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13/11/2009 - 09:44

Time A+ ou time A

Já disse aqui outra vez que a Copa do Rei só pode ter algum interesse para os times grandes com um sucesso no fim da temporada – quando pode salvar o ano (como o do Valencia em 2008) ou fazer a coroa virar tríplice (como a do Barcelona em 2009). Ou, também, com um fracasso tremendo no começo dela: quando, apesar de ninguém ligar para a competição, fica impossível para a natureza humana ignorar que um elenco milionário foi derrubado por um punhado de semi-amadores – como aconteceu esta semana com o Real Madrid pelo segundo ano consecutivo.

Numa situação dessas, então, não teria sido melhor Manuel Pellegrini simplesmente esquecer suas estrelas e colocar para atuar na Copa um Real Madrid assumidamente reserva e humilde? Para pelo menos deixar claro, em caso de desastre, que foi tudo só porque o clube não está nem aí? Acho que sim e acho que o chileno também pensa assim.

Acontece que o jeito atacadista e megalomaníaco como este Real Madrid foi montado simplesmente já não permite mais isso. É impossível formar uma equipe titular sem, no mínimo, nove jogadores consagrados. Ou nove jogadores cujos salários estão na classe A+ do futebol.

Veja o elenco do Madrid e me diga alguém que não cause impacto ao estar envolvido num grande fracasso. Drenthe, talvez? Granero? Dudek, se você quiser? Ou só o terceiro goleiro Adán? O Barcelona, enquanto isso, se por um lado obviamente também tem um elenco badalado e milionário, ao menos é capaz de escalar como titulares, nas mesmas semanas em que o rival perdeu para o Alcorcón, gente como Pedro, Jeffren, Gai Assulin e Jonathan dos Santos. Aí a diferença.

Ah, sim, a outra diferença é que o Barcelona ganhou sua eliminatória por um total de 7 x 0. Mas essa é outra história.


Boi de piranha
Pellegrini, como terceira opção que foi, chegou ao clube sabendo: ou tudo dava certo e de cara a equipe ganhava e jogava bem, ou não haveria muito pudor em demiti-lo durante esse período de adaptação. Porque quem quer que chegue – e já há até favoritos: Michael Laudrup e Luis Aragonés – vai no mínimo herdar uma equipe mais madura e acostumada a jogar junta.

Custo x benefício
No verão de 2005, o Sevilla gastou 10,5 milhões de euros para contratar uma dupla de ataque nova: Luís Fabiano, vindo do Porto, e Frédéric Kanouté, do Tottenham. Desde então, os dois marcaram 179 gols. Para igualar essa rentabilidade, a dupla Kaká e Cristiano Ronaldo (que, fazer o quê?, virou base de comparação para tudo) precisará anotar… 2685 vezes. Não que essa seja a conta certa a se fazer, mas é no mínimo curiosa.

Coluna publicada a contragosto no Jornal Placar de 13 de novembro de 2009

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
09/11/2009 - 15:05

Sans souci

Na imprensa madridista/florentinista, o ideal é continuar cercando de culpa Manuel Pellegrini, que é o mais facilmente descartável, mas por enquanto parece que há mais mérito do que qualquer outra coisa no trabalho do chileno.

Porque o Real Madrid de Pellegrini ainda não encontrou sua fórmula, o que é normal, mas pelo menos parece dar sinais de ter aprendido algumas coisas interessante a não se fazer – como manter Raúl na equipe titular – e outras tantas a se fazer – como Marcelo e Higuaín jogando de autênticos wingers, o que tem feito bem aos dois e também a Kaká e Benzema.

De uma só tacada, a mudança compensou o desempenho defensivo duvidoso de Marcelo como lateral-esquerdo e o desempenho ofensivo duvidoso de Arbeloa ou Sergio Ramos como laterais-direitos.

Ah, mas e quando Cristiano Ronaldo entrar? Quem sai? Sai Higuaín? E Cristiano vira um ponta-direita e nada mais? Pode ser, pode ser que não. Mas o fato é que o Real Madrid encontrou sim um jeito de jogar bem, como jogou contra o Milan e durante praticamente todo o clássico contra o Atlético, sem a presença do português.  E boa parte do mérito disso é de Manuel Pellegrini.

***

Alguém acharia realmente impossível que o Real Madrid reverta amanhã os 4-0 sofridos diante do Alcorcón? É uma oportunidade enorme, e relativamente fácil, de fazer algo que vai ser inevitavelmente descrito como “milagre”.

Além de Sergio Ramos, lesionado, e de Guti, que vai passar mais uma semana tentando aprender como se pronuncia “Timão” em vez de “Timáo”, Pellegrini também deixou de fora da lista Benzema, Xabi Alonso, Casillas, Metzelder e Drenthe.

***

Quem continua virando xodó nacional porque consegue manter mais uma vez o mesmo nível, apesar de contratar pouco, é o Sevilla: depois da vitória por 3 x 2 sobre o Villarreal, a notícia mais comemorada do dia foi a convocação feita por Vicente Del Bosque para os amistosos contra a Argentina (dia 14, Vicente Calderón) e a Áustria (dia 18, em Viena).

Alem de Álvaro Negredo, que havia estreado na última convocação, para os jogos contra Armênia e Bósnia-Herzegovina, agora os sevillistas têm mais um jogador de seleção: o baixinho Jesús Navas.

Agora que parece ter deixado de ser irregular e meio covardinho (e, se não deixou, Del Bosque tem que descobrir por sua própria conta), é um nome merecidíssimo.

A convocação inteira:

Goleiros:
Iker Casillas (Real Madrid)
José Manuel Reina (Liverpool)
Diego López (Villarreal).

Defensores:
Raúl Albiol (Real Madrid)
Joan Capdevila (Villarreal)
Alvaro Arbeloa (Real Madrid)
Andoni Iraola (Athletic)
Carlos Marchena (Valencia)
Gerard Piqué (Barcelona)
Carles Puyol (Barcelona)
Sergio Ramos (Real Madrid)

Meio-campistas:
Xabi Alonso (Real Madrid)
Sergio Busquets (Barcelona)
Cesc Fábregas (Arsenal)
Xavi Hernández (Barcelona)
Andrés Iniesta (Barcelona)

Atacantes:
Dani Güiza (Fenerbahce)
Pablo Hernández (Valencia)
Juan Manuel Mata (Valencia)
Jesús Navas (Sevilla)
David Silva (Valencia)
Alvaro Negredo (Sevilla)
David Villa (Valencia)

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
05/11/2009 - 15:05

Antidoto

Será que, finalmente, encontrou-se uma maneira de enfrentar o Barcelona?

Ou será que nós ouvimos isso há anos sobre qualquer grande time que, em algum momento – porque sempre acontece em alguns momentos – não consegue furar uma e outra retranca que aparecem pela frente?

Porque é claro que se defender sem pudor é uma opção que pode dar certo diante de um time tão bom de bola como o Barça, principalmente se o seu time tem as características para isso, como tem o Rubin Kazan: defesa forte, gente no meio-campo disciplinada e com fundamento, ataque rápido e perigoso. Mas também é claro que isso não funciona a longo prazo, nem em ocasiões seguidas. Poderia, aliás, nem ter funcionado nesses dois jogos em que a equipe de Guardiola ganhou um ponto só: tanto no Camp Nou quanto ontem os catalães perderam uma batelada de chances de marcar. Às vezes as chances vão ser todas desperdiçadas e pronto, paciência. Só que isso não muda nada com relação ao Barcelona ser o Barcelona e seu futebol de toque de bola ser seu futebol de toque de bola, com tudo de louvável (e as mesmas fragilidades, que não são muitas) que tem tido nos últimos tempos.

