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quinta-feira, 17 de maio de 2012 Blackpool, Championship, West Ham | 14:01

Próxima parada: Premier League

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Por Lucas Leite*

No próximo sábado, quando todos os olhos do mundo estarão voltados para a final da Champions League em Munique, outro duelo vai chamar a atenção dos amantes do futebol inglês. Em Wembley, palco de consagrou o Barcelona em 2011, West Ham e Blackpool lutam a partir das 11h de Brasília para retornar à Premier League uma temporada após o rebaixamento de ambos. Reading e Southampton, campeão e vice da segunda divisão, não precisaram disputar os play-offs e já estão garantidos na elite em 2012-13.

Allardyce e Holloway: choque de estilos

Apesar da vantagem histórica do Blackpool (15 triunfos em 26 jogos), os encontros da temporada regular apontam favoritismo do West Ham. Em Upton Park, o garoto Sam Baldock comandou a vitória dos Hammers por 4 a 0. No Bloomfield Road, Nick Maynard e Ricardo Vaz Te, grandes contratações de Sam Allardyce na janela de inverno, confirmaram o melhor momento do time na competição com ótimas atuações em outra goleada, desta vez por 4 a 1, com direito à presença do meia Henri Lansbury como goleiro por quase todo o segundo tempo.

Tendo o melhor de seus elencos à disposição, Allardyce e Ian Holloway utilizarão estratégias distintas. Big Sam deve manter o pragmatismo que o acompanhou por toda a temporada e se concentrar primeiro em anular o adversário para só depois explorar os cruzamentos de Matthew Taylor na criação de jogadas. Holloway, por sua vez, tem um time que busca manter o controle da posse de bola e atacar durante os 90 minutos.

Desde 1981 longe de Wembley, os Hammers apostam em um meio campo sólido e no faro de gol de Carlton Cole e Vaz Te, autores de 25 gols na temporada, para confirmar seu favoritismo. Apesar da queda brusca durante a temporada, Kevin Nolan exerce um papel fundamental na meia central, assim como Mark Noble, que assumiu muito bem a lacuna deixada pela venda de Scott Parker.

Já os Seasiders têm como ponto forte seu sistema defensivo, o mesmo que garantiu a promoção em 2010, e a velocidade de seu ataque. Jogador mais regular da temporada, Matt Gilks não lembra aquele arqueiro do rebaixamento de 2011 e, apoiado por Ian Evatt e o versátil Angel Martínez, garantiu impressionantes 14 clean sheets.

No que diz respeito à parte ofensiva, Matt Phillips e Tom Ince, até pelas excelentes atuações diante do Birmingham, se credenciam ao papel de heróis, mas Stephen Dobbie não pode ser esquecido. O escocês, que tenta o recorde de promoções seguidas (três) à Premier League via play-offs, vem sendo decisivo desde sua chegada por empréstimo ao ponto de barrar até o experiente Kevin Phillips, artilheiro dos Tangerines na temporada, com 17 gols.

Mesmo após falhar no objetivo da promoção direta, o West Ham deu mostras de seu poderio ao passar sem dificuldades pelo Cardiff e segue como favorito escancarado, mas, diante de um Blackpool acostumado a frequentar mata-matas pós-temporada (será o sétimo em 21 anos), tudo pode acontecer. Promessa de grande jogo na terra da Rainha.

*Lucas Leite escreve para o Football League Brasil

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quarta-feira, 16 de maio de 2012 Aston Villa, Inglaterra, Liverpool | 12:49

Fator Downing

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Parece piada, mas Downing já ofuscou Ashley Young

A opinião pública diz que a lista da seleção inglesa para a Euro 2012 tem algumas controvérsias e um absurdo. As inclusões de John Terry e Andy Carroll chamam atenção, mas não tanto quanto a presença de Stewart Downing. Na Inglaterra e no Brasil, Roy Hodgson foi muito criticado pela convocação do winger do Liverpool, que, em 36 jogos na Premier League desta temporada, não marcou ou assistiu sequer um gol. Na FA Cup, dois gols e duas assistências em seis partidas.

