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25/09/2009 - 12:39

DARK SIDE (2)

singa2SÃO PAULO (será que colou?) – De acordo com o blogueiro que me mandou a foto, mas pediu anonimato e não vou dizer que foi o Ricardo Divila, o instantâneo registra o exato momento em que Flavio Briatore e Pat Symonds tentavam entrar no paddock de Cingapura, quando foram imediatamente reconhecidos por Sebastian Vettel.

O piloto alemão contatou as autoridades competentes e os dois meliantes foram expulsos a pontapés.

Falando em Briatore, ele anda dando uma entrevistinha aqui, outra ali. Na 84079442KR038_F1_Grand_Prixúltima, garantiu que voltará à F-1 e, quando o fizer, vai dar uma grande festa. Só para os amigos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
22/09/2009 - 17:21

O QUARTO ELEMENTO

SÃO PAULO (vem mais) – Engana-se, pelo jeito, quem acha que o escândalo Cingapura acabou. Quem se deu o trabalho de ler o relatório final da FIA, como Marcus Lellis, do Grande Prêmio, notou que há um quarto elemento nessa história, além dos três patetas Nelsinho, Briatore & Symonds. Depois de fazer suas investigações internas, a Renault informou à FIA que se convenceu de que houve a manipulação do resultado graças ao depoimento de alguém que é chamado de “Testemunha X”, e que estava na reunião de sábado em que foi cogitada a ideia do acidente proposital.

O nome do sujeito está sendo mantido em sigilo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
21/09/2009 - 10:18

CASO ENCERRADO

SÃO PAULO (segue o bonde) – A FIA deu agora há pouco seu veredito. Flavio Briatore está banido da F-1 e de qualquer competição chancelada pela entidade. Não poderá sequer entrar em autódromos. Pilotos que têm suas carreiras gerenciadas pelo italiano (Kovalainen, Alonso, Di Grassi, Webber…) terão de escolher outro manager. Aqueles que tiverem contratos com Briatore não terão suas superlicenças emitidas ou renovadas.

O mesmo vale para Pat Symonds, mas por cinco anos. A FIA considera que o fato de ele ter confessado atenua um pouco as coisas. Flavio, não. A entidade não se conforma que ele mente até agora e nega tudo. Max Mosley conseguiu o que queria: a cabeça do italiano numa bandeja. Tchau e bênção. É uma punição dura. Afinal, o cara está na F-1 há quase 20 anos, foi dono de equipe, empresário de pilotos, uma figura influente.

A Renault foi suspensa por dois anos, mas com efeito suspensivo. Ou seja: até o fim de 2011, não pode mijar fora do vaso. Se fizer qualquer outra dessas, é riscada da F-1. Foi pouco. Pegaram leve. Se pegassem mais pesado, talvez a montadora deixasse a categoria.

Nelsinho não recebeu sanções. Ele entrou num esquema de delação premiada. Em comunicado, diz que se sente arrependido, que terá de começar a carreira do zero, que espera nova chance, que a verdade é sempre o melhor caminho, que sua vida na Renault foi um pesadelo, que mantém a paixão pelas corridas, que será o piloto mais esforçado do mundo se alguém lhe der um emprego.

Alonso disse que não sabia de nada e acreditaram nele. Saiu inocentado.

Daqui a pouco voltamos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
16/09/2009 - 12:14

FIM DE PAPO

crashcingSÃO PAULO (pela porta dos fundos) – As seis linhas do comunicado da Renault divulgado hoje pela manhã dizem mais do que todas as palavras já escritas sobre o caso Cingapura-Nelsinho (ainda não arrumei um nome legal para esse escândalo).

A equipe começa dizendo que não vai contestar as alegações da FIA. Ou seja: foi tudo armado, mesmo. As investigações internas chegaram a essa conclusão.

Depois, informa que Flavio Briatore e Pat Symonds não fazem mais parte da equipe. Nelsinho já não fazia. E são as cabeças dos três que vão, com justiça, para a guilhotina.

A Renault vai tentar tirar o seu pescoço francês da reta. É possível alegar, e é até provável que seja verdade, que a corporação francesa não tem nada a ver com isso. Não foi ordem de cima. Foi decisão de três indivíduos que resolveram fazer aquela merda toda à revelia, por conta própria. Para salvar seus empregos, pode-se dizer. Nelsinho, porque queria ter o contrato renovado; os outros dois, porque a equipe precisava de um resultado marcante, já que a empresa ameaçava puxar o carro da F-1, ou reduzir seus investimentos.

Symonds e Nelsinho entregaram tudo por delação premiada. Não serão punidos pela FIA. Serão pela F-1. Estão acabados. Briatore negou até agora, e tudo que lhe restou, além da justificada fama de mau elemento, foi o acréscimo de “mentiroso” à sua biografia. Está acabado, também.

Não há mais dúvidas de que tudo foi combinado. Há a confissão do piloto, o depoimento de Symonds (que não responde às perguntas mais importantes, o que é uma admissão de culpa) e a demissão de todos pela chefia em Paris.

briasymBriatore é um escroque. Symonds, outro. Nelsinho, um fraco. O que fizeram é desprezível, vergonhoso. A Renault, agora, teria de processar os três, pelo que fizeram com sua marca e reputação. Arrancar as calças de todos. E de outros que, dentro da equipe, possam estar envolvidos.

