winger, mas ontem fez parte de um trivote ao lado de Cabaye e Tioté na ótima vitória sobre o Stoke. Mesmo fora de suas posições prediletas, ambos trabalham bem pelo time e são importantes nesta nova fase.
Defesa. A defesa, que havia perdido o bom ritmo do começo da temporada, passa confiança novamente, mesmo sem Steven Taylor. A parceria entre Coloccini e Williamson é estável, Simpson é consistente na lateral direita, e Santon ganhou mesmo a posição de Ryan Taylor na esquerda. R. Taylor quebrou um belo galho por ali quando Pardew precisou, mas é jogador para atuar no lado direito do meio-campo. A troca pelo italiano deixa o Newcastle mais seguro. O desempenho defensivo contra o Swansea, mencionado aqui há três dias, merece destaque.
*Vamos falar ainda da corrida pelo título, agora completamente aberta.










