Publicidade

Posts com a Tag Barcelona

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 Sem categoria | 22:41

Retórica feminina

Compartilhe: Twitter


Se Inma não receber o que deve, terá que empenhar seu par de botas brancas

O telefone não parou de tocar nesta segunda-feira, com a imprensa de todo o mundo querendo ouvir as palavras deste Barão – precursor dos Direitos Humanos na região da Grande Salamanca – sobre o Martin Luther King, Jr. Day e principalmente sobre essa belíssima e atemporal virgula que separa o sobrenome do “Jr.”

Não sobrou, portanto, tempo suficiente  para aquele destrinçar cabal e premente das segundas-feiras, que faz as rodadas de fim de semana parecerem uma perdiz ao vinho tinto. Vamos, então, de enredos sucintíssimos, mas não menos fascinantes. Pelo menos não neste primeiro caso, de Inma Cortiñas – desde já dona de reputação gloriosa no coração de Sua Excelência a Baronesa de Salamanca.

Ali pelo terceiro minuto do segundo tempo do jogo entre o Negreira e o Compostela, válido pela 3ª Divisão, diante de mais de um milhar de espectadores parlamentaristamente pacatos,  Inma irrompeu no campo de jogo e se algemou junto à trave. Não sei se você leu com pressa ou o quê, mas eu disse se ALGEMOU!

O árbitro Xulián Fuentes (que alegria os nomes galegos e seus “X” autênticos) não entendeu nada, mas previdentemente chamou a presença da Guarda Civil, que tratou de retirar Inma do campo  - e aqui ninguém soube me explicar se ela levou a chave, se foi preciso serrar as algemas, se elas eram de plástico ou se a trave foi levada junto. 

Depois é que se revelou do que se tratava a cena: Inma Cortiñas estava protestando contra o Negreira, que supostamente deve até hoje 1500 euros a seu marido, o cerebral volante de contenção David Cotrofe – que hoje milita no Santa Comba. Tudo o que ela queria era conseguir ter uma palavrinha com o presidente do Negreira, coisa que David Cotrofe havia tentado semanas a fio sem nem sombra de sucesso.

Por conta daquilo que os magistrados chamam espartanamente de “distúrbio da ordem pública” (como se houvesse alguma ordem naquilo que é público), pode ser que a autora do algemamento mais célebre da Espanha setentrional receba uma multa de 3 a 9 mil euros (que ficaria bastante mais leve se a família Cotrofe-Cortiñas recebesse os 1500 euros devidos). Pode ser, também, que ela ganhe um busto em pedra de oleado erigido em algum lugar da Espanha (nem que seja na Calle de las Varrilas, 7, Salamanca). Pode ser também que tenha mostrado ao mundo masculino, bem no centro do seu templo, quem é que manda de verdade. Pode ser.

***

No nosso bloco especial dedicado a uma peña do Valencia – esta semana os homenageados são o pessoal de Caxambu-MG – , a má notícia é que o goleiro Renan machucou a coxa direita e deve ficar um mês e meio sem jogar. A boa notícia é que Edu não se machucou e não vai ficar um mês e meio sem jogar (por enquanto). E a notícia incerta é que o time está louco para trazer Ramires. Se o negócio acontecesse, seria provavelmente o destino ideal para o cruzeirense – que precisa de um cabeça-de-bagre que nem Albelda (mentira: ninguém precisa de um cabeça-de-bagre que nem o Albelda) (mentira de novo: Luis Aragonés precisa sim) para ficar à vontade para se juntar ao ataque.

***

Com dez jogos sem vitória, o Espanyol começa a levar a sério a ideia mais agourenta que já surgiu neste Capotón, de estrear finalmente o seu estádio próprio – 12 anos depois da demolição de Sarrià – na segunda divisão. Dá para pensar em motivo melhor para transformar o novo espaço numa gigantesca, escura e altamirana boate para 50 mil emo-góticos mediterrâneos?

***

O Barcelona goleou (grande coisa) e o primeiro gol (um só?) foi marcado por um baixinho canhoto que veio da ponta-direita passou por dois (aposto que estavam desatentos) e tocou mansinho no canto do goleiro (pra mim ele falhou). O mesmo de sempre.

Notas relacionadas:

  1. Ano novo, nada novo
  2. Alguma novidade?
  3. Significante x significado
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 11 de janeiro de 2009 Sem categoria | 23:14

Significante x significado

Compartilhe: Twitter


Robben continua como o melhor do Real, apesar de correr que nem um marreco (Reuters) 

O Mallorca é provavelmente o pior time do campeonato: pela equipe que tem e por não ter nem um estádio onde a torcida atrapalhe o adversário – como o Osasuna, por exemplo. Portanto, que o Real Madrid vença por 3-0 fora de casa não teria por que significar grande coisa. Mas significou.

