
Confronto dentro do estádio.
O futebol em seu estado primitivo e o governo em seu estado mais omisso. Um morto – torcedor do San Lorenzo – e sete feridos – três deles policiais e quatro civis – fora do Estádio José Amalfitani. Dentro, torcedores arrancaram o alambrado e a partida entre Vélez Sarsfield e San Lorenzo, que demorou mais para começar – dez minutos -, do que com a bola rolando – sete – foi suspensa. E a Tv Pública, com seu programa governamental Fútbol para Todos, encerra a transmissão sem dar maiores informações e resolve transmitir o espetáculo Cirque Du Soleil. Pateticamente, óbvio.
Independente do motivo, o respeito ao expectador é uma premissa dos veículos de comunicação, ao menos deveria. Assim como segurança pública é condição sine qua non a toda sociedade. Pressuposto básico, diria. Em suma: o governo deveria está mais preocupado com a qualidade da segurança pública do que mascarar uma situação que salta aos olhos do público constantemente.
Aos que comparam as barras bravas argentinas a torcidas organizadas brasileiras, não comprem um produto de olhos fechados. Aqui a situação é complicada e algumas vezes assustadoras, lá é uma ferida social de proporções imensuráveis. Mortos rodadas após rodadas por conflitos entre rivais e confrontos internos pela liderança da barra e dos negócios – como tráfico de drogas e outras mercadorias, extorsão a atletas do próprio clube, assaltos, possuem poder nas questões políticas e diretivas do clube, dentre muitos outros problemas, que contam com a conivência das autoridades. E toda sociedade paga por isso. (Falarei disso mais vezes, por aqui)
Entretanto, confusões em Liniers, bairro o qual situa-se o Estádio do Vélez Sarsfield, são constantes. Alguns dizem que a barra da equipe dona da casa possui ligação com a polícia local, não seria leviano confirmar tal versão, mas questões de principio não farei. Mas já é sabido por (quase) todos que acompanham o futebol argentino a ligação estreita entre barras bravas e policiais. As informações que chegam é que teria ocorrido um embate entre torcedores do San Lorenzo e a polícia, e a vítima, da vez, foi Ramón Aramayo, 36 anos. Pertencente a barra? Talvez. Pai de família? Quiçá. Apenas mais um? Certamente.
E quem dúvida que em uma semana cairá no esquecimento? Ou até a próxima vítima surgir, que, infelizmente, não tardará. Lembrar que a Copa América se avizinha faz-se necessário. Não acreditem que algo mudará, pois não vai – nem na organização do futebol local, nem no governo. Até para utopias há limites.