A temporada de Downing foi uma decepção sem tamanho, pois ele chegou ao Liverpool com status de solução para uma carência evidente do elenco, a de jogadores insinuantes que pudessem atuar pelas laterais. Os £20 milhões investidos foram inegavelmente um exagero, mas o desempenho dele no Aston Villa até justificava a aposta. Em 2010-11, Downing foi eleito o melhor do time pelos torcedores, marcou sete gols e distribuiu oito assistências.

Na última edição da Premier League, já no Liverpool, acertou a trave cinco vezes e fez vários bons cruzamentos não aproveitados pelos atacantes. No entanto, azar não é argumento para quem, bem além dos números lamentáveis, simplesmente jogou mal. Portanto, convocá-lo agora é ignorar a temporada. Downing não é um jogador incapaz e até fez boas partidas pela seleção, mas se tornou viúvo do Aston Villa.

E o Aston Villa é viúvo de Downing
A temporada trágica do Villa, que quase o levou à segunda divisão, termina com uma boa notícia: a demissão de Alex McLeish. O time do escocês jogou um futebol que, de tão feio, deveria ter sido censurado pelo Ministério Público. É hora de o proprietário Randy Lerner contratar um técnico que faça a equipe trocar passes (Roberto Martínez?). A McLeish, deve sobrar um clube do tamanho dele.

Outro ponto é a contratação de jogadores mais comprometidos. Stephen Ireland, que chegou como contrapeso na transferência de Milner para o Manchester City, é um desinteressado de marca maior. Darren Bent foi ao Shopping Center durante um jogo do Villa. Charles N’Zogbia, grande esperança para a temporada, estava “mais interessado em carros do que em futebol” de acordo com McLeish.

Downing contribuiu para a demissão de Kenny Dalglish
O fraco desempenho do winger foi um dos fatores que determinaram uma temporada decepcionante para o Liverpool, apenas o oitavo colocado da Premier League com 52 pontos. A boa campanha nas copas não amenizou a insatisfação dos proprietários com o trabalho de Kenny Dalglish, demitido agora há pouco. A decisão deles é aceitável.

Para o blog, a lista ideal da seleção inglesa seria esta aqui.

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terça-feira, 15 de maio de 2012 Listas, Premier League | 10:21

Best XI

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A seleção de 2011-12 do God Save the Ball

Seleção do campeonato, cada um tem a sua. Em boa parte dos casos, não há critérios objetivos para as escolhas. É por isso que o God Save the Ball monta seu próprio time ideal da Premier League 2011-12 para começar a repercutir a temporada:

Joe Hart, Manchester City. Não houve goleiro mais confiável. Os holandeses Michel Vorm e Tim Krul foram rivais à altura, mas não a ponto de lhe tomarem a vaga na seleção. Aos 25 anos, Hart mostra que Roberto Mancini estava certo quando o transformou em titular em detrimento de Shay Given, há duas temporadas.

Micah Richards, Manchester City. Richards jogou apenas 28 vezes (23 como titular) e, atrapalhado por uma série de lesões, terminou a temporada na reserva de Pablo Zabaleta. Mesmo assim, a carência de bons laterais-direitos e seu desempenho no primeiro turno o colocam na seleção. Foram seis assistências, um gol e bastante energia a serviço dos campeões.

Vincent Kompany, Manchester City. Um dos nomes mais óbvios do time ideal, Kompany é o novo Nemanja Vidic do futebol inglês. Quase ninguém contesta seu status de melhor defensor do país.

Ashley Williams, Swansea. Após duas temporadas consecutivas na seleção da segunda divisão, o galês justifica sua presença entre os melhores da primeira – pelo menos para esta coluna. O Swansea somou 14 clean sheets ao todo e sofreu apenas 18 gols em casa, menos de um por partida. Williams liderou a defesa e tem tudo a ver com isso. Seu treinador, Brendan Rodgers, acredita que ele tem credenciais para atuar num clube maior, mas admitiu que não pretende perdê-lo.

Leighton Baines, Everton. Com seu visual pop star dos anos 70, o lateral da seleção inglesa fez outra temporada sólida e se manteve como uma das principais armas ofensivas do time, subindo pelo flanco esquerdo ou em bolas paradas. Baines é especulado no Manchester United.

Yaya Touré, Manchester City. O marfinense joga em todas as posições centrais do meio-campo, marcou pelo menos quatro gols fundamentais e, quando a temporada do City assumia contornos trágicos, foi ele quem chamou a responsabilidade. O melhor jogador do time campeão tem de estar na seleção da liga.

