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05/11/2009 - 15:05

Antidoto

Será que, finalmente, encontrou-se uma maneira de enfrentar o Barcelona?

Ou será que nós ouvimos isso há anos sobre qualquer grande time que, em algum momento – porque sempre acontece em alguns momentos – não consegue furar uma e outra retranca que aparecem pela frente?

Porque é claro que se defender sem pudor é uma opção que pode dar certo diante de um time tão bom de bola como o Barça, principalmente se o seu time tem as características para isso, como tem o Rubin Kazan: defesa forte, gente no meio-campo disciplinada e com fundamento, ataque rápido e perigoso. Mas também é claro que isso não funciona a longo prazo, nem em ocasiões seguidas. Poderia, aliás, nem ter funcionado nesses dois jogos em que a equipe de Guardiola ganhou um ponto só: tanto no Camp Nou quanto ontem os catalães perderam uma batelada de chances de marcar. Às vezes as chances vão ser todas desperdiçadas e pronto, paciência. Só que isso não muda nada com relação ao Barcelona ser o Barcelona e seu futebol de toque de bola ser seu futebol de toque de bola, com tudo de louvável (e as mesmas fragilidades, que não são muitas) que tem tido nos últimos tempos.

Destino
Kun Agüero, que não vem jogando bem a temporada toda, resolve fazer sua primeira grande partida justo contra o Chelsea, que há tempos mostra interesse em contratá-lo. A partida serve para decretar a eliminação do Atlético da Champions e dos euros que ela traz. Euros que o Atlético, um dos lanternas do Espanhol, também não deve ter ano que vem. Quando vai precisar, portanto… vender Kun Agüero.

Restam dois
Agora que Cristiano Ronaldo fica pelo menos mais um mês sem jogar e que está começando a deixar de ser tabu o fato de Raúl ser, sim, reserva, chegou a hora de Benzema e principalmente Kaká acharem o jeito certo de jogar pelo Real Madrid. Contra o Milan, já se viu um pouco disso.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
26/10/2009 - 20:25

De segunda

Se não fosse tão orgulhoso, ou tão dirigente de futebol, o diretor do Atlético de Madri Gil Marin teria simplesmente dito: “é, pois é, se era para jogar mal assim, melhor pegar os 90 milhões de euros e pelo menos ter a desculpa de que perdemos Kun e Forlán”.

Porque é justamente isso que Marin diz, com outras palavras, na entrevista que deu ao Marca ontem, quando assume: “Tentamos montar nossa equipe ao redor de nossas estrelas. O Chelsea ofereceu 50 milhões pelo Kun e o Real Madrid, 36 milhões por Forlán. Se os dois querem buscar um horizonte novo, o Atlético vai avaliar o caso.” Para depois concluir assumindo que “se for necessário corrigir alguma coisa no mercado de inverno, nós vamos fazê-lo.”

Salvo uma recuperação (que não é impossível) do Atlético sob o comando de Quique Sanchez Flores, o mercado de fim de ano, normalmente dado a um ou outro ajuste sem-graça, pode estar fadado a ter no mínimo um grande negócio.

***

A palavra “crise” começou a aparecer rabiscada nos cantinhos do quadros-negros em Madri e Barcelona depois das derrotas em casa no meio de semana e, então:

- O Real respondeu com um empate contra o Sporting Gijón, que só serviu para alimentar tudo o que já vinha sendo (justa ou injustamente) alimentado, sobretudo a suposta ‘Ronaldodependência’.

- O Barcelona respondeu com um 6 x 1 daqueles que o time da temporada passada adorava aplicar, que só serviu para atestar como Ibrahimovic aprendeu a jogar em catalão e como a queda de Messi tem bem mais a ver com Maradona do que com o próprio Messi.

Será essa a diferença entre um grande time e um conjunto de grandes jogadores que ainda precisa de um bocado de tempo e (ha!) paciência para se tornar um? O que cada um faz quando se vê obrigado a sair do modo automático?

***

Isso, claro, para não falarmos de dificuldades mais prosaicas como a de entender, finalmente, que diabos significa “horário de verão” – uma das resoluções de Guti para 2010.

É que ainda não foi este ano que o mais louro entre os segundos volantes louros do planeta acertou o que fazer com seu iPhone, se adiantar ou atrasar, ou esperar que a atualização fosse feita via satélite: todas versões alegadas por Guti para chegar DUAS HORAS atrasado no treino deste domingo (o que só faz tudo soar duplamente estúpido).

