Os dois Ronaldos que a Espanha viu jogar
Podemos dizer que Ronaldo foi um gigante também no futebol espanhol, e não faço aqui qualquer trocadilho quanto aos problemas que enfrentou com a balança no fim da carreira. Tão gigante que não bastaria jogar no Barcelona ou no Real Madrid: jogou nos dois, assombrosamente bem na Catalunha, ainda como um grande craque na capital.
O Ronaldo que desfilou com a camisa 9 do Barça o fez por um ano, entre 1996 e 1997, mas ficou na memória do torcedor como se fossem dez. O gol abaixo contra o Compostela pelo Campeonato Espanhol daquela temporada foi marcado como sinônimo do tudo que ele era capaz em campo: arranque e rapidez impressionantes, objetividade no drible, finalização impecável. Era o Ronaldo rei dos contratos publicitários milionários, o início do fenômeno também fora de campo.
Já o Ronaldo que chegou ao Real Madrid após o ápice da Copa do Mundo de 2002 era um atacante realizado, ciente da proeza que fez na Copa. Tinha menos arranque por conta das cirurgias no joelho, porém talvez mais inteligência ao se posicionar para receber a bola, como o gol abaixo contra o Alavés, em sua estreia pelos merengues, atesta. Foi, ao lado de Roberto Carlos, Figo e Zidane, um dos galácticos daquela geração que conseguia corresponder em campo as expectativas depositadas no elenco fora dele.
A partir de 2004, a balança e as noitadas passaram discretamente a cobrar seu preço junto a torcida à medida em que os gols diminuíam. E foram aumentando até sua saída rumo ao Milan em 2007.
A ida ao Real Madrid ofuscou a idolatria que o Fenômeno tinha dos torcedores blaugranas, tanto que a reação da imprensa catalã hoje foi mais comedida que a de Madri. O Marca, da capital, foi taxativo: “Adeus ao melhor atacante da história”.
Será que foi mesmo? Difícil afirmar. Mas foi, ao menos, o maior que vi jogar. O jogador Ronaldo acabou, o mito a gente ainda vai ter muito para contar.
——
Mais Ronaldo:
- Tripletta: Ronaldo e os italianos
- God save the ball: Ronaldo acaba com o Manchester United