M**** | El Pichichi

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sexta-feira, 6 de março de 2009 Sem categoria | 18:54

A ciência do blefe

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Como apontou o comparsa Fernando Brito num comentário do último texto, José Manuel Pinto foi o herói da classificação do Barça – se é que não recaímos em blasfêmia aguda ao usar a palavra herói para se referir a um sujeito cujo visual se inspira no Steven Seagal.

O fato é que o Barcelona sofreu em Mallorca para chegar à final da Copa do Rei; coisa que em situação normal seria surpreendente, mas que – diante da crise de confiança que uma meia-dúzia de resultados ruinzinhos trouxeram ao time que parecia imbatível – era até esperada. O Mallorca fez 1-0 no primeiro tempo e, aos 5 do segundo, teve a chance de fazer o gol que, naquele momento, levaria o jogo para a prorrogação: pênalti que Martí bateu e que o goleiro reserva barcelonista pegou. Mas pegar é o de menos: legal foi a provocação que antecedeu a defesa, digna de cowboy jogador de pôquer. Pinto olhou para Martí e avisou: “Eu vou saltar para lá”, apontando o canto esquerdo. O mallorquín pensou, pensou e resolveu pagar para ver apostando que era blefe, mas no meio do caminho até a bola pensou mais um pouco e ficou na dúvida: vai que o blefe não é ele mudar de canto, mas justamente fazer o que prometeu? Entre um silogismo e outro, Martí chegou até a bola e bateu pendendo para o canto esquerdo apontado por Pinto, mas fraco e quase no meio do gol.

Acha que eu tô dramatizando? Então veja lá:

Com apenas 1-0 e precisando do gol, o Mallorca foi ao ataque. Faltando dez minutos para o final, uma bola lançada a esmo ao campo de ataque pela defesa do Barcelona começou a correr e correr em disparada feito uma lebre epilética e, justo quando Germán Lux saía para agarrá-la, misteriosamente bateu em alguma irregularidade do gramado do Son Moix e subiu mansinha num arco-íris que encobriu o goleiro. Foi parar dentro do gol de empate.

Notas relacionadas:

  1. Orgulho barato
  2. É só a rodada
  3. Retórica feminina
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 Sem categoria | 20:50

Um dia a casa cai

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Conta o Marca que Javier Aguirre já era, finalmente. E não finalmente porque ele merecesse há tempos, mas porque já faz alguns anos que a cada três ou quatro semanas o mexicano ouvia dizer que havia subido no telhado do Vicente Calderón.

O resultado final do Atleti na temporada passada – ter se classificado para a Champions – está perfeitamente dentro do esperado e, até aqui, a campanha só razoável no Espanhol se equilibra com o bom desempenho na Champions. Não há nenhum desastre em curso, ok. Mas a esta altura já começo a achar que Javier Aguirre teve tempo e material humano o suficiente para ter montado um time que funcione o tempo todo, no qual se possa confiar. Não conheço o dia-a-dia do Atético de Madrid o bastante para dizer quanto disso tem a ver com seu relacionamento com os jogadores, mas, se tivesse que palpitar (não tenho, mas vou), diria que bastante.

Talvez fosse melhor esperar ver no que dá nas oitavas da Champions – que de repente turbinam o restante da temporada -, mas a verdade é que já é hora mesmo de outra pessoa tentar fazer Maxi Rodríguez, Agüero, Forlán, Paulo Assunção e toda essa gente boa (ou pelo menos boa o bastante) que o Atlético tem se transformar no terceiro ou quarto melhor time do país, sem que ninguém tenha sempre dúvidas a respeito.
(Foto: EFE)

***
Como quase todos achavam e quase ninguém entende, o escolhido pelo Real Madrid para ser inscrito na segunda fase da Liga dos Campeões foi Diarra II, e não Huntelaar. O time confirmou hoje que o volante francês vai fazer parte do grupo, além do húngaro Adan Szalai (que vem da filial do time de Castilla) e do recém-contratado Julien Faubert, do West Ham. Eles substituem os lesionados Diarra I e Van Nistelrooy e o incógnito Rubén De La Red – que está passando por uma bateria gigantesca de testes para descobrir o que acontece com sua saúde (ou se acontece alguma coisa). Amanhã, aliás, falamos mais do caso dele.

