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domingo, 22 de abril de 2012 Newcastle | 14:17

O voo dos Magpies

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A temporada do Newcastle pode ser dividida em três partes: os primeiros 11 jogos, nos quais somou 25 pontos e não perdeu; as 17 partidas seguintes, quando foi irregular demais e limitou-se a 19 pontos; e as últimas seis rodadas, com 100% de aproveitamento. O início foi brilhante porque ninguém esperava um Newcastle tão competitivo, mas a reação na reta final é o fator que pode levar os Magpies a uma antes impensável vaga na Champions League.

Cissé está em um relacionamento sério com o gol

O calendário até o fim da temporada é bem complicado – Wigan (f), Chelsea (f), Manchester City (c) e Everton (f) –, mas a chance de voltar à Champions após uma década de ausência é real. Afinal, o Newcastle já é o quarto colocado, o Tottenham está mal demais, e o Chelsea tem um elenco bem desgastado.

O técnico Alan Pardew teve participação decisiva na surpreendente recuperação de um time que, marcando 13 gols e sofrendo apenas um, superou Norwich, West Brom, Liverpool, Swansea, Bolton e Stoke em sequência. O blog separou quatro novidades fundamentais para que o Newcastle deixasse a Inglaterra boquiaberta outra vez:

Papiss Demba Cissé. Contratado em janeiro, o senegalês Cissé é ainda mais artilheiro do que seu compatriota Demba Ba. Em dez jogos, foram onze gols a partir de um vasto repertório de finalizações. O ex-atacante do Freiburg comanda o ataque no 4-3-3 de Pardew e aproveita muito bem a criatividade de Ben Arfa e Cabaye. A embaixada do Senegal no Reino Unido precisa se mudar para Newcastle.

Assim, no 4-3-3, o Newcastle dominou o Stoke ontem

Hatem Ben Arfa. O talentoso francês sofria para conquistar um lugar no time, pois Pardew era adepto do 4-4-2 ortodoxo com dois centroavantes – na primeira metade da temporada, Demba Ba e Leon Best. No entanto, um suposto amadurecimento e uma sequência de ótimas atuações incentivaram o técnico a encontrar um espaço para ele. Canhoto, rápido, driblador e criativo, Ben Arfa foi decisivo em várias das últimas vitórias do Newcastle, marcou um golaço contra o Bolton e, sem exagero, poderia reaparecer na seleção francesa.

Compromisso tático. Demba Ba e Jonás Gutiérrez têm sido sacrificados para que Cissé jogue dentro da área e Ben Arfa atue com liberdade a partir da faixa direita do campo. Ba é deslocado à ponta esquerda e, até por isso, sua média de gols desabou. Jonás é naturalmente winger, mas ontem fez parte de um trivote ao lado de Cabaye e Tioté na ótima vitória sobre o Stoke. Mesmo fora de suas posições prediletas, ambos trabalham bem pelo time e são importantes nesta nova fase.

Defesa. A defesa, que havia perdido o bom ritmo do começo da temporada, passa confiança novamente, mesmo sem Steven Taylor. A parceria entre Coloccini e Williamson é estável, Simpson é consistente na lateral direita, e Santon ganhou mesmo a posição de Ryan Taylor na esquerda. R. Taylor quebrou um belo galho por ali quando Pardew precisou, mas é jogador para atuar no lado direito do meio-campo. A troca pelo italiano deixa o Newcastle mais seguro. O desempenho defensivo contra o Swansea, mencionado aqui há três dias, merece destaque.

*Vamos falar ainda da corrida pelo título, agora completamente aberta.

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sexta-feira, 20 de abril de 2012 Aston Villa, Sunderland | 14:24

Por trás das vaias

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Durante sua coletiva de apresentação no Aston Villa, em agosto de 2006, Martin O’Neill sonhou alto. “É absolutamente fantástico estar de volta (ao futebol inglês). É um grande desafio. Conheço bem a história deste clube. Tentar resgatar os melhores dias dela será um longo caminho, mas por que não tentar? Faz quase 25 anos que o Villa venceu a Copa Europeia, mas este é o sonho”, afirmou.

