CHICAGO (IL) – Um novo anúncio da campanha de Barack Obama que começou a circular ontem faz piada com o apoio que o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, anunciou ao candidato republicano, John McCain.
O vice-presidente defendeu, durante o ato, as conquistas da atual gestão em assuntos como segurança nacional e educação e disse que McCain é a escolha correta para o país em momentos difíceis.
No comercial, o narrador destaca o apoio que Collin Powell deu à candidatura democrata e depois mostra Cheney dizendo que está “contente em apoiar John McCain”. O narrador diz, então, que McCain “trabalhou duro” pelo apoio de Cheney, ficando ao lado de Bush em 90% das votações no Senado. A mesma piada foi usada por Barack Obama nos comícios que ele fez no último domingo.
CHICAGO (IL) – O candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, aparece à frente em todas as pesquisas divulgadas neste domingo, a dois dias antes da eleição. Mesmo assim, a campanha democrata teme que, na hora do voto, muitos americanos deixem de votar em Obama por ele ser negro.
Isso já aconteceu na década de 80, quando o prefeito de Los Angeles Tom Bradley liderava as pesquisas para governador mas perdeu a disputa por não ter votos suficientes entres os subúrbios brancos da Califórnia. O fato ficou conhecido no meio político como “Efeito Bradley”.
O mesmo efeito foi usado para explicar derrotas de Harold Washington na campanha para prefeito de Chicago em 83, do prefeito David Dinkins em Nova York em 89, e Douglas Wilder na disputa para governador da Virgínia no mesmo ano.
No começo deste mês, conversamos com o professor John H. Stanfield, do Departamento de Estudos Afro-Americanos da Indiana University, para saber sobre as possibilidades de o “Efeito Bradley” acontecer novamente neste ano. Segundo o professor, algumas pessoas que disseram nas pesquisas que vão votar em Obama podem mesmo mudar de idéia na privacidade da cabine de votação, mas não em larga escala.
“O efeito Bradley não deve acontecer em larga escala nesta eleição. Se raça fosse um problema, isso já teria sido demonstrado nas primárias”, afirma John H. Stanfield, professor do Departamento de Estudos Afro-Americanos da Indiana University.
“Certamente haverá algo como o efeito Bradley no dia 4 de novembro. Afinal, estamos na América. Mas o país mudou muito desde os anos oitenta e isso não deve afetar diretamente a candidatura de Obama”, diz Stanfield.
CHICAGO (IL) – Seja qual for o resultado da eleição nesta terça-feira, a disputa deste ano já se configura como o pleito da mudança.
Além de termos o primeiro candidato negro com chances reais de chegar à presidência, temos também a chance de uma mulher ser a vice-presidente dos Estados Unidos. Mas as mudanças não param por aí. Esta é a primeira eleição dos últimos 28 anos sem que alguém da família Bush ou da família Clinton concorra. Olhando para o passado, as duas famílias formaram as “dinastias” mais longas no governo norte-americano.
A “dinastia Bus”h começou em 1980, quando George H.W. Bush foi eleito vice-presidente na chapa de Ronald Reagan por dois mandatos. Em 1989, “Bush pai” foi o candidato à presidência e venceu o democrata Michael Dukakis. No total, “Bush pai” ficou 12 anos no poder. Se contarmos os oito anos de seu filho, são 20 anos, dos últimos 28, nas mãos da família Bush.
A dinastia Bush sofreu uma interrupção de 1992 a 2000, quando Bill Clinton ocupou os quartos da Casa Branca, mas voltou com força total após a eleição de George W. Bush, em 2000.
Agora, nem Bush, nem Clinton. A chapa eleita nesta terça-feira não terá ninguém com laços nas famílias mais tradicionais na política americana moderna, a primeira das várias mudanças que virão após esta eleição.
CHICAGO (IL) – A menos de 48 horas para o fechamento das primeiras urnas aqui nos Estados Unidos, a campanha republicana começou a veicular em diversos Estados cruciais um anúncio com fortes ataques a Obama e sua ligação com o reverendo Jeremiah Wright.