Yohan Cabaye, Newcastle. O meia da seleção francesa foi o craque do Newcastle na temporada. Sim, superior a Demba Ba e Papiss Cissé. Contratado por apenas £4.3 milhões, ele substituiu Kevin Nolan, vendido ao West Ham, numa manobra que nem todo mundo entendeu. Afinal, Nolan era uma das principais figuras do time. Mas Cabaye provou ser bem melhor, marcou, organizou e acumulou atuações memoráveis, como a da vitória do Newcastle sobre o Manchester United por 3 a 0.

David Silva, Manchester City. O líder de assistências na liga, com 14, foi o craque do primeiro turno. Silva normalmente exerceu um papel duplo, de criação de jogadas e recomposição para marcar um dos laterais adversários, como fazia Juan Mata com André Villas-Boas no Chelsea. Seu nível caiu demais entre janeiro e abril, quando era substituído com freqüência, mas a relevância dele para o título é incontestável.

Wayne Rooney, Manchester United. Foi tão bem quanto em 2009-10, com a vantagem de que não perdeu ritmo na reta final. Seus 27 gols na Premier League foram o impulso que quase levou o United a outro título nacional, mesmo numa temporada decepcionante para o clube de maneira geral. Mas Rooney precisa de companhia mais consistente no ataque.

Clint Dempsey, Fulham. O meia-atacante texano fez sua melhor temporada na Inglaterra e tornou-se o primeiro norte-americano a marcar 50 gols na Premier League. Além de sempre jogar bem, Dempsey comprova sua eficiência através dos números: com 17 gols e seis assistências, ele participou diretamente de 48% dos gols do Fulham. Nesse quesito, perde apenas para Robin van Persie.

Robin van Persie, Arsenal. Sim, com incríveis 30 gols e nove assistências, van Persie apareceu em 53% dos gols do Arsenal. Ninguém na Inglaterra foi tão importante para um time quanto o holandês para os Gunners. A seu capitão, Arsène Wenger deve a vaga direta na Champions League e mais uma temporada acima do Tottenham. Apesar da queda nas últimas partidas, craque do campeonato.

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domingo, 13 de maio de 2012 Man City | 21:12

Cinco estrelas

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O Manchester City finalizou 44 vezes – 15 no alvo –, teve 19 escanteios e 82% de posse de bola contra o Queens Park Rangers. Mesmo assim, seu primeiro título inglês em 44 anos veio acompanhado de um drama que poucos roteiristas seriam capazes de criar. Dois gols nos cinco minutos finais determinaram a vitória por 3 a 2, tiraram o pão da boca do Manchester United e fizeram tremer o Etihad Stadium.

Kompany na época de Anderlecht, quando ainda era uma promessa de Football Manager

O título está com os melhores pés e mãos da temporada. Embora colecione críticos, o técnico Roberto Mancini foi um ótimo administrador durante boa parte do ano e soube extrair o melhor de suas várias estrelas. Foram tantos protagonistas, que definir o craque da campanha do City é um exercício quase puramente subjetivo, sem verdades absolutas.

A dúvida começa pelo goleiro. Joe Hart ratificou o status de melhor da posição na Inglaterra. Com raras falhas e 17 clean sheets (jogos sem sofrer gol), ele apareceu pela segunda vez na seleção da temporada.

Hart foi excepcional, mas contou com uma parede à frente dele. O capitão Vincent Kompany foi consistente, fez muita falta quando se ausentou e ainda marcou um dos gols mais importantes da campanha, o da vitória sobre o Manchester United no segundo turno. Desde que o belga chegou ao City, o time leva uma média de 0.9 gol por partida com ele e de 1.6 sem ele. Não é acaso.

David Silva seria o craque do campeonato se tivesse mantido o ritmo da primeira metade da temporada. O espanhol foi a força motriz do ataque do City, criando jogadas impensáveis para qualquer outro jogador do elenco. Silva é também o melhor garçom da temporada, com 14 assistências. Mas ele enfrentou um período bem improdutivo entre janeiro e abril.

