Com um empate em 0 x 0 contra o Paraguai, a Holanda acaba de terminar 2009, ano anterior à Copa do Mundo, invicta: ganhou seis jogos e empatou cinco. E, no entanto, procure por aí algum idealista disposto a apostar tudo o que tem nos holandeses como campeões do mundo. Nem Johan Cruyff.
Acontece que, ao jogar tanta bola num momento que não importa – ou que importa, claro, mas que quando a Copa chegar nós diremos que não - a Holanda já começou a escrever o argumento que todo mundo tem preparado a priori para comentar a eliminação do time: eles sempre jogam muita bola, mas na hora H (H de Holanda?) acabam perdendo.
A história e os argumentos são parecidos para se falar da Espanha e, no entanto, quase todo mundo (e aqui me incluo) tem os espanhóis lado a lado com o Brasil como favoritos para o titulo na África do Sul no ano que vem. E por quê? Porque o time da Espanha é melhor que o da Holanda? Sim. Porque eles acabaram com seu complexo de vira-lata ao vencer a Euro 2008? Também.
Mas, além disso, porque os espanhóis deveriam estar contando números de uma série invicta, mas não estão. A Copa das Confederações foi mais ensaio para a Furia do que para a organização da Copa. A seleção espanhola já viveu, com um ano de antecedência, o “jogar como nunca e perder como sempre” que, hoje, estaria fazendo sombra a todos os prognósticos caso a equipe estivesse invicta até hoje. Sem os números, os motivos para a Espanha ser favorita ao título mundial são Casillas, Cesc, Iniesta, Xavi, Villa e Torres. E é aí que o time começa a ser pergioso de verdade.
País, basco Essa semana de amistosos, que viu a Espanha bater a Argentina por 2 x 1 em casa e a Áustria por 5 x 1 em Viena, serviu para um princípio de reconciliação histórica: o parlamento do Pais Basco aprovou iniciativas para que a província volte a receber jogos da seleção – coisa que não acontece há 42 anos.
Tolerância zero Bom saber que nosso STJD não tem dormido em trabalho, porque a concorrência na briga para tomar a decisão mais duvidosa do ano vem de todos os lados. Em Madri, o Atlético foi, sim, multado pelo fato de o técnico do Real, Manuel Pellegrini, ter tomado uma pedrada no rosto durante o clássico disputado no Vicente Calderón. Vai ter de abrir o cofre (ou a moedeira?) e pagar… 150 euros!
Coluna publicada por Medida Provisória no Jornal Placar de 19 de novembro
Já disse aqui outra vez que a Copa do Rei só pode ter algum interesse para os times grandes com um sucesso no fim da temporada – quando pode salvar o ano (como o do Valencia em 2008) ou fazer a coroa virar tríplice (como a do Barcelona em 2009). Ou, também, com um fracasso tremendo no começo dela: quando, apesar de ninguém ligar para a competição, fica impossível para a natureza humana ignorar que um elenco milionário foi derrubado por um punhado de semi-amadores – como aconteceu esta semana com o Real Madrid pelo segundo ano consecutivo.
Numa situação dessas, então, não teria sido melhor Manuel Pellegrini simplesmente esquecer suas estrelas e colocar para atuar na Copa um Real Madrid assumidamente reserva e humilde? Para pelo menos deixar claro, em caso de desastre, que foi tudo só porque o clube não está nem aí? Acho que sim e acho que o chileno também pensa assim.
Acontece que o jeito atacadista e megalomaníaco como este Real Madrid foi montado simplesmente já não permite mais isso. É impossível formar uma equipe titular sem, no mínimo, nove jogadores consagrados. Ou nove jogadores cujos salários estão na classe A+ do futebol.
Veja o elenco do Madrid e me diga alguém que não cause impacto ao estar envolvido num grande fracasso. Drenthe, talvez? Granero? Dudek, se você quiser? Ou só o terceiro goleiro Adán? O Barcelona, enquanto isso, se por um lado obviamente também tem um elenco badalado e milionário, ao menos é capaz de escalar como titulares, nas mesmas semanas em que o rival perdeu para o Alcorcón, gente como Pedro, Jeffren, Gai Assulin e Jonathan dos Santos. Aí a diferença.
Ah, sim, a outra diferença é que o Barcelona ganhou sua eliminatória por um total de 7 x 0. Mas essa é outra história.
Boi de piranha Pellegrini, como terceira opção que foi, chegou ao clube sabendo: ou tudo dava certo e de cara a equipe ganhava e jogava bem, ou não haveria muito pudor em demiti-lo durante esse período de adaptação. Porque quem quer que chegue – e já há até favoritos: Michael Laudrup e Luis Aragonés – vai no mínimo herdar uma equipe mais madura e acostumada a jogar junta.
Custo x benefício No verão de 2005, o Sevilla gastou 10,5 milhões de euros para contratar uma dupla de ataque nova: Luís Fabiano, vindo do Porto, e Frédéric Kanouté, do Tottenham. Desde então, os dois marcaram 179 gols. Para igualar essa rentabilidade, a dupla Kaká e Cristiano Ronaldo (que, fazer o quê?, virou base de comparação para tudo) precisará anotar… 2685 vezes. Não que essa seja a conta certa a se fazer, mas é no mínimo curiosa.
Coluna publicada a contragosto no Jornal Placar de 13 de novembro de 2009
Na imprensa madridista/florentinista, o ideal é continuar cercando de culpa Manuel Pellegrini, que é o mais facilmente descartável, mas por enquanto parece que há mais mérito do que qualquer outra coisa no trabalho do chileno.
Porque o Real Madrid de Pellegrini ainda não encontrou sua fórmula, o que é normal, mas pelo menos parece dar sinais de ter aprendido algumas coisas interessante a não se fazer – como manter Raúl na equipe titular – e outras tantas a se fazer – como Marcelo e Higuaín jogando de autênticos wingers, o que tem feito bem aos dois e também a Kaká e Benzema.
De uma só tacada, a mudança compensou o desempenho defensivo duvidoso de Marcelo como lateral-esquerdo e o desempenho ofensivo duvidoso de Arbeloa ou Sergio Ramos como laterais-direitos.
Ah, mas e quando Cristiano Ronaldo entrar? Quem sai? Sai Higuaín? E Cristiano vira um ponta-direita e nada mais? Pode ser, pode ser que não. Mas o fato é que o Real Madrid encontrou sim um jeito de jogar bem, como jogou contra o Milan e durante praticamente todo o clássico contra o Atlético, sem a presença do português. E boa parte do mérito disso é de Manuel Pellegrini.
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Alguém acharia realmente impossível que o Real Madrid reverta amanhã os 4-0 sofridos diante do Alcorcón? É uma oportunidade enorme, e relativamente fácil, de fazer algo que vai ser inevitavelmente descrito como “milagre”.
Além de Sergio Ramos, lesionado, e de Guti, que vai passar mais uma semana tentando aprender como se pronuncia “Timão” em vez de “Timáo”, Pellegrini também deixou de fora da lista Benzema, Xabi Alonso, Casillas, Metzelder e Drenthe.
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Quem continua virando xodó nacional porque consegue manter mais uma vez o mesmo nível, apesar de contratar pouco, é o Sevilla: depois da vitória por 3 x 2 sobre o Villarreal, a notícia mais comemorada do dia foi a convocação feita por Vicente Del Bosque para os amistosos contra a Argentina (dia 14, Vicente Calderón) e a Áustria (dia 18, em Viena).