***

Como parecia, o Valencia veio para a temporada reforçado pelo fato de não ter perdido quase ninguém e, com isso, fazer com que uma base bastante razoável tivesse mais uma temporada inteira de entrosamento nas costas. O resultado é que o time é hoje aquilo que deveria ter sido também no ano passado: um rival do Sevilla na condição de perseguidor de Madrid e Barça.

O sucesso passa por uma linha de quatro homens na frente, que cada vez mais se consolida como sendo de Juan Mata, Pablo Hernández, David Silva e David Villa – com Joaquin e Vicente (quando não internado) no banco de reservas.  Os quatro – e principalmente Pablo Hernández, que era o que ainda mais tinha o que provar – caminham seguros para irem à Copa do Mundo.

***

Hernández, aliás, fez o gol da rodada nos 3 x 0 sobre o Almería; um gol que ele admitiu ter sido inspirado noutro anotado por David Villa em 2006, contra o Deportivo. Aqui o golaço de Hernández:

E aqui o de Villa, de mais longe ainda:

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
20/08/2009 - 14:46

Incenso e conto de fadas

É difícil manter a coerência, a frieza e os valores diante do quanto o planeta fala a respeito do Barcelona e principalmente do Real Madrid. Então, ou você se dedica a estudar o tema a fundo, para separar devidamente os fatos do oba-oba-oba (dois “oba” é pouco), ou se contenta em receber o de sempre – os grandes jornais e a Agencia EFE – e aposta no seu próprio bom senso para não se surpreender dizendo que “este Real mostrou ao Borussia Dortmund que não veio para brincar”.

Isso que, fora da Espanha, o bombardeio ainda é consideravelmente limitado. Nessas horas é que eu agradeço por estar aqui – observando, inalando e escutando a Avenida Santo Amaro -, e não no verão barcelonês,com luz do sol até as 21h30 e cerveja Estrella Damm a partir das 17h. Em todas as outras horas eu morro por causa disso.

Mas, enfim, o fato é que a dimensão que parece tomar, ou que certamente vai tomar tudo o que acontecer com Real e Barça durante os próximos meses me assusta. Não é que eu não goste de ver estrelas no campo, ou que tenha mania indie de só valorizar algo até que se torne popular, ou que não admita que o futebol precisa de um tanto de oba-oba-oba. Só que eu gosto mesmo do futebol. Gosto dos enredos que ele cria e descria, feito um contista esquizofrênico, genial e gago. Os bons enredos, os contos que são uma bofetada na bochecha, acontecem quando existe algo em jogo; algo que não pode ser previsto, nem endeusado – só depois que realmente acontece.

E eu detesto quando fazem com que eu, ou pelo menos que o resto do mundo, perca seu tempo com esses contos que, por inércia rotativa, todos começam a jurar que são arrebatadores, mas que, analisados com um pouquinho da coerência, da frieza e dos valores lá do primeiro parágrafo, não têm nada de esquizofrênicos, gagos e muito menos geniais.

Você pode formar dezenas de frases aparentemente sensatas sobre aquilo que significam a goleada do Real Madrid sobre o Borussia Dortmund ou a derrota do Barça para o Manchester City. Pode falar sobre quanto Kaká começa a achar seu lugar, quanto Cristiano Ronaldo ainda não brilha, quanto a estreia de Ibrahimovic deixou a desejar. Mas nada disso aconteceu de verdade – embora o mais duro seja que, de tanto ser faladas, essas coisas começam a acontecer mais do que as que realmente aconteceram.

Ontem, por exemplo, a única coisa que aconteceu mesmo foi na Grécia. Só que, como o Atlético de Madri não passa desse híbrido de Portuguesa e Estação Primeira de Mangueira, e, principalmente, como Kun Agüero e Diego Forlán não são produto de nenhum negócio feito neste verão, não temos muito o que dizer sobre Atlético 3 x 2 Panathinaikos. Na primeira vez que Kaká, Ronaldo ou Ibrahimovic tiverem uma atuação como a que Forlán teve ontem – num jogo enormemente decisivo até para as finanças do clube nesta temporada -, esperem um cataclismo. Até lá, quem estiver atento que aplauda o jogador mais ambidestro (“anfíbio”, como diz a Baronesa) do futebol mundial.

Porque o Atlético pode até ser só o Atlético, mas, por outro lado é bom não esquecer que Forlán é Forlán.

