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Posts com a Tag Real Madrid

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 Sem categoria | 17:32

Proferir profecias

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Já disse isto aqui outro dia, ou, se não disse, pensei e queria ter dito: o Atlético de Madri 2008/09 – talvez por alguma razão que provavelmente tenha a ver com as conexões rioplatenses da família da Baronesa – nos causa uma tremenda simpatia. Não só simpatia, mas aquele comichão na orelha esquerda que a presença de uma equipe surpreendente provoca, sabe? (como não?!?)

O que acontece é que, com nossos favoritos Forlán, Kun e Maxi, uma dupla de volantes cada vez mais bem acertada (Raúl García e Paulo Assunção, que vem jogando muito; mais do que Josué e Gilberto Silva juntos) e mais alguns daqueles curupiras que de vez em quando aparecem bem na hora certa – um Alex Alves (Simão) ou um Josimar (Pernía) – esse Atlético tem potencial para ser um Porto de 2003, ou uma Portuguesa de 1996.

O que nos deixa mais confiantes ainda é que a estatística provavelmente estará ao nosso lado, já que sempre é preciso ter alguma surpresa e, numa Champions League em que só se classificam os grandes – que não têm nada de surpreendente – a missão de manter o universo em órbita perfeita e cabal será ou do Atlético de Madri, ou no máximo do Villarreal, que também é da área. Portanto, Europa, espere por nós.

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Cannavaro: “O pior de perder é depois ter que pagar as flexões de braço” (Reuters)

O Real Madrid perdeu de novo, os jornais madrilenos culparam o árbitro de novo e, mais uma vez, a Bernd Schuster não sobrou outra alternativa a não ser se antecipar aos desastres futuros. Uma semana antes do clássico contra o Barcelona, o líder que goleia deus e o mundo e que volta a ser queridinho de todos, com seus nove pontos de desvantagem, o alemão tentou ser sincero e disse que “hoje é impossível ganharmos do Barça no Camp Nou”.

Mas, poxa, Schuster, ninguém mais é tão bobo, né? Até o Luxemburgo já descobriu método melhor para motivar os próprios jogadores do que se fazer de coitadinho para depois potencializar a vitória no contra-ataque ou o empate que passa a ser heróico.

Claro que o jogo vai ser duro, porque ele já começa complicado só por se tratar de um Real x Barça, e Schuster sabe disso tanto quanto Guardiola. Palpite Capotón, pois: 1 x 1 (o que não invalida o palpite da semana passada de que Calderón só esperava uma derrota diante do Barça para demitir o alemão).

***

Essa sim a gente já disse aqui: o grande problema de toda a existência de David Villa é jogar no Valencia. Não necessariamente porque ele deveria jogar num time melhor; podia ser pior também. Porque se por um lado Villa nunca ganha nada, nem tem companhia de primeiríssimo nível ao sei lado, por outro também não tem a resposta óbvia quando chega uma oferta do Real Madrid ou do Chelsea. Jogasse ele no Valladolid, o empresário não teria nem chegado no último zero do valor da proposta e o “sim” já estava dito. Agora, jogando no Valencia, não: a cartolagem valenciana tem a obrigação de dizer “espera um pouco, mas nós somos uma grande equipe; não somos trampolim para ninguém”.

Aliás, a questão não é que o grande problema de toda a existência de David Villa é jogar no Valencia, mas sim que o grande problema de toda a existência do Valencia é ser o Valencia. O que significa saber que a médio prazo não vai disputar com Real e Barça, mas também não ter a liberdade de falar com tranqüilidade “pô, peraí, a gente não é nada demais. Quinto lugar tá bom pra caramba”.

 

Notas relacionadas:

  1. David Villa é o melhor centroavante do mundo
  2. Real Madrid que bate BATE
  3. Por domingos menos didáticos
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 28 de novembro de 2008 Sem categoria | 10:55

Real Madrid que bate BATE

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Até Schuster tenta arrancar sua cabeça, mas os resultados não deixam
(Reuters)

Bons os tempos em que o Real Madrid pelo menos inspirava desgosto ou indignação nos outros e na própria torcida. Porque não existe momento mais frustrante – e, a médio prazo, mais danoso – do que este atual, gerando mais descaso e pachorra do que raiva.

