SÃO PAULO (calor dá preguiça) – Bom dia, macacada. Claro que a esta hora todo mundo já leu que Raikkonen desmentiu qualquer negociação com a Mercedes e reafirmou que vai ficar um ano parado — ou mais, pelo menos no que diz respeito à F-1. A notícia dada ontem à tarde pela Sportv, assim, não se confirmou.
E volto à vaca fria: é um desperdício um piloto como Kimi fora da categoria. Mas ele está certíssimo ao tomar uma decisão baseada no prazer de guiar e vencer. Se acha que não tem onde conseguir isso, que não corra. Mesmo assim, acho que se Raikkonen quisesse correr pela Mercedes, encontraria um porto seguro e afável.
Há uma informação, não confirmada, de que o ano parado pode lhe render uma boa grana, também. O acordo que teria feito com a Ferrari pela rescisão do contrato seria o seguinte: se não corresse em lugar nenhum, os italianos lhe pagariam um ano integral de salários. Se assinasse com outra equipe, receberia bem menos.
São aquelas coisas que nunca vamos saber direito como aconteceram.
SÃO PAULO(faltam detalhes) – Notícia dada agora há pouco pelo Lito Cavalcanti, comentarista da Sportv: Raikkonen teria sido contratado pela Mercedes. Seria o troco da montadora à McLaren, que arrancou de seu time recém-criado Jenson Button. O inglês podia até não ser o piloto dos sonhos dos alemães que compraram a Brawn, mas é campeão do mundo, afinal. À alternativa de ter uma dupla apagada como Rosberg/Heidfeld, a turma prateada original teria resolvido abrir o cofre para convencer Kimi a desistir da aposentadoria temporária anunciada por seu empresário hoje pela manhã.
Ainda não é oficial, alguma coisa até pode dar errado mas, neste momento, é a informação disponível. Que, se for confirmada, é ótima para o Mundial. A F-1 não pode abrir mão assim tão fácil de um piloto como Raikkonen.
SÃO PAULO (semana cheia) – Pois é, Button não quis saber de conversa, ficou emburrado porque Ross Brawn não topou aumentar demais seu salário e se pirulitou para a McLaren. O time vai ter uma dupla de peso, claro, os dois últimos campeões mundiais, mas acho que Hamilton vai engolir o bonitão. Me parece mais piloto. Vai ser um bom ano para se medir a qualidade de Button, de qualquer forma.
E a Mercedes, agora? Vai encarar um campeonato com uma duplinha mequetrefe como Rosberg e Heidfeld? Pelo jeito, sim. A única resposta à altura seria contratar Raikkonen, mas pelo jeito o finlandês está mesmo a fim de chafurdar na lama, na neve, no barro e na poeira, disputando o Mundial de Rali.
E no fim das contas está sendo uma semana cheia de novidades. Mercedes despacha a McLaren e compra a Brawn, Kimi tira o time de campo, o campeão mundial troca de endereço… E vai ficar a pergunta, claro: Barrichello fez bem em assinar com a Williams? Se tivesse adiado a decisão, poderia se transformar no número 1 da nova Mercedes?
Difícil dizer. Ele poderia ter esperado, sim, mas nada garante que a Mercedes apostaria nele. Assim, foi atrás daquilo que considerou mais seguro.
SÃO PAULO(sorte do rali) – Raikkonen vai tirar um ano sabático em 2010. Não acertou com a McLaren. A informação é de seu empresário. Button deve mesmo ser o companheiro de Hamilton, mas e a Mercedes? Sem a opção de Raikkonen, arriscaria uma dupla medíocre com Rosberguinho e Heidfeld, por exemplo?
Sei não… Até que Button não está pedindo muito. E é campeão do mundo, afinal.
Fato é que a F-1 perde, sem Kimi. O único cara de personalidade autêntica no grid. Pode ser que ele dispute algumas etapas do Mundial de Rali, agora. É sua verdadeira paixão. E tem Red Bull por trás.
SÃO PAULO (vixemaria) – Vai sair no “The Guardian” amanhã. Jenson Button teria assinado com a McLaren por três anos, 6 milhões de libras por temporada. Teria decidido assim que soube da compra da Brawn pela Mercedes. Ele seria companheiro de Hamilton, claro. E, aí, me permito acreditar que a Mercedes, que adora o Raikkonen, vai pegar o rapaz. E colocar ao lado dele Nico Rosberg. Fiquemos atentos. Novidades por aí. Mas nada confirmado, por enquanto.
SÃO PAULO(qualquer uma) – Primeiro se falou muito em McLaren, depois insinuou-se algo na Brawn, agora comenta-se que é a Toyota o destino de Kimi Raikkonen. Pelo menos a equipe diz que fez uma proposta. Seria ótimo para o time, claro, mas desconfio que não muito para ele. Afinal, a Toyota nunca fez nada de interessante na F-1 desde a chegada à categoria, em 2002. Não mudou nem a pintura dos carros e o visual dos uniformes dos mecânicos. E o rango é ruim.