Touré celebra em St. James' Park: um dos vários momentos-chave da campanha

Sergio Agüero também entra na conversa, até pela última imagem do campeonato, do argentino correndo e girando a camisa enquanto o estádio festejava o 23º e mais relevante gol dele na liga. Apenas Fernando Torres (24) marcou mais entre os estrangeiros estreantes na Premier League. Agüero ainda pode ser mais preciso, mas as comparações com Romário fazem mais sentido a cada ano.

No entanto, o número 1 do Manchester City na temporada, para o blog, é Yaya Touré. O marfinense, eleito o melhor africano de 2011, marcou seis gols na campanha. Entre eles, um contra o Queens Park Rangers em Loftus Road, um contra o Stoke no Britannia Stadium e dois contra o Newcastle em St. James’ Park, todos fundamentais para o título. Hoje, mesmo lesionado, assistiu Zabaleta no primeiro gol. Yaya domina o meio-campo, ataca e defende com a mesma eficiência e consegue ser ainda melhor do que na temporada passada, quando decidiu a FA Cup com gols na semifinal e na final. Touré vive momento brilhante, é predestinado e o mais completo jogador do futebol inglês. Até o Barcelona sente falta dele.

Fantasy
O vencedor da liga é Jayme Perandin (Jayspurs). Parabéns!

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sábado, 12 de maio de 2012 Man City, QPR | 17:24

Inimigo familiar

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Hughes e Mancini protagonizaram uma polêmica troca de treinadores

Quando o Manchester City venceu o Sunderland por 4 a 3, Mark Hughes não comemorou. Em 19 de dezembro de 2009, o técnico galês apenas esperava pela demissão, tratada como inevitável diante da campanha medíocre de seu City na Premier League. A saída teve requinte de crueldade. Hughes foi dispensado imediatamente após a partida e, ainda naquele sábado, a direção anunciou Roberto Mancini como substituto. Tudo estava planejado.

Amanhã, Mancini e Hughes, hoje treinador do Queens Park Rangers, se reencontram no Etihad Stadium para o último jogo da temporada. Uma vitória dá o título inglês ao Manchester City. Se empatar, o QPR escapa do rebaixamento. Hughes agora tem de atrapalhar seu ex-clube, mas, de alguma maneira, ele contribuiu para a provável conquista de amanhã. Ainda que seu trabalho no City tenha sido fraco, o galês formou boa parte do grupo que lidera a Premier League.

A passagem de Hughes pelo Manchester City, entre 2008 e 2009, coincidiu com um período de transição, em que era difícil conhecer a identidade daquele clube que tinha dinheiro à vontade para gastar, mas ainda não conseguia atrair qualquer jogador que desejasse. Dos habituais titulares do City neste fim de temporada, Hughes contratou cinco: Zabaleta, Kompany, Lescott, Barry e Tevez. Como nem tudo é perfeito, também era ele o treinador na época da contratação de Robinho.

Os negócios de mercado interno eram relativamente seguros, mas os outros sempre envolvem um risco adicional. É por isso que Hughes merece crédito por ter fechado uma das melhores contratações da história do clube, a do capitão Vincent Kompany, que estava no Hamburgo, por apenas £6 milhões. Hoje, o belga é o melhor defensor do futebol inglês e tem valor incalculável para a equipe.

O técnico rejeitado pelo Manchester City há três anos disse não pensar em revanche, mas apenas no ponto de que o QPR precisa para garantir a permanência na primeira divisão. Se perder, Hughes ao menos pode alegar que é responsável por uma parcela do título. Talvez até consiga beijar o troféu.

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quinta-feira, 10 de maio de 2012 Inglaterra | 21:30

O quebra-cabeça de Hodgson

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A Football Association prometeu para a próxima quarta-feira, 16, a divulgação dos 23 convocados a defender a seleção inglesa na Euro 2012. Embora o time precise ser reorganizado às pressas, a base do grupo que vai a Polônia e Ucrânia é conhecida. A tendência é que Roy Hodgson, de mentalidade conservadora, recorra a soluções tradicionais. No entanto, há impasses que não podem ser ignorados:

Roy Hodgson, todo feliz ao lado dos três leões

Hart e quem mais? Se Hart é o melhor goleiro inglês há três anos, as outras duas vagas exigem mais do treinador. Ruddy, que fez ótima temporada pelo Norwich, e Green, apesar da falha na Copa de 2010, são opções razoáveis. Foster, titular de Hodgson no WBA, também pode reaparecer na seleção caso seja convencido. A presença do preparador Dave Watson, com quem trabalhou no Birmingham, deve ser determinante para que ele aceite voltar.

