AMÃ – Muitas vezes, é difícil visualizar todos os locais em que, segundo a Bíblia, Jesus teria passado. Nesta semana, Bento 16, em sua peregrinação pelo Oriente Médio, também passou por vários desses locais, para repetir e abençoar os lugares santos da chamada Terra Santa.
O site Sacred Destinations, especializado em guias e mapas de viagens religiosas, criou um mapa interativo para você ver em detalhes os principais locais da Terra Santa. Veja abaixo:
AMÃ – Quem entra e sai dos hotéis de luxo da Jordânia logo percebe que o esquema de segurança no lobby é reforçado. Devido aos atentados contra hotéis de Amã em novembro de 2005, todos os que entram no local devem ser revistado, seja entregador, visitante ou hóspede.
Aqui no Grand Hyatt, onde a reportagem do Último Segundo está hospedada, não é diferente. Palco de um dos ataques de 2005, o hotel tem segurança reforçada e uma tenda de revistas do lado de fora do lobby. Só entra quem colocar a mala na máquina de raio-x e passar pelo detector de metais.
AMÃ - Na última sexta-feira, durante celebração no Centro Regina Pacis, em Amã, o papa Bento 16 recebeu de presente uma kufía (ou keffiyeh), um lenço vermelho e branco tradicionalmente usado nesta região. Ao receber o presente e colocar o lenço sobre os ombros, Bento 16 foi efusivamente aplaudido pelos fiéis que estavam na igreja.
Assista ao vídeo abaixo:
A kufía (ou keffiyeh) é um lenço de algodão tradicionalmente usado pelos árabes para se proteger dos ventos e das tempestades de areia no deserto, além de proteger contra o sol escaldante da região. Mas foi só por volta de 1920, após a Revolta Árabe, que a kufía passou a ser vista como um símbolo da causa palestina.
Após ser adotada pelo líder palestino Yasser Arafat em todas as reuniões e aparições públicas, a kufía ficou ainda mais popular e passou também a ser usada como forma de protesto e até como ornamento fashion no ocidente.
A kufía recebida pelo papa na sexta-feira é vermelha e branca, o que indica que é de origem jordaniana. A kufía tradcional palestina é preta e branca, assim como a usada por Yasser Arafat.
AMÃ - O papa Bento 16 desembarcou nesta sexta-feira em Amã, onde foi recebido pelo rei e pela rainha da Jordânia. Seu primeiro evento que permitiu o contato com o público foi a visita a um centro cristão de cuidados a pessoas com deficiências físicas, o Centro Regina Pacis.
Antes da chegada do papa, centenas de peregrinos e pacientes do Centro Regina Pacis já se aglomeravam no pátio que iria receber Bento 16. Um padre cantor entoava músicas cristãs populares na Jordânia e o público agitava bandeiras e faixas.
Ao chegar, Bento 16 fez questão de dar uma volta completa pelo pátio para cumprimentar os fiéis, que cantavam “Benedeto benvenido en Jordânia”. Por incrível que pareça, um grupo de gaita de fole, instrumento típico da Escócia, também tocava durante a chegada do papa.
Peregrinos de todo o mundo vieram para acompanhar a visita do papa Bento 16, especialmente os cristãos que moram no Oriente Médio. Quando a reportagem do Último Segundo chegou ao centro Regina Pacis, logo observou uma enorme bandeira da Argentina. Após a missa, conversei com duas missionárias da Argentina que estão fazendo um estágio em igrejas católicas da Síria, país que faz fronteira com a Jordânia.
“Conseguimos dar as mãos para o papa quando ele passou pela gente. A emoção foi muito grande”, afirmou Carina, uma das missionárias católicas. Perguntada sobre o que o papa poderá trazer ao Oriente Médio, Carina afirmou que ele pode ajudar “naquilo que todos queremos: paz. Parece simples, mas é difícil”, disse.
Bandeira da Argentina foi colocada no Centro Regina Pacis
AMÃ - Por onde se passa aqui na Jordânia é possível ver funcionários do governo dando os últimos retoques nos trajetos que serão percorridos pelo papa Bento 16 durante sua visita ao país (veja a agenda completa do papa Bento 16).