Quinta-feira, naquela coletiva da Ferrari que eu apresento, perguntei ao Raikkonen se ele tinha planos para 2010. Sua resposta foi esclarecedora e longa. Duas letras: “No”. Ele pode correr no Mundial de Rali? Pode. Pode continuar na F-1? Pode. Pode não fazer nada? Pode. Kimi é um sujeito estranho e, por isso mesmo, gosto dele. E seu primeiro carro foi um Lada.
Eu, se fosse a McLaren, insistiria nele. Se fosse Ross Brawn, idem.
Falando em Raikkonen, aí embaixo está uma foto enviada pelo Tiago Marçal, blogueiro do pedaço. Ele e uma turma de fino-brasileiros, torcedores de todos os pilotos finlandeses de todos os tempos, levaram faixas e vodca, e bandeiras e tudo mais a Interlagos, domingo. E encontraram uns finlandeses de verdade que não se importaram em tomar Nova Schin. “O que vale é que tem álcool”, disseram. Entre eles, tinha até um que se chamava Mika Salo. Mas não era aquele, era outro.
SÃO PAULO (o que é feriado?) – É destaque na imprensa hoje a história de que Lewis Hamilton teria vetado Kimi Raikkonen na McLaren, ou ao menos pedido para que a equipe evitasse formar uma dupla com dois caras de ponta. Ele preferiria ficar com o morto do Kovalainen ao lado, ou alguém mais dócil, como Sutil.
O que reabre a velha discussão: é negócio ter dois pilotos “top” no mesmo time? Duplas como Piquet & Mansell, Senna & Prost, Hamilton & Alonso, Massa & Raikkonen, Alonso & Massa, Hamilton & Raikkonen mais atrapalham do que ajudam?
Eu nunca tive opinião formada sobre isso. Muitas vezes sai faísca demais e a equipe acaba perdendo títulos de bobeira. Em outras, os duelos internos acabam sendo mais interessantes que o resto do campeonato. E vocês, o que acham?
SALZBURG(linda noite) – Bom dia, macacada. Dando uma atualizada no noticiário, fiquei com a pulga atrás da orelha com essa história de que o futuro de Raikkonen pode surpreender. A matéria do Grande Prêmio fala em Red Bull e Renault. Mas sabe onde eu colocaria algumas fichinhas? Na Brawn.
SÃO PAULO(fica ou não fica?) – Uma coisa que tenho notado nas últimas semanas é o esforço da Ferrari para elogiar Raikkonen publicamente. Não faltam motivos. Desde o GP da Hungria, nas últimas 4 corridas, o cachaceiro fez quatro pódios: segundo, terceiro, primeiro e terceiro. Nessas quatro provas, somou 30 pontos. É mais do que qualquer outro piloto. Para comparar, de Budapeste para cá: 12 para Button, 22 para Barrichello, 7 para Vettel, 18 para Hamilton, só para citar alguns.
No comunicado oficial da Ferrari hoje, ele foi chamado de impecável, maravilhoso, soberbo, perfumado e sexy. “Tirou tudo do carro”, “não cometeu nenhum erro”, “guiou fantasticamente”.
Sabe o quê? Estou achando que a história de Alonso é menos certa do que todo mundo está insinuando. Que Kimi, nessa reação, está mostrando que vale a pena investir nele. Não vejo destino para ele, se sair da Ferrari. A McLaren, talvez. Faria sentido, porque Kovalainen é muito banana. Mas é tudo muito nebuloso.
A Ferrari, no fundo, está de stand by. Precisa ter certeza sobre Massa. Precisa conversar direito com Raikkonen. E do lado de cá, para especular algo e tentar chegar perto do que vai acontecer, ainda é preciso desvendar essa história de Fernandinho de vermelho.
Hoje, Kimi foi bem. Não excepcional, mas bem. Menos do que a Ferrari quer fazer o mundo pensar.
SÃO PAULO(jornada tripla hoje) – Kimi Raikkonen sempre anda bem na Bélgica. Foi sua quarta vitória em Spa, e esse rapaz sempre impressiona quando encaixa uma boa corrida. Se andasse sempre assim, ninguém na Ferrari estaria pensando em trocá-lo por Alonso. Troca que deve acontecer, no fim das contas.
Mas dá gosto ver Kimi sentando a bota. Sua largada foi fenomenal. Inteligente, esperto, foi para a área de escape, apontou e despinguelou, usou bem o KERS, não deu chance a ninguém, e na relargada resolveu a corrida ao passar Fisichella sem maiores dificuldades.
Depois, andou com o italiano em seus calcanhares a prova toda. E, nessas condições, é realmente o Iceman, um cara frio que não se abala e não comete erros.
Raikkonen não vencia desde a Espanha no ano passado. Tem feito um bom campeonato nesta temporada, no final das contas. Eu não achava que a Ferrari iria conseguir ganhar uma corrida, depois do fiasco da primeira metade do ano. Mas o carro melhorou, a turma trabalhou e Kimi merece todos os aplausos hoje.
Não sei quais efeitos essa vitória terá em seu futuro. Talvez nenhum. Esse moço, normalmente, não parece ligar para nada. Seja lá o que tiver resolvido fazer da vida, não é uma vitória em Spa que vai mudar.
Daqui a pouco eu volto, a corrida foi boa, merece mais posts.
