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terça-feira, 8 de maio de 2012 Blackburn | 18:58

Cronologia do fracasso

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A galinha do Ewood Park não tem o carisma do gato de Anfield

O Blackburn, um dos quatro campeões da era Premier League, está rebaixado. A previsível derrota para o Wigan confirmou uma queda que se anunciava há muito tempo, embora o time tenha esboçado reação no segundo turno. Pouco depois do título de 1994-95, os Rovers caíram em 1998-99 e passaram duas temporadas fora da elite. Se o primeiro rebaixamento após a conquista surpreendeu, o segundo é mera consequência da estupidez da diretoria.

Durante o jogo contra o Wigan, uma galinha foi lançada a campo como forma de protesto contra os proprietários. O Venky’s, grupo indiano que controla o Blackburn desde novembro de 2010, é um gigante da produção de aves no mercado asiático. A galinha e a ironia que a acompanhava representam a indignação dos torcedores com quem foi negligente e desastrado na administração de um clube que tinha tudo para crescer, mas afundou. A cronologia do rebaixamento está aí:

19 de novembro de 2010: O Venky’s compra o Blackburn por £23 milhões.
13 de dezembro de 2010: Com menos de um mês no Ewood Park, o Venky’s demite Sam Allardyce, treinador que havia sido fundamental para a recuperação do Blackburn, fazia campanha segura na Premier League e tinha apoio irrestrito de torcedores e jogadores. A promessa era trocá-lo por um treinador de ponta. Rafa Benítez foi especulado.
22 de dezembro de 2010: A diretoria admite a impossibilidade de atrair um treinador consagrado e efetiva o escocês Steve Kean, ex-assistente de Allardyce. Kean ganha um contrato até o fim da temporada para provar sua capacidade.
3 de janeiro de 2011: Em outro surto de grandeza, os indianos anunciam interesse por uma “estrela brasileira” qualquer. Ronaldinho é cogitado (imagine se ele tivesse sido contratado…).
22 de maio de 2011: O Blackburn vence o Wolverhampton por 3 a 2 no Molineux e evita o rebaixamento na última rodada. O time havia ficado dez jogos sem ganhar, entre janeiro e abril. Kean teve de administrar a insatisfação do elenco pela demissão de Allardyce. Chris Samba, o mais revoltado, chegou a perder a faixa de capitão.

Hoilett atormentou defesas e, sem contrato, vai embora de graça

Mercado de verão: A diretoria perde dois de seus melhores jogadores jovens: Phil Jones para o Manchester United e Nikola Kalinic, este inexplicavelmente, para o Dnipro. Junior Hoilett e Steve N’Zonzi, outros bons representantes da nova geração, ficam no clube. A despeito das contratações de Scott Dann e Yakubu, os outros reforços são fracos, e as promessas da diretoria viram pó. Steve Kean tem o contrato renovado por mais duas temporadas.
13 de agosto de 2011: O Blackburn perde em casa para o Wolverhampton na abertura da temporada. Tragédia anunciada.
16 de setembro de 2011: Como se fosse possível, os proprietários jogam a responsabilidade para a inconformada torcida, pedindo total apoio ao time que eles não montaram. Na partida seguinte, contra um Arsenal combalido, vitória por 4 a 3. Os indianos posam de vitoriosos no Ewood Park.
20 de dezembro de 2011: O Blackburn perde em casa para o Bolton, concorrente direto na tabela, no 17º jogo da Premier League. A campanha chega a duas vitórias, quatro empates e 11 derrotas. A diretoria se omite, e Kean enfrenta a fúria dos torcedores. Yakubu e Hoilett eram os únicos destaques do time.
4 de fevereiro de 2012: O Arsenal faz 7 a 1 no Blackburn, com três gols de van Persie, dois de Chamberlain, um de Arteta e um de Henry.
24 de fevereiro de 2012: Chris Samba é vendido ao Anzhi. O Blackburn perde sua grande referência defensiva.
7 de maio de 2012: O Wigan, de poder financeiro bem menor, vence por 1 a 0 em Ewood Park, garante a permanência na Premier League e derruba o Blackburn para a segunda divisão com uma rodada de antecedência.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

segunda-feira, 7 de maio de 2012 Curiosidades | 10:58

Italian Party

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Di Matteo: de bem com a vida desde 2008, quando assumiu o MK Dons