Alem de Álvaro Negredo, que havia estreado na última convocação, para os jogos contra Armênia e Bósnia-Herzegovina, agora os sevillistas têm mais um jogador de seleção: o baixinho Jesús Navas.
Agora que parece ter deixado de ser irregular e meio covardinho (e, se não deixou, Del Bosque tem que descobrir por sua própria conta), é um nome merecidíssimo.
A convocação inteira:
Goleiros:
Iker Casillas (Real Madrid)
José Manuel Reina (Liverpool)
Diego López (Villarreal).
Atacantes:
Dani Güiza (Fenerbahce)
Pablo Hernández (Valencia)
Juan Manuel Mata (Valencia)
Jesús Navas (Sevilla)
David Silva (Valencia)
Alvaro Negredo (Sevilla)
David Villa (Valencia)
Será que, finalmente, encontrou-se uma maneira de enfrentar o Barcelona?
Ou será que nós ouvimos isso há anos sobre qualquer grande time que, em algum momento – porque sempre acontece em alguns momentos – não consegue furar uma e outra retranca que aparecem pela frente?
Porque é claro que se defender sem pudor é uma opção que pode dar certo diante de um time tão bom de bola como o Barça, principalmente se o seu time tem as características para isso, como tem o Rubin Kazan: defesa forte, gente no meio-campo disciplinada e com fundamento, ataque rápido e perigoso. Mas também é claro que isso não funciona a longo prazo, nem em ocasiões seguidas. Poderia, aliás, nem ter funcionado nesses dois jogos em que a equipe de Guardiola ganhou um ponto só: tanto no Camp Nou quanto ontem os catalães perderam uma batelada de chances de marcar. Às vezes as chances vão ser todas desperdiçadas e pronto, paciência. Só que isso não muda nada com relação ao Barcelona ser o Barcelona e seu futebol de toque de bola ser seu futebol de toque de bola, com tudo de louvável (e as mesmas fragilidades, que não são muitas) que tem tido nos últimos tempos.
Destino Kun Agüero, que não vem jogando bem a temporada toda, resolve fazer sua primeira grande partida justo contra o Chelsea, que há tempos mostra interesse em contratá-lo. A partida serve para decretar a eliminação do Atlético da Champions e dos euros que ela traz. Euros que o Atlético, um dos lanternas do Espanhol, também não deve ter ano que vem. Quando vai precisar, portanto… vender Kun Agüero.
Restam dois Agora que Cristiano Ronaldo fica pelo menos mais um mês sem jogar e que está começando a deixar de ser tabu o fato de Raúl ser, sim, reserva, chegou a hora de Benzema e principalmente Kaká acharem o jeito certo de jogar pelo Real Madrid. Contra o Milan, já se viu um pouco disso.
Poucos cargos são tão interessantes no mundo do futebol como aquele que, há mais de uma década, ocupa Johan Cruyff em Barcelona. Em Barcelona ou na Espanha, ou na Catalunha, ou no Barcelona – ou em lugar nenhum, pra ser realmente preciso.
Quer dizer, Cruyff tem uma coluna no diário El Periódico de Catalunya, mas ninguém em sã e catalã consciência ousaria descrevê-lo como “articulista”, porque não é esse o cerne. Aquilo é só uma desculpa semanal e concreta para reafirmar que o mito segue vivo, um pouco como o Granma em Cuba.
O holandês normalmente não escreve nada de novo, mas usa o fato de assinar um texto para continuar tendo uma razão oficial para que as pessoas deem destaque àquilo que ele tem a dizer sobre qualquer coisa – e aqui o termo é usado com precisão – relacionada ao Barça. Diante de qualquer crise, comemoração ou efervescência política, a primeira pessoa a ser consultada, e aquela cuja opinião é mais reverberada, é sempre Johan Cruyff, apesar de há 13 anos ter deixado o comando do time.
Nesses 13 anos, Cruyff não fez praticamente nada e, ainda assim, continuou sendo uma das figuras mais importantes do clube. Todo mundo dentro do Barça morre de medo daquilo que o holandês possa dizer. Sem ter cargo nenhum, Cruyff esteve por trás, direta ou indiretamente, das chegadas de Louis Van Gaal e Frank Rijkaard e de um bocado de contratações.
Pois então, anuncia-se agora que os tempos de figura etérea acabaram e que Johan Cruyff agora tem um cargo: vai voltar a se sentar num banco de reservas, o da seleção de futebol da Catalunha. Para isso, não vai ter salário: não vai cobrar nem um centavo de euro da Federação Catalã de Futebol, que só se compromete a ajudar a fundação que o holandês mantém. E, por outro lado, a julgar pelo retrospecto de seu antecessor Pere Gratacòs, também não deve ter muito trabalho, já que nos últimos três anos a equipe (que não é uma seleção reconhecida pela FIFA, como a Catalunha não é um país reconhecido pela ONU) realizou um total de seis partidas.
Quer dizer, tudo continua como antes só que ainda melhor para o holandês: é um colunista sem ser realmente só um colunista; um político sem precisar fazer política; um dirigente sem ter que dirigir nada e, agora, um treinador que não treina. Tudo que só reforça aquilo que ele realmente é há anos: uma espécie de pastor ou de oráculo que tudo sabe e, por isso, que já basta, não precisa se dar o trabalho de efetivamente executar mais nada.
Nós, daqui de onde os dias têm 24 horas, te invejamos com respeito, Johan.
A cada nova temporada, após cada mercado de transferências, sempre chega um momento em que o Real Madrid trata de comprovar que existe uma coisa – normalmente imprescindível – que o dinheiro não compra para um time de futebol: tempo. O tempo, no caso, necessário para se formar efetivamente um time, não importa quanto talento esteja disponível.
É, essencialmente, o problema que enfrentam os técnicos das grandes seleções, que quase sempre precisam sobreviver a uma inevitável fase de jogo duvidoso antes de dar cara a uma equipe. Foi essa a maior virtude de Dunga ao longo desses vários períodos de alguns dias em que teve a Seleção na mão. O resultado disso discuta-se quanto quiser, mas o fato é que ele formou de fato um time – o que não é nada fácil.
O Real Madrid de Manuel Pellegrini ainda não é um time (como ainda não eram a essa mesma altura o de Fabio Capello ou o de Bernd Schuster) e, como não-time, está sujeito a um dia nulo como o da goleada sofrida para o Alcorcón – ainda mais nessa série mais perigosa do que parece de brigas contra bêbados que é a Copa do Rei.
Encontrões como este não têm nada de inéditos e não dizem muito contra Pellegrini. As questões agora são apenas de saber: a) se apesar disso ele sobrevive e b) se em mais algumas semanas consegue chamar o Madrid de seu time – coisa que, nos últimos anos, só quem realmente conseguiu fazer foi Fabio Capello.
Fogo amigo
O pior sinal para Manuel Pellegrini foi o tipo de pressão que recebeu no dia seguinte à derrota para um clube da terceira divisão: o Marca, diário de bordo do presidente Florentino Pérez, já estampou na capa um “fora!”, devidamente acompanhado de editorial explicando que Florentino fez sua parte ao trazer os jogadores e agora falta o técnico fazer a sua.
A fila anda
O assunto, portanto, já surgiu entre a imprensa madridista: quem deveria ser o novo técnico num caso hipotético e distante de que Pellegrini seja demitido? Correm os nomes de Rafa Benitez, Marco Van Basten e Michael Laudrup e também o boato de que o que Florentino gostaria mesmo era que o diretor Jorge Valdano assumisse o banco.