Nada seria mais constrangedor do que deixar O'Neill em situação desconfortável no Villa Park

Amanhã, O’Neill retorna ao Villa Park pela primeira vez desde que pediu demissão, em agosto de 2010. O agora treinador do Sunderland não sabe como será recebido: com aplausos, vaias, ambos? Este não é um espaço para pautar comportamento de torcedor (a menos que envolva violência), mas a relação entre Villa e O’Neill é diferente e diz bastante sobre o que os fãs esperam do clube.

A torcida já hostilizou, nesta temporada, Ashley Young e Stewart Downing, que forçaram transferências para Manchester United e Liverpool no mercado de verão. Normal, faz parte. No entanto, O’Neill não merece um lugar nesse grupo. Em quatro anos de Villa Park, ele caminhava gradual e solidamente para cumprir a promessa de sua apresentação. Pediu demissão apenas por reproduzir a insatisfação dos próprios torcedores com o proprietário Randy Lerner, que se apresentou como um entrave a essa reconstrução do clube.

Lerner, como todo fã de futebol inglês sabe, adotou uma política essencialmente vendedora, sem orçamento para reinvestir o dinheiro de negociações como as de Gareth Barry e James Milner para o Manchester City. Era como se o trabalho de evolução do clube, brilhantemente conduzido pelo treinador, não servisse para nada além de três anos confortáveis, sempre na sexta posição. Não haveria continuidade. Tanto que a mediocridade e o medo do rebaixamento estão de volta com Alex McLeish e uma equipe que depende excessivamente de jogadores formados em casa.

O’Neill transformou um time que lutava para não cair na sexta força da Inglaterra e parece estar no mesmo caminho no comando do Sunderland. Vaias a ele legitimariam a política vendedora e decadente de Lerner. Aplausos manifestariam descontentamento e saudade de quando o Villa tentava chegar à Champions League. Desta vez, o comportamento da torcida representa muito mais do que a empatia por uma personalidade.

Amanhã tem rodada da Premier League. Então, atualize seu time no Fantasy.

Veja a classificação e os jogos da 35ª rodada.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

quinta-feira, 19 de abril de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 13:30

Newcastle e Stoke inspiram Di Matteo

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Há duas semanas, o Newcastle venceu o Swansea por 2 a 0 no País de Gales. Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que ficou com o conjunto galês em 68% do tempo. O número não significa que o Swansea, segundo time que mais troca passes na Premier League, tenha sido melhor, pois o Newcastle simplesmente não queria ter a bola.

A estratégia dos Magpies, executada à perfeição, era evidente: esperar lá atrás, desarmar e acionar Demba Ba na ponta esquerda ou Papiss Cissé no comando do ataque. Cissé marcou dois gols e decidiu. O Swansea finalizou 19 vezes (13 no alvo) contra cinco (quatro no alvo) do Newcastle, que criou chances mais claras porque atacava com mais espaço.

Roberto Di Matteo acertou ao, como se diz na Inglaterra, estacionar o ônibus na frente da área

O Swansea importa o estilo do Barcelona, mas obviamente não tem recursos financeiros e técnicos para ser dominante na Inglaterra. Posto isso, qualquer semelhança com o que se viu ontem em Stamford Bridge não foi mera coincidência. O Chelsea jamais pretendeu limitar a posse de bola do Barça, que chegou a assustadores 72%. A vitória por 1 a 0 e a ligeira vantagem na semifinal da Champions League foram conquistadas com muita consciência, disciplina e eficiência (e, ainda, sorte), os mesmos princípios do Newcastle de Alan Pardew.

