SÃO PAULO(andei longe) - Faz tempo que não pingo aqui os comentários em vídeo pré e pós-corridas gravados para a TViG. Espero que o pessoal esteja vendo via Grande Prêmio. Em todo caso, está aqui o de hoje. Digo que Button será mais agressivo e decidido em Spa. Senão, babau pro campeonato.
SÃO PAULO(saudades de lá) - Vídeos antigos de F-1 a gente encontra aos milhares no VocêTubo, mas de vez em quando é legal destacar algum aqui, ainda mais com a ajuda da blogaiada. O Marcvs Avrelivs mandou este de Spa, em 1970. Para que a gente note algumas diferenças em relação à F-1 de hoje. Primeiro, o grid. Os carros praticamente empilhados na largada, que acontecia na descida para a Eau Rouge (os boxes eram os antigos). Depois, a zona em volta da pista. Como é que deixavam as pessoas tão próximas dos carros? Outro detalhe curioso: só 17 carros largaram nessa prova. A gente reclama do grid magro de hoje em dia, mas já foi pior.
SÃO PAULO(free Gachot) – Série é série, não é mesmo? Não pode pular dia nenhum. Seguimos nesta “semana Senna” com corridas, digamos, menos votadas. Agora, GP da Bélgica de 1991. Ayrton ganhou, foi uma bela prova. Mas escolhi pela curiosidade. Naquele dia, estreou na F-1 um alemão meio queixudo e muito rápido, na Jordan, Michael Schumacher. Correu no lugar do Bertrand Gachot, que estava preso na Inglaterra. Os pilotos usaram camisetas pedindo sua liberdade. Devo ter uma dessas em algum canto.
SÃO PAULO (sem surpresas) – Como se esperava, a McLaren não ganhou o recurso contra a punição a Hamilton em Spa, e foi mantida a vitória de Felipe Massa na Bélgica.
O assunto já foi bem debatido, agora bola pra frente, como se diz. O inglês vai mordido para Cingapura, o brasileiro segue mais tranquilo, já que a diferença poderia subir de um para sete pontos.
SÃO PAULO(será que muda?) - A FIA levou metade do dia para decidir se aceitaria o recurso da McLaren contra a punição a Hamilton em Spa, e outra metade para discutir se vai rever a decisão dos comissários esportivos da corrida.
O resultado, no entanto, só sai amanhã. Acho pouquíssimo provável que mudem alguma coisa, mas é bom ficar atento. Ultimamente, acredito em qualquer coisa.
SÃO PAULO(over) – Coluna que não acaba mais hoje no Grande Prêmio! A terceira do dia é do Reginaldo Leme, falando do GP da Itália e dando uma pincelada em Spa.
SÃO PAULO (já deu) – A coluna Warm Up desta semana, claro, é sobre o episódio Hamilton-Raikkonen na Bélgica. Creio que já esgotamos o assunto no blog, mas fica o link para quem quiser ler e comentar.
SÃO PAULO (mais de quatro Engenhões em dia de jogo do Brasil) – Só para registrar, o Grande Prêmio bateu dois recordes de audiência no domingo passado, graças à confusão envolvendo Hamilton e Raikkonen, com a vitória sendo herdada por Massa em Spa. Tivemos 433.966 pageviews, superando a marca anterior que era do dia 13 de setembro do ano passado, quando a McLaren foi julgada na FIA; e 2.557.616 impressões (cliques no site), batendo o recorde anterior que era do mesmo dia do julgamento.
Em visitantes únicos, chegamos perto do recorde: foram 131.251 pessoas diferentes que visitaram o GP. Nossa maior audiência permanece sendo do dia 7 de julho deste ano, a segunda-feira seguinte ao GP da Inglaterra, vencido por Hamilton com Barrichello em terceiro, com 134.963 pessoas.
SÃO PAULO(voltou a voz) – Como sempre vendo tudo com outro olhar, está no ar a coluna Apex do Andre Jung, falando de Spa e de Monza. Sempre com as ilustrações inspiradíssimas de Marta Oliveira. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO(pra rua!) – Adoro as notas do pessoal do Grande Prêmio para os pilotos a cada corrida. Tem blogueiro que sobe nas tamancas. Podem subir à vontade. E se manifestar aqui. O quadrinho ao lado mostra a média de cada um em Spa. No link, as avaliações.