Roberto Di Matteo é o terceiro técnico italiano consecutivo a conquistar a FA Cup. O comandante interino do Chelsea seguiu o caminho dos campeões de 2010 e 2011, Carlo Ancelotti e Roberto Mancini. O manager do Manchester City, aliás, está a uma vitória sobre o Queens Park Rangers de tornar-se o segundo treinador italiano a ganhar a Premier League nas últimas três temporadas. Ancelotti, você se lembra, foi o vencedor há dois anos.

Além de Manchester City e Chelsea, o Swindon Town também é comandado por um italiano. Embalado pelo êxito de seus compatriotas, Paolo Di Canio faz ótimo trabalho para um debutante. Logo na primeira temporada como treinador, o ex-ídolo do West Ham foi finalista do Football League Trophy e, melhor ainda, levou o título da League Two, garantindo com tranquilidade o retorno do Swindon à terceira divisão. Não será surpresa se ele aparecer no West Ham em breve.

A Mancini, Di Matteo e Di Canio, somam-se Carlo Ancelotti (Chelsea, 2009-2011) Fabio Capello (Seleção, 2008-2012), Gianfranco Zola (West Ham, 2008-10), Luigi De Canio (QPR, 2007-08), Claudio Ranieri (Chelsea, 2000-2004), Gianluca Vialli (Chelsea, 1998-2000; Watford, 2001-2002) e Attilio Lombardo (Crystal Palace, 1998) no histórico de técnicos italianos na Inglaterra. Os três atuais estão bem. Ancelotti brilhou na primeira temporada. Vialli, Zola, Capello e Ranieri, nesta ordem, foram razoáveis. De Canio e Lombardo fracassaram.

A porta aberta aos italianos tem relação íntima com o Chelsea dos anos 90. Numa época em que Roman Abramovich era apenas sombra de Boris Berezovsky e não pensava em aventurar-se na Inglaterra, os Blues já se transformavam num time poderoso. Atual dono do Leeds, Ken Bates disponibilizou um belo orçamento a Ruud Gullit, que virou técnico / jogador em 1996. Se Gullit havia sido integrante do Milan dos holandeses, dá para dizer que ele formou o Chelsea dos italianos. Zola, Di Matteo e Vialli chegaram de uma vez a Stamford Bridge.

Zola é a maior prova de que existiu um Chelsea antes de Abramovich

O trio foi um sucesso – Zola é, para muita gente, o melhor jogador da história do clube –, e todo mundo ali virou treinador. Aquele Chelsea foi fundamental para a classe dos técnicos italianos no futebol inglês. No entanto, se eles têm ganhado ainda mais espaço, é simplesmente porque a maioria acrescentou bastante às equipes. Nesse caso, o hábito de associá-los ao velho estereótipo do retranqueiro é perigoso. Saber armar defesas não significa necessariamente abdicar do ataque.

O Chelsea de Ancelotti fez 103 gols na Premier League em 2009-10. Foi sob o comando dele que Didier Drogba (29 gols e 13 assistências) e Frank Lampard (22 gols e 17 assistências) tiveram sua temporada mais produtiva. O City de Mancini, de 90 gols em 37 partidas, joga com Silva, Nasri, Tevez e Agüero. Até Di Matteo, que se notabilizou por estacionar o ônibus contra o Barcelona na Champions League, consegue ser agressivo. O West Brom dele marcou menos gols apenas do que o Newcastle na Championship em 2009-10. O Milton Keynes Dons, primeiro time treinado pelo ítalo-suíço, também foi o segundo melhor ataque da League One na temporada anterior. Prova de que, para os ingleses, Itália não é sinônimo de catenaccio.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

sexta-feira, 4 de maio de 2012 Chelsea, Liverpool | 10:09

A satisfação e o progresso

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Liverpool e Chelsea se encontram amanhã, às 13h15 de Brasília, para a final da FA Cup em Wembley. As escalações são incertas, mas existem pistas de como Dalglish e Di Matteo preparam seus times.