Além de ter a volta de Higuaín (e jogando bem), o Real teve gols de Raúl e Sergio Ramos, dois dos jogadores que mais têm identificação com a torcida e que menos vinham jogando. Para as chances do tricampeonato, faz pouca diferença o fato de o time ter alcançado o segundo lugar, só que, simbolicamente, é mais um passo rumo àquilo que mais fazia falta e que aos poucos passa a acontecer normalmente: o Real Madrid volta a se sentir como time grande, maior do que os outros 18 do país. É assim que tem que estar não para brigar pela Liga, que já está ganha pelo Barcelona, mas pelo menos para encarar com chances aquilo que mais lhe importa: a décima taça de campeão europeu.

***
A vitória do Real se limita mais ainda ao simbolismo e à psicologia porque o Barcelona conseguiu uma vitória importante, de virada, por 3-2 sobre o Osasuna em Pamplona. Diferente do que costuma acontecer numa situação dessas – quando o time leva a virada e, nos últimos dez minutos, marca dois gols e se recupera -, ganhar não foi importante por causa da raça ou da atitude louvável de nunca desistir; mas exatamente pelo contrário.

O 3-2 foi importante por causa do descaso e da moleza do Barça no início do segundo tempo. Por causa de 25 minutos de futebol preguiçoso que poderiam ter custado a vitória. Deveriam ter custado a vitória; normalmente custariam a vitória. Mas esse time é tão talentoso que bastou voltar a jogar bola. Não com coração na ponta da chuteira, ardor e vibração, arrancando a enxada uma vitória suada. Não foi nada disso. O Barcelona jogou, parou de jogar e, quando viu a besteira que tinha feito, voltou; como quem cochila com a vara de pesca na mão e acorda, apenas ligeiramente agitado pela balançada de cabeça.

Sobre Messi, nem uma palavra. Porque claro que não era Messi acertando um chute daqueles para ganhar o jogo. Messi, quando faz golaços (e ele faz muitos), os faz por causa da velocidade e da habilidade, costurando todo mundo e tocando com jeito para o gol. Ninguém vai nos convencer de que o mesmo jogador que faz aquilo tudo é o que acerta um chute como o que colocou o Barcelona na frente. É ridículo e inconcebível e, além do mais, este Capotón decidiu em foro interno, intrínseco e autoanalítico que não fala mais de Messi a não ser que seja estritamente necessário. E, se nem foi ele – mas sim algum doppelgänger, ilusionista ou escapista – que marcou aquele terceiro gol, não tem sentido nenhum citar aqui o nome de Lionel Messi.

***

A torcida do Atlético de Madri está aliviada porque poderá colocar em prática esse seu prazer proibido, parecido com Edith Piaf ou a torcida do Palmeiras, de viver uma profunda, dilacerante e maravilhosa crise. Até então faltava uma derrota em casa contra um time modesto para consolidar a situação e permitir que o pessoal se deliciasse em impropérios, pañuelos blancos e assoVios (com V, manifestação aguda de descontentamento; que é diferente de assoBio, usado para reproduzir melodias em momentos de tédio, vergonha disfarçada e/ou Patience do Guns n’ Roses). Cair diante do Athletic Bilbao significa que ninguém mais precisa falar baixinho, pichar muros na escuridão ou se reunir nos porões para exigir a cabeça de Javier Aguirre servida numa elegante baixela de prata. Agora é público e legítimo de novo: o Atlético está em crise e Aguirre, na corda-bamba. Colchoneros dos quatro cantos do planeta, a alegria está à mesa.

Notas relacionadas:

  1. Um hipotálamo incomoda muita gente
  2. Acaba por aqui
  3. Alguma novidade?
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 Sem categoria | 16:49

É só a rodada

Compartilhe: Twitter

Com as portas fechadas e exalando preguiça por todos os poros, o Barcelona atendeu o desejo de Joan Laporta (que, pelo jeito, está namorando alguma uzbeca) e realizou um amistoso com o Bunyodkor (o time que Zico acabou de trocar pelo CSKA). O bate-bola terminou 1-1, o que não tem a menor importância, mas o que chama a atenção de verdade é ver que o gol dos catalães foi feito pelo Puyol e de esquerda! Se você acha que tem alguma possibilidade de que isso não foi armado, eu te saúdo por sua pureza. Dá para imaginar o Eto’o e o Henry gritando que nem loucos quando perderam a aposta.