Para quem não sabe, FG sou eu, VM é Victor Martins, EG é Evelyn Guimarães, ML é Marcus Lellis e FL é Francisco Luz. Bourdais e Hamilton ficaram com as maiores médias. Nelsinho Piquet e Rubens Barrichello, com as piores.
SÃO PAULO(várias respostas) – Não viu o InfoRace com a análise do GP da Bélgica ainda? Tá esperando o quê? Nos gráficos da ferramenta exclusiva do Grande Prêmio você vai entender como Heidfeld passou todo mundo depois de colocar pneus intermediários, vai ver como subiram absurdamente os tempos de volta quando a chuva começou a cair, vai acompanhar a aproximação de Hamilton quando Raikkonen achava que estava tudo resolvido…
Um mar de informações, em resumo. Vai lá! E comente aqui, claro.
SÃO PAULO (chega, vira o disco!) – Pronto, para acabar de vez com as discussões sobre o remoto GP da Bélgica, eis o que aconteceu, na visão do nosso genial Tuta dos Pampas: foi o Bernie!
SÃO PAULO(certos abraços…) – Passei 18 anos viajando a todas as corridas da Fórmula 1 e juro que nunca vi um abraço como esse de ninguém em ninguém. Bourdais e um de seus chefes, Franz Tost, da Toro Rosso. No rosto de “Seb” há mais do que a decepção por não ter conseguido um pódio que esteve a poucos metros do bico do seu carro em Spa. Há um ar de despedida, algo de solidão, sei lá.
Achei muito bonito. Essa Toro Rosso é feita de gente do mesmo material.
SÃO PAULO (vai longe) – Sabe o que achei mais interessante nesse caminhão de comentários de todo mundo aqui, e na TV, e no rádio, e nos jornais? O quanto as pessoas acham que conhecem o regulamento da F-1. Sem lê-lo. Deixei para hoje para destrinchar a letra fria das regras.
Primeiro: não há nada no regulamento sobre “devolver posição”. É praxe, apenas. O que está motivando toda essa discussão sobre a justiça (ou injustiça) da punição a Hamilton é algo que não consta de regra alguma: o asfaltamento das áreas de escape nas pistas que recebem a F-1.
Vamos aos fatos. O documento que descreve a punição, aliás, usa esse termo: fatos. No caso, no original em inglês: “Facts: cut the chicane and gained advantage”. A sentença é uma conclusão dos três comissários esportivos do GP da Bélgica. Eles partem desse princípio: cortou a chicane e ganhou vantagem.
OK. Segundo: vamos às regras. O documento informa no item “offence” que Hamilton desrespeitou o artigo 30.3 (a) do Regulamento Esportivo da F-1 e o Apêndice L, capítulo 4, artigo 2 (g) do Código Esportivo Internacional. O primeiro é específico para a F-1. O segundo dá normas gerais para tudo que é corrida reconhecida pela FIA.
O artigo 30 do Regulamento Esportivo da F-1 versa sobre “General safety”, segurança em geral. O item 30.3, que Hamilton desrespeitou, diz: a) durante treinos e corrida, os competidores devem usar apenas a pista e observar, durante todo o tempo, os preceitos do Código (Esportivo Internacional) relativos ao comportamento de pilotagem nos circuitos (a tradução é livre e ruim; no original, “during practice and the race, drivers may use only the track and must at all times observe the provisions of the Code relating to driving behaviours on circuits”).
O Apêndice L, capítulo 4, artigo 2 (g) do Código Esportivo Internacional, que Hamilton também desrespeitou segundo os comissários, diz: “The race track alone shall be used by the drivers during the race”. Ou: “A pista, e só ela, deve ser usada pelos pilotos durante a corrida”.
Parece de uma obviedade estarrecedora, e é. Só que não funciona mais nas pistas da F-1. Pelo simples fato de que asfaltaram as áreas de escape. E elas, que têm como função primordial parar os carros que escapam do “leito carroçável”, viraram parte da pista. Quando as asfaltaram, não foi para perdoar erros, mas sim por motivo de segurança. A brita pode até frear carros desgarrados, mas pode capotá-los, também. No asfalto, o piloto soca o pé no freio e o carro pára. Freio é o que de mais eficiente um carro de F-1 tem.