(Foto: Reuters)

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
18/05/2009 - 13:56

I can’t get no satisfaction

Quer dizer que, da mesma forma que um gol do Villarreal no último minuto atrasou o título espanhol do Barcelona, outro gol do Villarreal no último minuto o antecipou. Para desespero do sindicato de limpadores de rua de Barcelona, a madrugada do sábado já foi a quarta comemoração na rambla de Canaletes em menos de um mês – uma pelos 6-2 no Santiago Bernabéu, uma por chegar à final da Champions, outra pelo titulo da Copa do Rei e agora o Espanhol.

Faz bem para a equipe, claro: jogar o mínimo de partidas possível em que precisa de algum resultado. A partir de sábado à noite, Pep Guardiola sabia que, como o Manchester United, teria dez dias inteiros unicamente para preparar a equipe para a decisão do dia 27. Para a parte prática, claro, é o melhor que podia acontecer.

Acontece que, psicologicamente, esta temporada é perigosíssima, porque, apesar dos dois títulos e da campanha até a final, o Barça pode acabar com sensação de derrotado. Comemorou-se muito o que aconteceu até agora, mas sempre com a cabeça na final de Roma. Com uma derrota para os ingleses, o gosto na boca, o balanço moral da temporada será duvidoso. Será menos catártico, por exemplo, do que a do Real Madrid campeão espanhol na temporada passada.

“O Manchester United também”, contestará algum de nossos atentos colegas de cátedra. “Também ganhou o inglês e só agora, por último de tudo, disputa o jogo mais importante da temporada.” Sim, mas o Manchester não tem a obsessão que os barcelonistas têm em recortar um pouco da vantagem gigantesca que os rivais do Real Madrid têm quando o assunto é titulo europeu. O Manchester é o atual campeão de tudo – inglês, europeu, mundial. Quando parar para se decepcionar com um derrota decisiva, vai olhar para trás e ver não o titulo inglês deste ano, mas essa série vitoriosa toda. O Barcelona não. Perder em Roma vai significar olhar para trás e ver um titulo espanhol – o que está muito bom, mas não é nada que não se esperasse apos um bicampeonato do Madrid – e uma Copa do Rei que, a não ser quando acompanha as outras duas pontas da Tríplice Coroa, não vale nada.

A este Barcelona não restam meios-termos: ou vai ser uma equipe para entrar para a história como a melhor do clube em todos os tempos, ou vai acabar, de alguma forma, sendo uma vitima da expectativa que criou à base de tanto futebol bonito.

***

No jogo mais importante deste final de temporada, o Atlético de Madri tomou conta do Valencia, atacou o jogo inteiro e conseguiu a vitória por 1 -0. Está agora em quarto lugar e, com Athletic Bilbao e Almería como próximos adversários, só perde a vaga com uma vacilada enorme – dessas que o Atlético é plenamente capaz de protagonizar.

Apesar disso, a atração do jogo e aquilo que mais será comentado para o futuro foi o lance que resultou no pênalti convertido por Forlán, quando Kun Aguero mergulhou na frente do goleiro Cesar. Depois do jogo, ele próprio admitiu que não foi nada. Para quem já marcou dois gols de mão e é genro do mano de Diós himself, é uma fama cada vez mais perigosa para quem leva a vida correndo de quartos-zagueiros moralistas.

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Você tem a impressão de que o Real Madrid já não está mais nem aí e que parece já haver uma lista de dispensa pronta? Só impressão??

(Foto: EFE) 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
11/05/2009 - 18:20

Ano que vem quem sabe

 

Este time do Valencia tem uma capacidade enorme de, em alguns momentos isolados – normalmente logo no começo e quase no fim da temporada – fazer com que a gente crie uma expectativa de espetáculo e sucesso. Quem assiste ao desempenho de Joaquín, Villa, Silva e Mata num jogo como os 3-0 sobre o Real Madrid no sábado e ainda lembra que o banco tem Pablo Hernández, Morientes e Vicente já começa a projetar uma temporada 2009/10 cheia de glórias, quando aí sim as coisas vão engrenar.

E então você se lembra que metade desses sujeitos até lá estarão ou vendidos, ou lesionados, e que o clube que tem uma dívida do tamanho das paellas da porta do Mercado Central. E então quando você vê a espetacular atmosfera futebolística que está tomando conta da cidade nas últimas semanas – mais ainda por receber a final da Copa do Rei – dá mais pena do que qualquer outra coisa.

