Rafinha e o retorno da Bundesliga
Como muitos perceberam, o Blog do Alemão não tem sido atualizado com tanta frequência. Mas é porque este blogueiro que vos fala goza de férias. Entretanto, mesmo no período de descanso, deu para acompanhar a volta da Bundesliga.
E quem se deu mal no retorno do Alemão foi o Bayern, que perdeu para o Hamburgo na sexta-feira e caiu para quarta colocação no campeonato. O algoz dos bávaros agora é o terceiro, atrás de Hertha Berlim e Hoffenheim. O líder, que não pode mais contar com o artilheiro Ibisevic, venceu o Cottbus e lidera sozinho o Alemão.
Além de dar uma pasada geral na rodada, deu tempo também para conversar com o lateral-direito Rafinha, do Schalke 04. No bate-papo, que aconteceu antes do retorno da Bundesliga, o brasileiro disse que sua equipe busca o título. Mas com a derrota para o Hannover, não sei não… veja abaixo a íntegra da entrevista com o Rafinha.
Quais as pretensões do Schalke neste segundo turno da Bundesliga? Vocês acreditam no título ou uma vaga na Liga dos Campeões já estará de bom tamanho?
Nosso objetivo é o título, claramente. Infelizmente, não conseguimos ficar entre os líderes no primeiro turno. Ainda temos chance e a gente vai brigar até o final. Tenho certeza de que vamos fazer um ótimo segundo turno e lutar pelo campeonato.
Apesar da eliminação precoce na Olimpíada, você fez um ótimo torneio, sendo um dos destaques da seleção brasileira. Pretende voltar a vestir a camisa amarela este ano?
Esse é o meu maior desejo, meu maior sonho. Sei que os meus concorrentes estão em excelente fase e jogam em grandes clubes do futebol mundial. Estou certo de que a comissão técnica da seleção está me observando e, se eu fizer um bom trabalho aqui no Schalke, vou ser novamente lembrado pelos professores Dunga e Jorginho.
Por que o Zé Roberto, hoje no Flamengo, não deu certo no Schalke?
É difícil falar, ele tem muita qualidade, é muito habilidoso. Foi uma decepção para todos, tanto para nós brasileiros, quanto para os alemães, que esperavam ver eles mais vezes com a camisa do Schalke. Acho que ele poderia ter ganhado mais oportunidades. Os jogadores que atuam com regularidade já sofrem muito para se adaptar, quando se joga pouco, fica mais difícil ainda.
Você já está há algum tempo na Alemanha. Pretende se mudar para outros centros grandes da Europa, como Inglaterra, Espanha ou Itália?
Já tenho quatro anos no Schalke e acho que isso é apenas o início da minha carreira na Europa. Tenho mantido uma regularidade, fazendo um bom papel. Nesta temporada, fiquei só quatro partidas no banco, por causa de lesões. Mas tenho vontade de conhecer outros lugares, respirar novos ares.
6) Se surgisse algum clube brasileiro interessado no seu futebol, com uma proposta tão boa quanto as europeias, você voltaria para o Brasil? Por que?
Todo jogador sonha em jogar na Europa, por causa do nível do futebol e também pelo lado financeiro, que pesa bastante. Este foi o principal motivo de eu ter saído do Brasil. Se recebesse uma grande proposta, igual à de um clube europeu, voltaria de imediato. Eu amo o Brasil, é o meu país. Voltaria sem pensar. É muito difícil ficar longe dos nossos familiares.
Quando não joga, o que você faz para matar o tempo?
Aqui na Alemanha, eu sou mais caseiro. O clima não ajuda, então não tem essa possibilidade de passear sempre. Quando minha família está aqui, eu viajo bastante, vamos para os países vizinhos. Fico em casa, ouvindo meus sambas. Aqui os treinos são muito fortes, então eu chego em casa, na maioria das vezes, só pensando em descansar.
Do que você mais sente falta do Brasil?
Do calor humano, do clima, do contato no dia-a-dia. Ter um amigo, um vizinho, um parente, alguém para conversar. Seja na padaria, no bar, no restaurante. Aqui na Alemanha não tem isso, o pessoal não gosta de contato. Tem alguns alemães simpáticos, mas são poucos. No Brasil, as pessoas não têm tantas condição financeira, mas são felizes do mesmo jeito.
Você teve que mudar sua forma de jogo quando chegou no futebol alemão? Ou suas características são as mesmas da época do Coritiba?
A minha mudança foi muito grande, foi notável. No Coritiba, eu jogava mais adiantado, como um ala, quase como um meia. Eu tinha muita liberdade. Aqui na Aleamanha, todos os treinadores que eu trabalhei pediram também que eu marcasse e também atacasse. O futebol alemão é de muito contato, muita jogada forte. Tive que melhorar meu poder defensivo. Tenho que segurar, não chegar sempre ao ataque. Hoje eu sinto que estou muito mais recuado, mas isso é por causa do esquema do treinador. Mas não perdi minhas características ofensivas, tenho dado muitas assistências e feito alguns gols.
Você assemelha seu futebol ao de qual jogador?
Na minha posição, eu gostava muito de ver o Cafu jogar. Ele tinha muita força para atacar e um poder de recuperação enorme. Ele descia para o ataque com muita força e voltava com força dobrada. Sempre procuro me espelhar nele, pelo fato de ser lateral-direito também. Foi um jogador que sempre manteve sua regularidade. É um jogador que eu admiro tanto dentro como fora de campo.
Você acha que as recentes publicações na imprensa alemã, sobre o que faz fora de campo, prejudica sua imagem no clube?
Acredito que não tem problema nenhum. Minha relação com a imprensa aqui é muito boa. O problema é um vizinho meu. Toda vez que eu recebo alguns amigos para fazer um churrasco em casa, ele implica com o barulho. Aí, é sempre ele quem chama a polícia e os jornais. Todo mundo aqui já sabe disso. Então, isso não prejudica a minha imagem com o Schalke.
O título da Copa da Alemanha é um dos objeivos. Como foi a volta da temporada, após a pausa para o inverno? Vocês venceram o Carl Zeiss Jena sem dificuldades pelo torneio…
Foi uma vitória que a gente precisava, foi o primeiro jogo oficial neste ano. Foi importantíssima, tenho certeza de que vamos ficar mais motivados, que a gente possa voltar bem também na Bundesliga, no sábado. Temos o objetivo de chegar à final da Copa da Alemanha, em Berlim. Faltam só dois jogos e espero que a gente consiga.
Alguma consideração final aos leitores do Blog do Alemão?
Quero dar boa sorte a todo mundo do Coritiba neste ano de centenário. Foi o clube onde eu apareci no futebol profissional, onde eu deixei muitos amigos. Mesmo aqui na Alemanha, estou sempre acompanhando e torcendo para o clube. Um abraços para todos!