O anúncio, uma última tentativa de virada de jogo, tenta colocar medo no eleitor ao mostrar imagens de Wright e Obama juntos. “Por 20 anos, Barack Obama seguiu um pregador do ódio e nunca disse nada quando Wright criticava nosso país”, diz o anúncio. Ao final, o narrador fala: “Barack Obama, muito radical, muito arriscado”.
CHICAGO (IL) – A polêmica sobre a situação irregular de uma tia de Barack Obama aqui nos EUA é mais profunda do que simples fofoca familiar às vésperas da eleição. O caso trouxe à tona um problema que já era comentado aqui e ali por blogs republicanos, que é a legalidade das doações que o candidato democrata recebeu de internautas.
Para fazer uma doação para qualquer candidato, o doador precisa ser cidadão americano e estrangeiros não podem fazer contribuições. O problema é que, com a campanha online e a globalização das transações financeiras, fica muito fácil para qualquer pessoa ao redor do mundo fazer um depósito no cartão de crédito internacional para qualquer partido.
No começo deste mês, o NY Post já havia denunciado que Obama havia levantado fundos vendendo camisetas para cidadãos na Faixa de Gaza, o que também é ilegal. Além disso, completa o NY Post, é difícil comprovar a origem dos doadores da campanha de Obama porque o partido Democrata não precisa divulgar dados dos doadores que enviaram valores abaixo de US$ 200.
Segundo a Comissão Eleitoral Federal, Barack Obama arrecadou US$ 639 milhões até o dia 27 de outubro. John McCain conseguiu levantar “apenas” US$ 360 milhões. Com quase o dobro da verba da campanha republicana, Barack Obama conseguiu esbanjar dinheiro ao veicular um anúncio de 30 minutos em três canais em rede nacional, ao custo de US$ 5 milhões, além de ter muito mais escritórios e publicidade televisiva nos Estados principais da disputa.
CHICAGO (IL) – A três dias da eleição, o candidato republicano John McCain e sua mulher, Cindy McCain, apareceram na edição deste sábado do humorístico Saturday Night Live.
McCain apareceu ao lado de Tina “Sarah Palin” Fey e fez piadas com a situação financeira de sua campanha. O senador também brincou com o anúncio de 30 minutos feito por Barack Obama em rede nacional.
Na esquete inicial, McCain e Palin fazem um “informecial” e, por causa das dificuldades financeiras, tentam vender alguns produtos, como os bonecos “Joe The Plumber”, “Joe Six-Pack” e “Joe Biden”, vice de Obama. “Se você puxar essa corda, ele fala sem parar por 45 minutos”, brinca Tina “Palin” Fey. Cindy McCain, mulher de John McCain, apareceu como vendedora daqueles programas pagos que passam na televisão durante a madrugada.
No vídeo, McCain parecia bem descontraído e fazendo piada dos próprios erros de sua campanha. Note que ele mal consegue segurar o riso quando Tina Fey menciona as roupas caras e de grife compradas por Sarah Palin ao longo da disputa eleitoral. O problema para McCain é que o público “cativo” do Saturday Night Life é muito mais democrata e dificilmente a aparição do candidato neste sábado vai mudar alguma coisa nas urnas.
CHICAGO (IL) – No último fim de semana antes da eleição, os candidatos John McCain e Barack Obama e seus vices vão suar a camisa. Serão 26 comícios em 48 horas, quase um evento a cada duas horas, em 11 Estados diferentes.
Pelo mapa abaixo, o republicano John McCain vai focalizar seus últimos esforços em Ohio, Flórida e Pensilvânia, com 10 comícios de Sarah Palin e McCain nesses três locais. Juntos, esses três Estados representam 68 votos no Colégio Eleitoral. Para ser eleito, o candidato precisa de 270 votos.
O mapa mostra também onde as pesquisas apontam que a disputa está mais acirrada. Locais como Ohio e Flórida apresentam os candidatos praticamente empatados. Virgínia, Carolina do Norte e Pensilvânia são as apostas republicanas de virada. Nevada, Colorado e Missouri são as apostas democratas de transformar o meio-oeste de vermelho para azul.
A campanha de Barack Obama passa o fim de semana mais espalhada pelo mapa. O candidato faz comícios em Estados vencidos por Bush em 2000 e 2004, como Nevada, Colorado e Missouri. Pelas últimas pequisas, o democrata tem chances de vencer nesses três Estados “vermelhos”, além de estar perto no Arizona, Estado natal de McCain, e Geórgia, Estado de tradição republicana mas com grande população negra.