E a lateral direita? Glen Johnson, Kyle Walker, Micah Richards, Phil Jones… São várias opções, mas Johnson e Richards estão claramente acima dos outros. Jones seria interessante pela versatilidade.

Terry ou Ferdinand? O imbróglio envolvendo Terry e Anton Ferdinand, irmão mais novo de Rio, tirou a capitania do defensor do Chelsea e arranhou o relacionamento entre os zagueiros titulares desde a Euro 2004. A questão é: vale a pena levar os dois e arriscar o ambiente? Não parece, ainda mais com Terry em fase bem questionável e as boas atuações de Cahill, Lescott e Jagielka pela seleção.

Scholes? O retorno dele foi fundamental para a recuperação do Manchester United, mas Scholes está aposentado da seleção há quase oito anos. A meia central, ao contrário do que ocorre em Old Trafford, não é a principal carência. Hodgson pode tentar convencê-lo a voltar, porém não precisa. Além dos prováveis convocados, tem gente boa pedindo passagem, como Leon Britton, do Swansea, estatisticamente um dos melhores passadores do mundo.

Chamberlain? Convocar uma jovem estrela apenas por convocá-la é um equívoco. É só lembrar Walcott na Copa de 2006, quando a Inglaterra precisou substituir Owen, e Eriksson não confiou no então garoto de 17 anos. No entanto, com Chamberlain é diferente. Ele foi muito utilizado no Arsenal e pode ajudar. Mais do que Downing, por exemplo.

Carroll, Holt ou Crouch? Sem Rooney nas duas primeiras partidas, contra França e Suécia, Hodgson não deve perder a chance de chamar um centroavante de referência. Ainda mais ele, que adora lançamentos longos. Três das possibilidades são Carroll, Crouch e Holt, o gordinho artilheiro do Norwich. Pelo bom momento e pela capacidade de evoluir, Carroll merece a chance.

Sugestão para Hodgson:
Goleiros: Joe Hart (Man City), John Ruddy (Norwich) e Rob Green (West Ham);
Defensores: Glen Johnson (Liverpool), Micah Richards (Man City), Gary Cahill (Chelsea), Joleon Lescott (Man City), Phil Jagielka (Everton), Rio Ferdinand (Man Utd), Ashley Cole (Chelsea) e Leighton Baines (Everton);
Meio-campistas: Theo Walcott (Arsenal), Alex Chamberlain (Arsenal), Scott Parker (Tottenham), Steven Gerrard (Liverpool), Frank Lampard (Chelsea), Gareth Barry (Man City), Ashley Young (Man Utd) e James Milner (Man City);
Atacantes: Wayne Rooney (Man Utd), Andy Carroll (Liverpool), Danny Welbeck (Man Utd) e Jermain Defoe (Tottenham).

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terça-feira, 8 de maio de 2012 Blackburn | 18:58

Cronologia do fracasso

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A galinha do Ewood Park não tem o carisma do gato de Anfield

O Blackburn, um dos quatro campeões da era Premier League, está rebaixado. A previsível derrota para o Wigan confirmou uma queda que se anunciava há muito tempo, embora o time tenha esboçado reação no segundo turno. Pouco depois do título de 1994-95, os Rovers caíram em 1998-99 e passaram duas temporadas fora da elite. Se o primeiro rebaixamento após a conquista surpreendeu, o segundo é mera consequência da estupidez da diretoria.

