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04/10/2009 - 04:14

SUSHI (2)

sushi002DRESDEN (e vai parar por aqui) – O GP do Japão deste ano vai ser lembrado mais pela confusão na montagem do grid do que pela corrida em si. O festival de punições de ontem deixou os comissários doidos e até agora ninguém entendeu direito os critérios usados para jogar alguns mais para trás do que os outros.

O maior prejudicado acabou sendo Button. Originalmente, a dupla marca-texto largaria em quinto e sétimo. Com a confusão, Rubens perdeu apenas uma posição e Jêissãn caiu para décimo, perdendo três.

O grid só foi oficializado uma hora antes da largada. Ninguém reclamou de mais nada e a prova, com tempo bom, sol e calor, foi um porre.

Vettel, na pole, largou bem e dominou o GP japa de cabo a rabo. Mesmo com o safety-car no fim, depois da panca de Alguersuari, ninguém ameaçou o alemãozinho, que venceu pela terceira vez no ano. É o segundo com mais vitórias na temporada, perdendo para as seis de Button e superando as duas de Barrichello. Aliás, hoje está mais para Tião Alemão ser vice do que para Rubens ser campeão. A diferença entre os dois caiu para dois pontos. Vettel poderia lutar seriamente pelo título, se não fossem alguns erros bestas ao longo do campeonato. Mas é novo, sua hora acaba chegando.

A disputa entre a dupla da Brawn, no fim das contas, era o que mais importava em Suzuka. Barrichello ficou onde estava nas primeiras voltas e Button teve um pouco mais de trabalho. Precisou passar Kubica (rara ultrapassagem na pista) e ganhou duas posições com um toque entre Sutil e Kovalainen, o que acabou sendo o momento-chave para ele — aproximou-se de Rubens e pôde controlá-lo a uma distância não muito grande, já que eles tinham estratégias parecidas e iriam aos boxes com diferença pequena de voltas.

Barrichello ainda perderia uma posição nos pit stops, para Rosberguinho, um bom nome da prova. Acabou em sétimo, com Button em oitavo. A diferença que era de 15 pontos caiu para 14. E, agora, faltam só duas etapas para o fim. Jenson é o virtual campeão. Em Interlagos, pode perder até quatro pontos para o companheiro que leva a taça. São várias as combinações possíveis. Se Barrichello vencer, por exemplo, Button leva o título com um terceiro lugar. Se Rubens for segundo, o inglês pode terminar em quinto. E por aí vai. Ficou fácil, porque ele não é bobo e vai correr para pontuar, sempre marcando o brasileiro de perto. E, nesta temporada, só deixou de marcar pontos em um GP, na Bélgica. Em resumo, é bem provável que o GP do Brasil proclame um campeão mais uma vez.

O tédio da prova japonesa só não foi total porque teve uma troca de posições na frente entre Hamilton e Trulli, com o italiano saindo dos boxes à frente do campeão mundial depois da segunda parada, levando a Toyota ao segundo lugar pela segunda vez seguida. Glock, que fizera o mesmo em Cingapura, nem correu. Machucou a perna na batida de ontem. Hamilton, em quem se poderia apostar algo por largar na segunda fila, teve problemas com o KERS e fez uma prova discreta. Raikkonen, em seu primeiro GP pós-demissão da Ferrari, correu com dignidade e ficou em quarto.

E foi isso. O treino do sábado, com um festival de porradas, foi bem melhor que a corrida.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
07/09/2009 - 09:08

ÀS COMPRAS

SÃO PAULO (que sol lindo…) – Na contramão das outras montadoras, que ou já se pirulitaram ou estão prestes a fazê-lo, a Mercedes vê na F-1 um bom negócio para ganhar dinheiro e prestígio. Sócia da McLaren, fatura algum com a existência do time graças a bons contratos de publicidade, como com a Mobil, o Santander e a Vodafone. Vende seus motores à Force India. E os cede à Brawn meio na camaradagem, olhando lá na frente. E lá na frente significa comprar parte do time marca-texto, como informa hoje a imprensa inglesa.

A F-1 se tornou um bom negócio para quem vende motores, mesmo que a custo não muito alto, porque a limitação de seu uso acabou com aquela farra de fazer 200 unidades por ano. A necessidade levava os custos às alturas para quem era parceiro/fornecedor, e não vendedor. Agora, são oito por carro, e ponto final. O gasto maior fica resumido às revisões e à manutenção.

A Brawn pode ser um negócio de ocasião. Não custa muito e é promissora. O repasse de motores à Red Bull, outro. Entre outras coisas, para fisgar o alemãozinho Sebastian Vettel. Sem a BMW pela frente como concorrente local, a Mercedes pretende estender seus braços pela categoria.

É uma outra visão da crise. O outro lado. Aquele de quem aproveita para crescer.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
12/07/2009 - 12:00

TEDESCAS (10)

SÃO  PAULO (AUS-AUT) – A dupla de hinos Austrália/Áustria nunca havia sido executada num pódio na F-1. Um australiano não vencia um GP desde Las Vegas/1981 com Alan Jones. Mark Webber tornou-se o vencedor que mais demorou para chegar lá, 130 corridas, superando as 125 que Rubens Barichello levou até a primeira vitória, na mesma Alemanha em 2000 — só que em Hockenheim.

Mark cometeu um erro que poderia ser trágico na largada, jogando o carro para cima do brasileiro e recebendo uma justa punição por isso. Mas o único carro que poderia ameaçá-lo nesta prova, o de Sebastian Vettel, estava bem atrás quando ele pagou o drive-through. Vettel, a exemplo de Barrichello, fez uma corrida ruim quando teve de passar alguém. Ficou empacado atrás de Massa, “el gran segurador”, e perdeu a chance de lutar pela vitória. Foi buscar o segundo lugar, que era o máximo que conseguiria.