SÃO PAULO(e olhe lá) – O desempenho de Kimi e Massa em Mônaco trouxe enorme melancolia à Ferrari, foi o que me contou Gola Profonda, em telefonema desanimado agora há pouco já da fronteira com a Itália, em Ventimiglia, bebericando um Segafredo curtíssimo num café que fica logo na entrada da cidade.
“Não tinha ninguém da imprensa no nosso motorhome depois da corrida”, disse o Gola. “E olha que o Luca pediu para a gente arrumar as mesas e colocar umas garrafas de tubaína para os jornalistas. Até os copinhos eram da Nadir Figueiredo. Tinha coxinha de catupiri e brigadeiro. Tudo coisinha simples, caseira. Nada de champanhe. Para a gente mostrar que está na luta para reduzir os custos. Mas só veio um repórter finlandês, e ele queria vodca. Foi embora quando falei que só tinha tubaína. Ele disse que não ia beber qualquer coisa.”
Perguntei por quê, já que deu pódio, troféu e tudo mais, não era para ser um dia de festa, imprensa italiana, brasileira, todo mundo trocando abraços e apertos de mão? Tudo bem, entendo, um terceiro lugar não é nada disso, mas depois daquele começo de temporada está de ótimo tamanho, não? Ao menos o Raikkonen, não estava feliz?
“Estava puto. Porque o Bourdais pontuou. A gente não falou no rádio, porque senão ele não ia buscar nem o troféu. Foi lá, ficou olhando as pernocas da filha da princesa, esvaziou a garrafa e quando chegou nos boxes é que lembrou do Bourdais. E o vesgo?, perguntou. Quando contamos que chegou em oitavo, jogou a taça na parede e chutou o bico do carro. Mas era o carro do Felipe. Aí o Felipe deu um bico no carro dele, também. E ficou tudo por isso mesmo.”
Mas, afinal, por que essa obsessão com o Bourdais?, perguntei. “Acho que tem a ver com o motor. O Kimi tem certeza que a fábrica dá um motor melhor para o Bourdais do que para ele por causa dos óculos.” Dos óculos? “É, tem um cara no departamento de motores que usa uns óculos muito grossos, e um dia o Kimi passou por lá e perguntou como é que um quatro-olhos daquele podia montar motores de F-1, e o cara ficou doido e chamou ele de bebum e foi uma bruta confusão, e o cara jurou que não ia ficar assim, e desde então o Kimi tem essa implicância com o Bourdais.” Entendi, finalmente.
Bom, mas e a equipe, não ficou animada com com a reação, o carro não voltou a ser competitivo, a brigar na frente? “Nada, o Felipe estava muito irritado o fim de semana todo ainda por causa da Espanha, descobriram que ele tinha gasolina no tanque no final, que não precisava economizar nada, que perdeu duas posições à toa, e exigiu mudanças para a Turquia, ele quer ganhar de qualquer jeito, porque só ele ganha lá e tal.”
E quais mudanças?, perguntei. “Maior autonomia, um tanque maior para não correr riscos, ele não confia mais nos caras que calculam o consumo e a quantidade de combustível, e vai ter um chassi novo, um pacote aerodinâmico bem diferente. Já tenho foto. Vou desligar e te mandar pelo celular.”
SÃO PAULO(cansou) – Kimi Raikkonen anda falando em parar. Não me surpreende. A justificativa é a mesma da Ferrari, sobre a qual falaremos adiante, em outro post: a politicagem que está tomando conta da F-1 e deixando o futuro absolutamente indefinido.
Gosto muito de Raikkonen. Acho que é um dos três melhores pilotos da categoria, mas não está guiando nada desde o ano passado. Saco cheio é algo que o afeta claramente. Seria uma pena perder um cara desse naipe. Não só pelo tanto que guia, mas pelos picolés, pelos diálogos com os engenheiros, pelo jeitão “não-tô-nem-aí”, que faz uma falta danada numa F-1 em que todos estão muito aí com tudo.
SÃO PAULO(another day in the office) – Desculpem a demora. É que como venho recebendo alguns telefonemas ameaçadores, sempre em italiano, resolvi gravar todas as ligações que vêm do exterior. Cautela e caldo de galinha, sabem como é… Querem que eu revele a identidade secreta de Gola Profonda, parece que já descobriram que informações sigilosas e confidenciais estão saindo de dentro da equipe. Mas não posso. Preciso preservar minhas fontes, mesmo se elas passem a impressão de ser meio amalucadas, como é o caso de Gola. Acabei de falar com ele. A transcrição é que demorou um pouco. Vai já traduzido, porque Profonda, vocês devem imaginar, não é brasileiro.
- Gomes?
- Onde você está?
- Na catedral do Gaudí. Preciso te contar umas coisas.
- Você sempre precisa contar umas coisas, Gola. Desembucha. E fala rápido, estão me pressionando para que eu conte quem você é. Só não contei ainda porque não sei.
- Ótimo. Vamos continuar assim. Quer que eu comece por onde?
- Raikkonen.
- Raikkonen. Estava felicíssimo. Desde a primeira volta. Quando o Bourdais e o Buemi bateram, ele começou a falar “chupa, palhaços” no rádio. Dois a menos, disse. Perguntou se o vesgo tinha morrido. Cortamos o rádio com medo de punição da FIA. Cada vez que ele passava pela reta dos boxes, dava uma banana para todos nós. Aí ligamos o rádio e o chamamos para um pit stop.