Destino
Kun Agüero, que não vem jogando bem a temporada toda, resolve fazer sua primeira grande partida justo contra o Chelsea, que há tempos mostra interesse em contratá-lo. A partida serve para decretar a eliminação do Atlético da Champions e dos euros que ela traz. Euros que o Atlético, um dos lanternas do Espanhol, também não deve ter ano que vem. Quando vai precisar, portanto… vender Kun Agüero.

Restam dois
Agora que Cristiano Ronaldo fica pelo menos mais um mês sem jogar e que está começando a deixar de ser tabu o fato de Raúl ser, sim, reserva, chegou a hora de Benzema e principalmente Kaká acharem o jeito certo de jogar pelo Real Madrid. Contra o Milan, já se viu um pouco disso.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
30/10/2009 - 10:03

Tempo e dinheiro

A cada nova temporada, após cada mercado de transferências, sempre chega um momento em que o Real Madrid trata de comprovar que existe uma coisa – normalmente imprescindível – que o dinheiro não compra para um time de futebol: tempo. O tempo, no caso, necessário para se formar efetivamente um time, não importa quanto talento esteja disponível.

É, essencialmente, o problema que enfrentam os técnicos das grandes seleções, que quase sempre precisam sobreviver a uma inevitável fase de jogo duvidoso antes de dar cara a uma equipe. Foi essa a maior virtude de Dunga ao longo desses vários períodos de alguns dias em que teve a Seleção na mão. O resultado disso discuta-se quanto quiser, mas o fato é que ele formou de fato um time – o que não é nada fácil.

O Real Madrid de Manuel Pellegrini ainda não é um time (como ainda não eram a essa mesma altura o de Fabio Capello ou o de Bernd Schuster) e, como não-time, está sujeito a um dia nulo como o da goleada sofrida para o Alcorcón – ainda mais nessa série mais perigosa do que parece de brigas contra bêbados que é a Copa do Rei.

Encontrões como este não têm nada de inéditos e não dizem muito contra Pellegrini. As questões agora são apenas de saber: a) se apesar disso ele sobrevive e b) se em mais algumas semanas consegue chamar o Madrid de seu time – coisa que, nos últimos anos, só quem realmente conseguiu fazer foi Fabio Capello.

Fogo amigo
O pior sinal para Manuel Pellegrini foi o tipo de pressão que recebeu no dia seguinte à derrota para um clube da terceira divisão: o Marca, diário de bordo do presidente Florentino Pérez, já estampou na capa um “fora!”, devidamente acompanhado de editorial explicando que Florentino fez sua parte ao trazer os jogadores e agora falta o técnico fazer a sua.

A fila anda
O assunto, portanto, já surgiu entre a imprensa madridista: quem deveria ser o novo técnico num caso hipotético e distante de que Pellegrini seja demitido? Correm os nomes de Rafa Benitez, Marco Van Basten e Michael Laudrup e também o boato de que o que Florentino gostaria mesmo era que o diretor Jorge Valdano assumisse o banco.

Coluna intrepidamente publicada no Jornal Placar de 30 de outubro.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
26/10/2009 - 20:25

De segunda

Se não fosse tão orgulhoso, ou tão dirigente de futebol, o diretor do Atlético de Madri Gil Marin teria simplesmente dito: “é, pois é, se era para jogar mal assim, melhor pegar os 90 milhões de euros e pelo menos ter a desculpa de que perdemos Kun e Forlán”.

Porque é justamente isso que Marin diz, com outras palavras, na entrevista que deu ao Marca ontem, quando assume: “Tentamos montar nossa equipe ao redor de nossas estrelas. O Chelsea ofereceu 50 milhões pelo Kun e o Real Madrid, 36 milhões por Forlán. Se os dois querem buscar um horizonte novo, o Atlético vai avaliar o caso.” Para depois concluir assumindo que “se for necessário corrigir alguma coisa no mercado de inverno, nós vamos fazê-lo.”

Salvo uma recuperação (que não é impossível) do Atlético sob o comando de Quique Sanchez Flores, o mercado de fim de ano, normalmente dado a um ou outro ajuste sem-graça, pode estar fadado a ter no mínimo um grande negócio.

***

A palavra “crise” começou a aparecer rabiscada nos cantinhos do quadros-negros em Madri e Barcelona depois das derrotas em casa no meio de semana e, então:

- O Real respondeu com um empate contra o Sporting Gijón, que só serviu para alimentar tudo o que já vinha sendo (justa ou injustamente) alimentado, sobretudo a suposta ‘Ronaldodependência’.

- O Barcelona respondeu com um 6 x 1 daqueles que o time da temporada passada adorava aplicar, que só serviu para atestar como Ibrahimovic aprendeu a jogar em catalão e como a queda de Messi tem bem mais a ver com Maradona do que com o próprio Messi.

Será essa a diferença entre um grande time e um conjunto de grandes jogadores que ainda precisa de um bocado de tempo e (ha!) paciência para se tornar um? O que cada um faz quando se vê obrigado a sair do modo automático?

***

Isso, claro, para não falarmos de dificuldades mais prosaicas como a de entender, finalmente, que diabos significa “horário de verão” – uma das resoluções de Guti para 2010.

É que ainda não foi este ano que o mais louro entre os segundos volantes louros do planeta acertou o que fazer com seu iPhone, se adiantar ou atrasar, ou esperar que a atualização fosse feita via satélite: todas versões alegadas por Guti para chegar DUAS HORAS atrasado no treino deste domingo (o que só faz tudo soar duplamente estúpido).

***

Como parecia, o Valencia veio para a temporada reforçado pelo fato de não ter perdido quase ninguém e, com isso, fazer com que uma base bastante razoável tivesse mais uma temporada inteira de entrosamento nas costas. O resultado é que o time é hoje aquilo que deveria ter sido também no ano passado: um rival do Sevilla na condição de perseguidor de Madrid e Barça.

O sucesso passa por uma linha de quatro homens na frente, que cada vez mais se consolida como sendo de Juan Mata, Pablo Hernández, David Silva e David Villa – com Joaquin e Vicente (quando não internado) no banco de reservas.  Os quatro – e principalmente Pablo Hernández, que era o que ainda mais tinha o que provar – caminham seguros para irem à Copa do Mundo.

***

Hernández, aliás, fez o gol da rodada nos 3 x 0 sobre o Almería; um gol que ele admitiu ter sido inspirado noutro anotado por David Villa em 2006, contra o Deportivo. Aqui o golaço de Hernández:

E aqui o de Villa, de mais longe ainda:

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
15/09/2009 - 11:04

Too late

Esta já é manjada do nobre, diminuto e  público deste Capotón: o pessoal marca os congressos de astrogeologia para os finais de semana anteriores à Champions, a gente retorna na segunda-feira assim, meio sem saber o porquê desta vida, e acaba esperando para emendar com a terça-feira europeia – que, afinal, é o que dá dinheiro e importa.

Ainda bem que o discurso no geral é fácil, principalmente para aquilo que é a única razão de interesse da maioria: Real Madrid e Barça. Esses, bom, venceram com sobras jogos que, numa temporada em que não são tão superiores ao resto, seriam jogos complicados – fora de casa contra Espanyol e Getafe, respectivamente.

