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Posts com a Tag Valencia

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 Sem categoria | 19:51

Mentiras que os gols contam

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Estávamos prontos para constatar aqui, com a falta de critério e o descaso habituais, que parecia que oficialmente a carruagem do Sevilla tinha virado abóbora. Porque, depois da eliminação precoce na Copa da UEFA, o time esteve a um passo de cair também na Copa do Rei (e foi bem aí que começamos a vaticinar o fim de uma era, como se as coisas acontecessem simplesmente assim).

Depois de perder por 3-2 no Mestalla, o time saiu atrás do Valencia logo no começo, empatou aos 36 com Kanouté e perdeu uma dúzia de chances até o finalzinho do jogo. Nesse momento, ali pelos 42 do segundo tempo, escrevia este Capotón, feito um corvo negro, ossudo e agourento: “O Sevilla continua sendo um time bom, claro, mas a magia, a sorte, o momentum, a conspiração astral, parece que acabou. Era o tipo de confronto que, até o ano passado, o Sevilla teria virado, saído com mais moral do que nunca e partido para brigar por títulos de novo. Agora, depois da UEFA, o time está fora de mais um torneio e vai sobrar só a briga para se classificar para um dos dois – a Champions ou a UEFA -  na temporada que vem.”

Como se pode constatar sem muita surpresa, eu não entendo nada de nada. Deveria agora dizer que o Sevilla voltou com tudo, que os lindos dias estão de volta ao Sánchez Pizjuán, que o gol do francês Sébastien Squillaci (que é bom zagueiro) aos 44 do segundo tempo trouxe de volta a chispa inesperada e milagrosa que pareceu incendiar o estádio do Sevilla durante dois anos.

Assistindo ao jogo ao vivo e vendo a festa da torcida, dá vontade de falar isso e mais. Sempre dá quando o destino muda nos últimos minutos de um jogo; é o que faz o futebol sensacional e também muitas vezes o que faz o futebol – ou quem dá importância a ele – tão estúpido. O gol da virada no final de um jogo é inconseqüente e mentiroso. Mascara tudo o que existe de razão a respeito da partida e do que vem antes e depois dela. E o que é mais incrível: muitas vezes essa máscara não sai mais do lugar e passa a ser o  verdadeiro rosto das coisas.

Mais ou menos como aconteceu uns dias atrás com o Chelsea de Felipão: imediatamente depois daquele gol de virada, que pela lógica seria o suficiente só para conquistar uma vitória quase obrigatória, falar da fraqueza do Stoke City, da irregularidade do time ou da falta de criatividade do meio-campo não fazia sentido nenhum para quem assistiu ao jogo ao vivo. Naquele momento, a verdade era só aquela, inconseqüente e mentirosa, que felizmente o ponta-de-lança Arnaldo Ribeiro relatou recém-saída do forno.

E não é absurdo pensar que, daqui a uns meses, aquela pode ser a única verdade, com o Chelsea campeão da Liga dos Campeões da UEFA e o gol de Lampard no finalzinho como um marco da campanha. Do mesmo modo, depois do gol de Squillaci hoje, aviso: até que o contrário seja provado, não descarto nada vindo do Sevilla esta temporada. Pintou o campeão. Pelo menos hoje.

Notas relacionadas:

  1. Tira a mão da minha honra
  2. Retórica feminina
  3. Que rei sou eu?
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 Sem categoria | 22:40

Que rei sou eu?

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Sem Henry, Eto’o, Daniel Alves, Messi e Xavi (os dois últimos entraram no segundo tempo), o futuro campeão espanhol nem ganhou, nem marcou gol: deixou a eliminatória contra o Espanyol (de técnico novo, o argentino Pochettino) para ser decidida no Campo Nou, o que é perigoso. “Bah, mas quem se importa tanto com a Copa do Rei?” Ninguém, nem o próprio. Mas já reparou na quantidade de crises que são desencadeadas depois da eliminação nesse torneio? Por isso, para evitar um pouquinho de perda de confiança, que pode acabar sendo decisivo para aquilo que importa – a Liga dos Campeões da UEFA -, eu, se fosse o Barça, poupava menos gente para a volta. Deixar a Copa meio de lado até tudo bem, mas é preciso fazê-lo ou bem no começo, quando há tempo para se esquecer, ou mais adiante, quando o time já estiver envolvido de tudo na Champions. Agora é a única hora que uma eliminação pode prejudicar de verdade.

***
Mas, mesmo com Barça misto, teve jogaço na rodada: o Valencia contou com outra grande atuação dos seus pontas (é, pontas) Joaquin e Vicente e conseguiu uma virada bonita jogando em casa: 3-2 sobre o Sevilla. Depois de sair na frente com Villa, numa bola clamorosa perdida pelo brasileiro Adriano, o Valencia sofreu a virada, gols de Luís Fabiano (como sempre) e do próprio Adriano (o gol mais impedido que já vi até hoje, juro). No finalzinho, nos últimos 5 minutos, os valencianos viraram o placar de novo, com Baraja e Mata.

