Tira a mão da minha honra

Luís Fabiano feriu o orgulho coruñense e nem percebeu (EFE)
Foi ontem que o Deportivo La Coruña teve que passar por baixo da mesa, tomar marca de rolha queimada no rosto, imitar marreco, se vestir de mulher, dançar Macarena, declamar poesia concreta e todo outro tipo de sujeição ao ridículo que a raça humana – e sobretudo masculina – inventou ao longo dos séculos para castigar aquele que sofre uma derrota avassaladora. No caso, não uma derrota avassaladora, mas três derrotas esquecíveis e triviais que, por serem todas para o mesmo rival e acontecerem no período de uma só semana, se transformaram numa humilhação.
Em sete dias, o Deportivo perdeu três vezes para o Sevilla, duas delas em casa, marcando dois gols e levando oito – quatro deles de Luís Fabiano. Foi eliminado da Copa do Rei e, do clima de festa por ser a surpresa da temporada, se mudou para um ambiente de desânimo, incerteza e criticas à honra ferida. Pior ainda porque, no finalzinho, o time perdeu um pênalti quando, com Palop expulso, o goleiro do Sevilla era o atacante uruguaio Chevantón. Era o que faltava para ouvir frases como a do jornal La Voz de Galícia dizendo que “o time destruiu em três jogos boa parte do crédito acumulado em meses”. Injusto, claro, mas é assim mesmo que funciona no futebol (ou, na verdade, na vida) aquilo que encosta em nosso orgulho: são coisas que, em estado de consciência e temperança, não deveriam importar muito, mas que no fim das contas mostram ser as únicas que, no fundo, importam de verdade.
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Vicente, do Valencia, é o mais próximo de um ponta-esquerda que o planeta tem a oferecer hoje – peladas de clube à parte. Joga aberto o tempo todo de verdade, dribla de verdade, desestrutura as defesas de verdade. Isso quando joga e entra em forma, como agora.
O problema é que qualquer camarão de paella em Valência sabe que, quando isso acontece, é porque está se aproximando a hora de sua próxima lesão grave. Quer dizer, pelo menos tem sido assim nos últimos 5 anos: Vicente joga numa toada que caminha para acabar como Pedrinho (Vasco, Palmeiras), alguém que, por causa das lesões, acaba lembrado mais pelo que mostrou potencial para fazer do que pelo que efetivamente fez.
Tomara que estejamos errados, que exista esperança neste mundo para além das maternidades e que a atuação de Vicente nos 3-1 de ontem sobre o Racing Santander seja uma de muitas consecutivas nos próximos séculos e séculos, amém.
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Vicente fez dois gols e foi o melhor do time na vitória (embora Renan também tenha ido muito bem), mas o grande momento do jogo foi, sem dúvida nenhuma, o gol do Racing, marcado por Colsa. Dá uma olhada só que absurdo:
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Autor: juanpolanco Tags: Copa do Rei, Deportivo, limão galego, Luís Fabiano, o acento caiu, o inferno é ridículo, orgulho e preconceito, Pedrinho para sempre, ponta-esquerda, queremos raça!, Sevilla, três sem tirar, Valencia, vergonha de quê?, Vicente