Granero_EFEPelo Real, o mais notável até aqui parece ser quanta importância ganha um ser a princípio estranho à constelação: o meia Granero, que não só é coadjuvante como é formado nas categorias de base do clube (embora, claro, o time tenha tratado de deixá-lo ir embora de graça e tenha necessitado recontratá-lo). O que acontece é que, com a saída de Sneijder, Granero é o único meio-campista que não é nem defensivo demais (como Diarra II, por mais que invente de atacar, Gago e Diarra), nem um passador com pouca velocidade para levar a bola de uma intermediária à outra (como Xabi Alonso e Guti).

O Barça, por seu lado, já contou com um gol de Ibrahimovic – o que é bom para ir colocando as coisas no devido lugar e amansar a pressão por espetáculos – e com Messi sendo ele mesmo. O que, claro, diz muito mais a respeito da seleção argentina do que do próprio Messi. Ninguém precisa de olho muito clínico para entender por que Lio não repete as atuações sob o comando (sic) de Maradona. Com tudo isso, já tem gente, e não gente qualquer, mas o ex-treinador e atual oráculo confucista Johann Cruyff, dizendo que “o Barcelona desta temporada ainda não me convenceu. O da temporada anterior eu sacava melhor”. Maradona fazendo bobagens, Cruyff falando outras… Será que é melhor começar a dar espaço aos ex-grossos?

***

A boa notícia é que, se Barça e Madrid sobraram, pelo menos dois dos maiores concorrentes também o fizeram: o Sevilla e o Valencia. Os sevillistas tiveram Luís Fabiano cada dia colocando um ponto de exclamação a mais na frase “E nenhum gigante europeu quis comprá-lo!!!!!!!!”, mas isso já não deveria ser novidade. O bom foi ver o time jogando muito nos 4 x 1 contra o Zaragoza sem a presença de Kanouté, lesionado e substituído por Negredo, e com a surpreendente atuação do argentino Diego Perotti, de 20 anos: contratado aos 17 pelos sevillistas, ele jogava no time B até a temporada passada. Saiu como titular no lugar de Diego Capel, marcou o terceiro gol e foi um dos melhores do time.

Pelo Valencia,  pode até ser que as boas notícias sejam as mesmas já faz um tempo: vitória graças ao bom desempenho de Silva, Mata e principalmente David Villa. Mas pelo menos eles continuam todos lá e ainda com um ano a mais de entrosamento: já é razão para se comemorar. Os 4 x 2 sobre o Valladolid foram de dar esperança, sobretudo porque Banega conseguiu passar outra vez – já são duas, lembramos – 90 minutos dentro de campo sem acender um cigarro ou tirar a roupa e dançar a música nova dos Black Eyed Peas. A seguir assim, poderemos estar diante do autêntico meio-campista que faltava para o ataque valencianista ser tudo o que pode.

***

Só para não passar mais de uma semana sem falar do tema: Diego Forlán – que, aliás, foi poupado durante o empate em casa contra o Racing – contou esses dias um detalhe sensacional sobre sua passagem pelo Manchester United, entre 2002 e 2004. Conta o uruguaio que o bem-estar no clube terminou de vez num dia chuvoso em que Sir Alex Ferguson pediu aos jogadores que usassem chuteiras de travas altas. Forlán disse “ã-hã”, mas não se sentia cômodo jogando com elas: no vestiário, colocou as de travas baixas e partiu para o jogo contra o Chelsea. Até que, num cruzamento para a área, bola limpa à sua frente. “Escorreguei pertinho do gol e perdi a chance”, lembra Forlán. “Não dá para enganar o Ferguson. Ele pegou minhas chuteiras e jogou longe. Foi meu último jogo pelo United.”

***

Finalmente chegou o principal reforço do Xerez para a temporada: o chileno Fabian Orellana, de 23 anos, que jogava no Audax Italiano, mas cujo passe pertence à Udinese. O que o pessoal não entendeu foi se ficava feliz ou desesperado quando descobriu que o apelido do cara é “o Robinho branco”.

***

Que venha, então, a Champions e depois a gente fala mais!

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
31/08/2009 - 20:21

¿Ventana o pasillo?

O último dia de janela, no fim das contas, teve mais de filme de Alfred Hitchcock do que de John Woo: ficamos todos envolvidos no climão gerado por aqueles planos incertos e instrumentos de corda berrando no fundo, sempre achando que algo arrebatador está prestes a acontecer… e pouca coisa de fato acontece.

Mas é o bastante para manter todo mundo ocupado e – aqui sim chego no ponto auto-indulgente que me interessa – incapaz de ir muito além de um punhado de random thoughts, como diz Jack Nicholson em “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” (até hoje vice-líder histórico do Ranking Poderoso Chefão de Piores Traduções de Títulos de Filme).

Pois:

***

Que decepção ver que as conclusões a que o mundo chega sobre o Real Madrid são: o ataque é capaz de grandes coisas, mas a defesa ainda preocupa. Dãh. Isso a gente já sabia no momento em que o dilema se mostrou ser onde escalar tanto atacante.

Cadê o show? O drama? O desastre? Parece que o Santiago Bernabéu esperava um jogo daquele; um time daquele de ontem: predisposto tanto a goleadas vitorianas quanto a ser surpreendido até por quem quase não tem poder de fogo para surpreender.

E isso por quê? Para mim, porque Xabi Alonso tem que ser o volante que pensa da dupla. Porque Diarra II não é nem jogador de qualidade de verdade, nem marcador implacável de verdade (como acho que tem que ser o companheiro de Xabi por ali). E, sim, eu critico Diarra II até no dia em que ele faz gol da vitória.

***

O Barça, por sua vez, não fez nada demais: estreou com vitória, como se esperava, jogando com tranqüilidade, como se esperava, e enquanto fazia isso poupou Leo Messi (em retiro motivacional para tentar arrasar o Brasil em sua cidade natal) e viu Ibrahimovic romper, discreta mas providencialmente, seu cinto de castidade.

***

Perder por 2-0 para o Valencia na estreia até que tudo bem. O que o Sevilla não contava era com já estar desfalcado de Kanouté – expulso ontem – e já escutar justamente de seu provável substituto, o marfinense Arouna Koné, uma declaração como essa, com mais cara de 36ª rodada e paciência no limite do que primeiro fim de semana da temporada:

“Todo mundo sabe que o Sevilla tem muitos atacantes. Perdemos o jogo porque não atacamos e o Valencia foi muito agressivo. (…) Estava no sistema do nosso técnico. Ele disse para que, quando o Valencia tivesse a bola, todos nós fôssemos um pouco para atrás, para só então atacar. É o sistema dele. É o sistema do treinador”, falou ele na entrevista coletiva depois do jogo, para desespero do ocioso comitê anticrise.

***

Já os valencianistas assistiram a algo que pensavam ser absolutamente impossível: Ever Banega a fim de jogo e sendo o melhor do time em campo. Assumindo que o que durou um jogo possa durar alguns meses, o argentino pode ser o grande reforço do Valencia – que até agora mais comemorou não ter perdido muito na janela de transferências do que ter ganho alguma coisa.

***

E a certeza de que aquilo que dizíamos a respeito da saída de Arjen Robben tem pelo menos um pouco de fundamento veio com a manchete do Marca, o panfleto oficial de Florentino Pérez, na sexta-feira pós-venda para o Bayern de Munique: “Robben: Ele foi bem vendido”.

Como bem sabem nossos camaradas infiltrados na Christie’s de Londres: se o negócio é tão bom assim, ninguém precisa ficar anunciando quão bom ele foi. Principalmente quando se trata de vender um sujeito que interessava ao técnico do time e que, dois anos antes, foi comprado por 11 milhões de euros a mais.

