Liga Dos Campeões Da UEFA | El Pichichi

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Posts com a Tag Liga dos Campeões da UEFA

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 Sem categoria | 12:09

Pronto, passou

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Puyeto_EFEBarcelona e Internazionale não podiam ter mais sorte do que isso: estrear um contra o outro, Eto’o contra Ibrahimovic. Foi garantia de que haveria enredo, de que no dia seguinte teríamos frases como “foi esquisito”, dita pelo camaronês sobre ver a camisa azul-grená do lado contrário do campo. Porque se tudo isso acontece daqui a alguns meses, todo mundo já tem preocupações demais e pensa na consequências daquilo como um jogo que vale três pontos na classificação do grupo.

Ontem não: foi apenas e nada mais do que um Barcelona x Inter; dois times que a princípio todos sabem que vão se classificar para a segunda fase e que entraram em campo só para compararmos o que fazem Eto’o e Ibrahimovic contra seus ex-clubes, quem abraça quem, quem dá uma entrada dura no ex-colega que tenha cara de revide, quem fica com sorriso sem-graça no rosto.

E, como um jogo que tem mais moral do que pontos em disputa, a equipe com menos (um pouco menos) talento e capacidade preferiu não correr o risco de, tão cedo, ver sua auto-estima afundar. Isso apesar de jogar em casa e de ser tetracampeã italiana.

A Inter esperou alguns minutos para ver se o Barcelona que vinha a campo era aquele mesmo que temia. Era. Então, diante do perigo que aquilo significava, não teve o menor pudor de ser dominada e se defender, só para poder dizer, aliviada, no dia seguinte, que “por enquanto, estamos iguais”. Quer dizer, para todos os efeitos, por enquanto não dá para dizer quem é melhor ou quem se deu melhor no tremendo negócio que os dois clubes fizeram neste verão. Passado o sufoco de quarta-feira, a lógica diz que os dois estão assim, na mesma.

(Foto: EFE)

***

Em Sevilla, Luís Fabiano, como sempre. Como faz bem entrar em campo com a certeza de que você é bom de bola e não se fala mais nisso. Ou você acha que com um pouquinho menos de confiança alguém acerta um chute de esquerda como o que o brasileiro acertou ontem no primeiro gol dos 2 x 0 sobre o Unirea Urziceni?

Depois do jogo, Dan Petrescu, aquele lateral-direito que jogou no Chelsea, hoje técnico do clube romeno, foi direto como a maioria tem tido receio de ser, dizendo que LF é o melhor atacante do mundo hoje: “No meu tempo de jogador enfrentei muitos atacantes, mas fazia tempo que não via alguém fazer o que Luís Fabiano fez. Com ele, o Sevilla vai ganhar muitos jogos. Não tiro o mérito dos outros jogadores, mas ele os eclipsou.”

***

160px-FC_Unirea_Voluntari_UrziceniE se você pensa que vamos fazer menção ao Unirea Urziceni e agir como se nada maravilhoso tivesse acabado de acontecer, está, claro, enganadíssimo: os romenos têm esse escudo ao lado, feito por aquele primeiro ilustrador dos desenhos do Pica-Pau e ainda por cima são conhecidos como “Chelsea de Ialomiţa” (assim mesmo, com te-tedilha, um “t” com um rabichinho, coisa que, pensando bem, não sei se o publicador do blog, que é conservador no último, vai aceitar) – o que, em romeno, deve ser o equivalente a “Milan da Vila Guilherme” ou “Arsenal do Andaraí”.

Um viva à União Europeia! Saúde, Platini!

***

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Com o sucesso de suas cobranças de falta, Carleto espera conseguir largar seus freelances como segurança de boate. (Foto: AS)

Nada como um pouquinho de segunda divisão para fazer um garoto precoce se sentir mais em casa: depois de uma pré-temporada que só lhe valeu piadas entre a torcida do Valencia, o lateral-esquerdo Tiago Carleto (que até hoje não sei tem “h” entre o “T” e o “i” ou não) chegou ao Elche e, depois de algumas semanas, já tratou de voltar a flertar com o apelido “o novo Roberto Carlos”. Bastou marcar um golaço de falta no empate da sua equipe por 2 x 2 contra meu submisso UD Salamanca.

