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26/10/2009 - 20:25

De segunda

Se não fosse tão orgulhoso, ou tão dirigente de futebol, o diretor do Atlético de Madri Gil Marin teria simplesmente dito: “é, pois é, se era para jogar mal assim, melhor pegar os 90 milhões de euros e pelo menos ter a desculpa de que perdemos Kun e Forlán”.

Porque é justamente isso que Marin diz, com outras palavras, na entrevista que deu ao Marca ontem, quando assume: “Tentamos montar nossa equipe ao redor de nossas estrelas. O Chelsea ofereceu 50 milhões pelo Kun e o Real Madrid, 36 milhões por Forlán. Se os dois querem buscar um horizonte novo, o Atlético vai avaliar o caso.” Para depois concluir assumindo que “se for necessário corrigir alguma coisa no mercado de inverno, nós vamos fazê-lo.”

Salvo uma recuperação (que não é impossível) do Atlético sob o comando de Quique Sanchez Flores, o mercado de fim de ano, normalmente dado a um ou outro ajuste sem-graça, pode estar fadado a ter no mínimo um grande negócio.

***

A palavra “crise” começou a aparecer rabiscada nos cantinhos do quadros-negros em Madri e Barcelona depois das derrotas em casa no meio de semana e, então:

- O Real respondeu com um empate contra o Sporting Gijón, que só serviu para alimentar tudo o que já vinha sendo (justa ou injustamente) alimentado, sobretudo a suposta ‘Ronaldodependência’.

- O Barcelona respondeu com um 6 x 1 daqueles que o time da temporada passada adorava aplicar, que só serviu para atestar como Ibrahimovic aprendeu a jogar em catalão e como a queda de Messi tem bem mais a ver com Maradona do que com o próprio Messi.

Será essa a diferença entre um grande time e um conjunto de grandes jogadores que ainda precisa de um bocado de tempo e (ha!) paciência para se tornar um? O que cada um faz quando se vê obrigado a sair do modo automático?

***

Isso, claro, para não falarmos de dificuldades mais prosaicas como a de entender, finalmente, que diabos significa “horário de verão” – uma das resoluções de Guti para 2010.

É que ainda não foi este ano que o mais louro entre os segundos volantes louros do planeta acertou o que fazer com seu iPhone, se adiantar ou atrasar, ou esperar que a atualização fosse feita via satélite: todas versões alegadas por Guti para chegar DUAS HORAS atrasado no treino deste domingo (o que só faz tudo soar duplamente estúpido).

***

Como parecia, o Valencia veio para a temporada reforçado pelo fato de não ter perdido quase ninguém e, com isso, fazer com que uma base bastante razoável tivesse mais uma temporada inteira de entrosamento nas costas. O resultado é que o time é hoje aquilo que deveria ter sido também no ano passado: um rival do Sevilla na condição de perseguidor de Madrid e Barça.

O sucesso passa por uma linha de quatro homens na frente, que cada vez mais se consolida como sendo de Juan Mata, Pablo Hernández, David Silva e David Villa – com Joaquin e Vicente (quando não internado) no banco de reservas.  Os quatro – e principalmente Pablo Hernández, que era o que ainda mais tinha o que provar – caminham seguros para irem à Copa do Mundo.

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Hernández, aliás, fez o gol da rodada nos 3 x 0 sobre o Almería; um gol que ele admitiu ter sido inspirado noutro anotado por David Villa em 2006, contra o Deportivo. Aqui o golaço de Hernández:

E aqui o de Villa, de mais longe ainda:

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
15/09/2009 - 11:04

Too late

Esta já é manjada do nobre, diminuto e  público deste Capotón: o pessoal marca os congressos de astrogeologia para os finais de semana anteriores à Champions, a gente retorna na segunda-feira assim, meio sem saber o porquê desta vida, e acaba esperando para emendar com a terça-feira europeia – que, afinal, é o que dá dinheiro e importa.

Ainda bem que o discurso no geral é fácil, principalmente para aquilo que é a única razão de interesse da maioria: Real Madrid e Barça. Esses, bom, venceram com sobras jogos que, numa temporada em que não são tão superiores ao resto, seriam jogos complicados – fora de casa contra Espanyol e Getafe, respectivamente.

Granero_EFEPelo Real, o mais notável até aqui parece ser quanta importância ganha um ser a princípio estranho à constelação: o meia Granero, que não só é coadjuvante como é formado nas categorias de base do clube (embora, claro, o time tenha tratado de deixá-lo ir embora de graça e tenha necessitado recontratá-lo). O que acontece é que, com a saída de Sneijder, Granero é o único meio-campista que não é nem defensivo demais (como Diarra II, por mais que invente de atacar, Gago e Diarra), nem um passador com pouca velocidade para levar a bola de uma intermediária à outra (como Xabi Alonso e Guti).

O Barça, por seu lado, já contou com um gol de Ibrahimovic – o que é bom para ir colocando as coisas no devido lugar e amansar a pressão por espetáculos – e com Messi sendo ele mesmo. O que, claro, diz muito mais a respeito da seleção argentina do que do próprio Messi. Ninguém precisa de olho muito clínico para entender por que Lio não repete as atuações sob o comando (sic) de Maradona. Com tudo isso, já tem gente, e não gente qualquer, mas o ex-treinador e atual oráculo confucista Johann Cruyff, dizendo que “o Barcelona desta temporada ainda não me convenceu. O da temporada anterior eu sacava melhor”. Maradona fazendo bobagens, Cruyff falando outras… Será que é melhor começar a dar espaço aos ex-grossos?

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A boa notícia é que, se Barça e Madrid sobraram, pelo menos dois dos maiores concorrentes também o fizeram: o Sevilla e o Valencia. Os sevillistas tiveram Luís Fabiano cada dia colocando um ponto de exclamação a mais na frase “E nenhum gigante europeu quis comprá-lo!!!!!!!!”, mas isso já não deveria ser novidade. O bom foi ver o time jogando muito nos 4 x 1 contra o Zaragoza sem a presença de Kanouté, lesionado e substituído por Negredo, e com a surpreendente atuação do argentino Diego Perotti, de 20 anos: contratado aos 17 pelos sevillistas, ele jogava no time B até a temporada passada. Saiu como titular no lugar de Diego Capel, marcou o terceiro gol e foi um dos melhores do time.

Pelo Valencia,  pode até ser que as boas notícias sejam as mesmas já faz um tempo: vitória graças ao bom desempenho de Silva, Mata e principalmente David Villa. Mas pelo menos eles continuam todos lá e ainda com um ano a mais de entrosamento: já é razão para se comemorar. Os 4 x 2 sobre o Valladolid foram de dar esperança, sobretudo porque Banega conseguiu passar outra vez – já são duas, lembramos – 90 minutos dentro de campo sem acender um cigarro ou tirar a roupa e dançar a música nova dos Black Eyed Peas. A seguir assim, poderemos estar diante do autêntico meio-campista que faltava para o ataque valencianista ser tudo o que pode.