Ohio e Flórida, Estado que elegeu Bush em 2000 por decisão da Suprema Corte, são os pontos de disputa em comum entre os candidatos. Com as pesquisas apontando empate técnico nos dois locais, Obama e McCain vão investir tudo para garantir os 20 votos de Ohio e 21 votos da Flórida. No domingo, por exemplo, os dois candidatos fazem comício em Columbus, Ohio, em horários diferentes.
Vale notar que a campanha de Obama ignora a Pensilvânia, Estado considerado disputado no começo da corrida eleitoral mas que agora apresenta larga vantagem a Obama. John McCain, que faz três comícios no local, ainda acredita em uma virada.
Na segunda e na terça, dia da votação, os candidatos devem ter agenda ainda mais apertada. No entanto, a decisão de onde estarão só será feita na última hora porque agora todo comício e todo evento depende das necessidade apontada pelas pesquisas.
Mapa dos comícios deste fim de semana: Azul: Obama e Joe Biden / Vermelho: John McCain e Sarah Palin
CHICAGO (IL) – Se Obama tem Al Gore e Bill Clinton ao seu lado, John McCain tem Arnold Schwarzenegger. O candidato republicano e o governador da Califórnia fizeram um comício em conjunto nesta sexta-feira em Columbus, Ohio.
A campanha reforçada em Ohio nesta reta final faz todo o sentido. Nenhum republicano chegou à Casa Branca sem ganhar os 20 votos que Ohio tem no Colégio Eleitoral. Assim como em 2004, quando Bush ganhou por pouco mais de 100 mil votos, o Estado deve novamente definir o eleito à Casa Branca.
Assim como na Pensilvânia, Obama tem larga vantagem nas áreas urbanas e subúrbio dos grandes centros como Cincinatti, Columbus e Cleveland. McCain, por outro lado, tem muito mais votos nas áreas rurais do Estado, que não são poucas.
As últimas pesquisas apontam uma vantagem de 4 ou 5 pontos de Obama em Ohio, mas o partido Republicano aposta que pode virar o jogo por causa da popularidade de “Joe the plumber”, que é de Ohio, e da forte máquina partidária presente no Estado no dia da eleição.
INDIANAPOLIS (IN) – Se John McCain conseguir virar o jogo e vencer a eleição presidencial na próxima terça-feira, um homem será um dos maiores agentes da virada republicana. “Joe the plumber“, ou “Joe, o encanador”, foi lançado à popularidade no último debate presidencial e desde o começo desta semana começou a fazer campanha em comícios de McCain e Sarah Palin.
Joe “The Plumber” Wurzelbacher, seu verdadeiro nome, é um encanador que perguntou ao candidato Barack Obama, durante uma visita a Ohio, se seu plano de impostos iria prejudicar seus negócios. Foi nesse dia que Obama falou que o aumento de taxas para alguns é feito com o objetivo de “espalhar a riqueza” aos outros. Após essa declaração, a campanha de McCain passou a acusar diretamente Obama de flertar com o socialismo.
Joe virou um “mascote” da campanha de McCain desde o debate, sendo citado diariamente em todos os comícios e aparições da dupla McCain-Palin na TV. Os republicanos tentaram, e conseguiram, usar Joe como uma alusão ao trabalhador da classe média americana que potencialmente pode sofrer com o aumento de taxas de Barack Obama.
O novo partidário republicano ainda não tem muita intimidade com o palco. Quando foi fazer seu discurso nesta quinta-feira, disse que “não havia preparado nada com antecedência”. “Apenas se informem. Saibam o que estão falando, quando estão falando”, disse à platéia de Ohio. “Não acredite na opinião de qualquer um. Eu tenho minhas opiniões após pesquisas, após me envolver com o governo, assim podemos cobrar os políticos e ter o poder em nossas mãos”, completou.
O problema é que muitas vezes Joe não sabe o que está falando. Em uma entrevista à Fox News, o encanador (que não é registrado) afirmou que a eleição de Barack Obama “vai trazer morte a Israel”. Shep Smith, âncora da rede conservadora Fox News criticou no ar as declarações de Joe.