***

Dá para escrever quase o mesmo texto para o Atlético de Madri: time bom, que no papel parece melhor ainda e que, portanto, nos deixa animados com as possibilidades para a temporada seguinte. Não à toa, são justamente os dois que encabeçam a briga pela quarta vaga na Champions. Graças a Diego Forlán, que inventou a virada por 3-2 do Atlético sobre o Espanyol no domingo, a rodada do fim de semana que vem tem aquele que é o melhor jogo entre todos os que faltam ser disputados até o fim do campeonato: Valencia x Atleti, no Calderón. Como dizia outro dia: para mim, quem ganhar leva a vaga.

***

Os jogadores do Betis diziam outro dia estar assustados com as ameaças de morte que recebiam da torcida por meio de faixas colocadas no estádio Manuel Ruiz de Lopera. E, depois de perder para o time reserva do Athletic Bilbao, o elenco viu seus piores medos se concretizarem em forma de….. ovos! Porque, afinal, o romantismo ainda vive.

***

Estava quase achando que adiar a conquista do título por causa de um gol aos 47 do segundo tempo, depois de estar ganhando por 3-1, foi o melhor que poderia ter acontecido ao Barcelona, mas não é certo. O melhor teria sido ganhar logo esse jogo, colocar os sobrinhos dos diretores para jogar os próximos e se concentrar unicamente em duas partidas: a de quarta-feira contra o Athletic Bilbao e a do dia 27 contra o Manchester United. Todo mundo pode passar uns dias acordando mais tarde, treinando jogada ensaiada, fazendo teste físico, jogando dominó. Claro.

Mas, deixando de lado a alternativa prosaica e sem-graça de se conquistar o titulo antecipado em casa, com mais uma das incontáveis vitórias convincentes, o melhor que poderia acontecer ao Barça era sofrer um susto desses. Até porque é um susto que não significa nada de prático, já que no sábado que vem há boas chances de o próprio Villarreal segurar o Real Madrid em casa e/ou de uma vitória em Mallorca. E, principalmente, foi um susto que não aceita lamentações e que serviu para se valorizar ainda mais o milagre de Iniesta no meio da semana passada. A torcida no Camp Nou (e a já reunida para comemorar o título na Rambla de Canaletes) se surpreendeu, se chateou, mas não dramatizou muito o gol sofrido. Teria sido cínico achar um absurdo que o destino mude assim, de um momento para o outro, segundos antes do fim. Uns instantes depois, a sensação dos torcedores já era quase de alívio; de quem agradece que o castigo compensatório do destino tivesse sido tão brando.

***

A única notícia ruim de verdade foi a lesão de Andrés Iniesta, que durante algumas horas de desespero, até os exames desta segunda-feira, chegou a ser colocado até como dúvida para enfrentar o Manchester. Ele fica fora só da decisão da Copa do Rei quarta-feira.

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Não sabe o que é uma dívida do tamanho das paellas da porta do Mercado Central?

Dá para incomodar, né?

 

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
02/03/2009 - 21:49

Dois é pouco

Este Capotón admite sem receio ou rancor, para todos que quiserem ouvir menos Roger Drake, que os dias de glória do Campeonato Espanhol não apenas estão acabados como foram poucos. A Espanha como centro do mundo do futebol foi só uma pausa dramática entre o domínio da Itália e o da Inglaterra – que, a seu velho estilo dinastia Bourbon, arrancou a coroa ibérica sem pedir licença e hoje caminha por aí como se o mundo fosse uma enorme libra, redonda, chata e esterlina.

Já que o dia é de confissões, assumamos também que o futebol espanhol, mesmo em seus melhores dias, nunca deixou de ser uma batalha quase restrita a Barcelona e Real Madrid. Portanto, não é surpresa constatar que praticamente só existe assunto de verdade neste Capotón quando ele envolve um dos dois clubes. O que dá pena é que, ao acordar desse brevíssimo interlúdio em que foi considerado o melhor campeonato do planeta, a Liga Espanhola se viu ainda mais dependente dos dois maiores times do país; mais do que em qualquer época. Antes, ao menos quem mandava era a tradição, e não só o dinheiro. Então, do mesmo jeito que Barça e Real tinham a tradição de ganhar quase sempre, Athletic Bilbao e Atlético de Madrid tinham a de beliscar um troféu a cada dois ou três anos e as zebras, de aparecer no mapa a cada triênio bissexto.

Assim que a Espanha terminou de viver sua epifania rápida e falsa de melhor e mais rico campeonato do mundo, retrocedeu a um ponto a que nunca havia chegado antes. A fama se foi para a Inglaterra, junto com os craques. Só continuou no topo da Europa quem tinha dinheiro de verdade. E, como conseqüência, o futebol do país nunca se resumiu tanto apenas a Real e Barça como hoje.

Tudo isso para não nos sentirmos culpados ao tratar outra vez daquilo que importa; do Real e do Barcelona. Porque o único assunto que existe é esse: são os 12 pontos que de repente são apenas quatro; é o titulo que estava decidido e de repente não está mais (ou está sim?). É a crise do Barcelona que parecia imbatível. E é justamente aí que tenho dúvidas. Porque não existe crise. Se vier a existir a partir de agora, será como consequência psicológica dessa série de resultados ruins que não deveria ser encarada como nada surpreendente ou ultrajante.

Nos últimos três jogos do Campeonato Espanhol, o Barça teve um empate (2-2 contra o Betis, fora de casa) e duas derrotas (1-2 para o Espanyol em casa e 3-4 para o Atlético de Madri fora). Para quem não perdia desde a estreia e vinha goleando por monotonia, pode até parecer chamativo, mas, convenhamos: todos, até Guardiola, sabiam que um momento desses – de alguns tropeços – chegaria. Essa série de resultados não surpreende; menos ainda em um time que continua disputando outras duas competições ao mesmo tempo. A única grata surpresa na história toda é o Real Madrid ter vencido dez jogos seguidos. Essa é a novidade: a reação sensacional (embora nem sempre de futebol brilhante) do Real sob o comando de Juande Ramos, e não o declínio – natural e até esperado – de um Barça que, se já não deixa mais o campeonato completamente sem-graça, continua sendo o grande favorito a ganhar pelo menos dois títulos na temporada.

 

***

O lindo 4-3 entre Atlético de Madri e Barcelona nos fez lembrar de duas partidas que marcaram a pós-adolescência pré-exiliada deste Barão saltimbanco:

- 1993/94: Para quem não sabe que um dia Romário já veio buscar jogo fora da área (e como!)

- 1996/97: Para quem não sabe que um dia Ronaldo já teve índice de massa  corporal de dois dígitos

- O gol que decretou o 5-4 pela Copa do Rei, aliás, foi o momento de uma das narrações de gol mais famosas da Catalunha: Joaquím María Puyal, uma espécie de Ary Barroso barcelonista, agradeceu enlouquecidamente a Pizzi, imitando sotaque e modo de falar argentinos: “¡Qué bueno que viniste, Pizzi! ¡Sos macanudo!” Virou um bordão e um folclore do futebol catalão. Olha só:

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
02/02/2009 - 20:50

Um dia a casa cai

Conta o Marca que Javier Aguirre já era, finalmente. E não finalmente porque ele merecesse há tempos, mas porque já faz alguns anos que a cada três ou quatro semanas o mexicano ouvia dizer que havia subido no telhado do Vicente Calderón.

O resultado final do Atleti na temporada passada – ter se classificado para a Champions – está perfeitamente dentro do esperado e, até aqui, a campanha só razoável no Espanhol se equilibra com o bom desempenho na Champions. Não há nenhum desastre em curso, ok. Mas a esta altura já começo a achar que Javier Aguirre teve tempo e material humano o suficiente para ter montado um time que funcione o tempo todo, no qual se possa confiar. Não conheço o dia-a-dia do Atético de Madrid o bastante para dizer quanto disso tem a ver com seu relacionamento com os jogadores, mas, se tivesse que palpitar (não tenho, mas vou), diria que bastante.

Talvez fosse melhor esperar ver no que dá nas oitavas da Champions – que de repente turbinam o restante da temporada -, mas a verdade é que já é hora mesmo de outra pessoa tentar fazer Maxi Rodríguez, Agüero, Forlán, Paulo Assunção e toda essa gente boa (ou pelo menos boa o bastante) que o Atlético tem se transformar no terceiro ou quarto melhor time do país, sem que ninguém tenha sempre dúvidas a respeito.
(Foto: EFE)

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Como quase todos achavam e quase ninguém entende, o escolhido pelo Real Madrid para ser inscrito na segunda fase da Liga dos Campeões foi Diarra II, e não Huntelaar. O time confirmou hoje que o volante francês vai fazer parte do grupo, além do húngaro Adan Szalai (que vem da filial do time de Castilla) e do recém-contratado Julien Faubert, do West Ham. Eles substituem os lesionados Diarra I e Van Nistelrooy e o incógnito Rubén De La Red – que está passando por uma bateria gigantesca de testes para descobrir o que acontece com sua saúde (ou se acontece alguma coisa). Amanhã, aliás, falamos mais do caso dele.

