Meses de preparação e um dia de intensas negociações resultaram em uma Cúpula de Londres finalizada com uma mensagem forte de compromisso coletivo para uma ação global. O Fronteira Livre acompanhou desde os protestos até os bastidores da reunião dos líderes mundiais que prometem agir para solucionar a crise econômica e colocar o mundo de volta no caminho do crescimento e desenvolvimento sustentável.
A Cúpula chega ao fim, mas nós do iG continuaremos a acompanhar os líderes do G20 e demais nações envolvidas no plano de ação divulgado pelo primeiro-ministro Gordon Brown. O grupo voltará a se reunir ainda este ano para rever o plano e propor avanços nas ações coletivas e até lá veremos se o que foi proposto aqui foi posto em prática.
Veja abaixo a cobertura da Cúpula realizada aqui no Fronteira Livre:
Quase duas horas de espera para a coletiva de imprensa do presidente Barack Obama. Os agentes do serviço secreto americano preparam a sala pedindo que todos saiam para uma inspeção do local. A fila de jornalistas é furada pela mídia americana, que tem preferência.
Lá dentro, todos se contagiam com a Obama mania. Inúmeros repórteres pedem que o colega ao lago tire uma foto sua com o presidente ao fundo. O clima é de admiração e respeito pelo presidente americano.
O primeiro-ministro britânico anunciou em coletiva de imprensa após a sessão plenária dos líderes presentes na Cúpula de Londres que eles concordaram em plano de “recuperação global”.
Segundo Brown, esta foi uma decisão tomada em conjunto e todos deram o melhor de si para que ela fosse possível. O primeiro-ministro disse ainda que o plano trará uma “nova era de cooperação internacional” e que os “pobres do mundo não serão esquecidos”.
Os líderes participantes da Cúpula se encontram em sessão plenária fechada no momento, mas um comunicado oficial com os resultados do encontro deve ser divulgado por volta das 11h30 (horário de Brasília).
Secretário do Tesouro americano Timothy Geithner e Barack Obama (foto: AP)
Um pequeno grupo de manifestantes protesta perto do bloqueio policial em torno do centro de convenções ExCel, onde acontece a Cúpula de Londres. O perímetro de segurança é enorme e as manifestações não são percebidas por quem se encontra dentro do centro.
Manifestante sobre tábuas de bloqueio perto do centro ExCel (foto: AP)
Obama confirmou o sucesso de Lula na Cúpula do G20 ao dizer que o presidente brasileiro é o político mais “popular da Terra”. Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do centro de convenções ExCel, em Londres.
Nos bastidores
Muitos jornalistas de todo o mundo se aproximaram da imprensa brasileira ao longo do dia em busca de informações sobre o presidente do Brasil e seu governo. Uma repórter da rádio BBC chegou a solicitar uma entrevista com um jornalista brasileiro apenas para falar sobre a posição “ideológica” de Lula.
Alguns blogueiros disseram que o furor maior em torno do presidente começou quando Lula se sentou ao lado da Rainha Elizabeth II na foto oficial realizada ontem após uma recepção para os líderes mundiais no Palácio de Buckingham. Mas a posição foi determinada por seu tempo de governo.
A súbita fama de Lula parece substituir a de Obama, pelo menos na Cúpula de Londres. Muitos já o qualificam como a nova “celebridade” do cenário político internacional.
A ordem entre os trabalhadores que cuidam da organização dos bastidores da Cúpula de Londres é não falar com a imprensa. Pelo menos essa foi a resposta dada por muitas das pessoas que se recusaram a falar sobre sua experiência em trabalhar na reunião entre os líderes mais importantes do mundo.
O brasileiro Rodrigo, no entanto, abriu uma exceção para contar ao internauta do iG como é fazer parte dos bastidores da Cúpula. Ele mora em Londres há três anos e trabalha com catering (serviços de buffet)e espera que a Cúpula seja benéfica para o Brasil. Assista ao vídeo:
O músico e ativista Bob Geldof gerou comoção ao passar pela sala de imprensa por volta do meio-dia. Repórteres e fotógrafos disputaram a atenção dele, que afirmou que “os países desenvolvidos não devem usar a crise como desculpa para cortar a ajuda aos mais necessitados”.