Webber é um sujeito que não goza de grande popularidade, nem simpatia de todos os pilotos. Perguntem a Antonio Pizzonia, por exemplo, o que acha dele. Mas não é má pessoa. Ao contrário, exibe caráter altruísta e firme, lidera a GPDA, tem voz ativa. Só não distribui sorrisos e tapinhas nas costas por aí. Mas é um trabalhador, e a equipe soube demonstrar sua gratidão a ele na festa nos boxes.

Nesta temporada, o australiano tem sido muito regular. Faltava uma vitória. Não falta mais. Vai brigar pelo título. Aliás, se tinha alguém torcendo pelo “aussie” hoje era Button. Com Webber na luta, a Red Bull tende a dividir pontos entre ele e Vettel. Assim, Jenson pode dar uma respirada. Porque, neste momento, a equipe rubrotaurina é exatamente o que era o time marcatêxtico nas primeiras corridas do ano.

Será uma segunda metade de temporada bem interessante.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
10/07/2009 - 19:21

COLUNA 1

SÃO PAULO (a vingança) – Jenson Button quer apagar o GP da Inglaterra e bater Vettel na casa do alemão. É o tema da coluna de hoje de Reginaldo Leme.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags: ,
21/06/2009 - 18:47

FISH & CHIPS (8)

SÃO PAULO (tá parecendo eu no dia do debate…) - Revelação que se não é bombástica, é curiosa por mostrar que tipo de garoto é Sebastian Vettel. Pouco antes de entrar no carro hoje em Silverstone, o alemãozinho percebeu que a sola de sua sapatilha tinha se descolado do resto do calçado. Vettel, como muitos pilotos, prefere usar sapatilhas velhas. Muitos o fazem por superstição, outros porque é mais confortável.

Quem socorreu Tião Alemão foi um dos mecânicos da Renault que trabalham para a Red Bull. Arrumou na correria uma cola daquelas de ação rápida, passou no solado do pisante e foram à luta.

Luta que, para alguns austríacos como a Red Bull, pode estar reaberta no Mundial. Niki Lauda disse que o carro da equipe do tourinho vermelho foi tão superior hoje, com seu difusor triplo e outras bossas, que ninguém mais pega. E que, por isso, o campeonato chegou a um “turning point”. Vai ser a Red Bull andando na frente e perseguindo a Brawn nos pontos. Até conseguir passar.

Já Alexander Wurz acha que apesar da vantagem dos brawnies e seus marca-textos na classificação, o fato de o time ter andado mal em Silverstone pode deixar a turma tensa e sob pressão diante do crescimento rubrotaurino. “Quando isso acontece, despencar ladeira abaixo é dois palitos”, falou.

Com outras palavras. Em alemão, ninguém fala “dois palitos”.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
21/06/2009 - 13:33

FISH AND CHIPS (7)

SÃO PAULO (lá vem marretada) – É verdade, no ano retrasado, como lembrou um blogueiro, eu não escrevi que Vettel já tinha feito mais do que Senna depois de um quarto lugar na China. Disse que tinha feito mais do que Hamilton, àquela altura já alçado à condição de gênio pela sequência de pódios e pela luta para ser campeão logo no ano de estreia. Eu relutava um pouco em considerar Lewis um sobrenatural, porque afinal de contas o cara fazia sua primeira temporada com um canhão nas mãos, privilégio de poucos. Depois mostrou ser acima da média, sim. Ganhou o título no ano passado e, agora, está passando por aquilo que deveria ter passado antes, no começo da carreira: lidar com um carro ruim.

Mas Hamilton já é uma realidade, campeão do mundo, quando voltar a ter um carro bom voltará a ser protagonista. Voltemos a Vettel.

No mesmo texto linkado acima, eu dizia também que o quarto lugar em Xangai, na opinião deste modesto blogueiro, equivalia ao segundo lugar de Senna em Mônaco. Está no fim daquela coluna. O que, já à ocasião, despertou a ira da pachecada.

Para dizer a verdade, em 2006 eu já ficara muito impressionado com Tião Alemão, que aos 19 anos, com um carro da BMW Sauber, fizera o melhor tempo no treino de sexta na Turquia, naquela temporada em que os times podiam usar um terceiro piloto nos finais de semana de GP. Era a quarta vez que sentava num F-1. Por melhor que fosse o carro, não foi algo normal.

No ano passado, depois que venceu em Monza com a Toro Rosso, aí sim fiz um paralelo entre aquele resultado e, de novo, o segundo de Ayrton em Monte Carlo, sempre evocado por aqueles que consideram o brasileiro um ser acima do bem e do mal, o melhor de todos os tempos, o cara que foi capaz de fazer aquilo tudo com uma Toleman. Esse post é até hoje um dos cinco mais comentados da história do blog. A maioria achando que sou doido por ousar comparar alguém como Senna a um fedelho como Vettel. Como se sabe, comparar qualquer um a Senna, no Brasil, é um convite para ser esculhambado.

Paciência. Sebastian, com seu breve currículo de três vitórias em duas temporadas incompletas na F-1, já fez mais que Senna no mesmo período, digamos assim. E me parece com potencial para atingir números e marcas que o brasileiro alcançou. Ayrton era considerado muito promissor — e respondeu plenamente às expectativas com vitórias e títulos — pelas proezas que obtivera nas categorias menores e, também, com carros que não estavam entre os favoritos no seu início de carreira na F-1.

A passagem de Vettel pelas categorias menores foi mais fugaz, hoje começa-se mais cedo. Senna estreou na F-1 com 24 anos. Sebastian, com 19. Mas ele tem, no currículo, algumas temporadas impressionantes, sim, no kart e na F-BMW. E quando sentou como titular num F-1, começou a impressionar ainda mais. Como Ayrton, de certa forma. Por isso, não é nem um pouco descabida a comparação entre os dois. Que não tem como objetivo dizer “Vettel é melhor que Senna” ou “Vettel nunca será melhor que Senna”. Mas, sim, poder afirmar que estamos vendo o nascimento de um cara que pode vir a ser tão bom quanto, com uma trajetória semelhante.

