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segunda-feira, 13 de maio de 2013 Wigan | 14:58

Copo meio cheio

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Na Premier League, a semana do Wigan foi bem negativa. De uma inesperada derrota para o Swansea na terça-feira a uma combinação de resultados que garantiu a permanência na elite a Norwich, Newcastle, Southampton e Fulham, a possibilidade de rebaixamento cresceu bastante. O Wigan ainda depende dos próprios resultados para sustentar o rótulo de incaível, mas precisa vencer o Arsenal amanhã no Emirates (aconteceu na arrancada espetacular da temporada passada) para levar a decisão ao confronto direto com o Aston Villa, na última rodada.

Ainda assim, foi ironicamente a melhor semana da história dos Latics. A inédita conquista da FA Cup, acompanhada de uma categórica vitória por 1 a 0 sobre o Manchester City no sábado, é inesquecível. Além da discrepância entre os níveis de investimento, o City não tinha problemas no elenco – enquanto Roberto Martínez não contava com três titulares – nem desgaste mental comparável ao de um Wigan que perdeu toda a margem de erro a que tinha direito para permanecer na Premier League.

Implacável pelos lados, o 3-4-3 de Martínez aprontou de novo

Os Latics, que tiveram expressivos 48% de posse de bola e finalizaram 14 vezes, mereceram vencer. Martínez foi criativo para superar os desfalques na defesa, anulou os pontos fortes do City (muito mais ligados à qualidade individual do que à estratégia mal-acabada de Roberto Mancini) e não estacionou o ônibus. Ao contrário, decidiu que a melhor maneira de manter o adversário distante de seu gol era brigar pelo controle do jogo em vez de entregá-lo ao Manchester City.

Titular da ala direita durante a temporada, Boyce foi um dos três zagueiros, ao lado de Alcaraz e Scharner, que ocupou o espaço do lesionado Figueroa. Como o reserva de Boyce na ala, Stam, está fora da temporada, Martínez improvisou no setor o volante McArthur, que protegeu o corredor e deixou ao abusado McManaman a tarefa de atacar Clichy. À esquerda, no lugar do também lesionado Beausejour, o treinador espanhol escalou Espinoza, fundamental para oferecer profundidade com Maloney deslocado à faixa central para criar jogadas.

Enquanto o City agonizava, os Latics exploravam o ataque pelas pontas e só não venceram com facilidade por conta da desvantagem técnica em relação ao adversário, pois a execução da estratégia de Martínez se aproximou da perfeição. O Wigan, que costuma ser divertido para quem assiste, mas tem problemas sérios para se defender, desta vez foi preciso e contrariou o clássico roteiro das vitórias de times menores sobre gigantes, sem tantos milagres do goleiro Robles (que foi muito bem quando exigido) e ameaçando Hart em vários momentos.

Amigos para sempre

O Wigan não tem o direito de reclamar dos sorteios da FA Cup, que lhe reservaram apenas dois confrontos contra equipes da Premier League, mas as vitórias na decisão e nas quartas de final, por 3 a 0 sobre o Everton em Liverpool, não deixam dúvidas. O provável rebaixamento colocaria em xeque o futuro do clube, que pode perder Martínez e jogadores-chave (McManaman, McCarthy e os mais experientes Koné e Maloney têm mercado), mas não deve ser tratado como uma tragédia. É, na verdade, o caminho natural para quem investe tão pouco no elenco mesmo em relação a recém-promovidos, como West Ham e Southampton, que contratou Rodriguez e Ramírez no verão e competiu com o Liverpool por Philippe Coutinho em janeiro.

O proprietário Dave Whelan tem mais motivos para festejar. A conquista foi a realização de um sonho que parecia impossível, rendeu uma vaga na próxima Europa League e reforçou os laços entre ele e Martínez, que foi meio-campista do Wigan de Whelan entre 1995 e 2001 e retornou ao clube como treinador há quatro anos. Mesmo que o último capítulo dessa história seja o rebaixamento, que pode deixar o clube em situação difícil, às vezes é preciso valorizar mais as experiências do que o fluxo de caixa. E o que Martínez fez pelo Wigan não tem preço.

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Autor: Daniel Leite Tags: , ,

sexta-feira, 10 de maio de 2013 Everton, Man Utd | 11:03

A sucessão

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A aposentadoria de Sir Alex Ferguson é daqueles eventos em que, antes de acontecer, ninguém acredita – à exceção do Telegraph, primeiro jornal a indicar a saída do manager após quase 27 anos no comando do Manchester United. Como sugeriu o artigo anterior desta coluna, o discurso de Ferguson não sinalizava aposentadoria. Não à toa, as especulações praticamente inexistiam, ou pelo menos eram bem mais leves do que temporadas atrás.