Antes da sessão plenária todos os líderes mundiais se reuniram para a foto oficial do encontro. Eles foram posicionados de acordo com seu tempo de governo.
A previsão é que a reunião aconteça até 9h (de Brasília), quando os líderes farão uma pausa para o almoço e voltarão a se reunir para encerrar a cúpula. Em coletiva de imprensa por volta das 11h30 (Brasília), Gordon Brown divulgará o comunicado final da cúpula, que começou marcada pelas diferenças entre Estados Unidos e países europeus.
Após a foto oficial, Barack Obama, presidente dos EUA, Silvio Berlusconi, presidente da Itália, e Dmitri Medvedev, presidente da Rússia, se divertiram posando para os fotógrafos.
Enquanto os líderes mundiais se encontram na primeira sessão plenária, na sala de imprensa mais de 2,200 jornalistas, fotógrafos e blogueiros trabalham para transmitir a Cúpula para todo o mundo.
Cinquenta blogueiros de várias partes do mundo foram credenciados para acompanhar ao vivo a cúpula do G20. A proposta surgiu de um acordo entre o governo do Reino Unido e a coalizão internacional G20Voice, que busca dar voz aos blogs.
Segundo os organizadores, cerca de 700 blogueiros foram selecionados e 50 escolhidospelos leitores para representar de forma equilibrada diferentes regiões do mundo.
O brasileiro Rodrigo Alvares, do blog A Nova Corja, veio representar o Brasil no grupo. Confira o que ele disse sobre a iniciativa e a Cúpula de Londres no vídeo abaixo:
O primeiro encontro realizado na Cúpula de Londres aconteceu durante o café da manhã. Confira onde cada um dos líderes participantes se sentou no plano divulgado pelo ministro de serviço social, Tom Watson, no site do governo britânico.
Os líderes participantes da Cúpula entraram na sala de reuniões para a primeira sessão do dia. A reunião é feita a portas fechadas e apenas alguns fotógrafos oficiais acompanharão o encontro.
Veja como é a sala de reuniões na foto abaixo, divulgada pelos assessores do governo britânico.
A segurança em torno do centro de convenções ExCel é grande e, segundo as autoridades, também busca evitar protestos na área. Na quarta-feira manifestantes tomaram as ruas de Londres e confrontaram a polícia. Uma pessoa morreu e pelo menos 87 foram presas. Organizadores de diversos grupos prometeram ações perto de onde acontece cúpula do G20.
Os líderes mundiais começam a chegar ao centro de convenções ExCel para a reunião do G20. O presidente americano Barack Obama já chegou e, assim como os demais, foi recepcionado pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Cão policial com o focinho dentro de uma lixeira no centro de convenções ExCel. Boss, batizado assim por ser o “chefe” da dupla que forma com o policial Paul, 47, é treinado para encontrar dispositivos químicos e eletrônicos. Como ele, outros cinco cães “passeiam” pelos corredores do centro.
São 5h30 da manhã aqui em Londres e eu acabo de chegar ao centro de convenções ExCel, onde acontece nesta quinta-feira a Cúpula de Londres.
O perímetro de segurança em torno do centro de convenções é imenso. O acesso de jornalistas é feito em duas etapas. Um ônibus pega os profissionais da imprensa em um ponto de encontro ao lado da estação de West Silvertown e segue para uma barreira de segurança na qual todo equipamento é minuciosamente verificado com aparelhos sofisticados capazes de encontrar qualquer tipo de ameaça (até mesmo química, um brilho labial considerado suspeito foi confiscado imediatamente). Depois, um segundo ônibus nos transporta ao galpão onde fica a sala de imprensa.
Poucas pessoas se encontram no local e as salas serão abertas às delegações apenas depois das 6h.