***

E o Barcelona, hein? Perder por 1-0 para o Racing depois de tanto tempo invicto…

Notas relacionadas:

  1. Orgulho barato
  2. Um reforço e meio
  3. Retórica feminina
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 Sem categoria | 19:23

Não foi nada

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Por pouco o Barcelona não nos deu margem para escrever essencialmente o contrário daquilo que foi dito sobre o Sevilla. Porque por pouco a Copa do Rei não foi, de novo, o inesperado gatilho para a derrocada da temporada do clube.

A Copa do Rei é como o Campeonato Paulista: só importa ou na hora em que você é campeão, ou em que é eliminado. Em todas as outras situações intermediárias, normalmente ninguém liga muito. Mas, pode ter o poder de salvar uma temporada (como o Paulista salvou a do Palmeiras no ano passado e a Copa, a do Valencia) ou destruí-la.

O Barcelona mesmo viveu destruição dessas em 2007: numa semana, era líder da Liga Espanhola, finalista quase certo da Copa do Rei depois de uma vitória por 5-2 sobre o Getafe e ainda comemorava que um jogador seu marcava o gol mais sensacional da década. Ninguém entendeu nada quando, na semana seguinte, o time caiu por 4-0 em Getafe e perdeu a vaga. A eliminação de um torneio nem tão importante assim – mas que já era a segunda em menos de dois meses, para um time que pretendia ganhar tudo – acabou virando o ponto de inflexão a partir do qual o Barcelona perdeu também o titulo espanhol, também a compostura, também a geração Deco-Ronaldinho-Rijkaard.

Pois de novo o Barcelona está numa temporada em que, cada vez mais, espera-se que o time vá ganhar tudo o que disputar. Só se fala em números de gols e quebra ou não de recorde. Então, quando o time marcou 3-0 na partida de volta contra o Espanyol, ninguém estava surpreso, nem mesmo tão feliz assim. Já se tornou praxe o Barça entrar com metade do time reserva e ainda assim dar um baile em jogos que teoricamente seriam difíceis, como o derby (Derby Light, vá lá) contra o Espanyol.  E então, pela primeira vez na temporada, por meia hora o Barça pareceu falível e passível de sofrer alguma surpresa (surpresa de verdade, com conseqüências, que não seja um tropecinho em casa contra o Racing Santander).

Se tivessem sido três em vez de dois, os gols do Espanyol no Camp Nou teriam eliminado o Barcelona e, no mínimo, acabado com sua locomotiva de confiança — que é responsável por uma parte do sucesso estrondoso da temporada (a outra parte, claro, é o timaço que tem). Faltou pouco, e provavelmente o Espanyol até tenha merecido. Mas, como no final das contas isso foi para o Barça apenas mais uma classificação na Copa do Rei, como tantas e obrigatórias outras, tudo continua como antes. Aqueles 30 minutos e dois gols sofridos nunca sequer aconteceram e continuamos absortos diante de um dos melhores times do mundo e um dos favoritos a ganhar tudo o que está disputando. Sem graça, né?

 

(O gol mais sensacional da década, caso você estivesse em Plutão em meados de 2007, é claro que é esse aqui:

 

Ou vai me dizer que você consegue achar outro melhor?)

Notas relacionadas:

  1. Ano novo, nada novo
  2. Retórica feminina
  3. Que rei sou eu?
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 Sem categoria | 23:26

Ex-querda

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Drenthe e Marcelo brigam por posição, mas ninguém ganha. Então, eles seguem amigos

Este Capotón constatou com mais indiferença do que tristeza, enquanto digeria um fideuá um pouco salgado demais: já não existe esquerda no Real Madrid. “E algum dia por acaso existiu?”, começa a discursar um subconsciente apressado e trotskista, desembainhando “fascismo”, “franquismo” e outras palavras feias com “f”.

