Proferir profecias
Já disse isto aqui outro dia, ou, se não disse, pensei e queria ter dito: o Atlético de Madri 2008/09 – talvez por alguma razão que provavelmente tenha a ver com as conexões rioplatenses da família da Baronesa – nos causa uma tremenda simpatia. Não só simpatia, mas aquele comichão na orelha esquerda que a presença de uma equipe surpreendente provoca, sabe? (como não?!?)
O que acontece é que, com nossos favoritos Forlán, Kun e Maxi, uma dupla de volantes cada vez mais bem acertada (Raúl García e Paulo Assunção, que vem jogando muito; mais do que Josué e Gilberto Silva juntos) e mais alguns daqueles curupiras que de vez em quando aparecem bem na hora certa – um Alex Alves (Simão) ou um Josimar (Pernía) – esse Atlético tem potencial para ser um Porto de 2003, ou uma Portuguesa de 1996.
O que nos deixa mais confiantes ainda é que a estatística provavelmente estará ao nosso lado, já que sempre é preciso ter alguma surpresa e, numa Champions League em que só se classificam os grandes – que não têm nada de surpreendente – a missão de manter o universo em órbita perfeita e cabal será ou do Atlético de Madri, ou no máximo do Villarreal, que também é da área. Portanto, Europa, espere por nós.
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Cannavaro: “O pior de perder é depois ter que pagar as flexões de braço” (Reuters)
O Real Madrid perdeu de novo, os jornais madrilenos culparam o árbitro de novo e, mais uma vez, a Bernd Schuster não sobrou outra alternativa a não ser se antecipar aos desastres futuros. Uma semana antes do clássico contra o Barcelona, o líder que goleia deus e o mundo e que volta a ser queridinho de todos, com seus nove pontos de desvantagem, o alemão tentou ser sincero e disse que “hoje é impossível ganharmos do Barça no Camp Nou”.
Mas, poxa, Schuster, ninguém mais é tão bobo, né? Até o Luxemburgo já descobriu método melhor para motivar os próprios jogadores do que se fazer de coitadinho para depois potencializar a vitória no contra-ataque ou o empate que passa a ser heróico.
Claro que o jogo vai ser duro, porque ele já começa complicado só por se tratar de um Real x Barça, e Schuster sabe disso tanto quanto Guardiola. Palpite Capotón, pois: 1 x 1 (o que não invalida o palpite da semana passada de que Calderón só esperava uma derrota diante do Barça para demitir o alemão).
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Essa sim a gente já disse aqui: o grande problema de toda a existência de David Villa é jogar no Valencia. Não necessariamente porque ele deveria jogar num time melhor; podia ser pior também. Porque se por um lado Villa nunca ganha nada, nem tem companhia de primeiríssimo nível ao sei lado, por outro também não tem a resposta óbvia quando chega uma oferta do Real Madrid ou do Chelsea. Jogasse ele no Valladolid, o empresário não teria nem chegado no último zero do valor da proposta e o “sim” já estava dito. Agora, jogando no Valencia, não: a cartolagem valenciana tem a obrigação de dizer “espera um pouco, mas nós somos uma grande equipe; não somos trampolim para ninguém”.
Aliás, a questão não é que o grande problema de toda a existência de David Villa é jogar no Valencia, mas sim que o grande problema de toda a existência do Valencia é ser o Valencia. O que significa saber que a médio prazo não vai disputar com Real e Barça, mas também não ter a liberdade de falar com tranqüilidade “pô, peraí, a gente não é nada demais. Quinto lugar tá bom pra caramba”.
Notas relacionadas:
Autor: juanpolanco Tags: a dureza de ser si mesmo, Atlético de Madrid, Barcelona, Bernd Schuster, boitatá, ciclos históricos, comichão profético, curupira, David Villa, gestalt, Império Cisplatino, manipulação de auto-estima, Real Madrid, saudades de Alex Alves, talassomancia