Tudo isso para se preparar para o jogo fora de casa contra o Osasuna – coisa que, historicamente, seria difícil, mas que na prática significa um encontro entre o lanterna e o líder. (ao vivo domingo, às 18h, na ESPN Brasil)

***

Com o Real Madrid não é muito diferente: jogar em Son Moix (que um pessoal daqui chama francesa e hilariantemente de “Son-Moá”) costuma ser chato, mas com o joão-bobo que o Mallorca se tornou, a tendência é que o Real ganhe mais uma, deixe cada vez mais claro que a briga, se um dia houver uma, será entre eles e o Barcelona e comece a decidir o que vai fazer com seu ataque: Higuaín retorna de lesão e deve voltar a ser titular no lugar do recém-chegado Huntelaar.

***

Ah, é, a rodada tem mais jogos: o Atlético de Madri, que estourou o cava da virada do ano como sensação e agora já está em crise, coloca em risco o emprego de Javier Aguirre (coisa que vem acontecendo ininterruptamente há dois anos) em casa, contra o Athletic Bilbao.

Dois dias depois de marcar o gol palestino contra o o Deportivo, pela Copa do Rei, Kanouté agora vai com o Sevilla até A Coruña jogar contra … o Deportivo. E já pode ficar por lá mesmo para o jogo de volta, totalizando três Sevilla x Depor em sete dias.  (VT às 22h30 do Sábado na ESPN)

E aquele que teoricamente é o melhor jogo da rodada: o encontro entre os vizinhos Valencia e Villarreal.

O resto são aqueles jogos que na terça-feira a gente já não tem mais certeza se foi Almería x Getafe ou Numancia x Racing. Um deles ao vivo na ESPN, no domingo, às 13h55: Betis x Málaga. Se alguém assistir, depois me conta.

Notas relacionadas:

  1. Orgulho barato
  2. Acaba por aqui
  3. Ano novo, nada novo
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 Sem categoria | 19:40

Alguma novidade?

Compartilhe: Twitter


Será a monotonia, na verdade, a história sendo feita? (Reuters) 

Lionel Messi está deixando o futebol monótono. Ou, no mínimo, está deixando o futebol espanhol monótono. Ou, pelo menos, este Capotón.

Porque agora era a hora de falar sobre Daniel Alves e aquela que provavelmente foi sua melhor partida desde que chegou ao Barcelona: nos 3-1 sobre o Atlético de Madrid, o brasileiro deu um passe lindo para o primeiro gol, outro para o pênalti que resultou no segundo e passou a partida toda jogando bolinha de gude com Messi na lateral-direita.

Se o jogo tivesse acabado com 2-0 ou 2-1 para o Barcelona, era isso mesmo que iríamos dizer, sem receio de estar deixando de citar nada digno de nota. Mas, então, como tem se tornado cada vez mais habitual, Lionel Messi nivelou tudo por cima. Para falar de Barça x Atlético, todos vão se referir às mesmas expressões; todos vão dizer que foi “mais um show do argentino”, opinar que ele, hoje, é o melhor jogador do mundo.

Com um pouco mais de 10 minutos para o final do jogo, Messi estragou tudo: primeiro, driblou três adversários em diagonal, como se fosse um Dizzy Gillespie atropelando a banda do Kenny G, e acertou no travessão. No rebote, do bico esquerdo da área, veio o cruzamento que o argentino dominou (parece que impedido), passou pelo goleiro num daqueles dribles que quem tem coração chama de “deu um come” e tocou para o gol de perna direita.

Não é só o fato de se marcar três gols, não é só o fato de dois deles serem bonitos, não é o fato de isso vir acompanhado de outras jogadas espantosamente individuais e objetivas, não é só por isso acontecer com uma frequência até irritante (porque aos poucos já parece que não há nada demais em fazer um jogo como o que Messi fez hoje). É tudo isso junto. E é como Messi o faz: deixando claro que não há nada de sorte, bom momento, confiança ou coisa do gênero como parte do processo; dando a impressão de que pode fazer tudo isso quando quiser, por quanto tempo quiser, de tanto que sobra em relação à banda do Kenny G. 