INDIANÁPOLIS (IN) – Barack Obama terá uma ajuda de peso em um comício na Flórida nesta quarta-feira. O ex-presidente Bill Clinton vai aparecer pela primeira vez ao lado do candidato democrata desde o início da corrida eleitoral.
O comício em conjunto acontecerá no importante Estado da Flórida, que já começou a votação antecipada e é crucial para a vitórida democrata ou republicana. O evento começa por volta das 22h daqui (meia-noite em Brasília) e deve contar com um grande público em Kissimmee, cidade litorânea da Flórida.
A Flórida parecia ser de McCain há algumas semanas. Porém uma pesquisa do Los Angeles Times, publicada ontem, mostra Obama liderando, com 50% a 43%. A mesma sondagem aponta Obama vencendo em Ohio, com 49% a 40%.
O republicano John McCain, para não ficar atrás, também faz comícios nesta quarta-feira pela Flórida. Em 2000, o Estado decidiu a disputa entre o então candidato George W. Bush e Al Gore. Bush foi beneficiado por uma decisão da Suprema Corte que determinou o fim da recontagem dos votos no Estado. Se todos os votos fossem recontados, após diversas denúncias de fraudes e votos errados, Al Gore venceria e seria eleito presidente.
INDIANAPOLIS (IN) – Saí hoje cedo de Columbus, em Ohio, com destino a Indianapolis, capital de Indiana. Pelo caminho, cerca de 2 horas de viagem, plantações e mais plantações de milho.
O Ohio, assim como o Iowa, é um grande produtor de milho e, consequentemente, do etanol de milho. Conversei com o pessoal da Coalizão Nacional pelo Etanol de Milho para entender melhor quais são as propostas de cada candidato para o produto, que é fortemente subsidiado pelo governo norte-americano.
Obama vence com segurança nos Estados azuis. Os que estão pintados de azul claro devem ser vencidos pelo candidato democrata, mas a disputa ainda é acirrada. John McCain vence com segurança os Estados vermelhos e a vitória é mais apertada nos Estados mais claros. Os que estão pintados de laranja são os “swing states”, Estados que ninguém pode prever o que vai dar.
Fonte: CNN
Pela contagem acima da CNN, Obama já tem 277 votos no Colégio Eleitoral, sete a mais do que o necessário para ser eleito. Ou seja, para McCain ter alguma chance de vitória, precisa “roubar” algum grande Estado de Obama, como a Pensilvânia ou a Virgínia, além de levar pelo menos dois dos três maiores “swing states” — Flórida, Carolina do Norte e Ohio.
Obama, por outro lado, precisa manter os Estados pintados em azul claro e escuro e ainda tentar levar algum “swing state” grande para evitar surpresas no final da eleição.
Nessa última semana de eleição, os candidatos se concentram na Flórida, Ohio, Pensilvânia, Carolina do Norte e Virgínia. Estes Estado são voláteis e podem mudar de posição de uma hora para a outra. Flórida e Ohio, tradicionalmente, têm eleitorado dividido e a disputa deve ser decidida por pouca diferença de votos.
Já Virgínia e Carolina do Norte são Estados tradicionalmente republicanos, mas o crescimento da população urbana nos subúrbios de Washington D.C e a alta concentração de população negra favorecem o candidato Barack Obama. John McCain tem alguma chance se conseguir motivar o voto do interior e tem também a vantagem de contar com o voto dos militares, que têm grande presença nos dois Estados.
Você pode dar seus palpites e montar seus próprios mapas lá no site da CNN. Ele calcula automaticamente quem vai ganhar de acordo com suas escolhas. Qual seu palpite? Obama leva os Estados tradicionais republicanos? E McCain consegue virar na Pensilvânia? Deixe seus comentários!
COLUMBUS (OH) – Quando você começa a ouvir os discursos dos candidatos à presidência dos EUA, parece que já escutou aquelas frases feitas antes, não? Parece que eles têm todos aqueles números decorados e só esperam a deixa certa para começar a recitar o que está guardado na cabeça, não é?