Mas pilotos são espertos, e nos últimos anos passaram a adotar as áreas de escape como extensão da pista. Ficou mais fácil buscar os limites, porque um erro é perdoado pelas enormes áreas asfaltadas. Vai lá fora e volta. Pronto. Ninguém fala nada, mesmo, vamos embora. Repare na foto à esquerda. Tem um carro passando ali onde minha seta tosca aponta. É área de escape. Agora olhe os outros que estão na pista, como estava fácil a vida deles. Se deu bem o cabra lá de fora? Sim. Foi punido? Não.
Em tese, qualquer passagem por uma área de escape, que não é pista, traz vantagem a quem a utiliza. Pode-se categorizá-las: vantagem porque errou o traçado e conseguiu voltar; vantagem porque freou tarde e não bateu em nada; vantagem porque tentou uma ultrapassagem difícil, não deu certo, e pôde evitar o choque com outro carro. E por aí vai. Usar a área de escape sempre trará uma vantagem. É uma verdade absoluta, indiscutível, indivisível.
(Aqui, acrescento, tardiamente, algo que um blogueiro já comentou: pelas regras, a disputa entre Massa e Kubica no Japão no ano passado deveria resultar em banimento dos dois de todas as corridas para todo o sempre. Foi um dos momentos mais belos da F-1 não dos últimos, mas de todos os tempos. E eles só não usaram as arquibancadas porque tinha grade e muro para impedir.)
Em outras palavras: pela letra fria da regra, qualquer passagem por uma área de escape deveria ser punida com drive-through. No caso da corrida de ontem, a primeira curva deveria resultar, pelo critério usado para punir Hamilton, em punições a cinco ou seis pilotos (Raikkonen inclusive) — todos que esparramaram na La Source, foram lá fora da pista e voltaram. Esses não tiveram vantagem nenhuma? Ora, se houvesse um muro, teriam batido; se houvesse brita, teriam atolado. Veja na foto ao lado: quem se saiu melhor? O coitado que ficou na pista, cheio de carros à frente, tendo de dosar o pé direito para não encher a bunda de alguém, ou os espertinhos que foram para a área de escape, enorme e generosa (derrubaram muita árvore para fazer isso aí), podendo acelerar à vontade para despencar em aceleração plena rumo à Eau Rouge? Onde você preferiria estar nessa hora? No leito da pista ou “cortando a chicane”, para usar termo em voga?
Os pilotos que espalharam na La Source na largada tiveram vantagens, sim. E nada aconteceu com eles.
Agora tentem relembrar as corridas recentes. Quantas vezes vimos pilotos atravessarem curvas para passear no asfalto que não é pista? E voltaram na boa. Não passaram ninguém? Pode ser. Mas obtiveram a inestimável vantagem de continuar na corrida. Como estabelecer a hierarquia das “vantagens” e a partir delas determinar o tamanho das punições? Vantagenzinha não dá em nada; vantagenzona dá em drive-through. Sorry, para mim vantagem é vantagem.
O grande problema é julgar situações semelhantes com critérios diferentes. Área de escape não é pista, e todo e qualquer piloto que utiliza essas muletas asfálticas está levando alguma vantagem e desrespeitando os mesmíssimos artigos, capítulos e itens dos regulamentos e códigos que Hamilton, de acordo com os comissários, desrespeitou.
E ninguém nunca foi punido por isso.
Quanto à história de devolver a posição, continua valendo o que eu disse ontem. É aquela regra não-escrita, que todos respeitam porque é como uma admissão de culpa — “olha, gente, caguei, errei o ponto, passei o cara, mas estou devolvendo a posição, por favor não me enforquem em praça pública”. E vem funcionando, os comissários compreendem que houve boa-vontade, e esquecem a única regra que trata do assunto, que é a história de não usar a pista (regra que, insisto, é totalmente boba considerando o tanto de áreas de escape asfaltadas das pistas atuais).
Portanto, macacada, revejam seus conceitos. Regra deve ser respeitada, sim, mas deve valer para todo mundo. E essa aí, de “usar apenas a pista”, só valeu para Hamilton.
SÃO PAULO(batam à vontade) – Da esquerda para a direita, uma sequência que ilustra bem o que aconteceu nos segundos decisivos do GP da Bélgica. Pode não servir para nada, mas pelo menos mostra que esse papo de que ele devolveu “meia posição” ao Raikkonen é balela. O quarto quadro mostra claramente que ele estava atrás, mesmo. Na primeira foto, Hamilton corta a chicane; na segunda, “leva vantagem”, passando o finlandês; na terceira, começa a devolver a posição; na quarta, já está atrás, inteirinho atrás; na quinta, Kimi abre para fazer a tomada para a La Source (seria mais inteligente mergulhar por dentro, mas não era fácil, com Hamilton fungando atrás dele); na sexta, Lewis aproveita a avenida aberta pelo ferrarista e, claro, passa. Notem: aproveita o “buraco”, não o vácuo. Vácuo não se pega em tão pouco espaço.