Um monte de outras coisas aconteceram e mereciam ser analisadas mais do que Messi – que, afinal, não é novidade -, mas enquanto as coisas que Lio faz no campo não se tornam tão, mas tão frequentes que enjoam, de quando em quando vamos ter que retomar este mesmo tema. Sorte de 2008 e de Cristiano Ronaldo que o ano acabou, porque chegou a hora (o ano) em que se torna oficial aquilo que há algum tempo já é verdade pelo critério recreio do colégio (segundo o qual o mundo é o pátio, você ganha o par-ou-ímpar e pode escolher qualquer jogador dele para começar seu time): Lionel Messi é, de muito longe, o melhor jogador do planeta. 

Notas relacionadas:

  1. Um hipotálamo incomoda muita gente
  2. Orgulho barato
  3. Acaba por aqui
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 Sem categoria | 12:41

Ano novo, nada novo

Compartilhe: Twitter

O meu 2009 com um pinguim de leite, por favor.

O ano começou (embora na verdade não seja o começo de nada) confirmando aquelas obviedades que aparecem por aqui pelo menos uma vez por semana. Começando pelo Barça – que, para perder pontos importantes, pontos que possam ser chamados de “tropeço”, precisa fazer mais do que apenas jogar mal. É justamente por isso, por jogos como esse contra o Mallorca, que dizemos que o titulo está definido. Foi um jogo que o Barça poderia ter perdido? Sim. A arbitragem, inclusive, foi responsável por boa parte do sucesso? Sim. Uma hora dessas não vai ter árbitro, ou a bola não vai entrar, e então o Barça vai perder? Sim. Mas isso vai acontecer com a assiduidade necessária para alguém conseguir encostar no líder? Achamos que não.

E, se alguém fosse fazê-lo, esse alguém seria o Real Madrid. Porque essa é outra obviedade que insistimos em defender por aqui, só esperando a hora de aparecer uma surpresa que nos deixe com cara de Luis Aragonés. O Real continua não jogando bem, jogando no máximo médio, mas ganhando de um concorrente direto e caminhando para um final de temporada em que, como sempre, a disputa pelo titulo se limita aos dois gigantes (e aqui que me perdoem a comunidade villarrealista de Rondônia ou os colchoneros de Angola. E eu falo sério, porque agora, com o nôvo acôrdo ortographyco, este Capotón não tem desculpa para não estender seu edredon de sabedoria sobre os territórios lusófonos d’além-mares. O lado ruim é a confusão que pode derivar das novas regras. Por exemplo: chegamos a pensar em uma foto-legenda de Diego Maradona visitando o centro de treinamento do Barça, sob o titulo “Maradona para sempre”. E o amigo sócio-fundador deste Capotón, apesar de sumariamente brilhante, não saberá dizer se estamos brindando a eternidade de Dieguito ou dizendo que ele sempre começa as coisas, mas nunca vai até o fim.

O mesmo vale para as cenas literárias que se passam em cafeterias. Digamos que Maradona e Guardiola (para não fugir do exemplo) tenham conversado e brindado o encontro com um cafezinho na cantina do Camp Nou.

Guardiola: O de sempre para mim.
Garçom: Ok, café puro. E o senhor?
Maradona: O “Senhor”, por favor. Com maiúscula.
Garçom: Perdão. E o Senhor?
Maradona: O meu com um pinguim de leite.

E então o que o garçom deve trazer? Um cafezinho preto amenizado por um pouquinho de leite, para a acidez não afetar o Estômago, ou efetivamente um pinguim de leite? Respondam-nos, amigos quase-compatriotas, lusitanos, timorenses, guinéus e os demais que desde agora falam a mesma língua que nós.) (porque isso tudo eram parênteses abertos, caso você tenha esquecido)

***

Emmersons Nogueiras do mundo, tremei-vos.

E você, que mantém um top 5 de piores versões de todos os tempos (com E.N. como hors concours, em nome da diversidade), prepare-se para decidir quem vai embora: se a sessão de descarrego de Seu Jorge e Ana Carolina em Blower’s Daughter, o Capital “Da-nana-na” Inicial transformando Iggy Pop em Branca de Neve ou Zé Ramalho batendo-tendo-tendo na porta do céu.
Meus 12 queridos apóstolos, ecce homo: Raffaele Canoro, o artista responsável por transformar o hino do Barça nesse mélange de música de churrascaria, música de igreja e (pior!) música dos Scorpions.

Testemunhe você mesmo:

A versão original que toca no estádio antes de todo jogo é essa:

Notas relacionadas:

  1. Das agruras de esquecer um antigo amor
  2. Proferir profecias
  3. Orgulho barato
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 Sem categoria | 10:56

Acaba por aqui

Compartilhe: Twitter

O Barcelona terminou o momento mais difícil de 2008 – a série em que enfrentou consecutivamente Sevilla, Valencia, Real Madrid e Villarreal – com quatro vitórias, 11 gols marcados e só um sofrido. Fecha o ano com dez pontos a mais do que o segundo colocado e suscita uma só pergunta: o titulo já está decidido?