Pois clique abaixo para ver a montagem feita com imagens dos três debates presidenciais e tire suas conclusões:
COLUMBUS (OH) – John McCain e Barack Obama, além de serem senadores e concorrerem à presidência, não têm quase nada em comum. McCain é muito mais velho, senador experiente, já lutou na Guerra do Vietnã. Obama é novo, metropolitano, já morou em várias partes do mundo.
Mas uma coisa os dois têm em comum. A “conexão asiática”. Por uma parte de suas vidas, os candidatos foram obrigados a morar por um longo período no continente asiático, experiências que, de formas diferentes, mudaram suas visões do mundo.
Quando estava na Marinha, John McCain lutou na Guerra do Vietnã. Seu avião foi atingido no dia 26 de outubro de 1967 e ele foi capturado pelos inimigos. O então jovem militar ficou preso por cinco anos e meio em uma prisão vietnamita e, segundo relatos, sofreu vários tipos de tortura.
Barack Obama também tem relações com a Ásia. Quando tinha nove anos, sua mãe, Ann Dunhan, se casou com Lolo Soetoro, da Indonésia, e se mudou com a família para o país do novo padrasto. Ele viveu no país de 1967 (mesmo ano do acidente do avião de John McCain) até 1971, quando voltou para os Estados Unidos. Em sua autobiografia, Obama diz que o que encontrou de pobreza nos subúrbios do país mudou sua forma de ver o mundo.
COLUMBUS (OH) – A campanha democrata começou a veicular nos principais Estados um comercial de dois minutos, em horário nobre, em que Obama diz que este “é um momento de definição”.
Em discurso direto para a câmera, Obama defende seu plano de impostos, o aumento de gastos na educação e pergunta: “Você está melhor agora do que quatro anos atrás? Nós sabemos a resposta desta pergunta. A pergunta real é se nosso país vai estar melhor nos próximos quatro anos”.
Assista ao vídeo abaixo:
Enquanto isso, a campanha republicana também lançou um novo anúncio para criticar a inexperiência de Barack Obama. O anúncio mostra um mar agitado e pergunta o que pode acontecer nesses “momentos de tempestade” com alguém que nunca foi testado.
COLUMBUS (OH) – Karl Rove, o homem que arquitetou as duas campanhas vitoriosas de George W. Bush à presidência, disse neste domingo que John McCain vai ter uma “subida muito íngreme para escalar” para conseguir ganhar a eleição deste ano.
Segundo Rove, McCain precisa ganhar em todos os Estados que estão empatados tecnicamente, além de vencer em Ohio e Indiana. McCain deve também levar Colorado e Virgínia, Estados republicanos mas que estão mais inclinados a Obama.
Atrás em todas as pesquisas, a tarefa não é fácil para McCain. No começo desta semana, sua campanha se concentra nos Estados de Virgínica, Ohio e Pensilvânia, com vários comícios com a presença do cantor coutry Hank Williams Jr..
COLUMBUS (OH) - Um dos vídeos mais engraçados desta eleição, e um dos mais bem feitos também, traz os senadores Barack Obama e John McCain em uma disputa de “street dance”. Assista até o final, quando Sarah Palin faz uma visita surpresa. Imperdível!
AKRON (OH) – Desde que cheguei aos EUA, já estive em três comícios republicanos e um comício democrata. Antes do início dos discuros, enquanto o público chega e toma seus lugares, um DJ anima o evento com música ambiente. E é possível notar alguns padrões nos dois partidos.
O partido republicano tem sua trilha sonora composta quase que 100% por músicas country e músicas patriotas. “Redneck Woman”, de Gretchen Wilson, é um hit antes e depois das aparições de Sarah Palin. O hit country “Only in America”, da dupla Brooks & Dunn, também é tocado em todos os comícios de John McCain. Mas alguém precisa avisar a campanha republicana que este foi o tema usado por Obama ao final de seu discurso na Convenção Democrata.
Os comícios de Obama têm uma trilha sonora mais variada. James Brown e soul music dos anos setenta esquentam a platéia. Minutos antes do candidato subir ao palco, “The Rising“, de Bruce Springsteen, é tocada. E, ao fim dos discursos, “Beautiful Day“, do U2, já virou tradição.
Se eu pudesse votar baseado nas músicas escolhidas pelos partido, Obama teria meu voto! E você, prefere um “good old country” ou algo mais eclético?