- E ele?
- Parou no meio da pista. Desligou o carro e parou.
- Como assim? Sem mais nem menos?
- Começou a rir e disse que não tinha pneus para colocar, por isso não ia adiantar fazer pit stop algum. Fomos ver atrás dos boxes. Não tinha mesmo. E ele continuou gargalhando. Disse que ontem tínhamos deixado ele nos boxes para economizar um jogo de pneus, agora foda-se. “Cadê os pneus?”, perguntou o engenheiro, desesperado. “Vendi”, disse o Kimi. “Já que não usei, vendi para um cara na estrada.” Estão reunidos agora. Querem saber por quanto ele vendeu e quem vai ficar com a grana.
- E agora?
- Agora, não sei. Eram macios, valem mais. Também quero minha parte.
- Não, agora o que vai acontecer? Vão mandar ele embora?
- Não, só estamos vendo mesmo quanto vai dar para cada um.
- OK, e o Felipe?
- Felicíssimo.
- Felicíssimo? Pô, acabou a gasolina!
- Pois é. Mas quase deu. Foi a primeira corrida que fizemos com o motor flex. Por isso que deu errado. Ainda estamos calculando o consumo com álcool. Vocês ouviram o rádio?
- Ouvimos. Uma hora ele perguntou “what can I do?”.
- E a resposta foi para o ar?
- Não.
- É. O erro foi dele. Por isso não colocaram no ar, para não queimar o filme do coitado. É que quando ele perguntou, a gente mandou passar para o gás. E ele não passou. Por isso acabou o combustível. Mas tenho novidades para você.
- Quais?
- Mandei no seu e-mail duas fotos que me mandaram da fábrica ontem. Uma é do carro novo do Felipe para Mônaco. Mais econômico, perfeito para andar na rua. A outra é do pacote para o Kimi usar na próxima corrida. Mas não publique, senão vão saber que fui eu quem mandou.
- Vou publicar.
- Se você publicar, eu desapareço.
- Lamento, vou publicar.
E Gola desligou. É minha obrigação publicar, tenho leitores, não posso omitir informações. Aí estão as fotos. O vermelhinho é o carro do Felipe. O outro, o que será usado pelo Raikkonen. Parece que é o Badoer que está testando, na foto, mas não tenho certeza. O número 4 não deixa muita margem a dúvidas, porém. É com esse que o Kimi vai agora. Espero que Gola reconsidere e volte a fazer contato. Mas pode ser que, depois dessa, ele suma de vez.
SÃO PAULO(entendi) – Gola Profonda ligou. Na verdade, era ele bem cedinho, depois da dobradinha da Ferrari no último treino livre. Não atendi. O telefone estava lá embaixo, tive preguiça de descer. “Uma pena, você perdeu o champanhe”, me disse. Como, perdi? Não se bebe champanhe pelo telefone, argumentei. Mas teve champanhe? Por resultado de treino livre? “A esta altura, amigo, a gente comemora até troca de pneu mais rápida em intervalo de treino. Quinta-feira, quando estávamos levando os carros para a vistoria, empurrando pelo pit-lane, nossos mecas ultrapassaram um carro da Brawn. Até o Luca ligou para dar os parabéns”, contou. Luca, o presidente?, perguntei. “Ele mesmo”, disse Gola.
Bom, e aí? Dobradinha em treino livre, quer dizer que deu tudo certo? A Ferrari voltou? Ganha amanhã? “Calma, calma”, falou o Gola. “Preciso te contar algumas coisas…”. E desandou a falar.
“Aquele vídeo de ontem no YouTube pegou muito mal. Hoje de manhã, quando chegamos ao autódromo, o engenheiro do Kimi veio falar comigo. Pediu para tirar o KERS do carro dele e colocar no do Felipe. Foi isso que aconteceu. Felipe andou com dois KERS. Por isso foi tão bem. Quando o Kimi foi para a pista, percebeu que estava sem KERS. Perguntou pelo rádio o que estava acontecendo. Três vezes. Aí o engenheiro respondeu: não precisa me perguntar a cada volta, a cada curva. Eu estou vendo que você está sem KERS, as luzes mostram. Aí ele cortava o rádio e cagava de rir. Então o Kimi voltou para os boxes. E perguntou onde estava o engenheiro. Queria encher ele de porrada. Aí entro eu de novo. Fiz um negócio no cinto de segurança dele, de manhã. Só abria com timer, depois do Q1. Ele ficou preso no carro. Quando abriu, o engenheiro já estava nas Ramblas. Mesmo assim, o Kimi ficou feliz. Em que posição está o Bourdais, aquele francês míope com cara de Kafka?, perguntou. Dissemos a ele que ficou em 17º. Atrás de mim ou na minha frente? Atrás, respondemos. Então Kimi abriu um sorriso e disse ‘chupa, comedor de crêpe au Grand Marnier’. Mas o Buemi está na frente, dissemos, uma na frente e outro atrás, e Kimi abriu outro sorriso: três Ferraris juntinhas, isso é que é equipe.”
