E acabou o ano assim
Metade do Campeonato Francês 2008/2009 concluída. Não exatamente, pois gripe suína e neve impediram que todos os 20 times disputassem as 19 partidas programadas até aqui. São eles: Montpellier, Olympique de Marselha, Monaco e Boulogne, que jogaram 18 vezes, e o Sochaux, coitado, 17. Mas não vamos perder a época do ano pródiga em retrospectivas (até porque pouca coisa nova e relevante acontece…) para fazer a nossa, a partir do que os números e algumas observações nos mostram:
Campanhas
Os melhores – Bordeaux (43 pontos), Lille (34), Montpellier (33), Marselha e Auxerre (32)
Os piores – Grenoble (7), Boulogne-sur-Mer (13), Saint-Etienne e Le Mans (16)
O que mais desponta é a enorme vantagem do atual campeão na liderança, reflexo claro de que o Bordeaux é nitidamente superior aos demais e que a emoção da Ligue 1 corre risco se essa relação de forças permanecer. Surpresas positivas são Lille, Montpellier e Auxerre entre os ponteiros. Marselha, Lyon e Monaco têm times para estar mais em cima, mas bobearam sobremaneira nas últimas rodadas (seus técnicos têm culpa nisso, pelo menos Didier Deschamps e Claude Puel, creio).
Lorient, Rennes e Valenciennes têm um momento ou outro de inspiração, como o PSG, mas quem oscila não sai do meio da tabela. Lá em baixo, é grande a diferença dos quatro últimos (citados acima) para o quinto último (o Nice soma 22 pontos). Como caem três para a Ligue 2, os lanternas parecem condenados a muitas rodadas de sofrimento. Incluindo o tradicional Saint-Etienne, maior detentor de títulos nacionais (10), que pelo segundo ano consecutivo se arrasta na tabela. E especialmente o caçula Boulogne e o letárgico Grenoble, que só foi pontuar na 12ª journée.

Blanc, Gourcuff e Chamakh, tripé de sucesso nos Girondinos de Bordeaux
Ataques
Os melhores – Lille (37 gols marcados), Bordeaux (32), Lyon e Paris Saint-Germain (31), Olympique de Marselha e Valenciennes (30)
Os piores – Grenoble (10), Saint-Etienne (11), Boulogne-sur-Mer (15), Le Mans e Sochaux (17)
Defesas
As melhores – Bordeaux (12 gols sofridos), Auxerre (15), Toulouse (16), Rennes e Paris Saint-Germain (18)
As piores – Boulogne-sur-Mer (35 gols sofridos), Grenoble (33), Nice (32), Nancy (29) e Le Mans (28)
Artilheiros
1. Gervinho (Lille), 11 gols em 18 jogos – média de 0,61
2. Nenê (Monaco), 10 gols em 16 jogos – média de 0,63
3. Pierre-Alain Frau (Lille), 9 gols em 15 jogos - média de 0,60
4. Kevin Gameiro (Lorient), 8 gols em 18 jogos – média de 0,44
Lisandro López (Lyon), 8 gols em 14 jogos – média de 0,57
Asamoah Gyan (Rennes), 8 gols em 17 jogos – média de 0,47
7. Marama Vahirua (Lorient), 7 gols em 18 jogos – média de 0,39
Mamadou Niang (Marselha), 7 gols em 14 jogos – média de 0,50
Youssouf Hadji (Nancy), 7 gols em 14 jogos – média de 0,50
Loïc Rémy (Nice), 7 gols em 18 jogos – média de 0,39
Mevlut Erding (PSG), 7 gols em 14 jogos – média de 0,50
Com 23 gols nos últimos seis jogos, o LOSC se consolidou como melhor ataque do turno, superando o Bordeaux. Reflexo dessa artilharia eficiente é a presença dos “lilleanos” Gervinho e Frau entre os três maiores goleadores – o marfinense superou Nenê na reta final, com a estagnada do brasileiro do Monaco. Engraçado que o artilheiro do Bordeaux é apenas o 12º da lista (Chamakh, com seis gols), o que mostra que são vários os goleadores do time, uma versatilidade importantíssima num torneio longo e de pontos corridos, independendo de um ou dois jogadores apenas. Curioso que o Auxerre defende bem mas ataca mal – fez apenas 19 gols em 19 partidas.
Assistentes
1. Yoann Gourcuff (Bordeaux) – 6 assistências para gol
Marama Vahirua (Lorient) – 6
Christophe Jallet (PSG) - 6
Fahid Ben Khalfallah (Valenciennes) - 6
5. Benoît Trémoulinas (Bordeaux) – 5
Kevin Gameiro (Lorient) – 5
Fabrice Abriel (Marseille) – 5
Francis Chris Malonga (Nancy) – 5

Gervinho, artilheiro de visual inconfundível (France Football)
Uma das qualidades de Gourcuff, o diferenciado do Bordeaux, está neste quesito; o ala esquerdo Trémoulinas também se destaca. Gameiro e Vahirua se mostram muito importantes para o Lorient: marcando ou assistindo, participaram diretamente de 13 dos 29 gols do time.
Fair-play
1. Lorient – 28 cartões amarelos e 0 vermelhos
2. Bordeaux – 29 cartões amarelos e 0 vermelhos
3. Marseille – 30 cartões amarelos e 0 vermelhos
4. Lyon – 40 cartões amarelos e 0 vermelhos
Esse ranking prova, não por acaso, que os que fazem menos faltas violentas estão entre os primeiros na tabela de pontos, e vice-versa. Não é preciso apelar ao anti-jogo para se dar bem ao longo do turno. Ainda bem!
A seleção
O jornal Le Figaro elegeu seus 11 melhores do turno: Janot (Saint-Etienne); Debuchy (Lille), Koscielny (Lorient), Spahic (Montpellier) e Trémoulinas (Bordeaux); Diarra (Bordeaux), Alberto Costa (Montpellier) e Gourcuff (Bordeaux); Gervinho (Lille), Lisandro López (Lyon) e Nenê (Monaco).
Minha seleção é um pouco diferente – até porque não consegui ver tantos jogos quanto a imprensa francesa, e além disso a gente acaba acompanhando bem mais os times do topo da tabela. Eu escalaria: Mandanda (Marselha), Hengbart (Auxerre), Planus (Bordeaux), Spahic e Trémoulinas; Diarra, Wendell (Bordeaux) e Gourcuff; Gervinho, López e Nenê. Se você quiser escalar a sua, coloque aí no campo de comentários.
Na quarta-feira, dia 30, volto com o último post do ano!
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2 comentários | Comentar
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2 Filipe Frossard Papini 28/12/2009 19:10
Boa análise Pessa…
Pelos números podemos ver a supremacia do Bordeaux. Quanto à seleção do 1º turno, eu acho que a minha não mudaria muito com relação a do Le Figaro não…
1 tubarão 28/12/2009 12:42
Para ser bósnio e se dar bem na França, tem que ser jogador. Como Spahic e Pjanic. Se for técnico, como Bazdarevic, do Grenoble…