Toda pessoa sensata, e aí se inclui orgulhosamente a dona Baronesa de Salamanca, diria que “de jeito nenhum”, terminando a argumentação triunfante com um “vide a temporada passada”.  Só que este Capotón, como se sabe, é membro-fundador de uma série interminável de cúpulas midiáticas, entre elas a dos arrivistas, arranjistas, arroz-festeiros, precipito-concluentes. Portanto, e sabendo que, segundo o que nos dizem, é Natal – e nenhum dos nossos 4,5 leitores está aqui para ler mesmo – asseguramos: o Barcelona já é campeão espanhol, com um recorde de 22 rodadas de antecedência.

Vou abrir uma exceção, que não deveria, para o caso de um surto de malária, cegueira-branca ou apendicite aguda que dizime Messi, Henry, Eto’o, Xavi, Iniesta e mais uns quatro ou cinco. À parte da saúde, não há nada que tire o titulo deste Barcelona. Porque a vantagem chegou ao ponto em que perder para aqueles que teoricamente também são candidatos ao titulo já não é o suficiente para mudar nada. O Barça ainda teria que perder pontos demais para as equipes que estão abaixo de Sevilla, Valencia, Villarreal, Real Madrid e Atlético de Madri. E não consigo ver isso acontecendo, não mesmo.

***


Diarra II exibe a camiseta que comprou e mandou gravar (Reuters)

A não ser que realmente seja verdade aquilo que um repórter espanhol diz ter escutado numa conversa telefônica entre Ramon Calderón e um de seus diretores, em que supostamente ele diz que já está tudo acertado para a chegada de Cristiano Ronaldo na temporada que vem, o presidente do Real Madrid arranjou foi uma gigantesca sarna para se coçar com todo esse oba-oba em cima do português.

Primeiro, na apresentação do holandês Van Huntelaar, os torcedores apareceram no Santiago Bernabéu munidos daquele sentimento de traído-indignado que só torcedor de futebol e cangaceiro sabe ter: passaram o evento todo vaiando e perguntando ¿dónde está Cristiano Ronaldo? (como se o problema fosse esse). Então, para evitar que o mesmo acontecesse na próxima apresentação de um reforço, nada como… fechar as portas do estádio!

Foi assim, sem ninguém em volta, que Lassana Diarra se apresentou (apresentou para quem?), chegado do Portsmouth com a missão de ser o novo Makelele, ou pelo menos o novo Diarra, embora o francês já tenha dito que não quer saber de ser Diarra II – já tratou de confeccionar sua camiseta com “Lass”, que é como ele pretende ser tratado doravante. Como digno representante dos que até hoje chamam Roque Junior de Junior II, este Capoton já avisa: aqui dentro, tu é Diarra II e não reclama, não.

Notas relacionadas:

  1. Real Madrid que bate BATE
  2. O mundo não é dos chatos
  3. Orgulho barato
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008 Sem categoria | 19:35

Orgulho barato

Compartilhe: Twitter


(Reuters)

Não é que este Capotón mereça qualquer mérito premonitório, muito menos dedutivo, mas o desenlace do clássico de sábado foi exatamente aquele que comentávamos aqui outro dia – e que vinha se desenhando com lápis preto nº 2 durante toda a semana. O Barcelona ganhou, como era quase impossível que não ganhasse, e o Real Madrid saiu com algo para se orgulhar, como era evidente que encontraria.

O primeiro parágrafo da coluna de Alfredo Relaño, do madrileno As, é a conclusão disso tudo que se poderia esperar: “O Real Madrid perdeu o jogo, mas livrou sua cara. Talvez por isso o estado geral do madridismo não é aquele que se poderia esperar quando, logo antes de chegar o fim do ano, está a 12 pontos do líder (que ainda por cima é um Barça magnífico) e além do mais eliminado da Copa do Rei. Mas a questão é que havia se falado tanto (e tão excessivamente) de goleada, que o mero fato de se escapar com um simples 2-0 que será esquecido em um canto da história acabou sendo um alivio para os madridistas. E deixa, por outro lado, uma pontinha de decepção no mundinho culé, em contraste com essa fenomenal soma de pontos.”