A semana do Liverpool é, de certa maneira, um resumo da temporada. Na terça-feira, derrota em casa para o Fulham na Premier League. Amanhã, decisão da FA Cup contra o Chelsea. A péssima campanha na liga, que põe o clube num embaraçoso oitavo lugar, contrasta com o êxito nas copas. Se o título da Carling Cup amenizou a sensação de fracasso em 2011-12, a perspectiva de levar a FA Cup empolga ainda mais.

Parece existir em Anfield uma necessidade doentia de provar que o clube evoluiu na temporada. Só nesta semana, o diretor Ian Ayre, o capitão Steven Gerrard e o técnico Kenny Dalglish concederam entrevistas para valorizar sucessos e minimizar fracassos. Dalglish disse que prefere a satisfação pelo possível double (títulos nas duas copas) a uma quinta posição no campeonato.

Ele está certo quando fala em “satisfação”, ainda mais se pensarmos que o Liverpool não levantava uma taça havia seis anos. Um clube desse tamanho não pode mesmo contentar-se com vaga nisso ou vaga naquilo. Títulos e finais devem fazer parte da rotina porque oferecem aos torcedores os momentos mais marcantes em sua relação com a instituição. Troféus são o que há.

Não à toa, as melhores lembranças do século XXI para os torcedores do Liverpool são o treble de 2001 (Copas da Inglaterra, da Liga e da UEFA), as duas finais de Champions com um título memorável em 2005 e a FA Cup de 2006, conquista com a assinatura de Gerrard. A emoção dessas ocasiões foi inegavelmente superior à do segundo lugar na Premier League em 2008-09, ainda que aquele time tenha sido o melhor do Liverpool nos últimos 20 anos.

No entanto, é necessário separar a ótica do torcedor da do profissional, que também tem compromissos financeiros com o clube e precisa assegurar, por exemplo, que a Champions League não se transforme numa realidade inatingível. Além de “satisfação”, outra palavra tem sido empregada com frequência lá em Anfield, inclusive por Dalglish: “progresso”. Ora, a medida do progresso tem de ser a campanha na Premier League, competição que lhe impõe um calendário longo e sem distorções.

O fraco aproveitamento de 45% e a oitava posição estão longe dos 51% e do sexto lugar da temporada passada, que, vale registrar, começou de forma trágica. Esses números significam que a política de contratações, embora fizesse sentido no começo, não deu certo e que algo precisa ser feito para a curva de desempenho voltar a subir no ano que vem. O Liverpool reaprendeu a jogar partidas decisivas e pode oferecer aos torcedores o segundo troféu da temporada, mas não evoluiu. Not at all.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

quinta-feira, 3 de maio de 2012 Arsenal | 11:33

A dois passos do paraíso

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Ontem, o Newcastle de Papiss Cissé silenciou Stamford Bridge, e o Tottenham de Luka Modric passou com autoridade pelo Bolton. A duas rodadas do fim, esses resultados equilibraram a corrida pela Champions League. O Arsenal, na terceira posição, tem 66 pontos, contra 65 de Tottenham, quarto colocado, e Newcastle, que sempre levará desvantagem no primeiro critério de desempate por conta do baixo saldo de gols. O Chelsea, com 61, está virtualmente fora da disputa via campeonato.

A 36ª rodada pressionou demais o Arsenal, que empatou com o Stoke e perdeu o direito de falhar na reta final. Está certo que o Newcastle tem Manchester City e Everton pela frente, mas o Tottenham deve superar Aston Villa e Fulham. Vale lembrar que, se o Chelsea conquistar a Champions League, o quarto lugar oferecerá nada além de partidas sonolentas (os ingleses tornam as partidas sonolentas) da Europa League às quintas e um calendário congestionado pela Premier League às segundas.