O que nós queremos dizer é muito menos; é só que a lateral-esquerda do time terminou de vez, chegou ao fundo do poço e voltou. Pelo menos por enquanto. Enquanto: a) Miguel Torres continue tendo que ser considerado uma opção; b) Heinze tiver que ser um lateral comum em vez de um zagueiro acima da média e, principalmente, c) Marcelo continue sendo vaiado injustamente antes mesmo de pegar na bola e d) Drenthe continue sendo vaiado justamente antes mesmo de pegar na bola.

Porque na vitória de 1-0 sobre o Deportivo (aliás, o Real Madrid é vice-líder isolado alguém reparou? Alguém se surpreendeu?) aconteceu copiosamente com Drenthe aquilo que Marcelo escutou uma semana antes. Foi só pisar no campo e ter um pouquinho de atenção sobre si e o Santiago Bernabéu desabou numa vaia mal-humorada e meio aguda. Só que, apesar de ser mais grosso que Marcelo, pelo visto Drenthe é mais esperto. Não só porque tem como parceira a Heidi Klum, mas porque em vez de dizer que “aquilo não tem efeito nenhum” sobre ele e piorar a imagem de mimado, se disse chateado pela situação toda.

É então, bem na hora desse pensamento, que aparece perdida no hipotálamo uma frase que não sei se é do Comendador Juárez, sábado no boteco, ou do Estadão, domingo no editorial: a esquerda está em crise, embora haja quem não perceba. Será a lateral-esquerda? Será?

***

Para o Barcelona, um jogo difícil, enfim. No começo do segundo tempo contra o Numancia, depois de um 0-0 no primeiro, quando o rival teve ate gol anulado, Daniel Alves deu um chapéu no zagueiro e colocou a bola na pequena área de cabeça, mas não apareceu ninguém para concluir. Depois, Eto’o marcou 1-0. O Numancia marcou de falta, mas em seguida num lance confuso, em que ninguém saiu driblando do meio para esquerda nem deu o passe, a bola sobrou para Henry marcar na área. Já no final, outro lance fantasmagórico, em que a bola passou sozinha no meio de dois zagueiros, teve sorte de pipocar e passar pelo goleiro, mas ninguém estava lá para marcar seu 14º gol na temporada. Final: 2-1.

Notas relacionadas:

  1. Enquanto há tempo
  2. Significante x significado
  3. De parâmetros e preferências
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 Sem categoria | 22:41

Retórica feminina

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Se Inma não receber o que deve, terá que empenhar seu par de botas brancas

O telefone não parou de tocar nesta segunda-feira, com a imprensa de todo o mundo querendo ouvir as palavras deste Barão – precursor dos Direitos Humanos na região da Grande Salamanca – sobre o Martin Luther King, Jr. Day e principalmente sobre essa belíssima e atemporal virgula que separa o sobrenome do “Jr.”

Não sobrou, portanto, tempo suficiente  para aquele destrinçar cabal e premente das segundas-feiras, que faz as rodadas de fim de semana parecerem uma perdiz ao vinho tinto. Vamos, então, de enredos sucintíssimos, mas não menos fascinantes. Pelo menos não neste primeiro caso, de Inma Cortiñas – desde já dona de reputação gloriosa no coração de Sua Excelência a Baronesa de Salamanca.

Ali pelo terceiro minuto do segundo tempo do jogo entre o Negreira e o Compostela, válido pela 3ª Divisão, diante de mais de um milhar de espectadores parlamentaristamente pacatos,  Inma irrompeu no campo de jogo e se algemou junto à trave. Não sei se você leu com pressa ou o quê, mas eu disse se ALGEMOU!

O árbitro Xulián Fuentes (que alegria os nomes galegos e seus “X” autênticos) não entendeu nada, mas previdentemente chamou a presença da Guarda Civil, que tratou de retirar Inma do campo  - e aqui ninguém soube me explicar se ela levou a chave, se foi preciso serrar as algemas, se elas eram de plástico ou se a trave foi levada junto. 

Depois é que se revelou do que se tratava a cena: Inma Cortiñas estava protestando contra o Negreira, que supostamente deve até hoje 1500 euros a seu marido, o cerebral volante de contenção David Cotrofe – que hoje milita no Santa Comba. Tudo o que ela queria era conseguir ter uma palavrinha com o presidente do Negreira, coisa que David Cotrofe havia tentado semanas a fio sem nem sombra de sucesso.