***

Só para não passar mais de uma semana sem falar do tema: Diego Forlán – que, aliás, foi poupado durante o empate em casa contra o Racing – contou esses dias um detalhe sensacional sobre sua passagem pelo Manchester United, entre 2002 e 2004. Conta o uruguaio que o bem-estar no clube terminou de vez num dia chuvoso em que Sir Alex Ferguson pediu aos jogadores que usassem chuteiras de travas altas. Forlán disse “ã-hã”, mas não se sentia cômodo jogando com elas: no vestiário, colocou as de travas baixas e partiu para o jogo contra o Chelsea. Até que, num cruzamento para a área, bola limpa à sua frente. “Escorreguei pertinho do gol e perdi a chance”, lembra Forlán. “Não dá para enganar o Ferguson. Ele pegou minhas chuteiras e jogou longe. Foi meu último jogo pelo United.”

***

Finalmente chegou o principal reforço do Xerez para a temporada: o chileno Fabian Orellana, de 23 anos, que jogava no Audax Italiano, mas cujo passe pertence à Udinese. O que o pessoal não entendeu foi se ficava feliz ou desesperado quando descobriu que o apelido do cara é “o Robinho branco”.

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Que venha, então, a Champions e depois a gente fala mais!

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
31/08/2009 - 20:21

¿Ventana o pasillo?

O último dia de janela, no fim das contas, teve mais de filme de Alfred Hitchcock do que de John Woo: ficamos todos envolvidos no climão gerado por aqueles planos incertos e instrumentos de corda berrando no fundo, sempre achando que algo arrebatador está prestes a acontecer… e pouca coisa de fato acontece.

Mas é o bastante para manter todo mundo ocupado e – aqui sim chego no ponto auto-indulgente que me interessa – incapaz de ir muito além de um punhado de random thoughts, como diz Jack Nicholson em “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” (até hoje vice-líder histórico do Ranking Poderoso Chefão de Piores Traduções de Títulos de Filme).

Pois:

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Que decepção ver que as conclusões a que o mundo chega sobre o Real Madrid são: o ataque é capaz de grandes coisas, mas a defesa ainda preocupa. Dãh. Isso a gente já sabia no momento em que o dilema se mostrou ser onde escalar tanto atacante.

Cadê o show? O drama? O desastre? Parece que o Santiago Bernabéu esperava um jogo daquele; um time daquele de ontem: predisposto tanto a goleadas vitorianas quanto a ser surpreendido até por quem quase não tem poder de fogo para surpreender.

E isso por quê? Para mim, porque Xabi Alonso tem que ser o volante que pensa da dupla. Porque Diarra II não é nem jogador de qualidade de verdade, nem marcador implacável de verdade (como acho que tem que ser o companheiro de Xabi por ali). E, sim, eu critico Diarra II até no dia em que ele faz gol da vitória.

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O Barça, por sua vez, não fez nada demais: estreou com vitória, como se esperava, jogando com tranqüilidade, como se esperava, e enquanto fazia isso poupou Leo Messi (em retiro motivacional para tentar arrasar o Brasil em sua cidade natal) e viu Ibrahimovic romper, discreta mas providencialmente, seu cinto de castidade.

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Perder por 2-0 para o Valencia na estreia até que tudo bem. O que o Sevilla não contava era com já estar desfalcado de Kanouté – expulso ontem – e já escutar justamente de seu provável substituto, o marfinense Arouna Koné, uma declaração como essa, com mais cara de 36ª rodada e paciência no limite do que primeiro fim de semana da temporada:

“Todo mundo sabe que o Sevilla tem muitos atacantes. Perdemos o jogo porque não atacamos e o Valencia foi muito agressivo. (…) Estava no sistema do nosso técnico. Ele disse para que, quando o Valencia tivesse a bola, todos nós fôssemos um pouco para atrás, para só então atacar. É o sistema dele. É o sistema do treinador”, falou ele na entrevista coletiva depois do jogo, para desespero do ocioso comitê anticrise.

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Já os valencianistas assistiram a algo que pensavam ser absolutamente impossível: Ever Banega a fim de jogo e sendo o melhor do time em campo. Assumindo que o que durou um jogo possa durar alguns meses, o argentino pode ser o grande reforço do Valencia – que até agora mais comemorou não ter perdido muito na janela de transferências do que ter ganho alguma coisa.

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E a certeza de que aquilo que dizíamos a respeito da saída de Arjen Robben tem pelo menos um pouco de fundamento veio com a manchete do Marca, o panfleto oficial de Florentino Pérez, na sexta-feira pós-venda para o Bayern de Munique: “Robben: Ele foi bem vendido”.

Como bem sabem nossos camaradas infiltrados na Christie’s de Londres: se o negócio é tão bom assim, ninguém precisa ficar anunciando quão bom ele foi. Principalmente quando se trata de vender um sujeito que interessava ao técnico do time e que, dois anos antes, foi comprado por 11 milhões de euros a mais.

(“Ah, mas isso é culpa do Calderón, que pagou demais por um jogador com fama de frágil”, explica o Marca naquilo que está se tornando sua especialidade: editoriais tão jornalisticamente constrangedores quanto a falácia Belchior sumiu/Belchior apareceu/Viva o Fantástico que achou Belchior)

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Depois de devidamente chateado por não ter conseguido gerar interesse em Pep Guardiola – que não só pediu a contratação de Chrygrsnkiywyky como ainda deixou claro preferir seus canteranos -, agora Henrique tem que estar contente com seu destino: o Racing Santander é o tipo de lugar em que, se for bem, vai chamar a atenção. De repente, até de Guardiola. Ao lado dele, um garoto tão promissor quanto e também precisando mostrar que realmente é aquilo que dizem: Marc Torrejón. Este Capotón aposta numa dupla interessante.

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O Mallorca que não pense que me engana, porque não engana, não.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
24/08/2009 - 13:20

x = x

Apesar de na prática ser muito mais um passo na pré-temporada do que o torneio oficial que é na teoria, a Supercopa da Espanha deveria ter sido o primeiro ingrediente mínimo de pressão para o Barcelona pós-triplete. Principalmente porque, para o Athletic Bilbao, a pré-temporada já estava acabada há tempos e o que existia era mais uma chance de acabar com um jejum de 25 anos sem títulos.

Os bascos tinham muito a ganhar, e o Barça, só a perder. Mesmo assim, o que se viu foi o mesmo que normalmente esperaríamos ver no meio da temporada, com tudo já engrenado e cada qual em seu devido lugar: primeiro os catalães venceram fora de casa, com o time todo reserva, e depois passearam no Camp Nou, já com a força máxima (menos Andrés Iniesta e Rafa Márquez, machucados).

Os 3 x 0 de ontem serviram para vermos um pouco daquilo que Ibrahimovic vai ter que enfrentar para se acostumar com o ritmo do Barcelona, como ficou claro no primeiro tempo. E serviram também para deixar claro que o sueco provavelmente saberá o que fazer para se adaptar, como ficou claro no segundo.

No fim das contas, a Supercopa serviu mesmo foi para duas constatações que, por óbvias que pareçam, a esta altura eram as únicas que havia para se fazer: a)- o Athletic Bilbao, não tem jeito, continua sendo só o Athletic Bilbao e, principalmente, b)- o Barcelona, para desilusão de quem acreditava na preguiça pós-férias e na quebra de ritmo, ainda é o Barcelona. Como dizíamos, bastante óbvio. Pep Guardiola certamente já sabia. Mas nunca é demais ratificar alguma certeza, ainda mais se a ratificação termina com medalha no peito, levantamento de taça e We Are the Champions na vitrola. Mal não pode fazer.