Se vencer seus dois próximos jogos, o Arsenal pode garantir essa parceria

No sábado, o Arsenal recebe o Norwich. Ainda que Paul Lambert e companhia não vivam boa fase, a recente vitória dos Canaries sobre o Tottenham em Londres evidencia a habilidade do treinador escocês em preparar o time para explorar o nervosismo alheio. O Wigan, que ganhou no Emirates há duas semanas, é o modelo para ele. Na última rodada, deve ser ainda mais difícil vencer o West Brom no Hawthorns, onde os Baggies não perderam para Chelsea e Manchester City. Será a despedida de Roy Hodgson do WBA.

Na busca pelo terceiro lugar, o Arsenal não deve ter os titulares Arteta e Walcott, além de Wilshere, habitué do departamento médico. A confiança passa por Vermaelen, Song, van Persie e – que rufem os tambores – Rosicky. Sim, o Pequeno Mozart reapareceu no fim da temporada e tem sido fundamental. A assistência dele para van Persie contra o Stoke dá uma boa dimensão do papel do tcheco na equipe.

Ironicamente, Rosicky tem de ser a solução nesta temporada para que não precise ser na próxima. As constantes lesões e mesmo a irregularidade durante as raras fases saudáveis mostram que o Arsenal não pode depender de seu número 7, que, na esteira de uma boa sequência de jogos, já renovou contrato. E não depender dele passa por ganhar os dois jogos, assegurar a terceira posição e salvar uma temporada que se anunciava desastrosa.

Tudo porque o poder de barganha do Arsenal está bastante ligado a um posto na Champions, o que Arsène Wenger sempre conseguiu. O rebaixamento à Europa League seria um golpe para quem precisa criar alternativas. Uma delas é o já contratado Lukas Podolski, mas a função dele ainda não está definida. Se o Arsenal fracassar agora, Podolski pode virar substituto de van Persie, que espera o fim da campanha para decidir se renova ou não o contrato até além de 2013. Nem Podolski quer isso.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

terça-feira, 1 de maio de 2012 Inglaterra | 12:07

Fácil de entender, difícil de concordar

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Hodgson nos tempos de Suíça. Depois, fracassou na Inter.

A Football Association ignorou Harry Redknapp e anunciou Roy Hodgson como treinador da seleção inglesa. Hodgson, de 64 anos, chega ao ápice da carreira após um improvável retorno à Inglaterra, onde brilhou no Fulham, falhou no Liverpool e arrumou a casa no West Bromwich. A primeira reação à escolha geralmente é de revolta, de que a FA se rendeu à mediocridade. Pode até ser por aí, mas é preciso tentar entender por que “Woy” (ele não consegue pronunciar a letra R) foi chamado.

Apesar de o contrato ter duração de quatro anos (até a Euro 2016!), o cenário exige impacto imediato, pois a Euro 2012 bate à porta. O inesperado pedido de demissão de Fabio Capello desarticulou uma seleção que já tinha problemas sérios, como a ausência de Wilshere, que seria titular em condições normais, e a suspensão de Rooney, fora dos dois primeiros jogos. Hodgson deve remontar rapidamente um time que oscilou demais no ciclo 2010-12 e, para ser honesto, tem menos opções do que há alguns anos.

No WBA, de certa maneira, ele provou ser capaz de dar respostas rápidas. Quando assumiu o clube, em fevereiro do ano passado, o experiente treinador se viu em situação difícil. Embora o trabalho anterior, de Roberto Di Matteo, tenha sido bom, a equipe havia perdido sete de nove partidas e caminhava para o rebaixamento. Houve críticas severas à demissão do italiano e à opção por Hodgson, que fracassara no Liverpool, mas ele administrou muito bem o grupo e soube reconduzi-lo a uma campanha confortável. Nos seis primeiros jogos, não perdeu. Foi com ele que os Baggies finalmente se estabilizaram na Premier League.

Em relação a Harry Redknapp, Hodgson ainda tem a vantagem da experiência em seleções nacionais, com passagens satisfatórias por Suíça e Finlândia. Na Copa de 94, por exemplo, os suíços foram às oitavas de final sob o comando dele. Pelo ambiente continental de disputa, o excelente segundo lugar do Fulham na Liga Europa há duas temporadas também não deve ser descartado. A tudo isso, soma-se o salário menos pomposo do que seria o de Redknapp e, principalmente, do que era o de Capello.