Na estrada que liga o Mar Morto à capital Amã, era possível ver pintores retocando as calçadas e diversos coletores de lixo retirando objetos das ruas. Além da visita do papa, que começa na sexta-feira, a região do Mar Morto também receberá na próxima semana a edição de jovens líderes globais do Fórum Econômico Mundial, que acontece entre os dias 14 e 16 na beira do Mar Morto.
O menu completo ainda é segredo, mas tudo o que o papa Bento 16 irá comer aqui na Jordânia já está sendo estudado desde a confirmação de sua visita ao país.
No domingo, dia 10 de maio, o papa irá a um almoço privado com outros religiosos que será servido pelo buffet do hotel Regency, o mesmo que serviu almoço ao papa João Paulo 2º nove anos atrás.
Said Sawalha, dono do hotel Regency e responsável pelo banquete, afirmou que “está muito ansioso com qualquer coisa que possa dar errado”. Sawalha disse já ter “vários planos B” para qualquer imprevisto. “Desde a queda de um bolo até um pneu furado no caminhão que irá transportar o banquete”, disse.
Segundo Sawalha, o Vaticano pediu pratos leves com medalhão de bife, vegetais e um bolo de abacaxi como sobremesa.
Veja abaixo os pratos que irão ser servidos ao papa:
MAR MORTO - A cidade de Madaba, quinta mais populosa da Jordânia, fica na região do Mar Morto e será um dos destinos do papa Bento 16 durante sua peregrinação pelo país.
A reportagem do Último Segundo esteve na última quinta-feira no local e andou pelas ruas estreitas e cheias de pequenos comércios da cidade. Apesar de a Jordânia ter apenas 6% de população cristã, e sendo a sua maioria grega-ortodoxa, os católicos já se preparam para a visita de Bento 16 e diversas faixas e placas de recepção foram espalhadas por todo o trajeto que o papa fará.
O papa fará, no sábado (9), uma rápida visita à cidade de Madaba para abençoar a pedra fundamental da Universidade de Madaba, além de fazer uma rápida passagem pela Igreja Ortodoxa de São Jorge, onde um mosaico de 500 d.C. com o mapa da “terra prometida” e de todo o Oriente Médio pode ser visto.
A cidade de Madaba, que fica a cerca de 50 quilômetros de Amã, é conhecida por seu vasto arquivo arqueológico de mosaicos bizantinos. O principal é o que contém o mapa que vai da Síria até o delta do rio Nilo, no Egito, e está no chão da Igreja Ortodoxa de São Jorge. A cidade também será a casa da Universidade de Madaba, uma faculdade privada patrocinada pelo patriarcado latino católico, a universidade promete trazer uma moderna infra-estrutura para o local.
Fragmentos do mosaico com mapa do Oriente Médio
- Se você quiser saber mais sobre a Jordânia, veja o especial do iG Turismo.
- Veja, também, uma galeria de fotos do país.
* O jornalista Leandro Meireles Pinto viaja a convite do Jordan Tourism Board.
MAR MORTO - A língua oficial da Jordânia é o árabe, mas o papa Bento 16 fará todas os seus pronunciamentos no país em inglês. A decisão do Vaticano não é difícil de ser entendida. Aqui na Jordânia, praticamente toda a população entende e consegue se expressar em inglês, alguns com menos fluência e outros com vocabulário e articulação perfeitos.
A influência da língua inglesa na Jordânia se explica pelo fato de o país ter sido colônia da Inglaterra de 1920 a 1946, período que é conhecido como Mandato Britânico. Após a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha ganhou o direito de administrar a região que compreende hoje a Jordânia, Israel e os territórios palestinos. Essa região era dominada pelo Império Otomano, que perdeu a guerra e os direitos sobre a terra.
Em 1946, o Reino Hashemita da Transjordânia declara independência, deixando de obedecer ao governo britânico. A língua inglesa, no entanto, continua até hoje sendo a segunda língua dos jordanianos.
O Vaticano já divulgou algumas liturgias e alguns discursos que serão proferidos pelo papa durante sua visita ao Oriente Médio. Se quiser acessar, basta fazer o download deste PDF e acompanhar a leitura (em inglês).
