05/04/2009 - 09:48
SÃO PAULO (à tarde, Canindé) – Como só teve meia corrida, estou com vontade de escrever metade do que costumo, também. E na base dos pitaquinhos sem ordem de importância. Mas vá lá, até que esse GP da Malásia teve bastante coisa.
- Estou tentando lembrar quando foi que um GP terminou com menos de 75% de seu percurso original, valendo apenas a metade dos pontos. Acho que foi em 1991 na Austrália, aquela corrida de 14 voltas que teve Senna, já campeão uma prova antes, em Suzuka, declarado vencedor. Choveu barbaridade.
- Fosse um jogo de futebol, eu diria que o resultado da contenda foi justo. Button pode até ter largado mal, mas depois se recuperou, ganhou a posição de Little Nico nos boxes e não se atrapalhou com as escolhas de pneus. Está guiando com segurança e velocidade. Duas provas, duas vitórias. Tivesse sido adotado o sistema do Zé das Medalhas, estaria bem na fita.
- O mesmo vale para o segundo lugar de Nick “Emo” Heidfeld. Ele não tem brilhado nos treinos livres, nem nas classificações, nem se destacou nos testes de pré-temporada. Mas o rapaz, em condições adversas, consegue alguns resultados surpreendentes. É só lhe dar uma chance que pinga um pódio. O mais impressionante de Heidfeld nesta prova foi que ele parou uma única vez nos boxes. Button, Glock e Trulli fizeram três pit stops, Webber e Rosberg fizeram quatro… O alemão sabe enxergar uma corrida e é minimalista, não perde tempo com bobagens. Choveu, coloca pneu de chuva. Só. Sem apostas muito arriscadas.
- Rosberguinho merecia algo mais do que meio ponto do oitavo lugar, pela largada e pelo bom domínio da prova nas primeiras voltas. Mas quando chegou a água, se perdeu.
- Glock foi muito esperto. O único que acertou na mosca que no primeiro sinal de chuva o negócio era colocar intermediários e, depois, os de chuva forte. Se é verdade que largou muito mal, recuperou-se com os intermediários virando tempos 7 ou 8 segundos melhores que a concorrência até a chuva apertar. Pódio justo, também.
- Já a Ferrari… Duvido que Raikkonen tenha pedido os pneus de chuva forte. Ele pode até ver as nuvens negras no horizonte, mas não tem, dentro do carro, condições de avaliar se vai chover ou não, muito menos qual será a intensidade do aguaceiro. O que passa para a equipe pelo rádio é o relatório do que está vendo na pista. E, no momento de seu primeiro pit stop, o asfalto estava seco como farinha de rosca. Aí os caras metem uns pneus que nem no meu Lada eu colocaria, especiais para dilúvios, tsunamis e furacões. Enquanto isso, quem parava na mesma hora colocava pneus slicks. Kimi foi 20s mais lento do que todos por quatro voltas. Alguma coisa estava claramente errada, ali. Essa coisa era a Ferrari. Duas corridas sem pontos, última colocada no Mundial. Belo início de temporada.
- Detalhe: a melhor volta da prova, 1min36s641, foi anotada por Button. Sabe quando? Na 18ª. Foi exatamente quando Raikkonen parou nos boxes para colocar pneus de tempestade. No momento em que o piloto de outra equipe fazia a volta mais rápida da corrida. Estava molhado?
- Kovalainen me lembrou o Michael Andretti, hoje. A gente olha o cara na largada e faz um bolão não para adivinhar quantas voltas vai dar, mas quantos metros andará. Já Hamilton fez boa corrida, como fizera na Austrália. Com o tanque de guerra que a McLaren tem, chegar nos pontos está bom demais.
- Los brasileños… Barrichello largou bem e poderia sonhar com um pódio, mas a chuva não o ajudou, como costuma acontecer, e Button, com duas vitórias em duas corridas, já é o primeiro piloto do time. Algo que Rubens pode reverter, claro. Basta ganhar na China. Em caso de nova vitória de Jenson, esquece. O inglês assume a primazia no time, como acontece em qualquer equipe cujo piloto abre a temporada com três vitórias seguidas, seja ele britânico, brasileiro, boliviano ou venusiano. Massa foi discreto, largou direito, mas empacou onde estava, não passou ninguém e terminou em nono. Nelsinho, ao menos, se manteve na pista na chuva. Mas também não fez nada, resultado de sua má posição de largada.
