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24/08/2008 - 09:43

E O VÔLEI PERDEU…

PEQUIM (cada segundo valeu) - Foi de manhã, já é de noite, mas o dia foi cheio e estranho, e até final do pólo aquático cobri, daí a demora. O vôlei masculino perdeu o ouro para os EUA, o que não foi propriamente uma surpresa. Desde a primeira derrota, para a Rússia, a blogaiada já vinha falando dessa possibilidade.

Mas o vôlei brasileiro continua sendo forte como sempre, perder faz parte do jogo, os EUA foram muito bem e não sei nem por onde começar a avaliar técnica e taticamente uma partida de vôlei. Notei que os jogadores lutaram, e se não deu, não deu.

Talvez surjam algumas polêmicas sobre Bernardinho, Ricardinho, Bruninho e outros inhos, mas não diria que elas serão mais eloquentes do que as discussões sobre o meião do Roberto Carlos na Copa da Alemanha, por exemplo. O que a equipe percebeu é que não é imbatível, como não foi na Liga Mundial.

Uma curiosidade… Nesse post linkado acima, do dia 14, surgiu nosso querido Confúcio no blog. Mas hoje ele está meio down, sem vontade de falar nada. “Eles vão todos embora, não vai ter mais ninguém aqui amanhã para me ouvir, vou dizer o quê?”, queixou-se ao seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotung, cabisbaixo. “Então eu posso falar alguma coisa?”, perguntou Gah-Fang-Yotung todo espevitado. E Confúcio, desanimado, respondeu: “Fica quieto, você só fala besteira”.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:
24/08/2008 - 02:41

TÉCNICO SUPERPODEROSO

PEQUIM (ainda rolando o outro…) – E se você ainda não leu, leia no trabalho do Fábio Sormani a entrevista de José Roberto Guimarães depois de conquistar seu segundo ouro olímpico no vôlei, agora com a seleção feminina. Em 1992, todos lembram, ele era o técnico do masculino em Barcelona.

Não sei como vai acabar a final dos meninos (o jogo está muito duro), mas sei que o vôlei é o único esporte realmente bem-sucedido no Brasil nos últimos anos. Tem técnicos excepcionais, jogadores idem, um campeonato forte, apesar da exportação de talentos, renovação constante, patrocínios, dinheiro.

Tem tudo que precisa, enfim. É um negócio que deu certo, e que começou lá longe, nos anos 80, com aquela turma ótima de quadra e muito boa de mídia, Bernard, William, Xandó, Jornada nas Estrelas, Viagem ao Fundo do Mar, jogo no Maracanã, os clássicos entre Pìrelli e Atlântica Boavista…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:
23/08/2008 - 12:46

MENINAS SUPERPODEROSAS

PEQUIM (dá-lhe!) – As duas medalhas conquistadas hoje, por Natália Falavigna e pelo vôlei feminino, bronze e ouro, fazem de Pequim/2008 a melhor Olimpíada das meninas brasileiras em todos os tempos. Elas são responsáveis por seis das oito ganhas pelo Brasil até o penúltimo dia dos Jogos.

Um pouquinho de estatísticas, antes de fazer odes a estas moças, lindas moças, que tudo merecem de bom. A melhor Olimpíada feminina para o Brasil tinha sido a de Atlanta, em 1996: um ouro (vôlei de praia), duas pratas (vôlei de praia e basquete) e um bronze (vôlei). Até hoje, aqui, eram um ouro (Maurren Maggi no salto em distância), uma prata (das meninas do futebol) e dois bronzes (um no judô, de Ketleyn Quadros, e outro no iatismo, classe 470, de Fernanda Oliveira e Isabel Swan).

A estas quatro medalhas juntaram-se hoje as do taekwondo de Natália e a incrível conquista do vôlei, que fechou o torneio derrotando os EUA por 3 a 1 na final. As meninas dirigidas por José Roberto Guimarães perderam apenas um set durante todos os Jogos. Zé Roberto, figura discreta e tranquila, autor de façanha rara: bicampeão olímpico, com o time masculino em Barcelona/1992 e com as garotas agora. Palmas para ele.