O fundamental disso tudo é saber a quem Relaño se refere quando diz “mundinho culé”: os jornais barcelonistas (o Sport e o El Mundo Deportivo) e, por conseqüência, boa parte da torcida. O que aconteceu foi que todo mundo encontrou uma boa razão para prever uma goleada do Barça: o time é melhor, vem embalado e queria vingança dos 4-1 com direito a pasillo na temporada passada. O Real, enquantoisso, vinha destrambelhado, desfalcado e ainda entrando em órbita depois de ter trocado de técnico. Para os jornais de Barcelona, era uma boa chance de criar clima de euforia e vender mais e, para os de Madri, uma boa chance de fazer o papel de zebra para depois poder comemorar qualquer coisa – nem que fossem só os brios mostrados numa derrota por 2-0 – e, claro, vender mais. Então, todo mundo aceitou a versão de que o mais normal seria o Barcelona golear com um pé nas costas e, como isso não aconteceu, a verdade é que entre o público fica um clima aparente de que, afinal, o time hoje não é tão melhor assim do que o rival.

O que, claro, é uma mentira do tamanho do prato de paella marinera que a Baronesa nos preparou este domingo. O clássico foi um dos clássicos menos clássicos de que se tem notícia. Foi como ver um desses shows do Creedence Clearwater Revisited/Reunion/Revamped/Retarded, com algum caipira do Alabama no lugar do John Fogerty. Porque nos clássicos quase sempre há alguém que joga atacando (via de regra o time da casa) e um outro, contra-atacando. Mas desta vez não foi nem isso. O Real agüentou até os 38 minutos do segundo tempo sem tomar gol e na verdade, com o goleiraço que tem, poderia até ter agüentado o 0-0 até o fim do jogo. Mas teria sido um empate como os que conseguiram o Getafe ou o Racing Santander dentro do Camp Nou nesta temporada: um empate de time pequeno, que não fez mais do que se defender e torcer para que, naquele tempo todo que o Barça fica com a bola no pé, nada acontecesse.

As declarações depois da partida foram típicas de jogo entre time grande e time pequeno, com os madridistas dizendo que o Barça “nem foi tão bem assim” e Pep Guardiola justificando que o time “correu mais do que a bola”. Pelo menos até chegar o mercado de inverno, a realidade é essa; a diferença é essa: o Barcelona é, de longe, o melhor time do pais e o Real, no máximo, um time médio. E, sem ter sido uma goleada, e mesmo que tivesse sido um empate heróico, o clássico de sábado mostrou exatamente isso.

Notas relacionadas:

  1. A lesão que faltava
  2. Das agruras de esquecer um antigo amor
  3. Proferir profecias
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 Sem categoria | 17:32

Proferir profecias

Compartilhe: Twitter

Já disse isto aqui outro dia, ou, se não disse, pensei e queria ter dito: o Atlético de Madri 2008/09 – talvez por alguma razão que provavelmente tenha a ver com as conexões rioplatenses da família da Baronesa – nos causa uma tremenda simpatia. Não só simpatia, mas aquele comichão na orelha esquerda que a presença de uma equipe surpreendente provoca, sabe? (como não?!?)

O que acontece é que, com nossos favoritos Forlán, Kun e Maxi, uma dupla de volantes cada vez mais bem acertada (Raúl García e Paulo Assunção, que vem jogando muito; mais do que Josué e Gilberto Silva juntos) e mais alguns daqueles curupiras que de vez em quando aparecem bem na hora certa – um Alex Alves (Simão) ou um Josimar (Pernía) – esse Atlético tem potencial para ser um Porto de 2003, ou uma Portuguesa de 1996.

O que nos deixa mais confiantes ainda é que a estatística provavelmente estará ao nosso lado, já que sempre é preciso ter alguma surpresa e, numa Champions League em que só se classificam os grandes – que não têm nada de surpreendente – a missão de manter o universo em órbita perfeita e cabal será ou do Atlético de Madri, ou no máximo do Villarreal, que também é da área. Portanto, Europa, espere por nós.

***


Cannavaro: “O pior de perder é depois ter que pagar as flexões de braço” (Reuters)

O Real Madrid perdeu de novo, os jornais madrilenos culparam o árbitro de novo e, mais uma vez, a Bernd Schuster não sobrou outra alternativa a não ser se antecipar aos desastres futuros. Uma semana antes do clássico contra o Barcelona, o líder que goleia deus e o mundo e que volta a ser queridinho de todos, com seus nove pontos de desvantagem, o alemão tentou ser sincero e disse que “hoje é impossível ganharmos do Barça no Camp Nou”.