- Por fim, a decisão de interromper a corrida. Correta, claro. Afinal, até as águas da enchente baixarem, o manto da noite já teria sido estendido sobre Sepang. E como diz o observador Galvão Bueno, carro de F-1 não tem farol — algo que eu também já havia notado. No fim, as 31 voltas válidas (pelas minhas anotações, a bandeira vermelha apareceu na 32ª) foram percorridas em 55min30s622. Tudo isso só aconteceu por conta do horário esdrúxulo da largada. Mas sobre isso já falei.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
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05/04/2009 - 07:19
SÃO PAULO (antas) – Fui à Malásia umas oito ou nove vezes, sei lá. Todos os dias, por volta das 18h, chove. Chove forte, é uma região equatorial. Como Manaus, Belém. Talvez Bernie Ecclestone nunca tenha visto essa chuva. Porque nunca ficou num autódromo até tarde. Jornalistas ficam. Engenheiros e pilotos, também. Bernie poderia ter consultado alguém antes de marcar uma corrida em Sepang para as 5 da tarde. Todo mundo lhe diria que nessa hora chove muito.
Neste momento, cai o mundo sobre o autódromo. A corrida foi paralisada e está escurecendo. Estava na cara que isso ia acontecer.
Enquanto houve corrida, estava legal. Button soberano na ponta apesar da má lagada, Glock espertíssimo na escolha dos pneus para chuva e intermediários na hora certa, a Ferrari apostando na chuva três voltas antes de ela chegar, o que estragou a prova de Raikkonen (como erra, a Ferrari), Barrichello bem, dentro das circunstâncias, assim como Hamilton, Webber e Trulli — todos lidando com as incertezas sobre a quantidade de água que viria, porque que ela viria, isso era uma certeza. Heidfeld, dos que estão na pista, é o único que parou só uma vez. Quase um mágico.
O horário escolhido para essa prova foi uma irresponsabilidade absurda. Mas os pilotos e as equipes têm sua parcela de responsabilidade. Engolem tudo que Ecclestone impõe.
Vamos ver se a bagaça recomeça.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
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04/04/2009 - 21:22
SÃO PAULO (nossa…) – Estou para ver alguém mais para baixo que Nelsinho Piquet. Depois de cometer erros confessos (pelo menos admite) na classificação em Sepang, disse depois do treino (vi na TV) que o fim de semana já está estragado e que ele espera que a corrida acabe logo.
Nelsinho foi degolado no Q1 pela oitava vez em 20 corridas, relata Felipe Paranhos no Grande Prêmio. É um retrospecto horroroso. No confronto de grids com Alonso, está 20 x 0 para o espanhol.
Daqui a pouco o rapaz será indefensável.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
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04/04/2009 - 07:26
SÃO PAULO (agora vou eu) – O tempo é curto, e por isso a classificação de Sepang vai em pitacos, para vocês comentarem à vontade.
- Button confirmou a excelência do carro da Brawn e faz a segunda pole seguida. Ele está guiando muito bem e o carro já não precisa mais provar nada a ninguém, como se diz. Mas não foi um massacre, como em Melbourne.
- 0s092 foi a diferença de Jenson para Jarno Trulli, o segundo no grid. Dois veteranos na primeira fila, nessa que vem sendo chamada de “F-1 da nova geração”. Sei, sei…
- A melhor volta do fim de semana foi de Button, 1min33s784. O carro é, efetivamente, assombroso. Veio, esse tempo, no Q2.
- Dos seis mais rápidos na classificação, cinco são da Turma dos Difusores: Button, Trulli, Barrichello, Glock e Rosberguinho. Só Nakajima ficou fora. Ou os outros copiam logo esses difusores, ou vão se lascar o ano todo.
- Vettel perde dez posições no grid, o que é uma pena. Cai de terceiro para 13º por conta da presepada de Melbourne. É pena porque, largando em terceiro, iria dar trabalho aos dois da frente. Lá de trás, vai brigar pelos pontos, apenas.
- Barrichello cai de quarto para oitavo, porque trocou o câmbio na sexta (são cinco posições de pênalti, mas ele ganha uma porque Vettel, que estaria à sua frente no grid, também paga punição). Igualmente seria protagonista de uma briga excelente, se largasse na segunda fila. Mas é uma aposta para pódio, sem dúvida.