Acredite: Ferguson passou o bastão

No entanto, há aspectos lógicos na decisão. A menos que fosse motivado por um problema de saúde ou algo parecido, ele jamais escolheria sair em um cenário negativo. O 20º título do United no campeonato, 13º de Ferguson, é o melhor encerramento possível do ponto de vista moral, sobretudo por ser um incontestável contra-ataque à conquista do Manchester City em 2011-12. Além disso, quando justificou a aposentadoria, o manager reiterou o bom estado (qualidade e média de idade) do elenco que entregará a seu sucessor.

Aliás, o sucessor escolhido por Ferguson e aprovado pelo clube é a melhor manifestação de que o United não pretende promover alterações drásticas. Se existe alguém capaz de preservar o legado, sem a vaidade de apressar mudanças e deixar sua “assinatura” no clube imediatamente, é o escocês (outro, após Matt Busby e Ferguson) David Moyes, de 50 anos. Há 11 temporadas em Goodison Park, Moyes treinará o Everton nas duas rodadas restantes da Premier League e, em seguida, assumirá o que foi batizado de “trabalho impossível”.

Nem tanto, convenhamos. O contrato de seis anos oferecido pelo United atesta a confiança depositada em Moyes (quase um Alan Pardew, a quem o Newcastle entregou precipitadamente um contrato de oito temporadas), que há muito é um dos treinadores mais respeitados da liga. Respeito adquirido por conta da construção de um Everton sustentável e competitivo, que superou elencos mais caros e sempre foi um adversário difícil para qualquer time em qualquer estádio.

É equivocado afirmar que Moyes nunca gastou ou que sempre montou times contratando free agents, mas é correto vincular esse investimento a vendas importantes. Se um dia o Everton comprou Jagielka, Baines, Fellaini, Pienaar e Mirallas, é porque fez muito mais dinheiro com Rooney, Lescott, Rodwell, Andy Johnson (sim, Moyes o vendeu ao Fulham por £13 milhões) e Arteta. Lembra Simon Kuper, do Financial Times, que o Everton tem apenas a 10ª folha salarial da liga e sempre terminou entre os oito primeiros desde 2007.

Moyes não é um técnico purista como Jürgen Klopp ou Pep Guardiola, de estilos inconfundíveis. O Manchester United certamente não será um time tão intenso e rápido quanto o Dortmund ou um praticante do tiki-taka como o Barcelona 2008-2012. O novo chefe em Old Trafford é bem mais maleável e adapta-se ao que tem à disposição para competir. Há quatro ou cinco anos, as pessoas reclamavam de um Everton sem atacantes – na verdade, com Tim Cahill ocupando o espaço correspondente. Hoje, reclamam dos dois postes à frente, Fellaini e Anichebe.

Apesar da flexibilidade, é possível usar como referência o Everton de 2012-13. Particularmente no início da temporada, quando tinha Pienaar e Jelavic em grande fase, Moyes montou uma equipe empolgante, sobretudo nos jogos em casa. Fellaini dominava partidas, Mirallas era um azougue à direita, Baines avançava no espaço abandonado por Pienaar, e Osman controlava o meio-campo. Se recuperar os wingers e contratar os jogadores certos (enfim, dinheiro não será problema), ele pode reproduzir esse tipo de futebol em Old Trafford, com jogadores mais decisivos e confiáveis.

Uma ressalva que precisa ser feita é a ausência de títulos de elite no currículo de Moyes, campeão apenas da terceira divisão com o Preston North End, em 2000. No Everton, sem troféus há 18 anos, a pressão era minimizada pela consistência da equipe e pelo título imaginário de “terminar a liga acima do Liverpool”, algo que Moyes conseguiu em 2005, 2012 e tem tudo para repetir em 2013.

Apesar disso, é bobagem recorrer a um daqueles clichês, como “Moyes é técnico de time sem ambição”. Faltou a chancela de um título, mas ele cumpriu seu papel no Everton e até excedeu as expectativas. A questão agora é conviver com outro tipo de pressão. No United pós-1990, conquistas vêm de maneira natural e são resultado também da excelente gestão Ferguson, uma raposa em campo e hábil no relacionamento com a diretoria e os jogadores. A ética de trabalho de Moyes o transformou no candidato ideal para continuar esse processo.

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quinta-feira, 2 de maio de 2013 Debates, Man Utd | 19:01

O Bayern inglês

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SAF não diminui o ritmo

A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.

O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.

Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).

As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.

O amor recíproco entre Mourinho e Chelsea: que seja infinito enquanto dure

Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?

As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.

No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.

Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.

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quinta-feira, 18 de abril de 2013 Cardiff, Swansea | 22:17

O desafio começa agora

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O acesso do Cardiff à Premier League, confirmado na terça-feira após um empate por 0 a 0 com o Charlton, consolidou o grande momento do futebol galês. Aquele que não é meramente o País de Bale forma outros bons jogadores, tem a segunda melhor seleção do Reino Unido e será, pela primeira vez, representado simultaneamente por Cardiff e Swansea (a propósito, campeão da Copa da Liga) na elite inglesa – para relembrar por que alguns galeses estão na pirâmide do futebol inglês, recomendo o texto de Leonardo Bertozzi.

No entanto, a conquista do Cardiff e a ascensão do Swansea não fazem parte do mesmo processo. Enquanto seu rival progride porque toma decisões certas, norteadas por uma filosofia que inclui sustentabilidade financeira e um tipo característico de futebol, promovido por todos os treinadores que lá estiveram desde Roberto Martínez, o Cardiff sobe especialmente por conta do suporte financeiro.

Apesar de o acesso ter amadurecido nos últimos anos, há mais aspectos que aproximam o Cardiff do Queens Park Rangers, que deve retornar à segunda divisão após dois anos de agonia na Premier League. Por exemplo, o processo de montagem do elenco é bem semelhante ao que levou o QPR à elite. O proprietário do clube galês, o malaio Vincent Tan (compatriota de Tony Fernandes, proprietário do QPR), preferiu construir um grupo experiente, bem comandado pelo técnico Malky Mackay e destinado a dominar a Championship, mas insuficiente para fazer bom papel na próxima temporada.

Não há nada errado em concentrar suas forças para assegurar uma vaga na Premier League, mas o desafio técnico que ela impõe na temporada seguinte, mesmo que o único objetivo seja chegar entre os 17 primeiros, é bem maior. As referências ofensivas do elenco – Bellamy (33 anos), Helguson (35), Whittingham (28) e Campbell (25) – não têm potencial para evoluir. A tendência é que particularmente os dois primeiros percam fôlego na próxima temporada. Importante para garantir o acesso, com seis gols em 11 jogos, Fraizer Campbell mal aparecia no Sunderland até janeiro, quando foi contratado.

É claro que o próprio Swansea apresentou gratas surpresas, como Ashley Williams (hoje com 28 anos) e Leon Britton (30), que conseguiram reproduzir na elite o ótimo nível mostrado em divisões inferiores. Mas essas são exceções à regra. Assim como fez o Southampton no verão passado, o Cardiff precisa investir para ser competitivo em 2013-14, com o cuidado de evitar os erros cometidos pelo QPR. Por exemplo, vale mais apostar em alguém como Jay Rodriguez, antigo destaque do Burnley que amadureceu e faz excepcional fim de temporada no Southampton, do que pagar um salário astronômico a Bobby Zamora, que criou um problema atrás do outro em Loftus Road.

O novo Cardiff tem até slogan: "fire & passion"

Outro aspecto com que o Cardiff precisa se preocupar é a excentricidade de seu proprietário. Há menos de um ano, Tan trocou o azul pelo vermelho como cor principal do clube e promoveu o dragão a mascote mais importante, em detrimento do pássaro azul. Tudo porque o vermelho e o dragão, segundo ele, melhorariam o rendimento do time em campo e tornariam a marca muito mais forte no mercado asiático. Um atentado à identidade da instituição.

Torcedor do Cardiff entre 1975 e 2012, Scott Thomas fez um depoimento ao Guardian em que relata ter desistido de apoiar o clube por conta de Tan. “Não assisto mais aos jogos do Cardiff City. Quando vi Craig Bellamy segurando um cachecol vermelho (após a promoção à Premier League), não doeu tanto quanto eu pensava. Isso confirma que tomei a decisão certa. O Cardiff City não subiu na noite passada. O Cardiff City morreu no último verão”, constatou.

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quinta-feira, 11 de abril de 2013 Man Utd | 19:16

Por que Falcao?

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A hipótese de Radamel Falcao García jogar em Old Trafford parece bem realista. Guillem Balagué, jornalista da Sky Sports que se notabilizou por antecipar e desmentir negociações ligadas a clubes ingleses e espanhóis, informa que o Manchester United já pagou ao Atlético Madrid uma espécie de adiantamento para assegurar a contratação do atacante colombiano.