No entanto, entender a escolha não significa concordar com ela. O primeiro ponto questionável é o tempo de contrato. Sério, FA? Quatro anos? Uma campanha vexatória na Euro, justamente o que se pretende evitar com o convite a Hodgson, motivaria uma pressão imediata pela troca no comando. Para piorar, a passagem de seis meses pelo Liverpool indica que ele não lida bem com alta ambição, estrelas insatisfeitas e rejeição: “jamais fui querido em Anfield”, disse, sob a sombra de Kenny Dalglish.

Outra questão é a excessiva simplicidade do jogo. De Hodgson, adepto do 4-4-2, não devemos esperar mais do que sutis variações. A predileção por bolas longas também não agrada à maioria e, mesmo na comparação com Fabio Capello, aponta um retrocesso. Enfim, Hodgson não é um completo despreparado, e a urgência pode justificar a decisão da FA. Mas não era o melhor nome, longe disso.

City 1 x 0 United
O Manchester City mereceu a vitória e justificou a liderança. Enquanto Roberto Mancini ousou e manteve o padrão das últimas rodadas, Alex Ferguson recorreu à velha guarda e foi excessivamente conservador. A ausência de Valencia e a presença de Park no time titular foram particularmente contestáveis. O campeonato ainda não é do City, mas uma vitória sobre o Newcastle define. O QPR não deve oferecer resistência no jogo final, e o United não parece pronto para tirar oito gols de saldo.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

domingo, 29 de abril de 2012 Man City, Man Utd | 21:03

D-Day

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O dérbi de Manchester não vai necessariamente determinar o campeão inglês, mas é o confronto mais importante da temporada e não à toa ganhou status de decisão. Amanhã, às 16h de Brasília, o City tem de vencer em casa para se manter vivo na disputa e chegar à liderança com uma confortável vantagem no saldo – no mínimo, de oito gols. O United pode ser pragmático para empatar e, assim, ficar a uma vitória e um empate de seu 20º título nacional.

Os três encontros entre eles em 2011-12 não servem de base para este. O primeiro, pela Community Shield, teve clima de pré-temporada. Os 6 a 1 do City em Old Trafford, pela Premier League, e os 3 a 2 do United no Etihad, pela FA Cup, foram condicionados a expulsões e já estão bem distantes no calendário. Fato é que, em circunstâncias normais, é impossível prever uma partida desnivelada. O City perdeu só dois pontos em seu terreno, e o United jamais chega despreparado a esse tipo de confronto.

Os possíveis (não prováveis) times de City e United

A boa notícia é a saúde dos elencos. Enquanto o único desfalque titular do United é Vidic, que já estava fora da temporada mesmo, o City pode contar com todo mundo – com o perdão do pleonasmo, todo mundo menos Hargreaves, sem ritmo de jogo há quatro anos. Ainda assim, as escalações estão bem longe de previsíveis.

Roberto Mancini tem pelo menos uma questão relevante para resolver. Não é segredo para ninguém que boa parte do jogo do United depende dos wingers, e o melhor deles na temporada é Antonio Valencia. Naturalmente inclinado a escalar Tevez e Agüero, Mancini pode barrar Nasri em benefício de Milner, que ajudaria Clichy a conter o equatoriano. Embora seja sombra daquele que iniciou o campeonato, Silva deve ser mantido pelo poder de decisão. No primeiro turno, Milner foi escalado em detrimento de Nasri, do lado direito, para acompanhar Evra e Young.

Alex Ferguson pode ter mais dúvidas. Giggs e Park, figuras recorrentes em jogos decisivos, devem reaparecer entre os titulares? Rafael, que tem sido uma calamidade na defesa, será mantido na lateral direita? Young ou Nani? Escalar Welbeck para fazer companhia a Rooney ou um meio-campista extra para não expor Scholes às infiltrações de Silva e às arrancadas de Yaya Touré? Não são decisões simples.