- A Ferrari foi uma grandiosa decepção, depois de fechar a sexta-feira na frente. Primeiro, pela burrice no Q1, de achar que uma voltinha bastava. Massa, por isso, nem passou ao Q2. Raikkonen fez o nono tempo e larga em sétimo. Essa Ferrari, hum…. Sei não.
- Já a McLaren ficou dentro do esperado para o carro ruim que tem, com Hamilton e Kovalainen empacando no Q2. Quem te viu, quem te vê…
- Finalmente, os degolados da primeira parte do treino, além de Massa: Os dois da Force India, normal, Buemi, que errou quando fazia uma volta muito boa, e Nelsinho, frequentador assíduo do pedaço. Vai mal, Nelsinho, que confessou ao Carlos Gil, da Globo, ter errado três vezes em sua volta rápida. A paciência da Renault tem limites.
Agora vou a Interlagos. Depois da minha classificação, volto aqui para dar as desculpas de praxe, o KERS, a saída de frente, o câmbio que escapa na quarta, a falhação elétrica acima de 6 mil giros, essas coisas que a gente fala quando larga na última fila. Enquanto isso, comecem a dar seus palpites. Quem vai ao pódio na Malásia? Respondam!
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: GP da Malásia 2009, Sepangadas
03/04/2009 - 23:34
SÃO PAULO (vá antes de dormir) – Já deu sua voltinha virtual em Sepang hoje? Vai lá no Grande Prêmio e divirta-se com nossa Obra-Prima.
E tem outra novidade no site: você pode mandar, a partir de agora, uma videomensagem sobre o tema que a gente escolher. Nesta semana, é Hamilton que está no centro do furacão. Você acha que o inglês é um injustiçado? Um matusquela? Um rufião? Os vídeos podem ser postados na página do iG para videomensagens e os internautas votam nos mais legais. O mais votado vai aparecer no Grande Prêmio.
Vá lá, coloque uma ideia na cabeça, e não esqueça da câmera na mão, senão não sai nada.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1, Grande Prêmio
Tags: Sepangadas, videomensagem
03/04/2009 - 23:06
SÃO PAULO (esperto, o Branson) - A notícia tem uns dois dias, já, mas não toquei no assunto aqui e é tema que merece ser aprofundado.
O SportsProDailyDeal, um site especializado em negócios do esporte, revelou que a Virgin está perto de fechar um acordo com a Brawn para 2010 de US$ 30 milhões (algumas fontes falam em 30 milhões de euros, também; está havendo uma confusão de moedas na mídia internacional). Em troca, ficaria com o direito de vender espaços publicitários nos carros da equipe durante a próxima temporada.
É um risco calculado. Pode não vender nada, e morre com os 30 paus. Para a equipe, a grana antecipada garante boa parte do orçamento para um Mundial de cabo a rabo.
A Brawn, embora seja um time sem previsão de receita, não está propriamente na pindaíba. Tem US$ 150 milhões em caixa, dinheiro que veio da Honda e dos direitos de TV distribuídos por Bernie Ecclestone. Poderia ser mais, se a FOM considerasse a Brawn uma sucessora da Honda. Mas para pagar menos, Bernie considerou o time “estreante”…
O dono da Virgin, Richard Branson, paga atualmente US$ 250 mil por corrida à Brawn, segundo o SportsPro. Por enquanto, está meio no fio do bigode, mas a tendência, claro, é que o contrato vá até o fim da temporada. Se for, o time receberá US$ 4,25 milhões pelo patrocínio do grupo.
De acordo com a Margaux Matrix Digital Eye, uma empresa que mede retorno de mídia citada pelo SportsPro, os carros da Brawn apareceram na TV durante 48 minutos e 38 segundos nas duas transmissões ao vivo do GP da Austrália — classificação e corrida. Os logotipos da Virgin foram expostos com total visibilidade por 8 minutos e 56 segundos. Segundo a Margaux Matrix, esse tempo todo, em TVs do mundo inteiro, custaria US$ 10,4 bilhões (bi, mesmo) se a empresa quisesse comprá-lo.
Claro que a conta não deve ser feita nesses termos, como se a Virgin tivesse tido um “lucro” de mais de 10 bilhões de verdinhas, já que pagou 250 mil pacotes para adesivar os carros da Brawn.
