SÃO PAULO(sei) – A Toyota vai fazer o maior recall da história nos EUA: 3,8 milhões de carros serão chamados para trocar o pedal do acelerador por culpa do… tapete! Diz que o tapete enrosca no pedal. E os mui preparados motoristas americanos podem estatelar-se em postes e processar a montadora, a Sony, o imperador Hiroito e o National Kid. Lucas Israel foi quem mandou a nota, via Twitter.
Mais: 110 mil picapes serão retiradas de circulação porque o sal corroi o chassi onde fica o estepe, e o estepe pode se soltar numa highway, e assustar o gordão do carro de trás, que pode morrer do coração e aí a família processa a montadora, a Ajinomoto, o Kobayashi e Buda.
Mais: vão instalar um chip qualquer que corta o motor quando os mui preparados motoristas americanos pisarem no freio e no acelerador ao mesmo tempo, porque isso pode ser demais para os mui desenvolvidos cérebros americanos, a quem a expressão “punta-tacco” não deve dizer muito, talvez alguma especiaria mexicana.
SÃO PAULO(ou Senegal?) – Bom dia, macacada. Sei que já é de noite, mas foi uma sexta-feira inteira fora da cidade gravando matéria para o “Limite”, e só agora este belo laptop pôde ser ligado. Sem problemas. Tem bastante coisa para animar o fim de semana. Começando com a coluna Warm Up de hoje, sobre Toyota, Kobayashi e japoneses em geral.
SÃO PAULO(tira o pé) – Talvez eu e muitos blogueiros estejamos sendo duros com a Toyota com essa história de que “não fará falta”. Todas equipes fazem, mesmo aquelas cujos resultados não são grande coisa. O que não faz falta, na verdade, na minha modesta opinião, é esse pensamento corporativo que se sobrepõe ao esporte. É a falta de paixão e comprometimento, é o recuo ao primeiro sinal de crise, o medo do goleiro diante do pênalti, se me entendem.
Por isso que a Toyota não fará tanta falta assim. Afinal, é empresa que mostrou, na F-1, pouca ousadia, pensamento conservador, nunca teve sangue nos olhos. Lamentei muito mais o fim da Minardi, da Jordan, da Arrows, da Tyrrell, da Sauber. Mas é a vida.
O que venho notando é a preocupação de muita gente com o futuro de Kamui Kobayashi, esse japonesinho que encantou nas duas corridas que disputou, em Interlagos e Abu Dhabi. Li na “Folha” esta semana que, sem dinheiro, pode ser que ele volte a trabalhar no restaurante do pai, preparando sushis e sashimis.
SÃO PAULO (sem dizer tchau) – A Toyota já era. Os japoneses anteciparam o anúncio esperado para o fim de semana e avisaram hoje que estão deixando a F-1. Como fizeram Honda e BMW, o que dá um total de três montadoras em menos de um ano, o que dá total razão a Max Mosley e sua cruzada pró-independentes.
Os japoneses realmente se assustaram com a crise. A Subaru e a Suzuki deixaram o Mundial de Rali, Honda e Toyota se pirulitaram da F-1, assim como a Bridgestone, que só fica mais um ano, a Kawasaki abandonou a MotoGP… Uma debandada geral e inexplicável.
Sobre a Toyota, já falamos ontem. Não vai fazer muita falta, pela ausência de brilho desde o início. A marca sai sem uma vitória sequer. Falar em fracasso não seria um exagero.
Bem, agora esperemos pela próxima. Será a Renault?
SÃO PAULO(pingando) – Está nos pasquins europeus de hoje. No fim de semana, a Toyota vai dizer alguma coisa sobre sua presença na F-1. Há uma expectativa latente de que faça o que já fizeram Honda e BMW: diga tchau. Existem indícios. O primeiro, avisar seus pilotos que eles não ficarão no ano que vem. O segundo, revelar alguém como Kobayashi e não confirmar imediatamente que ele corre em 2010 — só faz sentido se não houver equipe. O terceiro, o rompimento do contrato com a Williams. Hoje, montadora na F-1 tem de fazer motor para mais de um time, senão a coisa fica inviável economicamente.