Com o resgate de Tevez, o ótimo link entre ele e Agüero e as boas atuações recentes, especialmente contra West Brom e Norwich, o City pode desafiar o United, o que parecia bem improvável há algumas semanas. Para isso, precisa se concentrar totalmente no jogo e esquecer os mind games, que ajudaram a minimizar a chance de título. No United, o desafio é reencontrar o padrão perdido nas últimas rodadas, as que reabriram o campeonato. Não dá para duvidar de ninguém.

Palpite: City 1 x 1 United.

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sábado, 28 de abril de 2012 Everton | 17:31

Messias

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Com três meses de clube, Nikica Jelavic já é o maior ídolo dos torcedores do Everton. Ele não foi o craque da goleada por 4 a 0 sobre o Fulham (Steven Pienaar, que renasceu no retorno a Goodison Park, deu três assistências), mas acrescentou dois gols a uma marca que já era impressionante para um atacante dos Toffees. Agora são dez em 13 jogos por todas as competições.

Jelavic: Em terra de cegos...

Jelavic, de 26 anos, jamais será world class. Contudo, o ex-atacante do Glasgow Rangers tem todas as características para um casamento perfeito com o Everton: posiciona-se muito bem para receber os cruzamentos de Baines, Pienaar, Coleman, Drenthe, Osman e companhia; é um finalizador consistente; e tem gás para compensar a ausência de um legítimo companheiro de ataque – David Moyes geralmente escala alguém, que pode ser Cahill ou Fellaini, no suporte a ele.

No entanto, a excessiva idolatria pelo croata encontra no passado sua mais convincente explicação. Em uma década de clube, Moyes gastou quase £40 milhões em atacantes e lançou alguns outros da base (inclusive Wayne Rooney), mas apenas o último deles é realmente decisivo. Antes de Jelavic, foram 184 gols de atacantes em 865 atuações individuais, com média de 0,21 por partida. A média de Jelavic é de 0,77. O blog separou uma lista das tentativas de Moyes de resolver o problema crônico do ataque, da mais à menos eficiente:

1 – Nikica Jelavic, contratado por £6 milhões – 10 gols em 13 jogos (0,77 gol por partida)
2 – Brian McBride, por empréstimo – 4 gols em 8 jogos (0,5)
3 – Yakubu, por £14,5 milhões – 33 gols em 107 jogos (0,31)
4 – Andy Johnson, por £9,5 milhões – 22 gols em 74 jogos (0,3)
5 – Louis Saha, sem custos – 35 gols em 135 jogos (0,26)
6 – Jermaine Beckford, sem custos – 10 gols em 40 jogos (0,25)
7 – Wayne Rooney, formado no clube – 17 gols em 77 jogos (0,22)
8 – Jô, por empréstimo – 7 gols em 35 jogos (0,2)
9 – James Beattie, por £8 milhões – 15 gols em 86 jogos (0,17)
10 – Apostolos Vellios, por £300 mil – 3 gols em 18 jogos (0,17)
11 – James Vaughan, formado no clube – 9 gols em 60 jogos (0,15)
12 – Victor Anichebe, formado no clube – 18 gols em 134 jogos (0,14)
13 – Marcus Bent, por £500 mil – 8 gols em 66 jogos (0,12)
14 – Denis Stracqualursi, por empréstimo – 3 gols em 25 jogos (0,12)

Finalmente, o Everton pode reagir a situações muito adversas, como há uma semana, quando perdia por 4 a 2 para o Manchester United em Old Trafford e buscou o empate. Com Jelavic, que já é o artilheiro do time na temporada, o aproveitamento na liga é de 66,6%. Sem ele, de 44%. Pode ser a diferença de que Moyes precisava para decidir ficar em Goodison Park.

Curtas
*Luis Suárez também brilhou hoje. Com direito a gol do meio-campo, marcou um hat-trick na vitória do Liverpool sobre o Norwich por 3 a 0.
*O Wigan destruiu o Newcastle. Venceu por 4 a 0 com todos os gols no primeiro tempo. A vitória não foi exatamente uma surpresa pelo que os Latics têm jogado, mas o placar assusta.
*Depois do Reading, o Southampton garantiu o acesso à Premier League. West Ham x Cardiff e Birmingham x Blackpool são os confrontos dos play-offs pela terceira vaga.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012 Newcastle, Swansea | 18:51

Mãos holandesas

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Cech, Hart, Reina, Given… Não, nada de arqueiros consagrados na Inglaterra. No dia do goleiro, os homenageados por aqui são os holandeses Tim Krul, do Newcastle, e Michel Vorm, do Swansea, sucessores de Edwin van der Sar que estão entre os melhores da posição na temporada inglesa.