Ficou curioso pelo gol mais impedido da história? Olha ele aí:

 

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 Tudo igual em Bilbao, mas agora legal

O flamante camarada Pedro anda obcecado com a ideia-sem-acento de este Capotón falar sobre o Athletic Bilbao. O que, por sorte, não significa que vamos ressuscitar o tema dos jogadores exclusivamente bascos, nem lamentar o patrocínio na camisa apos 110 anos. O que o povo, ou pelo menos o Pedro, quer saber é o porquê de o time ter melhorado tanto nesta temporada, depois de ter ficado a um escorregãozinho do rebaixamento no ano passado.

Como eterno socrático, digo: também não sei muito bem E, se Joaquin Caparrós também o for, responderá a mesma coisa. Porque quem assiste a uma partida do Athletic Bilbao vê claramente que quase todos os jogadores são os mesmos da temporada passada – e jogadores que não teriam um argumento claro (como a pouca idade) para melhorar tanto de um ano para o outro.

A única exceção (e que é só uma parte da solução) é Llorente, que parece ter chegado àquele momento de autoafirmação em que acredita que é o homem mais importante do time, e não mais uma revelação. Coisa normal de acontecer quando o sujeito completa seus 23 anos. Fora ele, Aitor Ocio anda firme na defesa, mas já estava no ano passado; o lateral Iraola, não se sabe por quê, depois de dez anos sendo confundido com Susaetas e Gabilondos, resolveu jogar como o melhor lateral-direito da Espanha depois de Daniel Alves. O treinador também é o mesmo, e o esquema de jogo, idem. Então, ou um ano a mais de entrosamento fez muitíssimo bem, ou há algo de metafísico, metempsicótico ou supersticioso fazendo influência por ali.

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Renan deve ficar um mês e meio fora e, diante da falta de um reserva que não seja esquizofrênico, insolente ou juvenil, o Valencia contratou Cesar, a versão espanhola do Sérgio: goleiro bom, veterano há muitos anos, reserva de um grande goleiro durante boa parte da carreira e sempre um ótimo plano B para quem não tem a posição 100% coberta. O que, no fim das contas, é péssima notícia para Renan: não acharia muito estranha se o Cesar acabasse ganhando por mais do que um mês e meio a vaga de titular.

Notas relacionadas:

  1. Mala suerte
  2. Tira a mão da minha honra
  3. Retórica feminina
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 Sem categoria | 22:41

Retórica feminina

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Se Inma não receber o que deve, terá que empenhar seu par de botas brancas

O telefone não parou de tocar nesta segunda-feira, com a imprensa de todo o mundo querendo ouvir as palavras deste Barão – precursor dos Direitos Humanos na região da Grande Salamanca – sobre o Martin Luther King, Jr. Day e principalmente sobre essa belíssima e atemporal virgula que separa o sobrenome do “Jr.”

Não sobrou, portanto, tempo suficiente  para aquele destrinçar cabal e premente das segundas-feiras, que faz as rodadas de fim de semana parecerem uma perdiz ao vinho tinto. Vamos, então, de enredos sucintíssimos, mas não menos fascinantes. Pelo menos não neste primeiro caso, de Inma Cortiñas – desde já dona de reputação gloriosa no coração de Sua Excelência a Baronesa de Salamanca.

Ali pelo terceiro minuto do segundo tempo do jogo entre o Negreira e o Compostela, válido pela 3ª Divisão, diante de mais de um milhar de espectadores parlamentaristamente pacatos,  Inma irrompeu no campo de jogo e se algemou junto à trave. Não sei se você leu com pressa ou o quê, mas eu disse se ALGEMOU!

O árbitro Xulián Fuentes (que alegria os nomes galegos e seus “X” autênticos) não entendeu nada, mas previdentemente chamou a presença da Guarda Civil, que tratou de retirar Inma do campo  - e aqui ninguém soube me explicar se ela levou a chave, se foi preciso serrar as algemas, se elas eram de plástico ou se a trave foi levada junto. 

Depois é que se revelou do que se tratava a cena: Inma Cortiñas estava protestando contra o Negreira, que supostamente deve até hoje 1500 euros a seu marido, o cerebral volante de contenção David Cotrofe – que hoje milita no Santa Comba. Tudo o que ela queria era conseguir ter uma palavrinha com o presidente do Negreira, coisa que David Cotrofe havia tentado semanas a fio sem nem sombra de sucesso.