Coluna intrepidamente publicada no Jornal Placar de 30 de outubro.
Se não fosse tão orgulhoso, ou tão dirigente de futebol, o diretor do Atlético de Madri Gil Marin teria simplesmente dito: “é, pois é, se era para jogar mal assim, melhor pegar os 90 milhões de euros e pelo menos ter a desculpa de que perdemos Kun e Forlán”.
Porque é justamente isso que Marin diz, com outras palavras, na entrevista que deu ao Marca ontem, quando assume: “Tentamos montar nossa equipe ao redor de nossas estrelas. O Chelsea ofereceu 50 milhões pelo Kun e o Real Madrid, 36 milhões por Forlán. Se os dois querem buscar um horizonte novo, o Atlético vai avaliar o caso.” Para depois concluir assumindo que “se for necessário corrigir alguma coisa no mercado de inverno, nós vamos fazê-lo.”
Salvo uma recuperação (que não é impossível) do Atlético sob o comando de Quique Sanchez Flores, o mercado de fim de ano, normalmente dado a um ou outro ajuste sem-graça, pode estar fadado a ter no mínimo um grande negócio.
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A palavra “crise” começou a aparecer rabiscada nos cantinhos do quadros-negros em Madri e Barcelona depois das derrotas em casa no meio de semana e, então:
- O Real respondeu com um empate contra o Sporting Gijón, que só serviu para alimentar tudo o que já vinha sendo (justa ou injustamente) alimentado, sobretudo a suposta ‘Ronaldodependência’.
- O Barcelona respondeu com um 6 x 1 daqueles que o time da temporada passada adorava aplicar, que só serviu para atestar como Ibrahimovic aprendeu a jogar em catalão e como a queda de Messi tem bem mais a ver com Maradona do que com o próprio Messi.
Será essa a diferença entre um grande time e um conjunto de grandes jogadores que ainda precisa de um bocado de tempo e (ha!) paciência para se tornar um? O que cada um faz quando se vê obrigado a sair do modo automático?
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Isso, claro, para não falarmos de dificuldades mais prosaicas como a de entender, finalmente, que diabos significa “horário de verão” – uma das resoluções de Guti para 2010.
É que ainda não foi este ano que o mais louro entre os segundos volantes louros do planeta acertou o que fazer com seu iPhone, se adiantar ou atrasar, ou esperar que a atualização fosse feita via satélite: todas versões alegadas por Guti para chegar DUAS HORAS atrasado no treino deste domingo (o que só faz tudo soar duplamente estúpido).
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Como parecia, o Valencia veio para a temporada reforçado pelo fato de não ter perdido quase ninguém e, com isso, fazer com que uma base bastante razoável tivesse mais uma temporada inteira de entrosamento nas costas. O resultado é que o time é hoje aquilo que deveria ter sido também no ano passado: um rival do Sevilla na condição de perseguidor de Madrid e Barça.
O sucesso passa por uma linha de quatro homens na frente, que cada vez mais se consolida como sendo de Juan Mata, Pablo Hernández, David Silva e David Villa – com Joaquin e Vicente (quando não internado) no banco de reservas. Os quatro – e principalmente Pablo Hernández, que era o que ainda mais tinha o que provar – caminham seguros para irem à Copa do Mundo.
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Hernández, aliás, fez o gol da rodada nos 3 x 0 sobre o Almería; um gol que ele admitiu ter sido inspirado noutro anotado por David Villa em 2006, contra o Deportivo. Aqui o golaço de Hernández:
Na medida em que a Liga dos Campeões da UEFA deixou de ser simplesmente o torneio que coroa a melhor equipe da Europa para se tornar a razão de ser das terças e quartas-feiras do planeta todo a cada 15 dias, sua capacidade de alterar o status quo cresceu de um jeito assustador.
É quase como se, comparada com os campeonatos nacionais, a competição europeia fossem os play-offs da NBA – o momento mais curto e decisivo do que a longa e aparentemente desimportante temporada regular; aquilo que Michael Jordan definiu em seu tempo como “a hora em que se separam os homens dos garotos”.
Eu exagero um pouco, como corresponde, mas é fato que aquilo que acontece no meio da semana cada vez mais é capaz de ou sublinhar a situação de um grande clube – como a draga do Atlético de Madri arrasado pelo Chelsea -, ou revertê-la quase imediatamente.
Basta observar os jornais por aí para perceber que, nestes dias pós-rodada da Champions, a impressão geral (mesmo que disfarçada) é que Real Madrid e Barcelona na realidade não são tudo isso, e que vale a pena mesmo é ficar de olho no Sevilla, que desta vez sim vai. Já não interessa nada do que aconteceu antes; quantos Zaragozas você seja capaz de golear ou quanta promessa de dream team existia até as 20h45 da terça ou da quarta-feira. A partir dessa hora é que se define, sem dó, quem é carruagem e quem é abóbora. Pelo menos até dali a duas semanas.
Melhor do mundo Por exemplo: a derrota do Barça em casa, por injusta que tenha sido, de repente parece insuflar os argumentos populares para constatar que a) o time já não é uma máquina imbatível e b) que Messi – como todos os que estão às vésperas de ganhar o prêmio – talvez não seja tão melhor do mundo assim.
Melhor da semana E o Sevilla, por outro lado, não é essencialmente o mesmo time – bom, mas não excelente – das últimas temporadas, como todos nós pensávamos. É o time invicto na Champions e ponto. Sébastien Squillacci é um zagueiro como nunca se viu e Álvaro Negredo, a peça que faltava para o ataque.
Coluna parece que publicada no Jornal Placar de 23 de outubro de 2009, depois de um período que os fariseus insistem em chamar de sabático.
A história é antiga: às vezes é melhor ter a humildade, ou a inteligência, de montar uma boa equipe formada quase só por bons – e não mais do que bons – jogadores em vez de tentar fazer com que um ou dois craques se juntem a qualquer pangaré que estiver por perto e, desse jeito, acabem conseguindo formar uma equipe.
O problema do Atlético de Madri foi que pensou estar contratando um punhado de grandes jogadores quando na verdade contratava só dois: Forlán e Agüero. Então, o que supostamente era um timaço por causa de gente como Simão ou Reyes na verdade se mostrou uma mescla irregular de coadjuvantes tendo que se fingir de protagonistas.
Quando Forlán e Agüero jogam o bastante para compensar a falta de talento no resto do campo, os resultados podem ser bastante razoáveis – como foram na temporada passada. Quando isso não acontecer (e às vezes simplesmente não acontece), a história é esta que estamos vendo agora sem muita surpresa.
É justamente o contrário do que acontece com o Sevilla. Um semi-leigo que olha as escalações dos dois times pode tender a achar o Atlético mais chamativo, mas o fato é que os sevillistas conseguiram montar duas gerações de times muito competitivos sem contratar nenhuma estrela. Luís Fabiano, Daniel Alves, Frédéric Kanouté… toda essa gente se tornou estrela justamente por jogar bem no Sevilla. É o modelo que todos os 18 times espanhóis extra-Barça e Madrid deveriam aprender a seguir.
Tem pra todos Ganhar todo jogo que encontrasse pela frente até que era relativamente previsível, mas o que deve estar surpreendendo o próprio Real Madrid é que os dois, Kaká e Cristiano Ronaldo, já tenham encontrado um jeito de brilhar. Só com isso, metade das dúvidas estão resolvidas.