Por conta daquilo que os magistrados chamam espartanamente de “distúrbio da ordem pública” (como se houvesse alguma ordem naquilo que é público), pode ser que a autora do algemamento mais célebre da Espanha setentrional receba uma multa de 3 a 9 mil euros (que ficaria bastante mais leve se a família Cotrofe-Cortiñas recebesse os 1500 euros devidos). Pode ser, também, que ela ganhe um busto em pedra de oleado erigido em algum lugar da Espanha (nem que seja na Calle de las Varrilas, 7, Salamanca). Pode ser também que tenha mostrado ao mundo masculino, bem no centro do seu templo, quem é que manda de verdade. Pode ser.

***

No nosso bloco especial dedicado a uma peña do Valencia – esta semana os homenageados são o pessoal de Caxambu-MG – , a má notícia é que o goleiro Renan machucou a coxa direita e deve ficar um mês e meio sem jogar. A boa notícia é que Edu não se machucou e não vai ficar um mês e meio sem jogar (por enquanto). E a notícia incerta é que o time está louco para trazer Ramires. Se o negócio acontecesse, seria provavelmente o destino ideal para o cruzeirense – que precisa de um cabeça-de-bagre que nem Albelda (mentira: ninguém precisa de um cabeça-de-bagre que nem o Albelda) (mentira de novo: Luis Aragonés precisa sim) para ficar à vontade para se juntar ao ataque.

***

Com dez jogos sem vitória, o Espanyol começa a levar a sério a ideia mais agourenta que já surgiu neste Capotón, de estrear finalmente o seu estádio próprio – 12 anos depois da demolição de Sarrià – na segunda divisão. Dá para pensar em motivo melhor para transformar o novo espaço numa gigantesca, escura e altamirana boate para 50 mil emo-góticos mediterrâneos?

***

O Barcelona goleou (grande coisa) e o primeiro gol (um só?) foi marcado por um baixinho canhoto que veio da ponta-direita passou por dois (aposto que estavam desatentos) e tocou mansinho no canto do goleiro (pra mim ele falhou). O mesmo de sempre.

Notas relacionadas:

  1. Ano novo, nada novo
  2. Alguma novidade?
  3. Significante x significado
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 Sem categoria | 19:47

De parâmetros e preferências

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O Marca, maior diário esportivo da Espanha, publicação madrilena e madridista, absolutamente descompromissada com dizer a verdade ou priorizar suas informações com base no interesse público, estava em campanha aberta (ou era fechada?) há algumas semanas. Diante da ideia massificada de que o melhor jogador do mundo na atualidade é aquele sujeito sobre quem não admitimos falar a não ser quando estritamente necessário, o jornal começou a lançar comparações entre o referido jogador e o holandês Arjen Robben.

Eram enquetes perguntando qual dos dois é o melhor, colunistas falando dos prós e contras de cada um, estatísticas sobre como Robben já lidera a lista de assistências da Liga. Criou-se um debate (embora na verdade ninguém estivesse debatendo nada) e estabeleceu-se uma polêmica (embora todos estivessem do mesmo lado dela) que foi atropelada ontem da maneira mais constrangedora possível (embora ninguém tenha admitido o constrangimento). O próprio Robben, na entrevista coletiva posterior ao treino, fez cara de absurdo diante de uma pergunta que tinha a intenção de ser uma bola rolada macia na grande área, pronta para ele chutar para o gol. Em vez disso, o holandês acabou o debate que no fundo nunca tinha começado: “Para mim, o M**** é o melhor jogador do mundo. O que mais vou dizer? Ele é o melhor e eu não. É um jogador que está numa forma magnífica e, para mim, é de outro planeta. Ele é o melhor; é diferente do resto.”

A declaração sobre o suposto extraterrestrismo de M**** aparece, inevitavelmente, na capa do próprio Marca de hoje. Mas, para eles, o debate continua: é Robben que insiste em ser modesto e não se atém à realidade clamorosa dos fatos. Parece bobagem, mas, se você parar para pensar (não faz isso, não), é desolador.

Notas relacionadas:

  1. A noite é de quem?
  2. A lesão que faltava
  3. Significante x significado
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