AKRON (OH) – Ontem a imprensa de direita aqui no Estados Unidos estava afoita. Ashley Todd, de 20 anos, uma voluntária da campanha de McCain em Pittsburgh, na Pensilvânia, foi até uma delegacia da cidade para dizer que havia sido roubada enquanto sacava dinheiro em um caixa eletrônico. Ela disse que o suposto ladrão, um negro alto, ficou irritado quando viu um adesivo de John McCain em seu carro e começou a agredi-la e cortou seu rosto com uma letra “B”, supostamente de Barack Obama.
O Drudge Report, site influente da direita americana, logo colocou em sua manchete: “CHOQUE: Voluntária de McCain é atacada e mutilada em Pittsburgh“.
O problema é que nesta sexta-feira, pressionada pela imprensa e pela polícia, Ashley admitiu ter inventado toda a história. Agora ela está sendo processada por prestar falso depoimento à polícia.
Segundo o porta-voz da polícia de Pittsburgh, a história de Ashley apresentava inconsistências desde o começo. O cartão de seu banco não havia registrado nenhum saque no caixa eletrônico e a letra “B” marcada em seu rosto estava ao contrário, como se o suposto ladrão estivesse olhando no espelho para fazer o corte.
Inicialmente, a campanha de John McCain disse não ter nenhuma relação com o fato. Mas o blog Talking Points Memo publicou nesta noite que o diretor de comunicação do partido Republicano na Pensilvânia, Peter Feldman, deu todos os detalhes aos repórteres antes mesmo do depoimento de Ashley à polícia. Segundo o relato de um repórter local, Feldman deu detalhes do ataque, dizendo que o agressor havia afirmado que “B era para Barack Obama”.
AKRON (OH) – O apoio do “The New York Times” ao candidato Barack Obama selou o “pacto” entre a imprensa e senador democrata.
Segundo cálculos da “Editor & Publisher”, 134 grandes jornais já anuciaram em editorial seu apoio ao candidato Barack Obama e apenas 52 publicações apóiam John McCain.
O blog Gawker criou um mapa interativo em que você pode ver todos os jornais que já anunciaram seu candidato. Note que a única área que predomina o apoio a John McCain é na região do Texas.
AKRON (OH) – O sensacional programa Saturday Night Live desta quinta-feira, um especial sobre as eleições, trouxe de volta ao estúdio 8H da rede NBC o comediante Will Ferrell, que foi catapultado à fama pelo programa.
Ferrell apareceu como George W. Bush, dizendo que finalmente iria fazer um discuro à nação para endossar a candidatura de John McCain. “Vou fazer o discurso à noite, porque sempre que eu falo durante o dia o índice Dow Jones vai para o vaso sanitário. Desculpa, mercados asiáticos, mas desta vez vocês vão ter que segurar a onda”, disse Will “Bush” Ferrell.
Tina Fey aparece novamente como Sarah Palin. Ela entra no Salão Oval sorrindo e senta em cima da mesa de Bush. “É um prazer conhecê-lo, presidente”, disse. Tina “Palin” Fey diz que McCain se perdeu fazendo uma caminhada pelas montanhas, mas seu marido Todd Palin e dois amigos de bebedeira foram buscá-lo com seus “snowbiles”.
A esquete é muito engraçada e mostra como a campanha do republicano John McCain não quer ser associada à imagem de Bush. No final, Will “Bush” Ferrell diz: “quando você for votar em John McCain no dia 4 de novembro, lembre-se da minha cara. Um voto para John McCain é um voto para George Bush”. A campanha democrata não conseguiria fazer uma crítica melhor!
AKRON (OH) – A pesquisa CBS/New York Times divulgada na noite desta quinta-feira só traz más notícias para John McCain. O candidato Barack Obama aparece com 13 pontos de vantagem sobre McCain, com 52% das intenções de voto contra 39%.
Mas o pior para a campanha republicana são os dados que mostram que Obama ganhou força sobre o eleitorado que votou majoritariamente em Bush nas últimas eleições. O senador democrata aparece em vantagem entre pessoas com ganhos de mais de US$ 50 mil por ano, mulheres casadas, suburbanos e católicos brancos. Obama também está competivivo entre homens brancos, um grupo que não vota em democratas desde 1972.
