Publicidade

Posts com a Tag Jornal Placar

quarta-feira, 20 de maio de 2009 Sem categoria | 13:21

Fim do fim de festa

Compartilhe: Twitter

Não foi nada surpreendente ver o Barcelona assegurar o título no fim de semana graças a uma derrota do Real Madrid. Já estava assumido e oficializado que a temporada havia chegado ao fim com os históricos 6 x 2 do Santiago Bernabéu. Foi lá que o Barça de ameaçado se tornou campeão; que Juande Ramos de gênio invicto se tornou um cretino sofredor de goleadas; que Florentino Pérez de adorado futuro presidente se tornou adorado e aguardadíssimo futuro presidente.

Como ser campeão nesta temporada já tinha sido algo descartado e a vaga na Liga dos Campeões da UEFA do ano que vem já está garantida há tempos, ninguém vestido de branco consegue encontrar uma razão para se dedicar neste fim de festa. Principalmente porque não se sabe o que acontecerá no ano que vem: com técnico novo, presidente novo, cofre cheio novo, ninguém consegue sequer se dar o trabalho de provar o seu valor para mostrar que pode permanecer na temporada que vem. A temporada que vem não existe; existe o clube que vem.

Já passou da hora das coxinhas frias e de Natalie Cole e Nat King Cole cantando Unforgettable para a pista semi-vazia. As luzes estão acesas; as cadeiras, viradas, e o Real Madrid está parado na porta, morrendo de frio, esperando o táxi chegar. A festa já acabou e, pior, ainda falta esperar duas rodadas. Justinho o cenário que Florentino Pérez queria para apresentar suas promessas de fartura e diversão.

Gafe Real

Quem assistiu à final da Copa do Rei pôde ver que a TVE, emissora estatal espanhola que gerou as imagens da partida, não leva jeito para futebol: foi um festival de cortes de cabeça, replays atrasados e câmeras mal posicionadas. Mas o pior foi antes do jogo: a TVE errou a contagem para entrar no ar e acabou não veiculando a execução do hino espanhol. Isso bem num jogo entre uma equipe catalã e uma basca, sob o nariz do Rei Juan Carlos II. Resultado: o diretor de esportes, Julián Reyes, foi demitido.

Gafe Divina

Tanto quanto sua condição de grande jogador, Sergio ‘Kun” Agüero está consolidando nesta temporada uma alardeada imagem de trapaceiro. O lance do pênalti que deu a vitória por 1 x 0 ao Atlético de Madri no importantíssimo duelo contra o Valencia nasceu de um notável mergulho do argentino na frente do goleiro Cesar. Depois do jogo, ele próprio admitiu que não foi nada. Para quem já marcou dois gols de mão, é genro do mano de Diós himself e leva a vida perseguido por quartos-zagueiros moralistas, trata-se de fama perigosa.

Coluna publicada no Jornal Placar de 20 de maio.

Notas relacionadas:

  1. Acaba por aqui
  2. O furo é mais embaixo
  3. A Marca da maldade
Autor: juanpolanco Tags: , , , , ,

quarta-feira, 13 de maio de 2009 Sem categoria | 17:10

Que (Copa do) Rei sou eu?

Compartilhe: Twitter

A Copa do Rei só tem alguma importância quando o time é eliminado dela ou quando conquista o título. Só serve para criar crises – como quando o Real Madrid foi eliminado pelo Real Unión, da 3ª divisão, e acelerou a demissão de Bernd Schuster – ou para salvar temporadas, como salvou a do Valencia no ano passado. Para cornetar e para comemorar, não importa quem jogou com reservas ou não: aquele é um dos torneios mais tradicionais do planeta, o segundo maior do país e não se fala mais nisso.

A final de hoje entre Barcelona e Athletic Bilbao, por exemplo, deveria ser uma situação em que os catalães não têm muito a perder: jogaram o torneio todo com time misto, já quase garantiram um dos títulos que importa e estão na final do outro. Seria o caso de jogar tranquilo, aproveitar o fato de ter mais talento e ver no que dá. Mas não vai ser.

A decisão desta noite em Valência é aguardada com ansiedade por toda a Espanha e não só porque pode ser o primeiro de três títulos do Barça na temporada. No último treinamento do Athletic Bilbao em San Mamés, domingo, apareceram 18 mil torcedores. Para despedir o time no aeroporto, mais 2 mil. A prefeitura instalou 22 telões pela cidade e seis no estádio, que estará lotado. Se o Athletic ganhar, iguala o recorde do próprio Barça, com 24 títulos.