"I'm still here"

Apesar da inegável capacidade de Falcao de decidir partidas por conta própria, é estranha a suposta disposição do clube em investir tanto nele (o Atlético pagou €40 milhões há dois anos). Mesmo que Kagawa e Welbeck sejam aproveitados em outros papéis, não há carência de atacantes no elenco de Rooney, Hernández, van Persie e Henríquez – estes dois comprados em 2012 para garantir, respectivamente, o presente e o futuro do United na posição. Por isso, o blog indica cinco jogadores, para cinco funções diferentes, que o United deveria contratar antes de cogitar torrar em Falcao uma considerável parcela do orçamento:

Luka Modric. Seria a contratação ideal de um deep-lying playmaker (algo como um “volante criativo”), papel para o qual o United resgatou Paul Scholes em janeiro do ano passado, após sete meses de aposentadoria. É verdade que Alex Ferguson aposta em Cleverley, mas está claro que ele não pode ser a única opção confiável para acompanhar Carrick no meio-campo (Giggs deve ser encarado como um bônus). Modric, excepcional em quatro temporadas de Premier League, não é um sonho impossível porque rendeu bem menos do que o Real Madrid esperava depois de pagar £33 milhões ao Tottenham: é um reserva de luxo, chamado quando José Mourinho precisa abrir defesas bem fechadas.

Gareth Bale. Se alguém justifica um investimento de £50, £60 milhões no contexto do United, este é Bale. Como os wingers do elenco – Valencia ,Young e Nani – estão em má fase, Ferguson pensa em novas opções para a função e já garantiu Wilfried Zaha, do Crystal Palace, para a próxima temporada. Mas Bale representaria um passo à frente, pois pode ser um winger à Cristiano Ronaldo em seus anos de Old Trafford. O galês provou nesta temporada que causa pânico em qualquer setor do ataque. Se tivesse no United a mesma liberdade que transformou o português numa máquina de marcar gols em 2007-08, a estrela do Tottenham seria ainda mais fenomenal.

Isco. A moda entre grandes clubes da Inglaterra é contratar meias versáteis, criativos (Oscar, Hazard, Coutinho…) e, se possível, espanhóis (Mata, Cazorla, Silva…). Em algum momento, Ferguson deve se render a um desses especialistas em assistências. Assim como o Arsenal aproveitou os problemas financeiros do Málaga para capturar Cazorla e Monreal, o United poderia buscar um dos prodígios do futebol espanhol: Isco, grande destaque da campanha do time andaluz na Champions League.

Toby Alderweireld. É mais um da fábrica de bons zagueiros belgas do Ajax que interessam a clubes ingleses, que já produziu Vermaelen e Vertonghen. Alderweireld, que tem seu nome ligado ao Liverpool, seria ótima aposta não apenas pela qualidade, mas também pelo preço. Como o contrato termina em 2014, a tendência é que os holandeses o liberem por, digamos, £7 milhões. Se Ferguson efetivar Phil Jones como meio-campista, seria importante ter à disposição outro defensor no momento em que Vidic e Ferdinand envelhecem. Bem como Brown e O’Shea, que deixaram Old Trafford em 2011, pode atuar ainda na lateral direita, com o bônus de ser tecnicamente superior aos dois.

Victor Wanyama. Se Jones virar zagueiro, aí seria mais interessante correr atrás do queniano do Celtic. O jovem de 21 anos, um grande ladrão de bolas, rapidamente se tornou ídolo em Glasgow pela intensidade e também pela capacidade de organizar o time após desarmar o adversário. Autor de um dos gols da vitória histórica sobre o Barcelona na Champions League, Wanyama é uma opção segura, sem tanto prejuízo técnico, para jogos em que a prioridade é travar o meio-campo oponente. Na controversa lista do Guardian com os 100 melhores jogadores do mundo, ficou em 81º.

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sexta-feira, 5 de abril de 2013 Sunderland | 14:11

Nostalgia

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Aos primeiros sinais de que o Sunderland lutaria contra o rebaixamento, o melhor podcast inglês sobre futebol – o Football Weekly, do Guardian – tratava da ausência de identidade da equipe. “Que time eles querem ser?”, perguntou um dos comentaristas. “Um time de segunda divisão”, respondeu o apresentador James Richardson, uma figura. Os Black Cats não evoluíram durante a temporada, o risco de queda é enorme, e a diretoria, desesperada, trocou o comando técnico. O controverso italiano Paolo Di Canio assumiu o cargo após uma experiência bem-sucedida no Swindon Town.

Onde foi parar a mágica de O'Neill?

