Time A+ ou time A
Já disse aqui outra vez que a Copa do Rei só pode ter algum interesse para os times grandes com um sucesso no fim da temporada – quando pode salvar o ano (como o do Valencia em 2008) ou fazer a coroa virar tríplice (como a do Barcelona em 2009). Ou, também, com um fracasso tremendo no começo dela: quando, apesar de ninguém ligar para a competição, fica impossível para a natureza humana ignorar que um elenco milionário foi derrubado por um punhado de semi-amadores – como aconteceu esta semana com o Real Madrid pelo segundo ano consecutivo.
Numa situação dessas, então, não teria sido melhor Manuel Pellegrini simplesmente esquecer suas estrelas e colocar para atuar na Copa um Real Madrid assumidamente reserva e humilde? Para pelo menos deixar claro, em caso de desastre, que foi tudo só porque o clube não está nem aí? Acho que sim e acho que o chileno também pensa assim.
Acontece que o jeito atacadista e megalomaníaco como este Real Madrid foi montado simplesmente já não permite mais isso. É impossível formar uma equipe titular sem, no mínimo, nove jogadores consagrados. Ou nove jogadores cujos salários estão na classe A+ do futebol.
Veja o elenco do Madrid e me diga alguém que não cause impacto ao estar envolvido num grande fracasso. Drenthe, talvez? Granero? Dudek, se você quiser? Ou só o terceiro goleiro Adán? O Barcelona, enquanto isso, se por um lado obviamente também tem um elenco badalado e milionário, ao menos é capaz de escalar como titulares, nas mesmas semanas em que o rival perdeu para o Alcorcón, gente como Pedro, Jeffren, Gai Assulin e Jonathan dos Santos. Aí a diferença.
Ah, sim, a outra diferença é que o Barcelona ganhou sua eliminatória por um total de 7 x 0. Mas essa é outra história.
Boi de piranha
Pellegrini, como terceira opção que foi, chegou ao clube sabendo: ou tudo dava certo e de cara a equipe ganhava e jogava bem, ou não haveria muito pudor em demiti-lo durante esse período de adaptação. Porque quem quer que chegue – e já há até favoritos: Michael Laudrup e Luis Aragonés – vai no mínimo herdar uma equipe mais madura e acostumada a jogar junta.
Custo x benefício
No verão de 2005, o Sevilla gastou 10,5 milhões de euros para contratar uma dupla de ataque nova: Luís Fabiano, vindo do Porto, e Frédéric Kanouté, do Tottenham. Desde então, os dois marcaram 179 gols. Para igualar essa rentabilidade, a dupla Kaká e Cristiano Ronaldo (que, fazer o quê?, virou base de comparação para tudo) precisará anotar… 2685 vezes. Não que essa seja a conta certa a se fazer, mas é no mínimo curiosa.
Coluna publicada a contragosto no Jornal Placar de 13 de novembro de 2009
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