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29/09/2009 - 06:15

FRACA (2)

PARIS (longe, o 2D) – Bonjour, macacada. O blog ficou meio abandonado ontem por conta de um breve voo, mas a primeira parte está cumprida e aproveitei a pausa para ler todos os comentários sobre a entrevista de Piquet-pai a Reginaldo Leme.

Ontem, antes de sair, assisti à íntegra no GloboEsporte.com. Sim, ficou claro que o problema maior do que foi ao ar no “Fantástico” foi a edição desastrosa. Por isso pareceu tão ruim a entrevista. Só escolheram trechos desimportantes e confusos. O problema é que Piquet não chorou, tirando as referências dos editores do programa. Se tivesse chorado, seria fácil: fecha no rosto, nos olhos vermelhos, nas rugas, gran finale, volta para o apresentador com ar contrito, padrão Globo.

Bem, algumas das perguntas a que me referi abaixo foram feitas e, mesmo sem ter sido muito incisivo, o Regi conseguiu tirar de Piquet — ao menos entendi assim — que se Nelsinho não fosse demitido, o caso que ele chama de “crime” teria caído no esquecimento familiar e seria varrido para baixo do tapete da sala.

O ponto que dei a Nelson-pai por ter procurado a FIA no fim do ano passado, pois, retiro agora.

Seu discurso é muito contraditório. Odes à FIA, à preocupação com a lisura e a honestidade, alívio por ajudar a melhorar o automobilismo, elogios à pureza da F-1, tudo certo, tudo legal. Mas só porque o filho perdeu o lugar. Se o contrato com a Renault tivesse sido mantido, ninguém saberia de nada. E aí não haveria lisura, preocupação em melhorar o automobilismo, pureza, picas.

Muito raso, o raciocínio.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
28/09/2009 - 07:24

FRACA

SÃO PAULO (e a mala?) – Reginaldo Leme deu o furo mundial, escolhido que foi — por sua história, competência, seriedade — por Nelson Piquet para revelar que a FIA estava investigando o escândalo que ele, Piquet-pai, decidiu encaminhar às autoridades competentes. Ontem à noite, a Globo levou ao ar no “Fantástico” a entrevista que Regi fez com o tricampeão do mundo.

Fraca, muito fraca.

Não sei se Piquet impôs (tem acento, isso?) condições, coisas como “não pergunta isso que eu não respondo”. Mas faltou apertar o homem. Não como num interrogatório, porque nós jornalistas não somos paladinos da justiça ou coisa que o valha. Mas somos curiosos. A grande pergunta não foi feita: se Nelsinho não tivesse sido demitido, o escândalo seria varrido para baixo do tapete?

Piquet diz (já se sabia) que procurou a FIA durante o GP do Brasil, tão logo soube da batida proposital. Mas ficou tudo meio no ar. A FIA não acreditou? Pediu que Nelsinho desse um depoimento? Abriu investigação? Pelo jeito, nada disso. E Nelsão se calou para, como disse, “proteger o filho”. Depois, com o contrato rompido, atirou tudo ao ventilador.

Faltou, também, uma menção ao tal relacionamento que Briatore insinuou haver entre Piquet-pimpolho e “um homem mais velho”. Quem é o cara, afinal? É verdade que Nelson-pai quis afastá-lo do filho? Por quê? Era alguém prejudicial a sua carreira? Nelsinho foi mesmo morar no mesmo prédio de seu empresário?

No fim, o que se viu foi um Piquet soltando, aqui e ali, frases indignadas sobre o que aconteceu: ”crime”, “eu não faria”, “se ele tivesse falado comigo antes, não faria de jeito nenhum”, “Senna e Prost fizeram o mesmo” e por aí vai.

Nada contra um pai defender o filho, perdoá-lo, sofrer por ele. Mas acobertar não é bem o que se deve fazer nessas situações, e no fim das contas foi o que Piquet-pai fez, depois que o contrato com a Renault foi renovado no fim do ano passado.