Fantasiado como um dos Cavaleiros do Apocalipse, o estudante Ben explicou que os organizadores esperavam atrair o maior número de participantes possível para gerar maior conscientização entre a população, mas confessou não ter grandes esperanças de que o protesto atinja os líderes do G20. Veja (em inglês):
Na marcha entre a estação de Moorgate e o Banco da Inglaterra, os manifestantes gritavam lemas como “Palestina Livre”, “Armem uma fogueira com os banqueiros no topo”, “Eles dizem guerra, nós dizemos bem-estar social” e “Uma solução. Revolução”. Veja (em inglês):
As brasileiras Paula e Maíra foram até lá para protestar contra o aquecimento global. Paula disse querer aproveitar a oportunidade para “aprender” a se manifestar como os ingleses e que os brasileiros devem ir mais às ruas. Veja:
Após a concentração diante do Banco da Inglaterra, o bloqueio policial transformou a região tipicamente séria em uma grande festa ao ar livre, com muitas pessoas sentadas no chão, fazendo piqueniques, ouvindo música e até mesmo jogando xadrez, enquanto outras confrontavam a polícia gritando em coro: “Deixem-nos sair”. Algus confrontos se tornaram violentos e manifestantes foram presos.
“Eu acho que eles fizeram isso para impedir que os manifestantes violentos sigam para outros ‘alvos’ de protesto, mas não é justo porque eu trabalho por aqui, saí apenas para almoçar e agora não tenho como voltar ao escritório”, disse a secretária Virginia Lindsey.
As estudantes Marie, Johanna e Natalie afirmaram que para quem passou pela City, o que fica é a uma lembrança “positiva”. “Nós não vimos tumultos ou violência, apenas pessoas de bem tentando expressar uma opinião diferente daquela que é vigente. Os conflitos aconteceram nas barreiras policiais porque eles agiram como brutos e nos negaram nosso direito inalienável de ir e vir”, disse Johanna.
Outras regiões da cidade também foram atingidas por protestos pelo meio-ambiente, justiça social e reforma econômica.
Financial Fools Day
Quem apareceu para trabalhar na City hoje seguiu o conselho e optou por roupas casuais. Muitos banqueiros do lado de fora do bloqueio policial observavam o tumulto tranquilamente. “Eu não tenho medo porque sei que a polícia está por aqui para nos proteger”, disse Mark, que preferiu não falar seu sobrenome. “Eu acho que as pessoas têm o direito de protestar”.
Algumas instituições permaneceram fechadas, como é o caso do Banco do Brasil, que fica na região.
A Cúpula de Londres começa nesta quarta-feira com a chegada dos líderes mundiais e primeiros encontros oficiais entre os participantes. Inúmeros protestos tomam conta da capital britânica, que se prepara para possíveis tumultos.
Eu acompanho movimentação pelas ruas da cidade e você ver tudo o que acontece abaixo:
13h - Ao menos 23 manifestantes foram presos nesta quarta-feira durante os protestos no distrito financeiro de Londres. Dos 23 detidos, 11 foram presos porque portavam uniformes policiais para usar durante protestos e o restante, por delitos como perturbação da ordem pública, posse de drogas, comportamento ameaçador ou atentado ao pudor.
Foto: AP
11h10 - Em outra área do distrito financeiro londrino, manifestantes atacaram um banco e enfrentaram a polícia. Manifestantes quebraram as janelas de uma agência do Royal Bank of Scotland (RBS) e invadiram o local. Eles jogaram uma impressora e uma cadeira na rua, mas foram retirados do local pela polícia. Um policial ficou ferido. Leia mais na reportagem da BBC Brasil.
10h50 - O batalhão de choque da polícia consegue refazer a barreira para conter os manifestantes.
10h40 - Insatisfeitos com a impossibilidade de sair do cerco policial, alguns manifestantes rompem o bloqueio em uma das ruas do centro londrino. Leia mais »
A Cúpula de Londres começa nesta quarta-feira com a chegada dos líderes mundiais e primeiros encontros oficiais entre os participantes. Inúmeros protestos tomarão conta da capital britânica, que se prepara para possíveis tumultos.
Eu irei conferir de perto a movimentação pelas ruas da cidade e você pode me acompanhar no Twitter do US no G20.
O papa Bento 16 pediu a benção “de Deus para a Cúpula de Londres e todos os encontros multilaterais que acontecerão na capital britânica na tentativa de solucionar a crise econômica” em uma carta enviada ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown no dia 30 de março.