A lacuna deixada por van der Sar na seleção foi ocupada por Maarten Stekelenburg, da Roma. David De Gea indica que será o herdeiro dele em Old Trafford. A Krul e Vorm, cabe a responsabilidade de representar a classe de goleiros holandeses na Premier League, que teve Sander Westerveld no Liverpool, passou por Ed De Goey no Chelsea e chegou ao topo com van der Sar em Fulham e United.

O Man Utd acertou a meta de Krul 19 vezes na temporada, mas marcou só um gol

Krul, que chegou a St. James’ Park aos 17 anos, há seis temporadas, não demorou a transformar-se na terceira opção para o gol do Newcastle, atrás do excepcional Shay Given e do experiente Steve Harper. Com a saída de Given, saturado de salvar um time problemático, ele virou reserva imediato após dois empréstimos. Na temporada passada, ganhou a posição de Harper. Em 2011-12, com 14 clean sheets (jogos sem sofrer gols), é um dos pilares da grande campanha dos Magpies.

O goleiro de 1,93m esteve no Serra Dourada em junho do ano passado, quando garantiu outro clean sheet no amistoso sem gols entre Holanda e Brasil. Era um cartão de visita para sua primeira temporada completa como titular na Inglaterra. Aos 24 anos, Krul passa a ser opção natural para qualquer time de ponta que precise de goleiro. No entanto, se o Newcastle consolidar seu crescimento e lhe der uma defesa um pouco mais segura, ele pode guardar a meta de St. James’ Park por mais uma década e meia.

Vorm, pequeno grande goleiro

Se a evolução de Krul foi até certo ponto natural, a rápida ascensão de Michel Vorm, de 28 anos, ao status de um dos principais goleiros da liga surpreendeu. Embora já fosse figurinha carimbada na seleção holandesa, Vorm causava certa desconfiança pela baixa estatura – 1,83m, dois centímetros a menos do que o corintiano Júlio César. Mas Brendan Rodgers não ligou e pagou £1,5 milhão ao Utrecht para substituir o também holandês Dorus De Vries, que não renovou contrato com o Swansea para ser reserva no Wolverhampton.

Foi um tiro certeiro. Por enquanto, são impressionantes 13 clean sheets e 124 defesas (74% das bolas que vão em direção a seu gol) na meta de um time recém-promovido. Um show de agilidade para compensar os 14 centímetros a menos em relação a van der Sar. Vorm, também conhecido como penalty killer, já parou cobranças de Ben Watson, do Wigan, e Clint Dempsey, do Fulham, nesta temporada. Abaixo apenas de Joe Hart, o holandês é o segundo melhor goleiro de 2011-12 no Fantasy da Premier League, com 148 pontos. Uma ótima representação da realidade.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

terça-feira, 24 de abril de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 20:18

Ramires, Terry e o milagre de Barcelona

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O Chelsea de John Terry definhava no Camp Nou. Levou 1 a 0, viu seu capitão ser estupidamente expulso e Iniesta praticamente sacramentar a classificação do Barcelona à final da Champions League. Até que entrou em campo o Chelsea de Ramires. Já em clima de eliminação e de um iminente chocolate blaugrana, o brasileiro, sacrificado na lateral direita, marcou um golaço para recolocar os ingleses no caminho para a decisão, de onde eles não mais saíram. O empate por 2 a 2 foi um milagre.

Pouco antes do intervalo, o Chelsea perdia por 2 a 0 para o melhor time desta geração, tinha um jogador a menos, Ramires na lateral direita, Bosingwa como zagueiro e Drogba circulando pela defesa para cortar quantas bolas pudesse. O Barcelona e Lionel Messi foram muito incompetentes, mas, diante desse cenário, nada tira o mérito do Chelsea pelo esforço para congestionar a área, garantir a vaga na final e ainda empatar o jogo.