(“Ah, mas isso é culpa do Calderón, que pagou demais por um jogador com fama de frágil”, explica o Marca naquilo que está se tornando sua especialidade: editoriais tão jornalisticamente constrangedores quanto a falácia Belchior sumiu/Belchior apareceu/Viva o Fantástico que achou Belchior)

***

Depois de devidamente chateado por não ter conseguido gerar interesse em Pep Guardiola – que não só pediu a contratação de Chrygrsnkiywyky como ainda deixou claro preferir seus canteranos -, agora Henrique tem que estar contente com seu destino: o Racing Santander é o tipo de lugar em que, se for bem, vai chamar a atenção. De repente, até de Guardiola. Ao lado dele, um garoto tão promissor quanto e também precisando mostrar que realmente é aquilo que dizem: Marc Torrejón. Este Capotón aposta numa dupla interessante.

***

O Mallorca que não pense que me engana, porque não engana, não.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
28/08/2009 - 11:52

El Estado soy yo

Seja pela transcendência na vida de tanta gente, pelo volume de dinheiro que movimenta ou por sua importância política, um clube como o Real Madrid se assemelha muito ao poder estatal. E isso, para quem tem alguma dúvida, se trata de um insulto.

Porque a primeira coisa que faz um clube assim se parecer com órgãos de poder público é sua tendência inequívoca a repetir os vícios que existem nesses desde Amenófis IV. Um exemplo claro: a noção perversa de que tudo – o patrimônio, os processos, a informação – pertence ao grupo que está no poder naquele momento e não ao clube, ou ao Estado, como instituição que vai atravessar o tempo daquele mandato.

Não acho que seja preciso ir muito longe numa análise do elenco do Real Madrid para constatar que Wesley Sneijder e principalmente Arjen Robben poderiam ser úteis para Manuel Pellegrini. De qualquer forma, não é só minha opinião. Sneijder foi claro ao comentar sua saída para a Inter de Milão: “Acontece algo muito estranho. O técnico conta comigo, mas tem gente dentro do clube que não.”

Constatamos então que Sneijder, como Robben, não é jogador do Real Madrid, mas do ex-presidente Ramón Calderón. Não interessa se eles podem ajudar o Real de hoje, de Florentino Pérez. Interessa mostrar – a quem quer que seja preciso mostrar – que o ciclo agora é outro. Deixar claro que quem manda nisso aqui sou eu.

Abaixo as vogais
Para quem se orgulhava de sua política austera e responsável de contratações será que não é demais pagar 25 milhões de euros pelo ucraniano Chygrynskiy? Ou eu é que nunca reparei o suficiente no zagueiro do Shakhtar Donetsk?

G2
Cada vez os discursos de times como Atlético de Madri e Sevilla são mais explícitos: todo mundo entra para disputar o 3º lugar, atrás de Barcelona e Real Madrid. Não será cedo demais? Não será melhor esperar para ver quanto o Real funciona mesmo? Ou será estratégia de motivação?

Coluna procliticamente publicada no Jornal Placar de 28 de agosto de 2009.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , ,
20/08/2009 - 14:46

Incenso e conto de fadas

É difícil manter a coerência, a frieza e os valores diante do quanto o planeta fala a respeito do Barcelona e principalmente do Real Madrid. Então, ou você se dedica a estudar o tema a fundo, para separar devidamente os fatos do oba-oba-oba (dois “oba” é pouco), ou se contenta em receber o de sempre – os grandes jornais e a Agencia EFE – e aposta no seu próprio bom senso para não se surpreender dizendo que “este Real mostrou ao Borussia Dortmund que não veio para brincar”.

Isso que, fora da Espanha, o bombardeio ainda é consideravelmente limitado. Nessas horas é que eu agradeço por estar aqui – observando, inalando e escutando a Avenida Santo Amaro -, e não no verão barcelonês,com luz do sol até as 21h30 e cerveja Estrella Damm a partir das 17h. Em todas as outras horas eu morro por causa disso.

Mas, enfim, o fato é que a dimensão que parece tomar, ou que certamente vai tomar tudo o que acontecer com Real e Barça durante os próximos meses me assusta. Não é que eu não goste de ver estrelas no campo, ou que tenha mania indie de só valorizar algo até que se torne popular, ou que não admita que o futebol precisa de um tanto de oba-oba-oba. Só que eu gosto mesmo do futebol. Gosto dos enredos que ele cria e descria, feito um contista esquizofrênico, genial e gago. Os bons enredos, os contos que são uma bofetada na bochecha, acontecem quando existe algo em jogo; algo que não pode ser previsto, nem endeusado – só depois que realmente acontece.

E eu detesto quando fazem com que eu, ou pelo menos que o resto do mundo, perca seu tempo com esses contos que, por inércia rotativa, todos começam a jurar que são arrebatadores, mas que, analisados com um pouquinho da coerência, da frieza e dos valores lá do primeiro parágrafo, não têm nada de esquizofrênicos, gagos e muito menos geniais.

Você pode formar dezenas de frases aparentemente sensatas sobre aquilo que significam a goleada do Real Madrid sobre o Borussia Dortmund ou a derrota do Barça para o Manchester City. Pode falar sobre quanto Kaká começa a achar seu lugar, quanto Cristiano Ronaldo ainda não brilha, quanto a estreia de Ibrahimovic deixou a desejar. Mas nada disso aconteceu de verdade – embora o mais duro seja que, de tanto ser faladas, essas coisas começam a acontecer mais do que as que realmente aconteceram.

Ontem, por exemplo, a única coisa que aconteceu mesmo foi na Grécia. Só que, como o Atlético de Madri não passa desse híbrido de Portuguesa e Estação Primeira de Mangueira, e, principalmente, como Kun Agüero e Diego Forlán não são produto de nenhum negócio feito neste verão, não temos muito o que dizer sobre Atlético 3 x 2 Panathinaikos. Na primeira vez que Kaká, Ronaldo ou Ibrahimovic tiverem uma atuação como a que Forlán teve ontem – num jogo enormemente decisivo até para as finanças do clube nesta temporada -, esperem um cataclismo. Até lá, quem estiver atento que aplauda o jogador mais ambidestro (“anfíbio”, como diz a Baronesa) do futebol mundial.

Porque o Atlético pode até ser só o Atlético, mas, por outro lado é bom não esquecer que Forlán é Forlán.

(Foto: Reuters)

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
18/08/2009 - 13:09

Qual Real?


(Foto: EFE)

Como convém à lógica aristotélica que nos rege, optamos deliberadamente por esperar que a temporada pelo menos comece antes de chegar a conclusões. O máximo que essas primeiras semanas nos permitem são palpites, e este Capotón tem ou vaidade, ou bom senso demais para arriscar e acabar dizendo o tipo de barbaridade que normalmente escuta indignado neste purgatório de julho/agosto.

Por isso, que fique claro que não pretendemos levar em conta o jogo de sábado contra a Real Sociedad, por exemplo, para constatar isso ou aquilo a respeito do Real Madrid. O máximo que a vitória por 2 x 0 dá são alguns pequenos subsídios para supormos que:

- Existem chances de uma linha de frente com quatro jogadores talentosos funcionar bem. Mas, entram as perguntas: quais quatro e jogando como? Kaká e Cristiano Ronaldo são certezas, claro. Kaká jogando como ponta-de-lança e o português aberto por uma das pontas? Ou os dois com liberdade para se mexerem como bem entenderem? Depende de quem forem os companheiros.