***

Nos comentários publicados dois posts atrás, pintou uma polêmica – e aqui uso a palavra no seu sentido mais vasto, pra não dizer mentiroso – sobre nosso client, digo, favorito Diego Forlán. Começou com o camarada Daniel Mendes dizendo que:

“Forlan é bom atacante mas é meio limitado……. PROVA DISSO È Q NÂO DEU CERTO NO MANCHESTER UNITED!!!!!!!!!…”

Ao que este pisciano irresponsável respondeu:

Daniel, Seguindo o teu raciocínio, Maradona também foi meio limitado, prova disso é que não deu certo no Barcelona; ou Sócrates, que não deu certo na Fiorentina; ou Romário no Valencia…”

E o problema, pelo jeito, foi “Romário no Valencia”. Há aqueles, como o amigo zootecnicista Cow Molester, que argumentam que a passagem do Baixinho no Valencia não foi exatamente fracassada. Ou que, se foi, foi porque assim Romário quis (e quando na vida ele não fez o que quis?). Também não sabemos com detalhes (eu não, pelo menos) os porquês de Forlán não ter dado certo no Manchester United. E, sobre Romário, sabemos bem sabido isto que você lê neste link aqui.

Os motivos podemos até discutir, mas se isso aí não é uma passagem fracassada num clube, eu não sei mais o que pode ser.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
06/08/2009 - 16:54

Cinco minutos ou dois gols

Os quatro hedonistas que ainda levavam a pré-temporada a sério assistiram ontem ao argumento mais decisivo desde os “porque sim” de Luís XIV. Num dia que teria tudo para ser perfeito para os peixes-banana, quer dizer, ideal para se chegar à brilhante conclusão de que “é, amigo, o Manchester está mais pronto para esta temporada do que o Valencia, que ainda precisa encontrar seu ritmo”, sucedeu o mágico.

E olha que eu não estou falando da ocasião até enfadonha, de tão esplêndida, que a História nos deu para dizer que “Valencia acaba com o Valencia”. Era para ser o dia do trocadilho que ninguém resiste a fazer, apesar de saber que todo mundo vai fazer também: o ponta-direita equatoriano criou as duas jogadas que resultaram nos gols do Manchester United em Old Trafford e alimentou ainda mais a esperança da torcida de não sentir falta de Cristiano Ronaldo. Mas ninguém sequer ligou para isso.

O que aconteceu e virou Manchete foi que o goleiro Moyá, contratado pelo Valencia junto ao Mallorca, finalmente fez sua estreia, mas… jogando de volante! É que Unai Emery já havia feito suas DEZ alterações quando o lateral-esquerdo Thiago Carleto se machucou (de novo…). Ou o time seguia jogando com dez, ou Emery usava o único que não tinha entrado ainda: Moyá!

O acontecimento virou piada, quer dizer, sejamos honestos: o acontecimento foi uma piada, excelente. Mas aí Unai Emery estragou o dadaísmo do momento e se justificou, com voz séria, dizendo que preferia pelo menos  seguir com 11 jogadores e que, além do mais, nos treinamentos os goleiros são incentivados a treinar o jogo com os pés, cobertura, última opção, recurso, futebol moderno, elenco etc etc etc.

***

É divertido ler que o Real Madrid agora volta a ter quatro jogadores convocados para a seleção espanhola, depois de um longo tempo. É mais ou menos como uma gravadora comprar os direitos autorais da discografia dos Rolling Stones e ficar famosa por ser um celeiro de singles número um da Billboard. Se não há como transformar gente do Madrid em jogadores de seleção, que se faça o contrário. Pronto.

A lista do gente fina Vicente Del Bosque para o amistoso do dia 12 contra a Macedônia é essencialmente a mesma da Copa das Confederações. Só Sergio Ramos que, machucado, dá lugar a uma surpresa: Nacho Monreal, do Osasuna, que claramente só foi chamado porque tem um nome legal.

Goleiros: Iker Casillas (Real Madrid), Pepe Reina (Liverpool-ING), Diego López (Villarreal);

Defesa: Raúl Albiol (Real Madrid), Alvaro Arbeloa (Real Madrid), Joan Capdevila (Villarreal), Carlos Marchena (Valencia), Gerard Piqué (Barcelona), Carles Puyol (Barcelona), Nacho Monreal (Osasuna);

Meio-campo: Xabi Alonso (Real Madrid), Sergio Busquets (Barcelona), Santi Cazorla (Villarreal), Cesc Fàbregas (Arsenal-ING), Xavi (Barcelona), David Silva (Valencia), Juan Mata (Valencia), Albert Riera (Liverpool-ING);

Ataque: David Villa (Valencia), Daniel Güiza (Fenerbahçe-TUR), Fernando Torres (Liverpool-ING).

***

Duas breves atualizações que têm mais a ver com coeficiente humano do que propriamente com futebol (o que, num mundo ideal, passaria a ser regra):

- Josmer Volmy Altidore, o Jozy (você percebeu o que aconteceu aqui? O cara já se chamava “Josmer Volmy” e, não contente, ainda se rebatizou com um apelido como “Jozy”, que imediatamente remete o ouvinte a uma imagem de grandeza e peculiaridade. De verdade: como não esperar um craque quando você lê “jo-zy-al-ti-do-re”? Eu não me importo se Jozy Altidore é um craque ou não. Não me importo nem se é atacante, lateral, rapper ou produtor teatral. Eu me contento com o fato de que exista no mundo alguém chamado Jozy Altidore e faço quanta publicidade for possível disso. No duro mesmo.) Enfim, Jozy, o Búfalo de Nova Jérsei, finalmente decidiu para onde o Villarreal vai emprestá-lo. Enquanto continua tentando passar do CD número 2 da série “Learn Spanish before English rules the whole world”, Jozy vai treinar sua pronúncia de “po-tah-to” no Hull City, onde deve ter chance de jogar e vai enfrentar adversários de primeira. Estaremos de olho.

- Já Fran Mérida, o Cesc que não era Cesc, faz o caminho contrário: deixa a Inglaterra, o Arsenal, em empréstimo para o Levante. Que deve ser mais ou menos como estar há semanas em casa, de férias, acordando ao meio-dia, e ser mandado para a colônia de férias da Igreja, com seus pais se despedindo e dizendo “não faz essa cara, vai ser ótimo para você, você vai ver como ainda vai se divertir pra caramba com o resto da meninada, vai com o coração aberto”, para então virarem as costas aliviados e saírem para jantar camarões à provençal.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
16/07/2009 - 15:38

Free Villa?

Quem viu o mau humor de David Villa – que já não é exatamente sorridente por natureza – durante a Copa das Confederações imagina a chatice que tem sido para ele conviver com os boatos e a indecisão sobre seu futuro. Mas imagina também que não é apenas isso, indecisão, que irrita tanto o melhor centroavante (e, veja bem antes de xingar, eu falei “centroavante”) do mundo.

O verdadeiro problema hoje já é público e notório: Villa está louco para sair, seja para o Real Madrid (que a esta altura já desistiu), para a Premier League ou para o Barcelona, o candidato que parece estar mais vivo neste momento. E, enquanto isso, o novo presidente do Valencia, Manuel Llorente, insiste em dizer que o Guaje é parte dos planos de recuperação do clube e, por isso, inegociável. O que na verdade é uma maneira de dizer que ele é negociável sim, como todos nossos pudores e almas, mas por mais dinheiro do que se tem oferecido. Diz-se que Llorente quer chegar em algum valor entre 50 e 55 milhões de euros.