A partir da quarta foto, amigo, como diria o filósofo Galvão Bueno, a corrida começou de novo. Se alguém me mostrar onde está escrito que o piloto A tem de esperar o tempo X para tentar passar o adversário B de novo, me rendo.
Como ninguém vai achar isso em regulamento algum, despeço-me por hoje.
SÃO PAULO(sem ofender ninguém) – Procurem ser bem honestos, todos vocês, os mais de 500 blogueiros que deixaram seus comentários nos posts abaixo… Digamos que o piloto que fez o que Hamilton fez hoje se chamasse Ayrton Senna, ou Felipe Massa. E levasse a punição que ele levou.
Qual seria sua reação?
Mas procurem ser honestos, mesmo. Tentem visualizar: no lugar daquele carro cinza, um vermelho e branco, com um capacete amarelo ao volante, brigando pela vitória e pelo título, “contra tudo e contra todos”; ou um todo vermelho, com um capacete verde-amarelo-azul, buscando a taça que não se vê por aqui desde 1991.
SÃO PAULO(é isso aí, gasolina na fogueira!) – Eu normalmente acho que os comissários esportivos das corridas têm sempre razão (não é a FIA quem decide essas questões em provas, mas sim os comissários, que variam de GP para GP), porque dispõem de vídeos, cabeça-fria e experiência para analisar, rapidamente, questões difíceis. Apenas para mencionar, pois não os conheço, os comissários que decidiram pelo drive-through a Hamilton (transformado em 25s a mais no tempo porque a corrida já tinha terminado) foram: Nicholas Deschaux, Surinder Thatthi e Yves Bacquelaine.
A punição foi embasada na seguinte sentença, que consta do documento #49 do fim de semana belga: “Cut the chicane and gained an advantage”. Cortou a chicane e ganhou uma vantagem. Matou a família e foi ao cinema.
Creio que há um equívoco essencial, aí. Hamilton não cortou a chicane para ganhar vantagem. Fê-lo (como escrevo bem!) para não bater em Raikkonen, o que é bem diferente. Uma coisa é o cara cortar caminho para fazer os outros de bobos. Outra é aproveitar que enfiaram asfalto em tudo que é canto dos circuitos para evitar uma batida, o que fez Lewis, e dali em diante seguir com o cortejo porque havia uma corrida ainda por terminar.
Portanto, acho que o trio de comissários partiu de um princípio que não condiz com a realidade dos fatos (como escrevo mal!), determinando logo de cara, para abrir a discussão, que Hamilton cortou a chicane e levou vantagem. Um julgamento duro e difícil de ser feito, não? O pobre do Hamilton mesmo disse, depois da corrida: “Devolvi a posição. O que mais eu poderia fazer?”.
Pois é, não sei bem. Talvez ir ao confessionário e rezar dez ave-marias, pedindo perdão por ultrapassar outro carro numa corrida de carros.
A McLaren recorreu da punição. A história recente avisa que são raríssimos os casos em que há uma mudança das decisões de comissários. Em todo caso, a equipe inglesa tem todo direito de chiar.
SÃO PAULO (tapetón) – Acaba de sair a decisão em Spa, Hamilton perde 25 segundos de seu tempo total de corrida e, assim, cai para terceiro. Felipe Massa herda a vitória e passa a ser o vencedor do GP da Bélgica, com Heidfeld em segundo. Hamilton fica com 76 pontos, contra 74 de Felipe.
Não mudo uma vírgula do que escrevi abaixo. Acho a decisão um absurdo, como seria absurda qualquer ação contra Massa em Valência pela saída do pit stop em que quase acertou Sutil.
E o mais irônico é que o único prejudicado pela suposta atitude antidesportiva de Hamilton, Raikkonen, sai da Bélgica no zero do mesmo jeito.
SÃO PAULO(under investigation) – Já vi que vai pegar fogo a discussão sobre a posição devolvida por Hamilton a Raikkonen depois que ele assumiu a liderança ao cortar a Bus Stop. Ninguém pediu, mas vai aí minha opinião. Na tentativa de ultrapassagem, Raikkonen foi duro e não tirou o pé, no que fez muito bem. Hamilton não teve alternativa e, para não bater, cortou a chicane e passou o finlandês. Ato 1 claramente descrito e resolvido.