Por conta daquilo que os magistrados chamam espartanamente de “distúrbio da ordem pública” (como se houvesse alguma ordem naquilo que é público), pode ser que a autora do algemamento mais célebre da Espanha setentrional receba uma multa de 3 a 9 mil euros (que ficaria bastante mais leve se a família Cotrofe-Cortiñas recebesse os 1500 euros devidos). Pode ser, também, que ela ganhe um busto em pedra de oleado erigido em algum lugar da Espanha (nem que seja na Calle de las Varrilas, 7, Salamanca). Pode ser também que tenha mostrado ao mundo masculino, bem no centro do seu templo, quem é que manda de verdade. Pode ser.

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No nosso bloco especial dedicado a uma peña do Valencia – esta semana os homenageados são o pessoal de Caxambu-MG – , a má notícia é que o goleiro Renan machucou a coxa direita e deve ficar um mês e meio sem jogar. A boa notícia é que Edu não se machucou e não vai ficar um mês e meio sem jogar (por enquanto). E a notícia incerta é que o time está louco para trazer Ramires. Se o negócio acontecesse, seria provavelmente o destino ideal para o cruzeirense – que precisa de um cabeça-de-bagre que nem Albelda (mentira: ninguém precisa de um cabeça-de-bagre que nem o Albelda) (mentira de novo: Luis Aragonés precisa sim) para ficar à vontade para se juntar ao ataque.

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Com dez jogos sem vitória, o Espanyol começa a levar a sério a ideia mais agourenta que já surgiu neste Capotón, de estrear finalmente o seu estádio próprio – 12 anos depois da demolição de Sarrià – na segunda divisão. Dá para pensar em motivo melhor para transformar o novo espaço numa gigantesca, escura e altamirana boate para 50 mil emo-góticos mediterrâneos?

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O Barcelona goleou (grande coisa) e o primeiro gol (um só?) foi marcado por um baixinho canhoto que veio da ponta-direita passou por dois (aposto que estavam desatentos) e tocou mansinho no canto do goleiro (pra mim ele falhou). O mesmo de sempre.

Notas relacionadas:

  1. Ano novo, nada novo
  2. Alguma novidade?
  3. Significante x significado
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 Sem categoria | 19:51

Tira a mão da minha honra

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Luís Fabiano feriu o orgulho coruñense e nem percebeu (EFE)

Foi ontem que o Deportivo La Coruña teve que passar por baixo da mesa, tomar marca de rolha queimada no rosto, imitar marreco, se vestir de mulher, dançar Macarena, declamar poesia concreta e todo outro tipo de sujeição ao ridículo que a raça humana – e sobretudo masculina – inventou ao longo dos séculos para castigar aquele que sofre uma derrota avassaladora. No caso, não uma derrota avassaladora, mas três derrotas esquecíveis e triviais que, por serem todas para o mesmo rival e acontecerem no período de uma só semana, se transformaram numa humilhação.

Em sete dias, o Deportivo perdeu três vezes para o Sevilla, duas delas em casa, marcando dois gols e levando oito – quatro deles de Luís Fabiano. Foi eliminado da Copa do Rei e, do clima de festa por ser a surpresa da temporada, se mudou para um ambiente de desânimo, incerteza e criticas à honra ferida. Pior ainda porque, no finalzinho, o time perdeu um pênalti quando, com Palop expulso, o goleiro do Sevilla era o atacante uruguaio Chevantón. Era o que faltava para ouvir frases como a do jornal La Voz de Galícia dizendo que “o time destruiu em três  jogos boa parte do crédito acumulado em meses”. Injusto, claro, mas é assim mesmo que funciona no futebol (ou, na verdade, na vida) aquilo que encosta em nosso orgulho: são coisas que, em estado de consciência e temperança, não deveriam importar muito, mas que no fim das contas mostram ser as únicas que, no fundo, importam de verdade.

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Vicente, do Valencia, é o mais próximo de um ponta-esquerda que o planeta tem a oferecer hoje – peladas de clube à parte. Joga aberto o tempo todo de verdade, dribla de verdade, desestrutura as defesas de verdade. Isso quando joga e entra em forma, como agora.

O problema é que qualquer camarão de paella em Valência sabe que, quando isso acontece, é porque está se aproximando a hora de sua próxima lesão grave. Quer dizer, pelo menos tem sido assim nos últimos 5 anos: Vicente joga numa toada que caminha para acabar como Pedrinho (Vasco, Palmeiras), alguém que, por causa das lesões, acaba lembrado mais pelo que mostrou potencial para fazer do que pelo que efetivamente fez.

Tomara que estejamos errados, que exista esperança neste mundo para além das maternidades e que a atuação de Vicente nos 3-1 de ontem sobre o Racing Santander seja uma de muitas consecutivas nos próximos séculos e séculos, amém.

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Vicente fez dois gols e foi o melhor do time na vitória (embora Renan também tenha ido muito bem), mas o grande momento do jogo foi, sem dúvida nenhuma, o gol do Racing, marcado por Colsa. Dá uma olhada só que absurdo:

 

Notas relacionadas:

  1. Mala suerte
  2. Alguma novidade?
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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última