Notas relacionadas:

  1. Determinismo histórico
  2. Lindo, não: histórico
  3. Too late
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 27 de maio de 2009 Sem categoria | 19:36

Lindo, não: histórico

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Quem Xavi faz ao vivo, e na hora decisiva. (Foto: EFE)

Os jogos do século, mesmo quando o século dura só dois ou três anos, têm essa pressão lotérica de ter que superarem outras centenas de jogos que acontecem por aí, século afora, em gramados verdejantes ingleses ou terrões da Zona Norte (qualquer uma).

Barcelona x Manchester United não foi, como não teria por que ser, a melhor partida de futebol do século, nem do ano, nem da semana (alguém viu Ceará 2 x 2 Figueirense ontem?). Foi um jogo que só se tornou bom, no segundo tempo, por causa do gol marcado tão cedo por Eto’o. Não foi uma partida que “fez jus ao que são Barça e Manchester”, até porque para isso seria preciso uma daquelas que só acontecem a cada bocado de anos e normalmente no meio de um campeonato, e não na decisão. Mas o lado bom é que foi uma partida para entrar para a História.

Porque as decisões – não os times que as vencem, mas os jogos – só se tornam lendários quando são dramáticos demais (como a reação do Liverpool sobre o Milan, ou os gols do Manchester sobre o Bayern), ou quando o time vencedor se impõe claramente sobre o outro (como Brasil x Itália em 1970). Tivesse a partida acabado 1 x 0, ou o Manchester feito 2 x 1 e pressionado um tanto (como o Arsenal fez com o Barcelona de Ronaldinho três anos atrás), este Barcelona não teria tanta cara de time especial como tem hoje – indiscutivelmente campeão de tudo o que disputou no ano.

Como o último “jogo do século” de que me lembro – a final da Copa de 2002, o primeiro Brasil x Alemanha da história das Copas -, este não foi maravilhoso, mas foi digno do significado histórico que teve. 

Nem Messi, nem Ronaldo. Xavi

Ou Iniesta? Acho que Xavi. Mas poderia ser Iniesta. Quer dizer: Lionel Messi é o melhor jogador do mundo. Isso eu já sei, você também; não precisamos discutir. É ele quem provavelmente vencerá o prêmio em Zurique no final do ano, ainda mais depois de ter ficado em segundo lugar nas duas últimas edições. Só que, seguindo a lógica do texto anterior, já lhes digo em primeira mão: se até o final do ano alguma seleção nacional me contratar como treinador, meu voto na eleição da FIFA vai para o Xavi (ou Iniesta?).

A habilidade de Messi na frente faz a diferença. Mas a de Cristiano Ronaldo também pode fazer; a de Kaká também pode fazer. Só que, hoje, jogador nenhum é capaz de transformar sua equipe a partir do meio-campo como fazem os dois, Xavi e Iniesta. Não é por acaso que os times em que os dois jogam são campeões europeus – e o são jogando bonito. Messi tem a posição de atacante e o conjunto da obra (os dois segundos lugares) a seu favor, mas até aí não acho que seja tão fácil fazer de conta que o conjunto da obra de Xavi Hernández seja tão inferior. Melhor jogador da Euro 2008, melhor em campo na final da Liga dos Campeões da UEFA 2009.

Por sua capacidade de decidir quando mais interessa e por ser o melhor meio-campista do planeta nesta era em que, para jogar bem na posição, é preciso saber fazer de absolutamente tudo, Xavi deveria ganhar o prêmio de melhor do ano. Ao perder para Cristiano Ronaldo num momento em que sobrava e ficar de novo em segundo lugar, Leo Messi ganhou quase uma promessa de que neste ano o troféu seria dele. Pois deveria ganhar outro segundo lugar e outra promessa de que no ano que vem vai, com todo respeito. E em terceiro, Iniesta.

Não convém distribuir um prêmio desses, transmitido para o mundo inteiro, a três jogadores de uma mesma equipe. Só se fosse algo fora de série, certo? Então.