Faltou também falar sobre o futuro. E agora? Nelsinho tem lugar na F-1? Você, como chefe de equipe, contrataria um piloto que fez isso? Qual o caminho a seguir a partir de agora?

paiefilho

Notei um Piquet envelhecido, com o rosto marcado pela mágoa que, certamente, está sentindo. Afinal, investiu tempo, dinheiro, esforço, dedicação e carinho na carreira do filho, que pode ter ido por água abaixo por conta de decisões erradas — uma delas de sua responsabilidade, a de vincular o garoto a uma cascavel como Briatore, sabendo direitinho de quem se tratava.

Gosto muito de Nelson-pai. Convivi razoavelmente com ele nos seus últimos quatro anos de F-1, de 1988 a 1991, sempre admirei sua história e seus feitos na pista, sempre o achei uma figura muito interessante fora dela. Não sei se esse caso todo vai mudar demais a imagem que as pessoas em geral têm dele — seus fãs mais encarniçados, seus críticos ferozes, os “sennistas” (sim, isso existe) e por aí vai. Sei, apenas, que tem muita coisa errada nisso tudo, todos agiram de forma condenável, e usar vingança como motivação para denunciar algo tão sério não é algo que eu faria.

Poderia, até, acobertar a cagada de meu filho assim que dela soubesse. É compreensível, por parte de um pai. Trata-se de defender a cria. E, felizmente, ninguém morreu, ninguém se feriu. Tudo se transformou “só” num crime moral e ético. Mas jamais permitiria que ele ficasse sob o mesmo teto, sob as ordens de pessoas que considerasse desprezíveis. O que Piquet fez, com seu silêncio, foi, ao descobrir que seu filhote estava numa jaula ocupada por hienas famintas, atirar a elas uns nacos de carne e esperar, ingenuamente, que nunca mais ficassem com fome. Deixou o menino num ambiente contamidado. E isso um bom pai não deveria fazer. Piquet agiu como pai protetor ao não escancarar a denúncia, mas como um frio homem de negócios ao guardá-la numa gaveta para usar quando fosse preciso.

Que reflita sobre o que fez. Não há santos nessa história, isso já se disse, e Piquet-pai se encaixa na turma que, se houvesse um Céu, teria de parar no meio do caminho por uns tempos antes de receber a credencial permanente.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
24/09/2009 - 18:42

NELSÃO FALOU

SÃO PAULO (el furón) – E falou a Reginaldo Leme, que está lavando a égua este ano. Com todos os méritos, claro. A entrevista, já gravada há alguns dias, será levada ao ar no “Fantástico” deste domingo. Entre outras coisas, Piquet-pai disse que prefere perder a trapacear, e que não resolveu contar tudo só depois da demissão de Nelsinho. Revelou a falcatrua à FIA já no fim de semana do GP do Brasil do ano passado.

Ponto, enorme ponto para Nelson Piquet. Não se calou, pelo menos no primeiro momento.

Ah, e por que a coisa só veio à tona depois da demissão do filho? Porque a FIA precisava pelo menos de alguém envolvido dizendo o que tinha acontecido. E Nelsinho, pelo que estou entendendo, só resolveu falar depois de perder o emprego. Forçado pelo pai.

A tendência natural seria, agora, retirar todas as críticas que fiz, e muita gente faz, a Piquet-pai. Mas não vou retirar, não. Ter entregue o caso à FIA e ficar quieto depois não é a atitude mais louvável. Continuo achando que se Nelsinho não perdesse o emprego, essa história toda seria varrida para debaixo do tapete da família. Piquet pode até ter restrições ao que o pimpolho fez. Dizem até que ficou dois meses sem falar com ele. Mas, como pai, não podia permitir que o filho ficasse na mesma equipe, muito menos negociar o silêncio em troca do emprego.

Resumindo, a indignação de Piquet é digna de elogios. Mas ter empurrado o caso com a barriga, não. Era o caso de, depois da negativa da FIA de investigar a denúncia, chamar o menino, conversar com ele e tornar tudo público. Ao contrário, tudo indica que ele usou o fato para que Nelsinho ficasse na Renault. A isso se chama de conivência.