Eu até hoje não me convenci por Karim Benzema: nem em todo o seu tempo com o Lyon, nem na pré-temporada do Real. Benzema se mexe na área como quem pede “com licença”; parece ser cordial demais, talvez francês demais. Pode ser que isso vá embora com o passar do tempo e ele se torne justamente o artilheiro que uma formação ofensiva dessas precisa, mas eu ainda duvido. Como também duvido, infelizmente, que Van Nistelrooy conseguirá voltar ao nível que tinha quando se lesionou seriamente pela vigésima vez. Higuaín marcou 22 gols na temporada passada, mas será que é mesmo o sujeito que você quer como seu homem dentro da área depois de ter gastado 250 milhões de euros para reforçar o ataque? O que nos leva, finalmente, a Raúl – e à terna possibilidade de se desembolsar mais 250 milhões de euros para comprar a máquina do tempo que o faça voltar dez anos na carreira.

Considerando isso tudo, se hoje me mandassem escalar o ataque – eu, que não acompanho os treinamentos e, portanto, não passo de um palpiteiro oportunista -, eu juntava Kaká se aproximando com a bola dominada mais Cristiano Ronaldo aberto de um lado, Arjen Robben do outro e, fazer o quê?, Karim Benzema. Isso até que Robben se machuque de novo e dê lugar a Higuaín, para facilitar as coisas. E em todo jogo que o time estiver ganhando por dois gols, Raúl entra em campo aos 25 do 2º e é substituído aos 44, quando recebe um ramo de flores e uma salva de tiros de canhão.

- Para o quarteto funcionar, vai ser preciso um meio-campo com alguém que faça a bola chegar até o campo de ataque, principalmente até Kaká. Esse é alguém é Xabi Alonso, com Granero (apesar de ser outro estilo de jogador, que segura mais a bola e normalmente joga mais aberto e adiantado) como uma segunda opção útil e Guti como um excelente maquiador e cabeleireiro para ambos. Ao lado deles, um volante marcador, que pode ser Diarra, Gago ou Diarra II (para mim, nessa ordem).

- E enfim chegamos à defesa e a uma sensação que tenho de que Manuel Pellegrini vai acabar tendo que segurar um pouquinho seus laterais para fazer a equipe funcionar de um jeito que todas vedetes do ataque estejam em campo. Do lado direito, Arbeloa, salmantino que é, não se importa de passar o jogo todo atrás da linha do meio-campo – diferente de Sergio Ramos. Mas, até aí, eu prefiro Sergio Ramos jogando de zagueiro central (provavelmente ao lado de Albiol, já que Garay parece que ainda não convenceu o pessoal no Santiago Bernabéu e Metzelder passa o treinamento todo brincando de lutinha com Jerzy Dudek). Outra opção seria Arbeloa no banco, com Sergio Ramos na lateral-direita e uma zaga Albiol-Pepe (lenta demais, não?). Do lado esquerdo, a vaga é de Marcelo – se ele deixar a semelhança com Robinho apenas na aparência e resolver que ainda precisa provar que é alguma coisa, além de jovem e rico. O problema vai ser segurar seu ímpeto de passar o jogo todo atacando. Mas, considerando que seu concorrente é Royston Drenthe, movido eternamente pela inércia, a coisa não deve ser muito complicada. Ou, para realmente trancar o portão e deixar o ataque jogar, Arbeloa ainda pode virar lateral-esquerdo, com Sergio Ramos na direita. Isso para não falar na possibilidade de jogarem três zagueiros (como Pellegrini fez outro dia, com Pepe quase como primeiro volante; como um Mauro Silva da Copa de 1994).

Com o que chegamos à escalação que chutamos ser a ideal hoje: Casillas, Arbeloa, Sergio Ramos, Albiol e Marcelo; Diarra, Xabi Alonso e Kaká; Cristiano Ronaldo, Benzema e Robben.

Você também acha?

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
04/08/2009 - 16:24

30 a mais, 30 a menos

Que dia para o Real Madrid! Uma boa notícia e uma ótima de uma vez só. Respectivamente: que Xabi Alonso finalmente foi contratado junto ao Liverpool por 30 milhões de euros (não que o valor importe) e que Michel Salgado teve seu contrato rescindido!

O que nos leva a duas breves e centrais questões: a primeira, esperada e já dita por aqui, é que Xabi Alonso é o reforço que mais faz sentido até aqui. Porque o que faltava ao Real Madrid era um volante que soubesse correr e manter a lucidez ao mesmo tempo, coisa que só conseguia em ocasiões esparsas com Gago, Diarra e Diarra II.

Xabi Alonso, insisto, não é dos meus preferidos; jamais foi. É um sujeito que passa bem a bola e chuta bem para o gol, mas não muito mais do que isso: não é tremendamente veloz, não é especialmente bom marcador, não tem habilidade digna de nota. Mas, dentro da maneira como este Real Madrid se forma, com um exagero de gente talentosa do meio-campo para frente e um punhadinho de ajudantes de marcenaria atrás, alguém com essa característica, esse bom passe, era fundamental. Além do mais, trata-se de mais um espanhol para apaziguar a fúria de quem acha que o time é um mercado de pulgas.

A segunda questão, talvez mais transcendente ainda, tem a ver com dinheiro. Porque o Real Madrid desembolsar 30 milhões de euros por Xabi Alonso pode não surpreender nem chocar ninguém, há razões para isso. O que eu queria saber – só para ter a agradabilíssima sensação de ser chocado – é quanto Michel Salgado leva para casa em FGTS, férias vencidas, rescisão de contrato, 40% de multa e bônus de serviços prestados depois de dez anos no Real Madrid. O Michel Salgado. Os absurdos às vezes estão mais aí, no guichê de recursos humanos, do que na capa dos jornais.

***

Por mais que tenha passado dez anos no Real Madrid, na minha memória por assim dizer afetiva, Michel Salgado será para sempre o cara que fez isso:

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Se algum dia chegou a passar por sua cabeça a possibilidade de NÃO torcer pelo Getafe, chegou finalmente o momento de afastar essa ideia besta. Dá uma olhada só:

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
29/07/2009 - 12:34

Pedalar é preciso?

Cristiano Ronaldo (d) escapa da marcação de Michel Salgado em treino do Real

Da mesma forma que significa muito pouco quando o time não joga bem em partidas de pré-temporada, também não dá para achar que existe algo de autenticamente relevante ou revelador numa vitória por 4 x 2 sobre a LDU como a que o Real Madrid conseguiu ontem.

Claro que se trata de um adversário que não é exatamente um vira-lata esfarrapado – e que jogou com legítima gana de ganhar as manchetes dos jornais com uma surpresa -, mas para o futuro da equipe ainda não significa quase nada, e preferimos não perder tempo analisando que “falta companhia a Ronaldo e Benzema” ou que “a defesa é frágil”, principalmente quando ainda faltam se incorporar Kaká, Sergio Ramos, Albiol e, agora, Arbeloa e enquanto a janela de transferências e o cofre de Florentino Pérez continuam ambos escancarados.

Além de ter evitado uma pressão que, por estúpida que fosse, já começaria a circular o Santiago Bernabéu, a apresentação de ontem serviu para que, pela primeira vez, Cristiano Ronaldo fosse ele mesmo, driblando para a frente e criando jogadas de perigo em vez de flutuando no radar da intermediária. Por alguns instantes, tive receio (talvez no fundo ainda tenha) de que o português estivesse caminhando lentamente (talvez esteja mesmo) rumo àquele temível estágio Ronaldinho Gaúcho da carreira, em que se torna mais um espectador do próprio talento do que executor do mesmo.