Obama também aparece com vantage quando a pergunta é sobre a crise financeira. 49% dos eleitores registrados dizendo ter confiança de que Obama irá resolver a crise e 47% acham que não. Para McCain, 46% confiam em seu julgamento para resolver a crise e 51% não confiam.
Faltando 12 dias para a eleição, esses números não poderiam vir em pior hora para a campanha republicana.
AKRON (OH) – Parece que o polêmico novo guarda-roupa de Sarah Palin pegou a camapanha republicana de surpresa. Na Flórida fazendo campanha, John MCain disse defendeu a decisão do comitê ter feito os gastos e afirmou que “Sarah Palin precisava de roupas“.
McCain disse também que todas as roupas de grife compradas para Sarah Palin serão doadas para instituições de caridade logo após a eleição. “Ela ganhou algumas roupas após ser escolhida para ser minha vice, mas essas roupas serão doadas assim que terminar a campanha. Não tem nada surpreendente nisso”, afirmou o candidato.
No entanto, McCain não deixou de acrescentar: “eu pago pelos meus ternos. Pago por todas as minhas roupas”. Só para deixar claro, né?
AKRON (OH) – Veja abaixo algumas imagens do comício de quarta-feira da dupla Jonh McCain e Sarah Palin na cidade de Green, no interior do Estado de Ohio. A música que toca ao fundo é “Redneck Woman“, da cantora country Gretchen Wilson, que se apresentou ao vivo antes do comício.
AKRON (OH) – De Pittsburgh, na Pensilvânia, até Akron, em Ohio. Duas horas de estrada e rumo direto para o comício de John McCain e Sarah Palin.
Após o comício, segui agentes do Serviço Secreto achando que fossem os outros jornalistas. Acabei saindo bem na cara de John McCain e sua mulher, Cindy McCain, e Sarah Palin e seu marido, Todd Palin.
Mais adiante vamos falar da importância do Estado na corrida eleitoral americana, mas tenha em mente que nenhum republicano chegou à Casa Branca sem ganhar os 20 votos que Ohio tem no Colégio Eleitoral. Assim como em 2004, quando Bush ganhou por pouco mais de 100 mil votos, o Estado deve novamente definir o eleito à Casa Branca.
Neste ano, no entanto, o governo do Estado e uma das vagas no Senado são controlados pelos democratas, o que pode dar alguma vantagem a Barack Obama. Algumas pesquisas apontam McCain como favorito, enquanto outras apostam em Obama.
Assim como na Pensilvânia, Obama tem larga vantagem nas áreas urbanas e subúrbio dos grandes centros como Cincinatti, Columbus e Cleveland. McCain, por outro lado, tem muito mais votos nas áreas rurais do Estado, que não são poucas.
As últimas pesquisas em Ohio apontam um empate técnico entre os candidatos. Segundo a pesquisa da CNN, Obama tem vantagem de quatro pontos percentuais sobre McCain. Já última pesquisa da Fox News aponta McCain com uma vantagem de dois pontos percentuais. Até o dia 4 de novembro, dia da eleição, os candidatos devem passar diversas vezes pelo Estado para tentar trazer os votos dos indepentendes e dos indecisos.
PITTSBURGH (PA) – McCain fez um comício nesta terça-feira aqui em Pittsburgh, na Pensilvânia. O candidato animou a platéia de cerca de 2 mil pessoas ao criticar Obama por dizer que quer “distribuir a riqueza”. “Obama acredita em redistribuir a riqueza, não em políticas para desenvolver a economia e criar oportunidades para todos os americanos”, disse McCain.
PITTSBURGH (PA) – Antes do comíco que John McCain fez na terça-feira aqui em Pittsburgh, conversei com alguns simpatizantes do partido Republicano para saber o que eles acham que vai acontecer caso Obama seja eleito.
A opinião da maioria das pessoas de classe média daqui é que Obama vai aumentar as taxas e “implantar o socialismo” para distribuir a renda aos pobres. Uma senhora chegou até a falar que “os pobres que trabalhem, assim como nossos ancestrais trabalharam”.