Em resposta, Brown disse que se sentiu “inspirado” pela conversa que teve com o sumo pontífice quando os dois se conheceram há alguns meses, na qual Bento 16 pediu que ele não esquecesse os “pobres ou o aquecimento global” durante o encontro desta semana em Londres.
De mãos dadas, o presidente Barack Obama e sua mulher Michelle desembarcaram do avião presidencial Força Aérea Um na área VIP do aeroporto de Stansted às 19h51 desta terça-feira (horário local). Eles foram recebidos pelo Chanceler Allistair Darling e sua mulher Margaret.
O casal embarcou rapidamente no helicóptero Marine Um e seguiu para o centro de Londres, onde ficará hospedado em Winfield House, a residência do embaixador americano em Regent’s Park.
Sua chegada gerou uma operação de segurança sem precedentes no aeroporto, mais conhecido por seu uso por companhias aéreas de baixo custo. A movimentação de Obama também pode ser ouvida na cidade, conforme sete helicópteros foram usados para despitar possíveis ameaças ao presidente durante o trajeto do Marine Um.
Obama se encontrará com o primeiro-ministro Gordon Brown em Downing Street na manhã de quarta-feira, antes de seguir para uma audiência particular com a rainha durante a tarde, da qual também participará sua mulher Michelle.
O distrito financeiro de Londres, mais conhecido como City ou Square Mile, se prepara para possíveis tumultos durante manifestações marcadas para esta quarta-feira, dia que terá início a Cúpula de Londres. Inúmeras agências bancárias da região optaram por fechar (e lacrar) as portas, funcionários foram aconselhados a trocar o terno e gravata por roupas mais “casuais” e a Polícia Metropolitana, ainda que preparada, pede que os moradores da cidade evitem a região.
Trabalhadores do setor financeiro em um dia típico na City
Um banqueiro que preferiu não se identificar disse que “todos que trabalham na City optaram por agir com cautela. Muitas agências irão fechar e apenas os funcionários essenciais irão trabalhar nestes dois dias de cúpula”, ele disse.
Ao passar pela City nesta terça-feira, é possível ver muitas das instituições com as portas cobertas com tábuas de madeira. A polícia também já atua na região, cercando o Banco da Inglaterra e impedindo que os curiosos se aglomerem nas calçadas. “Continue andando”, grita uma policial.
Instituição financeira cobre portas e janelas com tábuas de madeira
Os manifestantes divulgaram um mapa que identifica mais de 125 alvos em toda a região, incluindo dezenas de corporações internacionais, bancos e firmas de advocacia. Algumas das instituições financeiras são acusadas de envolvimento nos problemas que geraram a atual crise econômica (como Royal Bank of Scotland e Lloyds TSB).
Os organizadores pedem que os participantes descontem sua raiva nos “escritórios acarpetados, aquecidos e bem iluminados” do capitalismo corporativo. ”A Square Mile é o coração moribundo deste negócio, onde os gatos gordos apostam com as vidas das pessoas, suas casas, comunidades e o meio-ambiente, enquanto beneficiam a si mesmos com gordos bônus e resgates governamentais”.
Mapa divulgado na internet pelos manifestantes
O evento, apelidado de “Dia Financeiro dos Tolos” (um trocadilho com o Dia dos Tolos, ou Fools Day, o Dia da Mentira inglês) deve causar transtornos no trânsito da cidade conforme os manifestantes fechem as ruas na tentativa de impedir o acesso dos trabalhadores à região.
Quatro passeatas estão marcadas para começar às 11h saindo das estações de Moorgate, Liverpool Street, Cannon Street e London Bridge a caminho do Banco da Inglaterra, onde se reunirão ao meio-dia.
Os protestos serão coordenados através de mensagens de texto pelos celulares dos manifestantes e também na página do Twitter dos organizadores.
Também haverá um acampamento climático no Square Mile e um protesto na região central de Londres, saindo da praça Grosvenor Square, onde fica a Embaixada dos Estados Unidos, a caminho de Trafalgar Square.