O que vem de baixo me atinge A diferença com o Barcelona é que, além de ter seus craques sempre brilhando, o time há anos não passa uma temporada sem revelar pelo menos um novo jogador que se torna importante para o time principal. Para 2009/10 já há pelo menos um: Pedro.
Coluna saaricamente publicada no Jornal Placar, ou assim acho eu, em 2 de outubro de 2009
A derrocada quase-histórica da seleção argentina comandada por Diego Armando Maradona parece que pode acabar servindo para oficializar um fenômeno que tem tudo a ver com o futebol – para não ser chato e dizer o mundo – de hoje em dia.
É que, como aconteceu (injustamente, que fique claro) com Cristiano Ronaldo em 2008, é capaz de que, quando chegue a hora de premiar Lionel Messi como melhor jogador do mundo e Bola de Ouro, já haja gente duvidando que ele realmente seja o maior jogador de futebol do planeta na atualidade.
Porque assim como no final do ano passado Cristiano Ronaldo já havia vivido seu ponto mais meteórico, também Messi, depois de liderar o time do Barcelona que venceu tudo em 2008/09, tem convivido com a fama (injusta, que também fique claro) de sujeito que não resolve quando veste a camisa albiceleste.
E de repente nos deparamos com o argentino respondendo perguntas não sobre sua expectativa de receber o prêmio certo, mas sobre a possibilidade – como se ela de repente tivesse passado a existir – de justamente ficar sem o título de melhor do mundo de 2009.
Parte disso é resultado de a temporada européia terminar seis meses antes do período de entrega de estatuetas, mas também há muito de ansiedade coletiva e de uma memória cada vez mais curta. Acompanhar futebol ainda vai se tornar um exercício extremo de carpe diem ou de niilismo: tudo o que passar, passa, sem deixar rastros sentimentais. Quem quiser relembrar como fulano é realmente bom que se vire procurando vídeos no YouTube.
Dois contra a rapa Bem quando alguém ameaçava começar uma frase dizendo que “talvez Real e Barça não disparem tanto assim”, os dois já fazem questão de sequer fingir. Nem um Getafezinho para passar uma rodada na liderança. Nem um Sevilla fingindo que vai disputar de igual para igual.
Um contra a rapa David Villa volta frustrado de um verão em que queria ser transferido, reclama de como o Valencia se postou mal e permitiu o empate de 2 x 2 em casa contra o Sporting Gijón e, dois dias depois, marca o único gol numa derrota de 3 x 1 para o Getafe. Alguém consegue imaginar quanta frustração cabe naquela camisa 7?
Coluna publicada no Jornal Placar de 25 de setembro, muito embora o colunista se encontra – ante a falta de termo melhor para definir – de férias
Quando resolveu quebrar a banca do mercado de transferências e gastar o quanto gastou para se reforçar, o Real Madrid sabia perfeitamente que, da mesma forma que aqueles negócios não eram só futebol, mas também marketing, as cobranças também não viriam apenas por resultados, mas por um time encantador.
Por mais que todo mundo saiba ser uma barbaridade, é irresistível usar um silogismo aparentemente lógico: quanto mais dinheiro se gasta, melhor o time. Portanto, quando se gasta tudo o que é desejado e imaginável, o time será simplesmente perfeito. É mentira, mas é assim que o Real será cobrado ou, na verdade, já começou a ser cobrado.
Se o Barça, com seus jogadores formados em casa e seu time já devidamente encantador, estreia na Liga dos Campeões da UEFA com goleada de 5 x 2 sobre um time ruim, o mundo para e celebra o poder de ataque dos catalães. Como foi o Real Madrid derrotando o FC Zurich na terça-feira, o que importa é que “a defesa tomou dois gols”, ou que “os Galácticos estiveram à beira de sofrer o empate”. O que, por um lado, pode ser considerado verdade – como tudo nesta vida pode -, mas que de fato é só o clube pagando o outro preço, que vem embutido no financeiro: o da expectativa gerada.
Das duas uma, ou o Madrid começa a ser encantador logo, ou que consiga fazer isso durante uma temporada inteirinha: ganhar, golear e conviver com gente falando sobre tudo o que falta para ser encantador.
Entra quem quer
Não sei se é alguma operação entre a máfia russa e algum cartel mexicano ou simplesmente alguém caindo no conto do vigário, mas juro que é difícil entender como um sujeito como Guille Franco, o centroavante parrudinho ex-Villarreal, pode ser contratado pelo West Ham, aos 32 anos. Leva o Kléber Pereira, então!
Coluna forçadamente publicada no Jornal Placar de 18 de setembro de 2009.
Barcelona e Internazionale não podiam ter mais sorte do que isso: estrear um contra o outro, Eto’o contra Ibrahimovic. Foi garantia de que haveria enredo, de que no dia seguinte teríamos frases como “foi esquisito”, dita pelo camaronês sobre ver a camisa azul-grená do lado contrário do campo. Porque se tudo isso acontece daqui a alguns meses, todo mundo já tem preocupações demais e pensa na consequências daquilo como um jogo que vale três pontos na classificação do grupo.
Ontem não: foi apenas e nada mais do que um Barcelona x Inter; dois times que a princípio todos sabem que vão se classificar para a segunda fase e que entraram em campo só para compararmos o que fazem Eto’o e Ibrahimovic contra seus ex-clubes, quem abraça quem, quem dá uma entrada dura no ex-colega que tenha cara de revide, quem fica com sorriso sem-graça no rosto.
E, como um jogo que tem mais moral do que pontos em disputa, a equipe com menos (um pouco menos) talento e capacidade preferiu não correr o risco de, tão cedo, ver sua auto-estima afundar. Isso apesar de jogar em casa e de ser tetracampeã italiana.
A Inter esperou alguns minutos para ver se o Barcelona que vinha a campo era aquele mesmo que temia. Era. Então, diante do perigo que aquilo significava, não teve o menor pudor de ser dominada e se defender, só para poder dizer, aliviada, no dia seguinte, que “por enquanto, estamos iguais”. Quer dizer, para todos os efeitos, por enquanto não dá para dizer quem é melhor ou quem se deu melhor no tremendo negócio que os dois clubes fizeram neste verão. Passado o sufoco de quarta-feira, a lógica diz que os dois estão assim, na mesma.
(Foto: EFE)
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Em Sevilla, Luís Fabiano, como sempre. Como faz bem entrar em campo com a certeza de que você é bom de bola e não se fala mais nisso. Ou você acha que com um pouquinho menos de confiança alguém acerta um chute de esquerda como o que o brasileiro acertou ontem no primeiro gol dos 2 x 0 sobre o Unirea Urziceni?
Depois do jogo, Dan Petrescu, aquele lateral-direito que jogou no Chelsea, hoje técnico do clube romeno, foi direto como a maioria tem tido receio de ser, dizendo que LF é o melhor atacante do mundo hoje: “No meu tempo de jogador enfrentei muitos atacantes, mas fazia tempo que não via alguém fazer o que Luís Fabiano fez. Com ele, o Sevilla vai ganhar muitos jogos. Não tiro o mérito dos outros jogadores, mas ele os eclipsou.”
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E se você pensa que vamos fazer menção ao Unirea Urziceni e agir como se nada maravilhoso tivesse acabado de acontecer, está, claro, enganadíssimo: os romenos têm esse escudo ao lado, feito por aquele primeiro ilustrador dos desenhos do Pica-Pau e ainda por cima são conhecidos como “Chelsea de Ialomiţa” (assim mesmo, com te-tedilha, um “t” com um rabichinho, coisa que, pensando bem, não sei se o publicador do blog, que é conservador no último, vai aceitar) – o que, em romeno, deve ser o equivalente a “Milan da Vila Guilherme” ou “Arsenal do Andaraí”.
Um viva à União Europeia! Saúde, Platini!
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Com o sucesso de suas cobranças de falta, Carleto espera conseguir largar seus freelances como segurança de boate. (Foto: AS)
Nada como um pouquinho de segunda divisão para fazer um garoto precoce se sentir mais em casa: depois de uma pré-temporada que só lhe valeu piadas entre a torcida do Valencia, o lateral-esquerdo Tiago Carleto (que até hoje não sei tem “h” entre o “T” e o “i” ou não) chegou ao Elche e, depois de algumas semanas, já tratou de voltar a flertar com o apelido “o novo Roberto Carlos”. Bastou marcar um golaço de falta no empate da sua equipe por 2 x 2 contra meu submisso UD Salamanca.
Esta já é manjada do nobre, diminuto e público deste Capotón: o pessoal marca os congressos de astrogeologia para os finais de semana anteriores à Champions, a gente retorna na segunda-feira assim, meio sem saber o porquê desta vida, e acaba esperando para emendar com a terça-feira europeia – que, afinal, é o que dá dinheiro e importa.
Ainda bem que o discurso no geral é fácil, principalmente para aquilo que é a única razão de interesse da maioria: Real Madrid e Barça. Esses, bom, venceram com sobras jogos que, numa temporada em que não são tão superiores ao resto, seriam jogos complicados – fora de casa contra Espanyol e Getafe, respectivamente.
Pelo Real, o mais notável até aqui parece ser quanta importância ganha um ser a princípio estranho à constelação: o meia Granero, que não só é coadjuvante como é formado nas categorias de base do clube (embora, claro, o time tenha tratado de deixá-lo ir embora de graça e tenha necessitado recontratá-lo). O que acontece é que, com a saída de Sneijder, Granero é o único meio-campista que não é nem defensivo demais (como Diarra II, por mais que invente de atacar, Gago e Diarra), nem um passador com pouca velocidade para levar a bola de uma intermediária à outra (como Xabi Alonso e Guti).
O Barça, por seu lado, já contou com um gol de Ibrahimovic – o que é bom para ir colocando as coisas no devido lugar e amansar a pressão por espetáculos – e com Messi sendo ele mesmo. O que, claro, diz muito mais a respeito da seleção argentina do que do próprio Messi. Ninguém precisa de olho muito clínico para entender por que Lio não repete as atuações sob o comando (sic) de Maradona. Com tudo isso, já tem gente, e não gente qualquer, mas o ex-treinador e atual oráculo confucista Johann Cruyff, dizendo que “o Barcelona desta temporada ainda não me convenceu. O da temporada anterior eu sacava melhor”. Maradona fazendo bobagens, Cruyff falando outras… Será que é melhor começar a dar espaço aos ex-grossos?
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A boa notícia é que, se Barça e Madrid sobraram, pelo menos dois dos maiores concorrentes também o fizeram: o Sevilla e o Valencia. Os sevillistas tiveram Luís Fabiano cada dia colocando um ponto de exclamação a mais na frase “E nenhum gigante europeu quis comprá-lo!!!!!!!!”, mas isso já não deveria ser novidade. O bom foi ver o time jogando muito nos 4 x 1 contra o Zaragoza sem a presença de Kanouté, lesionado e substituído por Negredo, e com a surpreendente atuação do argentino Diego Perotti, de 20 anos: contratado aos 17 pelos sevillistas, ele jogava no time B até a temporada passada. Saiu como titular no lugar de Diego Capel, marcou o terceiro gol e foi um dos melhores do time.
Pelo Valencia, pode até ser que as boas notícias sejam as mesmas já faz um tempo: vitória graças ao bom desempenho de Silva, Mata e principalmente David Villa. Mas pelo menos eles continuam todos lá e ainda com um ano a mais de entrosamento: já é razão para se comemorar. Os 4 x 2 sobre o Valladolid foram de dar esperança, sobretudo porque Banega conseguiu passar outra vez – já são duas, lembramos – 90 minutos dentro de campo sem acender um cigarro ou tirar a roupa e dançar a música nova dos Black Eyed Peas. A seguir assim, poderemos estar diante do autêntico meio-campista que faltava para o ataque valencianista ser tudo o que pode.
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Só para não passar mais de uma semana sem falar do tema: Diego Forlán – que, aliás, foi poupado durante o empate em casa contra o Racing – contou esses dias um detalhe sensacional sobre sua passagem pelo Manchester United, entre 2002 e 2004. Conta o uruguaio que o bem-estar no clube terminou de vez num dia chuvoso em que Sir Alex Ferguson pediu aos jogadores que usassem chuteiras de travas altas. Forlán disse “ã-hã”, mas não se sentia cômodo jogando com elas: no vestiário, colocou as de travas baixas e partiu para o jogo contra o Chelsea. Até que, num cruzamento para a área, bola limpa à sua frente. “Escorreguei pertinho do gol e perdi a chance”, lembra Forlán. “Não dá para enganar o Ferguson. Ele pegou minhas chuteiras e jogou longe. Foi meu último jogo pelo United.”
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Finalmente chegou o principal reforço do Xerez para a temporada: o chileno Fabian Orellana, de 23 anos, que jogava no Audax Italiano, mas cujo passe pertence à Udinese. O que o pessoal não entendeu foi se ficava feliz ou desesperado quando descobriu que o apelido do cara é “o Robinho branco”.
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Que venha, então, a Champions e depois a gente fala mais!
Quando a Copa do Mundo começa, ninguém nem se lembra de como foi a campanha de um país ou de outro nas eliminatórias. Mesmo assim, por inércia ou falta de assunto, temos a tendência de, no ano anterior ao Mundial, supor que os favoritos são aqueles que se classificaram antes. “Pô, desta vez a Holanda vem forte aí, hein?” Como se a gente não soubesse que um ano é tempo mais do que suficiente para acontecerem coisas fenomenais, como a Terra transladar em torno do sol ou a Holanda voltar a ser apenas a semifinalista e cordial Holanda.
Não é, portanto, porque a Espanha se classificou para a Copa com sobras que deve ser considerada desde já favorita. Nem porque supostamente acabou com seu complexo de vira-lata na Euro 2008. Nem porque tem craques como Xavi, Iniesta, David Villa e Fernando Torres. Craques muita gente tem. A Argentina, por exemplo, tem – e, como se vê, não é o suficiente.
A Espanha é uma das inevitáveis favoritas a ser campeã do mundo porque, primeiro, tem de sobra aquilo que mais falta justamente aos argentinos: identidade. Há anos a seleção – tanto a principal quanto a sub-17 e a sub-20 – joga da mesma forma, a despeito das mudanças de técnico e jogadores. Isso já foi louvado o bastante na conquista do titulo europeu no ano passado.
O que esta Espanha que vai à Copa da África do Sul tem a mais do que aquela de 2008 são coadjuvantes: com Vicente Del Bosque, o time parece poder depender de seus craques tanto (ou quase tanto) quanto de Sergi Busquets, Santi Cazorla ou Rubén Mata. Para nossa empáfia de quem tem Kaká com a camisa 10 e Diego (tomara!) com a 18 pode não soar nada especial, mas é o que faz da Furia, devidamente escaldada pelo fracasso na Copa das Confederações, uma candidata de verdade para ganhar a Copa de 2010.
