Fim do fim de festa
Não foi nada surpreendente ver o Barcelona assegurar o título no fim de semana graças a uma derrota do Real Madrid. Já estava assumido e oficializado que a temporada havia chegado ao fim com os históricos 6 x 2 do Santiago Bernabéu. Foi lá que o Barça de ameaçado se tornou campeão; que Juande Ramos de gênio invicto se tornou um cretino sofredor de goleadas; que Florentino Pérez de adorado futuro presidente se tornou adorado e aguardadíssimo futuro presidente.
Como ser campeão nesta temporada já tinha sido algo descartado e a vaga na Liga dos Campeões da UEFA do ano que vem já está garantida há tempos, ninguém vestido de branco consegue encontrar uma razão para se dedicar neste fim de festa. Principalmente porque não se sabe o que acontecerá no ano que vem: com técnico novo, presidente novo, cofre cheio novo, ninguém consegue sequer se dar o trabalho de provar o seu valor para mostrar que pode permanecer na temporada que vem. A temporada que vem não existe; existe o clube que vem.
Já passou da hora das coxinhas frias e de Natalie Cole e Nat King Cole cantando Unforgettable para a pista semi-vazia. As luzes estão acesas; as cadeiras, viradas, e o Real Madrid está parado na porta, morrendo de frio, esperando o táxi chegar. A festa já acabou e, pior, ainda falta esperar duas rodadas. Justinho o cenário que Florentino Pérez queria para apresentar suas promessas de fartura e diversão.
Gafe Real
Quem assistiu à final da Copa do Rei pôde ver que a TVE, emissora estatal espanhola que gerou as imagens da partida, não leva jeito para futebol: foi um festival de cortes de cabeça, replays atrasados e câmeras mal posicionadas. Mas o pior foi antes do jogo: a TVE errou a contagem para entrar no ar e acabou não veiculando a execução do hino espanhol. Isso bem num jogo entre uma equipe catalã e uma basca, sob o nariz do Rei Juan Carlos II. Resultado: o diretor de esportes, Julián Reyes, foi demitido.
Gafe Divina
Tanto quanto sua condição de grande jogador, Sergio ‘Kun” Agüero está consolidando nesta temporada uma alardeada imagem de trapaceiro. O lance do pênalti que deu a vitória por 1 x 0 ao Atlético de Madri no importantíssimo duelo contra o Valencia nasceu de um notável mergulho do argentino na frente do goleiro Cesar. Depois do jogo, ele próprio admitiu que não foi nada. Para quem já marcou dois gols de mão, é genro do mano de Diós himself e leva a vida perseguido por quartos-zagueiros moralistas, trata-se de fama perigosa.
Coluna publicada no Jornal Placar de 20 de maio.
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Autor: juanpolanco Tags: Agüero, Florentino Pérez, Jornal Placar, polenta frita, Real Madrid, TVE