Só isso. Vettel pode vir a ser um piloto com currículo mais expressivo do que Ayrton (e, se conseguir superar a folha corrida do brasileiro, mais expressivo do que a imensa maioria dos pilotos que já passaram pela F-1). É candidato a ser um dos grandes de todos os tempos, como em algum momento foram Alonso e Hamilton, por exemplo. Ambos, sem dúvida, já inscreveram seus nomes na história, mas ainda estão longe de entrar naquela seletíssima categoria de gênios de verdade — que tem meia-dúzia, se tanto (OK, querem lista, vamos a uma lista: Schumacher, Prost, Senna, Piquet, Lauda, Emerson, dos que vi).

Vettel está nascendo como grande estrela diante de nossos olhos. E é legal acompanhar o alvorecer de uma estrela.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
21/06/2009 - 11:41

FISH & CHIPS (5)

SÃO PAULO (a lógica) – Vettel ganhou de ponta a ponta, na prática. Com uma autoridade de veterano que demonstra na maior parte do tempo. Às vezes dá suas escorregadas, coisas da juventude. Como na Austrália e em Mônaco, pontos que perdeu e poderiam lhe colocar, hoje, na vice-liderança do Mundial. Não foi o caso hoje. Vettel largou, aelerou, ganhou. Não deu a menor chance a Barrichello na largada. Começou a abrir à espantosa razão de 1s por volta. Sem errar nada, ficou fácil. Ele fez ficar fácil.

Foi aterceira vitória do rapaz na carreira, segunda no ano. Só ele e Button venceram em 2009. A Red Bull será difícil de conter, daqui para a frente. É hora, para Button, de fazer contas. Ele tem 25 pontos de vantagem sobre Tião Alemão. Se perceber que os carros de Newey serão imbatíveis, o negócio é beliscar pódios. O título ainda está, digamos, fácil — apesar de sua discrição em Silverstone, o que acabou sendo uma surpresa, mas não é necessariamente uma tendência. Jenson teve um único lampejo de competição, nas últimas voltas, quando chegou em Rosberguinho. Mas como não é besta, não foi para a briga. Garantiu seus três pontinhos.

O segundo lugar de Webber se desenhou nas primeiras voltas, ao ficar colado em Barrichello. Era óbvio que faria a ultrapassagem no pit stop, porque pararia depois. A Red Bull ainda arriscou. Poderia ter feito uma parada um pouquinho mais rápida. Deu no talo, voltou exatamente à frente do brasileiro. Risco desnecessário. Para Rubens, o terceiro lugar ficou aquém daquilo que ele prometeu (pole, melhor volta, vitória). Dê-se o desconto da performance dos carros. Button andando atrás mostrou que alguma coisa estava errada no fim de semana. Mas Barrichello, de novo, apresentou ritmo de corrida ruim. Foi bem na classificação, embora mais leve que Vettel. Mas, na prova, acabou sendo burocrático.

Se eu fosse eleger o melhor em campo para dar o Motorádio, Vettel à parte, seria Massa. Largou bem, cometeu pequeno erro no início, mas manteve um ritmo muito forte. Era nono na primeira volta, apareceu em segundo antes do pit stop. Nas operações de box, ganhou posições de Trulli, Raikkonen, Rosberg, Nakajima e Button. Isso só se consegue acelerando muito, o tempo todo. Foi sua melhor corrida no ano, digna de aplausos.

Button ficou fora do pódio pela primeira vez na temporada. Só dois abandonaram, e por barbeiragem: Bourdais e Kovalento. Ambos têm empregos em risco. Nelsinho fez uma prova melhor que Alonso, que perdeu tempo demais brigando com Hamilton e Heidfeld. Silverstone não tem muitos pontos de ultrapassagem para carros que ainda dependem bastante de aerodinâmica, embora menos que no ano passado. São poucas as freadas fortes onde dá para tentar algo. No pau puro, é difícil. Por isso a corrida, no fim das contas, foi chatinha.

No pódio, hino certo para a Red Bull, da Áustria. Justíssima a presença de Newey para receber a taça. Seus carros são um primor quando o regulamento é mais restritivo na eletrônica, pneus, motor — como agora. E, por fim, menção honrosa a Fisichella, um aposentado que de vez em quando consegue façanhas como levar o carro da Force India à décima posição numa prova com apenas dois abandonos. Os dois, aliás, atrás dele. Portanto, um décimo de verdade. Panela velha é que faz comida boa, mesmo que seja só às vezes.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
20/06/2009 - 10:48

FISH & CHIPS (4)

SÃO PAULO (tenho uma hora, não mais!) – Como vocês sabem, estou em Interlagos. Por isso, é um post só da classificação de Silverstone e olhe lá! De noite dou uma arredondada no blog.

Na verdade, não houve surpresa na pole. A Red Bull dominou todos os treinos e acabou ficando com a primeira posição, com uma volta sensacional de Vettel, esse menino-prodígio que um dia eu disse que já tinha feito mais do que Senna (ano retrasado, pela Toro Rosso), o que me valeu uma semana de malhação de judas.

Não, Vettel não é melhor que Senna, para isso faltam umas 40 vitórias e três títulos mundiais, mas é um garoto com potencial para se colocar entre os grandes de todos os tempos. Tião Alemão meteu 0s347 em Barrichello, o segundo, este sim uma surpresa. Primeiro, porque ficou à frente de Webber. Depois, porque ficou à frente de Button.

Jenson, curiosamente, tem em casa seu pior fim de semana no ano. Foi muito discreto em todos os treinos, dando a impressão de que iria empurrar o coveiro na hora do vamos ver, como vem fazendo. Mas o coveiro lhe deu um coice, e ele larga atrás até de Nakajima, em sexto.

Na segunda fila, Webber e Trulli. Atrás de Naka e Button, Rosberguinho e Glock. Depois, Raikkonen (vibrando, porque Bourdais ficou no Q1) e Alonso. Normal, digamos. Alonso tira leite de pedra, mas não faz milagre, e Kimi tem sido melhor que Felipe, neste ano.

