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18/08/2008 - 11:58

OS FUTEBÓIS

PEQUIM (mais uma) – As meninas do Brasil passaram como um trator sobre as alemãs no futebol, 4 a 1, garantindo mais uma medalha para o país. Pegam na decisão os EUA, que atropelaram as frágeis (e feiosas) japonesas, 4 a 2. Na verdade, dizem os especialistas, a final antecipada, como eles adoram dizer, foi esse Brasil x Alemanha. A goleira loirona não levava um gol desde a Copa do Mundo, no ano passado! E tomou quatro hoje.

Pelo que vi até agora, as brasileiras são favoritas na decisão. Assisti a muitas partidas, embora não goste muito de ver mulher jogando bola. Acho que não há nenhum time taticamente acertado, com estilo claro de jogo, como acontece entre os homens. Futebol de mulheres é meio na correria, e por isso mesmo a habilidade ajuda muito. Isso as brasileiras têm, é só ver a Marta em campo, um espetáculo. São parecidas com os homens, em algumas coisas. Fazem embaixadinha e tiram um sambinha no vestiário. Vi isso lá em Tianjin. Achei meio esquisito, prefiro ver mulher sambando, não tocando pandeiro. Enfim…

Vocês vão ouvir até o dia da final, na nossa gloriosa imprensa verde-amarela, em comentários e entrevistas, que agora é a chance de o Brasil se vingar dos EUA, é a grande revanche de 2004, vamos devolver aquela derrota, vamos lá, Brasil!!!!! É porque em Atenas as americanas ganharam o ouro em cima das brasileiras e até hoje ecoam reclamações contra a arbitragem.

Sinceramente, não lembro. Não sou bom de lembrar essas coisas. Lembro só das vezes em que roubaram a Portuguesa. Dessas eu lembro todas.

Bom, as meninas vão ganhar uma medalha e isso é ótimo, porque elas merecem. Todo mundo merece ganhar medalha.

Até o time do Dunga, que chegou por aqui e amanhã pega a Argentina, em outra “final antecipada”. Jogão, no Estádio dos Trabalhadores, estaremos lá, ao vivo e a cores. Ronaldinho x Messi. Está de bom tamanho, não? Ronaldinho, aliás, está sofrendo na Vila Olímpica, onde a seleção acertadamente se hospedou em Pequim, descartando os hotéis luxuosos onde em geral os jogadores ficam — é preciso entrar no clima dos Jogos, e nas outras sedes isso não existe. Me contou o brother Arnaldo Ribeiro, da ESPN Brasil e de “Placar”, que o dentuço não consegue ir nem ao bandejão. Tietagem geral de atletas do mundo todo, querendo autógrafos e tirar uma foto.

É isso aí. Pensa que é fácil ser famoso?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
07/08/2008 - 01:08

“O MELHOR DA VOLTA É VOLTAR”

PEQUIM (daqui a pouco) – A seleção olímpica dúnguica estréia hoje contra a Bélgica em Shenyang às 17h daqui, 6h da madruga aí no Brasil. Não há olhos para mais nada nesse time, só para Ronaldinho Gaúcho. Que ninguém se iluda: mais importante do que a inédita medalha de ouro é a recuperação do rapaz dentuço que há dois anos era um novo Pelé e hoje não passa de um futuro Garrincha em fim de carreira.

Não haverá comoção nenhuma se o Brasil sair daqui sem medalha. Olimpicamente falando, já estamos acostumados aos fracassos. Já aconteceu antes, e ninguém chorou por isso. Seleção olímpica nunca foi levada muito a sério pelos dirigentes brasileiros, nem pelos jogadores, nem pelos torcedores, e essa não é muito diferente. A preparação, como sempre, foi ridícula, embora haja uma razoável chance de vitória porque o time não é ruim.

Mas Ronaldinho é tudo que importa a partir de hoje, porque ninguém consegue compreender por quê, de um dia para o outro, ele parou de jogar. Não de jogar bem; de jogar, mesmo. Contusões mal-explicadas, boatos sobre problemas médicos graves, saída pelos fundos do Barcelona, que só não pode reclamar de prejuízo porque nos anos em que ele esteve lá o clube ganhou títulos e muito dinheiro… Tudo é um enigma na vida recente desse rapaz que mantém a timidez e o olhar perdido no chão quando conversa com a imprensa e quando fala com os outros.

Ontem, na última entrevista antes do jogo, Ronaldinho disse que “o melhor da volta é voltar”. Verdade. Voltar a jogar bola, com alegria e picardia, como sempre fez. No último amistoso, contra o Vietnã (teste duríssimo), em dois lances com Alexandre Pato Ronaldinho deu a impressão de que não esqueceu como se faz. A torcida do Milan gostou.

A recuperação do astro, pois, é tudo que importa a partir de hoje. O ouro, se vier, será o ouro de Ronaldinho. Uma eventual vitória brasileira será tratada como a redenção do dentuço. Uma eventual derrota não será tragédia nenhuma, mas se ele não jogar nada, será. O Milan vai se arrepender. O Brasil não vai mais acreditar na sua volta.

Em resumo, o torneio olímpico, para quem ninguém dá muita bola (sejamos honestos: o são-paulino hoje está muito mais preocupado com a derrota para o Fluminense e eu, com a Portuguesa que só perde), vai servir para recolocar Ronaldinho no futebol.

Ou acabar com ele de vez.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:
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