A FIA deve punir a equipe duramente. Mesmo que tenha sido uma decisão de indivíduos, todos estavam a serviço da empresa. Ninguém mandou contratar escroques. Pode não haver culpa da Renault, mas há responsabilidade. O time deve pagar. Com multa, exclusão, o que for.

Está claro que Max Mosley sai ganhando nessa história toda. Odeia Briatore e as montadoras. Deram-lhe munição para bater no peito e falar: eu não disse? E ninguém poderá tirar sua razão.

Mas há algumas pontas soltas nesse caso todo. A primeira, a posição de Alonso. Ele não pode calar. Por enquanto, está limpo. Pode argumentar que não sabia de nada. Que a estratégia era esquisita, mas já houve outras na história, que não deram certo. O melhor a fazer seria devolver o troféu. E a FIA, mesmo que isso não mude muito a história, deveria mudar o resultado da corrida e dar a vitória a Nico Rosberg.

Alonso sabia? Não sei, e não vou chutar. Acho apenas difícil que, pelo menos, não tenha sabido depois. Ou desconfiado. Mas se foi algo restrito aos três patetas, mesmo, vá lá. Que desfrute do benefício da dúvida.

Massa seria campeão se não fosse a presepada do trio? Difícil dizer. Ele não perdeu a corrida porque parou nos boxes, apenas. Perdeu porque a Ferrari fez bobagem no pit stop. Poderia fazer também mesmo se não houvesse acidente algum. É algo que nunca se saberá.

A outra ponta se chama Nelson Piquet, o pai. Foi ele que procurou Mosley depois da demissão de Nelsinho para acender o pavio da bomba. Provavelmente sabia de tudo antes, mas só resolveu falar quando o filho perdeu o emprego. Por que fez isso? Apenas para cortar a cabeça de Briatore? Será que não imaginava que Nelsinho sairia igualmente queimado? O que será que disse ao pimpolho quando soube de tudo, muito provavelmente bem antes de sua demissão? “Vamos esperar para usar no momento certo”? “Você é um idiota, como faz um negócio desses”?

Nelsão é o maior mistério dessa história toda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
14/09/2009 - 21:55

AS ÚLTIMAS

SÃO PAULO (serviço completo) – O que está rolando na Inglaterra é que a FIA (leia-se Max Mosley) ofereceu a Pat Symonds imunidade caso entre no programa de delação premiada que salvou a pele de Nelsinho — salvou numas, ele não será formalmente punido, apenas. A ideia é fazer com que Symonds dê todo o serviço incriminando Flavio Briatore, a quem nada se ofereceu, exceto um nabo.

Dessa forma, Max teria a chance de banir o italiano da F-1, naquele que seria seu último ato como presidente. Ron Dennis, outro desafeto de carteirinha, já se mandou por conta. Pelo jeito, Briatore tá lascado, para não dizer fodido.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
11/09/2009 - 20:04

MILANESAS (4)

mila4SÃO PAULO – O Grande Prêmio teve acesso a um relatório da FIA com o primeiro interrogatório de Pat Symonds. Suas declarações são incriminadoras. Em nenhum momento ele nega a armação de Cingapura. Recusa-se a responder a quase todas as perguntas. Parece claramente acuado diante de evidências de que Nelsinho bateu mesmo de propósito e de que a FIA sabe que ele estava por trás da combinação.

Temos uma situação clara: Briatore no ataque, partindo para o lado pessoal, afirmando que é tudo mentira, e Symonds enrolado. Pode ser que sobre para ele, no time.

O relatório é longo e contém imagens da telemetria, que apontam um comportamento “incomum”, nas palavras de Symonds, de Nelsinho na hora do acidente. Há também detalhes das conversas de rádio que indicam que talvez ninguém mais na Renault, exceto Symonds e (talvez de novo) Briatore, soubesse do que estava acontecendo.

As desconfianças que eu tinha, e manifestei no último post, de que uma hipótese a ser considerada era a de que Nelsinho poderia estar inventando tudo já não existem mais. Pelo tom das respostas de Symonds, não tenho mais dúvidas de que foi tudo combinado.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
10/09/2009 - 15:25

SORRY, GUYS

SÃO PAULO (outro olhar) – Juro que não tenho 100% de certeza, mas acho que foi naquele GP de Cingapura que, depois da batida, a FOM colocou no ar a comunicação de rádio de Nelsinho com a equipe. Ele bateu e disse “sorry, guys”.

Lendo o depoimento de Nelsinho à FIA, fica claro, ao menos nas suas palavras, que apenas Briatore e Symonds, além dele, claro, sabiam o que iria acontecer. Ele diz que seu engenheiro questionou o incidente. E acrescenta que qualquer engenheiro inteligente notaria, pela telemetria, que continuou acelerando onde deveria frear.

Acho que aquele “sorry, guys” é a única coisa bonita que Nelsinho fez. Pedir desculpas (sem saber que aquilo seria ouvido fora da equipe) aos seus mecânicos, funcionários da Renault, amigos dentro da equipe, gente que passou horas preparando seu carro, resolvendo problemas, ajudando a melhorar as coisas, pela cagada que estava fazendo. Um momento quase íntimo — porque acabou se tornando público — de dizer a si mesmo “o que é que eu estou fazendo?”.

Não tira sua culpa, não atenua nada. É só um detalhe que humaniza um pouco a questão.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
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