O expediente de demitir o treinador para evitar o rebaixamento é recorrente no futebol inglês, mas existem dois aspectos que diferenciam o caso do Sunderland dos outros. Se o técnico dispensado é Martin O’Neill, um dos grandes da Premier League pelos ótimos trabalhos em Leicester e Aston Villa, e o elenco é caro demais para apenas 33,3% de aproveitamento, há algo para ser investigado.

Quando substituiu Steve Bruce no Stadium of Light, na metade da temporada passada, o norte-irlandês teve excelente desempenho em curto prazo, com sete vitórias nas dez primeiras partidas. Enquanto suas atribuições se resumiam a reorganizar e motivar a equipe, o Woody Allen do futebol foi quase perfeito. Porém, a partir do instante em que precisou montar seu próprio time, O’Neill fracassou.

Assim como Brian Clough, para quem trabalhou no Nottingham Forest bicampeão europeu, o norte-irlandês se especializou em estabelecer uma relação de confiança que transforma os jogadores em seus soldados. Ele sempre soube administrar grupos e não parece ter perdido essa habilidade. A questão é que disciplina, respeito rigoroso ao posicionamento, meio-campo combativo, wingers rápidos e dois bons centroavantes, princípios que O’Neill sempre impõe a seus times, não são mais suficientes para garantir sucesso no futebol inglês, que mudou demais nos últimos anos.

Mesmo para enfrentar equipes que também lutam contra o rebaixamento, é necessário fazer adaptações. Pense, por exemplo, em Southampton, Aston Villa e Wigan. Especialmente os dois últimos não se defendem bem, mas todos são taticamente sofisticados e, contra o Sunderland ou qualquer outro time que adote um inflexível 4-4-2, obtêm superioridade numérica no meio-campo e não perdem força pelos lados. Até Alex Ferguson, que não é exatamente um treinador heterodoxo, criou uma série de alternativas para o Manchester United nas últimas temporadas.

Liverpool e Sunderland

Também da Irlanda do Norte, Brendan Rodgers é a antítese de O’Neill. Há cinco dias, na vitória do Liverpool sobre o Aston Villa, seu 4-3-3 tinha na ponta esquerda Philippe Coutinho, que tende a centralizar e passa a participar da criação de jogadas. Quando comparamos os dois times dirigidos por norte-irlandeses nesta temporada (figura ao lado), é simples entender por que as exigências do futebol moderno tornaram o Sunderland ultrapassado.

Além da defasagem em relação a outras equipes, o sistema tinha dois problemas mais sérios, sobretudo nos últimos meses: nenhum dos dois atacantes (Fletcher, que agora se lesionou, e Graham, que foi contratado em janeiro e ainda não marcou gol) realmente combatia um volante adversário, e os meias centrais simplesmente não conseguiam criar e controlar os jogos. De acordo com a Opta, apenas o alemão Fortuna Düsseldorf acertou menos finalizações do que os Black Cats nas cinco principais ligas europeias. Se alguém perguntar por que O’Neill não deu certo no Sunderland, seu clube de infância, vale responder: porque ele não o treinou nos anos 90.

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segunda-feira, 25 de março de 2013 Inglaterra | 21:57

A batalha de Podgorica

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A Inglaterra não pode falhar contra Montenegro no Leste Europeu. Dois pontos abaixo do adversário de amanhã, a seleção de Roy Hodgson tentará, no confronto direto, assumir a liderança do Grupo H das Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano que vem. A visita a Podgorica não é simples. Nas Eliminatórias para a Euro 2012, por exemplo, houve empate por 2 a 2 numa partida dramática, com expulsão de Rooney e confirmação da classificação inglesa.

O cenário desta terça-feira é mais perigoso. Ainda que as seleções precisem se enfrentar em Wembley (onde, nas Eliminatórias para a Euro 2012, a Inglaterra foi travada e não saiu do 0 a 0) daqui a sete meses, a vantagem na tabela oferece aos montenegrinos a possibilidade de jogar como eles gostam. Em declaração publicada hoje pelo Guardian, o técnico Branko Brnovic assumiu que “talvez estacione um ônibus na defesa e tenha duas Ferraris no ataque”.

As duas Ferraris são Stevan Jovetic, da Fiorentina, e Mirko Vucinic, da Juventus, atacantes ótimos e flexíveis que podem aproveitar eventuais espaços. Defesa disciplinada e ataque autossuficiente, marcas registradas dos montenegrinos, costumam ser um terror para a Inglaterra, que nos últimos ciclos mostra impressionante falta de traquejo para propor o jogo, algo que será necessário amanhã.