O Q2 deixou Massa pelo meio do caminho. “Foi mais erro meu do que falta de potencial do carro”, disse o ferrarista, 11º. É bom quando piloto admite um erro. Acaba com o papo-furado. Piquet-pimpolho larga em 14º, normal. Na degola do Q1, sim, uma tragédia britânica: Hamilton ficou, ele que venceu em Silverstone no ano passado, agora relegado ao ostracismo mclariano em 19º. Sutil deu um porrão, o único acidente do fim de semana digno de nota.

Vettel é favoritíssimo à vitória. Rubens tem a chance de chegar na frente pela primeira vez no ano. Jenson, que não é bobo, vai correr por pontos e nada mais. Barrichello também tem chances de ganhar, se largar bem. Ele costuma andar direito em Silverstone. Pode ser a hora da virada para o brasileiro na temporada. Tardia, mas que pode lhe dar um fôlego para sossegarem as críticas por algumas semanas.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
19/06/2009 - 16:37

FISH & CHIPS (3)

SÃO PAULO (e o dia é curto…) - É tanta papagaiada fora da pista, que a gente acaba esquecendo o que acontece dentro. Bem, reparem nas duas fotos deste glorioso post. A primeira mostra Mark Webber na última corrida, na Turquia. A outra é de Sebastian Vettel hoje, em Silverstone.

A Red Bull mudou radicalmente seu bico, que era dos mais finos, delgados e elegantes, quase um sapato de gafieira, por um nariz achatado e avantajado. Qualquer semelhança com o bico da Brawn, claro, não é coincidência. E andou pacas.

A isso se chama criatividade, inteligência, Adrian Newey. Esse bico aí não deve ter custado nenhum milhão de dólares. Mete o desenho no computador, ou o próprio no túnel de vento, e vê o que dá. Nesse caso, deu muito certo. Os dois pilotos, claro, aprovaram.

Os treinos de hoje deram, como já dito, poucas pistas para amanhã, exceto que os tourinhos são favoritos às primeiras posições do grid. Vamos arriscar: Vettel na pole, pronto. Mas a Brawn vai encostar. A Brawn se finge de morta na sexta para empurrar o coveiro no sábado, sacou?

Ah, Gola Profonda ainda não telefonou. Deve estar em algum pub.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
06/06/2009 - 10:00

KEBABS (4)

SÃO PAULO (alemãozinho bota, esse) – Se Vettel não tivesse feito duas bobagens neste ano, uma na Austrália e outra em Mônaco, arriscaria dizer que seria ele, e não Barrichello, o adversário de Button na luta pelo título. Pelo carro, que esse Red Bull é supimpa de bom, e por ele, o melhor moleque que surgiu na categoria depois de Alonso.

Sua pole de hoje na Turquia tem um valor maior do que aquilo que a frieza do cronômetro mostra. Porque ontem o rapaz mal andou nos treinos livres, tantos foram os gremlins eletrônicos e vibratórios que o atromentaram. Poucas voltas, pouco tempo para procurar o melhor acerto num circuito complicado, ter de se basear no trabalho de Webber… Tudo conspirava contra. Mas Vettel foi lá e fincou sua bandeira tedesca nas três partes da classificação de hoje.

Não sei seu peso, deve sair daqui a pouco, mas acho que não está muito mais leve que os brawnies, que largam atrás dele — Button em segundo, Barrichello em terceiro. Isso porque a Brawn, em Istambul, só se encontrou na classificação, depois de andar mal na sexta e discretamente no treino livre de hoje. E como último recurso para se garantir lá na frente, pode ter colocado um pouco menos de gasolina no tanque. Conjecturas, apenas.

1min28s316 foi o tempo da pole de Tião Alemão, com 1min27s016 no Q2, a melhor volta turca do fim de semana. No Q3, ficou 0s105 à frente de Jenson, 0s263 à frente de Rubens e 0s297 à frente de Webber. Fechando os dez primeiros, Trulli, Raikkonen, Massa, Alonso, Rosberguinho e Kubica.

E daqui a pouco eu volto, senão este post ficará grande demais. Antes, farei um expresso na minha velha La Pavoni de guerra. Macchiato. Leva um tempinho. Tirar um bom café numa máquina dessas é uma espécie de arte. Esquentar o leite até que a espuma fique na consistência exata, idem.

Não sei fazer nenhuma das duas coisas direito. Tento há anos, um dia acerto.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
09/05/2009 - 10:43

BARCELONETAS (5)

SÃO PAULO (preparando a pizza) – Não sei o que acha a Hortência, mas estrela, mesmo, quem carrega neste ano é Jenson Button. Talvez não na bunda, como apostaria nossa rainha basqueteira, mas certamente no pé direito. Estrela e talento, diga-se. Foi absolutamente linda a pole que o inglês fez agora há pouco em Barcelona, a terceira dele neste ano — três em cinco provas, desempenho de piloto de ponta, favorito à vitória em toda corrida, forte candidato ao título. Arrancou a posição de honra no último suspiro do cronômetro, quase não conseguindo abrir sua última volta. Pelo rádio, o engenheiro que quase errou no cálculo teve orgasmos via satélite.

Jenson tem um estilo muito polido de dirigir. Sempre gostou de carros neutros, desde os tempos de Williams, e finalmente tem um nas mãos. O Brawn GP é muito “amigável”. Combina com o piloto. Daí os resultados aparecerem em sequência e com tanta naturalidade. Seu tempo, 1min20s527, superou o de Sebastião Vettel por 0s133 e o de Rubens “A Estrela é Minha e Coloco Onde Quiser” Barrichello por 0s235.

Ambos, nos instantes finais do Q3, chegaram a comemorar a pole. Mas havia um Button no meio do caminho, como diria o poeta.

Jenson e Vettel na primeira fila. São os dois que vão lutar pelo título neste ano. A chance de o alemão assumir a vice-liderança do campeonato amanhã, onde deveria estar se não fosse a cagada da Austrália, é muito grande. Tião-alemão, falando nele, vem trucidando Marcos Webber. O australiano está perdendo a pose. Larga em quinto e o bico é cada vez maior diante da — de novo — estrela do jovem parceiro.

Ops, daqui a pouco eu volto. Está tocando o telefone, pode ser Gola Profonda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
27/04/2009 - 16:55

ANO PERDIDO


SÃO PAULO (não diga) - Para o comentarista feioso da TViG, a Ferrari já pode esquecer 2009 e começar a pensar no carro de 2010, depois de três pontinhos em quatro corridas, contra 50 da Brawn GP. Ele também aposta que as ex-grandes não vão reagir tão rapidamente na Europa, porque os testes de pista estão proibidos. E que o título vai ficar entre Button e Vettel.

Dê uma espiada e, depois, comente, uai.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1, Vídeos Tags: , , ,
23/04/2009 - 10:39

ONE COMMENT

Segundo o blogueiro Edgard Georges, de SP, é o novo logotipo para a dupla Vettel-Webber…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): One comment Tags: ,
21/04/2009 - 12:34

KATE*

SÃO PAULO (sabe tudo) – Li na “Folha” hoje, em nota assinada por Tatiana Cunha, que Vettel chama seu carro de “irmã safada de Kate”. Kate era o primeiro carro da Red Bull, aquele que ele detonou em Melbourne numa cagada federal para não deixar Kubica passar. Tiveram de trocar o chassi e veio a “irmã safada”. Que lhe deu a vitória na China.

Sebastian disse que carro de corrida tem de ter nome. E de mulher. Esse moleque sabe das coisas. E gosta de carros. Só quem gosta de carros dá a eles nomes, de homem ou de mulher — aí tanto faz, o Meianov é homem, e a namorada dele é a Isinbaeva, minha perua Lada vermelha.

Por essas e outras que Vettel é o cara.

* A da foto é Kate Moss, a grande Kate do planeta.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
19/04/2009 - 06:57

SPRING ROLLS (7)

RIO DE JANEIRO (da janela vê-se o Corcovado, e vê-se mesmo) – Em 11 de outubro de 2007, quando Sebastian Vettel terminou o GP da China em quarto lugar com a Toro Rosso, escrevi que aquela era proeza que significava mais do que tudo Hamilton vinha fazendo em seu ano de estreia na F-1. Sim, para este doido aqui, um quarto lugar de Toro Rosso era mais do que um título de McLaren. Quiseram me mandar para o hospício, mas fugi da ambulância.

Ano passado, depois que ele levou a Toro Rosso a sua primeira vitória na categoria, em Monza, ousei compará-lo com Senna. Sendo mais preciso: disse que aquele resultado era mais expressivo que o segundo lugar de Ayrton em Mônaco, com a Toleman. O processo de excomunhão está em andamento.

Hoje em Xangai, Vettel colocou no currículo mais uma vitória inédita para o time que defende, agora a Red Bull. De novo na chuva, em condições muito complicadas de aderência e visibilidade, mas com a segurança de um veterano de muitos carnavais — embora seja um fedelho que disputou sua primeira temporada completa no ano passado, daqueles que nem sabem direito passar espuma de barbear no rosto.

O primeiro a ganhar pela Toro Rosso (a antiga Minardi), o primeiro a ganhar pela Red Bull (a velha Jaguar, por sua vez sucessora da Stewart), duas vitórias depois de 29 GPs, ambas a serviço de equipes pequenas que nunca tinham vencido.

Como não lembrar de Senna ao olhar para o início da carreira desse menino? Ayrton, com 29 GPs nas costas, também já tinha faturado dois, ambos pela Lotus, em Portugal e na Bélgica. Os dois no seu segundo ano de F-1, 1985, e curiosamente, como Vettel, com chuva — na Toleman o brasileiro não venceu. Seu cartel, no entanto, era melhor que o do pequeno alemão com os mesmos 29 GPs, com nove pódios e seis poles, o que fazia dele um fenômeno anunciado, o que realmente foi.

Sebastian segue no mesmo caminho. É um talento precoce que ainda comete os erros da adolescência (como na Austrália, onde poderia ter terminado em terceiro, o que faria dele vice-líder do Mundial agora), mas que tem a rara capacidade de mudar o status das equipes que pagam seus salários. Graças a ele a Toro Rosso, no ano passado, deixou de ser a coitadinha da antiga Minardi. A Red Bull, a partir de agora, é muito mais do que um motorhome bonitinho no paddock.

Estamos testemunhando o nascimento de um novo fenômeno. A propósito, maior que Hamilton. Com pinta de Alonso, Schumacher. Ou Senna.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
10/04/2009 - 12:47

MAIS UM BRASILEIRINHO

SÃO PAULO (pobrecito) - Em entrevista à “F1 Racing”, Nelsinho Piquet pediu mais apoio à Renault. Reclamou que as atenções são todas de Alonso, que o espanhol testou mais o carro, e que todos os azares da equipe encontram em seu carro abrigo seguro, e não no de Fernandito.

Já vi esse filme.

Nelsinho não tem sido um bom piloto de F-1, essa é a verdade. Foi bem nas categorias menores, mesmo não tendo sido campeão na GP2, e o fato de ter tido sempre a condição de primeiro piloto e equipamento de ponta não serve para dizer que “assim qualquer um”. Nem sempre. Mesmo com atenções e equipamentos exclusivos, o cara precisa ter qualidades para ganhar corridas e campeonatos. Não há notícias na história do automobilismo de pilotos horrorosos que tenham sido campeões com carros maravilhosos. Nem o contrário. O que prevalece é a média: carros bons pilotados por pilotos qualificados, em geral produzem resultados. Um atrai o outro.

O caso de Piquet-pimpolho não é muito diferente, por exemplo, do de Hamilton. O inglês, desde que foi adotado por Ron Dennis, teve na McLaren o seu, digamos, “Piquet”. Se Nelsão-pai sempre deu do bom e do melhor para o filhote, o mesmo aconteceu com a McLaren, que amparou Lewis por anos a fio proporcionando a ele equipamentos que lhe dessem a chance de ser campeão. Hamilton devolveu a gentileza com títulos e vitórias, enquanto Piquezinho o fez até a F-3 Inglesa, e em bem menor escala na GP2.

O mundo da F-1 é diferente, e não adianta chiar. Tem piloto que chega e encaixa, mesmo sem ter um retrospecto nas séries de base assustadoramente bom. Foram os casos de Raikkonen, Massa, Kubica, Vettel e Alonso, para ficar em exemplos recentes. Não foram os casos de Pizzonia, Bernoldi e Zonta, para permanecer apenas nos nomes de brasileiros.

Portanto, a Piquet-filho não bastarão os queixumes. Ou anda direito, ou não anda. É simples e cruel assim. Seu pai sabe disso como ninguém.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , , , , , , ,
01/03/2009 - 14:05

BOIZINHO RÁPIDO

SÃO PAULO (trabalha, escravo!) – Primeiro dos cinco dias de testes de Jerez, em pleno domingão. E o imberbe Sebastian Vettel meteu 1s2 na Ferrari de Massa. A Renault, com Piquet-pimpolho, ficou em último, atrás até da Caminho das Índias, que estreou o carro.

Esse boizinho vai dar trabalho em 2009.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
04/11/2008 - 00:14

TINHA ESQUECIDO… (3)

SÃO PAULO (acelera na água pra ver…) – A reprodução da telinha abaixo eu peguei emprestada do Blog do Capelli (que, aliás, traz ótimas efemérides geradas por essa corrida, de forma bem detalhada; dá um pulo lá, são números sensacionais). É legal porque mostra as parciais nos três trechos de Interlagos na última volta. Vejam que Trulli e Glock, os únicos com pneus “secos” naquele momento na pista (não, o Kubica NÃO ESTAVA COM PNEUS SECOS!!!!!!!!), se lascaram basicamente no segundo e no terceiro setores, ali do Lago até a Subida do Café. Onde o mundo desabou implacavelmente — quem estava nas arquibancadas por aqueles lados viu.

São os trechos mais sinuosos de Interlagos, onde é realmente muito difícil andar no molhado, ainda mais com os pneus errados e gastos. Glock ainda foi o mais lento de todos no último trecho, exatamente onde perdeu a posição para Hamilton e Vettel, e ainda foi ultrapassado pelo retardatário Kubica.

Ah, e reparem nos quatro pit stops de Vettel. Agora vejam no InfoRace quando ele fez suas duas últimas paradas, e como se aproveitou do fato de ter um carro leve, para fazer ultrapassagens.

 

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25/10/2008 - 18:36

JUNG NO SABADÃO

SÃO PAULO (voltei, mas já vou) - Mais coluna no Grande Prêmio, hoje do Andre Jung, como sempre lindamente ilustrada pela Marta Oliveira. Nosso batera lembra que além de Massa e Hamilton, outros pilotos fecham a temporada com saldo bem positivo, como Alonso, Kubica e Vettel. Ler é lá, comentar, aqui!

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23/09/2008 - 00:03

A ALEMANHA, BY JUNG

SÃO PAULO (aproveitaram) - A coluna do Andre Jung desta semana trata do “boom da Alemanha” na Fórmula 1, reflexo direto do heptacampeonato de Michael Schumacher. São cinco pilotos no grid e um deles, Vettel, que já desponta como grande esperança tedesca para o futuro.

Leiam lá, comentem aqui!

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20/09/2008 - 12:40

MAIS 500?

MONTEVIDÉU (no, please!) – A coluna Warm Up desta semana, publicada no GP com um dia de atraso, é sobre a vitória de Vettel em Monza, usando a corrida de Senna em Mônaco/1984 como parâmetro de comparação. Mesmíssimo tema de post de outro dia, então não sejam repetitivos! Se você já comentou lá, não precisa comentar aqui. Se já me xingou lá, não precisa me xingar aqui. Sacou?

Aliás, o melhor a fazer é não ler, para não despertar seus instintos mais assassinos…

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20/09/2008 - 12:12

TIÕES

MONTEVIDÉU (esses jovens…) – Já a Toro Rosso, tarada por sebastiões, já confirmou o suíço Sébastien Buemi, 19 anos, para 2009. Vai para o lugar de Tião Vettel. Tião Bourdais ainda não sabe o que será dele. O chefe Franz Tost falou sobre Buemi, que fez sua segunda temporada na GP2 e ganhou duas corridas, em caráter informal. Mas disse aos jornalistas que eles poderiam considerar a declaração “oficial”.

Tost acrescentou que quer alguém experiente ao lado de Tião Buemi, o que começa a afastar o pobre Tião Bourdais. Isso poderia abrir uma porta, por exemplo, para Rubens Barrichello.

Mas ele se chama Rubens, não Sebastião. Então, não sei.

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16/09/2008 - 12:18

SENNA E VETTEL

SÃO PAULO (mais uma…) – Quem se mete a falar e escrever sobre F-1 no Brasil deve tomar alguns cuidados. Não criticar Ayrton Senna, por exemplo. É certeza de porrada por todos os lados. Ayrton, piloto excepcional e personagem enigmático, foi alçado à posição de santo informal por estas bandas do planeta, muito mais pela forma como morreu, uma espécie de mártir do esporte, do que por aquilo que fez nas pistas — proezas inacreditáveis, vitórias espetaculares, títulos inesquecíveis.

Tivesse seguido a carreira e passado pelos ciclos quase inevitáveis a qualquer esportista — a decadência técnica e o fim da linha, quando não se sabe bem a hora de parar, algo que acho que ele saberia escolher, porque não era bobo —, seria apenas um ídolo. Um grande ídolo, talvez o maior que o país já teve no esporte, mais até do que Pelé, porque Pelé não viveu seu auge numa era midiática como Ayrton e não teve uma emissora poderosa de TV a zelar por sua imagem, graças à amizade pessoal com a voz oficial das corridas (não é preciso insinuar nada aqui; Senna era muito amigo de Galvão Bueno, e isso resultava num viés indesejável das transmissões e coberturas da TV Globo que contrariava o bom jornalismo).

Ocorre que a idolatria a Senna, muitas vezes, passa dos limites. Vira devoção cega. Aí, não é só quem o critica que leva cacetada: basta não elogiá-lo, ou elogiar outros pilotos usando-o como parâmetro, mencionando seus feitos e procurando relativizá-los.

Aconteceu domingo por causa de Vettel. Escrevi que a vitória do alemãozinho em Monza foi um feito mais notável que o segundo lugar de Senna em Mônaco/1984, a corrida que o apresentou para o mundo. E mais notável também que a primeira vitória de Schumacher, de Benetton (equipe que já tinha vitórias no cartel), ou de Alonso, de Renault, ou de Fisichella, de Jordan.

Claro que as reações foram somente à comparação com Mônaco/1984. O tom chega a ser engraçado: “como ousa falar…”, “como tem coragem de dizer…”, “de onde você tirou que…”, “nunca alguém pode comparar nosso Ayrton com…”.

E aí, automaticamente, o elogio a Vettel vira uma crítica a Senna — o que é, evidentemente, um equívoco. A cegueira da devoção leva a isso. 

Schumacher foi demonizado por uma parcela dos torcedores brasileiros de F-1 porque superou todos os recordes de Senna. “Ele não conseguiria se Ayrton estivesse vivo…”, “o alemão é um safado, sujo e imoral…”, “com a Ferrari, até eu…”, “a equipe o protegia…”, e por aí vai. O carimbo de inimigo da nação vai demorar a sair de sua testa, como demorou com Prost, piloto do mesmo nível, feito do mesmo material.

O crime maior era (é) dizer que Schumacher foi melhor que Senna. Como Schumacher parou de correr, tal discussão, felizmente, esfriou. Agora o santo nome de Ayrton é evocado de novo para que se trace um paralelo entre ele e este jovem e impetuoso Vettel. Coitado, deve se revirar no túmulo diante de tanta histeria. Senna era tímido, e se tem uma coisa que nunca precisou, foi de gente para defendê-lo. A lembrança daquela corrida de Mônaco é natural, foi um desempenho tão raro quando o do piloto da Toro Rosso, é obrigação de qualquer um que fala/escreve sobre F-1 lembrar daquele episódio tão marcante.

Mas não pode, aquela foi a maior performance de todos os tempos e ponto final. “Como ousa?”.

Uai, eu achei a do Vettel melhor. Posso?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
14/09/2008 - 17:51

MONZADAS (16)

SÃO PAULO (olha…) – Vejam uma coisa. Nas últimas cinco corridas, a Toro Rosso marcou 20 pontos. A Red Bull fez dois. A Toro Rosso usa motor Ferrari — marca que lidera o Mundial de Construtores — e já renovou para o ano que vem. A Red Bull usa motor Renault — marca que está em quinto no campeonato — e vive se queixando da falta de potência.

Adrian Newey, pago pela Red Bull, desenha os carros das duas equipes, portanto não há grandes problemas aí. E a Red Bull, a fábrica da bebida energética, garante o sustento do time sediado na Itália, que sucedeu a Minardi e é uma simpatia.

Diante disso tudo… será que é uma boa para Vettel defender a matriz em 2009?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
14/09/2008 - 11:57

MONZADAS (15)

SÃO PAULO (difícil, isso) – Notaram o pódio? Vettel, Kovalainen e Kubica. Três pilotos que, neste ano, entraram para a lista daqueles que já venceram corridas. É possível que seja o pódio com menor média de idade de todos os tempos, também. Ainda não levantei esses dados. Todos foram bem rápidos para ganhar o primeiro GP. Mas, nesse quesito, Hamilton foi mais rápido ainda.

Já são seis vencedores no ano. Há quanto tempo isso não acontecia?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
14/09/2008 - 11:09

MONZADAS (11)

SÃO PAULO (tem gente que ficou rica hoje…) – Sebastian Vettel escreveu um belo capítulo da história da F-1 hoje ao ganhar o GP da Itália aos 21 anos de idade, dois meses e 11 dias. Ninguém tão novinho assim tinha vencido uma corrida na categoria mais importante do mundo.

Quando esse moleque apareceu guiando às sextas-feiras pela BMW Sauber em 2006, na Turquia, já dava pintas de que era alguém especial. Tinha 19 anos. E saiu fazendo tempos impressionantes. Antes, impressionara na F-BMW em 2004, com 18 vitórias em 20 corridas. Alguém assim não surge toda hora.

Aos 21 anos, dois meses e 11 dias de idade, guiou hoje como se fosse um veterano de equipe grande habituado às dificuldades de uma corrida na chuva no templo de Monza. Mas era apenas um garoto em sua 22ª corrida, e a bordo de um carro da Toro Rosso, que até outro dia era a Minardi. E se é verdade que não é mais uma Minardi, já que o time é mais bem estruturado, tem dinheiro da Red Bull, um bom motor Ferrari e a grife Adrian Newey, também é verdade que está longe, bem longe, de ser um time de ponta.

O que Vettel fez hoje é mais, por exemplo, do que Senna fez na Toleman em 1984 — aquele segundo lugar de Mônaco colocado como uma das maiores façanhas de todos os tempos. É mais do que Alonso fez na Hungria em 2003, quando ganhou sua primeira corrida. É mais do que fez Schumacher ao vencer seu primeiro GP em Spa, em 1992. É mais do que fez Fisichella em Interlagos com a Jordan em 2003, uma vitória confusa e igualmente inesperada.

Vettel ganhou uma prova que teve, ao seu final, as duplas de Ferrari, McLaren, BMW Sauber e Renault na pista. Ganhou de todos sem depender da sorte, de um acidente improvável, de uma barbeiragem alheia. Nada disso. Largou na pole, controlou a corrida e pronto.