O interessante aqui é que a imprensa espanhola – e por “espanhola” entenda-se madrilena e catalã – adotou sem pestanejar a postura de que Villa é vitíma do sistema e que sua carreira está ameaçada pela postura intempestiva do dirigente. O que, do alto do nossos anos de militância comunista, soa lindíssimo. Mas, só para ter certeza: o contrato até 2014, se não me engano, foi assinado pelos dois lados, sem arma na cabeça envolvida, certo?

Trabalhismo de ocasião
A imprensa de Madri já desistiu do caso trabalhista Villa e agora prefere especular sobre “o novo caso Villa”: a vítima da circunstância agora seria o francês Franck Ribéry, cuja liberdade de exercer a profissão onde bem entenda (como se alguém no mundo, profissionalmente, fizesse o que bem entendesse) estaria sendo tolhida pelo Bayern de Munique.

Mal na foto
Enquanto isso, o brasileiro Filipe Luis, que jogou uma temporada bastante correta pelo Deportivo La Coruña, se recusa a posar para a foto oficial do clube, esperançoso que está com a sua (ainda) possível ida para o Barcelona. Agora, enquanto ainda existe contrato entre as duas partes, será que isso não é insurgência, chantagem, antiprofissionalismo?

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
09/06/2009 - 11:01

Vocação flamenguista


O presidente Manuel Llorente, durante a entrega do Trofeo Kleber Leche 2009: ele espera que sua espetacular asa branca ajude o Valencia a alçar voos mais altos (Foto: EFE)

Continentalmente recomposto após três dias de arrumação de mala, nove horas de voo, duas taças de Pinotage e uma noite em claro de jet lag, este Capotón ignora sem problemas sua chegada à África do Sul e retoma antes de qualquer coisa o contato com seus companheiros mais ardorosos: os membros das torcidas organizadas valencianistas Brasil afora.

Nossos legionários da paella caipira andam sobressaltados com a chegada do mercado de transferências, que, dentro do Valencia, já é chamado ternamente de “temporada de caça”. Porque o cenário com Florentino Pérez de bolso aberto e buscando espanholizar o Real e o Valencia cheio de gente da Seleção já seria preocupante, mas, com o clube mais falido que a Islândia, já dá para prever muitas oportunidades para Thiago Carleto jogando até de centroavante.

Segundo uma reportagem do El Pais publicada ontem, a dívida do Valencia é daquelas de fazer Kléber Leite ficar se perguntando “como eles conseguiram?”: são 547 milhões de euros, sendo 70 milhões contraídos ao longo da última temporada. Nos últimos seis anos, o clube gastou 300 milhões de euros a mais do que arrecadou. Olhando por um ângulo mais otimista, vejamos: se convencer Florentino Pérez a pagar 60 milhões por Villa, Silva, Mata, Albiol, Joaquin, Albelda e um joelho de Vicente, ficam faltando só 127 milhões de euros para saldar (valor que, com boa argumentação, se consegue por Marchena, Morientes  e Hedwiges Maduro). Quer dizer: a coisa não está tão ruim assim. Agora falta só bolar um plano para acabar as obras do novo estádio e voilà: o Valencia é grande de novo!

O novo presidente, Manuel Llorente, já avisou que só vai contratar “quem realmente convencê-lo”, e a prefeitura de Valencia já anda anunciando, com um enorme cartaz escrito “eu já sabia”, que pode propor uma sociedade mista com o clube para ajudar na finalização do novo Mestalla. Enfim, tudo devidamente mediterrâneo, praieiro, latino, quase quase quase brasileiro.

(Aliás, será que alguém saberia me dizer se, depois de tantas lágrimas e promessas de implosão glacial, está tudo bem com a Islândia? O Gudjohnsen se recuperou do choque? A Björk está bem? O pessoal do Sigur Rós está muito tristonho? (esta parte foi piada))

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
11/05/2009 - 18:20

Ano que vem quem sabe

 

Este time do Valencia tem uma capacidade enorme de, em alguns momentos isolados – normalmente logo no começo e quase no fim da temporada – fazer com que a gente crie uma expectativa de espetáculo e sucesso. Quem assiste ao desempenho de Joaquín, Villa, Silva e Mata num jogo como os 3-0 sobre o Real Madrid no sábado e ainda lembra que o banco tem Pablo Hernández, Morientes e Vicente já começa a projetar uma temporada 2009/10 cheia de glórias, quando aí sim as coisas vão engrenar.

E então você se lembra que metade desses sujeitos até lá estarão ou vendidos, ou lesionados, e que o clube que tem uma dívida do tamanho das paellas da porta do Mercado Central. E então quando você vê a espetacular atmosfera futebolística que está tomando conta da cidade nas últimas semanas – mais ainda por receber a final da Copa do Rei – dá mais pena do que qualquer outra coisa.

***

Dá para escrever quase o mesmo texto para o Atlético de Madri: time bom, que no papel parece melhor ainda e que, portanto, nos deixa animados com as possibilidades para a temporada seguinte. Não à toa, são justamente os dois que encabeçam a briga pela quarta vaga na Champions. Graças a Diego Forlán, que inventou a virada por 3-2 do Atlético sobre o Espanyol no domingo, a rodada do fim de semana que vem tem aquele que é o melhor jogo entre todos os que faltam ser disputados até o fim do campeonato: Valencia x Atleti, no Calderón. Como dizia outro dia: para mim, quem ganhar leva a vaga.

***

Os jogadores do Betis diziam outro dia estar assustados com as ameaças de morte que recebiam da torcida por meio de faixas colocadas no estádio Manuel Ruiz de Lopera. E, depois de perder para o time reserva do Athletic Bilbao, o elenco viu seus piores medos se concretizarem em forma de….. ovos! Porque, afinal, o romantismo ainda vive.

***

Estava quase achando que adiar a conquista do título por causa de um gol aos 47 do segundo tempo, depois de estar ganhando por 3-1, foi o melhor que poderia ter acontecido ao Barcelona, mas não é certo. O melhor teria sido ganhar logo esse jogo, colocar os sobrinhos dos diretores para jogar os próximos e se concentrar unicamente em duas partidas: a de quarta-feira contra o Athletic Bilbao e a do dia 27 contra o Manchester United. Todo mundo pode passar uns dias acordando mais tarde, treinando jogada ensaiada, fazendo teste físico, jogando dominó. Claro.

Mas, deixando de lado a alternativa prosaica e sem-graça de se conquistar o titulo antecipado em casa, com mais uma das incontáveis vitórias convincentes, o melhor que poderia acontecer ao Barça era sofrer um susto desses. Até porque é um susto que não significa nada de prático, já que no sábado que vem há boas chances de o próprio Villarreal segurar o Real Madrid em casa e/ou de uma vitória em Mallorca. E, principalmente, foi um susto que não aceita lamentações e que serviu para se valorizar ainda mais o milagre de Iniesta no meio da semana passada. A torcida no Camp Nou (e a já reunida para comemorar o título na Rambla de Canaletes) se surpreendeu, se chateou, mas não dramatizou muito o gol sofrido. Teria sido cínico achar um absurdo que o destino mude assim, de um momento para o outro, segundos antes do fim. Uns instantes depois, a sensação dos torcedores já era quase de alívio; de quem agradece que o castigo compensatório do destino tivesse sido tão brando.