Manifestante divulga a invasão de bancos durante o protesto
Em uma matéria que busca responder as principais dúvidas sobre a Cúpula do G20, o jornal The Guardian afirmou que o Brasil é um dos participantes que realmente importam neste encontro.
“Brasil. O futuro. Imensa economia emergente e seu presidente Lula, um líder imensamente confiante que não aceitará receber ordens de um cara de terno qualquer”, diz o jornal.
Entre os outros países estão China, Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita.
A matéria diz ainda que o mundo deve concentrar sua atenção no presidente americano Barack Obama, que chega a Londres na noite desta terça-feira.
“‘Estamos prontos para liderar’, ele disse, mas o resto do mundo está pronto para seguir”, questiona o jornal.
No ano passado, Barack Obama passou pela capital britânica durante sua viagem pela Europa como candidato à presidência dos Estados Unidos. Em uma série de visitas a líderes aliados, a coreografada incursão buscava mostrá-lo como um comandante apto para a nação e foi qualificada por seu então rival, o senador John McCain do Arizona, como uma turnê de celebridade.
Agora Obama volta a Londres esta semana como o presidente diante de uma crise mundial. Ele usará a Cúpula do G20 para tentar conseguir acordos de cooperação internacional necessários para estimular a economia mundial, mas deve enfrentar desafios. No entanto, a presença de Obama pode garantir a liderança necessária para uma resolução durante o encontro.
Esta é a primeira longa viagem internacional do presidente e envolve inúmeros preparativos. Segundo reportagem do jornal The Observer, mais de 500 oficiais compõem a comitiva do presidente, juntamente com equipamentos de segurança, como a limousine de US$300,000, conhecida como The Beast (A Besta, em tradução livre).
Helicópteros, 200 agentes do serviço secreto e uma equipe médica de seis membros também desembarcarão na capital britânica. Até mesmo os cozinheiros da Casa Branca viajam com o presidente para preparar sua comida.
“Quando o presidente viaja, a Casa Branca viaja com ele, o carro que ele dirige, a água que ele bebe, a gasolina que ele usa e a comida que ele come. A América ainda é a suprema superpotência e o presidente precisa ter a capacidade de lidar com qualquer crise, em qualquer lugar, a qualquer hora”, disse um oficial da gestão ao jornal.
Equipes de segurança americanas fizeram três viagens preparativas à cidade. A primeira foi apenas para reconhecimento de campo, já na segunda foram escolhidos os locais que o presidente visitará e na terceira, que aconteceu na semana passada, foram instalados equipamentos de segurança, os locais de encontro foram vasculhados em busca de grampos eletrônicos, comidas foram testadas para possível envenenamento e a qualidade do ar foi medida.
Obama desembarca do avião presidencial Força Aérea Um no aeroporto de Stansted na tarde de terça-feira. De lá, ele segue para para Winfield House, a residência do embaixador americano em Regent’s Park, no helicóptero conhecido como Marine Um (outros sete do mesmo modelo serão utilizados ao mesmo tempo apenas para despistar).
Ao contrário do que muitos jornais londrinos anunciaram nos últimos dias, a passeata “Put People First” (Coloquem as Pessoas em Primeiro Lugar, em tradução livre) foi um evento pacífico e a vida na capital britânica não sofreu grandes alterações por causa da manifestação.
Segundo a Polícia Metropolitana, 35,000 pessoas marcharam pelas ruas de Londres para exigir empregos, justiça econômica e responsabilidade pelo meio-ambiente, dando início a seis dias de protestos que antecedem a Cúpula do G20. O número é muito inferior ao previsto pela organização, que esperava a presença de cerca de 1 milhão de manifestantes.
A multidão partiu da margem norte do Rio Tâmisa pontualmente às 12h deste sábado. Veja o roteiro da passeata:
No começo da marcha, o silêncio era rompido apenas pelo som da banda de fanfarra do sindicato GMB, apitos e gritos isolados. Ao passar pelo Big Ben, um dos principais símbolos da cidade, o clima na esquentou e muitos grupos passaram a gritar lemas como “trabalhadores unidos jamais serão vencidos” e “faça pelo povo e não pelo lucro”.
A passeata foi marcada pela diversidade - pessoas de diversas idades, grupos com objetivos diferentes. ”Não existe limite de idade para expressar sua opinião”, disse o aposentado Ian McGeller. Muitas das mães com crianças pequenas diziam não temer tumultos e valorizar a importância de despertar nas crianças uma consciência cívica. “Ele sabe porque estamos aqui e entende que é preciso fazer alguma coisa em nome do que se acredita”, disse Claire Potter a respeito de seu filho Matthew.
Diante dos portões que fecham a rua Downing Street, onde fica a moradia oficial do primeiro-ministro, os britânicos se exaltavam mas o clima não era tenso. Um grupo de pessoas com bandeiras anarquistas seguiu acompanhado pela polícia e seus participantes gritavam ” a manifestação do G20 está um tédio”. Nós “temos a semana inteira e as ruas são nossas”, gritou um membro do grupo.
A passeata terminou em um encontro no Hyde Park, o maior parque da cidade. Alguns líderes falaram sobre o sucesso da manifestação, enquanto outras pessoas aproveitaram o momento para dar continuidade ao protesto. Mas o frio e o vento fizeram com que muitos optassem por não participar.
Perto dali, em uma das principais ruas comerciais de Londres, a Oxford Street, o movimento nas lojas era intenso. ”Eu nem sabia que hoje era dia de passeata”, confessou Cherie, que não quiz dizer seu sobrenome. “Sábado é dia de ir às compras!”. Quando questionada sobre sua opinião a respeito da crise ela e duas amigas responderam em coro: “Que crise?” Assim como elas, muitos moradores da cidade pareciam seguir vida normal neste sábado.
A Cúpula de Londres acontece na quinta-feira e outros protestos serão realizados na cidade até lá.
Manifestantes anticapitalistas distribuíram cópias falsas do jornal Financial Times nesta sexta-feira em Londres.
A edição que tinha 12 páginas anunciadas pelo slogan “We live on Financial Crimes”, ou Nós Vivemos em Crimes Financeiros (uma paródia do lema oficial do jornal “We Live in Financial Times”, ou Nós Vivemos em Tempos Financeiros) foi entregue aos transeuntes no começo do dia na estação de Waterloo.
A manchete principal ironiza: “Mundo sobrevive ao Dia dos Direitos Iguais”.
“Milhares de cópias foram impressas – quase a mesma quantidade que o próprio FT vende diariamente”, afirmaram os manifestantes anticapitalistas em uma declaração veiculada juntamente com os jornais falsos. ”A menos que mudemos radicalmnte a forma como vivemos, nosso mundo se tornará um lugar inabitável em algumas décadas. O momento pede uma ação drástica e os governos não irão tomar esta ação, nós temos que fazer isso por nós mesmos”.
Amanhã acontece aqui em Londres a passeata “Put People First”, que promete ser a maior manifestação a tomar as ruas da cidade desde que um milhão de pessoas participaram do ato contra a guerra no Iraque em 2003. “Nossa mensagem é clara. Coloquem as pessoas em primeiro lugar”, diz o site da coalizão, formada por mais de 100 ONGs, sindicatos e grupos religiosos pautados por um manifesto que busca reescrever as regras da economia global.
“Com a ameaça da crise econômica, agora é o momento de agirmos para encontrar nossas próprias soluções”. Esta é a proposta do We20, uma iniciativa pública formada em Londres para atuar paralelamente ao G20.
O nome We20 (que significa Nós20) sugere a proposta central da iniciativa de que pessoas comuns se reúnam para debater questões e propor planos sobre quaisquer assunto. “Nós vemos [o We20] como uma plataforma pública que pode construir uma ponte entre os líderes do G20 e o público”, disse Paul Massey, um dos idealizadores do projeto. Por outro lado, esta mesma plataforma pode ser usada para que as pessoas debatam questões locais e consigam mudanças através de seus próprios planos”
A ideia é que os participantes possam fazer a diferença desde questões pequenas, como arrecadar fundos para o time do bairro, até outras maiores, como o protecionismo comercial, o aquecimento global, o FMI e o Banco Mundial. “As pessoas devem poder ter a opção de fazer a diferença sem necessariamente ter ajuda do governo. O We20 pode lhes dar o espaço para o planejamento local. No futuro esperamos tornar estes planos em realidade com parcerias ou através de outras ferramentas online”, disse Paul.
Inicialmente, no entanto, a proposta é que todos se concentrem na crise econômica mundial e proponham planos de ação para o G20, que se encontrará em Londres na próxima semana. “Se você acha que o G20 pode precisar de ajuda, o We20 oferece a plataforma para você criar um plano e conseguir o consenso necessário para poder transformar suas ideias em realidade”. Algumas propostas publicadas no site e votadas pelos usuários podem aparecer no site oficial da Cúpula de Londres.
“Eu acho que os líderes têm um trabalho muito difícil e certamente espero que possam chegar a um consenso. Este é o começo de uma longo processo de reforma econômica”, disse Paul: “Uma coisa que o We20 me ensinou é que o sistema em que vivemos é muito complicado”.
Criado e mantido por voluntários, o We20 surgiu no começo deste ano de um encontro entre amigos que acreditam que a reunião de pessoas diferentes pode resultar nos melhores planos. “Eu reuni pessoas de diferentes áreas, como desenvolvedores de web, instituições de caridade e políticos em um encontro com o objetivo de usar a internet e encontros públicos para ajudar no processo da reforma econômica”.
“Nós esperamos criar um cenário maior de respostas para ajudar as pessoas a atravessarem a recessão e atin
girem um futuro mais sustentável. Mas se conseguirmos ajudar apenas comunidades locais, nosso trabalho já terá valido a pena”, disse Paul.
Veja como Paul apresenta o We20 (em inglês):
Como funciona
Os participantes organizam reuniões com as pessoas que conhecem para debater uma determinada questão e criar planos de ação. A primeira proposta é que as pessoas criem planos de ação para solucionar a crise econômica.
Há poucas regras a respeito de como deve ser uma reunião do We20, mas o objetivo é que ao final dela o grupo tenha planos concretos. As reuniões devem ter entre 3 e 20 pessoas e sua experiência pode ser compartilhada no site da iniciativa.
Cada membro da comunidade We20 recebe 20 votos que podem ser usados em diferentes planos publicados no site.
Os planos mais votados inicialmente serão analisados pelo Ministério de Assuntos Exteriores do Reino Unido e publicados na página oficial da Cúpula de Londres.
A longo prazo, o We20 pretende continuar operando paralelamente ao G20.
We20 no Brasil
Por enquanto o site ainda existe apenas em inglês, mas Paul Massey disse ter interesse em que a iniciativa se espalhe pelo mundo. “Nós estamos usando o Twitter para encontrar pessoas que traduzam nosso blog para o Espanhol e o Português, afinal de contas não podemos dizer que somos um G20 popular a menos que tenhamos opiniões de países da América Latina, África, Ásia, etc”, explicou Paul.
Para o Brasil ele no momento busca alguém interessado em criar e moderar uma comunidade do We20 no site de relacionamentos Orkut. “Infelizmente nós ainda não fizemos isso por falta de tempo”, ele disse. “Mas procuramos por uma pessoa capaz de abraçar a neutralidade e os valores abertos do We20” para esta tarefa.
“O Brasil está em nossas mentes e esperamos que as pessoas no Brasil participem do We20!”, ele disse.
Com pouco mais de uma semana para a Cúpula de Londres, o primeiro-ministro Gordon Brown seguiu na terça-feira para uma viagem de preparação para o encontro do G20 na capital britânica.
Hoje ele se encontrará com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon em Nova York, de onde segue na quinta-feira para Brasília, para um encontro com o presidente Lula. Brown passará por São Paulo no mesmo dia, onde se reunirá com líderes do setor empresarial.
A última parada do primeiro-ministro britânico será em Santiago do Chile na sexta-feira onde ele se encontrará com a presidente Michelle Bachelet antes de falar a mais de 200 legisladores, conselheiros governamentais e especialistas em uma conferência local.
Com a necessidade de uma ação coordenada entre os países para solucionar a crise econômica mundial, as atenções começam a se voltar para a Cúpula de Londres.