Em certos momentos, aliás, o Chelsea mais parecia o Stoke City de Tony Pulis, que demorou 116 jogos na Premier League para ter mais posse de bola do que um adversário – conseguiu em agosto do ano passado, no empate com o Norwich. Houve até arremessos laterais longos de Branislav Ivanovic, para explorar a ausência de Gerard Piqué na defesa do Barcelona. Não era raro ver os 11 jogadores, inclusive Didier Drogba, no último terço ou até no último quarto do campo. Tudo para fechar os espaços do Barcelona e limitar Lionel Messi.

A escolha da postura e sua execução foram ótimas, mas a vitória foi viabilizada mesmo pelas atuações brilhantes de Petr Cech, Gary Cahill, John Terry, Ashley Cole, Ramires (mandou no lado esquerdo do meio-campo) e Drogba. Frank Lampard, por roubar a bola de Messi e ligar o contra-ataque do gol, também merece menção honrosa. No Camp Nou, com a atmosfera favorável ao Barça e um campo maior para proteger, será complicado reeditar com sucesso a estratégia. No entanto, o jogo de ontem deu ao Chelsea o direito de tentar.

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terça-feira, 17 de abril de 2012 Arsenal | 19:40

Sorriso discreto

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Retorno de Wilshere nesta temporada poderia comprometer os planos de Wenger

Jack Wilshere está fora da temporada. Em janeiro, era uma possibilidade que o Arsenal queria afastar. Hoje, uma notícia que não faz Arsène Wenger perder sequer um minuto de sono. É claro que a delicada recuperação do tornozelo de Wilshere é uma questão para lá de relevante no Emirates, mas um retorno imediato não agregaria tanto ao time e provavelmente prejudicaria a preparação dele para 2012-13.

Apesar da derrota para um impressionante Wigan ontem à noite, o Arsenal está bem, com nove vitórias em 11 jogos e uma parceria segura entre Alex Song e Mikel Arteta. Um Wilshere sem ritmo nas últimas rodadas certamente não seria o fator a garantir a vaga na Champions League. Além disso, se voltasse agora, o meio-campista de 20 anos retornaria também ao radar da seleção inglesa que disputará a Euro.

Mas não seria esse o caminho natural para um garoto que, quando jogou, transformou o Arsenal e a seleção inglesa em equipes melhores? Não para Wenger, preocupado com a condição física de Wilshere desde a temporada passada. Sem saber que o tornozelo dele traria tantos problemas, o francês liderou uma campanha para que Stuart Pearce não o convocasse à Euro sub-21 de 2011. Wenger venceu a queda de braço, mas perdeu o meia por ironia do destino. Agora, quer garantir que, ausente da Euro 2012, ele tenha férias e faça pré-temporada completa.

Os Jogos de Londres, que terminam em 11 de agosto para o futebol (a Premier League começa na semana seguinte), também assustavam. Quem não for convocado à Euro estará apto a defender a seleção britânica. Wilshere naturalmente seria uma das estrelas do time. Sem oferecer garantias, porém, a tendência é que ele seja descartado também do torneio olímpico. O jogador, a Inglaterra e o Reino Unido lamentam, mas Wenger abre um sorriso discreto porque sabe que a próxima temporada do Arsenal passa muito por um Wilshere saudável.

Drogba ou Torres?
Ontem, o blog mencionou implicitamente esse dilema de Roberto Di Matteo. No Guardian, Dominic Fifield traz a discussão sobre qual deles deve ser escalado contra o Barcelona. Vale lembrar que Torres descansou contra o Tottenham.

Premier League, 20 anos
Você já pode homenagear a Premier League, que em maio completará sua 20ª temporada. Escolha aqui entre os melhores jogos, gols, comemorações e defesas e escale o time ideal destas duas décadas. A seleção do blog tem Peter Schmeichel; Gary Neville, Tony Adams, Rio Ferdinand, Ashley Cole; Cristiano Ronaldo, Paul Scholes, Steven Gerrard, Ryan Giggs; Alan Shearer, Thierry Henry.

