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12/11/2009 - 23:44

O PREÇO DA GUERRA

loanSÃO PAULO (até isso) – Caiu na minha mão sem querer este link, via Twitter, mas me chamou muita a atenção. São cartazes e propagandas de cunho patriótico dos EUA divulgadas durante a Segunda Guerra. No caso das propagandas, talvez publicidade fosse o termo mais correto. Afinal, muita coisa aí saiu em revista e jornal. E pagou-se para isso. A gente está acostumado a ver esses cartazes criados pelos regimes totalitários com exaltações à pátria e ao povo, coisas da URSS e da Alemanha nazista, por exemplo, e o choque é imediato: nos EUA, a guerra, como tudo, era (é) tratada como negócio. “Compre seus bônus de guerra!”, “Invista em nossos soldados!”, “Transforme gordura em pólvora!”, “Os médicos no front fumam Camel!”, gritam os cartazes e as peças publicitárias.

Cada um vê uma guerra como melhor se lhe dá. A mim dá medo. De tudo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
26/10/2009 - 16:17

DICA DO DIA

Bombed_Buildings_2bSÃO PAULO (marcas sempre ficam) – Mariel Moura é quem manda a dica de hoje. Este site mostra nove lugares bombardeados na Segunda Guerra que foram preservados como ficaram. Nada de restaurar, reconstruir, recuperar. Lembranças para que ninguém se esqueça, diz a placa em Oradour-sur-Glane, na França, pequena aldeia que foi inteiramente destruída pelos nazistas e teve todos seus habitantes mortos. Quando terminou a Guerra, passou a ser considerada uma “cidade-mártir”. O carro da foto, um Peugeot, era de um médico que estava em Oradour assistindo um paciente.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Dica do dia Tags: ,
03/09/2009 - 20:49

DICA DO DIA

SÃO PAULO (em silêncio) – É demais, uma das coisas mais lindas que já vi.

Este site, indicado pelo meu amigo Rogério Gonçalves, dono de imobiliária em Deauville, mostra fotos tiradas na Normandia logo depois da chegada das tropas aliadas, em 1944, e os mesmos locais, dos mesmos ângulos, fotografados mais de 60 anos depois do fim da Segunda Guerra.

A ideia pode até não ser original, mas é incrível ver as mesmas casinhas, as mesmas chaminés, as mesmas boulangeries… Já imaginou você morar numa casa dessas e olhar para ela seis décadas atrás, sobrevivente da Guerra?

A reconstrução da Europa é uma das maiores aventuras humanas de que se tem notícia. Outro dia recebi um material parecido de Dresden que me deixou bobo por horas. Se encontrar, posto aqui. Na Alemanha, o trabalho foi ainda mais árduo. Terra arrasada, tudo teve de ser feito de novo.

Bom, o que eu tinha para escrever sobre a Normandia, escrevi anos atrás num textinho despretensioso, que está aqui. Foi quando passamos por lá, em 2004.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Dica do dia Tags: ,
09/07/2009 - 20:23

HISTÓRIAS DE GUERRA

SÃO PAULO (um livro) – É essa moto que fui conhecer de perto hoje. Estava no encontro de clássicas que aconteceu algumas semanas atrás aqui em SP. Uma DKW 350 cc, 1938. A DKW foi a maior fabricante de motocicletas do mundo durante os anos 20 e 30. A matéria que fiz para o “Limite” vai ao ar na semana que vem na ESPN Brasil.

A moto pertence ao advogado Jayme Szyflinger, que gosta muito de DKWs. Tem um Candango, uma Vemaguet e uma Schnellaster, entre outros brinquedinhos preciosos.

Ela veio direto da Segunda Guerra para o Brasil.

Foi assim. O pai de Jayme, judeu austríaco, tabalhava para uma companhia de seguros no final dos anos 30. Foi enviado para o Japão para implantar um sistema de seguros agrícolas, quando Hitler anexou a Áustria. A coisa já estava feia para os judeus na Europa central e ele, como tantos outros, tinha percebido antes da viagem. Por isso, vendeu quase tudo que tinha e transferiu para um banco na Inglaterra.