Mas, poxa, Schuster, ninguém mais é tão bobo, né? Até o Luxemburgo já descobriu método melhor para motivar os próprios jogadores do que se fazer de coitadinho para depois potencializar a vitória no contra-ataque ou o empate que passa a ser heróico.

Claro que o jogo vai ser duro, porque ele já começa complicado só por se tratar de um Real x Barça, e Schuster sabe disso tanto quanto Guardiola. Palpite Capotón, pois: 1 x 1 (o que não invalida o palpite da semana passada de que Calderón só esperava uma derrota diante do Barça para demitir o alemão).

***

Essa sim a gente já disse aqui: o grande problema de toda a existência de David Villa é jogar no Valencia. Não necessariamente porque ele deveria jogar num time melhor; podia ser pior também. Porque se por um lado Villa nunca ganha nada, nem tem companhia de primeiríssimo nível ao sei lado, por outro também não tem a resposta óbvia quando chega uma oferta do Real Madrid ou do Chelsea. Jogasse ele no Valladolid, o empresário não teria nem chegado no último zero do valor da proposta e o “sim” já estava dito. Agora, jogando no Valencia, não: a cartolagem valenciana tem a obrigação de dizer “espera um pouco, mas nós somos uma grande equipe; não somos trampolim para ninguém”.

Aliás, a questão não é que o grande problema de toda a existência de David Villa é jogar no Valencia, mas sim que o grande problema de toda a existência do Valencia é ser o Valencia. O que significa saber que a médio prazo não vai disputar com Real e Barça, mas também não ter a liberdade de falar com tranqüilidade “pô, peraí, a gente não é nada demais. Quinto lugar tá bom pra caramba”.

 

Notas relacionadas:

  1. David Villa é o melhor centroavante do mundo
  2. Real Madrid que bate BATE
  3. Por domingos menos didáticos
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 17 de novembro de 2008 Sem categoria | 12:13

Um hipotálamo incomoda muita gente

Compartilhe: Twitter


Quando Messi bate para o gol, seu hipotálamo direito coça um pouco
(Reuters) 

Não é correto, aliás, não é aceitável que Leo Messi conclua jogadas de dentro da área como fez no primeiro gol do Barcelona contra o Recreativo e como tem feito mais e mais desde a temporada passada. Tem algo muito errado nisso; alguém – seja Deus, o acaso, ou o próprio Messi – não está cumprindo com o combinado. É como se Jardel aos poucos aprendesse a ser rápido e driblador; se Thom Yorke começasse a compor sambas cada vez mais lindos; se Franz Kafka desenvolvesse um senso de humor (podia seguir dando exemplos para sempre). São condições que se chocam, que não podem ocupar o mesmo lugar num cérebro. O que, por lógica, nos leva a crer que Messi tem dois hipotálamos. E, se isso não é motivo suficiente para cassar preventivamente os troféus de melhor jogador do mundo que ele vai receber nos próximos cinco anos seguidos, não sei o que mais é preciso.

O eletroencefalograma mostra claramente: Messi tem dois hipotálamos e um nível de emissão de pósitrons muito superior ao que é considerado aceitável pela Wada.
 

***

Falando em finalizar, quanto mais vemos Diego Forlán jogar, mas temos a certeza de que se trata de uma versão um pouquinho mais lenta e um pouquinho menos decisiva de Batistuta. Pergunta-se: você consegue pensar em algum jogador no planeta que chute tão bem com as duas pernas? Você só descobre que Forlán é destro quando ele pára para bater um pênalti, e o jogo de ontem contra o Deportivo foi o melhor exemplo disso: 4-1, com dois gols do uruguaio, ambos de canhota.

***

De seu tulipário em Eindhoven, o amigo e correspondente informail Jochen Konings nos conta que, quando conversou com a imprensa de seu país, falando em holandês, vestindo seu par de tamancos e comendo queijo Gouda ao som dos moinhos de vento, Van Nistelrooy disse algo mais do que tinha dito até então a respeito de sua lesão. Foi sobre o jogo da Champions League contra a Juventus: “Senti que não devia jogar aquela partida. Não me senti bem jogando, mas, entre todos no clube, acabaram me convencendo.” O assunto ameaçou engrenar, e então o artilheiro se esquivou, falou da expectativa e deixou tudo por isso mesmo. Achamos melhor registrar, só para podermos dar origem a alguma acusação intempestiva caso o holandês nunca mais volte a jogar.