A Copa do Rei, insisto, serve para pouca coisa, mas serviu para que uma das torcidas mais orgulhosas do mundo tivesse a ilusão de que os bons tempos de time grande voltaram. E, no fundo, ela tem razão. Coisa de time grande é isso mesmo: fazer com que o duelo entre a equipe mais badalada do mundo e o 11º colocado da Liga ganhe cara de algo épico.

Misto
Na final de hoje, o Barça novamente não terá o time titular, em parte porque não pode: Andrés Iniesta se machucou no domingo e, como Thierry Henry, só deve retornar na decisão do dia 27 contra o Manchester United. Eric Abidal, suspenso para a final da UEFA, também está suspenso hoje. Rafa Márquez não joga mais nesta temporada.

Os tais bons tempos
Os dois times decidiram uma Copa do Rei pela última vez em 1984, naquela que foi a última e mais famosa partida de Maradona pelo Barcelona: o argentino conta que foi chamado de “sudaca (termo pejorativo para “sul-americano”) de mierda” e reagiu distribuindo sopapos e voadoras ao fim do jogo, dando início a uma tremenda batalha campal. O Athletic  venceu por 1 a 0.

Conhece a história daquele jogo? Se não, dá uma olhada só:

Coluna publicada no Jornal Placar de 13 de maio de 2009.

Notas relacionadas:

  1. A Copa está morta. Viva a Copa!
  2. Não é só uma Copa
  3. Live and uncut
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , ,

quarta-feira, 29 de abril de 2009 Sem categoria | 17:16

A Marca da maldade

Compartilhe: Twitter

A Espanha é tão ruim de jornalismo esportivo quanto o Brasil de rock n’ roll. E, num caso como no outro, o déficit está menos na incapacidade do que numa enorme falha conceitual. A imprensa esportiva espanhola e o rock brasileiro partiram de premissas equivocadas; nasceram tortos. Só que, amparados pela confortável ideia de que popularidade é sinal de qualidade, jamais assumiram seu pecado original. Então, para cada Mutantes, há duas dúzias de Capitais Iniciais. Para cada El País, o resto da banca de jornais.

O Marca é o epítome do que significa ser uma publicação esportiva no país: relação carnal com os clubes (nunca assumida) e um conceito todo peculiar de “interesse público”. O diário é do grupo Unedisa, que informalmente (mas sabidamente) é o braço editorial do influentíssimo ex-presidente do Real Madrid, Florentino Pérez.

Desde que o Marca nomeou Eduardo Inda como diretor, derrubar o presidente do Real, Ramón Calderón, virou obsessão. Em janeiro, Calderón deu motivos, e o diário cumpriu a missão. Ou ao menos a primeira parte. O objetivo agora é eleger Florentino Pérez, seja como for.

Semana passada, em entrevista à Al Jazeera, Calderón atacou meio mundo, inclusive Florentino. O Marca reagiu com um editorial lamentando não as acusações, mas que “o foro da vingança patológica” seja o canal “que passa os vídeos nauseabundos de Bin Laden”. Tudo devidamente ilustrado com caricatura de Calderón, olhos vermelhos e mãos gotejando petróleo.

Confesso: o argumento me surpreendeu, embora não devesse. Imprensa espanhola, como rock brasileiro, é assim mesmo: pior ainda do que parece. Quando você acha que já ouviu tudo, que sabe até onde eles podem ir, tem sempre um acústico duplo ao vivo, guardado para os momentos de desespero.

 

***

Fatos e versões
O que irritou o Marca foi Calderón dizer que há “uma corrente que quer eleger Florentino a qualquer preço” e que “ele quis se livrar de Casillas e Raúl”. Ramón Calderón ainda assegurou que, por sua causa, um grande jogador (que todos entendem como sendo Cristiano Ronaldo) já está apalavrado com o Real Madrid.

Elementar, meu caro Juan
Por um descuido desses que os cartórios de notas fazem aos montes, a assinatura da coluna inaugural, da semana passada, entrou não com meu nome, mas com o do nosso mecenas, adido cultural e intermediário, Bruno Sassi – cujas opiniões são bastante mais equilibradas e valiosas que as nossas.

Coluna publicada, como toda quarta-feira, no Jornal Placar do dia 29/04

Notas relacionadas:

  1. De parâmetros e preferências
  2. O furo é mais embaixo
  3. Um dia a casa cai
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , ,

quarta-feira, 22 de abril de 2009 Sem categoria | 18:22

¡No pasarán!

Compartilhe: Twitter

O orgulho de ser més que un club – quer dizer, mais do que apenas um time de futebol – é parte importante da estratégia de marketing do Barcelona. E, como toda estratégia de marketing que dá certo (basta ver a quantidade de camisas vendidas no mundo todo), está baseada num conceito que tem um quê considerável de verdade.