Chutar cachorro vice é fácil
O Manchester United jogou melhor – e bem melhor – do que o Barcelona durante nove minutos, até que Iniesta pegou uma bola no meio-campo, avançou espaço com a facilidade que só ele sabe avançar e serviu Eto’o. O camaronês fez sua única grande jogada nos últimos dois meses e fez o 1 x 0.

A partir dali, e até o 2 x 0 final, ficou fácil dizer que Alex Ferguson está louco, que o meio-campo de Xavi e Iniesta não podia ter como oponentes diretos Giggs, Park e Ânderson. Também não é assim: o meio-campo do Manchester era dono do Barcelona e dava pinta de que permaneceria sendo pelo menos durante mais alguns minutos. Aconteceu, então, o que pode sempre acontecer num jogo entre dois times talentosos: um gol inesperado e absolutamente contrário ao andamento da partida.

Depois dele, o Barça encontrou a situação que mais lhe convém (e que, vai saber?, talvez não encontrasse o jogo todo se não fosse aquele lance), os espaços e os ingleses se viram obrigados a ser menos cautelosos do que de costume. Ferguson talvez tenha colocado atacantes demais muito cedo, abrindo mão do meio de campo. Sua aposta do início do jogo deu errado muito cedo e, em seguida, o time não soube reagir. Agora tratar Ferguson, justo Ferguson, como um Celso Roth teimoso que não tem ideia do que está fazendo e evocar o tal “nó tático” é coisa de quem quer ter o gostinho, por meia dúzia de segundos, de se sentir mais sábio do que um dos treinadores mais importantes da história do esporte.

By the book
Uma das lembranças mais legais que tenho de dez anos atrás, quando o Manchester United fez o mesmo que este Barcelona e venceu liga nacional, copa e titulo europeu, foi ter lido depois The Unique Treble, um livro delicioso em que Alex Ferguson relata detalhes, situações, alterações táticas e historinhas da campanha. O 2009 do Barcelona definitivamente merece coisa parecida. O mercado editorial espanhol provavelmente terá fôlego para fazer, embora eu duvide que com a mesma qualidade.

Notas relacionadas:

  1. Gols!
  2. Justo in time
  3. O ano acaba hoje
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , ,

Sem categoria | 00:27

O ano acaba hoje

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Quase sempre, quando a cerimônia parnasiana da FIFA anuncia o melhor jogador do mundo, muita gente reclama. Ou porque naquele momento, fim do ano, o sujeito já não é mais o melhor indiscutível (como Cristiano Ronaldo em 2008), ou porque se levou demais em consideração o desempenho em um só  grande torneio, e não o conjunto da obra (como Cannavaro em 2006) – o que, no fim das contas, dá na mesma, já que os principais títulos se decidem no meio do ano.

Acontece que, se quem ganhasse sempre o prêmio de melhor jogador do mundo fosse efetivamente o melhor jogador do mundo, não faria sentido realizar a eleição anualmente. Era melhor esperar com distanciamento critico até que os fatos tomassem sua verdadeira dimensão, chamar Eric Hobsbawn para presidir o júri e, aí sim, entregar os prêmios (póstumos).

Conjunto da obra não ganha troféu, e os troféus são a única coisa que entra imediatamente para a História. Então, em ano de Copa do Mundo, se um cara é decisivo para o titulo, tem mais é que largar na frente dos outros. Este ano não é de Copa, mas é de uma final de Liga dos Campeões que nasceu com cara de Muhammad Ali x Joe Frazier em Manila; que, apesar de ser apenas mais uma, é a última instância para determinar quem manda no futebol hoje. Em campo, estarão quatro dos principais candidatos (e só não digo “únicos” porque Ibrahimovic não me deixa) a melhor do mundo em 2009: Cristiano Ronaldo, Messi, Xavi e Iniesta. Se algum deles se destacar, vai levar o prêmio – independente do que aconteceu nos seis meses anteriores ou aconteça nos seis seguintes. Soa injusto? Mas não é.