***

A única notícia ruim de verdade foi a lesão de Andrés Iniesta, que durante algumas horas de desespero, até os exames desta segunda-feira, chegou a ser colocado até como dúvida para enfrentar o Manchester. Ele fica fora só da decisão da Copa do Rei quarta-feira.

***

Não sabe o que é uma dívida do tamanho das paellas da porta do Mercado Central?

Dá para incomodar, né?

 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
08/05/2009 - 19:20

Live and uncut

Para alívio das bandas largas por toda parte, a programação extra-canal-128-da-Sky deste final de semana inclui dois dos jogos mais interessantes da rodada, ambos na ESPN Brasil:

- Valencia x Real Madrid – Sábado, 17h:  Vai ser curioso ver no que resulta dentro de campo o clima de resignação que parece tomar conta do Real Madrid depois da chapoletada hiper-realista de domingo passado. Juande Ramos já fala em tom de ex-técnico, e o Marca e o As já preparam a lista de despensa – para não falar do tapete vermelho, das rosas e das 15 virgens vestais para receber Florentino Pérez.

A coisa está tão propensa a revoluções da ordem que até Raúl pode estar de saída. Não para inaugurar, com três anos de atraso, um retiro de ex-jogadores, mas para ganhar 40 milhões de euros para passar quatro anos dirigindo o Hummer de Robinho all over Manchester.

Se o abaixo-assinado em prol do terceiro lugar está adiantando algo em Valência não se sabe, mas é fato que os ingressos para o jogo do Mestalla estão valendo hoje 200 euros nas mãos dos cambistas. Quer dizer: de um lado, New York, New York na vitrola, mais água do que whisky no copo, clima de fim de festa explícito e inegável; do outro, comoção popular para continuar sendo time grande sem precisar se vender para algum milionário a leste de Costantinopla. Tentador, não?

- Atlético x Espanyol – Domingo, 16h: O Espanyol passa por aquele momento da temporada em que todos se perguntam: “poxa, mas por que não jogou assim desde o começo?”. Quando, claro, o equilíbrio do universo simplesmente não funciona assim. Nós podemos até acompanhar o futebol rodada a rodada, mas os fenômenos que realmente importam não seguem esse ciclo. Cada segundo relevante do mundo leva – feitas as contas assim, de cabeça – de nove a dez meses para passar. Dentro desse segundo, uma partícula qualquer de matéria – digamos, o Espanyol – percorre o caminho do ponto A ao B, e o que acontece é que o universo não quer nem saber de que trajeto a partícula se utilizou para percorrer a distância A-B. Para o universo, não existem as 12 rodadas de choro, escuridão e ranger de dentes; como não há recuperação heróica e seis partidas de invencibilidade. O universo, visto do modo como importa, por um conjunto de lentes telemétricas, objetivas e pacientes, se resume a isso: o Espanyol 2009 é uma equipe mais ou menos e, como tal, termina numa posição mais ou menos. Sem tramas paralelas ou subtextos. O universo não para nem um segundo para ler jornais, porque está sempre no segundo seguinte. Por isso, amigos fiéis e quânticos que seguem por aqui, o lógico seria constatar que o jogo no Vicente Calderón não vale nadica de nada – como tanta coisa menos o amor – , mas, veja lá: são dois times motivados; um mais ou menos, quase bom e o outro bom, quase bem bom; têm Aguero, Forlán, Kameni, Nenê (!!)… Vai me dizer que você prefere ver os primeiros segundos do Brasileirão?

- O Barcelona também tem um jogo importante, não esqueçamos. Não tanto pelo jogo contra o Villarreal – que é apenas a primeira de uma série de chances de acabar com o campeonato oficialmente -, mas pelo que vem a seguir. A semana passada foi intensa, com o clássico e a semifinal em Stamford Bridge, e a seguinte tem a final da Copa do Rei. Duas semanas depois, a final contra o Manchester United. Thierry Henry, por exemplo, já não joga mais nenhuma vez até a final de Roma. Ninguém quer entrar em campo precisando de vitórias entre uma decisão e outra, certo? Nossa aposta é que o Barça chega babando para garantir o titulo agora mesmo e tentar viver de uma vez por todas as três semanas mais contentes de sua história.

- Ah, sim só para lembrar quem por casualidade tenha esquecido: além do Barcelona, tem mais um time que conseguiu vaga para a final da Copa do Rei, quarta-feira que vem. É o Athletic Bilbao, que deve jogar com time misto contra o Betis no sábado.

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04/05/2009 - 16:06

La voz del pueblo

Como acontece com todo governante e/ou membro da nobreza e/ou alta casta de uma sociedade, de quando em quando este Capotón resolve emanar senso democrático, como quem tenta demonstrar que o Contrato Social é isso, um contrato, e não um decreto. Quando isso acontece, o que tratamos de fazer é dar mostras claras e inequívocas de estar escutando a voz do povo e atendendo seu desejo. Fazemos isso em questões menores, chamamos a atenção para esse gesto democrático e eis que o caminho segue aberto para mais três anos de autismo-cracia, até perto da próxima eleição, ou suspeita de golpe de Estado.

Agora é a hora do triênio, então, em que abertamente escutamos a voz das ruas e alamedas e respondemos, por exemplo, ao comparsa Victor, que pergunta o que estaria escrito na camisa que Leo Messi mostrava:

Ao contrário do que pode aparentar, não é propaganda para o clássico da semana que vem da Liga Catalã de Rúgbi entre o Girona Síndrome contra o Tarragona Frágil, mas campanha para uma ONG que o argentino apoia há tempos e que cuida de um transtorno genético conhecido como “Síndrome do X Frágil”, com “X” sendo o cromossomo X. Os resultados do transtorno – conhecido também como Síndrome de Martin & Bell – são similares aos da Síndrome de Down. O logotipo na camisa é o da Associação Catalã da Síndrome do X Frágil.

(Foto: EFE)

***

Logo, com a propriedade típica dos que cutucam o óbvio sem medo de despertá-lo, nosso Segundo Secretário, Pedro Paes, convoca este Capotón a mudar um pouco de assunto, sobretudo agora que o titulo está decidido e o clássico passou.

Vejamos, portanto, como anda a briga pela uma vaga e meia que ainda está aberta para a Liga dos Campeões da UEFA 2009/10:

Villarreal 0 x 2 Sevilla – Apesar de estar mais irregular do que em anos anteriores, as sequências boas do Sevilla ainda tem sido o suficiente para nunca abandonar as primeiras posições do pelotão. Kanouté esteve por algumas semanas apagado, mas voltou com tudo nessa que foi uma das vitórias mais importantes da temporada: participou da jogada do primeiro, de Luís Fabiano, e marcou o segundo.

O Villarreal aparentemente perde muitas chances de deslanchar, mas a verdade é que o time tem que estar contente só por ter passado de fase na Champions, como fez, e ainda assim estar vivo até hoje na briga para voltar à competição européia no ano que vem. Não é qualquer São Caetano que consegue deixar de ser time pequeno e, mesmo montando e desmontando o elenco tantas vezes, seguir no alto patamar por anos seguidos.