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E o Barcelona, hein? Perder por 1-0 para o Racing depois de tanto tempo invicto…

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
11/01/2009 - 23:14

Significante x significado


Robben continua como o melhor do Real, apesar de correr que nem um marreco (Reuters) 

O Mallorca é provavelmente o pior time do campeonato: pela equipe que tem e por não ter nem um estádio onde a torcida atrapalhe o adversário – como o Osasuna, por exemplo. Portanto, que o Real Madrid vença por 3-0 fora de casa não teria por que significar grande coisa. Mas significou.

Além de ter a volta de Higuaín (e jogando bem), o Real teve gols de Raúl e Sergio Ramos, dois dos jogadores que mais têm identificação com a torcida e que menos vinham jogando. Para as chances do tricampeonato, faz pouca diferença o fato de o time ter alcançado o segundo lugar, só que, simbolicamente, é mais um passo rumo àquilo que mais fazia falta e que aos poucos passa a acontecer normalmente: o Real Madrid volta a se sentir como time grande, maior do que os outros 18 do país. É assim que tem que estar não para brigar pela Liga, que já está ganha pelo Barcelona, mas pelo menos para encarar com chances aquilo que mais lhe importa: a décima taça de campeão europeu.

***
A vitória do Real se limita mais ainda ao simbolismo e à psicologia porque o Barcelona conseguiu uma vitória importante, de virada, por 3-2 sobre o Osasuna em Pamplona. Diferente do que costuma acontecer numa situação dessas – quando o time leva a virada e, nos últimos dez minutos, marca dois gols e se recupera -, ganhar não foi importante por causa da raça ou da atitude louvável de nunca desistir; mas exatamente pelo contrário.

O 3-2 foi importante por causa do descaso e da moleza do Barça no início do segundo tempo. Por causa de 25 minutos de futebol preguiçoso que poderiam ter custado a vitória. Deveriam ter custado a vitória; normalmente custariam a vitória. Mas esse time é tão talentoso que bastou voltar a jogar bola. Não com coração na ponta da chuteira, ardor e vibração, arrancando a enxada uma vitória suada. Não foi nada disso. O Barcelona jogou, parou de jogar e, quando viu a besteira que tinha feito, voltou; como quem cochila com a vara de pesca na mão e acorda, apenas ligeiramente agitado pela balançada de cabeça.

Sobre Messi, nem uma palavra. Porque claro que não era Messi acertando um chute daqueles para ganhar o jogo. Messi, quando faz golaços (e ele faz muitos), os faz por causa da velocidade e da habilidade, costurando todo mundo e tocando com jeito para o gol. Ninguém vai nos convencer de que o mesmo jogador que faz aquilo tudo é o que acerta um chute como o que colocou o Barcelona na frente. É ridículo e inconcebível e, além do mais, este Capotón decidiu em foro interno, intrínseco e autoanalítico que não fala mais de Messi a não ser que seja estritamente necessário. E, se nem foi ele – mas sim algum doppelgänger, ilusionista ou escapista – que marcou aquele terceiro gol, não tem sentido nenhum citar aqui o nome de Lionel Messi.

***

A torcida do Atlético de Madri está aliviada porque poderá colocar em prática esse seu prazer proibido, parecido com Edith Piaf ou a torcida do Palmeiras, de viver uma profunda, dilacerante e maravilhosa crise. Até então faltava uma derrota em casa contra um time modesto para consolidar a situação e permitir que o pessoal se deliciasse em impropérios, pañuelos blancos e assoVios (com V, manifestação aguda de descontentamento; que é diferente de assoBio, usado para reproduzir melodias em momentos de tédio, vergonha disfarçada e/ou Patience do Guns n’ Roses). Cair diante do Athletic Bilbao significa que ninguém mais precisa falar baixinho, pichar muros na escuridão ou se reunir nos porões para exigir a cabeça de Javier Aguirre servida numa elegante baixela de prata. Agora é público e legítimo de novo: o Atlético está em crise e Aguirre, na corda-bamba. Colchoneros dos quatro cantos do planeta, a alegria está à mesa.

Autor: juanpolanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
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