Moral
Mesmo com ingresso a 15 euros – 20% do preço mínimo para um jogo importante -, o Santiago Bernabéu recebeu 45 mil pessoas (o que, para o Real Madrid, é pouco) no jogo de domingo com o Mallorca. Porque os torcedores, claro, sabiam o que esperar. Longe deste espaço laico querer estabelecer relação entre as duas coisas, mas no santíssimo dia seguinte à derrota por 3 x 1, anunciou-se que Florentino Pérez é candidato único à presidência do clube.

Bons costumes
Na comemoração do título Espanhol, domingo, quando Gerard Piqué agarrou o microfone, animou o Camp Nou gritando: “Un bote, dos botes, madridista el que no bote” (em tradução livríssima: “Ista, ista, ista, quem não pular é madridista”). No dia seguinte, Xavi veio publicamente dizer que na hora do titulo deve-se pensar na própria equipe e que é preciso ter mais respeito. Será que eu sou o único velhaco antiético que não vê ofensa nenhuma na brincadeira de Piqué e acha o moralismo das declarações de Xavi uma tremenda babaquice?

 Coluna publicada no Jornal Placar de 27 de maio.

Notas relacionadas:

  1. Acaba por aqui
  2. Estamos aqui
  3. Gols!
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 25 de maio de 2009 Sem categoria | 10:45

A alma do negócio

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Thierry Henry e Ryan Giggs em anúncio que, se não fosse pela legenda no final, seria da Apple. Dá uma olhada só:

 

Notas relacionadas:

  1. Policarpo Quaresma vive
  2. Sábios são os VTs
  3. Que (Copa do) Rei sou eu?
Autor: juanpolanco Tags: , , , ,

quarta-feira, 6 de maio de 2009 Sem categoria | 10:46

Determinismo histórico

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A partir de hoje, o 6×2 de domingo do Barcelona sobre o Real Madrid vai voltar a ser assunto. Porque não importa o que aconteça no jogo de volta contra o Chelsea: alguém sempre vai ser capaz de relacionar uma coisa à outra. É o preço que um fato paga por ser histórico: carregar em sua órbita tudo o que a ele se segue; passar a ser a medida de todas as coisas.

Então, diante de uma vitória do Barcelona, será sensato dizer o que aconteceu: para a equipe, o “jogo do ano” já havia passado. Apenas terminar como campeão espanhol teria sido pouco para um time tão paparicado durante meses, mas a goleada no Santiago Bernabéu já havia garantido que a temporada entraria para a história. Que estava, portanto, ganha. Assim foi fácil viajar até Stamford Bridge: sem pressão, cheio de moral, fazendo com que, mesmo em casa, o Chelsea chamasse o Barça de Vossa Excelência e aguardasse com cara de cadafalso os golpes inevitáveis do ataque dos sonhos.

Mas e se o Barcelona perder? E se jogar mal? Fácil: para o time, o “jogo do ano” já havia passado. Estamos falando de uma semifinal de Liga dos Campeões, e para isso todos têm que estar 100% concentrados. Os catalães celebraram a goleada iconoclasta, encheram-se de confiança, deram a temporada por ganha e, com isso, só despertaram mais ainda a gana do Chelsea de parar o suposto ataque dos sonhos – como já havia feito no Camp Nou.

As duas versões estão prontas, só aguardando para virar verdade. Portanto, assista ao jogo de hoje sem se preocupar com explicações. A culpa, não importa do quê, foi da goleada do Barcelona sobre o Real Madrid.

Nove por ¾ de dúzia
Parece que ao final da temporada o Barcelona vai concretizar dois negócios que estiveram perto de acontecer nos últimos dois verões: a saída de Samuel Eto’o e a chegada de Diego Forlán como seu substituto. Pudera: o uruguaio é no mínimo tão goleador quanto o camaronês e não tem nem 10% da marra.

Prova de fogo
Rubén De La Red, do Real Madrid, que desmaiou em campo no dia 30 de outubro, não aguenta mais exames (e que não chegam a conclusões). Semana passada realizou uma biópsia que o manteve dois dias na UTI. Segundo ele, “este é o último dos últimos”. O resultado – que deve decretar se o jogador de 23 anos pode ou não seguir a carreira – deve sair em um mês e meio.