Ao longo dos anos, o Barça construiu uma imagem de que tem vocação militante e de resistência. Tornou-se sinônimo da luta contra a ditadura franquista e símbolo pátrio da Catalunha – que politicamente não é uma pátria, o que só ajuda a reforçar o mito. Por mais que hoje boa parte dos que lotam o Camp Nou sejam gordinhos ingleses que pagam caro por um pacote turístico que inclui ingresso, continua vivo um conceito meio subliminar de que torcer para o Barcelona tem qualquer coisa de poético, de autêntico, de esquerdista, ou contestador.

Não importa o que aconteça de agora em diante, a Liga dos Campeões da UEFA deste ano já foi um belo ingrediente para intensificar esse misto de aura e campanha publicitária do clube. Justo quando mais se reclama que a libra esterlina está fazendo um dumping no futebol do resto do mundo, para muita gente, torcer para o Barcelona de Messi, Henry e Eto’o, que não sabe jogar de outro jeito que não seja atacando, vai ser como uma resistência heroica a tudo o que o planeta tem de desagradável, do capitalismo ao chuveirinho, passando pela marra de Cristiano Ronaldo.

Ser o único clube não-inglês nas semifinais permite ao Barça interpretar um papel que adora: de bunker de esperança e idealismo; quase de Barack Obama. Pode ser maniqueísta, ingênuo e até mentira, mas não dá para negar que é divertido. Nem que seja só para dar assunto.

Sevilha, Brasil
A rodada foi desastrosa para os dois jogadores de Seleção do Sevilla: Luís Fabiano começou no banco e só entrou nos últimos seis minutos; Adriano foi expulso no fim do primeiro tempo, quando o time vencia por 1-0. No minuto seguinte o Valencia empatou e, na segunda etapa, virou.

Mercados futuros
Quer saber o nome de um sujeito que ainda vai aparecer em time grande na temporada que vem? Álvaro Negredo, centroavante (mas centroavante mesmo!) do Almería. Outro? Achille Emana, camaronês bom de bola que é dono do meio-campo do Betis. Pode anotar.

Coluna publicada (e com assinatura errada, do nosso mecenas Bruno Sassi!) no novissíssimo Jornal Placar desta quarta-feira, dia 22.

Notas relacionadas:

  1. Das agruras de esquecer um antigo amor
  2. Orgulho barato
  3. Alguma novidade?
Autor: juanpolanco Tags: , , , , ,

quarta-feira, 12 de novembro de 2008 Sem categoria | 17:26

Obina é melhor que o Higuaín

Compartilhe: Twitter

A maneira que se encontrou para resumir a rodada do Espanhol foi dizer que “Eto’o e Higuaín marcaram quatro gols, e Barça e Real venceram”. O que, dentro dessa sopa de ervilha que convencionamos chamar de objetividade, está correto. Embora a frase, por omissão, seja escandalosamente mentirosa. 

Porque não há paralelo melhor para comparar a fase de Barcelona e Real Madrid do que a forma como seus atacantes anotaram esses gols. O camaronês, em 45 minutos, concluiu quatro daquelas tabelas que já deixam os catalães orgulhosos de novo (não precisa muito) por ter não só o melhor time do país (país? Que país?), como também o que joga mais bonito no planeta.

O Real Madrid, enquanto isso, segue refém da sopa de ervilha. Tudo o que tem são fatos: o time ganhou, está a só dois pontos do Barça e, sem seu melhor (único?) atacante, viu o substituto marcar quatro. 

Verdade, claro, mas verdade que omite não só como foram os gols de Higuaín – dois deles em pênaltis inexistentes -, mas também que o Real foi vaiado e saiu mais preocupado com os erros do que aliviado pela reação. E principalmente: Gonzalo Higuaín ser a solução para vencer o Málaga esconde o fato de que, num time que gastou 250 milhões de euros em contratações em três anos, isso por si já é um enorme problema. 

A torcida do Flamengo pode voltar a cantar que Obina é melhor que Eto’o, que a piada vai continuar tendo graça. Agora, com Van Nistelrooy machucado, que ninguém queira repetir a brincadeira usando o ataque do Real como comparação. A ironia ameaça ir toda embora.

* Artigo publicado hoje no Jornal Placar. Agora, toda quarta-feira o Capotón toma forma de embalagem para as pescadas brancas e badejos da feira de quinta. Pode ir tirando a mão do bolso, porque o jornal é gratuito, distribuído de mão em mão como nos saudosos tempos de Lênin. 

Autor: juanpolanco Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última