PITTSBURGH (PA) – O candidato John McCain esteve nesta terça-feira em uma Universidade, aqui em Pittsburgh, Pensilvânia. O comício só começava às 15h30, mas por volta das 13h a fila já era grande. Do outro lado da rua do pacato campus da universidade, um pequeno grupo de 30 alunos faziam uma pequena passeata a favor de Barack Obama.
O estudante Maurice Jones, de 21 anos, explicou que eles fazem parte do “College Democrats”, um grupo de democratas da universidade que se reúnem para fazer comícios, discutir política e incentivar os alunos a se engajarem mais na campanha.
O protesto de ontem, com poucas pessoas por causa do frio de 6 graus, foi totalmente pacífico e ficou apenas na provocação de um lado e de outro da rua.
PITTSBURGH (PA) – A Pensilvânia, onde estou no momento, dá ao candidato vencer 21 delegados no Colégio Eleitoral. Considerado um “swing state”, ou Estado que pode ser conquistanto tanto pelos democratas como pelos republicanos, desde o começo da disputa, atualmente Barack Obama aparece com oito pontos de vantagem sobre McCain nas pesquisas.
O último candidato republicano a vencer na Pensilvânia foi George H. W. Bush (o pai), em 1988. Depois, Bill Clinton venceu com folga duas vezes. Os democratas Al Gore, em 2000, e John Kerry, em 2004, também venceram aqui, mas com margens bem menores sobre seu opontente George W. Bush (o filho).
Com uma população rural fortemente conservadora e uma grande população católica, Obama teve uma derrota avassaladora para Hillary Clinton nas primárias, principalmente por causa dos trabalhadores brancos de meia-idade. É esse o voto que a campanha republicana busca, mas ainda sem sucesso, segundo as pesquisas. A escolha de Joe Biden como vice também ajuda Obama, uma vez que o senador, que hoje mora no Delaware, nasceu e cresceu em Scranton.
Liderança urbana de Obama
A liderança de Obama em regiões urbanas populosas, como Filadélfia e Pittsburgh, é duas vezes maior que a que o também democrata John Kerry tinha quando, em 2004, ganhou de George W. Bush no Estado. Na época, Bush teve 19% dos votos na Filadélfia e as pesquisas apontam que McCain tem 11% das intenções de votos apenas. Por isso, McCain precisa investir nas áreas rurais da Pensilvânia, que já tendem para o partido Republicano, além de diminuir a vantagem de Obama nas áreas urbanas.
O problema para McCain é que começa a faltar dinheiro. Faltando pouco mais de 20 dias para as eleições, a campanha democrata está despejando dezenas de anúncios na TV aqui da Pensilvânia. Para cada dois anúncios de Obama que você vê na TV, tem apenas um de McCain para rebater.
De acordo com um levantamento da Universidade de Winsconsin, Obama gastou US$ 2,2 milhões em anúncios na primeira semana deste mês, enquanto McCain investiu apenas US$ 1,6 milhão no Estado. A tendência é que essa diferença de verbas se mantenha até o fim da corrida eleitoral, provavelmente mantendo Obama com uma boa liderança.
McCain busca reverter vantagem fazendo comícios
Mesmo 7 ou 8 pontos atrás na disputa, a campanha republicana acredita que pode virar o jogo na Pensilvânia e garantir os 21 votos no Colégio Eleitoral. Desde a semana passada, Cindy McCain percorre o Estado fazendo comícios. Um deles, em Scranton, contou com a nossa presença e você pode ver tudo o que aconteceu aqui.
Nesta terça, McCain tenta buscar mais votos fazendo grandes comícios em três regiões diferentes do Estado. Pela manhã, ele faz comício na região da Filadélfia, área urbana amplamente favorável a Barack Obama. Depois, o senador vai para o condado de Harrisburg, região rural do Estado onde os republicanos têm mais votos. Lá ele deve buscar ampliar sua vantagem sobre o democrata.
Por fim, McCain fará um comício no final da tarde aqui em Pittsburgh, outra área de alta densidade urbana e também mais favorável ao candidato democrata. Já estou com meu ingresso para o comício de Pittsburgh em mãos e no fim da noite você encontra aqui um relato de tudo o que aconteceu por lá.
Fotos: Leandro M. Pinto (1º) e Getty Images (2º e 3º)