Tive (tenho?) a impressão de que em breve Cristiano Ronaldo pedalaria (pedalará?) da mesma forma que nos últimos três anos Ronaldinho olha para um lado e toca para o outro: como quem carimba um ofício ou deposita um cheque. Me provoca destemperança ver Cristiano Ronaldo pedalando no aquecimento ou antes de levar a bola para o meio do campo e tocá-la para trás. Fico com a impressão de que ele pedala no banho, no corredor, no shopping center, para desviar de topar com o dedão na lata de lixo ou trombar com as sacolas de compras de alguma senhora. Espero que não e que eu tenha exagerado muitíssimo em chegar até aqui, mas tenho medo de que dentro de algum tempo o que era um recurso e marca registrada fique – como o no-look pass de Ronaldinho – parecendo um tique nervoso.

***

Nasceu enfim nossa fronteira a oeste. O que significa que nossa Coroa foi desunificada e já não reinamos soberanos na Península Ibérica e suas adoráveis colônias tropicais. Chega a hora de fazer a partilha como corresponde, traçando uma deliciosa e irrepreensível linha vertical 20 mil léguas submarinas a leste de arquipélago a definir (e para isso vamos finalmente ter que descobrir quanto vale uma légua).

Que seja bem-vindo nosso novo tripulante – e partir de agora eu prometo fielmente não fazer mais nenhuma alusão náutica – Bruno Soraggi, timoneiro responsável pelo Bola à Vista, que fará com o futebol português aquilo que este Capotón finge fazer com o espanhol.

É lá, aliás, que você tem a confirmação de que Keirrison vai mesmo para o Benfica, onde terá a inestimável oportunidade de assistir à série de palestras “Como ser um centroavante franzino e promissor que começa no Barcelona e se perde para o resto da carreira”, ministrada com maestria e sotaque portenho por Javier Saviola.

Que tudo vá de vento em popa muito bem, meu caro. Qualquer dia desses cruza a fronteira e passa por aqui. Traz pastel de Belém?

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , ,
27/07/2009 - 15:07

Incidente diplomático

Nesses países onde o certo e o errado são escritos em tinta preta no fundo branco, é preciso levar a sério quando algo faz um sujeito perder a compostura. Não falemos nem tanto da Alemanha, para não entrar no ramo quebradiço e adorável da sociologia pátria, mas do sujeito e sua compostura perdida. O sujeito mais composto de que se tem notícia desde Sean Connery: Franz Beckenbauer.

Não é qualquer apunhaladinha de raspão pelas costas que faz Beckenbauer falar grosso diante de um microfone. A condição de jogador, técnico e dirigente de muito sucesso deu a Beckenbauer o direito de falar em público o que bem entende (e de ser escutado). E, no entanto, o dirigente e (principalmente) oráculo do Bayern de Munique foi inteligente o suficiente para perceber que quanto mais guardasse suas palavras, mais importância elas ganhariam. O Kaiser só se manifesta quando a situação realmente demanda. Quando fala, então, revela mais sobre a situação do que sobre ele próprio.

É assim que sabemos, portanto, que a situação entre o francês Franck Ribéry e o Bayern de Munique – com o Real Madrid como evidente e habitual pivô – é mais séria do que supunha nossa vã curiosidade. Beckenbauer simplesmente criticar o Real ou o próprio Ribéry seria até certo ponto esperado. Significa muito é a maneira despudorada como o alemão o fez – apelando até, vejam só, para o ramo quebradiço e adorável da sociologia pátria:

“Ribéry está mostrando que o Bayern de Munique não lhe interessa nem um pouco. Assinou com o Bayern apenas para ficar famoso internacionalmente. Ele é francês e o Bayern não importa para ele”, foi o que disse Franz Beckenbauer, com um ódio que certamente é tão destinado a Ribéry quanto ao Real Madrid que o Bayern de Munique já ameaçou denunciar à FIFA por seu acosso ao meia-atacante.
O mais significativo disso tudo é o aumento na lista de próceres que se dedicam a demonizar o novo Real galáctico como maior destruidor de lares do planeta futebol. Com isso, cada vez o patamar de vitórias e de futebol bonito fica mais alto para o ‘Floren Team’ – como os cabritinhos da mídia de Madri já trataram de batizar o novo esquadrão da moda. Para fazer a opinião pública não-madridista esquecer o quanto a montagem deste time representa de irresponsabilidade capitalista e falta de escrúpulos, será preciso que os resultados sejam mais entorpecentes do que o ópio do povo foi até hoje no Santiago Bernabéu. E não vai ser a chegada de Ribéry que vai garantir isso.

***

O Bayern de Munique pessoa jurídica, que é quem é dono do contrato de Ribéry, já se apurou em se dizer surpreso com as palavras de Beckenbauer. Garante que o francês, apesar de francês, sempre foi gente fina pra caramba e que leva o Bayern super a sério. Tanto que vai cumprir seu contrato até 2011 normalmente em vez de ser vendido ao Real Madrid ou, pior, a algum outro clube, só de raiva.

***

Por mais que as emissoras de televisão que transmitem os torneios de pré-temporada insistam em fazer crer o contrário, esses jogos não servem para quase nada. Não “ficou claro que o Chelsea tem equipe melhor que Milan e Inter”, como dizia alguém no Sportv ontem de noite no derbi milanês, como também não dá para achar que falta ou sobra isso ou aquilo para o Real Madrid porque não jogou nada e empatou com o Al Ittihad.

Não é, portanto, com base na partida de ontem que digo isso, mas com uma olhadela no elenco que até agora tem o Real Madrid: muito mais do que Ribéry, o time ficaria mais perto de ser tão mágico quanto promete com a chegada de alguém como Xabi Alonso. Que não é exatamente um dos preferidos deste Capotón, mas que é exatamente o tipo de jogador que aparentemente falta ao time titular de Pellegrini. Enquanto Gago e Diarra II forem a dupla de volantes, o Real Madrid pode esquecer de ver a bola chegar constantemente redonda para Kaká, Cristiano Ronaldo, Benzema, Raúl, Higuaín, Robben ou quem mais for escalado do meio para frente.

Wesley Sneijder teoricamente poderia ser o sujeito que sabe passar a bola e fazê-la cruzar esse trecho fundamental do campo, mas a esta altura já quase desisti de vê-lo ser esse jogador – pelo menos não no Real. Falta um meia defensivo que saiba passar bem a bola, e Xabi Alonso encaixa direitinho na descrição.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , ,
16/07/2009 - 15:38

Free Villa?

Quem viu o mau humor de David Villa – que já não é exatamente sorridente por natureza – durante a Copa das Confederações imagina a chatice que tem sido para ele conviver com os boatos e a indecisão sobre seu futuro. Mas imagina também que não é apenas isso, indecisão, que irrita tanto o melhor centroavante (e, veja bem antes de xingar, eu falei “centroavante”) do mundo.

O verdadeiro problema hoje já é público e notório: Villa está louco para sair, seja para o Real Madrid (que a esta altura já desistiu), para a Premier League ou para o Barcelona, o candidato que parece estar mais vivo neste momento. E, enquanto isso, o novo presidente do Valencia, Manuel Llorente, insiste em dizer que o Guaje é parte dos planos de recuperação do clube e, por isso, inegociável. O que na verdade é uma maneira de dizer que ele é negociável sim, como todos nossos pudores e almas, mas por mais dinheiro do que se tem oferecido. Diz-se que Llorente quer chegar em algum valor entre 50 e 55 milhões de euros.