Se pelo menos o time perdesse, motivaria rebeliões, motins. Só que, por mais que no mundo inteiro a torcida como instituição seja algo cretino – muito mais cretino do que a soma da cretinice dos seus integrantes -,  pelo menos ao norte da Linha do Equador (ou talvez ao norte do meridiano 37º N) ela ainda precisa de alguns motivos mínimos para decidir se rebelar. E a torcida do Real, amigos, está louca para ter esses motivos; para deixar de viver nessa ilusão, nesse meio-termo em que se classifica para os mata-matas da Liga dos Campeões, em que fica na cola do Barcelona, em que tem os desfalques pra se escorar.

Tudo isso dá argumento para dirigentes e Bernd Schuster rebaterem com qualquer frase que comece com “mas, se você analisar friamente”. E justo a frieza é tudo o que o torcedor menos quer, no seu hábito espalhafatoso de ser apaixonado pelo clube. Acontece que, pra lá do meridiano 37ºN, o pessoal insiste nessa mania iluminista de pensar antes de agir, e, então, acaba aceitando.

Para piorar, enquanto isso o Barcelona vive exatamente o contrário: há dois anos não ganha nada, mas nesse período não deixou de ser tido como referência de futebol bem jogado, de torcida que até teria motivos para se irritar definitivamente, mas não se irrita além da conta (a conta extra-campo que limou Rijkaard, Ronaldinho e Deco) porque continua orgulhosa. O Real, bicampeão espanhol, em nenhum momento encantou e em cada um dos dois anos de titulo passou pelo menos por três momentos de turbulência e inconformismo. É o preço que paga pela própria invenção: os Galácticos e a era que esses inauguraram, do marketing e das contratações blockbusters nem sempre justificadas.

Para o torcedor, qualquer coisa abaixo de fascinar o planeta vira obrigação. Para quem vê de fora, o Real Madrid jogar bem ou ser bicampeão espanhol é como os Estados Unidos fazerem campanha de caridade: o fato isolado pode ter o mérito que for, mas o retrospecto joga tanto contra que o que existe de positivo acaba diluído.

Portanto, gente, tomemos alguma providência: pelo menos enquanto o inverno não chega com seus Tévez, Crespo, Pato e quem mais vier (vem mesmo?), vamos tomar um rumo: perder três jogos seguidos, levar goleada do Mallorca, alguma coisa. A torcida está precisando. 

Notas relacionadas:

  1. A noite é de quem?
  2. A lesão que faltava
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 13 de novembro de 2008 Sem categoria | 12:12

A lesão que faltava

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A notícia que ninguém no Real Madrid queria imaginar que era possível chegou. E não estamos falando sobre ser eliminado pelo Real Unión na Copa do Rei. Falava-se da viagem de Van Nistelrooy aos Estados Unidos para se submeter a exames no joelho como se fosse algo trivial: atravessar o Oceano Atlântico só para um raio-x, por via das dúvidas, não há de ser nada. E era, claro que era.

O único fazedor de gols num dos elencos mais caros do planeta pode ficar até nove meses sem jogar. Ruud tem uma ruptura parcial do menisco externo, um gânglio com sinovite no ligamento cruzado anterior e uma lesão na cartilagem articular do côndilo femoral externo. Você pensou certo: quando a explicação do problema toma mais de duas linhas e inclui essas palavras lindas como “sinovite” ou “côndilo”, é porque a coisa tem que ser levada a sério.

Tão a sério, aliás, que o primeiro que me vem à cabeça não é nem saber  como o Real Madrid vai se virar sem ele, mas sim a dúvida: será que o que estamos lendo é o final da carreira de um dos melhores centroavantes de uma geração? Porque Van Nistelrooy já tem 32 anos, já operou esse mesmo joelho (o mesmo ligamento da sinovite) em 2000 e tem um histórico quilométrico de lesões.

Não sei não, mas por alguma razão o temor disfarçado de Van Nistelrooy (no vídeo, ainda antes de saber o diagnóstico) faz lembrar as declarações de seu colega de país e grande área, Van Basten, quando decidiu operar o tornozelo, pouco depois da final da Liga dos Campeões perdida para o Olympique de Marseille.

***

Além de deixar Bernd Schuster desesperado para as próximas rodadas (durante as quais o Gel B*zz*n* Fixação Forte passa a ter papel fundamental), a notícia também deve estar ouriçando os representantes de gente como Keirrison, Guilherme e Kléber Pereira. Hoje, até Alex Mineiro teve o nome citado na versão online do Marca (que não tem absolutamente nenhum compromisso com a verdade, mas que influencia a torcida, que por sua vez influencia o clube, que acaba tornando verdade algumas bobagens publicadas no jornal).