Ramires não é mano do Mano, mas é o melhor brasileiro na Inglaterra

Roberto Di Matteo fez questão de atribuir a conquista aos jogadores, destacando que a “paixão valeu mais do que a tática”. Ramires, o mais apaixonado, foi o craque de uma classificação conquistada pela disciplina e a frieza para aproveitar as raras chances. Este fluminense de Barra do Piraí é versátil, rápido, técnico e extremamente aplicado, como se tivesse sido moldado para jogar na Inglaterra. Hoje, sem nenhum exagero, já caminha para ser o melhor brasileiro de todos os tempos no futebol inglês.

Enquanto Ramires decidia o jogo, Terry chorava as pitangas no vestiário. É inaceitável que a maior referência do clube, que já carregava uma tonelada nas costas por ter falhado na decisão de 2008, tenha agredido Alexis Sánchez daquela maneira. O capitão, o suposto role model do Chelsea, famoso pela estupidez no cotidiano, desta vez foi um irresponsável também em campo. A milagrosa classificação o salvou de outra culpa eterna, mas não da ausência na final de Munique, em 19 de maio.

Além de Terry, serão desfalques Ivanovic, Raúl Meireles e Ramires, aquele que mais merecia a ocasião. Di Matteo já deve pensar em Cech; Bosingwa, Cahill (Romeu), David Luiz, Cole; Mikel, Essien; Kalou (Sturridge), Lampard, Mata; Drogba. O banco não terá tantas opções, mas o time que vai a campo pode desafiar Bayern ou Real Madrid, especialmente com David Luiz e Gary Cahill saudáveis.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012 Debates | 16:46

Prêmio para quem?

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Para não perder o hábito, bem antes de a temporada terminar, a PFA (Associação dos Jogadores Profissionais) já anunciou os melhores do ano na Inglaterra. Robin van Persie, do Arsenal, foi eleito o craque. Acompanham van Persie na equipe ideal: Joe Hart, Kyle Walker, Vincent Kompany, Fabricio Coloccini, Leighton Baines, David Silva, Yaya Touré, Scott Parker, Gareth Bale e Wayne Rooney. Walker, do Tottenham, ficou com o troféu de melhor jogador jovem e manteve a tradição de controvérsias do Young Player of the Year.

Podem concorrer a este último prêmio os jogadores de até 23 anos com base no início da temporada. Os indicados em 2011-12 foram, além de Walker, Sergio Agüero, Gareth Bale, Alex Oxlade-Chamberlain, Daniel Sturridge e Danny Welbeck. Por ter Agüero e Bale, a lista já contraria o conceito de “revelação”, como conhecemos aqui no Brasil. Não à toa, os bicampeões Robbie Fowler, Ryan Giggs e Wayne Rooney foram agraciados em temporadas consecutivas.

Kyle Walker era o candidato que menos merecia o prêmio. Ganhou.

Apesar disso, o voto tem sido inconscientemente influenciado por essa noção de “revelação”. No ano passado, Bale ganhou (injustamente, aliás) o prêmio geral, mas perdeu o de melhor jovem para Jack Wilshere. Com que argumento, se não há qualquer restrição que proíba o mesmo jogador de ser duplamente premiado? Se ele foi o craque entre todos, deveria ter sido também entre os jovens. Vale lembrar que Andy Gray (1976-77) e Cristiano Ronaldo (2006-07) levaram os dois troféus para casa.

Voltando a 2011-12, a temporada de Walker não foi superior à de Agüero sob qualquer ótica. Certamente ninguém acha isso, nem mesmo quem escolheu o superestimado lateral-direito do Tottenham. O prêmio é valioso, mas precisa ser revisado. Se Agüero não é bem votado porque já tem 24 anos e Bale é ignorado porque foi o craque da temporada passada, o que eles fazem entre os indicados? Uma redefinição do limite de idade e disposições mais claras sobre quem realmente pode ser escolhido atribuiriam mais credibilidade ao prêmio.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

  1. Primeira
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  3. 2
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  5. 4
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  7. 10
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  9. 30
  10. Última