A partir daí, por ter ganho a posição cortando caminho, Hamilton teria de devolver o lugar. Fez isso. O regulamento não diz se o piloto tem de devolver a posição pedindo desculpas, ajoelhando no milho, deixando o adversário abrir dez carros de diferença, ou implorando o perdão diante do altar. Aliás, não diz nada sobre isso. A praxe é apenas devolver a posição para não ser caracterizada uma ultrapassagem irregular. Hamilton devolveu. Ato 2 concluído.
Aí começa o ato 3. Era uma reta, Raikkonen estava acelerando, e Hamilton, assim que o adversário passou, fez o mesmo. A partir do momento em que Kimi retoma a posição, a corrida volta ao normal. Claro que Lewis tinha o carro acelerando e tracionado. Mas Raikkonen também tinha. E defendeu a posição como pôde. Foi o maior barato, um dos mais belos momentos do ano. Hamilton, no entanto, estava mais rápido. Passou na La Source, ainda foi tocado, e seguiu em frente. Fim do ato 3.
Enfim, não vi nada demais. Nem esperteza do primeiro, nem ingenuidade do segundo, nem atitude antidesportiva de qualquer um dos dois. Situação de corrida difícil, mas que foi concluída dentro dos conformes, como diria o outro.
SÃO PAULO(e como!) – Precisa ser macho para trocar pneu na penúltima volta. Alonso e Heidfeld fizeram isso. Voltaram feito foguetes com intermediários e foram passando todo mundo. O prêmio? Heidfeld, que passou a corrida toda empacado atrás de Vettel, da Toro Rosso, subiu ao pódio em uma volta. Alonso, que fez uma boa corrida andando um bom tempo em quarto, arriscou para beliscar um pódio e quase deu certo. Caiu para oitavo e terminou em quarto, mesmo, mas ao menos tentou algo.
Tristeza para os meninos da Toro, especialmente Bourdais. O francês fez sua melhor corrida no ano. Terminaria em terceiro, com o abandono de Kimi. Andou em quarto um bom tempo, segurou sem dificuldade Kubica e quem mais tentasse chegar perto. No fim, por causa da chuva, acabou em sétimo, atrás até de Vettel, o quinto colocado.
Mas que não se desespere, o simpático Bourdais. Em Spa, ele mostrou à Toro Rosso que pode ser um piloto de F-1 e que merece uma chance de continuar no ano que vem.
SÃO PAULO(gostei!) – Sabe jogo de basquete, que é um pé no saco o tempo todo e só se decide nos últimos 30 segundos? Pois é, o GP da Bélgica foi assim. Embora não tenha sido um pé no saco até os últimos metros, muito pelo contrário — teve bons momentos desde o início. Mas foi decidido nos últimos metros, isso foi. Graças à chuva, que pegou Raikkonen de calças curtas. Incrível, o finlandês. Estava renascendo para o campeonato, fazia até ali uma prova exemplar, depois de passar Massa e Hamilton nas duas primeiras voltas. Aí se apavorou quando Lewis chegou junto com a água. Perdeu a posição, recuperou, rodou, perdeu de novo e acabou batendo.
Resumo de Spa-2008 para Raikkonen: seu campeonato acabou de vez. E a ironia é que acabou a menos de duas voltas do fim de uma corrida que dominou com autoridade e competência. Só que é preciso ter tudo isso até a bandeirada, e Kimi escorregou quando não podia.
Para Massa, que fazia uma prova apenas discreta, para somar seis pontos, o segundo lugar foi uma dádiva. Não só pelos pontos, mas porque viu Raikkonen ser tirado da briga. A diferença para Hamilton aumentou, são oito pontos, é difícil ser campeão, mas pelo menos ele só tem de se preocupar com um adversário, agora.
Hamilton, por sua vez, mostrou uma determinação rara nas últimas voltas da prova. Se rodou de bobeira no começo, perdendo a posição para Raikkonen, foi para cima no fim, quando notou que de pneus duros a Ferrari não estava lá essas coisas. E a briga com o finlandês foi maravilhosa. Como aqueles últimos segundos que decidem os jogos de basquete, quando tudo acontece como se nada tivesse acontecido antes. Foi um barato, esse GP da Bélgica.
