SÃO PAULO (e agora, José?) – A Koenigsegg, fabricante de superesportivos da Suécia, desistiu de comprar a SAAB da GM. É uma péssima notícia, porque o fantasma do fechamento volta a rondar a fábrica de Trollhättan. Uma montadora que fez carros como esses aí embaixo não pode acabar assim, sem mais nem menos. A GM que se vire.
SÃO PAULO(de perto) – A gente está acompanhando desde o início, não? Então vamos lá. A última sobre a venda da SAAB pela GM passa pela China. A Koenigsegg estava negociando com um grupo da Noruega para ajudar a financiar a compra, mas acabou arranjando grana com a BAIC chinesa. A notícia está aqui. Os chineses serão minoritários. O importante é que o DNA sueco seja mantido. E será.
SÃO PAULO(coisa boa não acaba) – Pequeno comercial da SAAB encontrado meio ao acaso, depois de ver este outro aqui, enviado pelo Gilbran d’América Mineiro. O primeiro carrinho está lá, guardado, até hoje. Ter um SAAB é uma das coisas de que me orgulho na vida. Das poucas coisas.
SÃO PAULO (que ótimo) – Está no Webmotors. A GM e a Koenigsegg fecharam acordo que vai transferir à pequena montadora de superesportivos suecos todas as ações da SAAB até o fim do ano. Assim, a gloriosa marca que nasceu fazendo aviões antes da Segunda Guerra sobrevive à sanha americana da GM, que nos anos 80 e 90 saiu comprando até fábrica de miniatura e bicicleta. A SAAB foi uma das vítimas e a GM, claro, não soube administrá-la. Chegou a montar carros da marca na Alemanha, e usou a planta de Trollhattan para fazer Cadillacs. Não tinha como dar certo.
SÃO PAULO(tudo rápido) – Para quem não viu na TV, aqui está o link para o vídeo da matéria sobre o SAAB que foi ao ar ontem no “Limite”. Nosso apresentador, John Charles Al Bukerq achou meio longa demais. Gostaria de ouvir a blogaiada/fãs de esporte da ESPN sobre isso. Realmente, matérias com mais de 3 minutos são uma raridade na TV. As minhas têm 8, 10 minutos. É muito?
SÃO PAULO(grande carro) – Um pouco da história do e da SAAB será contada hoje no “Limite” da ESPN Brasil, às 22h. Esse da foto é o protótipo do primeiro carro da marca, de 1947, que daria origem ao modelo fabricado até 1980, primeiro com motor dois cilindros dois tempos, depois três cilindros dois tempos, por fim V4 quatro tempos. Para quem não sabe, a SAAB, com esse bichinho aí, ganhou duas vezes o Rali de Monte Carlo e três vezes o Rali da Grã-Bretanha. Não percam!
SÃO PAULO(ô feriadinho…) - Ueba, boa notícia me mandam os amigos suecos do site que foi criado alguns meses atrás para acompanhar a agonia da SAAB, ameaçada de encerrar suas atividades graças à incompetência da GM, que comprou a marca anos atrás para fazer não se sabe o quê.
A pequena (no tamanho) Koenigsegg, fundada em 1994, que faz superesportivos na Suécia, mandou uma oferta de compra junto com alguns investidores da Noruega. A negociação pode levar alguns meses, mas é alvissareiro saber que, se for vendida, a SAAB ficará nas mãos de empresários do país, que saberão dar o devido valor à história da empresa.
Meu Monte Carlo agradece. Ele estava com medo de ficar órfão.
SÃO PAULO(inscreva-se) – O Sérgio Materazzi me mandou interessante link, de um grupo de SAABmaníacos que resolveu colocar no ar um site cujo único objetivo é salvar a marca sueca da falência, caminho ao qual foi levada pela incompetência da GM. Pelo sim, pelo não, coloquei meu nome na lista.
SÃO PAULO(adorei o título) – O Carlos Miguez, de BH, foi quem mandou a foto. Falamos de SAAB dia desses, já que a montadora está por um fio, sob administração da GM. Esse carro aí embaixo, conta o Miguez, estava sendo restaurado em Trollhattän, pelo pessoal do museu da SAAB. O apelido dele era “Monster”; o ano, 1959. Os caras enfiaram dois motores de 750 cc (dois tempos, três cilindros), acoplaram-nos a uma espécie de diferencial e usaram uma caixa de câmbio longitudinal, na posição normal. “Pelo que sei, tinha 150 hp e chegava a 200 km/h”, conta o blogueiro.
A ideia era usá-lo em ralis. Imagina o que berrava…
SÃO PAULO (morro de pena, mas…) - É de cortar o coração, mas a lendária SAAB declarou insolvência na Suécia e pode fechar as portas logo, logo, se ninguém ajudar. A GM pediu — novidade — ajuda do governo sueco. Que, sinceramente, não sei se deve ajudar. A SAAB nasceu na década de 30 como fabricante de aviões e quando terminou a Segunda Guerra, diz a lenda, seus donos e engenheiros se reuniram e, olhando um para o outro, perguntaram-se: e aí, o que vamos fazer agora? Um dos engenheiros deu a ideia: “Vamos fazer carros!”.