***

Hoje é dia de homenagem na Atacar (Associação Talibã dos Adoradores de Carrinhos), onde David Albelda receberá uma miniatura de Maserati GT como reconhecimento pelo feito atingido neste domingo, quando se tornou o jogador que mais recebeu cartões amarelos na história do Valencia: 93 em 249 jogos. “O mais impressionante é que o segundo colocado, Ricardo Arias, precisou de 376 jogos para chegar a 92 amarelos”, comentou o presidente em exercício da Atacar, Diego Simeone. A festa terá ainda a presença de dirigentes brasileiros da entidade, como Márcio Nunes e Wilson Gottardo. Devido a um compromisso comercial que tem agendado para a quarta-feira à noite, Dunga não poderá comparecer, mas deixou gravada sua mensagem, que será exibida no telão: “Se ele fosse brasileiro, eu convocava.” Apos a cerimônia, os convidados se esbaldarão na pista de grama molhada, ao som da banda Autoramas.

Notas relacionadas:

  1. A lesão que faltava
  2. Das agruras de esquecer um antigo amor
Autor: juanpolanco Tags: , , , , , , , ,

sábado, 15 de novembro de 2008 Sem categoria | 20:35

Das agruras de esquecer um antigo amor

Compartilhe: Twitter

Ronaldinho ajeita seus tampões de ouvido invisíveis: na época do Barça, eles sempre foram úteis

Não se trata só da falta de assunto para, então, voltar à carga contra nossos supostos colegas, os jornalistas espanhóis. Mas é que algumas coisas neste planeta realmente incomodam este Capotón. Pernilongo é uma delas, e que mexam no meu nariz, outra. Só que ultimamente, vivendo num 11º andar inalcançável por vôo livre e passando uns dias sozinho enquanto a Baronesa visita os primos nos Andes, o que realmente tem me dado nos nervos são as notinhas pestilentas que o diário catalão Sport publica periodicamente para atacar Ronaldinho.

O Barça é líder e tem jogado bem, já faz meses que Ronaldinho deixou o clube e ainda assim, por razões que se pode deduzir – como tento a seguir – e outras mais sórdidas que só se poderia especular – coisa que não vou fazer -, o jornal continua sentindo que é necessário criticar o brasileiro por alguma coisa.

Peguemos, dos últimos dias, dois exemplos: “Ronaldinho não se esquece da noite barcelonesa” e “Ronaldinho se arriscou a não passar por um exame antidoping“. Os dois nos levam a crer que alguma coisa efetivamente aconteceu – seja agora ou no passado, que foi descoberta agora -, mas não: uma diz que há pouco mais de um mês o gaúcho esteve em Barcelona e foi a uma discoteca com um grupo de amigos (e daí?) e a outra, escrita num constrangedor tom de reportagem investigativa, cheio de detalhes que se querem reveladores, conta de um dia em que houve exame antidoping de surpresa no Barça e, no momento em que foi chamado para ir ao Camp Nou, Ronaldinho estava gravando um comercial, com o celular desligado. Pegou o recado a tempo e chegou para o exame dez minutos antes do horário-limite (e daí?).

Há duas razões evidentes para esse comportamento: antes de tudo, o fato de que Ronaldinho ainda é uma megacelebridade e, portanto, qualquer coisa que se possa dizer dele é bem-vinda em termos de audiência – mesmo que não haja fato nenhum para justificar. A outra é o orgulho cego que, de maneira geral,para o bem e para o mal, caracteriza os catalães – sobretudo quando o assunto envolve suas tradições e sua cultura, algo de que o Barça é parte fundamental. É preciso deixar bem claro que o Barcelona é mais do que Ronaldinho, e ninguém pode nunca se esquecer disso (mais ainda se o brasileiro começar a jogar bem pelo Milan). Impossível deixá-lo sair impune desse pecado escabroso de “não respeitar as cores do clube”.

Na imprensa esportiva espanhola, cuja última preocupação é fazer jornalismo, esses dois motivos já seriam o suficiente para vermos tanta bobagem gastando tinta, papel e tempo. Há quem possa pensar que, além dessas, existam outras razões, menos antropológicas e mais vingativas, mas nessa seara este Capotón não viaja, contente que já está com os dois processos judiciais* que carrega nas costas.

* – E, para evitar especulação, cito ambos: um por supostas injúrias à Família Real Espanhola (num artigo para o El Pueblo) e outro por perturbação da ordem pública, ganho quando do lançamento de “OK Computer”, em 1997. Sinto uma pontinha de orgulho de ambos. 

Autor: juanpolanco Tags: , , , , ,

  1. Primeira
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
  6. 6
  7. Última