iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

21/08/2008 - 06:37

A VELA DO MUNDO É NOSSA

PEQUIM (acabando…) – Vamos ver… fim de tarde aqui, vocês devem estar tomando o café da manhã. Então, para lhes poupar a leitura dos jornais, saibam que na madrugada o Brasil ganhou uma medalha de prata, na vela, classe star, com Roberto Scheidt e Bruno Prada — que tem nome de bolsa, o cara já vem com patrocínio embutido.

A prata da “nossa vela” (como dirão os apresentadores de TV hoje) levou a delegação do COB à 35ª posição, neste instante, no quadro de medalhas. O Brasil está entre Turquia e Bulgária. Vamos ver se me lembro de cabeça: ouro na natação (Cielo), prata na vela e cinco bronzes, sendo três no judô (Tiago Camilo, Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro), um na natação (também do Cielo) e um na vela (as meninas da 470, Fernanda e Isabel). O bom de nascer em país fraco em esportes é que as medalhas a gente decora. Imagine se eu fosse australiano, por exemplo. Seriam 37 para lembrar. Até agora.

Assim, temos judô 3 x vela 2 x natação 2. São as modalidades que ganharam medalhas para o Brasil em Pequim. Restam duas chances no vôlei de praia masculino, já que há uma dupla na final e outra lutando pelo bronze (no feminino, as meninas perderam hoje na decisão do bronze), duas no futebol (o feminino decide o título hoje com os EUA e o masculino pega a Bélgica pelo bronze) e talvez duas no atletismo, no salto triplo com Jadel Gregório e no salto em distância com Maurren Maggi. Há quem acredite no revezamento 4 x 100 m, mas acho difícil.

O hipismo, juro que não estou acompanhando direito. Desde que disseram que aquele cavalo do Rodrigo Pessoa, cujo nome era muito complicado de pronunciar, “amarelou” numa competição, preferi deixar as coisas equestres para quem gosta de montaria. Pobre do cavalo. E, claro, tem os “vôleis de gente”, como um amigo chamou hoje o vôlei de quadra, com boas chances para as duas seleções, que são ótimas.

Garantidas mesmo, portanto, nove medalhas: as sete já conquistadas e duas nas finais do vôlei de praia e futebol feminino — no mínimo, prata. Pelas minhas contas, a delegação do COB deve fechar os Jogos com 14 ou 15 medalhas, mas não sei se será fácil igualar as cinco de ouro de 2004.

A vela, com a medalha de Scheidt e Prada hoje, chega a 16 conquistadas em todas as Olimpíadas. O judô faturou 15. O atletismo, 13. A vela tem também o brasileiro com a maior coleção de medalhas olímpicas, Torben Grael, ouro em 1996 e 2004, prata em 1984 e bronze em 1988 e 2000, o que faz deste o verdadeiro esporte nacional do Brasil, que futebol que nada! 

No quadro geral, são 79 países medalhados, e foram distribuídas 221 de ouro, 222 de prata e 253 de bronze. No total, 696. A China segue liderando com 45 de ouro (81 no total), seguida pelos EUA com 27 douradinhas (83 no total).

Mas a líder de verdade no total é a URSS (a Rússia e as antigas repúblicas soviéticas), claro, com 108 medalhas conquistadas, sendo 26 de ouro, 32 de prata e 50 de bronze. Um show.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , , , ,
18/08/2008 - 14:01

FERNANDA, ISABEL…

PEQUIM (tchau) - O mesmo raciocínio fotográfico serve (servia, as fotos voltaram a entrar) para as escassas palavras, agora, que serão dedicadas às gatíssimas velejadoras brasileiras Fernanda Oliveira e Isabel Swan, bronze na classe 470, a primeira da vela feminina para o país.

Resultado que faz deste esporte, novamente, o mais medalhado na história olímpica brasileira. O judô tinha passado, 15 x 14, mas agora o pessoal da água empatou de novo. E a vela ganha no desempate porque tem seis ouros, duas pratas e, agora, sete bronzes (contra dois ouros, três pratas e dez bronzes da turma do tatame).

Para um país que tem 8 mil km de litoral, faz até algum sentido ter um iatismo forte. Mas todos sabemos que não é bem a extensão de nossas praias que faz da vela uma modalidade tão bem-sucedida em Olimpíadas. O Brasil não é propriamente uma “pátria sobre barcos”, são poucos os praticantes, não há uma vasta massa de navegadores para se tirar da quantidade a qualidade.

Há, porém, uns caras e umas meninas muito bons nisso. Na sua maioria, gente de grana, que tem possibilidade de comprar os barcos e praticar muito. O que não faz deles nem um pouco menos merecedores de aplausos do que atletas que vêm da pobreza total. A dedicação é a mesma.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
12/08/2008 - 01:33

PALÁCIO DO BRONZE

PEQUIM (hoje está dando para ver o céu) – Eis a tchurma bronzeada do judô, que deu coletiva agora há pouco em Pequim na Casa Brasil, o quartel-general brasileiro na cidade. Tem cafezinho e biscoitos. Tinham me pedido para pegar um punhado de Sonho de Valsa e trazer para o IBC, mas não encontrei. Acho que acabou.

A Casa Brasil fica num hotel, onde há muitos turistas brasileiros hospedados. Todos fantasiados de Pacheco. São aqueles que a gente vê em todo evento esportivo internacional, seja onde for e da modalidade que for, e nunca sabe de onde vêm e como arrumam grana para essas coisas. Um bando de desocupados. Aqueles que usam peruca verde-amarela, sacumé? Malaças. Adoram aparecer nas transmissões de TV e levam cartazes onde se lê “Galvão, filma eu!”.

Bom, mas eles não importam muito, o importante era a tchurma do judô, que orgulhosamente apresento a Vossas Senhorias, da esquerda para a direita: Ney Wilson, coordenador da equipe; Luiz Shinohara, técnico do masculino; Leandro Guilheiro, medalhista em Atenas e Pequim, bronze em ambas; Ketleyn Quadros, a Keka, bronze em Pequim; Rosicléia Campos, técnica do feminino.

A façanha da Keka tem enorme importância. É a primeira brasileira medalhada em competições olímpicas individuais. Mas a menina não sacou a dimensão do que fez. “Eu ainda não tenho noção do que isso representa. Só sei que estou muito feliz e queria dar uma pirueta de felicidade no pódio. Espero que esta medalha não seja a última das meninas.”

O judô empatou com a vela como esporte olímpico mais bem-sucedido do Brasil. Pode passar, hoje. Daqui a pouco, porque o Tiago Camilo vai lutar. O Leandro disse que está torcendo. “Vou puxar a sardinha para o judô, claro. Se passar a vela, vou ficar feliz.”

Fico imaginando uma rivalidade sangrenta entre judocas e velejadores, com velejadores enforcados nas faixas dos judocas e judocas embrulhados nas velas das embarcações e sendo atirados no fundo do oceano.

Foi apenas uma divagação, não me levem tão a sério assim.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
Voltar ao topo