A Inglaterra foi incapaz de vencer Montenegro nas Eliminatórias para a Euro 2012. Desta vez, empatar não basta

Mas há um alento. O time que entregou a bola ao adversário e se limitou a contra-ataques em amistosos, na Euro e nas Eliminatórias parece ter percebido que precisaria mudar para evitar um fiasco na busca por uma vaga em 2014. Não pela goleada por 8 a 0 sobre San Marino, na sexta-feira, mas especialmente pela atuação no amistoso contra o Brasil, no início de fevereiro. Foi quando o 4-1-4-1 de Hodgson avançou a marcação e causou problemas constantes à defesa de Scolari. Por outro lado, a ausência do lesionado Wilshere atrapalha a execução de um “futebol moderno” em Montenegro.

É claro que a partida em San Marino não serve de parâmetro em função da debilidade do oponente, mas houve um ponto interessante na postura da Inglaterra. Diante de um adversário que não representava ameaça, Baines foi escalado na função “Jordi Alba”. Alba se transformou em peça fundamental para a Espanha durante a Euro porque, embora estivesse listado como defensor, era ele quem avançava pela esquerda e oferecia uma rara opção por um dos lados do campo. Exatamente o que fez um participativo Baines contra San Marino.

A presença do lateral do Everton, em vez de Ashley Cole, seria um indício de que Hodgson está preparado para atacar Montenegro e superar uma defesa que deve congestionar a faixa central. Mas este será apenas um dos testes para um time obrigado a agredir. A Inglaterra não tem o direito de repetir o péssimo desempenho dos empates contra Ucrânia e Polônia.

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segunda-feira, 18 de março de 2013 Debates | 20:27

O mito da tabela fácil

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“A tabela do (insira clube aqui) é fácil”. No quarto final da temporada, quando os objetivos das equipes já estão bem definidos, são comuns as projeções baseadas nos adversários até a última rodada. Entretanto, a Premier League costuma desmentir essas previsões quando elas consideram apenas a posição que o time ocupa. O Wigan de 2011-12 escapou do rebaixamento porque venceu sete das últimas nove partidas e frustrou, por exemplo, o Manchester United na luta pelo título.

A oito rodadas do fim do campeonato, está de volta a armadilha da “tabela fácil”. O Wigan de Roberto Martínez, embora seja o 18º colocado, é novamente um dos adversários mais traiçoeiros neste período da temporada. A estrutura do time é muito semelhante à que chocou a Inglaterra no ano passado, no 3-4-3. A maior diferença certamente é a presença de Arouna Koné em vez de Victor Moses. A equipe perdeu velocidade e disciplina tática no lado direito, mas ganhou poder de finalização. Koné marcou o gol da fundamental vitória de ontem sobre o Newcastle e traduziu o espírito destemido dos Latics: “eu não tinha chuteiras até os 12 anos, então não me preocupo com rebaixamento”.

Outro adversário perigoso nas rodadas finais é o 16º colocado Southampton, que derrotou o Liverpool por 3 a 1 no sábado. Foi incontestável o domínio dos Saints contra um dos melhores times de 2013 na Premier League. É preciso reconhecer que Mauricio Pochettino não quis inventar a roda e faz trabalho correto, mas o Southampton já jogava com essa intensidade nas últimas semanas de Nigel Adkins no clube. O 4-2-3-1, com Rodriguez, Ramírez e Lallana no suporte a Lambert, tem sido capaz de pressionar e obter ótimos resultados contra equipes poderosas. A também categórica vitória por 3 a 1 sobre o Manchester City, há pouco mais de um mês, é outro exemplo de atuação dominante.

Berbatov tem a aparência e a autoconfiança de Sheldon Cooper, de "The Big Bang Theory"

Na chamada “tabela de forma” da Premier League, para a qual contam os seis resultados mais recentes, o Fulham está na quarta posição. Apático em outros momentos da temporada, o time de Martin Jol enfim compensa as perdas no meio-campo (Murphy, Dembele e Dempsey, que também jogava avançado) com solidez defensiva e precisão no ataque. O desempenho na vitória por 1 a 0 sobre o Tottenham no norte de Londres resumiu o Fulham de 2013: parou Bale e matou o jogo com Berbatov, que marcou em três partidas consecutivas e ajudou a levar os Cottagers à décima posição.