E para todas elas. Até os Jogos de Atenas, as mulheres tinham conquistado apenas dez das 76 medalhas que foram parar em peitos brasileiros na história olímpica. A primeira demorou muito, só veio em 1996, e foram quatro no total daquela Olimpíada. Em 2000, Sydney, mais quatro. Na Grécia, duas.

Não é preciso dizer que as mulheres, como sempre, estão mostrando que são melhores que os homens. OK, a superioridade numérica ainda é masculina, mas é preciso colocá-la em perspectiva. O Brasil disputa os Jogos desde 1920, em Antuérpia. A primeira delegação a levar uma mulher, uma só, foi a de 1932, em Los Angeles. Até 1976, em Montreal, pode-se dizer que as participações femininas eram praticamente nulas. Houve Jogos em que apenas uma menina representou o Brasil, como em Melbourne (1956), Roma (1960) e Tóquio (1964).

Foi em Los Angeles/1984 que, pela primeira vez, as mocinhas passaram das duas dezenas entre os marmanjos brasileiros: 22. E aí o número foi crescendo: 35 em Seul/1988, 51 em Barcelona/1992, 66 em Atlanta/1996, 94 em Sydney/2000 e 122 em Atenas/2004. Aqui, 127.

Elas vão dominar o mundo.

Não vejo a hora.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
14/08/2008 - 04:18

O QUE MUDOU?

PEQUIM (debaixo d’água) - O vôlei brasileiro não é mais o mesmo. Não sou eu que estou dizendo, mas sim todos meus colegas que seguem o time de Bernardinho muito de perto, em todas as competições. Hoje, perdeu a primeira nos Jogos, 3 a 1 para a Rússia, a mesma Rússia que tirou dos brasileiros o terceiro lugar na Liga Mundial, cujas finais foram disputadas no Brasil.

Os meninos ganharam as duas primeiras partidas por aqui sem grandes dificuldades, 3 a 0 no Egito e 3 a 1 na Sérvia. Essa derrota de hoje não representa muita coisa no que diz respeito à caminhada atrás de uma medalha, mas tem um significado que, para os especialistas, supera a mera questão de classificação, pontos, saldo de sets etc. Significa que o time não é mais imbatível.

Nas mãos de Bernardinho, essa seleção tem resultados espantosos. Mas há que acredite que algo se quebrou antes do Pan, apesar do ouro no Rio. Foi o caso do Ricardinho, até hoje mal-explicado, ou simplesmente inexplicável, porque os dois lados deram suas explicações, e ninguém entendeu nada.

Ricardinho, garantem os especialistas, não tem substituto à altura na seleção. E o levantador é a alma de qualquer time. Os que vêm jogando são bons, claro. Mas não tanto quanto ele, que dava uma velocidade aos ataques brasileiros que até agora nenhum conseguiu igualar. Agrava a situação o fato de que um dos substitutos de Ricardinho é Bruninho, filho de Bernardinho — não sei por que no vôlei tem tanto “inho”, são todos grandões. E não se deve esquecer, também, que Ricardinho era o capitão do time. Ninguém é capitão à toa. Ele tinha a admiração e o respeito dos colegas.

Essa história toda, em resumo, pode estar eclodindo aqui. E o vôlei, que até o início do ano era aposta segura de ouro em Pequim, pode acabar decepcionando. Isso se a moçada não virar o jogo. Às vezes, uma derrota como essa de hoje para a Rússia serve para acordar o time, mostrar aos jogadores que eles não são imbatíveis.

“Ter a humildade de reconhecer que pode ser derrotado é o primeiro passo para encontrar o caminho da vitória”, disse Confúcio uma vez, quando levou um cacete de um discípulo chamado Ga-Fang-Yotung numa partida de ping-pong. Depois de dizer isso, não perdeu mais nenhuma. Arrebentou a raquete na cabeça de Ga-Fang-Yotung.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
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