A ciência do blefe
Como apontou o comparsa Fernando Brito num comentário do último texto, José Manuel Pinto foi o herói da classificação do Barça – se é que não recaímos em blasfêmia aguda ao usar a palavra herói para se referir a um sujeito cujo visual se inspira no Steven Seagal.
O fato é que o Barcelona sofreu em Mallorca para chegar à final da Copa do Rei; coisa que em situação normal seria surpreendente, mas que – diante da crise de confiança que uma meia-dúzia de resultados ruinzinhos trouxeram ao time que parecia imbatível – era até esperada. O Mallorca fez 1-0 no primeiro tempo e, aos 5 do segundo, teve a chance de fazer o gol que, naquele momento, levaria o jogo para a prorrogação: pênalti que Martí bateu e que o goleiro reserva barcelonista pegou. Mas pegar é o de menos: legal foi a provocação que antecedeu a defesa, digna de cowboy jogador de pôquer. Pinto olhou para Martí e avisou: “Eu vou saltar para lá”, apontando o canto esquerdo. O mallorquín pensou, pensou e resolveu pagar para ver apostando que era blefe, mas no meio do caminho até a bola pensou mais um pouco e ficou na dúvida: vai que o blefe não é ele mudar de canto, mas justamente fazer o que prometeu? Entre um silogismo e outro, Martí chegou até a bola e bateu pendendo para o canto esquerdo apontado por Pinto, mas fraco e quase no meio do gol.
Acha que eu tô dramatizando? Então veja lá:
Com apenas 1-0 e precisando do gol, o Mallorca foi ao ataque. Faltando dez minutos para o final, uma bola lançada a esmo ao campo de ataque pela defesa do Barcelona começou a correr e correr em disparada feito uma lebre epilética e, justo quando Germán Lux saía para agarrá-la, misteriosamente bateu em alguma irregularidade do gramado do Son Moix e subiu mansinha num arco-íris que encobriu o goleiro. Foi parar dentro do gol de empate.
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Autor: juanpolanco Tags: Barcelona, Fiat Lux, Lepus Granatensis, M****, Maverick, Pinto, somewhere over the rainbow, Steven Seagal

