Alguém imaginava o Auxerre na frente?

Os moços do Juventude da França festejam na frente de Eduardo Costa (AFP)
Eu confesso que não. Principalmente depois de 13 rodadas disputadas, com Bordeaux e Lyon mostrando consistência em muitos jogos e classificados de antemão na Liga dos Campeões, Monaco fazendo bom papel e Marselha com momentos de força. Mas o AJA* está lá, e terei de engolí-lo por mais que antipatize com ele. Foi o Auxerre que destratou o Marcos Antonio, cuja história retratei aqui. É um clube que nunca gostou de sul-americanos, não tem brasileiros no elenco atual, nem nomes que empolguem, o estádio é pequeno… Azar o meu, porque venceu as últimas sete partidas e voltou a sentir o gosto da liderança, que não vinha desde 2002-2003.
Para o Auxerre ter nos surpreendido, Bordeaux e Lyon bobearam. E feio. Os Girondinos receberam o Valenciennes, até então oitavo colocado, e não se valeram do fator Chaban-Delmas: 1 a 0 para os visitantes, que fazem uma campanha também inesperadamente positiva. Vale lembrar que o atual campeão jogou sem Gourcuff e Henrique, lesionados. O zagueiro brasileiro, aliás, passou por uma artroscopia no joelho esquerdo e só deve voltar aos campos em dezembro.
Os lioneses foram a Grenoble, mas tinham pela frente o pior time da Ligue 1, que só não havia perdido uma de 12 partidas em todo o campeonato – curiosamente, o GF38 tinha roubado pontos justamente do Monaco, um dos ponteiros, na última rodada. E não é que o OL também alcançou a proeza de não derrotar o lanterna da competição? Exactement! Sem Cissokho e Toulalan, saiu na frente, com César Delgado, mas sete minutos depois levou o empate. Foi pouco, até porque ficou com um a mais a partir dos 25 minutos do 2º tempo. Nem o estiloso uniforme marca-texto laranja ajudou.
O Auxerre, então, soube fazer sua parte. No Stade de L’Abbé-Deschamps, onde a lotação máxima é de 23.500 pessoas, 15 mil viram a vitória sobre o Monaco, que jogou sem o artilheiro Nenê mas com Adriano, Eduardo Costa, e, na frente, Park e Gudjohnsen – é, isso não foi nenhuma vantagem. O AJA fez o necessário em cada tempo: o primeiro aos 47 do 1º, por intermédio do zagueiro malinês Coulibaly, e o segundo aos 45 do 2º, graças ao meia congolês Ndinga. Como não levou gols, se deu bem. Pra quem é tão leigo no time como eu, o melhor jogador deles no campeonato, segundo a France Football, é o zagueiro (!) Cédric Hengbart. O artilheiro é o polonês Ireneusz Jélen, com quatro gols em oito partidas, uma média até que respeitável de “um sim, um não”.

Ederson disputa bola com Matsui: laranjão não ganha jogo (AFP)
# SEMANA DE LIGA #
Amanhã e depois de amanhã acontece a quinta e penúltima rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Acho que ninguém vai perguntar, mas a Liga Europa só volta nos dias 2 e 3/12. Teremos, sempre às 17h45:
- Terça, 23/11, popular amanhã >> Fiorentina x Lyon
- Quarta, 24/11 >> Bordeaux x Juventus
- Quarta, 24/11 >> Milan x Olympique de Marselha
*AJA = Association de la Jeunesse Auxerroise, o nome oficial do Auxerre. Traduzindo, fica Associação da Juventude “Auxerrense”. Pra facilitar, vamos chamar aqui de Juventude francês, aludindo ao campeão da Copa do Brasil de 1999, d’accord?
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Autor: Bruno Pessa Tags: Auxerre, Bordeaux, Ederson, Eduardo Costa, Grenoble, Hengbart, Henrique, Jelen, Liga dos Campeões, Liga Europa, Lyon, Marcos Antonio, Matsui, Monaco, Valenciennes