* O jornalista Leandro Meireles Pinto viaja a convite do Jordan Tourism Board.
MAR MORTO – Depois de mais de 24 horas de viagem, o Último Segundo chegou à Jordânia, onde vai acompanhar a visita do papa Bento 16 ao Oriente Médio. Embarcamos no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na noite de segunda-feira. Foram 12 horas de voo para chegar a Frankfurt, na Alemanha, onde esperamos mais seis horas para embarcar para Amã, capital da Jordânia. Mais quatro horas de voo e o Último Segundo está aqui no Oriente Médio.
A visita do papa Bento 16 à região traz alguns desafios ao pontífice: o diálogo com judeus e muçulmanos, a discussão sobre o futuro dos cristãos no Oriente Médio e questões de segurança que fazem da região uma das mais instáveis.
Mapa da Jordânia
Veja a programação de Bento 16 no Oriente Médio abaixo:
A agenda do papa
Bento 16 desembarca no Aeroporto Internacional Rainha Alia, em Amã, na manhã de sexta-feira (10) e será recebido pelo rei da Jordânia, Abdullah 2º, e pela rainha Rânia. No mesmo dia, ele faz um visita a sede do Centro Regina Pacis, uma instituição cristã que cuida de crianças deficientes. Na noite de sexta-feira, o papa e a família real se encontram para um jantar no palácio real.
No sábado, o papa vem para a região do Mar Morto, onde a reportagem do Último Segundo se encontra no momento, para visitar o Monte Nebo, onde Moisés teria avistado Jerusalém, a “terra prometida”, e a cidade de Madaba.
Na tarde do sábado, o papa terá um dos mais simbólicos eventos em sua agenda na Jordânia. Ele irá à mesquita Al Hussein bin Talal e se encontrará com líderes religiosos muçulmanos. Na noite de sábado, Bento 16 ainda reza uma missa com padres e missionários católicos da Jordânia.
A agenda papal de domingo conta com uma missa campal no Estádio Internacional de Amã, onde são esperada cerca de 40 mil pessoas, da Jordânia e de outros lugares do Oriente Médio. Ele terá um almoço reservado com bispos da região e, no fim da tarde de domingo, Bento 16 visita o Rio Jordão, onde acredita-se que Jesus tenha sido batizado.
Na segunda (11) pela manhã, Bento 16 vai direto para o aeroporto de Amã, onde se despeda da família real e parte para Israel. Serão 30 minutos de vôo até o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, onde o papa será recebido pelo presidente israelense Shimon Peres. Na tarde de segunda, Bento 16 parte para Jerusalém e visita o Memorial do Holocausto (Yad Vashem) e se encontra com líderes religiosos.
No dia seguinte, terça-feira (12), Bento 16 visita a Cúpula da Rocha, na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, e faz uma visita de cortesia ao Grão-Mufti. Ainda na terça-feira, o papa também faz visita de cortesia aos dois grandes rabinos de Jerusalém no Centro Hechal Shlomo de Jerusalém.
Na quarta-feira (13) Bento 16 vai a Belém e reza missa na Praça da Manjedoura. Ele também visita a Gruta da Natividade, um centro de recuperação de refugiados e tem como principal evento do dia o encontro com o presidente da Autoridade Nacional Palestina.
Bento 16 se encontra com o novo premiê israelense, Benjamin Netanyahu, na quinta-feira (14) e se encontra com chefes religiosos da Galiléia. Na quinta-feira pela manhã ele visita o local do Santo Sepulcro e na parte da tarde parte de volta para o Vaticano (veja a agenda completa do papa aqui)
- Se você quiser saber mais sobre a Jordânia, veja o especial do iG Turismo.
O papa Bento 16 pediu a benção “de Deus para a Cúpula de Londres e todos os encontros multilaterais que acontecerão na capital britânica na tentativa de solucionar a crise econômica” em uma carta enviada ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown no dia 30 de março.
Em resposta, Brown disse que se sentiu “inspirado” pela conversa que teve com o sumo pontífice quando os dois se conheceram há alguns meses, na qual Bento 16 pediu que ele não esquecesse os “pobres ou o aquecimento global” durante o encontro desta semana em Londres.