Furiazinha Com gente como Bojan Krkic (Barcelona), Mérida (Arsenal), Parejo (Getafe) e Asenjo (Atlético de Madri), é bom saber: também para a Copa do Mundo sub-20, que começa este mês no Egito, a Espanha é uma das favoritas.
Vitaminado Como Los Angeles Galaxy e Inter de Milão, agora é o Valencia quem vai levar estampada na camisa a marca da Herbalife, empresa americana especializada em suplementos nutricionais. Puro palpite, mas a empresa tem cara de ser uma dessas que logo mais chega ao futebol brasileiro.
Coluna sequestrada e pilotada até se chocar contra o Jornal Placar em 11 de setembro de 2009.
Ao contrário do que costuma acontecer normalmente, nesta temporada os clubes espanhóis foram muito mais bruscos abrindo a janela de transferências do que a fechando. Especificando sempre que hoje, quando o assunto envolve gastar dinheiro e nós dizemos “clubes espanhóis”, na verdade queremos dizer “Real Madrid e Barcelona”.
O bom senso já ensinou que os jornais da Espanha usam a palavra “possível” em todo o seu sentido ontológico quando se referem a uma contratação. Tudo pode acontecer, sempre e a qualquer momento, segundo a lei das probabilidades. E então passamos dias pensando em “Ribéry quase certo”, em “Mascherano a um passo de fechar”, “David Silva apalavrado” e tudo mais que a criatividade e o tino comercial puderem inventar.
Até que chega o dia de a janela fechar e muita gente, no fundo, fica mais chateada pelo fim das especulações do que contente por ter chegado a hora de a bola efetivamente rolar. É aquele público que passa horas no computador com os joguinhos de gerenciamento de time de futebol, mas não faz questão de assistir a uma partida inteira.
E agora que a imprensa espanhola constatou que a ilusão pode vender mais do que a realidade, a nova moda é falar das contratações “praticamente certas” para 2010/11. Aquilo que é futuro e incerto vai passar a temporada toda rivalizando com o que é fato presente. Até o dia em que tudo se limitar a uma grande banca de corretagem, e os torneios de pôquer definitivamente tomarem conta da televisão (em pay-per-view).
Pós-janela Mesmo com a janela espanhola fechada, continua ventando: na terça-feira, o holandês John Heitinga acertou com o Everton, da Inglaterra – onde o limite de transferências dura 24 horas a mais. A torcida do Atlético de Madri, que já achava o elenco mais ou menos e andava preocupada com a derrota por 3 x 0 para o Málaga na estreia, terminou de se indignar.
(Não, não me canso. E sim, poderia passar a vida fazendo trocadilhos com o termo “janela”.)
Coluna destiladamente publicada no Jornal Placar de 4 de setembro de 2009.
Por razões sobretudo topográficas, o Ministério da Investigação Secreta escolheu este Capotón como emissário de um levantamento dos brasileiros que ficaram do lado de lá da janela e que, portanto, disputam a primeira divisão espanhola nesta temporada.
São, no total, 26 sortudos – isso se subversivamente incluirmos Pepe e Marcos Senna. A saber:
Almería Diego Alves (goleiro), Michel (lateral-direito) e Guilherme (lateral-esquerdo) Atlético de Madri
Paulo Assunção (meio-campista), Cléber Santana (meio-campista) Barcelona Daniel Alves (lateral-direito) e Maxwell (lateral-esquerdo)
Deportivo Filipe Luis (lateral-esquerdo) e Juca (meio-campista)
Málaga Weligton (zagueiro)
Mallorca Felipe Mattioni (lateral-direito)
Osasuna Roversio (zagueiro)
Racing Santander Henrique (zagueiro)
Real Madrid Pepe (zagueiro, naturalizado português), Marcelo (lateral-esquerdo) e Kaká (meia-atacante)
Sevilla Adriano (lateral-esquerdo), Renato (meio-campista) e Luís Fabiano (atacante)
Tenerife Dinei (atacante)
Valladolid Nivaldo (zagueiro) e Diego Costa (atacante)
Villarreal
Marcos Senna (meio-campista, naturalizado espanhol) e Nilmar (atacante)
Xerez Renan (goleiro)
Zaragoza Ewerthon (atacante)
O que nos permitiria fazer uma equipe completa e até que boa. Vejamos:
Diego Alves, Daniel Alves, Pepe, Henrique e Marcelo (Filipe Luís); Paulo Assunção, Marcos Senna, Renato e Kaká; Luís Fabiano e Nilmar
Ou ainda uma outra mais alternativa e, até certo ponto, humana (e, por isso, num 3-5-2 que nos permita alinhar o trio de zaga com que muita gente sempre sonhou):
Renan; Weligton, Nivaldo e Roversio; Felipe Mattioni, Guilherme, Juca e Michel; Diego Costa, Dinei e mais um (porque Pablo de Barros acabou não sendo inscrito pelo Zaragoza).
Alguém sabe algo que não esteja no Wikipedia sobre Weligton, Nivaldo e Roversio? Principalmente o Roversio, se não for pedir muito. Aliás, Roversio, se você estiver lendo este texto, entre em contato com a nossa produção. Queremos saber mais sobre você. Como foi o seu começo no Sport do Recife Santa Cruz? De onde o Gil Vicente foi tirar interesse para te contratar? Você leu ‘O Auto da Barca do Inferno’? Melhorou daquela lesão grave do fim do ano passado? Abraço, Roversio! Vê se escreve.
Uma homenagem, enfim. A primeira de Roversio desde sua estrondosa apresentação em Pamplona
O último dia de janela, no fim das contas, teve mais de filme de Alfred Hitchcock do que de JohnWoo: ficamos todos envolvidos no climão gerado por aqueles planos incertos e instrumentos de corda berrando no fundo, sempre achando que algo arrebatador está prestes a acontecer… e pouca coisa de fato acontece.
Mas é o bastante para manter todo mundo ocupado e – aqui sim chego no ponto auto-indulgente que me interessa – incapaz de ir muito além de um punhado de random thoughts, como diz Jack Nicholson em “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” (até hoje vice-líder histórico do Ranking Poderoso Chefão de Piores Traduções de Títulos de Filme).
Pois:
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Que decepção ver que as conclusões a que o mundo chega sobre o Real Madrid são: o ataque é capaz de grandes coisas, mas a defesa ainda preocupa. Dãh. Isso a gente já sabia no momento em que o dilema se mostrou ser onde escalar tanto atacante.
Cadê o show? O drama? O desastre? Parece que o Santiago Bernabéu esperava um jogo daquele; um time daquele de ontem: predisposto tanto a goleadas vitorianas quanto a ser surpreendido até por quem quase não tem poder de fogo para surpreender.
E isso por quê? Para mim, porque Xabi Alonso tem que ser o volante que pensa da dupla. Porque Diarra II não é nem jogador de qualidade de verdade, nem marcador implacável de verdade (como acho que tem que ser o companheiro de Xabi por ali). E, sim, eu critico Diarra II até no dia em que ele faz gol da vitória.
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O Barça, por sua vez, não fez nada demais: estreou com vitória, como se esperava, jogando com tranqüilidade, como se esperava, e enquanto fazia isso poupou Leo Messi (em retiro motivacional para tentar arrasar o Brasil em sua cidade natal) e viu Ibrahimovic romper, discreta mas providencialmente, seu cinto de castidade.