A alegria juvenil no pódio veio acompanhada, não sei se vocês notaram, de uma incrível familiaridade com a situação — hino, troféu, champanhe, abraços. É um cara que sabe vencer, se acostumou a isso em outras categorias, e não demorou muito para fazer o mesmo na F-1.

É o maior talento que apareceu nas pistas depois de Schumacher e Alonso, e mais precoce do que os dois. Um garoto que se der a sorte de ter um carro decente na Red Bull, no ano que vem, pode ser candidato até ao título. E não duvidem. Para quem ganhou um GP em Monza com um carrinho da Toro Rosso, ser campeão não é nada tão difícil assim.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
13/09/2008 - 10:19

MONZADAS (6)

SÃO PAULO (esses jovens…) – Demais. Simplesmente demais o que Sebastian Vettel fez hoje em Monza. E a Toro Rosso também, claro. Sébastien Bourdais larga em quarto. Nas duas primeiras filas, os dois Tiões. Um espetáculo.

Vettel é pole aos 21 anos com um carro da antiga Minardi. É pouco? E isso com todo mundo na pista. Nada circunstancial. Não fez o tempo com sol e depois choveu. Não. Foi o mais rápido no Q2, também. E no Q3 superou uma Ferrari e uma McLaren. E todo o resto. “Grandissimo!”, como ele disse, em italiano, pelo rádio. Alemão falando italiano é muito gozado.

Seria ótimo se ele pudesse vencer a corrida amanhã. Essa molecada é muito boa. E Vettel, para mim, o melhor de todos. Mas é muito difícil. Se bem que com chuva…

Não faz meu tipo esse negócio de dizer “eu falei”, mas talvez valha a leitura de um textinho de outubro do ano passado que me rendeu uma saraivada de espinafradas da blogaiada. É que eu dizia que àquela altura Vettel já tinha feito mais que Hamilton na F-1.

Não mudo uma vírgula. Nunca mudo uma vírgula em nada, porque sou ótimo em vírgulas, elas sempre estão no lugar certo…

Daqui a pouco eu volto, mas, antes, o registro (levantado pelo Capelli): Vettel tornou-se o mais jovem a fazer uma pole na história da F-1. Se não me engano, foi o mais jovem a pontuar, também. A BMW deveria ter se esforçado para manter o rapaz…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
07/09/2008 - 11:30

BELGICANAS (10)

SÃO PAULO (e como!) – Precisa ser macho para trocar pneu na penúltima volta. Alonso e Heidfeld fizeram isso. Voltaram feito foguetes com intermediários e foram passando todo mundo. O prêmio? Heidfeld, que passou a corrida toda empacado atrás de Vettel, da Toro Rosso, subiu ao pódio em uma volta. Alonso, que fez uma boa corrida andando um bom tempo em quarto, arriscou para beliscar um pódio e quase deu certo. Caiu para oitavo e terminou em quarto, mesmo, mas ao menos tentou algo.

Tristeza para os meninos da Toro, especialmente Bourdais. O francês fez sua melhor corrida no ano. Terminaria em terceiro, com o abandono de Kimi. Andou em quarto um bom tempo, segurou sem dificuldade Kubica e quem mais tentasse chegar perto. No fim, por causa da chuva, acabou em sétimo, atrás até de Vettel, o quinto colocado.

Mas que não se desespere, o simpático Bourdais. Em Spa, ele mostrou à Toro Rosso que pode ser um piloto de F-1 e que merece uma chance de continuar no ano que vem.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
05/09/2008 - 15:21

BELGICANAS (3)

SÃO PAULO (desse mato sai cachorro) – Bourdais em sétimo, Vettel em oitavo. E a Toro Rosso, graças a um motor que segundo a Red Bull é melhor que os Renault, vai se intrometendo, aos poucos, no grupo intermediário. Deixando a honra da lanterna (não se esqueçam que a equipe, até outro dia, era a Minardi) para ser dividida entre Force India (ex-Jordan, Midland e Spyker) e Honda (ex-BAR).

Vettel, falando nele, pode estrear na Red Bull em Cingapura. Comenta-se a boca pequena que Coulthard se despede em Monza, antecipando a aposentadoria. O alemãozinho teria quatro corridas para começar a se adaptar ao novo time. No seu lugar, na Toro Rosso, Sébastien Buemi ou Takuma Sato, que serão testados.

Não duvido nada. Depois da Itália, a F-1 vai para Cingapura, Japão, China e Brasil. Tudo longe demais para um cara que, como Coulthard, não tem mais nada a fazer na categoria.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
20/07/2008 - 12:03

BRATWÜRSTE (12)

SÃO PAULO (cada uma…) – Como disse lá embaixo, o GP da Alemanha estava muito ruim até a batida de Glock. Era candidato ao mais chato do ano. Aliás, notei muitos “brancos” nas arquibancadas de Hockenheim, arquibancadas que vi lotadas até a tampa anos atrás quando Schumacher corrida, claro, mas mesmo antes, quando não tinha alemão nenhum na F-1. Estava feio o estádio, hoje…

Depois da janela de pit stops motivada pelo safety-car, a corrida começou para valer. Depois da relargada, por exemplo, ligaram Raikkonen na tomada. Das voltas 43 a 45, ele passou Alonso, Vettel e Trulli. Aí desligaram o finlandês da tomada de novo. Fez uma corrida, no geral, medíocre. Pouco digna de um campeão em exercício.

Massa também foi apagado. Sem carro para brigar por nada melhor, andou para minimizar os prejuízos. Abriu de Kimi na classificação, mas ficou quatro atrás de Hamilton.

Alonso fez uma ótima classificação. E só. Na corrida, até que começou bem. Mas, depois, atrapalhou-se em várias tentativas de ultrapassagem e levou “passões” de meio mundo. No mais, Heidfeld foi melhor que Kubica, mas a BMW Sauber não brilhou; a Honda voltou ao normal; Trulli decepcionou, já que estava bem na frente no grid; e Vettel, agressivo e valente, beliscou mais um pontinho.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
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