Piers x Arsène
Os filmes têm o mesmo fim. Desde 2005-06, última temporada antes da mudança para o Emirates, o Arsenal sempre supera o Tottenham quando os dois disputam vaga na Champions League. Na partida de despedida do Highbury, Henry marcou um hat-trick para garantir a vitória por 4 a 2 sobre o Wigan e um lugar na UCL. Enquanto isso, dez jogadores dos Spurs sofreram intoxicação alimentar justamente na manhã da última rodada, horas antes da visita ao West Ham. Os Hammers venceram o jogo e tiraram daquele time com Carrick e Davids no meio-campo a chance de jogar a Champions.
Com a vitória por 1 a 0 de ontem sobre o Newcastle, o Arsenal chegou a 18 temporadas consecutivas terminando acima do rival e a 16 assegurando um lugar na principal competição do continente. A marca é impressionante, mas precisa ser contextualizada. Antes de 2005, no auge da era Wenger, a hipótese de o Tottenham superar o Arsenal não era sequer discutida. Do ponto de vista pragmático, a distância diminuiu demais, até pelo crescimento dos Spurs.
Apesar da sensação de objetivo cumprido em 2012-13, há vários torcedores insatisfeitos com a restrição dos Gunners ao campeonato particular do Norte de Londres. Um deles é o apresentador da CNN Piers Morgan, maior perseguidor de Arsène Wenger. Em seu perfil no Twitter, Morgan lamentou a comemoração excessiva do Arsenal em St. James’ Park e ironizou a obsessão de Wenger pelo quarto lugar. Celebrar a quarta posição como se fosse um título é o principal sintoma do redimensionamento do clube.
Wenger é vítima de si mesmo. Da máquina de jogar futebol de 1998 a 2004, que acostumou os torcedores ao sucesso e criou uma marca exuberante de futebol, e das próprias declarações. Sempre que é questionado sobre as temporadas sem título (agora oito), ele rebate com frases do naipe de “terminar em quarto é como ganhar um troféu”. Nada pode ser mais irritante na perspectiva do torcedor que aguarda sentado as contratações fantásticas – Wenger perdeu também o “toque de Midas” para achar barganhas – e os títulos aos quais estava habituado.
Morgan está errado se você admitir que a Premier League moderna é inevitavelmente dominada por Manchester United, Roman Abramovich e xeque Mansour. Assim, terminar em quarto com ótimo aproveitamento nas rodadas finais é um grande resultado. Mas não dá para julgar o inconformismo dos torcedores. Especialmente quando o treinador, ainda que seja um excelente gestor de recursos, parece conformado há tanto tempo.
Com o fim da Premier League 2012-13, vêm os melhores da temporada:
Seleção (4-2-3-1): Asmir Begovic (Stoke); Rafael (Manchester United), Rio Ferdinand (Manchester United), Ashley Williams (Swansea), Leighton Baines (Everton); Michael Carrick (Manchester United), Marouane Fellaini (Everton); Juan Mata (Chelsea), Luis Suárez (Liverpool), Gareth Bale (Tottenham); Robin van Persie (Manchester United). Técnico: David Moyes (Everton).
Melhores contratações, nesta ordem: Michu (Swansea), Philippe Coutinho (Liverpool) e Christian Benteke (Aston Villa).
Melhor jogador: Gareth Bale (Tottenham).
Melhor jogador sub-21: Philippe Coutinho (Liverpool).
Jogador que mais evoluiu: Rafael (Manchester United).
Trilha sonora: Para fechar a temporada da aposentadoria de Sir Alex Ferguson e do 20º título inglês dos Devils, o blog divulga, a pedido dos editores da Manchester United Brasil, a versão do hino do clube produzida e gravada por eles. Justo.