Ao contrário do que sugere a tabela, o adversário mais simples que alguém pode enfrentar não é o Queens Park Rangers, ainda na lanterna da liga. Tem sido bem pior o nível apresentado pelo Sunderland, provavelmente a grande decepção do ano por conta da alta expectativa sobre a primeira temporada completa de Martin O’Neill no clube. A formação com Adam Johnson, Sessegnon, Graham e Fletcher é incrivelmente travada – contra o Norwich, foram 60 minutos com um jogador a mais para marcar apenas um gol, de pênalti, e não sair do empate em casa. Com quatro derrotas e dois empates nas últimas seis rodadas, o Sunderland está em 15º, mas é o pior time da liga exatamente agora.

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quinta-feira, 14 de março de 2013 Reading, Stoke City | 16:19

O outro lado

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A semana na Inglaterra foi marcada por outra demissão de um treinador intimamente ligado ao progresso de um clube. Depois de Nigel Adkins, dispensado pelo Southampton há dois meses, Brian McDermott, que liderou o acesso do Reading à Premier League, perdeu o cargo na segunda-feira. McDermott deixa o Reading a quatro pontos da saída da zona de rebaixamento e apenas 33 dias após receber o prêmio de Treinador do Mês referente a janeiro.

É mais um caso clássico em que o técnico é vítima do próprio sucesso, e a diretoria parece não compreender que, salvo raras exceções, o caminho natural para um time recém-promovido é a luta contra o rebaixamento. Como no caso de McDermott, o blog geralmente é favorável à estabilidade, ou seja, à manutenção de um trabalho bem-sucedido que, de certa forma, está atendendo às expectativas. Mas existe um exemplo dissonante na Premier League: o Stoke City.

Tony Pulis treinou o Plymouth em 2005-06, única temporada desde 2002 em que ele não esteve no Stoke. Em duas passagens, Pulis se aproxima dos dez anos de Britannia e pode ter orgulho do que fez pelo clube até agora. Esta é a quinta participação consecutiva na Premier League dos Potters, que mantêm regularidade impressionante: são apenas dois degraus entre a melhor (11ª, em 2009-10) e a pior (14ª, em 2011-12) posição final em cinco temporadas na elite. A ameaça de rebaixamento quase sempre permaneceu sob controle.

A fórmula do Stoke é bem conhecida. Futebol rústico, lançamentos longos, arremessos laterais à área e defesa com disciplina militar garantem a estabilidade da equipe na primeira divisão. Nesta temporada, com as contratações do defensor Geoff Cameron e do volante Steve N’Zonzi, houve a impressão de que a fórmula tinha sido aperfeiçoada. Por exemplo, nas seis primeiras partidas em casa, os Potters sofreram apenas um gol, marcado pelo Manchester City na quarta rodada. Liderada pelo capitão Shawcross e o goleiro Begovic, a defesa era quase imbatível no Britannia.

Tony Pulis: o que era espetacular há cinco anos pode não ser suficiente hoje

Embora se sustente na 11ª posição, o Stoke desabou em 2013 e ainda não está totalmente livre da queda. Em nove jogos, perdeu sete. A segurança defensiva foi embora (ainda que Begovic siga fazendo seus pequenos milagres), e o ataque continua pobre, muito pobre. Em toda a temporada, a posse de bola média (42,8%), o índice de passes certos (70,3%) e as finalizações por jogo (9,8) superam apenas os números do Reading. O Stoke é ainda o time que menos acerta finalizações, menos dribla e o segundo que mais comete faltas.

Não há nada errado com o estilo descrito nos dois últimos parágrafos, mesmo que ele não seja “agradável”. Pelo contrário, é ótimo que a equipe tenha uma identidade e ofereça diversidade à liga, até para impor um desafio bem particular aos outros 19 clubes. Mas será que o Stoke progride como deveria? Pulis adora qualificar o próprio time como underdog, isto é, aquela zebra que, à base de muita dedicação, consegue resultados inesperados. Fazia sentido na primeira temporada dos Potters na Premier League, mas agora soa como um discurso para autoproteção.

Uma pesquisa surpreendente aponta o saldo de transferências (o que arrecadou em vendas menos o que gastou em compras) do Stoke como o terceiro pior da Premier League nos últimos cinco anos. Apenas Manchester City e Chelsea, como você já imaginava, apresentam uma “balança comercial” mais desfavorável. Em sua aventura na Premier League, Pulis despejou £89 milhões em jogadores e recebeu somente £8,5 milhões em vendas*. Palacios foi comprado por £6 milhões, mas quem joga é Whelan. Foram investidos £22 milhões em Crouch, Jones e Jerome, mas tem vaga para apenas um deles, considerando que Walters não sai do time. Gasta-se mal demais em Stoke-on-Trent.

