Os aprendizes
Como ninguém mais deve cair até o fim do campeonato, a Premier League manteve a tendência das duas últimas temporadas: quatro demissões de treinadores. A diferença é que, com raras exceções, elas costumavam fazer sentido. Desta vez, três delas foram muito discutíveis. A mais estúpida foi a de Sam Allardyce no Blackburn, que não vence há três meses.
Big Sam foi demitido em 13 de dezembro. Uma semana antes, o Newcastle dispensou Chris Hughton. Roy Hodgson deixou Anfield em 8 de janeiro para, um mês depois, substituir Roberto Di Matteo no West Bromwich. Abaixo, a coluna interpreta as decisões e seus efeitos:
Blackburn com Allardyce: 21 pontos em 17 jogos (41,2%). Com Kean: 14 pontos em 17 jogos (27,4%). O Venky’s, grupo indiano que assumiu o clube em novembro, tentou mudar o estilo do time no meio da temporada. Só que não havia jogadores ou treinadores disponíveis e capazes de fazê-lo. A reação do elenco à demissão de Big Sam foi a pior possível. Ele tirou da lama uma equipe afundada por Paul Ince em 2008.
Mesmo abusando de improvisações (o bom zagueiro Samba já jogou até no ataque), Allardyce mudou o clube. Steve Kean, o treinador interino que foi efetivado, vê todos os atacantes em péssima fase e subutiliza um elenco que rendia muito mais com Big Sam. O artilheiro na temporada, Mame Diouf, tem só seis gols, três a menos que o zagueiro Huth, do Stoke. Nos últimos quatro jogos, só um gol dos Rovers. Samba já alertou: se não voltar a marcar, o Blackburn, hoje em 16º, vai cair.
Newcastle com Hughton: 19 pontos em 16 jogos (39,6%). Com Pardew: 22 pontos em 18 jogos (40,7%). O proprietário do Newcastle, Mike Ashley, é um ás das decisões desastradas. Demitir Chris Hughton foi mais uma delas. “Não faz sentido. Era um trabalho inacreditável”, avaliou o zagueiro Sol Campbell. Hughton passeou pela segunda divisão e devolveu o clube à Premier League.
Os Magpies iniciaram a temporada de forma irregular, mas conquistaram resultados expressivos, como a vitória contra o Arsenal no Emirates e o atropelamento por 6 a 0 sobre o Aston Villa. Alan Pardew, o substituto, chegou a fazer bom trabalho no West Ham, porém administrou mal as presenças de Tevez e Mascherano e, mais recentemente, batia cabeça com o Southampton. Já em St. James’, caiu na FA Cup diante do Stevenage, da League Two. Apesar do aproveitamento razoável, a impressão é de que Hughton poderia evoluir melhor.
WBA com Di Matteo: 26 pontos em 25 jogos (34,7%). Com Hodgson: 14 pontos em nove jogos (51,8%). Roberto Di Matteo também passou facilmente pela segunda divisão. Teve um início brilhante em 2010-11 e foi o Treinador do Mês em setembro. Uma péssima sequência de resultados em 2011 provocou a demissão do ainda promissor manager, muito arriscada. Por sorte, Hodgson conseguiu causar impacto. O WBA está praticamente livre da queda.
Liverpool com Hodgson: 25 pontos em 20 jogos (41,7%). Com Dalglish: 27 pontos em 14 jogos (64,3%). O clima entre Hodgson e os torcedores era bem pesado, e o desempenho não se justificava nem pela turbulência administrativa. Embora precipitadamente julgado por conta do tempo inativo, Dalglish tem ótimo passado e, pelo momento do clube, era a melhor opção. Explorando a base (tema que será mais bem discutido), ele ganhou seis posições e resgatou o orgulho dos fãs.
2 comentários | Comentar
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2 Clara Corsino 28/04/2011 15:20
Oi Daniel, sou uma grande fã do seu trabalho. É incrível a sua capacidade crítica e o seu texto. Um puxão de orelha no IG, pois devia ter sua foto. Parabéns pelo sucesso.
Daniel Leite 28/04/2011 15:29
Opa, muito obrigado
Poupemos os leitores da foto.
Grande abraço.
1 Claudio Roberto 28/04/2011 8:53
a inglaterra sofre com tecnicos ingleses….
glen foi o melhor…e o time foi garfado em 98….
mclaren é piada..e esses outros eternos aspirantes.
sei q sua lista nao inclui só ingleses mas quis falar sobre….
o melhor tecnico ingles q eu vi foi bob robson…sir BOB
Daniel Leite 28/04/2011 11:10
Sir Bobby Robson foi, de fato, enorme.
O fato de haver apenas cinco técnicos ingleses na Premier League – Holloway, Hodgson, Bruce, Pardew e Redknapp – evidencia a crise.
Tendia a acreditar em Bruce pelos bons anos no Wigan, mas ele tem decepcionado demais no Sunderland.