Atlético 2 x 0 Betis – O Atlético de novo decepciona? Por um lado sim, porque quando a gente lê uma escalação com quatro ou cinco nomes consecutivos que você vê e pensa – “ah, esse é bom de bola” – o normal seria esperar evolução. E evolução, para o time que chegou à Liga dos Campeões na temporada passada, seria quase-quase brigar pelo título. Em vez disso, o Atleti continua perdendo aquele tipo de jogo como os 4-2 contra o Osasuna um tempo atrás, ou os 5-1 para o Racing, e sofre para conseguir continuar na briga. Sorte é que, entre tanto dinheiro mal utilizado (Reyes, Simão, Raúl García…), estavam aquelas que foram duas das melhores contratações de equipes espanholas nos últimos anos: Kun Agüero e principalmente Diego Forlán, autor dos dois gols contra o Betis. Com eles, o uruguaio chega a 25 – empatado com David Villa e atrás só de Eto’o . São 96 gols em 177 jogos pela Liga Espanhola, média de 0,54 por jogo. No seu tempo de Atlético de Madri, Fernando Torres fez 82 em 214 partidas, média de 0,38.

Espanyol 3 x 0 Valencia – Ninguém, porém, é mais incerto do que o Valencia. Com exceção, talvez, da conta bancária dos jogadores do próprio.

Depois daquela reação, que coincidiu com o depósito de uma bolada de salários e prêmios atrasados, os valencianos se animaram e lançaram até o gigantesco abaixo-assinado “Tots Units”, de apoio para que o time alcance o terceiro lugar no campeonato. Parecia que vinha dando certo, até aparecer o Espanyol em pleno movimento de reequilíbrio cósmico.

Desde que o argentino Pochettino, ídolo da torcida no seus tempos de jogador, assumiu o comando da equipe, o Espanyol lentamente se encontrou. Agora, está invicto há seis partidas (cinco vitórias e um empate) e nas últimas cinco o goleirão camaronês Kameni não sofreu gols. Agora, o time de Barcelona abre quatro pontos da zona de rebaixamento e começa a fazer justiça ao elenco razoável que tem.

A classificação sub-Barça e Real Madrid, portanto:

Sevilla 60
Valencia 56
Atlético 55
Villarreal 55
Deportivo 53
Málaga 51

Os próximos jogos de cada um:

Rodada 35:
Atlético x Espanyol
Barcelona x Villarreal
Sevilla x Mallorca
Valencia x Real Madrid
Málaga x Racing
Recreativo x Deportivo

Rodada 36:
Atlético x Valencia
Deportivo x Getafe
Sporting x Málaga
Osasuna x Sevilla
Villarreal x Real Madrid

Rodada 37:
Athletic x Atlético
Sevilla x Deportivo
Villarreal x Valencia
Málaga x Betis

Rodada 38:
Atlético x Almería
Deportivo x Barcelona
Valencia x Athletic
Mallorca x Villarreal
Numancia x Sevilla

Quem classifica para a Champions? Para mim, Sevilla e o vencedor do jogo da rodada 36 entre Atlético e Valencia – que bem que a ESPN podia mostrar. Se bem que, reparando bem, que quem tem a melhor tabela desses todos é o Málaga e quem sabe se o… hmmm… deixa pra lá.

 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,
25/03/2009 - 22:43

Someone to light up my life

Este Capotón é um apreciador da retórica de David Albelda desde quando este partiu ao meio a clavícula de Luis Aragonés com um tacape, porque ele ameaçou deixar de convocá-lo para a partida de pôquer quinzenal que comandava Espanha afora.

Por isso é que nos lançamos em solidariedade imediata ao assistir à última contenda filológica do requintado meio-campista, no domingo. Há quem diga que a discussão com Raúl Albiol ao final da partida contra o Racing foi fruto do pênalti que o zagueiro cometeu nos acréscimos – e que só não custou o empate porque Serrano chutou no travessão.

Mas corre por aí, transmitido por meio de bilhetinhos dobrados e misturados às paellas, uma corrente reveladora explicando a verdade. Albiol ousou blasfemar um dos pendões do Valencia CF: as mechas de luzes do cabelo de Albelda, que todo mês são retocadas por um mutirão de trabalhadores devotos que aguardam meses para serem sorteados e ter a oportunidade.

Pior foi o truque sujo que Albiol usou na rádio no dia seguinte, uma vez desvelado seu crime lesa-cultura capilar. Disse ele numa entrevista: “Se minha esposa concordar, Albelda vai ser o padrinho de batismo da nossa filha.” O que foi o bastante para catalisar a ira dos torcedores – que descobriram que, além de blasfemo, o zagueiro é submisso e tem potencial feminista (algo que – a penya de Juiz de Fora que me desminta se for o caso – entre a nação valencianista é falta grave) – e para despertar a ira da Sra. Albiol, que já prometeu o posto para o primo Juanjo e não abre mão disso nem a golpe de tacape.

Tem gente que mesmo quando faz as coisas certas faz tudo errado.

 

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17/02/2009 - 14:56

Esquerda, volver

 

Carleto começou a escrever com minúsculas o “R” de “Roberto Carlos” (EFE)

Finalmente, depois de três meses da sua contratação, Thiago Carleto – para todos os efeitos até então constatáveis, o novo Roberto Carlos – estreou pelo Valencia no sábado, num empate em 1-1 contra o Málaga, no Mestalla.

O italiano Moretti se machucou aos 15 minutos de jogo e, com isso, deu uma chance de mais de uma hora para o brasileiro de 19 anos mostrar alguma coisa. Aliás, “chance” talvez não seja a palavra exata: com uma série de resultados ruins, salários atrasados e a boataria constante de que ou o clube vai vender seus craques, ou ser vendido ele próprio, ou as duas coisas, o Valencia anda pegando fogo.

Eu não vi o jogo, mas a opinião geral tanto entre as crônicas dos jornais quanto no fórum dos torcedores valencianistas no Superdeporte foi de que a estreia foi desastrosa: sem efeitos no ataque e deixando um “buraco negro” às suas costas, como define o AS. Alguém por aí assistiu ao jogo todo? Foi tão ruim assim mesmo?

***

Ainda de laterais esquerdos sofredores: nem o título de nome mais cool da Liga tem conseguido consolar Royston Drenthe. Insistentemente vaiado pelo Santiago Bernabéu – quando não alvo de gargalhada por perder alguma bola – o holandês pediu a Juande Ramos para não ser relacionado nos próximos jogos da equipe e nem viajou a Gijón.

Iker Casillas reagiu dizendo amistosamente que até ele já foi vaiado, que é assim mesmo – que agora o negócio é o holandês levantar a cabeça, trabalhar duro e torcer para que, no fundo, no fundo, por trás daquela carapaça de destempero e canela dura, exista um craque. Drenthe agradeceu e prometeu fazer tudo o que esteja dentro do seu alcance.

Já Alfredo Di Stéfano, em entrevista à TV holandesa, acha que é tudo uma questão de libertinagem e mostrou como existem coisas que a gente só entende mesmo quando passa dos 70. Deu um conselho daqueles que teriam enchido de orgulho a Jorge Luis Borges: “Eu acho que ele deveria se preocupar mais com a defesa e menos com o ataque. E que deveria cortar aquele cabelo e tirar aqueles brincos.” (Viva Di Stéfano! Viva Nelson Rodrigues! Viva la revolución!)