No fim das contas, a motivação para fazer o filhote abrir o bico foi vingança pura e simples. E a FIA também pecou feio. Ao receber uma denúncia desse porte, teria de abrir as investigações imediatamente. E preferiu esperar que o caso morresse, ou usá-lo como munição quando fosse conveniente.

O comportamento de todos foi bem feinho nesse episódio.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
11/05/2009 - 19:55

DESAFIO DO DIA

SÃO PAULO (canja merecida) – Cliquem nas miniaturas das fotos acima para ver um pouco do automobilismo brasileiro nos anos 80. O palco da maior parte das fotos é Jacarepaguá. Uma delas é bárbara: Reginaldo Leme, de bonezinho da Alfa Romeo, entrevistando o piloto do Fusca que aparece em destaque nas demais imagens. Já imaginaram um repórter da Globo, hoje, com boné de uma marca de carro? Outros tempos…

O Regi está na Europa e espero que veja as fotos para, ele também, contar um pouquinho aqui sobre aquela vida pelos autódromos de quase três décadas atrás.

Quanto ao piloto, vamos ver se a matusaiada, que anda calada, acerta.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Enigmas & desafios Tags: ,
19/12/2008 - 13:50

COLUNA 1

SÃO PAULO (já volto) – A coluna Grand Prix do Reginaldo Leme está no ar. Leia lá, comente aqui! Daqui a pouco coloco a minha, também. Mas hoje o blog estará intermitente. Fim de ano, sabe como é…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags:
14/11/2008 - 09:35

REGI NA ÁREA

SÃO PAULO (dinamômetro amanhã, será que vai?) – Bom dia, macacada. Está no ar a coluna do Reginaldo Leme no Grande Prêmio, fazendo rasgados elogios aos pilotos brasileiros que correm na Estoque. Regi já tinha falado sobre isso na última transmissão, que eles estão entre os melhores do mundo. Discordo visceralmente, acho que qualquer um guia aquelas carroças, mas, como se diz, democracia é isso: confronto de opiniões e discussões saudáveis.

E nem sempre as opiniões são conflituosas. No fim do texto, Regi expressa sua preocupação com o fim das categorias de base no Brasil, algo que incomoda todos que gostam de automobilismo por aqui.

Pois leiam tudo lá, e depois comentem aqui!

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags:
01/08/2008 - 14:39

LEME NO BLOG

SÃO PAULO (todas as sextas) – Alguns me perguntam de vez em quando por que não coloco aqui, para seus comentários, a coluna do Reginaldo Leme que o Grande Prêmio publica todas as sextas. Alguns acham que não me dou com ele! Nada disso, macacada. Como não é uma coluna exclusiva do meu site, porque sai no “Estadão” e em alguns outros jornais do país, sinto-me pouco à vontade para atirar meu guru aos leões num espaço que é ligado às minhas maluquices e às coisas do Grande Prêmio.

Mas também não há impedimento algum. Então, a partir de hoje, coluna do Regi aqui, todas as sextas, para vocês comentarem. Comecem com a de hoje.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags:
20/02/2006 - 14:27

Reginaldo recebe

SÃO PAULO (14 anos, já) – Depois de amanhã, 22, tem noite de autógrafos do Reginaldo Leme no Espaço Siciliano para lançar o 14º anuário AutoMotor Esporte. Eu estou nessa brincadeira com o Regi desde 1992, e é um dos meus poucos orgulhos profissionais. Hoje escrevo só a parte de F-1, mas nos tempos de vacas magras, fazia até corrida de gaiola.

Agora a equipe é grande e de grife, com Rodrigo França, Tiago Mendonça, Luís Fernando “Ico” Ramos, Luiz Vicente Miranda Apa, Miguel Costa Jr., Roberto Miranda Avilla, fora todo o resto do time de produção e fotografia.

Estarei lá para dar meu abraço ao decano de todos nós. Endereço: Av. Dr. Cardoso de Melo, 630, Vila Olímpia, em São Paulo. O telefone é (11) 3842-3918. Apareçam!

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Literatura Tags: ,
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