E o Felipe?, perguntei. “Preocupadíssimo.” Silêncio. “O carro melhorou. E ele vinha dizendo que o campeonato tinha acabado, que só no ano que vem, que estava tudo perdido, que as outras equipes estavam melhorando também. Tanto que quando entrou nos boxes, nosso projetista entrou no rádio sem permissão e disse ‘chupa, palhaço’, e eles bateram boca, o Felipe falou que ele não projeta nem carrinho de rolimã, que fez esse carro copiando desenhos de crianças do pré-primário, que está com saudades do Ross Brawn e do Rory Byrne e do Jean Todt, aí entrou o Domenicali no rádio, o cara da cozinha, a moça da faxina, virou um puta bate-boca, e a gente escutando tudo, e foi quando o Schumacher mandou todo mundo calar a boca e acabou com aquela discussão. Felipe, ele disse, você está atrás do Rubinho. Ficou aquele puta silêncio no rádio, todo mundo parou de falar e, neste exato momento, estão todos muito deprimidos. Menos o Kimi, que ficou na frente do Bourdais e fica falando ‘chupa francês de mèrde’ o tempo todo.”
É uma equipe meio atrapalhada, a Ferrari. Mas melhorou, sem dúvida.
SÃO PAULO(veja logo, antes que tirem do ar) – Alguém tinha reparado nesse diálogo entre o Raikkonen e seu engenheiro nos treinos de hoje? Eu, se vi, estava com sono e não notei. Para quem não viu, aí está. O engenheiro diz “Still no KERS Kimi, still no KERS”, e o finlandês, com toda sua classe talhada em litros de vodca, responde: “Yeah, you don’t have to tell me every lap and every corner, I can see it from the lights”.
Espetacular! Quem mandou foi o blogueiro Siberian Husky, de São José dos Campos.
SÃO PAULO(entendido) – Só agora recebi um telefonema a cobrar da Itália. Era Gola Profonda. “O presidente está lá e estou ligando do gabinete dele, por isso a cobrar”, explicou. Faz sentido, poderia aparecer na conta uma ligação para o Brasil e alguém teria de responder por isso.
O que aconteceu?, perguntei, e a resposta veio de bate-pronto. “Foi o seguro.” Gola, muito falante, e por isso vou resumir, contou que a apólice do carro de Massa é muito ruim, a Ferrari fez com uma seguradora daquelas baratas, que jogam a franquia lá em cima para compensar e, pior, não tem assistência 24 horas. O serviço de guincho é terceirizado e a firma que faz vistoria, idem.
Aí Felipe foi tocado pela roda traseira de Raikkonen na largada, e começaram os problemas. Até que o menino das vistoria chegou rápido, porque na hora telefonaram para ele, e é motoboy, sabe como é. Quando Massa parou nos boxes, já estava pronto com o formulário nas mãos. “Mas não queria fazer a vistoria se o outro carro não estivesse lá também, para configurar o sinistro”, relatou Gola. “E ficou perguntando quem bateu atrás, porque quem bateu atrás é sempre o culpado.”
Nessa hora, parece que Domenicali teve um chilique e precisou ser tirado do local pelos seguranças. Luca, o presidente, assumiu o comando da operação e disse ao rapaz da vistoria que os dois carros eram dele, Luca, e que não se importaria em pagar duas franquias, desde que ele queimasse a vistoria do outro carro. O menino disse que precisava falar com seu chefe, mas o nextel não funcionava naquele fim de mundo e Luca, o presidente, emprestou seu celular para ele.
Isso tudo, certamente, atrasou o pit stop de Felipe, que aguardava dentro do carro tentando, do seu próprio celular, falar com o SAC da Acer, porque queria conectar-se à internet com seu lap top para saber como estava a corrida, mas recebia mensagem de erro.
Quando o rapaz da vistoria finalmente liberou o carro sinistrado (mas pediu para que a equipe guardasse a asa quebrada e tirasse uma foto do outro carro envolvido na batida), Felipe já estava um pouco atrás na prova. Na 36ª volta, levou um passão do líder Button, o que motivou um olhar 43 de Luca, o presidente, para Domenicali, já de volta ao pit-wall depois de medicado com calmantes. Domenicali não gostou do olhar 43 e parece que ergueu a voz com Luca, o presidente, “tá olhando o quê?, e daí?, ele vai parar no box ainda e o Felipe recupera essa volta”, e de fato Button parou logo depois, mas pelo que vi na classificação final da corrida, o brasileiro acabou mesmo uma volta atrás.
Raikkonen, no entanto, foi muito bem e terminou em sexto, marcando os três primeiros pontos da equipe no ano. Como foi a reação dele, ficou contente, aliviado?, perguntei a Gola. “Ele saiu do carro, olhou para o Fisichella e o Sutil, cerrou os punhos e falou: chupa, palhaços!”, e perguntei se foi assim mesmo, se ele não teria dito “chupem, palhaços”, mas não, ele é meio maloqueiro mesmo, porque depois ainda passou na Toro Rosso, cerrou os punhos de novo e disse “chupa, palhaços!” para o Bourdais e para o Buemi. E quando chegou aos boxes da Ferrari, olhou para o Massa e disse “chupa, palhaço!”, e depois para Luca, o presidente, e falou “chupa, palhaço!”, e saiu dizendo “chupa, palhaço!” para todo mundo que encontrou até pegar um carro e ir embora para o hotel, ainda de macacão.
O Kimi estava meio alterado, segundo Gola Profonda. Mas tudo há de melhorar em Barcelona.
SÃO PAULO(quero correr!) – É bom que se diga que Ferrari e McLaren, aos poucos e aos trancos, vão dando sinal de que ainda vivem. Massa foi segundo no treino livre da manhã e conseguiu passar ao Q3, na classificação. Para a atual fase do time, é uma proeza. Raikkonen também levou o carro à frente e, assim, ambos classificaram-se entre os dez primeiros do grid, Felipe em oitavo, Kimi em décimo.
Minha fonte em Maranello, porém, continua despejando toneladas de informações na minha caixa-postal. Acho que há uma conspiração em andamento, não é possível alguém vazar tanta coisa sabendo que vou publicar. Enfim, não é problema meu. O que me contaram hoje foi que Raikkonen reclamou do ar-condicionado, instalado em seu carro no lugar do KERS. “Ele desligou no Q2, e por isso ficou em quarto”, me contou a fonte, que pediu para ser chamado de Gola Profonda. “Mas no Q3 recusou-se a sair com o ar desligado, e acabou ficando em décimo.”
É fato, ar-condicionado rouba potência de qualquer motor. Sei disso porque eu tive um Ka, em 1997, por duas semanas (devolvi à Ford). O motorzinho era 1.0 e quando ligava o ar, não passava nem em lombada.
Felipe não teve o mesmo equipamento disponível, revelou-me Gola Profonda. A Ferrari pediu para ele optar: ou ar-condicionado no carro, ou festinha de aniversário com balões, línguas-de-sogra, brigadeiros, cajuzinhos e tubaína nos boxes, depois do treino. “Ele ficou com os brigadeiros e com a tubaína”, contou Gola. “Só que a tubaína estava quente e tiveram de pedir gelo para o pessoal da McLaren, que mandou um saco de gelo seco, e deu a maior merda.”
Sobre a McLaren, louve-se a boa classificação de Hamilton, quinto no grid. E vaias para Kovalainen, que ficou no Q2 e larga em 11º. Daqui a pouco eu volto de novo para falar do resto do resto.
RIO DE JANEIRO(acordando) – A Ferrari comemorou um domingo de enormes progressos em Xangai. “O tacógrafo funcionou muitíssimo bem”, festejou Raikkonen, reclamando apenas que foi ultrapassado algumas vezes com faixa dupla contínua na pista. “É um perigo, pode vir alguém no sentido contrário”, censurou o finlandês. Kimi gostou também do desempenho das novas palhetas do limpador de para-brisa (parabrisa? parabbrisa? pára-brisa?) e do sistema de ventilação interna de seu carro. “A borracha supermacia foi muito eficiente e nem precisei usar a flanelinha para limpar o vidro por dentro.” Perguntado sobre o que achava do décimo lugar, abriu um sorriso e respondeu: “É dez!”.
Felipe Massa vinha bem. Segundo o locutor oficial, tinha até chances de vitória. Uau. A corrida iria cair em seu colo. Puxa. Pena que houve um problema elétrico. Os primeiros sinais começaram a aparecer quando o desembaçador traseiro deixou de funcionar. A visibilidade para trás ficou comprometida, atrapalhando aqueles que chegavam para ultrapassá-lo. Após uma análise detalhada, a Ferrari ficou aliviada ao notar que foi apenas um fusível que queimou. Aliviada ficou também ao fazer uma verificação nas borrachas de vedação. “Só entrou um pouco de água pela caixa de ar, mas já estamos estudando como resolver isso no túnel de vento”, revelou-me agora há pouco, por telefone, alta fonte na equipe.
Com zero ponto nas três primeiras corridas do ano, a equipe italiana iguala marcas, hum…, “obtidas” nas temporadas de 1969, 1970, 1980 e 1981. Se zerar de novo no Bahrein, será a primeira vez em sua história que a Ferrari fecha as quatro primeiras provas de um campeonato em branco. “Vamos atrás desse novo recorde”, garantiu-me a mesma fonte.
SÃO PAULO(pobrecito) - Em entrevista à “F1 Racing”, Nelsinho Piquet pediu mais apoio à Renault. Reclamou que as atenções são todas de Alonso, que o espanhol testou mais o carro, e que todos os azares da equipe encontram em seu carro abrigo seguro, e não no de Fernandito.
Já vi esse filme.
Nelsinho não tem sido um bom piloto de F-1, essa é a verdade. Foi bem nas categorias menores, mesmo não tendo sido campeão na GP2, e o fato de ter tido sempre a condição de primeiro piloto e equipamento de ponta não serve para dizer que “assim qualquer um”. Nem sempre. Mesmo com atenções e equipamentos exclusivos, o cara precisa ter qualidades para ganhar corridas e campeonatos. Não há notícias na história do automobilismo de pilotos horrorosos que tenham sido campeões com carros maravilhosos. Nem o contrário. O que prevalece é a média: carros bons pilotados por pilotos qualificados, em geral produzem resultados. Um atrai o outro.
O caso de Piquet-pimpolho não é muito diferente, por exemplo, do de Hamilton. O inglês, desde que foi adotado por Ron Dennis, teve na McLaren o seu, digamos, “Piquet”. Se Nelsão-pai sempre deu do bom e do melhor para o filhote, o mesmo aconteceu com a McLaren, que amparou Lewis por anos a fio proporcionando a ele equipamentos que lhe dessem a chance de ser campeão. Hamilton devolveu a gentileza com títulos e vitórias, enquanto Piquezinho o fez até a F-3 Inglesa, e em bem menor escala na GP2.
O mundo da F-1 é diferente, e não adianta chiar. Tem piloto que chega e encaixa, mesmo sem ter um retrospecto nas séries de base assustadoramente bom. Foram os casos de Raikkonen, Massa, Kubica, Vettel e Alonso, para ficar em exemplos recentes. Não foram os casos de Pizzonia, Bernoldi e Zonta, para permanecer apenas nos nomes de brasileiros.
Portanto, a Piquet-filho não bastarão os queixumes. Ou anda direito, ou não anda. É simples e cruel assim. Seu pai sabe disso como ninguém.
SÃO PAULO (faz muito bem) – A Ludy Coimbra está acompanhando de perto a participação de Kimi Raikkonen no Arctic Lapland Rally, com um Fiat Punto invocado. Em seu blog há vídeos da prova e fotos de alguns competidores. Certos carrinhos, como esse Volvo da foto, me falam ao coração.
LONDRINA(até já) – A pior corrida do ano? Até onde minha memória alcança, sim. Depois de uma sequência de provas polêmicas, molhadas e diferentes, Bélgica, Itália, Cingapura e Japão, o GP da China levou a F-1 de volta ao nível do chatérrimo GP da Europa, em Valência. Eu imaginava que seria assim. Hamilton fora muito superior à Ferrari em todos os treinos, e não repetiria as bobagens recentes, gato escaldado que está virando. Se largasse bem, como largou, ganharia com um pé nas costas.
E ganhou com um pé nas costas, de fato, abrindo sete pontos para Felipe Massa na classificação, o mesmo que tinha sobre Raikkonen no ano passado a uma prova do final. Perdeu o título, como se sabe, para o finlandês. A diferença é que Lewis tinha, como companheiro de equipe, Fernando Alonso. Com chances de ser campeão, também… Agora, tem Heikki Kovalainen, que não ameaça nem uma mosca (rapaz instável, esse Kovalainen). Com 94 x 87 no placar, um quinto lugar lhe basta em Interlagos, mesmo que Massa vença. É uma vantagem considerável.
Felipe fez uma corrida ruim, andando em terceiro, distante de Raikkonen cerca de 8s na maior parte do tempo. A sete voltas do final, como era normal e esperado, e depois de tirar o pé por voltas seguidas, Kimi entregou a posição ao companheiro e dois pontinhos extras na luta pela taça. Hamilton recebeu a quadriculada quase 15s à frente do brasileiro e foi elogiado por seu engenheiro pela “disciplina” na corrida. Garoto que levou bronca na aula anterior, sabe como é…
Hamilton, Massa e Raikkonen no pódio; e, fechando a zona de pontos, Alonso, Heidfeld, Kubica, Glock e Piquet-pimpolho. Barrichello foi o 11º. Corrida de pouquíssima ação, um porre matinal em horário de verão. Merecerá apenas este post, porque daqui a pouco quem vai para a pista sou eu.
Palpite para o título? Dá Hamilton. A Ferrari e Massa perderam suas chances com erros seguidos em momentos diversos da temporada. Muita gente vai lembrar apenas do pirulito eletrônico de Cingapura. Mas não foi só ele. Na base da disciplina, como mencionou o engenheiro pelo rádio, Lewis deve sair de Interlagos como o mais jovem campeão de todos os tempos.
SÃO PAULO(mais uma e cama) – Bem, falei de Alonso, Nelsinho, Hamilton, Massa. Já deu, não? Não! Uma corrida nunca se resume a quatro ou cinco pilotos. Tem sempre os outros, liderados, em Fuji, pelo narigudo Kubica, que só não venceu porque seu adversário era o espanhol invocado — o melhor piloto da atualidade depois de Victor Shapovalov, meu maior ídolo contemporâneo, exemplo de garra e persistência.
O polaco tem 72 pontos, seis menos que Massa, 12 menos que Hamilton. Campeão? Ah, não dá… Mas que seria engraçado, seria. E um castigo merecido para as duas equipes favoritas e seus tresloucados pilotos, que têm se esmerado, neste ano, em fazer bobagens que a BMW Sauber, único time que marcou pontos em todas as etapas do Mundial, não faz.
Raikkonen fechou o pódio e fiquei com a impressão de que ligaram-no na tomada de novo. No fim, ameaçou Kubica e achei que ia passar, mas desistiu. A Toro Rosso colocou os dois nos pontos, desta vez com o Tião francês à frente do Tião alemão (se não punirem ninguém, não vou ficar esperando acordado). E Trulli fez lá uma corridinha bem honesta para ficar nos pontos, também.
