Com direito a gols “argentinos”, Benfica e Porto goleiam seu jogos e ficam muito próximos da vaga às semifinais da Liga Europa. Um poker argentino na Luz e um triplete do (argentino-)colombiano Falcao García, no estádio do Dragão. Eu sei que estas informações caberiam melhor na coluna de futebol português, com Bruno Soraggi, mas tomei a liberdade de escrever sobre estas duas equipes as quais, além do apreço que tenho, tornaram-se colônias sulamericanas, e sobretudo, portenhas, que é o que mais nos importa.

Desde que assumiu a titularidade, Salvio tornou-se figura chave da equipe.
A saída de Di María e Ramírez no início da temporada abriu uma lacuna no meio campo benfiquista – que tanto encantava na última temporada – e complicou a ligação entre este setor e o ataque, apesar do Payaso Pablito Aimar, que pode está jogando suas últimas partidas antes de retornar à Argentina. A entrada de Salvio na equipe supriu ausência de Angelito, atualmente no Real Madrid, mas os encarnados ainda procuram um atleta com características iguais à de Ramírez, hoje no Chelsea.
Demorou, mas em meados da temporada, o Benfica voltou a mostrar bom futebol. Seguiu apostando nos sulamericanos e explorando no setor ofensivo. Atuando no 4-4-2 em losango, pode-se dizer que o poderio ofensivo é a melhor estratégia defensiva da equipe que conta com o frágil Roberto, no gol. O lateral uruguaio Maxi Pereira, dupla de zaga brasileira Luisão e Jardel ou Sidnei e o lateral português Fábio Coentrão, um dos melhor, senão o melhor da Europa; Do meio para frente, o espanhol Javi García é o único não sulamericano, os demais meias são os argentinos: Salvio, Gaitán e Aimar; o argentino Saviola e o paraguaio Cardozo são os atacantes. Belos atacantes, por sinal.
No banco, o meia tuga César Peixoto, e os atacantes Felipe Menezes, brasileiro, e Franco Jara, argentino, ingressam constantemente. E por vezes modificam o esquema para o 4-3-3 dependendo da necessidade.
Dizer que o Benfica é uma colônia argentina não é nenhum impropério. No plantel, constam seis portenhos: Salvio, Aimar, Gaitán, Jose Luiz Fernández, Franco Jara e Saviola. Destes, apenas o ex-Racing Fernández não atuou “no passeio” de hoje, com direito a poker argentino – Salvio marcou dois, Aimar e Saviola completaram – e vaga quase assegurada, após o 4 a 1, ante PSV. Fica de olho, Batista.
Enquanto isso, no norte de Portugal, o discípulo de Mourinho, o técnico André Villas Boas conseguiu fazer ressurgir o Porto funcional da melhor era Jesualdo Ferreira com a pitada de alegria da era do Special One. Armado no 4-3-3, Belluschi perdeu espaço para o colombiano Guarín, mas ingressa constantemente para dar nova vida a equipe. Otamendi, que hoje esteve no banco, possui respaldo e estranhem (ou não) marca gols, cruza com precisão, dar segurança e, principalmente, joga em sua posição: zagueiro. Embora, caia, sempre que necessário, pelo flanco substituindo o lateral.

Após oito anos no River Plate, Falcao faz torcida Millionária sentir saudades...
Os Dragões possuem uma equipe mais equilibrada, que os lisboetas, entre os setores. Só para constar os 11 habituais: o brasileiro Helton; uruguaio Fucile, tuga Rolando, argentino Otamendi e, outro uruguaio, Alvaro Pereira; brazuca Fernando – como primeiro volante -, o colombiano Guarín de meia pela direita e chega como elemente surpresa ao ataque, o português João Moutinho, pela esquerda ou centralizado; brasileiro Hulk, como winger pela direita, português Silvestre Varela, pela esquerda, e o (argentino-)colombiano Falcao Garcia centralizado.
No banco, ainda constam ao menos cinco atletas que entram normalmente, o zagueiro brasileiro Maicon, o meia português Rúben Micael, o atacante colombiano James Rodríguez, ex-Banfield, o meia argentino Belluschi e o winger uruguaio Cristian Rodríguez ou, aos íntimos, Cebola. O winger argento Mariano González tem pouco espaço na equipe.
Com as linhas equilibradas e a rotatividade, a equipe consegue impor seu futebol. Utiliza da mesma idéia benfiquista de explorar o ataque para resguardar a defesa, apesar de possuir um bom sistema defensivo. A dupla Hulk-Falcao (que na verdade é um trio, junto a Varela), é a chave da equipe, que ainda conta com Moutinho-Fernando para defender e ligar os ataques.
Hoje, Falcao, ex-River Plate, converteu um triplete e ajudou os Azuis e Brancos a derrotar o Spartak Moscow, por 5 a 1. Assim, a vaga às semifinais da Liga Europa ficou quase garantidas e os torcedores Millionários com mais saudades…