A base do Stoke não revela ninguém, e jogadores comprados por muito dinheiro não têm potencial de revenda (ainda que alguns se adaptem perfeitamente ao estilo de Pulis). O clube, apesar de ter mudado de status do ponto de vista financeiro, permanece no mesmo patamar em campo, sem novidade, com raríssimos sinais de evolução. Pulis foi o melhor treinador que o Stoke poderia ter na última década, porém não faltam argumentos para defender troca no comando, antes que seja tarde.

*Dados divulgados pelo jornalista Michael Cox

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sábado, 9 de março de 2013 Liverpool, Tottenham | 16:42

Bale x Suárez

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Nos primeiros meses da temporada, Gareth Bale e Luis Suárez eram criticados por conta dos excessivos “mergulhos”, que ocupavam mais páginas de jornal do que o talento deles. A dupla não perdeu repentinamente o hábito de tentar ganhar faltas, mas a discussão agora é bem mais relevante. Com a queda recente de Robin van Persie, que precisa descansar (não participou de apenas duas partidas da liga até agora), a sensação é de que o galês e o uruguaio disputam, sem outros rivais, o prêmio de Jogador do Ano na Inglaterra.

Pedigree galês

Disputam o prêmio e têm “confronto direto” amanhã, às 13h de Brasília, quando o Liverpool receberá o Tottenham. O melhor cabo eleitoral de Bale, que levou o prêmio há dois anos, é a brilhante campanha dos Spurs, na terceira posição e em curva ascendente. O time de AVB só melhora, e a influência do galês sobre essa evolução é inegável. Bale marcou 10 dos últimos 15 gols do Tottenham e resgatou a fase do segundo semestre de 2010, com direito a números melhores e sequências mais consistentes de ótimas atuações.

No entanto, é injusta a referência ao Tottenham como one-man team. Além dos outros destaques individuais (Vertonghen e Dembele, por exemplo, foram excelentes contratações), as virtudes coletivas ajudam Bale a brilhar. Não é coincidência que o melhor momento dele seja simultâneo ao amadurecimento do trabalho de AVB. O galês de fato decide jogos, mas a equipe permite que isso aconteça mais frequentemente.

Como escreve Jonathan Wilson, a formação mais compacta dos Spurs beneficia o número 11, que sempre tem diversas opções de passe. Geralmente, essas opções ocupam os defensores adversários, e o galês ganha espaço para decidir por conta própria. Não por acaso, Bale marca tantos gols, mas tem apenas uma assistência no campeonato. Vale lembrar que o Tottenham passou por uma crise no ataque enquanto Adebayor estava na Copa Africana de Nações, e Defoe tinha problemas físicos. Bale resolveu.

El Pistolero

Há algum tempo, o craque de 21 gols na temporada era tratado como possível moeda de troca para contratar Stewart Downing e, acredite, defensor flop. Mas, quando falamos de progresso, não podemos esquecer Suárez. A genialidade do uruguaio é conhecida desde a época de Ajax, porém esta é a primeira temporada da Premier League em que ele consegue associá-la a uma eficiência espantosa. O número 7 do Liverpool, impreciso até o ano passado, já ganhou dois troféus de artilharia em 2012-13: foi o primeiro a marcar 10 e 20 gols (foto ao lado). Hoje, é o goleador da liga com 21 (são 28 por todas as competições).

Suárez é perfeito para o sistema de Brendan Rodgers, mas as condições oferecidas a ele não eram as ideais na primeira metade da temporada. Mais adaptado a circular pelo campo com liberdade, o uruguaio foi o único atacante saudável do Liverpool de setembro a janeiro e teve de ser referência. Em algumas rodadas, o 4-3-3 (às vezes 4-2-3-1) de Rodgers tinha nas pontas Sterling e Suso, dois talentos, mas que estavam na academia de formação dos Reds até o ano passado. Suárez assumiu a responsabilidade e atingiu um status que, entre jogadores não formados em Anfield, é incomparável nas últimas duas décadas.

Agora é diferente. Com as contratações de Coutinho e Sturridge, Suárez atua como “número 10”, pode explorar sua criatividade sem deixar de finalizar e sempre tem opções de passe que dão sequência a suas jogadas. Não à toa, o Liverpool melhorou. Mesmo que, em situação mais favorável, ele tenha sido brilhante nas últimas rodadas, é impossível afirmar que este é o melhor momento do uruguaio. Não há melhor momento: a temporada inteira é fantástica. Em relação a Bale, no campeonato, Suárez marcou mais gols (21 x 16), tem mais assistências (6 x 1) e criou mais chances (78 x 57). Por enquanto, é o Jogador do Ano.

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