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27/10/2009 - 09:00

D de Dios, D de Diego

Poster Maradona by KusturicaSe você ainda tem algum preconceito com relação a Diego Armando Maradona, vá ver o filme Maradona, de Emir Kusturica, em exibição na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (e que irá entrar em cartaz no dia 20 de Novembro). Nesta obra, o cineasta sérvio tenta entender uma das mais controversas personalidades da história recente. É curioso perceber que, no caso de Maradona, homem e mito caminham perfeitamente juntos. Ao mesmo tempo que Diego faz as vezes de profeta, comandante, Deus, é um argentino mortal como os seus milhões de adoradores.

“O tigre sabe seu lugar. Quando cruzava a linha de cal, quem mandava era eu”, disse Maradona. Preciso, El Pibe d’Oro reconhece que seu dom – divino ou não – se restringia às quatro linhas. Fora dela, sua vida caminhava mais próxima da bestialidade. As dezenas de lances geniais exibidas durante o documentário contrastam com os depoimentos de suas experiências com as drogas.

A consciência com que Diego reconhece seus erros, como por exemplo dos momentos que perdeu para a cocaína, desconstrói toda a imagem arrogante, tradicionalmente atribuída a Maradona. “Existe um monte de coisas das quais sinto uma culpa terrível, dentro de mim. Podem falar que estou bem, que estou melhor ou que estou melhor que antes. Mas isto não está dentro de mim. Eu sei a culpa que tenho, e isso não posso mudar.”

Kusturica conseguiu extrair reações e frases genuínas de Maradona. “Emir, sabe que jogador eu teria sido sem a cocaína? Que jogador nós perdemos! O que me amarga a boca é que eu poderia ter sido mais do que sou. Te garanto.”

Maradona em sua melhor entrevista, a Kusturica (Divulgação)
As histórias de Maradona fazem Kusturica e a platéia caírem na gargalhada (Divulgação)

Vemos um Diego Descontraído, que passeou de vidros abertos pelas ruas de Belgrado, cidade onde vive o cineasta, cumprimentando a qualquer um que passasse pela rua. Também é exibido um Diego Deslumbrado, com o fanatismo de seus fãs em Nápoles – apesar de ter visto cena parecida por milhares de vezes. Outro Diego, o Destemido, fala com orgulho de quando recusou receber prêmio nos EUA para passar uma semana com Fidel Castro. De quando “roubou a carteira” dos ingleses ao fazer um gol com a mão, e dar aos argentinos o troco pela derrota na Guerra das Malvinas.

“Se Jesus tropeçou, por que ele não haveria de tropeçar?”, diz a música feita em sua homenagem (da banda The Jandders, e cantada por Diego no trecho abaixo do documentário). Exageros a parte, Diego tem o direito de errar e de se redimir. E nós, brasileiros, temos que nos dar o direito de ouvir o que El Diez tem a dizer.

La pelota no se mancha. Claro que não, Diego…

Maradona, de Emir Kusturica

30/10 – sexta-feira, 22h
Cinemark – Shopping Cidade Jardim

04/11 – quarta-feira, 16h10
Unibanco Arteplex 1

Autor: alesalvador - Categoria(s): Maradona Tags: , , , , ,
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