“Dinheiro não traz felicidade”. Será mesmo, PSG?
Por Willian Kressin
“O dinheiro não traz felicidade”. Quantas vezes você já ouviu esse bordão? Pois é, alguns concordam, outros não. Mas quando estamos falando de dinheiro no futebol, essa frase pode ser uma “faca de dois gumes”.
O Paris Saint-Germain nunca foi considerado o maior clube da França, pois apesar de ser o time da capital do país, conquistou a Ligue 1 em apenas duas oportunidades (1986 e 1993). A mídia sempre criticou muito a equipe, pois era inadmissível o time da capital não figurar entre os principais candidatos ao título nacional. Mesmo após o fim da era de reinado do Lyon, que venceu a Ligue 1 por sete vezes consecutivas entre 2001 e 2008, o PSG não aparecia entre os principais postulantes à taça. Porém, o novo Paris Saint-Germain quer dar início a uma nova era no futebol francês.
No dia 31 de maio de 2011, o clube anunciou que havia vendido 70% de suas ações ao Qatar Sports Investiments (QSI), grupo de investidores árabes presidido pelo sheik Nasser Al-Khelaifi. Assim, foi dada a largada à “nova era do Paris Saint-Germain”. Após ser comprado por árabes, o PSG passou a ter dinheiro. Com isso, reforçou seu elenco com diversos jogadores importantes (Pastore, Mènez, Lugano), gastando algo em torno dos 90 milhões de euros na janela de transferência do mês de agosto. Tudo isso deu resultado? Alguns acham que sim, outros acham que não.
Apesar de todo esse investimento, o PSG foi eliminado na fase de grupos da Liga Europa, mas terminou o 1° turno da Ligue 1 na liderança, com 3 pontos de vantagem para o vice-líder Montpellier. Não satisfeita, a direção do time da capital optou por demitir o treinador Antoine Kombouaré, contratando para o cargo o italiano Carlo Ancelotti.
Se já não bastassem os 90 milhões de euros gastos no início da temporada, o PSG agora busca reforçar ainda mais seu elenco. Nessa semana, anunciou a contratação do lateral brasileiro Maxwell, ex-Barcelona, por algo em torno dos 3,5 milhões de euros e ainda procura mais jogadores de peso. Outro que esteve muito próximo do acerto foi o atacante brasileiro Alexandre Pato, do Milan. Muitos jornais davam como certa a contratação do jogador por 35 milhões de euros, mas quando ela ia ser confirmada o jogador negou a intenção de sair do time italiano.
Com o fracasso na contratação de Pato, o Paris ainda busca um atacante para o resto da temporada. E o mais novo alvo também é brasileiro: Leandro Damião, do Internacional. Segundo informações trazidas pelo L’Equipe, o jogador vinha sendo observado desde o ano passado, e agora a direção do PSG está disposta a contratá-lo. O único problema seria o preço do atacante, que tem sua multa rescisória fixada em 60 milhões de euros.
Com o PSG gastando rios de dinheiro em contratações, e reforçando o seu elenco com jogadores de renome, a grande questão que surge é: como ficam os outros times da Ligue 1? O Paris Saint-Germain tem tudo para se tornar o time dominante da França. Se juntássemos tudo os que os outros 19 times da Ligue 1 gastaram, não chegaríamos à quantia gasta pelo PSG. E pior, esse montante ficaria muito longe.
O Campeonato Francês ganhou muita visibilidade nas últimas três temporadas. Muito disso devido ao equilíbrio da competição, que tinha até seis times brigando pelo titulo a 5° rodadas do término da temporada. Hoje fica difícil imaginar que isso vá acontecer.
Não podemos dar como certo que esse novo Paris Saint-Germain vá obter sucesso imediato. Nada impede que o treinador Carlo Ancelotti fracasse no clube, ou que as contratações não surtam efeito. Se essa enorme quantia de dinheiro que o clube possui não for investida da maneira correta, há grandes chances de vermos um fracasso. Mas, sinceramente, eu acho difícil esse time não dar certo, principalmente quando falamos de sucesso na Ligue 1.
Para os torcedores do Paris Saint-Germain, o dinheiro tem tudo para trazer a felicidade. Mas para os torcedores da Ligue 1, o bordão citado no inÍcio da reportagem tem tudo para começar a fazer sentido.
Notas relacionadas:
5 comentários | Comentar
Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!


5 José Afonso Camargo Jr 25/01/2012 9:59
Eu concordo com o Felipe.
Embora eu tenha ficado deveras feliz pela compra do PSG, já imaginava que as mudanças viriam à conta gotas. Ainda mais agora com a mudança também no comando tático da equipe.
De todo modo, a partir desse segundo turno a coisa tende a ser decisiva: o PSG precisa comprovar que a liderança na Ligue1 não é coincidência e fazer o time (e os investimentos) deslanchar. O Nenê tem sido fundamental e não foi fruto dessa onda de contratações…
valeu
4 Sérgio Ayres 19/01/2012 2:17
Ligue 1 seguindo modelo da EPL que ñ acho o ideal, modelo que era pra ser seguido era o da Bundesliga com responsabilidade onde gastar, mas agora acho que é um caminho sem volta pois os outros ñ tem como competir com esses bilionários e vão ter que entrar na onda
Bruno Pessa 19/01/2012 10:15
O que o dinheiro pode comprar no futebol acaba sendo fatalmente sedutor…
3 Sérgio Ayres 19/01/2012 2:16
Eu sempre achei que PSG e Monaco seriam os times desses bilionários na França pelo estilo das equipes que já tiveram várias mudanças de comando. O problema é que isso pode obrigar OL, OM, Bordeaux, ASSE e outros a entrar nessa onda.
2 Filipe Frossard Papini 18/01/2012 19:56
Eu acredito em algo a longo prazo. Nem Chelsea, nem ManCity conseguiram chegar ao ápice no ano em que foram comprados pelos bilionários. Málaga vai seguindo o mesmo caminho e existem mais times que seguem nesse rumo. Nenhum deles se tornou “o melhor” de um dia pro outro. O processo é lento
Bruno Pessa 18/01/2012 22:46
É fato também. O problema é segurar a paciência de dirigentes e torcedores, ainda mais em um clube de massa na França como o PSG, na seca pela Ligue 1 há um tempão…
1 Adamo Bernardo de Alcântara 18/01/2012 8:10
Acredito que isso dê um impulso nos demais clubes. O investimento não trará retorno se só o PSG for grande. E futebol tem coisas estranhas…Veja que sem a mesma badalação o Montpellier está na briga com o Paris. É fato que para brilhar na Europa, os clubes franceses – e não só o PSG – precisavam de algo mais.
Em tempo: parabén pelo artigo Willian e Bruno pela iniciativa!
Bruno Pessa 18/01/2012 10:12
Obrigado, Adamo! E concordo com suas observações. Abraço!