We are going up
Mesmo após vender ao West Bromwich Shane Long, seu principal jogador na temporada passada, o Reading é o primeiro promovido à Premier League 2012-13. A vitória por 1 a 0 sobre o Nottingham Forest levou os Royals aos 88 pontos, oito a mais do que o West Ham, terceiro colocado, com apenas mais duas rodadas para jogar. O trabalho feito no Madejski é muito sólido, mas o que garantiu mesmo o acesso foi a espetacular arrancada final: 15 vitórias, um empate e uma derrota nos últimos 17 jogos.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

segunda-feira, 16 de abril de 2012 Copas Nacionais, Premier League | 09:25

FA Cup e corrida pelo título

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Herói improvável. Embora trabalhe bastante pelo time, Andy Carroll não terá seu esforço reconhecido pela opinião pública enquanto não melhorar sua deprimente média de gols. Mas existe um lado bom nessa história: como ninguém espera mais nada dele, qualquer participação decisiva é surpreendente e, portanto, provoca reações exageradas. O gol que eliminou o Everton e pôs o Liverpool em outra decisão de copa lhe rendeu dois elogios de peso. Jamie Carragher considera, hiperbolicamente, que o gol justificou os £35 milhões investidos nele em janeiro do ano passado. Ídolo dos Reds, Kevin Keegan o qualificou como “o melhor cabeceador dos últimos 20 anos”. Calma, gente.

Chelsea e seu lethal touch. Lethal touch (“toque letal”), para quem não sabe, é a qualidade atribuída àquela equipe que consegue aproveitar bem suas oportunidades de gol. O Chelsea não jogou para golear o Tottenham e ainda contou com ajuda da arbitragem, mas foi eficiente demais na outra semifinal da FA Cup. O time de Roberto Di Matteo teve 49% de posse de bola, finalizou 16 vezes e marcou cinco gols (quatro, na verdade). Fundamental, agora, é repetir isso contra o Barcelona, que não deve conceder muitas chances. A questão é: com Lampard e Drogba, goleadores prolíficos, ou com jogadores em melhores condições físicas?

Cudicini se desespera, e a FIFA preserva o "charme" de um futebol sem tecnologia. Até quando?

Arbitragem. Ainda que haja diferentes graus, não existe time apenas beneficiado ou apenas prejudicado. No entanto, a situação da arbitragem na Inglaterra beira o insustentável. Em seus últimos três jogos, o Manchester United foi ajudado quatro vezes e lesado outras três em lances capitais. Na FA Cup, Juan Mata marcou um gol-fantasma. Existem soluções urgentes de caráter global, da (in)competência da FIFA, mas a Football Association também pode agir. Diretrizes mais claras aos árbitros e testes físicos mais rigorosos (Phil Dowd, 49, sofre para correr) são medidas bem viáveis.

Desespero, parte 1. Para Patrick Vieira, chamar Paul Scholes de volta foi um ato de desespero do Manchester United. Na vitória por 4 a 0 sobre o Aston Villa, Scholes foi novamente preciso, completando 63 de 67 tentativas de passe. São dez vitórias do United em dez partidas dele como titular desde o retorno da aposentadoria. Estas coisas são incalculáveis, mas parece evidente que, se Scholes não tivesse voltado, a corrida pelo título da Premier League teria outro líder. Moral da história: tome decisões movido pelo desespero.

Desespero, parte 2. No caso de Tevez, a quem Alex Ferguson recorreu para responder às declarações de Vieira, havia o risco adicional de danos ao ambiente do clube, mas essa fase já passou. Na vitória do Manchester City por 6 a 1 sobre o Norwich, o rebelde argentino marcou três gols e deu uma assistência a Agüero, com quem faz a melhor parceria possível no ataque do City. Finalmente, o time de Roberto Mancini tem uma sequência de ótimas atuações e dá sinais de que pode ganhar todos os jogos até o fim da temporada. Difícil é acreditar que será suficiente para o título.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

sexta-feira, 13 de abril de 2012 Copas Nacionais, Everton, Liverpool | 16:58

Cinco motivos para acordar cedo amanhã

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Liverpool e Everton decidem amanhã, às 8h30 de Brasília, uma vaga na final da FA Cup. O horário é ingrato, mas vale a pena assistir. Veja por que você não deve perder o Merseyside derby mais importante do século XXI:

Não tem todo dia. Liverpool e Everton se encontraram pela última vez em Wembley há 23 anos, numa decisão memorável de FA Cup, cinco semanas após a tragédia de Hillsborough, que matou 96 torcedores dos Reds. O Liverpool vencia por 1 a 0 até os 89 minutos, quando Stuart McCall empatou. Na prorrogação, apesar de McCall ter marcado novamente, Ian Rush, que havia começado no banco, fez dois gols e determinou a vitória vermelha por 3 a 2. O maior artilheiro da história dos Reds já havia sido essencial na outra decisão de copa contra o Everton, em 1986, quando também marcou duas vezes. Kenny Dalglish comandou o Liverpool em ambas as finais e jogou na de 86.

Ambiente do Liverpool. O Liverpool é uma gangorra de emoções. Nesta semana, perdeu mais um goleiro (Brad Jones e o resgatado Peter Gulacsi serão os convocados), venceu o Blackburn com gol de Andy Carroll numa partida insana e viu seu diretor de futebol, Damien Comolli, ex-Arsenal e Tottenham, ser demitido. A saída de Comolli representa não apenas a insatisfação da cúpula com o trabalho de observação dele, mas também o fracasso, ainda que parcial, de contratações indicadas pelo francês e aprovadas por Dalglish. Enfim, a decisão pode resvalar em gente como Carroll, Downing e no próprio Dalglish, que precisa administrar a situação.

Jelavic pode encerrar uma dinastia de fracassos ofensivos no Everton

O Everton tem um atacante decente. Contratado em janeiro, Nikica Jelavic foi fundamental na classificação do Everton às semifinais da FA Cup e tem agradado também na Premier League. Com uma marca registrada de finalização, sempre perto da marca do pênalti completando cruzamento da esquerda, o croata tem cinco gols em dez jogos e enfim acrescenta a um meio-campo sólido que carecia há muito tempo de um finalizador competente. O técnico de Jelavic na seleção, o bom Slaven Bilic, prevê sucesso para ele em Goodison Park.

Relação de forças. O Everton, sétimo colocado com 47 pontos, está uma posição e um ponto acima do Liverpool no campeonato. A única temporada em que os Toffees superaram o rival na Premier League foi 2004-05, mas a façanha seria ofuscada pelo épico título europeu dos Reds de Rafa Benítez. Desta vez, apesar das derrotas dentro e fora de casa em 2011-12, o Everton está em melhor fase e pode, sim, terminar a liga à frente, eliminar o Liverpool da copa e tentar seu primeiro título em 17 anos.

Imponderável. O Liverpool perdeu seis dos últimos nove jogos na Premier League e segue sofrendo demais para marcar gols até quando cria chances em escala industrial. No entanto, o primeiro trimestre de 2012 também teve bons momentos. Além do título da Carling Cup, os Reds venceram justamente o Everton por 3 a 0. Tudo bem que era um Everton combalido, que preservava parte do time para cuidar da FA Cup, mas o hat-trick de Steven Gerrard, em temporada discreta, foi tão memorável quanto inesperado. Clássicos distorcem, para o bem e para o mal. Clichê cretino, porém verdadeiro.

