iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
13/05/2009 - 08:00

Uma noite comum entre amigos na Jordânia

AMÃ – Em um amplo apartamento de uma área nobre da cidade, um grupo de jovens amigos se reúne semanalmente para comer, conversar, jogar cartas e ouvir música. A maioria é de origem palestina, mas também há alguns jordanianos de nascimento e até uma libanesa e uma jovem nascida em Dubai.

Fui convidado a um desses encontros, que ocorre quase todas as semanas. “Depende da agenda do pessoal”, explicou minha anfitriã, a brasileira Fátima. Ela e seu marido, o jordaniano Ashraf, e mais dois filhos vivem em Amã, capital da Jordânia.

Quando você pensa nessa reunião de amigos em pleno centro de uma capital do Oriente Médio, esqueça as novelas da Glória Perez, esqueça os estereótipos formados em sua cabeça. O encontro que presenciei poderia ter acontecido aqui em Amã, no Rio de Janeiro, em Londres ou em Nova York. E nada teria mudado.

Por volta das 21h os casais vão chegando, se apresentam e já começam a conversar comigo sobre o Brasil. O inglês é fluente e muitos não apresentam sotaque. Ou melhor, apresentam um carregado sotaque britânico, onde a maioria fez graduação ou pós-graduação. E nada melhor para exemplificar a convivência pacífica entre islamismo e cristianismo na Jordânia do que dizer que cinco casais eram muçulmanos e outros quatro eram cristãos. Todos amigos de infância ou de faculdade.

Outro estereótipo derrubado no encontro foi a relação entre os homens e as mulheres. Ninguém de véu, ninguém em sala separada. Todas estão muito bem vestidas, com roupas modernas, cabelos pintados, maquiagem. Todas as mulheres presentes, que conversavam animadamente, são profissionais bem sucedidas: empresárias, dentista, advogada… Aliás, a Jordânia é um dos países muçulmanos com maior respeito à mulher. Tem quatro ministras e uma popular e moderna rainha.

No rádio, nada de música típica árabe que estamos acostumados a ver em filmes ou documentários. Os amigos, que fazem parte de uma parcela da elite da Jordânia, preferem ouvir música eletrônica, pop e até rock.

A conversa vai ficando animada ao longo da noite. Fátima, dona da casa, explica que esse grupo é formado pelos amigos do marido, Ashraf, e as mulheres acabaram se conhecendo e também fizeram amizade. Por volta das 2h da madrugada, algumas pessoas vão para outra sala para jogar baralho. Na sala principal, a conversa continua e se alterna entre o árabe, o inglês e até um pouco de português entre Fátima, Ashraef e eu.

A música continua alta e cada vez mais animada. A festa promete se estender pela madrugada. Eu preciso voltar para o hotel onde estou hospedado porque no dia seguinte o papa rezaria uma missa logo cedo. Deixo a casa de Fátima com a sensação de ter feito novos amigos e participado de uma autêntica experiência em Amã, longe do circuito turístico da cidade.

Também volto para o hotel ciente de ter entendido um pouco mais sobre os palestinos, a vida que eles levam aqui na Jordânia e o desejo de voltar para casa: a Palestina.

* O jornalista Leandro Meireles Pinto viaja a convite da Jordan Tourism Board.

Autor: Leandro Meireles Pinto - Categoria(s): Oriente Médio Tags:

5 comentários para “Uma noite comum entre amigos na Jordânia”

  1. Beatriz disse:

    Gostei muito do texto… qualquer leitura da possbilidade de convivência e de paz entre crenças, indivíduos, opções de vida… enfim de qualquer tipo de diferenças entre nós, seres humanos, é extremamente benvinda e me sensibiliza muito.

  2. Fatima disse:

    Oi Leandro ,
    Gostei do texto ,
    Adorei te conhecer , e seja sempre bem vindo à Amman e a minha casa.
    Um abraço
    Fatima

  3. Keila disse:

    Fantástico!
    Quem dera todos pudessem respeitar as crenças dos demais.
    Viveriamos em paz, cada um crendo em suas ideologias, sejam elas quais forem.
    Acho um absurdo quererem empurrar ‘goela abaixo’ uma religião ou outra.
    Acredito que o importante é acreditar em algo. É ter Fé.

    Um abraço a todos que já compartilham desta maravilha, o convivio entre amigos…

  4. joao ivo girardi disse:

    O irmão da anfitriã (Fátima) – Thair, é professor da Engenharia Elétrica da Universidade Regional de Blumenau – FURB.

    Sempre digo a ele, (como católico) que as religiões são todas iguais, voltadas na base para o bem das pessoas. Gente boa

  5. Carlos N Mendes disse:

    Numa época que a principal rede de TV brasileira insiste em vender estereótipos de outros povos, é bom ver esse tipo de reportagem. Pena que não tenha o mesmo alcance de uma novela das 9. O esterótipo é uma poderosa ferramenta para separar os povos. E a internet é a maior arma contra ele.

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo