SÃO PAULO(deixa disso) – Ai, ai, ai. Todo ano é a mesma coisa. Nos seus boletins e comunicados de imprensa, a Red Bull dá uma sacaneada básica no país e/ou cidade que recebe a próxima etapa da F-1. Nesta semana, hoje, acho, foi ao ar o textinho sobre São Paulo. Acho que foi hoje, mesmo, porque estou recebendo toneladas e-mails de gente irada, indignada, irritada com a Red Bull, propondo até boicote às latinhas.
Ora, deixem de bobagem. Primeiro, porque não tem mentira alguma no que está escrito. Pode ser meio grosseiro, mas e daí? A Red Bull é grosseira com os outros países, também, e a gente dá risada. A questão toda é a seguinte: se a gente pode falar mal do Brasil, estrangeiro também pode. Se a gente não quer que estrangeiro fale mal do Brasil, a gente que trate de melhorar o Brasil.
E se o máximo de patriotismo que você consegue exercer é boicotar a Red Bull porque um textinho tira onda do Brasil, é porque não tem a menor ideia do que seja ser patriota.
SÃO PAULO(que sol lindo…) – Na contramão das outras montadoras, que ou já se pirulitaram ou estão prestes a fazê-lo, a Mercedes vê na F-1 um bom negócio para ganhar dinheiro e prestígio. Sócia da McLaren, fatura algum com a existência do time graças a bons contratos de publicidade, como com a Mobil, o Santander e a Vodafone. Vende seus motores à Force India. E os cede à Brawn meio na camaradagem, olhando lá na frente. E lá na frente significa comprar parte do time marca-texto, como informa hoje a imprensa inglesa.
A F-1 se tornou um bom negócio para quem vende motores, mesmo que a custo não muito alto, porque a limitação de seu uso acabou com aquela farra de fazer 200 unidades por ano. A necessidade levava os custos às alturas para quem era parceiro/fornecedor, e não vendedor. Agora, são oito por carro, e ponto final. O gasto maior fica resumido às revisões e à manutenção.
A Brawn pode ser um negócio de ocasião. Não custa muito e é promissora. O repasse de motores à Red Bull, outro. Entre outras coisas, para fisgar o alemãozinho Sebastian Vettel. Sem a BMW pela frente como concorrente local, a Mercedes pretende estender seus braços pela categoria.
É uma outra visão da crise. O outro lado. Aquele de quem aproveita para crescer.
SÃO PAULO(au revoir) – Depois de ler as declarações de Helmut Marko aqui, acho que não há mais dúvidas… A Red Bull já deve ter fechado com a Mercedes e a Renault vai ter mesmo de se contentar em fornecer motores para a Williams.
Aliás, palmas para os motores Mercedes neste ano. Não quebram. E olha que no passado eles viviam soltando fumaça por aí.
SÃO PAULO (gostei) - Red Bull e Williams vetaram teste de Schumacher com a F60. Assim, o alemão vai para a corrida de Valência como Alguersuari foi para a Hungria: virgem no carro. Acho certo. É verdade que a saída de Massa se dá por motivo de força maior, mas também é verdade que a Ferrari não precisaria escolher um piloto aposentado há quase três anos para substituí-lo. O que vale para um deve valer para todos.
Vai dificultar um pouco as coisas para Michael, mas não acho que vai mudar muita coisa, de qualquer forma. O teste seria mais útil para a Ferrari do que para ele…
SÃO PAULO(preparem-se, marca-textos!) – A segunda coluna do dia é a do Reginaldo Leme, que coloca em dúvida as chances de a Brawn ser campeã diante do crescimento da Red Bull. Aqui, ó.
SÃO PAULO (AUS-AUT) – A dupla de hinos Austrália/Áustria nunca havia sido executada num pódio na F-1. Um australiano não vencia um GP desde Las Vegas/1981 com Alan Jones. Mark Webber tornou-se o vencedor que mais demorou para chegar lá, 130 corridas, superando as 125 que Rubens Barichello levou até a primeira vitória, na mesma Alemanha em 2000 — só que em Hockenheim.
Mark cometeu um erro que poderia ser trágico na largada, jogando o carro para cima do brasileiro e recebendo uma justa punição por isso. Mas o único carro que poderia ameaçá-lo nesta prova, o de Sebastian Vettel, estava bem atrás quando ele pagou o drive-through. Vettel, a exemplo de Barrichello, fez uma corrida ruim quando teve de passar alguém. Ficou empacado atrás de Massa, “el gran segurador”, e perdeu a chance de lutar pela vitória. Foi buscar o segundo lugar, que era o máximo que conseguiria.
Webber é um sujeito que não goza de grande popularidade, nem simpatia de todos os pilotos. Perguntem a Antonio Pizzonia, por exemplo, o que acha dele. Mas não é má pessoa. Ao contrário, exibe caráter altruísta e firme, lidera a GPDA, tem voz ativa. Só não distribui sorrisos e tapinhas nas costas por aí. Mas é um trabalhador, e a equipe soube demonstrar sua gratidão a ele na festa nos boxes.
Nesta temporada, o australiano tem sido muito regular. Faltava uma vitória. Não falta mais. Vai brigar pelo título. Aliás, se tinha alguém torcendo pelo “aussie” hoje era Button. Com Webber na luta, a Red Bull tende a dividir pontos entre ele e Vettel. Assim, Jenson pode dar uma respirada. Porque, neste momento, a equipe rubrotaurina é exatamente o que era o time marcatêxtico nas primeiras corridas do ano.
Será uma segunda metade de temporada bem interessante.
SÃO PAULO(e o dia é curto…) - É tanta papagaiada fora da pista, que a gente acaba esquecendo o que acontece dentro. Bem, reparem nas duas fotos deste glorioso post. A primeira mostra Mark Webber na última corrida, na Turquia. A outra é de Sebastian Vettel hoje, em Silverstone.
A Red Bull mudou radicalmente seu bico, que era dos mais finos, delgados e elegantes, quase um sapato de gafieira, por um nariz achatado e avantajado. Qualquer semelhança com o bico da Brawn, claro, não é coincidência. E andou pacas.
A isso se chama criatividade, inteligência, Adrian Newey. Esse bico aí não deve ter custado nenhum milhão de dólares. Mete o desenho no computador, ou o próprio no túnel de vento, e vê o que dá. Nesse caso, deu muito certo. Os dois pilotos, claro, aprovaram.
Os treinos de hoje deram, como já dito, poucas pistas para amanhã, exceto que os tourinhos são favoritos às primeiras posições do grid. Vamos arriscar: Vettel na pole, pronto. Mas a Brawn vai encostar. A Brawn se finge de morta na sexta para empurrar o coveiro no sábado, sacou?
Ah, Gola Profonda ainda não telefonou. Deve estar em algum pub.
SÃO PAULO(tenho que mandar as camisetas!!!) – Mais uma foto secretíssima acaba de pingar na minha caixa postal. Ainda os projetos das equipes para 2010. Minha fonte, pelo jeito, conseguiu todos.
Não se espere grande coisa da Red Bull no ano que vem. Adrian Newey estava cansado quando terminou o desenho do novo Toro Rosso e rabiscou qualquer coisa para a matriz. Sinal, mais um, de que as latinhas estão cada vez mais próximas do futebol. Eu bem que avisei.
O novo Red Bull é de uma simplicidade desconcertante. Como maior novidade, os pneus de perfil baixo, mais duros, que permitirão aos seus pilotos disputarem as corridas sem nenhum pit stop. Não tem KERS. Não tem farol. Não tem calota. Não tem nenhuma manha aerodinâmica visível, exceto os defletores laterais que vão do bico até o fim do… do cofre, digamos.
Partida na manivela. Motor exposto para facilitar o trabalho dos mecânicos (”eles vão ter só dois mecânicos”, me garantiu a fonte). Rodas estreitas para reduzir o arrasto. É o que dá para dizer por enquanto. Mas é by Newey. Então, melhor esperar. Quando for para a pista a gente fala mais.
SÃO PAULO(sinais) – OK, a Red Bull tem presença forte na F-1. É a única dona de duas equipes, vem ganhando corrida, pole, fazendo bonito. Mas não se espantem se a marca largar o barco de uma hora para outra. Os investimentos de Didi Mateschitz no futebol são cada vez mais fortes. Ele já comprou um time em Nova York, outro em Salzburgo, montou uma equipe em São Paulo e, agora, fechou a compra de mais um clube em Leipzig, uma das maiores cidades da antiga Alemanha Oriental e da Saxônia.
Mais: já fechou a reserva do Zentral Stadion, que foi feito para a Copa do Mundo de 2006 e é subutilizado, porque apesar do tamanho e da importância, Leipzig não tem um time decente desde a queda do Muro, quando o Lokomotiv foi para o vinagre.
É grana forte, investimento na casa de 100 milhões de euros (dois tetos do Max, e ainda sobra um troco) para sair da quinta divisão alemã para chegar à Bundesliga em pouco tempo. Como se vê, Didi anda apaixonado pela bola. Mais do que pela gasolina.
Falando em Leipzig, sabiam que tenho negócios lá? Quem os administra é Peter Von Wartburg, um nobre de ascendência prussiana que nasceu no Brasil meio por acaso e torce para o América de Minas.
SÃO PAULO(até quando pode entregar o IR?) - Post deste blog escrito depois do GP da China acabou dando origem à coluna Warm Up de hoje, que está no ar. A maioria já comentou. Em todo caso, está aí de novo.
RIO DE JANEIRO (a Urca é o melhor bairro do mundo) – Bom dia, macacada. “Às nove da noite?” Bem, em algum lugar deste mundo cheio de fusos horários, deve ser bom dia. Mas se você está lendo isso à noite, OK, boa noite.
Estou dando uma lida nos assuntos. O primeiro que merece algum comentário é essa presepada dos organizadores do GP da China (que não necessariamente são chineses) de errar o hino da equipe vencedora no pódio. O time é registrado com uma licença austríaca, terra da Red Bull e de seu dono, Didi. Mas a fábrica fica na Inglaterra, os motores são franceses, os pneus são japoneses, e os pilotos, da Alemanha e da Austrália. F-1 é assim mesmo, globalizada.
É melhor os promotores das próximas corridas ficarem atentos, porque desconfio que esse time da latinha vai ganhar mais GPs neste ano.
Sobre hinos e nacionalidades das equipes, valem algumas observações. Atualmente, apenas três correm sob bandeira inglesa, McLaren, Williams e Brawn GP, embora outras três tenham fábricas na Inglaterra, mas apresentem registros de outras nacionalidades — Force India (Índia), Red Bull (Áustria) e Renault (França). A Toyota mantém suas operações de F-1 em Colônia, na Alemanha, mas é registrada como japonesa, evidentemente.
A BMW Sauber, que continua instalada na fábrica da antiga Sauber na Suíça, corre sob bandeira alemã. E o hino da Itália toca nas vitórias da Ferrari e da Toro Rosso, que ainda ocupa a fábrica original da Minardi, apesar de ser propriedade da austríaca Red Bull. São sete países, portanto, representados no Mundial de Construtores: Inglaterra, Japão, Itália, França, Alemanha, Áustria e Índia.
RIO DE JANEIRO(e ponto final) - Foi ótimo o que aconteceu na China no fim de semana. A Red Bull provou que a gritaria contra os difusores da Brawn, da Toyota e da Williams não passa de histeria de maus perdedores. No seco, Vettel fez a pole e Alonso ficou em segundo no grid. Na chuva, os dois pilotos da Red Bull chegaram à frente da dupla da Brawn, que assustou todo mundo na Austrália e na Malásia.
Ou seja (como diria Luciano Burti): os carros da Brawn não são imbatíveis. E não são apenas os difusores mágicos que determinam seu bom desempenho. Há muito mais debaixo daquela carenagem branca do que orifícios no assoalho e um túnel de dois andares no rabo. A Red Bull não os utiliza e andou na frente de ambos. A Renault enfiou um difusor genérico no carro de Alonso e já foi o bastante para que ele deixasse a dupla BB para trás na classificação.
A história de que o campeonato já acabou “se não fizerem alguma coisa” contra os difusores, discurso adotado enfaticamente por Felipe Massa e pela Ferrari desde Melbourne, não passa de uma falácia. Em 2002 e 2004, anos de domínio absoluto do time de Maranello, ninguém ficava choramingando pelos cantos. Admitia-se, pura e simplesmente, a superioridade de um time muito bem azeitado, que tinha comando, pessoal técnico competente e um piloto excepcional. O massacre era encarado com naturalidade e resignação. Quem quisesse deter a turma de Schumacher & cia. limitada que trabalhasse.
Aliás, por que a Ferrari podia massacrar todo mundo, como a McLaren e a Williams também fizeram em passado recente, e uma Brawn GP não pode? Só porque é estreante, pequena, surpreendente? Conversa fiada. A Red Bull derrubou seu muro das lamentações e foi à luta. Interpretou o regulamento de outro modo, chegou a contestar os difusores brawnianos, mas parou de reclamar. A discussão sobre essa pequena peça — ou mais do que isso, desse princípio aerodinâmico aplicado por três das dez equipes — não pode encobrir o conceito de meritocracia que, felizmente, está se sobrepondo à questão econômica numa F-1 que quase sempre foi muito mais generosa com quem tinha mais dinheiro para gastar.
Os difusores da Brawn não têm culpa se o KERS de Raikkonen pega fogo, ou se o motor de Massa se autodesliga, ou se Nelsinho não guia nada, ou se Kubica e Heidfeld andam emburrados pelo paddock porque não sabem se usam o KERS ou um saco de arroz como lastro. São, bem mais do que uma revolução técnica — longe disso, sua concepção é até bastante simples e óbvia —, a maior desculpa esfarrapada que as ex-grandes já encontraram para explicar seus fracassos.
SÃO PAULO (pelo jeito…) – Quando eu trabalhava numa outra rádio, tínhamos um âncora do jornal da hora do almoço, também narrador, que me fazia rir todos os dias. O repórter entrava com o noticiário do time tal, e quando voltava ao seu comando, ele devia fazer um comentário e tocar o programa. E assim era. O sujeito falava direto do Parque Antarctica, mandava as notícias do Palestra, chamava o estúdio e nosso âncora: “O Palmeiras, hein? Hummmm…. Sei não… Esse Palmeiras, esse Palmeiras… Bem, vamos agora ao Tricolor paulista, fulano direto do Morumbi”!. Chamava o repórter, que contava o dia do São Paulo, voltava para o âncora, e ele: “E o São Paulo, hein? Hummmm…. Sei não… Esse São Paulo… Não tô sentindo firmeza! Bem, vamos agora ao Parque São Jorge, com as últimas do Timão!”. E assim era, para qualquer time, para qualquer assunto, o mesmíssimo comentário, cheio de “hummm” e “si não”. Valia também para a F-1. “Esse Rubinho, hein? Hummmm… Sei não!”, quando eu mandava meus despachos de algum lugar do mundo.
Lembrei dele ao ler o relato que a McLaren mandou hoje, descrevendo seu dia de trabalho em Barcelona. Kovalainen ficou em último. O texto informa que, na parte da tarde, a equipe trocou a asa dianteira, o assoalho e a carenagem. Continuou em último. Já imaginou se os prateados começarem a andar atrás de Force India e Brawn GP?
Essa McLaren, hein? Hummmm… Sei não.
E a Red Bull, já andando atrás da Toro Rosso? Hummmm… Sei não também.
SÃO PAULO(agora, com foto) – O lindo carro da Red Bull, da lavra de Adrian Newey, é tema da coluna Warm Up de hoje, que aposta (mais do que isso, torce) que a máquina poderá surpreender e entrar na curta lista de candidatos a vitórias em 2009. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO (ah, a informática…) – Estou com problemas para postar fotos desde ontem, daí a relativa inatividade deste modesto blog. Mas não devemos nos curvar às intempéries, não é mesmo? Cliquem aqui para conhecer o novo carro da Red Bull, apresentado hoje em Jerez. Da lavra de Adrian Newey, não é muito parecido com os outros. Para dizer a verdade, é bem diferente, com o bico bem fino, parecendo sapato de malandro.
Aliás, é nos bicos que os carros de 2009 se diferenciam, ao contrário do que se imaginava — que seriam todos muito parecidos.
SÃO PAULO (isso funciona) - Sensacional a animação que a Red Bull já colocou no ar em seu site, antecipando o lançamento do RB5, que acontece segunda em Jerez. Mostra as diferenças entre os carros de 2008 e 2009 e indica, graficamente, como funciona o KERS. Se não dá para fazer festa, que se faça algo legal na internet. Foi a opção da equipe.
SÃO PAULO(haja latinha) – A Red Bull anunciou hoje que recomprou os 50% da Toro Rosso que estavam em poder de Gerhard Berger. A equipe, que tinha o ex-piloto austríaco como sócio desde 2006, volta a ser de propriedade da empresa de energéticos. Gostei do comunicado oficial. Nele, Dietrich Mateschitz, o dono da Red Bull, é tratado o tempo todo por “Didi”. Na foto, ele aparece ao lado de Hamilton, Massa e outro piloto não-identificado. Quem seria?
SÃO PAULO(em despedida, vale) – O carro de Coulthard será diferente do de Webber neste fim de semana. Passei pelos boxes da Red Bull agora há pouco e os caras estavam adesivando a barata do escocês, que será branca com algumas faixas e alguma coisa escrita, certamente.
É estranho, porque desde que a BAR ensaiou o uso de dois carros com pinturas diferentes, lá para 1999, a FIA determinou que eram proibidos “layouts” distintos na mesma equipe — na época, a equipe queria usar duas marcas de cigarros, 555 e Lucky Strike, uma em cada carro.
Mas como é a última prova de DC, acho que ninguém vai se incomodar muito.
SÃO PAULO (bella roba) – No dia 31 de julho, o Victor Martins publicou no Grande Prêmio a notícia de que Cacá Bueno tinha assinado com a Red Bull, e que iria correr defendendo a marca na equipe que fosse escolhida para a temporada 2009 da Estoque. E já antecipava que deveria ser a WA Mattheis. Dois dias depois, em Interlagos, Cacá Bueno deu um chilique na entrevista coletiva pós-corrida, dizendo que era tudo mentira, “falta de respeito”, “coisa de jornalista sem fundamento”. E avisou a todos ali presentes que iria processar o Victor e o Grande Prêmio — que, no caso, é meu site; portanto, o rojão iria estourar aqui.
O Bruno Vicaria estava cobrindo essa prova, se não me engano, e me telefonou, claro, para dizer que o Cacá Bueno iria me processar. Perguntei por quê, e ele explicou que era por causa da notícia que antecipáramos, sobre a Red Bull. Queria saber o que fazer. Eu disse para não fazer nada, primeiro porque considerava o assunto pouco importante, e depois porque a notícia era verdadeira, e portanto ele não iria processar ninguém. Sempre me dei bem com o rapaz, nas poucas vezes que nos falamos e nos encontramos a gentileza foi mútua, conheço bem a Letícia, sua irmã, e achei que seu piti não era relevante para os leitores do site, apenas uma babaquice a mais num mundo tão cheio de bobagens, e para a maioria delas não vale a pena dar muita atenção.
Foi o que fizemos, então: nada.
Hoje a Red Bull confirmou que Cacá Bueno será seu piloto em 2009 na WA Mattheis, exatamente como Martins escreveu (aliás, se vale a sugestão, postem no blog do Victor o que postarem aqui, também; ele vai ficar feliz). A favor da empresa, diga-se que ela foi ouvida na época e não ameaçou abrir processo algum, disse apenas que estava concentrada em 2008 e que não tinha nada a confirmar para a temporada seguinte. Quanto ao piloto, é óbvio que não processou ninguém, fez apenas papel de bobo diante dos jornalistas que cobrem sua categoria — porque a notícia se confirmou, e nunca vi alguém ser processado por dizer a verdade.
Cacá brinca de jornalista e comentarista, também, nas transmissões de F-1 da Rádio Bandeirantes, e algumas pessoas já me disseram que ele passa boa parte do tempo dizendo que “nessa hora da manhã o negócio é tomar um Red Bull pra ficar acordado” — com variações sobre o tema, dependendo do horário da corrida; nas provas de madrugada, a sugestão deve ser reforçada. Não me importo, já trabalhei na Bandeirantes, não trabalho mais, e não escuto as transmissões. São os ouvintes da emissora que têm de achar alguma coisa, não eu.
Mas como ele tem uma atuação na mídia, talvez possa extrair algumas lições do episódio “vou-processar-o-cara-que-descobriu-onde-eu-vou-correr”. A primeira delas, sobre a natureza de algo chamado “notícia”, o sentido de algo chamado “apuração” e o risco de misturar propaganda com jornalismo. Para sugerir que o ouvinte tome uma latinha de Red Bull, uma “não-notícia”, o que chamamos de “jabá”, não é necessário apurar nada, exceto o saldo na conta no fim do mês. Nós, no Grande Prêmio, fazemos jornalismo, não publicidade. Demos um furo sobre Cacá e a Red Bull, e temos a Red Bull como nossa anunciante. Por isso, corremos o risco de desagradar alguém e perder um contrato que não é nada mau. Isso é jornalismo; deu para entender, ou quer que desenhe?
O assunto, como disse acima, me interessa muito pouco. Se Cacá Bueno acha que as pessoas nas ruas estão comentando sua contratação pela Red Bull, deve viver em outro planeta. Esta é a segunda lição: compreender o que é relevante para a maioria dos mortais. As pessoas normais não se importam muito com a Estoque, nem com Cacá Bueno, é tema que diz respeito apenas ao mundinho do automobilismo, e olhe lá. Por isso que seu chilique “vou-processar-o-cara-que-descobriu-onde-eu-vou-correr” não teve a menor repercussão em lugar algum, nem mesmo dentro da minha empresa, que é minúscula, assim como sua saída do time do laboratório para o time do energético não é algo que vá provocar manifestações de júbilo na fábrica das latinhas, ou de revolta na fábrica de comprimidos.
Para o Grande Prêmio, o destino de Bueno-filho é apenas mais uma notícia de uma categoria que cobrimos, e como toda notícia deve ser dada, com o peso que acharmos melhor — no seu caso, proporcional ao fato de ele ser um bicampeão, bom piloto e astro das transmissões da TV oficial. Como era apenas mais uma a notícia antecipada de onde ele iria correr.
E se acho isso tudo tão pouco importante, por que escrevi tanto sobre esse assunto? É o que deve estar se perguntando o atento blogueiro…. Bem, fi-lo justamente para mostrar como é fácil, e corriqueiro, desperdiçar tempo, saliva, energia e fosfato com coisas pouco importantes. Nossas vidas são muito assim, um festival de desperdícios. Se Cacá Bueno, em vez de pensar em me processar, agisse para acionar e questionar a CBA, por exemplo, talvez soubéssemos hoje qual a substância encontrada no antidoping de seu colega de competição. Poderia também empreender maior esforço para discutir as normas de construção das jabirongas que dirige, ou ainda contestar a segurança das pistas caindo aos pedaços onde corre.
Isso, porém, tomaria mais tempo e daria mais trabalho do que sair estrilando e dizendo que vai processar esse ou aquele, algo simples, rápido e descartável.
Da mesma forma, talvez alguém ache que eu não deveria me preocupar muito com Cacá Bueno e seus acessos de estrelismo, e poderia usar meu tempo para escrever alguma coisa mais útil ou interessante. Quem pensa assim, provavelmente tem razão. Mas não se incomodem. Não perdi muito tempo, afinal. Escrevo rápido.
Robert Wickens deixando fumaça diante do Congresso Nacional no evento da Red Bull hoje em Brasília, clicado por Luca Bassani. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, Wickens atingiu 263,5 km/h no Eixo Monumental e 85 mil pessoas foram às ruas para ver a F-1 passar.
SÃO PAULO(de saída) – E aí, pessoal de Brasília? Como foi a apresentação da Red Bull pelas avenidas de Lúcio Costa? O brother Fernando Linhares já mandou um álbum de fotos, está aqui. Selecionei uma que achei bem bacana. Mas contem tudo. Fez barulho? Tinha muita gente? O cara acelerou de verdade? Foi lega? Foi uma porcaria? Fizeram vídeos? Usem o espaço dos comentários para colocar os links com vídeos e álbuns de fotos que forem encontrando por aí. Se eu tiver de procurar, ficou doido. E agora tenho compromisso. Então, o trabalho será de vocês!
SÃO PAULO(maior barato) – Não esqueçam, vocês da capital de todos nós, que sábado, às 10h, um carro da Red Bull vai rasgar o Eixo Monumental. A bagaça já chegou, assim como o piloto canadense Robert Wickens, de 19 anos, que vai pilotá-lo.
Hoje o menino fez o reconhecimento do gramado. O trajeto terá 3,5 km e vai passar pelo Congresso, pela Praça dos Três Poderes e pela Esplanada dos Ministérios. Como nem tudo é perfeito, vão colocar as tranqueiras da Estoque para andar junto, pelo que entendi.
Amanhã, quinta, o carro fica exposto no shopping Conjunto Nacional e na sexta, isso sim vai ser bacana demais, anda no autódromo para fazer o “shakedown”. Não sei se esse treininho na pista será aberto ao público. Mas se eu morasse em BSB, iria até lá.
SÃO PAULO(não acabou) – Um blogueiro indicou (sorry, não anotei o nome), e é legal ver este vídeo. Aos 2min35s, está destacado o mecânico que aperta o botão do pirulito eletrônico, dando o verde a Massa na saída do pit stop em Cingapura. Aí ele nota “A Grande Cagada” e volta para o vermelho. Só que àquela altura já era tarde, Massa já tinha engatado e acelerado. Seu tempo de reação ao verde foi melhor que o de Usain Bolt nos 100 m rasos.
Talvez se fosse um pirulito de verdade, o meca pudesse dar uma pirulitada no capacete de Felipe, que irritado pararia o carro para lhe dar uma porrada. Isso evitaria que ele arrancasse a mangueira, deixando de protagonizar aquela cena dantesca nos boxes.
Foi o que fez o cara da Red Bull com Coulthard, e funcionou. David brecou e não arrastou ninguém.
SÃO PAULO (isso vai ser legal) – O pessoal de Brasília pode se preparar. No dia 11 de outubro, às 10h, a Red Bull vai levar um carro de F-1 para rasgar 3,5 km de avenidas da capital mais linda do mundo, saindo da Catedral e passando pela Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes, Palácio do Planalto e Congresso Nacional.
Ali se corria antigamente, não?
O piloto será o canadense Robert Wickens, de 19 anos, membro do Red Bull Junior Team.
Fizeram isso em São Paulo, em 2006. Meio na surdina, comecinho da manhã. Rendeu um vídeo espetacular.
SÃO PAULO(olha…) – Vejam uma coisa. Nas últimas cinco corridas, a Toro Rosso marcou 20 pontos. A Red Bull fez dois. A Toro Rosso usa motor Ferrari — marca que lidera o Mundial de Construtores — e já renovou para o ano que vem. A Red Bull usa motor Renault — marca que está em quinto no campeonato — e vive se queixando da falta de potência.
Adrian Newey, pago pela Red Bull, desenha os carros das duas equipes, portanto não há grandes problemas aí. E a Red Bull, a fábrica da bebida energética, garante o sustento do time sediado na Itália, que sucedeu a Minardi e é uma simpatia.
Diante disso tudo… será que é uma boa para Vettel defender a matriz em 2009?
SÃO PAULO(e uns quitutes) – E a Toro Rosso cravou os dois no Q3, com Bourdais tendo cometido a façanha de fazer o melhor tempo de todos no Q1. Equipe interessante, essa. Mas que pode deixar de sê-lo em 2009. Já se fala que a Red Bull vai tomar os motores Ferrari de volta, despachando os Renault. E à Toro restariam, possivelmente, os Honda. Para abrigar Takuma Sato e alguns punhados de milhões de dólares de reforço no orçamento.
SÃO PAULO(de gravata e tudo) – A Red Bull anunciou hoje que Sebastian Vettel será o substituto de David Coulthard em 2009 e parceiro de Mark Webber, que já renovou. Aos 21 anos e com 17 corridas no currículo, o alemãozinho é, para mim, o melhor das novas gerações. Mas não terá moleza, porque a Red Bull não é grande, exceto no marketing e nas festanças. Por outro lado, não é pequena, também. É exatamente o que se pode chamar de “equipe média”. E com um piloto acima da média, quem sabe não cresça?
De qualquer forma, 2009 será um ano muito diferente por causa das mudanças de regulamento. A Red Bull tem Adrian Newey. É um bom começo.
SÃO PAULO(criativos) – Bigorna pra lá, bigorna pra cá… Seis das dez equipes estão usando a carenagem esquisita nesta semana em Hockenheim. É bom dizer que não chega a ser novidade suprema, porque nos anos 90 a McLaren já usou, naquele carro que o Mansell pilotou e depois desistiu de correr, porque não cabia no cockpit. Nesta fase, digamos, moderna das bigornas, a primazia da criação é de Adrian Newey, projetista da Red Bull. E pergunto: um negócio tão grande e escandaloso não parece ser uma solução aerodinâmica óbvia?
SÃO PAULO(todos param) – David Coulthard acaba de anunciar que no fim da temporada pára de correr. No comunicado, diz também que vai continuar envolvido com a Red Bull em testes e desenvolvimento de seus carros. E que não vai pendurar o capacete, porque pretende correr de outras coisas.
Diz DC que tomou a decisão no começo do ano e que queria sair “enquanto estivesse competitivo”. Aí, faz uma lista de agradecimentos, na qual inclui Jackie e Paul Stewart, Frank Williams, Ron Dennis, Norbert Haug, Dietrich Mateschitz, Bernie Ecclestone e Adrian Newey, o projetista de quase todos os carros que Coulthard pilotou desde a estréia, em 1994, quando assumiu a vaga aberta na Williams com a morte de Ayrton Senna.
Coulthard é um bom sujeito, não é mau piloto, mas sempre esteve na sombra de companheiros melhores que ele, especialmente Mika Hakkinen. Muita gente o compara a Rubens Barrichello. Não é uma má comparação, até porque começaram mais ou menos na mesma época e têm currículos parecidos.
Para seu lugar em 2009, a Red Bull ainda não confirmou ninguém. Mas será Sebastian Vettel. E minutos depois do comunicado de Coulthard a equipe anunciou que Mark Webber fica mais um ano no time.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.