Coluna publicada no Jornal Placar de 06/05

Notas relacionadas:

  1. Sueña, pecador
  2. Puede haber Liga!
  3. Fez-se a história
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 4 de maio de 2009 Sem categoria | 16:06

La voz del pueblo

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Como acontece com todo governante e/ou membro da nobreza e/ou alta casta de uma sociedade, de quando em quando este Capotón resolve emanar senso democrático, como quem tenta demonstrar que o Contrato Social é isso, um contrato, e não um decreto. Quando isso acontece, o que tratamos de fazer é dar mostras claras e inequívocas de estar escutando a voz do povo e atendendo seu desejo. Fazemos isso em questões menores, chamamos a atenção para esse gesto democrático e eis que o caminho segue aberto para mais três anos de autismo-cracia, até perto da próxima eleição, ou suspeita de golpe de Estado.

Agora é a hora do triênio, então, em que abertamente escutamos a voz das ruas e alamedas e respondemos, por exemplo, ao comparsa Victor, que pergunta o que estaria escrito na camisa que Leo Messi mostrava:

Ao contrário do que pode aparentar, não é propaganda para o clássico da semana que vem da Liga Catalã de Rúgbi entre o Girona Síndrome contra o Tarragona Frágil, mas campanha para uma ONG que o argentino apoia há tempos e que cuida de um transtorno genético conhecido como “Síndrome do X Frágil”, com “X” sendo o cromossomo X. Os resultados do transtorno – conhecido também como Síndrome de Martin & Bell – são similares aos da Síndrome de Down. O logotipo na camisa é o da Associação Catalã da Síndrome do X Frágil.

(Foto: EFE)

***

Logo, com a propriedade típica dos que cutucam o óbvio sem medo de despertá-lo, nosso Segundo Secretário, Pedro Paes, convoca este Capotón a mudar um pouco de assunto, sobretudo agora que o titulo está decidido e o clássico passou.

Vejamos, portanto, como anda a briga pela uma vaga e meia que ainda está aberta para a Liga dos Campeões da UEFA 2009/10:

Villarreal 0 x 2 Sevilla – Apesar de estar mais irregular do que em anos anteriores, as sequências boas do Sevilla ainda tem sido o suficiente para nunca abandonar as primeiras posições do pelotão. Kanouté esteve por algumas semanas apagado, mas voltou com tudo nessa que foi uma das vitórias mais importantes da temporada: participou da jogada do primeiro, de Luís Fabiano, e marcou o segundo.

O Villarreal aparentemente perde muitas chances de deslanchar, mas a verdade é que o time tem que estar contente só por ter passado de fase na Champions, como fez, e ainda assim estar vivo até hoje na briga para voltar à competição européia no ano que vem. Não é qualquer São Caetano que consegue deixar de ser time pequeno e, mesmo montando e desmontando o elenco tantas vezes, seguir no alto patamar por anos seguidos.

Atlético 2 x 0 Betis – O Atlético de novo decepciona? Por um lado sim, porque quando a gente lê uma escalação com quatro ou cinco nomes consecutivos que você vê e pensa – “ah, esse é bom de bola” – o normal seria esperar evolução. E evolução, para o time que chegou à Liga dos Campeões na temporada passada, seria quase-quase brigar pelo título. Em vez disso, o Atleti continua perdendo aquele tipo de jogo como os 4-2 contra o Osasuna um tempo atrás, ou os 5-1 para o Racing, e sofre para conseguir continuar na briga. Sorte é que, entre tanto dinheiro mal utilizado (Reyes, Simão, Raúl García…), estavam aquelas que foram duas das melhores contratações de equipes espanholas nos últimos anos: Kun Agüero e principalmente Diego Forlán, autor dos dois gols contra o Betis. Com eles, o uruguaio chega a 25 – empatado com David Villa e atrás só de Eto’o . São 96 gols em 177 jogos pela Liga Espanhola, média de 0,54 por jogo. No seu tempo de Atlético de Madri, Fernando Torres fez 82 em 214 partidas, média de 0,38.

