Protesto contra o G20 não abala Londres
Ao contrário do que muitos jornais londrinos anunciaram nos últimos dias, a passeata “Put People First” (Coloquem as Pessoas em Primeiro Lugar, em tradução livre) foi um evento pacífico e a vida na capital britânica não sofreu grandes alterações por causa da manifestação.
Segundo a Polícia Metropolitana, 35,000 pessoas marcharam pelas ruas de Londres para exigir empregos, justiça econômica e responsabilidade pelo meio-ambiente, dando início a seis dias de protestos que antecedem a Cúpula do G20. O número é muito inferior ao previsto pela organização, que esperava a presença de cerca de 1 milhão de manifestantes.
A multidão partiu da margem norte do Rio Tâmisa pontualmente às 12h deste sábado. Veja o roteiro da passeata:
No começo da marcha, o silêncio era rompido apenas pelo som da banda de fanfarra do sindicato GMB, apitos e gritos isolados. Ao passar pelo Big Ben, um dos principais símbolos da cidade, o clima na esquentou e muitos grupos passaram a gritar lemas como “trabalhadores unidos jamais serão vencidos” e “faça pelo povo e não pelo lucro”.

A passeata foi marcada pela diversidade - pessoas de diversas idades, grupos com objetivos diferentes. ”Não existe limite de idade para expressar sua opinião”, disse o aposentado Ian McGeller. Muitas das mães com crianças pequenas diziam não temer tumultos e valorizar a importância de despertar nas crianças uma consciência cívica. “Ele sabe porque estamos aqui e entende que é preciso fazer alguma coisa em nome do que se acredita”, disse Claire Potter a respeito de seu filho Matthew.
Diante dos portões que fecham a rua Downing Street, onde fica a moradia oficial do primeiro-ministro, os britânicos se exaltavam mas o clima não era tenso. Um grupo de pessoas com bandeiras anarquistas seguiu acompanhado pela polícia e seus participantes gritavam ” a manifestação do G20 está um tédio”. Nós “temos a semana inteira e as ruas são nossas”, gritou um membro do grupo.

A passeata terminou em um encontro no Hyde Park, o maior parque da cidade. Alguns líderes falaram sobre o sucesso da manifestação, enquanto outras pessoas aproveitaram o momento para dar continuidade ao protesto. Mas o frio e o vento fizeram com que muitos optassem por não participar.
Perto dali, em uma das principais ruas comerciais de Londres, a Oxford Street, o movimento nas lojas era intenso. ”Eu nem sabia que hoje era dia de passeata”, confessou Cherie, que não quiz dizer seu sobrenome. “Sábado é dia de ir às compras!”. Quando questionada sobre sua opinião a respeito da crise ela e duas amigas responderam em coro: “Que crise?” Assim como elas, muitos moradores da cidade pareciam seguir vida normal neste sábado.
A Cúpula de Londres acontece na quinta-feira e outros protestos serão realizados na cidade até lá.