O interessante aqui é que a imprensa espanhola – e por “espanhola” entenda-se madrilena e catalã – adotou sem pestanejar a postura de que Villa é vitíma do sistema e que sua carreira está ameaçada pela postura intempestiva do dirigente. O que, do alto do nossos anos de militância comunista, soa lindíssimo. Mas, só para ter certeza: o contrato até 2014, se não me engano, foi assinado pelos dois lados, sem arma na cabeça envolvida, certo?

Trabalhismo de ocasião
A imprensa de Madri já desistiu do caso trabalhista Villa e agora prefere especular sobre “o novo caso Villa”: a vítima da circunstância agora seria o francês Franck Ribéry, cuja liberdade de exercer a profissão onde bem entenda (como se alguém no mundo, profissionalmente, fizesse o que bem entendesse) estaria sendo tolhida pelo Bayern de Munique.

Mal na foto
Enquanto isso, o brasileiro Filipe Luis, que jogou uma temporada bastante correta pelo Deportivo La Coruña, se recusa a posar para a foto oficial do clube, esperançoso que está com a sua (ainda) possível ida para o Barcelona. Agora, enquanto ainda existe contrato entre as duas partes, será que isso não é insurgência, chantagem, antiprofissionalismo?

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
10/06/2009 - 11:07

Quartas-de-favoritismo

Suponhamos que a Espanha supere Iraque, Nova Zelândia e África do Sul (dãh) e termine em primeiro lugar de seu grupo na Copa das Confederações. Em seguida, o time passa por Itália na semifinal e Brasil na final, ou vice-versa, e conquista o título. A Fúria, então, chegaria à Copa de 2010 como campeã europeia, campeã da Copa das Confederações e possivelmente ainda defendendo a maior série invicta de jogos oficiais na história. Chegaria, inevitavelmente, como favorita: tão ou mais favorita do que o Brasil chegou à Copa de 2006.

“Ah, favorita nada! A Espanha sempre chega na Copa e para no meio do caminho”, argumentarão nossos amigos mais deterministas. Pois está justamente aí o porquê de a Espanha-2010 ter mais chances de se dar bem do que o Brasil-2006. Os espanhóis têm retrospecto positivo o bastante para chegar ao Mundial cheios de moral, mas também tem um passado duvidoso o bastante para que qualquer passagem de fase seja comemorada. Se a equipe retomar a sina de cair nas quartas-de-final, haverá lamentação e algo de derrotismo, mas no fim das contas o país se lembrará com carinho do timaço que encantou o mundo, ganhou quase tudo, mas não conseguiu o titulo mundial.

Com o Brasil, não: graças aos nossos fantasmas de videotape sépia e àquele maldito punhado de estrelinhas em cima do escudo, chegar à final e perder – como na França em 1998 – é fracasso. Até ganhar sem brilho, como em 1994, é quase um fracasso. Se a Furia chegar a 2010 com a reputação que tem hoje, vai ser, sim, a favoritíssima. Mas na medida certa.

Globetrotters
Não é exclusividade do Brasil privilegiar o cofre em detrimento da melhor preparação possível: ou alguém acha que a seleção espanhol viajar 4500km até Baku para jogar com o Azerbaijão dias antes de ir à África do Sul não tem nada a ver com os 750 mil euros de cachê?

Star system
Milhões de euros à parte, é uma boa para Kaká jogar no Real Madrid? A resposta é óbvia: depende. Depende de quanto talento houver a seu lado – nem de menos, como o elenco desta temporada, nem demais, a ponto de voltar a transformar o vestiário em camarim.

Coluna publicada no Jornal Placar de 10 de junho.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
20/05/2009 - 13:21

Fim do fim de festa

Não foi nada surpreendente ver o Barcelona assegurar o título no fim de semana graças a uma derrota do Real Madrid. Já estava assumido e oficializado que a temporada havia chegado ao fim com os históricos 6 x 2 do Santiago Bernabéu. Foi lá que o Barça de ameaçado se tornou campeão; que Juande Ramos de gênio invicto se tornou um cretino sofredor de goleadas; que Florentino Pérez de adorado futuro presidente se tornou adorado e aguardadíssimo futuro presidente.

Como ser campeão nesta temporada já tinha sido algo descartado e a vaga na Liga dos Campeões da UEFA do ano que vem já está garantida há tempos, ninguém vestido de branco consegue encontrar uma razão para se dedicar neste fim de festa. Principalmente porque não se sabe o que acontecerá no ano que vem: com técnico novo, presidente novo, cofre cheio novo, ninguém consegue sequer se dar o trabalho de provar o seu valor para mostrar que pode permanecer na temporada que vem. A temporada que vem não existe; existe o clube que vem.

Já passou da hora das coxinhas frias e de Natalie Cole e Nat King Cole cantando Unforgettable para a pista semi-vazia. As luzes estão acesas; as cadeiras, viradas, e o Real Madrid está parado na porta, morrendo de frio, esperando o táxi chegar. A festa já acabou e, pior, ainda falta esperar duas rodadas. Justinho o cenário que Florentino Pérez queria para apresentar suas promessas de fartura e diversão.

Gafe Real

Quem assistiu à final da Copa do Rei pôde ver que a TVE, emissora estatal espanhola que gerou as imagens da partida, não leva jeito para futebol: foi um festival de cortes de cabeça, replays atrasados e câmeras mal posicionadas. Mas o pior foi antes do jogo: a TVE errou a contagem para entrar no ar e acabou não veiculando a execução do hino espanhol. Isso bem num jogo entre uma equipe catalã e uma basca, sob o nariz do Rei Juan Carlos II. Resultado: o diretor de esportes, Julián Reyes, foi demitido.

Gafe Divina

Tanto quanto sua condição de grande jogador, Sergio ‘Kun” Agüero está consolidando nesta temporada uma alardeada imagem de trapaceiro. O lance do pênalti que deu a vitória por 1 x 0 ao Atlético de Madri no importantíssimo duelo contra o Valencia nasceu de um notável mergulho do argentino na frente do goleiro Cesar. Depois do jogo, ele próprio admitiu que não foi nada. Para quem já marcou dois gols de mão, é genro do mano de Diós himself e leva a vida perseguido por quartos-zagueiros moralistas, trata-se de fama perigosa.

Coluna publicada no Jornal Placar de 20 de maio.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
18/05/2009 - 13:56

I can’t get no satisfaction

Quer dizer que, da mesma forma que um gol do Villarreal no último minuto atrasou o título espanhol do Barcelona, outro gol do Villarreal no último minuto o antecipou. Para desespero do sindicato de limpadores de rua de Barcelona, a madrugada do sábado já foi a quarta comemoração na rambla de Canaletes em menos de um mês – uma pelos 6-2 no Santiago Bernabéu, uma por chegar à final da Champions, outra pelo titulo da Copa do Rei e agora o Espanhol.

Faz bem para a equipe, claro: jogar o mínimo de partidas possível em que precisa de algum resultado. A partir de sábado à noite, Pep Guardiola sabia que, como o Manchester United, teria dez dias inteiros unicamente para preparar a equipe para a decisão do dia 27. Para a parte prática, claro, é o melhor que podia acontecer.

Acontece que, psicologicamente, esta temporada é perigosíssima, porque, apesar dos dois títulos e da campanha até a final, o Barça pode acabar com sensação de derrotado. Comemorou-se muito o que aconteceu até agora, mas sempre com a cabeça na final de Roma. Com uma derrota para os ingleses, o gosto na boca, o balanço moral da temporada será duvidoso. Será menos catártico, por exemplo, do que a do Real Madrid campeão espanhol na temporada passada.

“O Manchester United também”, contestará algum de nossos atentos colegas de cátedra. “Também ganhou o inglês e só agora, por último de tudo, disputa o jogo mais importante da temporada.” Sim, mas o Manchester não tem a obsessão que os barcelonistas têm em recortar um pouco da vantagem gigantesca que os rivais do Real Madrid têm quando o assunto é titulo europeu. O Manchester é o atual campeão de tudo – inglês, europeu, mundial. Quando parar para se decepcionar com um derrota decisiva, vai olhar para trás e ver não o titulo inglês deste ano, mas essa série vitoriosa toda. O Barcelona não. Perder em Roma vai significar olhar para trás e ver um titulo espanhol – o que está muito bom, mas não é nada que não se esperasse apos um bicampeonato do Madrid – e uma Copa do Rei que, a não ser quando acompanha as outras duas pontas da Tríplice Coroa, não vale nada.

A este Barcelona não restam meios-termos: ou vai ser uma equipe para entrar para a história como a melhor do clube em todos os tempos, ou vai acabar, de alguma forma, sendo uma vitima da expectativa que criou à base de tanto futebol bonito.

***

No jogo mais importante deste final de temporada, o Atlético de Madri tomou conta do Valencia, atacou o jogo inteiro e conseguiu a vitória por 1 -0. Está agora em quarto lugar e, com Athletic Bilbao e Almería como próximos adversários, só perde a vaga com uma vacilada enorme – dessas que o Atlético é plenamente capaz de protagonizar.

Apesar disso, a atração do jogo e aquilo que mais será comentado para o futuro foi o lance que resultou no pênalti convertido por Forlán, quando Kun Aguero mergulhou na frente do goleiro Cesar. Depois do jogo, ele próprio admitiu que não foi nada. Para quem já marcou dois gols de mão e é genro do mano de Diós himself, é uma fama cada vez mais perigosa para quem leva a vida correndo de quartos-zagueiros moralistas.

***

Você tem a impressão de que o Real Madrid já não está mais nem aí e que parece já haver uma lista de dispensa pronta? Só impressão??

(Foto: EFE) 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
08/05/2009 - 19:20

Live and uncut

Para alívio das bandas largas por toda parte, a programação extra-canal-128-da-Sky deste final de semana inclui dois dos jogos mais interessantes da rodada, ambos na ESPN Brasil:

- Valencia x Real Madrid – Sábado, 17h:  Vai ser curioso ver no que resulta dentro de campo o clima de resignação que parece tomar conta do Real Madrid depois da chapoletada hiper-realista de domingo passado. Juande Ramos já fala em tom de ex-técnico, e o Marca e o As já preparam a lista de despensa – para não falar do tapete vermelho, das rosas e das 15 virgens vestais para receber Florentino Pérez.

A coisa está tão propensa a revoluções da ordem que até Raúl pode estar de saída. Não para inaugurar, com três anos de atraso, um retiro de ex-jogadores, mas para ganhar 40 milhões de euros para passar quatro anos dirigindo o Hummer de Robinho all over Manchester.

Se o abaixo-assinado em prol do terceiro lugar está adiantando algo em Valência não se sabe, mas é fato que os ingressos para o jogo do Mestalla estão valendo hoje 200 euros nas mãos dos cambistas. Quer dizer: de um lado, New York, New York na vitrola, mais água do que whisky no copo, clima de fim de festa explícito e inegável; do outro, comoção popular para continuar sendo time grande sem precisar se vender para algum milionário a leste de Costantinopla. Tentador, não?

- Atlético x Espanyol – Domingo, 16h: O Espanyol passa por aquele momento da temporada em que todos se perguntam: “poxa, mas por que não jogou assim desde o começo?”. Quando, claro, o equilíbrio do universo simplesmente não funciona assim. Nós podemos até acompanhar o futebol rodada a rodada, mas os fenômenos que realmente importam não seguem esse ciclo. Cada segundo relevante do mundo leva – feitas as contas assim, de cabeça – de nove a dez meses para passar. Dentro desse segundo, uma partícula qualquer de matéria – digamos, o Espanyol – percorre o caminho do ponto A ao B, e o que acontece é que o universo não quer nem saber de que trajeto a partícula se utilizou para percorrer a distância A-B. Para o universo, não existem as 12 rodadas de choro, escuridão e ranger de dentes; como não há recuperação heróica e seis partidas de invencibilidade. O universo, visto do modo como importa, por um conjunto de lentes telemétricas, objetivas e pacientes, se resume a isso: o Espanyol 2009 é uma equipe mais ou menos e, como tal, termina numa posição mais ou menos. Sem tramas paralelas ou subtextos. O universo não para nem um segundo para ler jornais, porque está sempre no segundo seguinte. Por isso, amigos fiéis e quânticos que seguem por aqui, o lógico seria constatar que o jogo no Vicente Calderón não vale nadica de nada – como tanta coisa menos o amor – , mas, veja lá: são dois times motivados; um mais ou menos, quase bom e o outro bom, quase bem bom; têm Aguero, Forlán, Kameni, Nenê (!!)… Vai me dizer que você prefere ver os primeiros segundos do Brasileirão?

- O Barcelona também tem um jogo importante, não esqueçamos. Não tanto pelo jogo contra o Villarreal – que é apenas a primeira de uma série de chances de acabar com o campeonato oficialmente -, mas pelo que vem a seguir. A semana passada foi intensa, com o clássico e a semifinal em Stamford Bridge, e a seguinte tem a final da Copa do Rei. Duas semanas depois, a final contra o Manchester United. Thierry Henry, por exemplo, já não joga mais nenhuma vez até a final de Roma. Ninguém quer entrar em campo precisando de vitórias entre uma decisão e outra, certo? Nossa aposta é que o Barça chega babando para garantir o titulo agora mesmo e tentar viver de uma vez por todas as três semanas mais contentes de sua história.

- Ah, sim só para lembrar quem por casualidade tenha esquecido: além do Barcelona, tem mais um time que conseguiu vaga para a final da Copa do Rei, quarta-feira que vem. É o Athletic Bilbao, que deve jogar com time misto contra o Betis no sábado.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
02/05/2009 - 18:05

Fez-se a história

Confirmar o título é o de menos, porque isso era o mínimo que a torcida do Barcelona esperava com o time que montou e com o quanto a equipe jogou do começo ao fim da temporada. O que faltava era ter certeza que esse time teria algo de histórico – coisa que não teria se simplesmente acabasse campeão com dois ou quatro pontos mais que o Real Madrid.

Agora, mesmo que o time acabe não ganhando a Champions – o que é plenamente possível pelo nível dos adversários – e perca a final da Copa do Rei – o que seria uma zebra de Tróia -, já entrou para a história. Já é o timaço campeão espanhol, no ano dos 6-2. Porque esta vitória de hoje vai ser lembrada por décadas e décadas, como são algumas poucas edições do dérbi (como o clássico do pasillo no ano passado).

O Barça nunca havia marcado seis gols no Santiago Bernabéu.  A última goleada-goleada (ou seja: 3-0 não conta) que havia aplicado no rival fora de casa havia sido em 73/74; esse 5-0 aqui:

É isso. A Liga 2008/09 finalmente fez sua parte e entrou para a história. A partir da semana que vem, em Londres, o Barça espera dar os próximos passos de uma temporada toda histórica. Será?

 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
02/05/2009 - 17:56

The dream is over

(EFE)

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
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