Espanyol 3 x 0 Valencia – Ninguém, porém, é mais incerto do que o Valencia. Com exceção, talvez, da conta bancária dos jogadores do próprio.

Depois daquela reação, que coincidiu com o depósito de uma bolada de salários e prêmios atrasados, os valencianos se animaram e lançaram até o gigantesco abaixo-assinado “Tots Units”, de apoio para que o time alcance o terceiro lugar no campeonato. Parecia que vinha dando certo, até aparecer o Espanyol em pleno movimento de reequilíbrio cósmico.

Desde que o argentino Pochettino, ídolo da torcida no seus tempos de jogador, assumiu o comando da equipe, o Espanyol lentamente se encontrou. Agora, está invicto há seis partidas (cinco vitórias e um empate) e nas últimas cinco o goleirão camaronês Kameni não sofreu gols. Agora, o time de Barcelona abre quatro pontos da zona de rebaixamento e começa a fazer justiça ao elenco razoável que tem.

A classificação sub-Barça e Real Madrid, portanto:

Sevilla 60
Valencia 56
Atlético 55
Villarreal 55
Deportivo 53
Málaga 51

Os próximos jogos de cada um:

Rodada 35:
Atlético x Espanyol
Barcelona x Villarreal
Sevilla x Mallorca
Valencia x Real Madrid
Málaga x Racing
Recreativo x Deportivo

Rodada 36:
Atlético x Valencia
Deportivo x Getafe
Sporting x Málaga
Osasuna x Sevilla
Villarreal x Real Madrid

Rodada 37:
Athletic x Atlético
Sevilla x Deportivo
Villarreal x Valencia
Málaga x Betis

Rodada 38:
Atlético x Almería
Deportivo x Barcelona
Valencia x Athletic
Mallorca x Villarreal
Numancia x Sevilla

Quem classifica para a Champions? Para mim, Sevilla e o vencedor do jogo da rodada 36 entre Atlético e Valencia – que bem que a ESPN podia mostrar. Se bem que, reparando bem, que quem tem a melhor tabela desses todos é o Málaga e quem sabe se o… hmmm… deixa pra lá.

 

Notas relacionadas:

  1. Por domingos menos didáticos
  2. Tira a mão da minha honra
  3. Mentiras que os gols contam
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 28 de abril de 2009 Sem categoria | 20:25

0×0 para quem?

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Seria o caso de dizer que o Chelsea parou o ataque do Barcelona, porque parou mesmo. Isso embora não tenha exatamente parado, porque os catalães atacaram o tempo todo. Mas o fato é que de hoje até a segunda partida, em Stamford Bridge, vamos ouvir falar em “antídoto contra o Barcelona”, em “nó tático” e em como os ingleses saíram na frente apenas por não terem sido goleados no jogo de ida, como o Bayern de Munique.

Não é verdade que Guus Hiddink tenha descoberto antídoto algum, muito menos que tenha atado qualquer nó tático. O holandês teve, sim, a coragem de ser covarde – e por isso merece elogios. O Barça só sabe jogar de uma maneira, que é atacando, e faz isso de maneira sensacional. O que o Chelsea fez foi o mesmo que fazem o Sporting Gijón, o Racing Santander ou o Osasuna quando vão ao Camp Nou: tratou de pensar primeiramente – e, se preciso, unicamente, em dar o mínimo de espaços possível ao Barcelona. A diferença é que, para isso, Hiddink tem John Terry, Alex, Ivanovic, Essien, Cech… E também que sabe que, para o jogo de volta, tem um estádio intimidante, capaz de transformar o 0×0 da ida em autêntico motivo de pressão para os catalães.