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Perder por 2-0 para o Valencia na estreia até que tudo bem. O que o Sevilla não contava era com já estar desfalcado de Kanouté – expulso ontem – e já escutar justamente de seu provável substituto, o marfinense Arouna Koné, uma declaração como essa, com mais cara de 36ª rodada e paciência no limite do que primeiro fim de semana da temporada:
“Todo mundo sabe que o Sevilla tem muitos atacantes. Perdemos o jogo porque não atacamos e o Valencia foi muito agressivo. (…) Estava no sistema do nosso técnico. Ele disse para que, quando o Valencia tivesse a bola, todos nós fôssemos um pouco para atrás, para só então atacar. É o sistema dele. É o sistema do treinador”, falou ele na entrevista coletiva depois do jogo, para desespero do ocioso comitê anticrise.
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Já os valencianistas assistiram a algo que pensavam ser absolutamente impossível: Ever Banega a fim de jogo e sendo o melhor do time em campo. Assumindo que o que durou um jogo possa durar alguns meses, o argentino pode ser o grande reforço do Valencia – que até agora mais comemorou não ter perdido muito na janela de transferências do que ter ganho alguma coisa.
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E a certeza de que aquilo que dizíamos a respeito da saída de Arjen Robben tem pelo menos um pouco de fundamento veio com a manchete do Marca, o panfleto oficial de Florentino Pérez, na sexta-feira pós-venda para o Bayern de Munique: “Robben: Ele foi bem vendido”.
Como bem sabem nossos camaradas infiltrados na Christie’s de Londres: se o negócio é tão bom assim, ninguém precisa ficar anunciando quão bom ele foi. Principalmente quando se trata de vender um sujeito que interessava ao técnico do time e que, dois anos antes, foi comprado por 11 milhões de euros a mais.
(“Ah, mas isso é culpa do Calderón, que pagou demais por um jogador com fama de frágil”, explica o Marca naquilo que está se tornando sua especialidade: editoriais tão jornalisticamente constrangedores quanto a falácia Belchior sumiu/Belchior apareceu/Viva o Fantástico que achou Belchior)
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Depois de devidamente chateado por não ter conseguido gerar interesse em Pep Guardiola – que não só pediu a contratação de Chrygrsnkiywyky como ainda deixou claro preferir seus canteranos -, agora Henrique tem que estar contente com seu destino: o Racing Santander é o tipo de lugar em que, se for bem, vai chamar a atenção. De repente, até de Guardiola. Ao lado dele, um garoto tão promissor quanto e também precisando mostrar que realmente é aquilo que dizem: Marc Torrejón. Este Capotón aposta numa dupla interessante.
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O Mallorca que não pense que me engana, porque não engana, não.
Seja pela transcendência na vida de tanta gente, pelo volume de dinheiro que movimenta ou por sua importância política, um clube como o Real Madrid se assemelha muito ao poder estatal. E isso, para quem tem alguma dúvida, se trata de um insulto.
Porque a primeira coisa que faz um clube assim se parecer com órgãos de poder público é sua tendência inequívoca a repetir os vícios que existem nesses desde Amenófis IV. Um exemplo claro: a noção perversa de que tudo – o patrimônio, os processos, a informação – pertence ao grupo que está no poder naquele momento e não ao clube, ou ao Estado, como instituição que vai atravessar o tempo daquele mandato.
Não acho que seja preciso ir muito longe numa análise do elenco do Real Madrid para constatar que Wesley Sneijder e principalmente Arjen Robben poderiam ser úteis para Manuel Pellegrini. De qualquer forma, não é só minha opinião. Sneijder foi claro ao comentar sua saída para a Inter de Milão: “Acontece algo muito estranho. O técnico conta comigo, mas tem gente dentro do clube que não.”
Constatamos então que Sneijder, como Robben, não é jogador do Real Madrid, mas do ex-presidente Ramón Calderón. Não interessa se eles podem ajudar o Real de hoje, de Florentino Pérez. Interessa mostrar – a quem quer que seja preciso mostrar – que o ciclo agora é outro. Deixar claro que quem manda nisso aqui sou eu.
Abaixo as vogais Para quem se orgulhava de sua política austera e responsável de contratações será que não é demais pagar 25 milhões de euros pelo ucraniano Chygrynskiy? Ou eu é que nunca reparei o suficiente no zagueiro do Shakhtar Donetsk?
G2 Cada vez os discursos de times como Atlético de Madri e Sevilla são mais explícitos: todo mundo entra para disputar o 3º lugar, atrás de Barcelona e Real Madrid. Não será cedo demais? Não será melhor esperar para ver quanto o Real funciona mesmo? Ou será estratégia de motivação?
Coluna procliticamente publicada no Jornal Placar de 28 de agosto de 2009.
Se você fechar um minutinho o seu Facebook e olhar com bastante atenção a tabela do Campeonato Espanhol, provavelmente vai se surpreender ao perceber que, além de Barcelona e Real Madrid, a temporada ainda prevê que mais 18 times disputem o torneio. Dezoito!
Significa que, além dos dois clássicos entre os únicos times que parecem existir no planeta, a Liga prevê outros 378 jogos. Parece enfadonho, eu sei, mas por isso mesmo pensamos que talvez fosse útil pelo menos fingir que existe interesse sobre os outros times e contar um pouco do que cada um fez entre o fim da temporada passada e o começo desta, além de jogar Wii Sports e tomar sol sem protetor.
Para dar um de ar de legitimidade ao processo, vamos fazer como os pintores modernistas e dividir nossa produção em fases. Começaríamos inicialmente pelo pelotão do meio, mas aí é que nos deparamos justamente com aquilo que é o terror do Campeonato Espanhol, como dos países subdesenvolvidos: a ausência de uma autêntica classe média. A Espanha não tem pelotão do meio.
Por mim, portanto, eu simplesmente cravaria que não vai ficar ninguém no meio; que vai ficar todo mundo embaixo. Mas o regulamento dos pontos corridos lamentavelmente não prevê um buraco de posições não-ocupadas, e alguém, por pior que seja, precisa preencher o espaço do 7º ao 11º lugar – imediatamente abaixo de Atlético de Madri, Barcelona, Real Madrid, Sevilla, Valencia e Villarreal (não acredito que eu acabo de me render à ordem alfabética como artifício para evitar problemas; eu, que sempre até gostei de problemas).
Enfim, como estamos falando de equipes em geral ruinzinhas, quem quer que chegue ali, naquela zona que não vale nada além de bom humor (RIP Copa Intertoto), vai ser considerado uma “agradável surpresa”. Para este Capotón, essas equipes podem ser:
Espanyol Talvez seja só por simpatia ou chute, mas acho que não é não: esse time do Espanyol parece animador. Na verdade, já deveria ser animador, para não dizer louvável, o fato de que, no ano em que inaugura seu estádio próprio, um clube médio, com pouca torcida, consegue melhorar o elenco em relação ao da temporada passada – e aparentemente sem comprometer o resto da sua existência com o BNDES.
A contratação de Shunsuke Nakamura é minha aposta para ser a de maior custo-benefício da temporada. E não só porque o custo foi zero, mas porque o japonês de 31 anos ainda pode ser útil dentro do campo e vai ser uma bomba de marketing fora dele (com as devidas limitações bélicas que o termo “bomba” tem quando usado para se referir ao Espanyol).