Durante o jogo contra o Wigan, uma galinha foi lançada a campo como forma de protesto contra os proprietários. O Venky’s, grupo indiano que controla o Blackburn desde novembro de 2010, é um gigante da produção de aves no mercado asiático. A galinha e a ironia que a acompanhava representam a indignação dos torcedores com quem foi negligente e desastrado na administração de um clube que tinha tudo para crescer, mas afundou. A cronologia do rebaixamento está aí:

19 de novembro de 2010: O Venky’s compra o Blackburn por £23 milhões.
13 de dezembro de 2010: Com menos de um mês no Ewood Park, o Venky’s demite Sam Allardyce, treinador que havia sido fundamental para a recuperação do Blackburn, fazia campanha segura na Premier League e tinha apoio irrestrito de torcedores e jogadores. A promessa era trocá-lo por um treinador de ponta. Rafa Benítez foi especulado.
22 de dezembro de 2010: A diretoria admite a impossibilidade de atrair um treinador consagrado e efetiva o escocês Steve Kean, ex-assistente de Allardyce. Kean ganha um contrato até o fim da temporada para provar sua capacidade.
3 de janeiro de 2011: Em outro surto de grandeza, os indianos anunciam interesse por uma “estrela brasileira” qualquer. Ronaldinho é cogitado (imagine se ele tivesse sido contratado…).
22 de maio de 2011: O Blackburn vence o Wolverhampton por 3 a 2 no Molineux e evita o rebaixamento na última rodada. O time havia ficado dez jogos sem ganhar, entre janeiro e abril. Kean teve de administrar a insatisfação do elenco pela demissão de Allardyce. Chris Samba, o mais revoltado, chegou a perder a faixa de capitão.

Hoilett atormentou defesas e, sem contrato, vai embora de graça

Mercado de verão: A diretoria perde dois de seus melhores jogadores jovens: Phil Jones para o Manchester United e Nikola Kalinic, este inexplicavelmente, para o Dnipro. Junior Hoilett e Steve N’Zonzi, outros bons representantes da nova geração, ficam no clube. A despeito das contratações de Scott Dann e Yakubu, os outros reforços são fracos, e as promessas da diretoria viram pó. Steve Kean tem o contrato renovado por mais duas temporadas.
13 de agosto de 2011: O Blackburn perde em casa para o Wolverhampton na abertura da temporada. Tragédia anunciada.
16 de setembro de 2011: Como se fosse possível, os proprietários jogam a responsabilidade para a inconformada torcida, pedindo total apoio ao time que eles não montaram. Na partida seguinte, contra um Arsenal combalido, vitória por 4 a 3. Os indianos posam de vitoriosos no Ewood Park.
20 de dezembro de 2011: O Blackburn perde em casa para o Bolton, concorrente direto na tabela, no 17º jogo da Premier League. A campanha chega a duas vitórias, quatro empates e 11 derrotas. A diretoria se omite, e Kean enfrenta a fúria dos torcedores. Yakubu e Hoilett eram os únicos destaques do time.
4 de fevereiro de 2012: O Arsenal faz 7 a 1 no Blackburn, com três gols de van Persie, dois de Chamberlain, um de Arteta e um de Henry.
24 de fevereiro de 2012: Chris Samba é vendido ao Anzhi. O Blackburn perde sua grande referência defensiva.
7 de maio de 2012: O Wigan, de poder financeiro bem menor, vence por 1 a 0 em Ewood Park, garante a permanência na Premier League e derruba o Blackburn para a segunda divisão com uma rodada de antecedência.

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segunda-feira, 7 de maio de 2012 Curiosidades | 10:58

Italian Party

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Di Matteo: de bem com a vida desde 2008, quando assumiu o MK Dons

Roberto Di Matteo é o terceiro técnico italiano consecutivo a conquistar a FA Cup. O comandante interino do Chelsea seguiu o caminho dos campeões de 2010 e 2011, Carlo Ancelotti e Roberto Mancini. O manager do Manchester City, aliás, está a uma vitória sobre o Queens Park Rangers de tornar-se o segundo treinador italiano a ganhar a Premier League nas últimas três temporadas. Ancelotti, você se lembra, foi o vencedor há dois anos.

Além de Manchester City e Chelsea, o Swindon Town também é comandado por um italiano. Embalado pelo êxito de seus compatriotas, Paolo Di Canio faz ótimo trabalho para um debutante. Logo na primeira temporada como treinador, o ex-ídolo do West Ham foi finalista do Football League Trophy e, melhor ainda, levou o título da League Two, garantindo com tranquilidade o retorno do Swindon à terceira divisão. Não será surpresa se ele aparecer no West Ham em breve.