Terminar de ver Barcelona x Chelsea foi como sair da sessão de Kill Bill 1. Não foi nada sensacional. Houve momentos sensacionais, como momentos duvidosos, mas, mais do que qualquer das duas sensações, ficou a vontade de que a continuação começasse logo em seguida, para saber que caminho Quentin Tarantino ia tomar.  Porque teoricamente o 0×0 não é desastre nenhum para o Barça. Aliás, se a teoria sozinha vale algo, no Stamford Bridge – onde se espera que Hiddink não possa transformar seu time inteiro em volantes e passar incólume -, a tendência é que o Barcelona tenha mais espaço e, com isso, seja mais perigoso. Aí sim vai ser curioso saber que caminho o holandês vai preferir: continuar assumindo que não tem equipe para disputar em igualdade de espaços cedidos ou contar com o fato de jogar em casa e adiantar a marcação. De qualquer jeito, vai ser interessante. Talvez não espetacular – como Kill Bill 2, e como muitas vezes se espera de uma semifinal com dois timaços -, mas divertido da mesma forma.

Foto: EFE

Notas relacionadas:

  1. Acaba por aqui
  2. Um dia a casa cai
  3. Independência ou morte
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009 Sem categoria | 13:43

Pra tudo se acabar na quarta-feira

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 Bastaram algumas noites no baile dos expatriados, ignorando o universo com nossa fantasia de papa-léguas, e de súbito a certeza mais certa deste espaço parece algo incerta pela primeira vez em alguns meses. E não porque o Barcelona perder sua longa invencibilidade no Campeonato Espanhol no dérbi contra o Espanyol e empatar com o Lyon por 1-1 fora de casa sejam qualquer coisa próxima de um desastre ou de uma crise. Qualquer equipe do mundo aceitaria sorridente chegar a esta altura da temporada assim: praticamente garantida na final da Copa do Rei, precisando de um empate em 0-0 para ir às quartas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA e líder do Campeonato Espanhol com sete pontos de vantagem.

A questão toda é que o respeito e a admiração construídos pelo Barcelona desta temporada não têm a ver tanto com seus resultados quanto com a maneira como o time os consegue. Não tem a ver apenas com o futebol jogado, mas com a tranquilidade com que o repetia outra e outra vez como se não fosse preciso muito para isso. Então, os adversários já entram sabendo que, independente de qualquer variável, do outro lado vem um time que vai fazer uma partidaça – ou pelo menos uns bons trechos de partidaça. Com a derrota no Camp Nou contra um Espanyol à beira da concordata e com o Real Madrid tirando cinco pontos de diferença em uma semana, parece que essa imagem amedrontadora do time de Josep Guardiola se esvaneceu ou borrou um pouco. O problema não são as três partidas com dois empates fora de casa (2-2 com o Betis e 1-1 com o Lyon) e uma derrota em casa (1-2 Espanyol). O problema são três partidas sem sobrar, como o Barcelona vinha sobrando (mesmo nas poucas vezes em que não vencia).

Alguma hora o time ia parar de golear e Messi ia deixar de marcar pelo menos um golaço por jogo, claro. Qualquer um que se prestasse a parar e pensar chegaria a essa conclusão, e tenho certeza de que entre eles está Josep Guardiola. Mas adianta pouco se prevenir, porque o perigo não vem da maneira como o próprio Barça encara o primeiro momento ligeiramente difícil da temporada: a maior mudança são os outros times, que, pelo menos durante alguns dias, têm um argumento concreto para justificar o “Yes, we can” da preleção no vestiário.

***

E, se de fato se prestou a parar e pensar, Guardiola também sabia que cedo ou tarde chegaria o momento importante da temporada em falhas de Victor Valdés resultariam em pontos perdidos – como aconteceu contra o Espanyol no domingo e ontem diante do Lyon (que, para mim, foi falha sim). Foi assim quando o Barcelona perdeu uma Liga quase ganha duas temporadas atrás (empate em 1-1 com o Betis, gol de Rafael Sobis), foi assim quando o time foi eliminado pelo Liverpool na Liga dos Campeões da UEFA em 2007 (gol de Craig Bellamy).