SÃO PAULO(e o resto todo) – Lá embaixo, o Q1 degolou os de sempre: os dois da Honda, os dois da Force India (quatro carros muito assíduos nas últimas filas) e um quinto que varia de corrida para corrida. Hoje foi Kazuki Nakajima, da Williams. A Honda continua dando seus vexames quinzenais, às vezes semanais.
No Q2, a decepção foi a Toyota, que vem bem no campeonato e, desta vez, não passou nenhum dos dois carros para o Q3. Nelsinho também decepcionou, depois de algumas recentes atuações mais sólidas. Ficou só em 12º. Alonso larga em sexto. E Coulthard, como vem acontecendo ultimamente, não se esforçou demais para ir à briga dos dez primeiros, ao contrário de Webber, que quase sempre chega lá (e ficou em sétimo no grid).
Um treino, em resumo, bem normalzinho em Spa. Como não teve chuva, ficou na média.
SÃO PAULO(bom para um chope) – Hamilton reverteu a situação de ontem e acaba de fazer a pole em Spa. Ele, que no começo da semana disse ter o melhor carro do mundo, foi 0s340 mais rápido que Felipe Massa na boa briga pelas duas primeiras filas na Bélgica.
É uma pole importante, mas não fundamental. Spa tem uma particularidade na primeira volta. O carro que sai grudado no da frente na Raidillon, depois da Eau Rouge, tem toda a enorme reta Kemmel para embutir no vácuo e tentar passar na freada para a Les Combes.
O que está na frente precisa usar de ardis para evitar a ultrapassagem. Deixar o carro no meio da pista, por exemplo, para dar o lado ruim ao adversário na primeira freada. Não é fácil, mas é possível.
Essa primeira volta vai ser interessante, com quatro carros parecidos se pegando.
Hamilton fez sua quinta pole no ano. A segunda fila também tem uma McLaren e uma Ferrari, Kovalainen e Raikkonen. Kimi, de novo, foi mais lento que Felipe. Começou a dar adeus ao campeonato. Se terminar atrás do brasileiro na corrida, é melhor esquecer. Na briga interna da BMW, Heidfeld deu um suspiro, o canto do cisne, e larga na frente de Kubica (quinto e oitavo).
SÃO PAULO (agora ou nunca) - Para Kimi Raikkonen, a última chance de ainda sonhar com o título é voltar a vencer domingo, em Spa. Tema da coluna Warm Up de hoje.
SÃO PAULO (sua aposta?) – Reginaldo Leme fala sobre os desafios de Massa neste fim de semana em Spa-Francorchamps na sua coluna Grand Prix. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO (tem coisa que não acaba nunca…) – Pois bem, macacada, com algum atraso, falemos desses treinos de hoje em Spa. Os melhores tempos, todos de manhã. O melhor? Massa, que é o piloto que vive melhor momento na temporada e tem mais é que aproveitar. Raikkonen ficou em segundo. O único piloto que fez tempo melhor de tarde que de manhã foi Sutil. Isso porque na segunda sessão choveu, parou, a pista molhou, aquelas coisas de Spa.
A Ferrari começa muito bem o fim de semana e Felipe, idem. O menino está muito focado, como adoram dizer os cronistas. E quem deve estar começando a se preocupar, agora, é Hamilton. Que disse, no início da semana, que a McLaren tem o melhor carro do mundo.
SÃO PAULO(não esqueci, não) – Amanhã começam os treinos em Spa. Corrida-chave. Se Raikkonen ficar atrás de Massa, a Ferrari não terá mais dúvidas. E caberá ao finlandês dar uma ajudinha ao brasileiro. Ele mesmo já sabe disso.
SÃO PAULO (aqui é rápido) – Já pintou a primeira foto com os dois juntos, Senna e Piquet, na Bélgica/1991. Foi o último pódio com dois brasileiros. Ricardo Bromer foi o blogueiro que mandou o link, valeu!
SÃO PAULO(e ainda tem rádio…) - Dois brasileiros no pódio. Fazia muito tempo… A última vez foi em 25 de agosto de 1991, no GP da Bélgica. Venceu Ayrton Senna, de McLaren, com Nelson Piquet, de Benetton, em terceiro. Só encontrei essa foto aí do lado daquele pódio. Se aguém achar uma com os dois, me manda!
Detalhe curioso: naquele 25 de agosto, estreava um alemão na Jordan. Michael Schumacher era o nome do cabra. Não deixa de ser emblemático.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.