Na falta de alternativa, Drenthe agradeceu a sugestão, disse que respeita e escuta tudo o que La Saeta Rubia tiver para dizer, mas: “O cabelo e os brincos são um assunto pessoal. Eu gosto e não vou seguir suas indicações”, disse o holandês, que ainda cochichou baixinho para poucos que escutaram: “Além do mais, a Heidi Klum adora.”

***


Huntelaar já não aguentava mais treinar com o time B: “Eles são umas mocinhas”

Dentro de campo, Huntelaar ganhou chance como titular marcou gol na vitória por 4-0 (e ainda mais um, erradamente anulado) e saiu com a promessa de que vai ganhar mais chances. E Marcelo fez o que Drenthe deveria fazer para ganhar aos poucos a torcida madridista: jogar bem pelo menos quando o jogo é fora de casa. 

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29/01/2009 - 19:51

Mentiras que os gols contam

Estávamos prontos para constatar aqui, com a falta de critério e o descaso habituais, que parecia que oficialmente a carruagem do Sevilla tinha virado abóbora. Porque, depois da eliminação precoce na Copa da UEFA, o time esteve a um passo de cair também na Copa do Rei (e foi bem aí que começamos a vaticinar o fim de uma era, como se as coisas acontecessem simplesmente assim).

Depois de perder por 3-2 no Mestalla, o time saiu atrás do Valencia logo no começo, empatou aos 36 com Kanouté e perdeu uma dúzia de chances até o finalzinho do jogo. Nesse momento, ali pelos 42 do segundo tempo, escrevia este Capotón, feito um corvo negro, ossudo e agourento: “O Sevilla continua sendo um time bom, claro, mas a magia, a sorte, o momentum, a conspiração astral, parece que acabou. Era o tipo de confronto que, até o ano passado, o Sevilla teria virado, saído com mais moral do que nunca e partido para brigar por títulos de novo. Agora, depois da UEFA, o time está fora de mais um torneio e vai sobrar só a briga para se classificar para um dos dois – a Champions ou a UEFA -  na temporada que vem.”

Como se pode constatar sem muita surpresa, eu não entendo nada de nada. Deveria agora dizer que o Sevilla voltou com tudo, que os lindos dias estão de volta ao Sánchez Pizjuán, que o gol do francês Sébastien Squillaci (que é bom zagueiro) aos 44 do segundo tempo trouxe de volta a chispa inesperada e milagrosa que pareceu incendiar o estádio do Sevilla durante dois anos.

Assistindo ao jogo ao vivo e vendo a festa da torcida, dá vontade de falar isso e mais. Sempre dá quando o destino muda nos últimos minutos de um jogo; é o que faz o futebol sensacional e também muitas vezes o que faz o futebol – ou quem dá importância a ele – tão estúpido. O gol da virada no final de um jogo é inconseqüente e mentiroso. Mascara tudo o que existe de razão a respeito da partida e do que vem antes e depois dela. E o que é mais incrível: muitas vezes essa máscara não sai mais do lugar e passa a ser o  verdadeiro rosto das coisas.

Mais ou menos como aconteceu uns dias atrás com o Chelsea de Felipão: imediatamente depois daquele gol de virada, que pela lógica seria o suficiente só para conquistar uma vitória quase obrigatória, falar da fraqueza do Stoke City, da irregularidade do time ou da falta de criatividade do meio-campo não fazia sentido nenhum para quem assistiu ao jogo ao vivo. Naquele momento, a verdade era só aquela, inconseqüente e mentirosa, que felizmente o ponta-de-lança Arnaldo Ribeiro relatou recém-saída do forno.

E não é absurdo pensar que, daqui a uns meses, aquela pode ser a única verdade, com o Chelsea campeão da Liga dos Campeões da UEFA e o gol de Lampard no finalzinho como um marco da campanha. Do mesmo modo, depois do gol de Squillaci hoje, aviso: até que o contrário seja provado, não descarto nada vindo do Sevilla esta temporada. Pintou o campeão. Pelo menos hoje.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
21/01/2009 - 22:40

Que rei sou eu?

Sem Henry, Eto’o, Daniel Alves, Messi e Xavi (os dois últimos entraram no segundo tempo), o futuro campeão espanhol nem ganhou, nem marcou gol: deixou a eliminatória contra o Espanyol (de técnico novo, o argentino Pochettino) para ser decidida no Campo Nou, o que é perigoso. “Bah, mas quem se importa tanto com a Copa do Rei?” Ninguém, nem o próprio. Mas já reparou na quantidade de crises que são desencadeadas depois da eliminação nesse torneio? Por isso, para evitar um pouquinho de perda de confiança, que pode acabar sendo decisivo para aquilo que importa – a Liga dos Campeões da UEFA -, eu, se fosse o Barça, poupava menos gente para a volta. Deixar a Copa meio de lado até tudo bem, mas é preciso fazê-lo ou bem no começo, quando há tempo para se esquecer, ou mais adiante, quando o time já estiver envolvido de tudo na Champions. Agora é a única hora que uma eliminação pode prejudicar de verdade.

***
Mas, mesmo com Barça misto, teve jogaço na rodada: o Valencia contou com outra grande atuação dos seus pontas (é, pontas) Joaquin e Vicente e conseguiu uma virada bonita jogando em casa: 3-2 sobre o Sevilla. Depois de sair na frente com Villa, numa bola clamorosa perdida pelo brasileiro Adriano, o Valencia sofreu a virada, gols de Luís Fabiano (como sempre) e do próprio Adriano (o gol mais impedido que já vi até hoje, juro). No finalzinho, nos últimos 5 minutos, os valencianos viraram o placar de novo, com Baraja e Mata.

Ficou curioso pelo gol mais impedido da história? Olha ele aí:

 

***

 Tudo igual em Bilbao, mas agora legal

O flamante camarada Pedro anda obcecado com a ideia-sem-acento de este Capotón falar sobre o Athletic Bilbao. O que, por sorte, não significa que vamos ressuscitar o tema dos jogadores exclusivamente bascos, nem lamentar o patrocínio na camisa apos 110 anos. O que o povo, ou pelo menos o Pedro, quer saber é o porquê de o time ter melhorado tanto nesta temporada, depois de ter ficado a um escorregãozinho do rebaixamento no ano passado.

Como eterno socrático, digo: também não sei muito bem E, se Joaquin Caparrós também o for, responderá a mesma coisa. Porque quem assiste a uma partida do Athletic Bilbao vê claramente que quase todos os jogadores são os mesmos da temporada passada – e jogadores que não teriam um argumento claro (como a pouca idade) para melhorar tanto de um ano para o outro.

A única exceção (e que é só uma parte da solução) é Llorente, que parece ter chegado àquele momento de autoafirmação em que acredita que é o homem mais importante do time, e não mais uma revelação. Coisa normal de acontecer quando o sujeito completa seus 23 anos. Fora ele, Aitor Ocio anda firme na defesa, mas já estava no ano passado; o lateral Iraola, não se sabe por quê, depois de dez anos sendo confundido com Susaetas e Gabilondos, resolveu jogar como o melhor lateral-direito da Espanha depois de Daniel Alves. O treinador também é o mesmo, e o esquema de jogo, idem. Então, ou um ano a mais de entrosamento fez muitíssimo bem, ou há algo de metafísico, metempsicótico ou supersticioso fazendo influência por ali.

