A temporada: Sob nova direção
Para os novos padrões, a temporada não viu tantas trocas de proprietários em clubes da Premier League. Houve duas, número moderado diante das cinco (três só no Portsmouth) de 2009-10. Entretanto, a batalha pela compra do Liverpool e as trapalhadas dos indianos que chegaram ao Blackburn pedem espaço no review de 2010-11.
Pressionados pela torcida após três anos de más decisões e acúmulo de dívidas, os norte-americanos Tom Hicks e George Gillett colocaram o Liverpool à venda em abril de 2010. A condução do processo foi atribuída a diretores independentes, e o clube viu o débito com o Royal Bank of Scotland chegar a 285 milhões de libras.
O RBS estabeleceu um prazo para o pagamento antes de tomar o controle dos Reds. Se não cumprido, o banco colocaria o clube em leilão ou o levaria à concordata. A última alternativa provocaria a perda de nove pontos, o mesmo que aconteceu com o Portsmouth na temporada passada. O time, que já agonizava em campo, iria a três pontos negativos na liga. Mas aí apareceu o também ianque New England Sports Ventures (NESV), que teve sua proposta de 300 milhões de libras aceita pela diretoria independente.
Hicks e Gillett, que não simpatizam com o NESV (hoje Fenway Sports Group) e queriam mais, tentaram barrar a venda e até trocar os diretores por apadrinhados. A Alta Corte de Londres negou, o negócio foi concluído na data-limite, 15 de outubro, e a dívida foi zerada. Os antigos proprietários chamaram o resultado de Epic Swindle (algo como “épica fraude”, que os torcedores julgaram ser uma gíria do sul dos Estados Unidos) e ainda buscaram, sem sucesso, deslocar a decisão a um tribunal do Texas.
John W. Henry, o sócio majoritário do Fenway, levou só alegria a Anfield: confiança, saúde financeira, perspectiva de investimento, um staff competente (Damien Comolli, Kenny Dalglish e Steve Clarke), Carroll (ainda veremos se será bom mesmo), Suárez, vitórias e uma primeira-dama legal. A sexta posição ficou de bom tamanho. Para a próxima temporada, anuncia-se uma pesada aplicação em jovens (será assunto aqui) e, sem jogar na Europa, a busca até do título doméstico.
Henry é um herói do mundo moderno. No momento em que tudo sugeria uma tragédia administrativa, um ianque cheio de ambição e de sucesso no beisebol com o Boston Red Sox assumiu o controle. O exemplo do Liverpool escancarou o lado B do futebol de oportunidades na Inglaterra, que deixa quase qualquer um explorar um clube. Crescimento e queda repentinos são sempre possíveis nesse cenário.
Utopia indiana
A compra do Blackburn não teve drama. Por 23 milhões de libras, em 19 de novembro, o indiano Venky’s tomou conta do clube. A família Rao, proprietária do grupo, é de ótimos negociadores, os maiores produtores asiáticos de aves. No futebol, entretanto, eles parecem meio lunáticos. Com mania de grandeza, demitiram o técnico Sam Allardyce em dezembro. A decisão soou estúpida para todo mundo, inclusive para o elenco.
O treinador do futebol feio foi substituído pelo inexperiente Steve Kean, transformado em efetivo pela necessidade. Uma tímida sequência de vitórias empolgou os Rao, que queriam uma “estrela brasileira” para liderar a revolução do clube. Era o simbolismo fracassado da ida de Robinho para o Manchester City. Só que a realidade se revelou dura com uma série de derrotas, e o time deixou de sonhar para tentar não cair. O Blackburn se salvou na bacia das almas. Que a lição tenha sido aprendida.
2 comentários | Comentar
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2 bel 08/06/2011 11:01
E eu fico pensando nos Glazers sugando o United,até quando que isso vai durar,pq isso não ajuda em nada o clube. Não que tenha que fazer contratações milionárias toda santa janela mas convenhamos que está ficando difícil fazer contratações de peso. Por exemplo,eu duvido que aqueles americanos que pensam que o tipo de rugby que eles jogam é futebol soltem a grana (que não é pouca,mas vale a pena) pra comprar o Sneijder. Verdade seja dita,o United precisa urgentemente de meias como ele.
Daniel Leite 08/06/2011 15:33
Redknapp garante que ninguém sai, mas o nome de Modric tem sido muito ventilado. Também ótima opção para playmaker.
Claudio Roberto 08/06/2011 11:27
bel vim aqui justamente pra te falar..o united contratou phil jones o beque do black burn algo em torno de 16 milhas…sera q comecou a renovação?
1 Claudio Roberto 08/06/2011 8:46
se eu fosse um sheik das arabias…eu compraria
um dos sheffield…ou o wednesday ou o united…..estadio do wednesday cabe 39 mil pessoas e o do united 32 mil…..nao compraria craques do momento mas montaria times fortes pra subir a divisao seguinte e qnd tivesse na premier…despejaria um caminhao de euros pra ir a champions e ser campeao quem sabe……….só me faltam os euros…pois ideias eu tenho de monte..kkkk
abraço.