As vendas mundiais da Toyota estão caindo desde o início da crise econômica em setembro do ano passado. A empresa está, como dizem os financistas, tendo de “reposicionar” a marca.
Na F-1 desde 2002 gastando os tubos, a Toyota nunca conseguiu resultados à altura de seus investimentos na categoria. Faltou ousadia, entre outras coisas para contratar pilotos. A equipe não teve nenhum de ponta nesse tempo todo, alinhando sempre uma turminha de segundo escalão. Não ficarei chocado, surpreso ou abismado se os japoneses tirarem seu time de campo. A ver.
SÃO PAULO(frio da peste) – O que foi gozado na Toyota foi o tal Kobayashi. Eu lá pegando uma sobremesa depois do frugal bife com salada e, na mesa atrás, um jovem engenheiro da equipe com o volante do carro nas mãos, mostrando para o piloto para que serve cada botão. E o simpático japonês comendo e prestando atenção. Kobayashi corre no lugar de Glock, que já foi dispensado pelo time, mas talvez volte em Abu Dhabi. Ele se machucou no Japão e por isso ficou fora da prova daqui.
Koba-san foi o 18º colocado hoje.
Acho que ele pinta o cabelo. É tipo japonês loiro.
SÃO PAULO(inverno que não acaba…) – Falando em Toyota, o fim da parceria com a Williams suscita outras conversas, apimentadas pelas declarações de Trulli hoje. O italiano já admite que não terá o contrato renovado e vai além: diz que BMW e Honda serão seguidas por mais gente no final do ano. Considerando que a Renault não parece estar entre elas, por enquanto, sobra a Toyota. E a FIA anda dizendo que outras novatas terão sua chance, além de Manor, Campos e US F1. Outras no plural, mesmo: uma para o lugar da BMW Sauber, outra para, quem sabe, assumir uma vaga que pode ser aberta pela Toyota.
Marca que, diga-se, não fará uma falta enorme à categoria. Chegou em 2002, cheia da grana, e até agora não justificou um iene gasto.
SÃO PAULO (siberiana) – Já é dada como certa a separação de Williams e Toyota. Parceria nunca levada muito a sério, diga-se. Serviu, nos últimos anos, para dar um carro a Nakajima e ajudar Frank a ter um motor a custo baixo. Salvo engano, nunca se viu escrito na carenagem dos carros da Williams o nome da marca japonesa.
Há dois caminhos para o time de Grove em 2010: Cosworth ou Renault. A Cosworth foi fornecedora recente, depois que a BMW resolveu alçar voo solo — e se afundar sozinha, também. Não creio que volte. Já tem clientes demais para o ano que vem. As conversas com a Renault é que andam fortes, entre outras coisas porque a Red Bull vem sendo namorada pela Mercedes.
Williams e Renault fizeram uma das parcerias mais bem-sucedidas da F-1, entre 1989 e 1997. Nesse período, foram cinco títulos de Construtores e quatro de Pilotos. Eram quase imbatíveis. A ponto de Frank Williams se dar o luxo de demitir campeões sem a menor cerimônia, como fez com Mansell, Prost e Hill.
Seria legal rever Williams e Renault juntas, embora imaginar que elas possam reeditar o que fizeram no passado seja um pouco de ingenuidade. Os tempos são outros. A Williams não tem mais a força que tinha, nem a Renault se interessa por corridas como se interessava.
SÃO PAULO(quase acabando) – Seguindo com os projetos das equipes de F-1 para o ano que vem, exclusividade deste blog, hoje apresentamos o protótipo da Toyota para a categoria popular de Max Chicotinho. Protótipo mesmo, porque não se sabe se a montadora japonesa vai seguir nas pistas. Por isso, talvez, pareça meio mal-acabado.
Mas isso não significa que não tenha algumas soluções inovadoras, longe disso. A bitola do eixo dianteiro, por exemplo, é uma grande sacada. “Usaremos apenas um pneu cortado no meio”, informou uma fonte da fábrica de Colônia. “Vai acabar com a tendência de sair de frente.”
É possível. Porque de acordo com a mesma fonte, os pequenos furos laterais funcionarão como difusores, dando equilíbrio ao carro.
As três alavancas na coluna de direção são ainda um mistério.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s):F-1Tags:2010, Toyota
SÃO PAULO(deu fome) – O segundo boato forte do dia, e faz sentido surgir em Nürburgring porque a fábrica da equipe fica ali do lado, diz respeito a um possível anúncio da Toyota, na semana que vem, sobre seu futuro na F-1. Lembrem-se que na semana passada a empresa avisou que o circuito de Fuji, que lhe pertence, não vai mais receber a categoria.
O que andam dizendo é que a Toyota, que chegou à F-1 em 2002, vai encerrar suas atividades de pista. A alegação seria a crise, claro, aliada à confusão política. Mas é apenas especulação, por enquanto. De qualquer forma, se o anúncio acontecer, que ninguém fique tão espantado assim.
SÃO PAULO(esperar para ver) – Existe algum sentido em gastar uma fortuna para comprar e praticamente reconstruir um autódromo, levar a F-1 para lá, fazer duas corridas e, de repente, avisar que não quer mais a categoria por lá? É o que fez a Toyota com Fuji. Suzuka, que volta ao calendário neste ano, vai continuar no ano que vem. Não haverá mais revezamento.
Ótimo para Suzuka, melhor ainda para a F-1, já que a pista da Honda é bem melhor.
Mas se alguém enxerga nessa decisão um trailer da saída da Toyota da F-1, pode ser que tenha razão.
SÃO PAULO(e daí?) – A do dia: Bernie alertando que Renault e Toyota podem deixar o barco. Como sempre disse Max Mosley, F-1 nas mãos de montadoras é um perigo, elas vão e vêm ao sabor das crises e de seus conselhos e de seus CEOs. Não têm compromisso algum com o esporte. Aliás, mais tarde vou reproduzir aqui alguns trechos da carta divulgada pela FIA nesta semana que explica suas posições pró-corte de custos com uma clareza maxmoslyana. É realmente difícil discordar do presidente-chicotinho.
Renault e Toyota farão falta? É a pergunta que deixo a vocês. Para mim? Bem, a Renault, se sair, não terá sido a primeira vez. Não morreu a F-1, não morreu a Renault. A Toyota é grande, enorme, importante. No mercado automobilístico. Nas pistas, teve seus momentos. No rali. Na F-1, não.
SÃO PAULO (preguiça danada) - Buenas. Amanhã, voltamos à vaca fria. Hoje tive um dia bem ocupado. É que quando soube que o Alexander Wurz resolveu criar uma equipe de F-1 junto com aqueles caras do Superfund, decidi fazer a minha, também. Já comecei a montar um carro. Se você quiser fazer algo parecido, as peças podem ser compradas aqui. Falta um motor, mas a gente arruma.
SÃO PAULO (já vai?) - E não é que a Toyota, no ano em que finalmente fez um carro decente, anda falando em deixar a F-1 no fim da temporada? A alegação é de que há muita névoa sobre o futuro da categoria, teto orçamentário à vista, regulamento impreciso, as reclamações de sempre. Para mim, tem a ver com o primeiro prejuízo da história da montadora, relatado no fim da semana passada. Como fez com a Honda, o bicho-papão da crise pode espantar os fazedores de Corollas das pistas.
Seria uma pena, equipe a menos é sempre ruim. E a Toyota já está em seu sétimo ano na categoria, é parte do cenário. O que a empresa deveria, a esta altura, era rever sua gama de produtos despejados no mercado americano. Tirando aquela coisa horrorosa híbrida, que ao menos é ecologicamente aceitável, o resto é um monte de SUVs e sedãs enormes e beberrões. Não tem montadora que resista.
SÃO PAULO (quem diria…) - É a vingança dos Corollas! E merecidíssima, diga-se, a primeira fila da Toyota no Bahrein. O fato de a equipe ter treinado por lá em fevereiro ajudou, mas não foi tudo. Ferrari e BMW Sauber também treinaram e não foram bem. Mas delas falo depois.
Trulli conseguiu a pole com 1min33s431, respeitáveis 0s281 à frente de seu companheiro Timo Glock e 0s584 mais rápido que o terceiro colocado, Sebastian Vettel. A quarta de sua carreira. Largou na pole duas vezes em 2004, pela Renault (Mônaco, onde venceu seu único GP, e Bélgica), e fez a pole para o GP dos EUA de 2005 em Indianápolis.
Naquela corrida, no entanto, estava entre os que saíram para a volta de apresentação e recolheram para os boxes, todos os que usavam pneus Michelin. No fim, a prova teve seis carros largando, os dois da Ferrari, os dois da Jordan e os dois da Minardi.
Foi a maior presepada de todos os tempos. Ganhou Schumacher, com Barrichello em segundo, sob vaias do público americano. E graças à desistência dos Michelin (os pneus não estavam aguentando a pressão lateral exercida na última curva, a inclinada do oval), alguns pilotos que jamais seriam lembrados nem por seus vizinhos acabaram pontuando e entrando para as estatísticas da F-1.
O terceiro colocado, ganhando um troféu que guarda debaixo da cama, foi o simpático Tiago Vagaroso Monteiro, da Jordan, o único que fez festa no pódio. Em quarto ficou o indiano Narain Karthikeyan, também da Jordan (que usava motores Toyota). E em quinto e sexto, a dupla minardiana: Christijan Albers e Patrick Friesacher, austríaco que disputou apenas 11 GPs e de quem nunca mais ouvi falar.
Trulli tem boas chances de ganhar a corrida amanhã, embora seja um piloto que costuma perder rendimento em ritmo de prova. Se largar bem e não fizer nenhuma bobagem estratégica, pode ser mesmo que vença pela segunda vez na carreira. Já a Toyota comemora sua terceira pole. Além da de Jarno nos EUA/2005, a equipe conseguiu outra no mesmo ano em Suzuka, na chuva, com Ralf Schumacher.
SÃO PAULO (e daí?) – Isso deve ter algum significado histórico. Pela primeira vez em 77 anos a General Motors não foi a montadora que mais vendeu veículos no mundo. Divulgados os números de 2008, foram 8,35 milhões de trapizongas metálicas despejadas no mercado, contra 8,97 milhões de tranqueiras vendidas pela Toyota. Ambas apresentaram queda em relação a 2007, mas desde 1931, se minha calculadora estiver funcionando bem, que a GM não fechava um ano atrás de alguém (é óbvio que nos áureos tempos a Lada ocultava seus números para não deixar ninguém deprimido, então não conta).
A Toyota, dia desses anunciou que pela primeira vez em 15 séculos teve prejuízo — ou queda nos lucros, algo assim. A GM, no fim do ano, foi pedir arrego ao governo americano, porque estava para quebrar. Recebeu uma ajudinha de 13 bilhões de dólares. Das três grandes montadoras americanas, a única que ainda parece ter alguma saúde financeira é a Ford. A Chrysler, que parece bolinha de pingue-pongue, jogada de um lado para o outro, acaba de fazer uma parceria com a Fiat, depois de ter sido devolvida à sua origem ianque pela Mercedes — que sabe-se lá por quê, alguns anos atrás, resolveu se fundir com a fabricante de Dodge Dart.
Quem já foi para os EUA e quem assiste TV sabe que por aquelas bandas toda a produção dos últimos anos foi voltada para monstrengos enormes que consomem muito, têm lata de sobra e pneus gigantescos. Andam para lá e para cá em largas estradas e avenidas gastando muito mais do que deveriam, levando o motorista e vento na cabine, algo que qualquer romiseta faria do mesmo jeito. Um desperdício de combustível, espaço, borracha, tudo. É a obsessão americana por ultras e megas, tudo grande, monumental, exagerado.
O resultado dessa visão de mundo pouco razoável é a quebradeira geral de empresas que só sabem fazer porcarias sobre rodas. Será que ninguém nunca notou que concentrar marketing e produção em caminhões urbanos é uma burrice? Que andar sozinho numa pick up de dimensões continentais, que não cabe em lugar algum, torra gasolina que nem água, tem o triplo do tamanho que precisaria ter e é um estorvo até para ser destruída, representa uma agressão ao ambiente e ao bom-senso?
Eu só não digo bem-feito, porque grandes empresas, quando quebram, arrastam junto seus funcionários e geram desemprego e aflições. Não sei o que será da GM, da Chrysler, das outras. Mas me parece claro que essas bestas que dirigem tais companhias terão de mudar seus rumos e suas cabeças de melão. Baixar a bolinha, rever conceitos, fazer o que o presidente Barack Obama disse em seu discurso de posse: antes de pensar em mudar o mundo, mudar sua própria mentalidade.
Aliás, foi ótimo o discurso de Obama. É um cara bacana, decente, que vai fechar essa excrescência que é Guantánamo e devolver o Iraque aos iraquianos. Não fez um discurso belicista (OK, teve um “vamos derrotá-los” para o terrorismo internacional, mas foi meio retórico, apenas), injetou otimismo nas pessoas, deu uma esculachada básica nos gananciosos que transformaram a economia mundial em pó de merda, mostrou aos americanos, com delicadeza (e por isso pode ser que a maioria não tenha compreendido), que se existe um culpado pela situação em que o mundo está, este culpado é a América, como eles gostam de se chamar. Em inglês bem claro, ele poderia dizer apenas “fizemos um monte de cagadas e fodemos todo mundo, agora vamos tentar consertar”. Seria a mesma coisa, mas alguns não gostariam de ouvir.
Obama é um sujeito que vai entrar para a história e pela porta da frente, se for fiel ao que diz, e não pelos fundos como o idiota do Bush e sua secretária de Estado que tem a cara de Chuck, o boneco assassino. Vai ser interessante viver neste planeta nos próximos anos, para acompanhar de perto a trajetória dos EUA sob o governo de alguém que enxerga o mundo além do McDonald’s.
SÃO PAULO(começou) – Mais uma foto dos testes do Algarve. Uai, pode esse apêndice aerodinâmico na lateral do carro da Toyota? Bem, eu achava que não. Em testes, claro, se eles quiserem colocar uma parabólica no rabo do piloto, pode. Mas quando começar o Mundial, talvez não possa. Então, para quê isso?
Está lá desde a apresentação do carro (fui checar nas fotos da semana passada, chamada minha atenção por um blogueiro nos comentários abaixo). A impressão que tenho é que exerce a mesma função que o espelho malandrinho da Ferrari. Essa asinha está na mesma posição da haste que sustenta os espelhos ferraristas na F60. Se a FIA não disser nada e trouxer algum ganho aerodinâmico, ficarão ali essas aletas; se alguém reclamar, é ali que estarão os retrovisores do TF109 quando começar o Mundial.
Mas não julguemos a Toyota por malandragem explícita, ainda. O regulamento permite pelo menos um difusor lateral, com tamanho bastante limitado. A maioria está usando na posição convencional, mais horizontal e mais para baixo. A Toyota resolveu colocar um palito de pé, em vez de um trapézio deitado. Cada um enfia o difusor onde quiser, não é mesmo?
Mas é bom esperar pelos pareceres dos comissários nestas semanas que vêm pela frente, sobre o que pode e o que não pode em 2009. Há bastantes dúvidas sobre o regulamento, a maior delas sobre o uso de oito motores por carro na temporada inteira sem que tenha sido esclarecida, até agora, a questão dos motores para três GPs (serão seguidos, alternados?).
GUARUJÁ (criativos…) – A Toyota lançou pela internet o TF109, segundo carro “zero” da F-1 a dar as caras. Desde 2002 a equipe mantém a mesma pintura, incrível. Pelo menos é uma tradição… O objetivo do time (como eles dizem todos os anos) é “conseguir a primeira vitória”. Está na hora, mesmo, pelo tanto que a montadora gasta.
Eu acho que não falta propriamente competência à Toyota. O time, embora não brilhe, belisca um pódio ou outro por ano e não passa vergonha como, por exemplo, a Honda nas últimas duas temporadas. Mas falta aquele “plus a mais”, como dizem os publicitários que gostam de falar difícil.
(Essa história do “plus a mais”, embora tenha virado chacota, é real. Ao menos para mim. Uma vez, na apresentação de um patrocinador de uma equipe, o cara da agência que cuidava da conta, e era um sujeito conhecido, mandou essa: “Nosso planejamento de marketing é muito amplo, passa por TV, rádio e mídia impressa, e o automobilismo será um plus a mais para nosso cliente”. Juro.)
Bem, o “plus a mais” seria um piloto. Acho que a Toyota já deveria ter investido alguns dos seus milhões para contratar alguém de peso. Alonso ficou pingando na área um tempão e teria sido o nome ideal. O Schumacher contratado anos atrás, evidentemente, foi o errado. Fazer uma proposta por Michael teria sido interessante, também. Agora Inês é morta.
Os nomes que passaram pela Toyota desde sua estréia, em 2002, nunca tiveram esse perfil. Com Trulli e Glock, será que alguém acredita num sucesso estrondoso?
Ah, comentário maldoso… Por conta do tamanho da nova asa traseira, quase que a Toyota tem de trocar de patrocinador. Panasonic é muito grande. Sony ficaria melhor.
SÃO PAULO(criem, criem!) – Enquanto a GM, a Ford e a Chrysler passam o pires na porta do Tesouro americano, a Honda pede penico e a Toyota chora pitangas, nossa imbatível e gloriosa montadora soviética diversifica suas atividades para enfrentar a crise. Não descobri ainda onde é, mas com certeza é ótimo!
SÃO PAULO(pobrezinhos) – O presidente da Toyota disse à imprensa japonesa que a crise é sem precedentes e blá-blá-blá. A empresa vai lucrar apenas US$ 556 milhões neste ano. Motivo para fechar a equipe de F-1? Não falaram nada, ainda. Mas no ano passado o lucro foi de US$ 16,4 bilhões! Não dá para segurar a onda por um tempo? Uns dez anos, mais ou menos?
Não se espantem se daqui a pouco a Toyota também tirar seu time das pistas. O que acontece é que esses caras, todos, fazem carros demais. E precisam vender muito. E não sei se tem tanta gente assim para comprar. O capitalismo é uma faca de dois legumes. Aumenta a produtividade, aumenta na mesma proporção a necessidade de vender, vender e vender.
Antigamente, quando as coisas eram mais lentas, funcionavam melhor.
SÃO PAULO(vai faltar lugar na estante) – …Ricardo Divila comemorou no fim de semana, em Fuji, mais um título de sua equipe, a Nismo, no Super GT japonês. É, talvez, o campeonato mais forte de GT do mundo, com a participação efetiva de três gigantes, Honda, Nissan e Toyota. Correm por lá, entre outros, Ralph Firman, Peter Dumbreck, Bjorn Wirdheim, João Paulo de Oliveira e uma porção de japoneses bons de braço. Satoru Nakajima e Aguri Suzuki têm seus times. As provas são de longa duração e o público é enorme em todos os autódromos.
A Nismo do Divila corre com um Nissan GT-R, esse da foto, e sua dupla de pilotos, Satoshi Motoyama e Benoit Treluyer, fechou a temporada de nove etapas com quatro pontos de vantagem para a dupla que ficou em segundo. Entre as equipes, a Toyota-Petronas faturou a taça.
Divila está radicado no Japão há anos, mas mantém fortes laços com o Brasil e está sempre mandando notícias. É um dos ídolos da blogaiada, certamente, por tudo que fez na época da Copersucar e, depois, em vários times de F-1 e GT na Europa e no Japão.
Querem deixar o Ricardo feliz? Mandem e-mails de parabéns a ele, uai! Aqui está o endereço: ricardo.divila@gmail.com.
SÃO PAULO(acelera na água pra ver…) – A reprodução da telinha abaixo eu peguei emprestada do Blog do Capelli (que, aliás, traz ótimas efemérides geradas por essa corrida, de forma bem detalhada; dá um pulo lá, são números sensacionais). É legal porque mostra as parciais nos três trechos de Interlagos na última volta. Vejam que Trulli e Glock, os únicos com pneus “secos” naquele momento na pista (não, o Kubica NÃO ESTAVA COM PNEUS SECOS!!!!!!!!), se lascaram basicamente no segundo e no terceiro setores, ali do Lago até a Subida do Café. Onde o mundo desabou implacavelmente — quem estava nas arquibancadas por aqueles lados viu.
São os trechos mais sinuosos de Interlagos, onde é realmente muito difícil andar no molhado, ainda mais com os pneus errados e gastos. Glock ainda foi o mais lento de todos no último trecho, exatamente onde perdeu a posição para Hamilton e Vettel, e ainda foi ultrapassado pelo retardatário Kubica.
Ah, e reparem nos quatro pit stops de Vettel. Agora vejam no InfoRace quando ele fez suas duas últimas paradas, e como se aproveitou do fato de ter um carro leve, para fazer ultrapassagens.
SÃO PAULO(e o resto todo) – Lá embaixo, o Q1 degolou os de sempre: os dois da Honda, os dois da Force India (quatro carros muito assíduos nas últimas filas) e um quinto que varia de corrida para corrida. Hoje foi Kazuki Nakajima, da Williams. A Honda continua dando seus vexames quinzenais, às vezes semanais.
No Q2, a decepção foi a Toyota, que vem bem no campeonato e, desta vez, não passou nenhum dos dois carros para o Q3. Nelsinho também decepcionou, depois de algumas recentes atuações mais sólidas. Ficou só em 12º. Alonso larga em sexto. E Coulthard, como vem acontecendo ultimamente, não se esforçou demais para ir à briga dos dez primeiros, ao contrário de Webber, que quase sempre chega lá (e ficou em sétimo no grid).
Um treino, em resumo, bem normalzinho em Spa. Como não teve chuva, ficou na média.
SÃO PAULO (ai, ai, ai) – Ao ver esta foto, de Timo Glock sentado no Batmóvel e Jarno Trulli montado na Batmoto (é isso mesmo, Batmoto?), não pude conter o espanto. E imediatamente pensei no velho adágio sobre as circunstâncias da derrota da Napoleão em épica guerra contra os ingleses.
Bem, para quem não sabe a Toyota, em Silverstone, promove a estréia do novo filme do Batman, que deve se chamar por aqui “O Cavaleiro das Trevas”, ou algo assim. Confesso que ainda não me interessei demais pelo tema, embora goste dos filmes do Batman. A fita estréia no Reino Unido no final deste mês. No Brasil, ainda não sei. Na verdade, meu programa para os próximos dias, falando em cinema, é ver “Agente 86″. Diz que tem um monte de Ladas.
SÃO PAULO(essa me pegou de surpresa) – Está certo que Mike Gascoyne é meio mala, mas também é verdade que no ano passado fez um trabalho mais do que honesto na Toyota. Hoje, deram um pé na bunda dele.
SÃO PAULO(vou procurar na Liberdade) – O legal de fazer blog é a quantidade de colaborações que pintam por aqui. Esta é do Erik Magario, que vive no Japão e tem um blog simpaticíssimo.
Vejam só o que ele me manda: um furgão Toyota que originalmente é horroroso “customizado” para virar… sim, uma Kombi! Uma Kombi Toyota!
Japonês é apaixonado por Kombi. Sei de neguinho no Brasil que está enchendo o rabo de grana vendendo Kombis nossas para eles. E lá elas são vendidas por fortunas, coisa de 40 ou 50 mil dólares.
Fiquem tranquilos, a minha não vai atravessar oceano algum. Sou pela preservação das Kombis, lembrem-se. E dos patos também, já que o Feltrin nos deixou temporariamente.
Mas vejam que gracinha ficou o furgão japa disfarçado de mocinha alemã. Na minha garagem, faria bonito. No blog do Erik tem mais fotos.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.