A Mancini, Di Matteo e Di Canio, somam-se Carlo Ancelotti (Chelsea, 2009-2011) Fabio Capello (Seleção, 2008-2012), Gianfranco Zola (West Ham, 2008-10), Luigi De Canio (QPR, 2007-08), Claudio Ranieri (Chelsea, 2000-2004), Gianluca Vialli (Chelsea, 1998-2000; Watford, 2001-2002) e Attilio Lombardo (Crystal Palace, 1998) no histórico de técnicos italianos na Inglaterra. Os três atuais estão bem. Ancelotti brilhou na primeira temporada. Vialli, Zola, Capello e Ranieri, nesta ordem, foram razoáveis. De Canio e Lombardo fracassaram.

A porta aberta aos italianos tem relação íntima com o Chelsea dos anos 90. Numa época em que Roman Abramovich era apenas sombra de Boris Berezovsky e não pensava em aventurar-se na Inglaterra, os Blues já se transformavam num time poderoso. Atual dono do Leeds, Ken Bates disponibilizou um belo orçamento a Ruud Gullit, que virou técnico / jogador em 1996. Se Gullit havia sido integrante do Milan dos holandeses, dá para dizer que ele formou o Chelsea dos italianos. Zola, Di Matteo e Vialli chegaram de uma vez a Stamford Bridge.

Zola é a maior prova de que existiu um Chelsea antes de Abramovich

O trio foi um sucesso – Zola é, para muita gente, o melhor jogador da história do clube –, e todo mundo ali virou treinador. Aquele Chelsea foi fundamental para a classe dos técnicos italianos no futebol inglês. No entanto, se eles têm ganhado ainda mais espaço, é simplesmente porque a maioria acrescentou bastante às equipes. Nesse caso, o hábito de associá-los ao velho estereótipo do retranqueiro é perigoso. Saber armar defesas não significa necessariamente abdicar do ataque.

O Chelsea de Ancelotti fez 103 gols na Premier League em 2009-10. Foi sob o comando dele que Didier Drogba (29 gols e 13 assistências) e Frank Lampard (22 gols e 17 assistências) tiveram sua temporada mais produtiva. O City de Mancini, de 90 gols em 37 partidas, joga com Silva, Nasri, Tevez e Agüero. Até Di Matteo, que se notabilizou por estacionar o ônibus contra o Barcelona na Champions League, consegue ser agressivo. O West Brom dele marcou menos gols apenas do que o Newcastle na Championship em 2009-10. O Milton Keynes Dons, primeiro time treinado pelo ítalo-suíço, também foi o segundo melhor ataque da League One na temporada anterior. Prova de que, para os ingleses, Itália não é sinônimo de catenaccio.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012 Chelsea, Liverpool | 10:09

A satisfação e o progresso

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Liverpool e Chelsea se encontram amanhã, às 13h15 de Brasília, para a final da FA Cup em Wembley. As escalações são incertas, mas existem pistas de como Dalglish e Di Matteo preparam seus times.

A semana do Liverpool é, de certa maneira, um resumo da temporada. Na terça-feira, derrota em casa para o Fulham na Premier League. Amanhã, decisão da FA Cup contra o Chelsea. A péssima campanha na liga, que põe o clube num embaraçoso oitavo lugar, contrasta com o êxito nas copas. Se o título da Carling Cup amenizou a sensação de fracasso em 2011-12, a perspectiva de levar a FA Cup empolga ainda mais.

Parece existir em Anfield uma necessidade doentia de provar que o clube evoluiu na temporada. Só nesta semana, o diretor Ian Ayre, o capitão Steven Gerrard e o técnico Kenny Dalglish concederam entrevistas para valorizar sucessos e minimizar fracassos. Dalglish disse que prefere a satisfação pelo possível double (títulos nas duas copas) a uma quinta posição no campeonato.

Ele está certo quando fala em “satisfação”, ainda mais se pensarmos que o Liverpool não levantava uma taça havia seis anos. Um clube desse tamanho não pode mesmo contentar-se com vaga nisso ou vaga naquilo. Títulos e finais devem fazer parte da rotina porque oferecem aos torcedores os momentos mais marcantes em sua relação com a instituição. Troféus são o que há.