Mas foi um bom negócio, sem dúvida.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Brawn, Sepangadas, Virgin
03/04/2009 - 11:24
SÃO PAULO (treino à tarde) – Mais algumas notinhas sepânguicas relevantes…
Primeiro, sobre Barrichello. Teve de trocar o câmbio e já sai no prejuízo na classificação, perdendo cinco posições no grid. Mas não deve ser um baita problema para o brasileiro, já que o carro é bom e Sepang permite ultrapassagens. Só que ele terá dificuldades para passar os caras que usam KERS, naquelas retas enormes da Malásia (embora o nosso Tuta, da ilustração aí do lado, ache que Rubens nem liga para isso…).
O GP, é bom que se saiba, vai começar às 17h locais. Será interessante acompanhar a classificação amanhã, no mesmo horário (6h de Brasília). É a hora em que costuma chover por aqueles lados. E chove pacas.
Na Renault, Alonso está com dor de ouvido. Disse que está incomodando pacas. Passa cotonete.
Li na “Folha de S.Paulo” hoje, nota assinada pela Tatiana Cunha, que o Nelsinho cedeu seu lugar na classe executiva ao pai, que o acompanha nestas primeiras corridas do ano. Foi para a econômica (pô, Nelsão tem grana para uma executiva, vai ser pão-duro no inferno). E disse que fica com dó dele, porque “nessa idade é duro esse negócio de hotel e aeroporto”. Mas pai é pai, Nelsinho. Fica tranquilo que ele não liga.
Daqui a pouco eu volto. Preciso instalar a câmera no Meianov.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Barrichello, GP da Malásia 2009, Nelsinho, Sepangadas
03/04/2009 - 11:04
SÃO PAULO (coisa feia) – Hamilton, quase às lágrimas, admitiu que mentiu aos comissários de Melbourne. Disse que foi o tal de David Ryan que mandou que ele mentisse. Bem, o diretor-esportivo, esse é o cargo do cabra, foi suspenso pela McLaren, onde trabalha desde 1974. Acho que vão mandar o sujeito embora.
Quanto a Hamilton, bem… Falta de personalidade, não? “Mente aí”, diz o chefe. E ele mente. Espero que tenha aprendido a lição. O rapaz é bom piloto, mas meio atrapalhado em algumas coisas. E a pilotaiada começa a ficar com raiva dele. Já a McLaren se torna mais antipática a cada dia que passa.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: David Ryan, GP da Malásia 2009, Hamilton, McLaren, Sepangadas
03/04/2009 - 07:54
SÃO PAULO (não falo de futebol, esse subesporte, ou sub-esporte, sei lá) – Sim, eu vi os treinos. Os dois. Por isso estarei de olheiras o dia todo. Sepang deu uma ajeitada nas aberrações de Melbourne, alguém haverá de dizer. Eu diria apenas que deu uma equilibrada, como se esperava, por se tratar de um circuito mais convencional. Mas a Brawn continuou andando bem, embora tenha ficado bem longe do domínio imposto na Austrália. Fez sexto e sétimo com Barrichello e Button, ambos não muito distantes da Ferrari, que fechou o dia com primeiro e segundo.
E foi o sonolento Kimi Raikkonen o mais rápido da sexta-feira, com 1min35s707. Massa ficou um pouco atrás. Vettel terminou em terceiro e Webber em quinto, mostrando que Button tinha razão em apontar a Red Bull como forte adversária na Malásia. Pena para o alemãozinho que já sai perdendo dez posições no grid.
Entre os dois boizinhos voadores ficou Rosberg, que havia andado muito bem no primeiro treino livre. O carro da Williams é interessante. Só que tende a perder performance no decorrer do ano, porque a equipe não tem dinheiro para investir em desenvolvimento.
Piquet-pimpolho foi melhor que Alonso (10º, contra 15º do espanhol) e Hamilton encerrou a sexta-feira em 11º. E ameaçado de ser expulso da F-1 por ter mentido aos comissários na Austrália. O que já seria demais, também. Deixem o menino pilotar.
Bem, sexta é sexta, apenas um dia de treinos livres, que indicam algumas coisas, mas não tudo. E como é dia de treino livre, vou a Interlagos fazer o mesmo agora. Voltamos depois do almoço, ou em edição extraordinária a qualquer momento.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: GP da Malásia 2009, Sepangadas
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