Kovalainen, depois de arrastar até a sapatilha no asfalto para não bater em Hamilton na largada, quebrou. Coisa rara. Coulthard deu um estampão que pensei que ia machucar. Barrichello apareceu algumas vezes se defendendo, e bem, de Rosberguinho — que, por sua vez, bateu o recorde mundial de consumo para um carro de corrida, parando depois de dois terços da prova para reabastecer.
E é isso. Faltam duas para o fim, Xangai e Interlagos. Mas estou preocupado mesmo é com Londrina.
SÃO PAULO (no help) – O que posso lhes garantir é que a fonte é boa. A Ferrari anda desconfiada de que Kimi Raikkonen está fazendo corpo-mole (acho que tem hífen, no Grande Prêmio saiu sem). Quem levantou a história foi Victor Martins.
Corpo-mole que se manifesta não exatamente para sacanear Felipe Massa, mas simplesmente na total falta de preocupação e esforço em ajudá-lo — algo que, na equipe italiana, não pega bem. A sequência de voltas mais rápidas de corridas que Kimi fez neste ano, 10 em 15 GPs, seria uma espécie de lembrete: “Olha aqui, ainda sou rápido. É que neste ano fodeu tudo, ano que vem a gente melhora”. É bom lembrar que, a exemplo de Massa, Raikkonen tem bons motivos para se queixar do time neste ano. Também foi vítima de quebras e trapalhadas, como seu companheiro.
O problema do finlandês é que corpo-mole é fácil de detectar hoje, na F-1. Basta olhar a telemetria. E o que os engenheiros e técnicos de Maranello vêem na telemetria não tem agradado muito.
SÃO PAULO(haja texto…) – A reação de nove em cada dez blogueiros ao final desta nota será: “E daí?”. Mas, correndo o risco, informo que hoje Kimi Raikkonen fez, pela décima vez no ano, a melhor volta de uma corrida. Foi assim também na Espanha, Turquia, Mônaco, Canadá, França, Inglaterra, Hungria, Bélgica e Itália. Kimi tem, nas estatísticas, 35 voltas mais rápidas em GPs, e só perde para as 76 de Michael Schumacher e para as 41 de Alain Prost.
SÃO PAULO(longo domingo) – E o campeonato? Um mísero ponto, depois de 14 corridas, entre Hamilton e Massa. Um espetáculo. Raikkonen está fora. Kubica, só por milagre. Precisaria vencer corridas, e a BMW Sauber ainda não parece estar pronta para engatar uma série de vitórias. Depois de Montreal, passou a ter um desempenho muito irregular. O polonês foi terceiro hoje graças a uma estratégia boa, retardar ao máximo o primeiro pit stop, e a uma pilotagem segura.
Mas está bonito. Faltam quatro provas, todas muito diferentes entre si, pode acontecer qualquer coisa: Cingapura e seus mistérios noturnos, o kartódromo de Fuji, o retão de Xangai, as agruras de Interlagos…
Eu, sinceramente, não aposto em ninguém. Hamilton e Massa têm guiado muito bem — o brasileiro um pouco mais conservador nas últimas duas corridas, o inglês agressivo e sedento pelo título. Os carros se equivalem. E ambos têm tido coadjuvantes muito bons para construir os espetáculos das últimas corridas, como Vettel, Alonso e Kubica, principalmente.
SÃO PAULO(gato) – Raikkonen só andou quando secou. Ou ele não se dá com a chuva, ou a Ferrari não gosta de água. Ou ambos. Porque Massa também não fez nenhuma corrida brilhante. Teve dificuldades para fazer ultrapassagens, como na disputa com Nico Rosberg, e ao perceber isso procurou não fazer nenhuma bobagem e garantir alguns pontinhos. No fim, escapou de Hamilton porque a pista começou a secar.
Felipe sai de Monza um ponto atrás de Lewis e rezando para não chover mais até o fim do ano.
Quanto a Kimi, OK, o carro no molhado não vai bem, etc e tal. Mas ele poderia ter sido um pouco mais, digamos, incisivo no início da corrida. Ou seremos todos obrigados a concordar com Hamilton — que, puto da vida na quinta-feira, por conta de tudo que aconteceu em Spa, disse que o finlandês não tem “balls” para retardar freadas ou encarar uma pista escorregadia como ele, Hamilton, costuma fazer (como sou educado, não vou traduzir “balls”).
SÃO PAULO (já deu) – A coluna Warm Up desta semana, claro, é sobre o episódio Hamilton-Raikkonen na Bélgica. Creio que já esgotamos o assunto no blog, mas fica o link para quem quiser ler e comentar.
SÃO PAULO (sei…) – Reunidos com o diretor de prova Charlie Whiting, os pilotos estabeleceram novo acordo sobre a questão da devolução de posição e posterior ataque em casos de chicanes cortadas, como em Spa.
Agora, o cara que ganhou a posição e devolveu, só pode tentar passar de novo na segunda curva posterior ao local da manobra.
Ou seja: na Bélgica, Hamilton não cometeu irregularidade nenhuma, à luz do acordo anterior, no que diz respeito ao momento em que atacou Raikkonen para recuperar a ponta.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.