Ainda segundo a lenda, eram, sei lá, 16 reunidos na sala e 14 nem tinham carteira de motorista. E decidiram fazer carros… Não é demais? E em 1947 os carros nasceram em Trollhättan com motorzinho DKW de dois cilindros, depois evoluindo para um três cilindros parecido com os dois tempos alemães (tenho um desses, 1964, lindo de doer), e depois veio o V4 que a Ford pediu para a SAAB testar e foi adotado pelos suecos, e o resto é história. Fizeram carros espetaculares, sempre.
Eu dizia que o resto era história até a ganância chegar, quando a GM, em 1990, comprou metade da SAAB. Dez anos depois, comprou a outra metade e passou a ser proprietária de 100% da companhia.
Nunca entendi por que essas montadoras menores foram se vendendo sem a menor cerimônia ao longo dos anos. Para ganhar mercado? Para entrar nos EUA? Por que não se contentar com mercados menores, produção mais contida, qualidade e tradição?
Bem, a partir daí, os pequenos Trolls, os gnomos das florestas de Trollhättan que, todos sabem, faziam os queridos SAABs, começaram a ter de fabricar Cadillacs para o mercado europeu, as fábricas da Opel na Alemanha passaram a produzir SAABs, que também saíam de outras unidades em Ohio, e virou uma zona dos diabos.
Não tem como dar certo, lamento. Uma história linda de uma marca adorada mundo afora não pode ser tratada assim, como fábrica de salsicha. A GM tem demonstrado, nos últimos anos, uma incompetência crônica para administrar o monte de marcas que foi comprando por aí, como se estivesse num supermercado. É um desastre de gestão, e só vai sobreviver se Barack Obama abrir o bolso para salvá-la.
Eu, se fosse a rainha da Suécia, tomava a fábrica de volta e devolveria tudo à administração dos Trolls, como a fantástica fábrica de chocolate Wonka. Mas jamais emprestaria dinheiro à GM.
SÃO PAULO(mais estrada, de Lada) – A GM, que se encontra em situação financeira pavorosa, colocou a SAAB para vender. Não apareceu comprador. A Ford também está tentando se livrar da Volvo. Não consegue. O link com a notícia foi enviado pelo blogueiro Rodrigo Romy Zeta.
O presidente da Fiat, acho que foi ele, disse outro dia que em alguns anos serão seis as montadoras sobreviventes no mundo. Elas serão donas de todas as outras, enormes grupos, incontroláveis. Isso já acontece, mais ou menos. Veja este gráfico aqui. Só que agora as grandonas estão tentando se desfazer daquilo que compraram vorazmente nos últimos anos…
E eu me pergunto: por que foram comprando tanto assim? E por que as “pequenas”, como SAAB e Volvo, se venderam por qualquer mil réis? Todas (Jaguar, Lamborghini, Mini, Nissan, Maserati, Mazda, Lancia…) sempre fizeram ótimos produtos, sempre tiveram mercado. Em nichos limitados, às vezes, mas produziam, vendiam, viviam felizes.
O problema do mundo é que todo mundo quer ser enorme. Aí não aguenta carregar o peso, desaba e não levanta mais.
Ainda bem que meu SAAB, parecido com um desses aí, eu já garanti.
CAXAMBU(esse está de férias) – Já que estou num fim de semana totalmente dois tempos, convoco nossos blogueiros da Suécia (será que tem algum?) para irem às bancas atrás da última edição da “Klassiker”. É que um cabra da dita cuja esteve aqui uns meses atrás e resolveu fazer uma matéria sobre SAABs no Brasil. O Valter Prieto, dono desse 900 lindo de morrer da foto, foi quem armou tudo.
SÃO PAULO (precisa gostar) – Jackie Della Barba dá a dica do dia hoje. A história da restauração deste SAAB 1977, modelo 99, um clássico dos anos 70 derivado do primeiro modelo feito pela montadora sueca ainda no final da década de 40. O carro é o máximo. E os caras fizeram um baita trabalho, para colocá-lo em seu habitat natural: a terra.
SÃO PAULO(modelo e número) – Pelo que veio na legenda, essa foto foi tirada em Nova York no ano passado. O SAAB é 96 em tudo. Carrinho interessante, esse aí.
SÃO PAULO(tudo se copia; quando não, se parece) – Antes de ir embora, recebi este e-mail agora do amigo Celso Santoro, um pouquinho da história de um carro lindo, o SAAB Sonett II. A curiosidade é que ele é da época da criação dos Malzoni, que deram origem ao Puma. E o motor era praticamente o mesmo, já que a Saab chegou a fazer carros com motores de três cilindros, dois tempos.
Vejam nas fotos as semelhanças, especialmente no vidro traseiro — fora o conceito, claro, que é o mesmo.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.