*O jogo terá transmissão da ESPN Brasil e do Esporte Interativo

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quinta-feira, 12 de abril de 2012 Wigan | 09:20

Leite em pedra

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Um breve levantamento sobre os titulares do Wigan que venceram o Manchester United por 1 a 0 explica por que os Latics são o time mais limitado da Premier League. As categorias de base vão mal e não cederam sequer um jogador à escalação de Roberto Martínez. Dave Whelan, o simpático proprietário do Wigan, teve de pôr a mão no bolso para contratar todos os 11. Mas não gastou muito, não. O mais caro deles foi o goleiro omaniano e pegador de pênaltis Ali Al-Habsi. Veja quanto e a quem o clube pagou por seus titulares:

McCarthy e McArthur, a dupla dinâmica do escocês Hamilton Academical

Ali Al-Habsi – £4 milhões ao Bolton
Emmerson Boyce – £1 milhão ao Crystal Palace
Gary Caldwell – £2 milhões ao Celtic
Antolín Alcaraz – £3 milhões ao Club Brugge
Maynor Figueroa – £1,5 milhão ao Olimpia hondurenho
Jean Beausejour – £2,5 milhões ao Birmingham
James McArthur – £500 mil ao Hamilton Academical
James McCarthy – £1 milhão ao Hamilton Academical
Victor Moses – £2,5 milhões ao Crystal Palace
Franco Di Santo – £2 milhões ao Chelsea
Shaun Maloney – £1 milhão ao Celtic

Sim, o Wigan investiu apenas £21 milhões no time titular, irrisórios para quem está há sete anos na Premier League. Por exemplo, só a venda de Antonio Valencia, que defendeu o Manchester United contra seu ex-time, rendeu £16 milhões aos cofres de Dave Whelan em 2009. Charles N’Zogbia, o melhor jogador do Wigan na temporada passada, foi para o Aston Villa por £9,5 milhões. O investimento é decrescente e, embora tenha capturado alguns bons valores, como Victor Moses, não tem o olho clínico de um Graham Carr, observador do Newcastle.

O Wigan é mais frágil a cada temporada. Nesta, é teoricamente a pior equipe da Premier League. Não na prática. Nas últimas rodadas, o Wigan é seguro, pressiona o adversário com e sem a bola, cria incontáveis chances de gol e consegue resultados ilógicos. As vitórias sobre Liverpool e Manchester United levaram os Latics a um cenário que realmente parecia impossível: o time fora da zona de rebaixamento. A queda é factível, mas a campanha já é para lá de surpreendente num ano em que os três recém-promovidos podem escapar – apenas o QPR ainda tem essa preocupação.

O milagreiro
Roberto Martínez deve ser bom mesmo. Sabe o Swansea de Brendan Rodgers? Foi Martínez quem iniciou o trabalho de longo prazo no Liberty Stadium, em 2007. Sabe este Wigan? Está na Premier League porque ele extrai tudo do time. O treinador espanhol, de 38 anos, é outro a entrar naquela discussão sobre o melhor da temporada. No verão passado, ele foi fiel a seu contrato, que termina no fim desta temporada, e recusou o Aston Villa. Agora, mercado é o que não vai faltar.

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terça-feira, 10 de abril de 2012 Fulham | 20:53

Texas Ranger

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Clint Dempsey está impossível. O meia-atacante texano marcou seis gols nos últimos sete jogos do Fulham. Ontem, garantiu o empate no dérbi contra o Chelsea. Dempsey tem impressionantes 22 gols (16 na Premier League) em 2011-12, sua sexta e melhor temporada em Craven Cottage. Naturalmente, muito se especula sobre o futuro do jogador estadunidense da moda, cujo vínculo com o Fulham termina no ano que vem. Ele tem a Inglaterra a seus pés e uma decisão importante para tomar.

Aos 29 anos, Dempsey certamente sabe que, se renovar pela terceira vez com os Cottagers, abrirá mão da chance de brilhar por um time de ponta da Inglaterra. Com o argumento de que está concentrado nas partidas do Fulham, ele já adiou as negociações para a extensão do contrato. A tendência é que isso se defina nas férias, imaginando que o clube evite perdê-lo sem compensação financeira. Treinador e fã, Martin Jol implora pela permanência, mas reconhece que é difícil.