Batata. Enquanto viajava a trabalho, foi demitido da empresa, por ser judeu. Não voltou para a Áustria. Seguiu para a Inglaterra e, de lá, pegou um navio para a Argentina, onde vivia sua irmã. No navio, conheceu uma italiana, católica. Se apaixonaram. Mas ela ficou no Brasil e ele seguiu para a Buenos Aires, onde encontrou a irmã.

Semanas depois, juntou uns cobres e comprou uma motoneta Puch. Cruzou a fronteira e foi parar em Santa Catarina, onde a moto já estava se desmanchando. Vendeu o que restava lá mesmo e, de carona, chegou a São Paulo, onde encontrou sua namorada italiana. Casaram-se aqui.

O mundo estava em guerra. Numa tarde, em 1942, foi ao Largo do Paysandu, no centro da cidade, onde a embaixada britânica estava recrutando voluntários para lutar na Europa . Austríaco, e portanto fluente em alemão, alistou-se como quinta coluna. Enviaram-no de avião até o Senegal, de onde embarcou num navio para a Inglaterra.

Foi treinado durante semanas e, quando estava pronto, lançado de paraquedas na Alemanha com documentos falsos. Incorporou-se ao exército alemão e foi enviado à frente soviética. Atuou como espião até o fim da guerra, quando, ferido, seu batalhão foi aprisionado pelos americanos. Detido, contou sua história, apanhou bastante, até que conseguiu junto às autoridades militares britânicas, consultadas pelos americanos, comprovar quem era.

Ganhou patente de tenente, depois major, e como oficial britânico deu baixa e decidiu voltar ao Brasil. Antes, porém, quis conhecer os lugares onde seus familiares tinham sido mortos por Hitler. Àquela altura, estava lotado em Bonn. Pediu algo que tivesse rodas e andasse, para sua pequena excursão em busca de pistas dos parentes, e lhe disseram para escolher qualquer coisa num galpão onde estavam apreendidos vários veículos alemães. Quase nada funcionava. A moto DKW funcionou. Pela pintura em tom de areia, provavelmente pertenceu à 21ª Divisão Panzer e foi usada nas operações no norte da África. Não se sabe direito como acabou voltando à Alemanha, indo parar em Bonn.

Com ela, o pai de Jayme rodou a Europa, foi à Áustria, viu o que queria ver, descobriu o que precisava descobrir, e retornou à Alemanha para, então, pegar um vapor de volta ao Brasil e retomar a vida.

No porto de Hannover, encostou a moto, disposto a deixá-la por lá mesmo, e embarcou. “Mas quando estava subindo a rampa”, conta Jayme, seu filho, “achou ter ouvido alguém chamar seu nome. Olhou para trás e não viu nada, só a moto, que parecia pedir para ir junto. Como era oficial britânico, estava uniformizado, pediu para colocarem a moto no navio e colocaram.”

E assim foi. Quando chegou ao porto de Santos, desembarcou a moto, deu a partida e subiu a serra. Horas depois estava diante de casa, no bairro do Bom Retiro, antigo reduto da comunidade judaica em São Paulo. A esposa, quando o viu pela janela, desmaiou. Ela passara anos sem notícia do marido. Uma vez por mês, nesse tempo todo, recolhia o soldo pago pelo governo inglês no centro da cidade e lhe diziam apenas que estava “tudo bem”.

É essa moto que está com Jayme até hoje. Ela carrega ainda um telefone de campanha, cantil, marmita, estojo de primeiros socorros, compartimentos para munição, mapas e documentos, caixa de ferramentas.

E uma linda história sobre seu banco Pagusa de couro preto.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): DKW & cia., ESPN Brasil, Motoland Tags: , ,
30/06/2008 - 18:57

PRECIOSIDADE

SÃO PAULO (inacreditáveis) - Mais um brinde do Nelson Pasini, o grande restaurador de filmes históricos destas bandas. Trata-se de uma corrida em 1943 no Rio Grande do Sul, com carros movidos a… gasogênio!

Eram tempos de guerra, e o uso do carvão foi o que restou para driblar a falta de gasolina. A propósito, se alguém aí da blogaiada puder explicar o princípio de funcionamento dessas coisas, os mais jovens agradecem.

E eu me pergunto: como é que os caras faziam curvas com esses tambores na bunda?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro, Vídeos Tags: , ,
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