Não à toa, as melhores lembranças do século XXI para os torcedores do Liverpool são o treble de 2001 (Copas da Inglaterra, da Liga e da UEFA), as duas finais de Champions com um título memorável em 2005 e a FA Cup de 2006, conquista com a assinatura de Gerrard. A emoção dessas ocasiões foi inegavelmente superior à do segundo lugar na Premier League em 2008-09, ainda que aquele time tenha sido o melhor do Liverpool nos últimos 20 anos.

No entanto, é necessário separar a ótica do torcedor da do profissional, que também tem compromissos financeiros com o clube e precisa assegurar, por exemplo, que a Champions League não se transforme numa realidade inatingível. Além de “satisfação”, outra palavra tem sido empregada com frequência lá em Anfield, inclusive por Dalglish: “progresso”. Ora, a medida do progresso tem de ser a campanha na Premier League, competição que lhe impõe um calendário longo e sem distorções.

O fraco aproveitamento de 45% e a oitava posição estão longe dos 51% e do sexto lugar da temporada passada, que, vale registrar, começou de forma trágica. Esses números significam que a política de contratações, embora fizesse sentido no começo, não deu certo e que algo precisa ser feito para a curva de desempenho voltar a subir no ano que vem. O Liverpool reaprendeu a jogar partidas decisivas e pode oferecer aos torcedores o segundo troféu da temporada, mas não evoluiu. Not at all.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012 Arsenal | 11:33

A dois passos do paraíso

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Ontem, o Newcastle de Papiss Cissé silenciou Stamford Bridge, e o Tottenham de Luka Modric passou com autoridade pelo Bolton. A duas rodadas do fim, esses resultados equilibraram a corrida pela Champions League. O Arsenal, na terceira posição, tem 66 pontos, contra 65 de Tottenham, quarto colocado, e Newcastle, que sempre levará desvantagem no primeiro critério de desempate por conta do baixo saldo de gols. O Chelsea, com 61, está virtualmente fora da disputa via campeonato.

A 36ª rodada pressionou demais o Arsenal, que empatou com o Stoke e perdeu o direito de falhar na reta final. Está certo que o Newcastle tem Manchester City e Everton pela frente, mas o Tottenham deve superar Aston Villa e Fulham. Vale lembrar que, se o Chelsea conquistar a Champions League, o quarto lugar oferecerá nada além de partidas sonolentas (os ingleses tornam as partidas sonolentas) da Europa League às quintas e um calendário congestionado pela Premier League às segundas.

Se vencer seus dois próximos jogos, o Arsenal pode garantir essa parceria

No sábado, o Arsenal recebe o Norwich. Ainda que Paul Lambert e companhia não vivam boa fase, a recente vitória dos Canaries sobre o Tottenham em Londres evidencia a habilidade do treinador escocês em preparar o time para explorar o nervosismo alheio. O Wigan, que ganhou no Emirates há duas semanas, é o modelo para ele. Na última rodada, deve ser ainda mais difícil vencer o West Brom no Hawthorns, onde os Baggies não perderam para Chelsea e Manchester City. Será a despedida de Roy Hodgson do WBA.

Na busca pelo terceiro lugar, o Arsenal não deve ter os titulares Arteta e Walcott, além de Wilshere, habitué do departamento médico. A confiança passa por Vermaelen, Song, van Persie e – que rufem os tambores – Rosicky. Sim, o Pequeno Mozart reapareceu no fim da temporada e tem sido fundamental. A assistência dele para van Persie contra o Stoke dá uma boa dimensão do papel do tcheco na equipe.

Ironicamente, Rosicky tem de ser a solução nesta temporada para que não precise ser na próxima. As constantes lesões e mesmo a irregularidade durante as raras fases saudáveis mostram que o Arsenal não pode depender de seu número 7, que, na esteira de uma boa sequência de jogos, já renovou contrato. E não depender dele passa por ganhar os dois jogos, assegurar a terceira posição e salvar uma temporada que se anunciava desastrosa.

Tudo porque o poder de barganha do Arsenal está bastante ligado a um posto na Champions, o que Arsène Wenger sempre conseguiu. O rebaixamento à Europa League seria um golpe para quem precisa criar alternativas. Uma delas é o já contratado Lukas Podolski, mas a função dele ainda não está definida. Se o Arsenal fracassar agora, Podolski pode virar substituto de van Persie, que espera o fim da campanha para decidir se renova ou não o contrato até além de 2013. Nem Podolski quer isso.

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