Ótimo também no Fantasy, Dempsey participou diretamente de 49% dos gols do Fulham na Premier League

Afinal, Dempsey é bom a ponto de continuar em alto nível num elenco mais rico que o do Fulham? O futuro dirá, mas podemos antecipar de alguma maneira. Primeiro, é preciso esclarecer que ele não chegaria ao Arsenal, por exemplo, para ser protagonista. Não é, portanto, alguém por quem um clube pagaria £20 milhões, ainda mais a esta altura da carreira e com apenas mais um ano de contrato.

Dempsey não tem o talento de um Hatem Ben Arfa, mas é consistente há muito tempo e tem aprimorado aquilo que podemos chamar de QI futebolístico. Assim como Maxi Rodríguez, do Liverpool, o norte-americano tem uma capacidade impressionante de posicionamento e tomada de decisões. Não sai do lugar certo, passa quando tem de passar e chuta quando tem de chutar. Em cinco temporadas completas no Fulham, seus números só melhoram: na sequência, ele fez seis, oito, nove, 13 e 22 gols.

Uma boa referência para situar Dempsey é o também meia-atacante Tim Cahill, do Everton. As trajetórias são semelhantes. Enquanto o texano defendeu apenas New England Revolution e Fulham, o australiano jogou só no Millwall e no Everton. Antes de entrar em decadência, Cahill também era apontado como um jogador num patamar acima do de seu clube, que merecia uma oportunidade num time de ponta etc. Não deu, mas isso não é razão para Dempsey perder o estímulo.

Dempsey é mais versátil, com vocação para atuar na meia central, nas duas pontas do meio-campo ou até no ataque, como no dérbi contra o Chelsea. O texano tem um repertório maior de jogadas e de finalizações (Cahill usa a cabeça em cerca de 60% de seus gols) e, até por isso, tem marcado mais. Mesmo subjetivamente, por simples observação, você nota que o norte-americano é melhor que Cahill.

Capacidade, ele tem. A dúvida está entre consolidar a carreira europeia num clube maior, como um coadjuvante importante, e seguir protagonista no Fulham, onde é ídolo máximo. Para convencê-lo a ficar, bem que o proprietário Mohamed Al-Fayed poderia oferecer a seu melhor jogador uma estátua ao lado da de Michael Jackson. Essa, ao menos, serviria para alguma coisa.

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segunda-feira, 9 de abril de 2012 Man City | 13:11

Why always you?

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A vitória do Arsenal sobre o Manchester City praticamente definiu o campeão inglês. O United parece inalcançável não apenas pela vantagem de oito pontos sobre o City, mas também porque indica que não vai tropeçar em adversários frágeis. O iminente 20º título nacional dos Red Devils, é claro, será tema por aqui.

Por enquanto, ao perdedor, os pepinos. E o primeiro que Roberto Mancini precisa descascar é Mario Balotelli. Expulso por um paciente Martin Atkinson na derrota para o Arsenal, o italiano de 21 anos certamente não ficará no Etihad. Em entrevista à BBC, Mancini revelou que Balotelli deve ser vendido e que não tem a intenção de escalá-lo novamente nesta temporada. O empresário nega, mas você confirmaria?

“Espero que ele entenda que está no caminho errado e torço muito para que mude seu comportamento no futuro”, disse o treinador, que por vezes assumiu uma postura paternal em relação ao atacante. Balotelli não é um fracasso em campo, longe disso, mas é um fiasco administrativo. De alguma maneira, a saída dele expõe um gol contra de Mancini, que bancou a aposta num talento e num comportamento que ele conhece há bastante tempo, da época de Internazionale.

"Why always me?", o maior legado de Mario Balotelli à Inglaterra

Ainda que Mancini discurse como se tivesse certeza de sua própria permanência, uma eventual demissão do treinador também não impediria a saída de Balotelli – muito pelo contrário. Isso porque a lição não foi ensinada a uma pessoa, mas ao clube. Embora seja natural haver erros de avaliação com um orçamento sem restrições, o Manchester City de Tevez e Balotelli já pode compreender que, com tanto dinheiro para gastar, você deve fazer escolhas seguras, para ter retorno em campo e não ter transtorno no vestiário.