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Renan deve ficar um mês e meio fora e, diante da falta de um reserva que não seja esquizofrênico, insolente ou juvenil, o Valencia contratou Cesar, a versão espanhola do Sérgio: goleiro bom, veterano há muitos anos, reserva de um grande goleiro durante boa parte da carreira e sempre um ótimo plano B para quem não tem a posição 100% coberta. O que, no fim das contas, é péssima notícia para Renan: não acharia muito estranha se o Cesar acabasse ganhando por mais do que um mês e meio a vaga de titular.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , ,
19/01/2009 - 22:41

Retórica feminina


Se Inma não receber o que deve, terá que empenhar seu par de botas brancas

O telefone não parou de tocar nesta segunda-feira, com a imprensa de todo o mundo querendo ouvir as palavras deste Barão – precursor dos Direitos Humanos na região da Grande Salamanca – sobre o Martin Luther King, Jr. Day e principalmente sobre essa belíssima e atemporal virgula que separa o sobrenome do “Jr.”

Não sobrou, portanto, tempo suficiente  para aquele destrinçar cabal e premente das segundas-feiras, que faz as rodadas de fim de semana parecerem uma perdiz ao vinho tinto. Vamos, então, de enredos sucintíssimos, mas não menos fascinantes. Pelo menos não neste primeiro caso, de Inma Cortiñas – desde já dona de reputação gloriosa no coração de Sua Excelência a Baronesa de Salamanca.

Ali pelo terceiro minuto do segundo tempo do jogo entre o Negreira e o Compostela, válido pela 3ª Divisão, diante de mais de um milhar de espectadores parlamentaristamente pacatos,  Inma irrompeu no campo de jogo e se algemou junto à trave. Não sei se você leu com pressa ou o quê, mas eu disse se ALGEMOU!

O árbitro Xulián Fuentes (que alegria os nomes galegos e seus “X” autênticos) não entendeu nada, mas previdentemente chamou a presença da Guarda Civil, que tratou de retirar Inma do campo  - e aqui ninguém soube me explicar se ela levou a chave, se foi preciso serrar as algemas, se elas eram de plástico ou se a trave foi levada junto. 

Depois é que se revelou do que se tratava a cena: Inma Cortiñas estava protestando contra o Negreira, que supostamente deve até hoje 1500 euros a seu marido, o cerebral volante de contenção David Cotrofe – que hoje milita no Santa Comba. Tudo o que ela queria era conseguir ter uma palavrinha com o presidente do Negreira, coisa que David Cotrofe havia tentado semanas a fio sem nem sombra de sucesso.

Por conta daquilo que os magistrados chamam espartanamente de “distúrbio da ordem pública” (como se houvesse alguma ordem naquilo que é público), pode ser que a autora do algemamento mais célebre da Espanha setentrional receba uma multa de 3 a 9 mil euros (que ficaria bastante mais leve se a família Cotrofe-Cortiñas recebesse os 1500 euros devidos). Pode ser, também, que ela ganhe um busto em pedra de oleado erigido em algum lugar da Espanha (nem que seja na Calle de las Varrilas, 7, Salamanca). Pode ser também que tenha mostrado ao mundo masculino, bem no centro do seu templo, quem é que manda de verdade. Pode ser.

***

No nosso bloco especial dedicado a uma peña do Valencia – esta semana os homenageados são o pessoal de Caxambu-MG – , a má notícia é que o goleiro Renan machucou a coxa direita e deve ficar um mês e meio sem jogar. A boa notícia é que Edu não se machucou e não vai ficar um mês e meio sem jogar (por enquanto). E a notícia incerta é que o time está louco para trazer Ramires. Se o negócio acontecesse, seria provavelmente o destino ideal para o cruzeirense – que precisa de um cabeça-de-bagre que nem Albelda (mentira: ninguém precisa de um cabeça-de-bagre que nem o Albelda) (mentira de novo: Luis Aragonés precisa sim) para ficar à vontade para se juntar ao ataque.

***

Com dez jogos sem vitória, o Espanyol começa a levar a sério a ideia mais agourenta que já surgiu neste Capotón, de estrear finalmente o seu estádio próprio – 12 anos depois da demolição de Sarrià – na segunda divisão. Dá para pensar em motivo melhor para transformar o novo espaço numa gigantesca, escura e altamirana boate para 50 mil emo-góticos mediterrâneos?

***

O Barcelona goleou (grande coisa) e o primeiro gol (um só?) foi marcado por um baixinho canhoto que veio da ponta-direita passou por dois (aposto que estavam desatentos) e tocou mansinho no canto do goleiro (pra mim ele falhou). O mesmo de sempre.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
15/01/2009 - 19:51

Tira a mão da minha honra


Luís Fabiano feriu o orgulho coruñense e nem percebeu (EFE)

Foi ontem que o Deportivo La Coruña teve que passar por baixo da mesa, tomar marca de rolha queimada no rosto, imitar marreco, se vestir de mulher, dançar Macarena, declamar poesia concreta e todo outro tipo de sujeição ao ridículo que a raça humana – e sobretudo masculina – inventou ao longo dos séculos para castigar aquele que sofre uma derrota avassaladora. No caso, não uma derrota avassaladora, mas três derrotas esquecíveis e triviais que, por serem todas para o mesmo rival e acontecerem no período de uma só semana, se transformaram numa humilhação.

Em sete dias, o Deportivo perdeu três vezes para o Sevilla, duas delas em casa, marcando dois gols e levando oito – quatro deles de Luís Fabiano. Foi eliminado da Copa do Rei e, do clima de festa por ser a surpresa da temporada, se mudou para um ambiente de desânimo, incerteza e criticas à honra ferida. Pior ainda porque, no finalzinho, o time perdeu um pênalti quando, com Palop expulso, o goleiro do Sevilla era o atacante uruguaio Chevantón. Era o que faltava para ouvir frases como a do jornal La Voz de Galícia dizendo que “o time destruiu em três  jogos boa parte do crédito acumulado em meses”. Injusto, claro, mas é assim mesmo que funciona no futebol (ou, na verdade, na vida) aquilo que encosta em nosso orgulho: são coisas que, em estado de consciência e temperança, não deveriam importar muito, mas que no fim das contas mostram ser as únicas que, no fundo, importam de verdade.

***

Vicente, do Valencia, é o mais próximo de um ponta-esquerda que o planeta tem a oferecer hoje – peladas de clube à parte. Joga aberto o tempo todo de verdade, dribla de verdade, desestrutura as defesas de verdade. Isso quando joga e entra em forma, como agora.

O problema é que qualquer camarão de paella em Valência sabe que, quando isso acontece, é porque está se aproximando a hora de sua próxima lesão grave. Quer dizer, pelo menos tem sido assim nos últimos 5 anos: Vicente joga numa toada que caminha para acabar como Pedrinho (Vasco, Palmeiras), alguém que, por causa das lesões, acaba lembrado mais pelo que mostrou potencial para fazer do que pelo que efetivamente fez.

Tomara que estejamos errados, que exista esperança neste mundo para além das maternidades e que a atuação de Vicente nos 3-1 de ontem sobre o Racing Santander seja uma de muitas consecutivas nos próximos séculos e séculos, amém.

***

Vicente fez dois gols e foi o melhor do time na vitória (embora Renan também tenha ido muito bem), mas o grande momento do jogo foi, sem dúvida nenhuma, o gol do Racing, marcado por Colsa. Dá uma olhada só que absurdo:

 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
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