Os catalanistas e os jornais de Barcelona vivem tentando provar matematicamente como as defesaças de Valdés compensam, em número, suas bobagens. Mas futebol não se mede em Excel, em colunas de positivo e negativo – muito menos a posição de goleiro. Porque um time conta com gols sofridos em bolas difíceis. Se diversos pontos da equipe falham, ou se o adversário tem mérito o suficiente a ponto de criar uma situação em que a bola chega até o gol de forma difícil de defender, isso é um fato natural do andamento do jogo. Se o goleiro fizer uma defesaça, tanto melhor. Se não, se o gol sair, quando o juiz apita e o jogo recomeça, basta seguir lidando com os mesmos problemas: o meio-campo que precisa se fechar melhor, os laterais que precisam subir mais, o craque do rival que precisa ser marcado, o que for. É diferente de quando o goleiro sofre um frango; quando supostamente o restante da equipe não falhou o suficiente para sofrer um gol, que resulta de um erro só. Esse gol nunca está no roteiro, e lidar com ele é imensamente mais difícil para um time do que com qualquer outro: a sensação de perda é maior, para não dizer na desconfiança com relação aos próximos lances que possam se tornar chances de gol do adversário. Nada faz tão mal para o desempenho dos dez jogadores de linha como saber que seu goleiro tem boas chances de sofrer gol em algum lance de bola fácil – independente de quantas defesas milagrosas ele possa fazer entre uma falha e outra.

Por isso é que Victor Valdés, apesar de reunir um clipe de defesas impressionantes mais extenso do que esse abaixo com suas falhas (já desatualizado), está muito, muito longe de ser um grande goleiro. Como Fábio Costa ou Fernando Henrique, Valdés é só uma mescla de milagreiro com pixoteiro, o que, no fim das contas, vale muito menos do que um sujeito que falha pouco, mesmo que quase nunca evite gols que pareciam impossíveis de ser evitados.

***

Garotos no festival ibero-americano de psicomotricidad: o futuro aconteceu

 

Notas relacionadas:

  1. Orgulho barato
  2. Alguma novidade?
  3. Camarões frescos
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 Sem categoria | 20:50

Um dia a casa cai

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Conta o Marca que Javier Aguirre já era, finalmente. E não finalmente porque ele merecesse há tempos, mas porque já faz alguns anos que a cada três ou quatro semanas o mexicano ouvia dizer que havia subido no telhado do Vicente Calderón.

O resultado final do Atleti na temporada passada – ter se classificado para a Champions – está perfeitamente dentro do esperado e, até aqui, a campanha só razoável no Espanhol se equilibra com o bom desempenho na Champions. Não há nenhum desastre em curso, ok. Mas a esta altura já começo a achar que Javier Aguirre teve tempo e material humano o suficiente para ter montado um time que funcione o tempo todo, no qual se possa confiar. Não conheço o dia-a-dia do Atético de Madrid o bastante para dizer quanto disso tem a ver com seu relacionamento com os jogadores, mas, se tivesse que palpitar (não tenho, mas vou), diria que bastante.

Talvez fosse melhor esperar ver no que dá nas oitavas da Champions – que de repente turbinam o restante da temporada -, mas a verdade é que já é hora mesmo de outra pessoa tentar fazer Maxi Rodríguez, Agüero, Forlán, Paulo Assunção e toda essa gente boa (ou pelo menos boa o bastante) que o Atlético tem se transformar no terceiro ou quarto melhor time do país, sem que ninguém tenha sempre dúvidas a respeito.
(Foto: EFE)

***
Como quase todos achavam e quase ninguém entende, o escolhido pelo Real Madrid para ser inscrito na segunda fase da Liga dos Campeões foi Diarra II, e não Huntelaar. O time confirmou hoje que o volante francês vai fazer parte do grupo, além do húngaro Adan Szalai (que vem da filial do time de Castilla) e do recém-contratado Julien Faubert, do West Ham. Eles substituem os lesionados Diarra I e Van Nistelrooy e o incógnito Rubén De La Red – que está passando por uma bateria gigantesca de testes para descobrir o que acontece com sua saúde (ou se acontece alguma coisa). Amanhã, aliás, falamos mais do caso dele.

***

E o Barcelona, hein? Perder por 1-0 para o Racing depois de tanto tempo invicto…

Notas relacionadas:

  1. Orgulho barato
  2. Um reforço e meio
  3. Retórica feminina
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , ,