NOVA YORK – O filme “W.”, de Oliver Stone, que conta como o George W. Bush passou de um jovem rebelde e alcoólatra a presidente dos EUA, estreou nesta sexta-feira aqui em Nova York. Com diversas sessões esgotadas pela cidade, consegui ingresso para a sala 1 do cinema Pavilion Park Slope, que estava lotada para ver a saga do pequeno Bush durante sua infância, juventude e caminho à Casa Branca.
O filme mostra a vida de Bush, interpretado de forma impressionante por Josh Brolin, desde sua juventude rebelde no Texas, sua conversão à religiosidade e sua entrada na política texana. Depois, o filme dá um salto para os dias atuais, antes do início da guerra do Iraque, e a história se desenvolve na Casa Branca durante o início do confronto.
Stone retrata um Bush jovem obcecado pela aprovação do pai, o ex-presidente George H. W. Bush, interpretado por James Cromwell. Um jovem que exagerava na bebida, nos namoros e nas desavenças familiares. Em uma das passagens mais engraçadas (sim, o filme é muitas vezes cômico), Bush filho chega bêbado em casa e quase vai às vias de fato com Bush pai. A dupla é separada pela “megera” Barbara Bush, interpretada por Ellen Burstyn.
Apesar do tom biográfico sério, o filme é cheio de passagens cômicas. Pela reação da platéia no Pavilion Park Slope, a melhor definição para o longa de Stone é “comédia dramática”. Além de todas as passagens engraçadas da vida de Bush – gafes, bebedeiras, engasgar com pretzel – ver atores “sósias” interpretando Karl Rove, Dick Cheney e Condolezza Rice dá um tom meio “Saturday Nigh Live” ao longa.
Mas a parte mais legal de “W.” talvez esteja no site criado para promover o filme. Na área “Film Guide“, Oliver explica e justifica todas as passagens do filme, com textos bigráficos. Vale a pena a leitura para complementar a experiência cinematográfica.
Senti falta, no entanto, de um aprofundamento melhor da corrida à Casa Branca em 2000 e da eleição de 2004. Esses fatos foram deixados de lado pelo cineasta, que preferiu desenvolver pela maior parte do filme a relação de Bush com a família e a busca da aprovação paterna.
Pela reação da platéia na estréia, W. agradou. Muitas risadas, algumas vaias também em certos momentos da exibição. No entanto, é improvável que o filme emplaque para o grande público no Brasil, que deve ficar sem entender algumas passagens da vida de “Dubya“.