O israelense Ben Sahar, que nunca se encontrou no Chelsea, pode acabar sendo a desculpa que faltava para Raúl Tamudo ir parar no banco de reservas. A zaga mudou muito, com Torrejón indo para o Racing; Sergio Sánchez, para o Sevilla e Dani Jarque, desta para uma muitíssimo melhor. Mas compensou com três argentinos: Forlín e Roncaglia, que vieram do Boca Juniors, e Pillud, do Newell’s Old Boys (que alguém com certeza um dia já chamou de New Kids On The Block e achou engraçado).
Getafe Não sei bem por quê. Talvez não tenha um porquê. Mas acho que, entre as contratações pouco relevantes, as do Getafe estão entre as melhores. Primeiro com o descarte da vez do Real Madrid, o meio-campista Parejo. O lateral-esquerdo Mané, que era do Almería, é bom jogador. Pedro León, do Valladolid, também não é ruim. Boateng eu confesso que não sei dizer, mas o cara é ganês e veio de uma alegríssima temporada tomando cerveja kölsch em Colônia. Alguma coisa isso tem que significar.
Zaragoza Carizzo não é (ou pelo menos não era) aquele goleiro que tomou seis gols em La Paz. Jermaine Pennant já foi mais do que o sujeito que anima o banco do Liverpool cantando os raps do The Streets. Uche sempre foi um atacante perigoso, que todo time mais ou menos gosta de ter. Peter Luccin é até hoje o meio-campista mais preguiçoso da Europa Ocidental. O argentino Ayala, o brasileiro Ewerthon, o uruguaio Diogo.. essa gente toda continua lá. Acho que pode acabar virando um time razoável.
“Ah” – você vai me dizer com essa voz de indignação – “mas o time que caiu para a segunda divisão se bobear era melhor ainda no papel: com Ayala, D’Alessandro, Aimar, Milito, Ricardo Oliveira…”
“Ah” – respondo eu com voz de vinho branco jovem – “é mesmo.”
Genoa Quê?!? O Genoa não é do Campeonato Espanhol? Caramba, então a tarefa é mais difícil do que eu pensava. Deixa ver…
Athletic? Não sei. Não sei e não sei. O Athletic, quando você bate o olho, tem o mesmo time há anos. E quase sempre o time fica perto de ser rebaixado. Até que vem uma campanha como a da Copa do Rei, você vê aquele estádio lindo lotar, a torcida apaixonada regozijar e começa a achar que isso tudo pode funcionar ao longo de 38 rodadas e acabar fazendo um elenco ruinzinho surpreender um pouco (mas só um pouco). Se vai acontecer mesmo? Não sei. Não sei e não sei.
Deportivo? Talvez o tanto que o time é chato acabe afetando nosso julgamento, e assim a gente passa achar que eles são tão ruins quanto são chatos. Mas é fato que essa mesma equipe, um desastre para se assistir, um maior ainda para marcar gols, foi até que bastante competente na temporada passada. Se alguma coisa melhorar, vai ser ou por causa do desenvolvimento do atacante Adrián, ou por causa da psicoterapia do outro atacante, Riki.
Almería? O time, no papel, só piorou: perdeu seus dois laterais (Bruno, para o Valencia, e Mané, para o Getafe) e o melhor do time, Negredo. Só acredito em alguma coisa se algum dos que ficaram (Crusat? O argentino Piatti?) melhorar muito ou se algum dos que chegaram (outro argentino, Bernardello, ex-New Kids On The Block?) surpreender muito.
Juro que se eu começar a falar alguma coisa do Málaga talvez comece a me dar enjoo. Nada especificamente contra o Málaga, mas é que eu vejo o meu plano modernista de dividir a produção em fases indo direto para o ralo. Com essa porcaria de pontinho de interrogação do lado, dá para citar quase todos os times da Espanha como candidatos ao pelotão do meio fictício. Vou parar por aqui. Amanhã falamos dos falidos, malfadados, sucumbidos, jurados de morte e combalidos, se é que eles não estão no grupo acima.
Apesar de na prática ser muito mais um passo na pré-temporada do que o torneio oficial que é na teoria, a Supercopa da Espanha deveria ter sido o primeiro ingrediente mínimo de pressão para o Barcelona pós-triplete. Principalmente porque, para o Athletic Bilbao, a pré-temporada já estava acabada há tempos e o que existia era mais uma chance de acabar com um jejum de 25 anos sem títulos.
Os bascos tinham muito a ganhar, e o Barça, só a perder. Mesmo assim, o que se viu foi o mesmo que normalmente esperaríamos ver no meio da temporada, com tudo já engrenado e cada qual em seu devido lugar: primeiro os catalães venceram fora de casa, com o time todo reserva, e depois passearam no Camp Nou, já com a força máxima (menos Andrés Iniesta e Rafa Márquez, machucados).
Os 3 x 0 de ontem serviram para vermos um pouco daquilo que Ibrahimovic vai ter que enfrentar para se acostumar com o ritmo do Barcelona, como ficou claro no primeiro tempo. E serviram também para deixar claro que o sueco provavelmente saberá o que fazer para se adaptar, como ficou claro no segundo.
No fim das contas, a Supercopa serviu mesmo foi para duas constatações que, por óbvias que pareçam, a esta altura eram as únicas que havia para se fazer: a)- o Athletic Bilbao, não tem jeito, continua sendo só o Athletic Bilbao e, principalmente, b)- o Barcelona, para desilusão de quem acreditava na preguiça pós-férias e na quebra de ritmo, ainda é o Barcelona. Como dizíamos, bastante óbvio. Pep Guardiola certamente já sabia. Mas nunca é demais ratificar alguma certeza, ainda mais se a ratificação termina com medalha no peito, levantamento de taça e We Are the Champions na vitrola. Mal não pode fazer.
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Nos comentários publicados dois posts atrás, pintou uma polêmica – e aqui uso a palavra no seu sentido mais vasto, pra não dizer mentiroso – sobre nosso client, digo, favorito Diego Forlán. Começou com o camarada Daniel Mendes dizendo que:
“Forlan é bom atacante mas é meio limitado……. PROVA DISSO È Q NÂO DEU CERTO NO MANCHESTER UNITED!!!!!!!!!…”
Ao que este pisciano irresponsável respondeu:
“Daniel, Seguindo o teu raciocínio, Maradona também foi meio limitado, prova disso é que não deu certo no Barcelona; ou Sócrates, que não deu certo na Fiorentina; ou Romário no Valencia…”
E o problema, pelo jeito, foi “Romário no Valencia”. Há aqueles, como o amigo zootecnicista Cow Molester, que argumentam que a passagem do Baixinho no Valencia não foi exatamente fracassada. Ou que, se foi, foi porque assim Romário quis (e quando na vida ele não fez o que quis?). Também não sabemos com detalhes (eu não, pelo menos) os porquês de Forlán não ter dado certo no Manchester United. E, sobre Romário, sabemos bem sabido isto que você lê neste link aqui.
Os motivos podemos até discutir, mas se isso aí não é uma passagem fracassada num clube, eu não sei mais o que pode ser.
É Barão de Salamanca, mas nasceu em Uniéjøw, Polônia, como forma de protesto. Desde a pré-puberdade vive no Brasil, onde trabalha como correspondente para o diário El Pueblo, de Castilla y León. Come com gosto os órgãos internos de quadrúpedes e aves e, a cada dois anos, tenta de novo ler James Joyce. Não contém glúten.