Retórica feminina

Se Inma não receber o que deve, terá que empenhar seu par de botas brancas
O telefone não parou de tocar nesta segunda-feira, com a imprensa de todo o mundo querendo ouvir as palavras deste Barão – precursor dos Direitos Humanos na região da Grande Salamanca – sobre o Martin Luther King, Jr. Day e principalmente sobre essa belíssima e atemporal virgula que separa o sobrenome do “Jr.”
Não sobrou, portanto, tempo suficiente para aquele destrinçar cabal e premente das segundas-feiras, que faz as rodadas de fim de semana parecerem uma perdiz ao vinho tinto. Vamos, então, de enredos sucintíssimos, mas não menos fascinantes. Pelo menos não neste primeiro caso, de Inma Cortiñas – desde já dona de reputação gloriosa no coração de Sua Excelência a Baronesa de Salamanca.
Ali pelo terceiro minuto do segundo tempo do jogo entre o Negreira e o Compostela, válido pela 3ª Divisão, diante de mais de um milhar de espectadores parlamentaristamente pacatos, Inma irrompeu no campo de jogo e se algemou junto à trave. Não sei se você leu com pressa ou o quê, mas eu disse se ALGEMOU!
O árbitro Xulián Fuentes (que alegria os nomes galegos e seus “X” autênticos) não entendeu nada, mas previdentemente chamou a presença da Guarda Civil, que tratou de retirar Inma do campo - e aqui ninguém soube me explicar se ela levou a chave, se foi preciso serrar as algemas, se elas eram de plástico ou se a trave foi levada junto.
Depois é que se revelou do que se tratava a cena: Inma Cortiñas estava protestando contra o Negreira, que supostamente deve até hoje 1500 euros a seu marido, o cerebral volante de contenção David Cotrofe – que hoje milita no Santa Comba. Tudo o que ela queria era conseguir ter uma palavrinha com o presidente do Negreira, coisa que David Cotrofe havia tentado semanas a fio sem nem sombra de sucesso.
Por conta daquilo que os magistrados chamam espartanamente de “distúrbio da ordem pública” (como se houvesse alguma ordem naquilo que é público), pode ser que a autora do algemamento mais célebre da Espanha setentrional receba uma multa de 3 a 9 mil euros (que ficaria bastante mais leve se a família Cotrofe-Cortiñas recebesse os 1500 euros devidos). Pode ser, também, que ela ganhe um busto em pedra de oleado erigido em algum lugar da Espanha (nem que seja na Calle de las Varrilas, 7, Salamanca). Pode ser também que tenha mostrado ao mundo masculino, bem no centro do seu templo, quem é que manda de verdade. Pode ser.
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No nosso bloco especial dedicado a uma peña do Valencia – esta semana os homenageados são o pessoal de Caxambu-MG – , a má notícia é que o goleiro Renan machucou a coxa direita e deve ficar um mês e meio sem jogar. A boa notícia é que Edu não se machucou e não vai ficar um mês e meio sem jogar (por enquanto). E a notícia incerta é que o time está louco para trazer Ramires. Se o negócio acontecesse, seria provavelmente o destino ideal para o cruzeirense – que precisa de um cabeça-de-bagre que nem Albelda (mentira: ninguém precisa de um cabeça-de-bagre que nem o Albelda) (mentira de novo: Luis Aragonés precisa sim) para ficar à vontade para se juntar ao ataque.
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Com dez jogos sem vitória, o Espanyol começa a levar a sério a ideia mais agourenta que já surgiu neste Capotón, de estrear finalmente o seu estádio próprio – 12 anos depois da demolição de Sarrià – na segunda divisão. Dá para pensar em motivo melhor para transformar o novo espaço numa gigantesca, escura e altamirana boate para 50 mil emo-góticos mediterrâneos?
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O Barcelona goleou (grande coisa) e o primeiro gol (um só?) foi marcado por um baixinho canhoto que veio da ponta-direita passou por dois (aposto que estavam desatentos) e tocou mansinho no canto do goleiro (pra mim ele falhou). O mesmo de sempre.
Notas relacionadas:
Autor: juanpolanco Tags: a mulher é o lobo do homem, a mulher é o ópio do povo, a propriedade privada é um crime, algema, amar é..., argumento-leite das crianças, Barcelona, Elástica, Espanyol, eu já ia resolver, Grrrl Power, Inma Cortiñas, Justiça Trabalhista, limão galego, M****, Martin Luther King, Praça da Paz Celestial, Simone De Beauvoir, Valencia