O jogador pode ser folclórico, pode até aparecer em apresentação de técnico da Internazionale. Mas não dá para aturar antiprofissionalismo e falta de compromisso. Em suas duas temporadas na Inglaterra, Balotelli colecionou gols (27 em 59 jogos), expulsões estúpidas (quatro) e incontáveis episódios de indisciplina. Tudo isso quando os maus resultados do time não deixam dúvidas sobre a importância de aspectos psicológicos para quem está em alto nível. O City tem de deixar o risco para quem precisa corrê-lo.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012 Chelsea, Newcastle | 14:58

Lembranças de 2009

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Tom Henning Ovrebo ainda é um nome vivo na memória dos torcedores do Chelsea. Na semifinal da Champions League de 2008-09, quando os Blues foram eliminados pelo Barcelona, o árbitro norueguês ignorou quatro pênaltis reclamados pelos ingleses e expulsou injustamente o culé Eric Abidal. Na balança de uma arbitragem caótica, o Chelsea foi claramente prejudicado, e Guus Hiddink não teve a chance de despedir-se de Stamford Bridge como campeão europeu.

Michael Ballack ensaia coreografia com Tom Ovrebo

Não apenas por Ovrebo, que ainda recebe mensagens hostis em seu e-mail, o reencontro entre Chelsea e Barcelona é mais comentado pelo apito do que pela bola. Na esteira da polêmica arbitragem de Barcelona x Milan, um sarcástico José Mourinho afirmou que os catalães “já estão na final”. Em Bridge, o clima de revanche é impulsionado pelo episódio Ovrebo, como se houvesse a necessidade de um acerto de contas. A rivalidade que gerou jogos memoráveis na Champions entre 2005 e 2009 fica em segundo plano.

Roberto Di Matteo e elenco estão otimistas, ou ao menos tentam passar essa impressão, mas Frank Lampard resumiu bem: para ter chance, o Chelsea tem de atuar em seu nível máximo. Assim, se o apito foi danoso para os ingleses em 2009, agora ele é um perigoso aliado de bastidores, através da ilusão de que o Barcelona é protegido pela arbitragem e de que isso precisa acabar. Um fator externo capaz de distorcer o balanço de forças entre Blues e blaugranas, bastante favorável ao melhor time do mundo, é bem-vindo aos olhos de muita gente.

No entanto, o Chelsea tem de evitar a pilha de Mourinho. Ninguém em sã consciência enxerga conspiração pró-Barça no confronto contra o Milan (por conta de uma decisão estúpida?) ou mesmo na fatídica eliminação dos Blues há três anos, quando, reitero, Abidal foi injustamente expulso. Pressionar os árbitros do confronto é um expediente desnecessário, certamente ineficaz e que ampliaria a antipatia global ao Chelsea – vá ao Twitter durante um jogo dos Blues e sinta o amor dos brasileiros por Terry & Co.

Nos últimos anos, o Chelsea regrediu, e o Barcelona se aperfeiçoou. O recurso para minimizar essa distância é a motivação extra, o tal sangue nos olhos, natural pelas circunstâncias e pela decepção há três temporadas. John Terry é o que é, mas enfrentou o Benfica com costelas fraturadas e já se declarou “disponível” para o resto da temporada. Neste caso, um líder pelo exemplo. A vontade que faltou com André Villas-Boas sobra na hora de fazer história. Este, sim, deve ser o legado de 2009.

Swansea 0 x 2 Newcastle
Papiss Cissé segue ofuscando Demba Ba. Na abertura da 32ª rodada da Premier League, o senegalês ex-Freiburg novamente marcou dois gols, chegou a nove em oito jogos pelo Newcastle e foi decisivo para os Magpies, que chegam à quinta posição. Mérito também de Alan Pardew, que nas últimas rodadas percebeu que a melhor solução para seu dilema ofensivo é utilizar os dois senegaleses e Hatem Ben Arfa como titulares. Ba fica mais longe do gol, mas o Newcastle está mais perto da Europa.

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