Segunda divisão, reforços de primeira
Observar o inflacionado mercado brasileiro e a dificuldade das equipes grandes em se reforçarem para disputar a Série A soa como uma ironia, na minha vaga concepção. Ainda mais, quando miro meus olhos para nossos hermanos e vejo o outrora millionário River Plate se reforçar para seguir disputando a modesta B Nacional.
Haverá quem diga, mas “o River é o River”, sem lembrar que, “segunda divisão é segunda divisão”. E neste momento, muitos vão esquecer que se olham com desdém para a Primera División, o que dizer sobre a Segunda? Por estas bandas, nos orgulhamos em dizer que craques internacionais estão voltando para casa, fato. Mas quais deles se ofereceram para o clube sem fazer leilão por seus passes? E quais destes clubes estavam na prestigiada Série B brasileira?
Isto me faz lembrar que até poucos anos atrás, o “além fronteira” era visto com desprezo pelos profissionais de futebol no Brasil, desculpem-me, mas aqui eu generalizo. Atualmente, os estrangeiros sul-americanos, sobretudo, os argentinos tornaram-se uma saída viável para os clubes, além de encantamento.
Voltando. No início da B Nacional, chegaram aos millionários Chori Domínguez, Cavenaghi e Cristian Ledesma, dentre outros. Antes do Natal, a perua de todos os finais de ano se concretizou: Trezeguet fechou com o clube. E agora, Leo Ponzio desligou-se do Zagaroza para acertar com a equipe argentina. Ironicamente, todos se ofereceram.
E novamente virá alguém para questionar, “mas Trezeguet ainda joga?”, “Cave-o-quê?” e outras coisas deste quilate. Convenhamos, nenhum “astro” brasileiro que retornou brilhou na última temporada, além disso, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Adriano ainda não mostraram a que vieram.
Vale mencionar que, o Peso é menos da metade do Real e na Europa os jogadores recebem em Euro, que é um pouco mais do que o dobro da nossa moeda. E ainda assim, os jogadores abriram mão do que recebiam para jogar a segunda divisão argentina, com ressalvas para Trezeguet que recebiam ainda mais, visto que estava nos Emirados Árabes.
Contudo, a fragilidade econômica do clube de Núñez o impede de fazer altos investimentos financeiros. Mas não de usar sua marca, a torcida, a paixão e, com isso, apostar alto, ainda que o torneio em disputa seja apenas a segunda divisão.