E quem sabe se, aproveitando o momento de crise generalizada, a diretoria já não aproveita e manda Schuster embora, como já há tanto tempo cogita? Tudo o que falta são mais duas ou três derrotas. Nas boatarias dos jornais espanhóis, já se fala ou em substituto caseiro – Miguel Ángel Portugal, atualmente membro da direção, e Michel, ex-ídolo da torcida, que seria um equivalente a Guardiola no Barça -, ou em trazer gente que está por aí, no mercado, como Victor Fernández (ex-Zaragoza) e Juande Ramos (demitido há pouco do Tottenham). Até Frank Rijkaard já começa a virar assunto, embora ele siga incomunicável, assando enormes postas de atuns num luau no Taiti que já dura 7 meses.

Notas relacionadas:

  1. A noite é de quem?
Autor: juanpolanco Tags: , , , ,

sexta-feira, 7 de novembro de 2008 Sem categoria | 20:01

A noite é de quem?

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Este Capotón viveu uma segunda metade de semana repleta de pequenas e insignificantes decisões internas – inclusive esta nova roupagem clean & clear que você vê aqui à nossa volta -, por isso ficamos devendo alguma coisa sobre Real Madrid x Juventus. Embora, na verdade, sempre fiquemos devendo alguma coisa, mesmo nas semanas em que nada de insignificante é decidido, portanto, este parágrafo todo é em vão.

O certo é que, como conjecturávamos outro dia, perder para a Juventus na Champions, que tem peso 2, foi o que bastou para a incerteza começar a ser chamada de crise no Santiago Bernabéu. É só nessas horas que surgem, por exemplo, assuntos como o de Guti.

O cronograma do caso é o seguinte:

- na quarta-feira à tarde, Guti erra o passe que resulta no primeiro gol de Del Piero;

- uma hora e pouco depois, o italiano já tinha feito o segundo gol, garantido a vitória por 2-0 e saído de campo aplaudido pela torcida do Real:

- mais alguns minutos e a diretoria do Real, sempre eficiente nos assuntos relacionados ao endomarketing, muda a plaquinha na entrada do estádio, que agora diz oficialmente: “Estamos em crise”;

- na zona mista, Guti dá uma entrevista daquelas que os capitães têm que dar, dizendo que é hora de a equipe se ligar, buscar união dentro e fora de campo e partir para acabar com a má fase;

- naquela mesma noite, Guti saiu, vestido de Men In Black, para comemorar seu aniversário e o de sua namorada numa boate moderninha de Madri.

- horas depois, meia-dúzia de jornalistas investigativos, na certa egressos da Scotland Yard, estavam à porta da tal danceteria. Primeiro flagraram Michel Salgado de saída, já vestido à paisana, terminada sua performance como Príncipe Adam. Em seguida, às 4 e tanto da manhã, finalmente cruzaram com Guti;

- uma dessas jornalistas (que parece ter agido como torcedora, o que é um choque tratando-se da imprensa esportiva espanhola) docemente argumentou com Guti que horas depois havia uma sessão de treinos;

- o maior passador de bola e wannabe britpop a sul de Londres reagiu da maneira como se vê neste vídeo aqui: cobrindo a cabeça, com resultados previsivelmente nulos, e dizendo à jornalista: “vá com a puma da sua mãe, sua filha da puma”. A notícia foi disseminada  euforicamente por toda a imprensa catalã. No AS e no Marca - os dois maiores jornais esportivos de Madri – por exemplo, nada.

- na entrevista coletiva após o treino, perguntado por um jornalista sobre sua opinião a respeito da noitada de Guti, Bernd Schuster – ainda sem ter entrado no site de qualquer meio de comunicação catalão – disse: “você já deve imaginar que eu não acredito em você”.

É hipócrita que Guti diga aquilo tudo e depois caia na noite? É papel da imprensa estar de tocaia na porta reportando isso tudo? Aconteceria o mesmo se o Real tivesse vencido? Acontece, então, que se jogar na balada depois de vitória é correto, mas depois de derrota é muito feio? Jornalista também não bebe cerveja até as 4h da manhã mesmo quando precisa estar na redação às 10h? O que não pode, então, é ter salário alto e tomar whisky 15 anos e fazer isso, certo? Jogadores e clube pertencem à torcida, como assegura a Gaviões da Fiel?

Se alguém se interessar muitíssimo, algum dia este Capotón responde o que acha dessas perguntas todas. Por enquanto, o que interessa de verdade do episódio é o aspecto moral, ou seja: o tom conciliador e a inteligência emocional de Guti para lidar com a situação e, principalmente, mais do que tudo: QUE DIABOS É AQUELA BOLSA VERDE? ? ?

Autor: juanpolanco Tags: , , , , ,

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