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	<title>Flavio Gomes &#187; pentatlo moderno</title>
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		<title>BRASIL COM &#8220;Y&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 10:54:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pequim 2008]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil de A a Z]]></category>
		<category><![CDATA[pentatlo moderno]]></category>

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PEQUIM (canso só de pensar) – De moderno, o pentatlo não tem nada, embora venha acompanhado do adjetivo desde 1912, quando a modalidade estreou nos Jogos de Estocolmo. Na Grécia Antiga, era a competição que consagrava os atletas mais completos: corrida de 200 m, lançamento de disco, arremesso de dardo, salto em distância e luta [...]]]></description>
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<p><strong>PEQUIM</strong> <em>(canso só de pensar)</em> – De moderno, o pentatlo não tem nada, embora venha acompanhado do adjetivo desde 1912, quando a modalidade estreou nos Jogos de Estocolmo. Na Grécia Antiga, era a competição que consagrava os atletas mais completos: corrida de 200 m, lançamento de disco, arremesso de dardo, salto em distância e luta livre para arrematar.</p>
<p>Em 1912, o Barão Pierre de Coubertin resolveu inovar. Diz a lenda que quis homenagear os soldados franceses que sofreram o diabo na guerra com a Prússia e recriou o pentatlo baseado naquilo que eles precisavam saber para derrotar os inimigos: atirar no meio da testa deles, furá-los com uma espada, atravessar rios a nado, montar cavalos roubados e sair correndo se desse tudo errado.</p>
<p>Assim nasceu o pentatlo moderno, que teve como seu mais célebre competidor em Olimpíadas o general americano George Patton, quinto colocado em Estocolmo — herói doidão da Segunda Guerra, um alucinado que acreditava ter lutado em Tróia e servido ao imperador Júlio César em outras vidas.</p>
<p>A delegação brasileira tem uma representante no pentatlo moderno, o “Y” de nossa série olímpica. É Yane Márcia Campos da Fonseca Marques, 24 anos, pernambucana de Afogados da Ingazeira, pequena cidade de 35 mil habitantes a 375 km de Recife, no Sertão do Pajeú, terra do cangaceiro Adolfo Meia-Noite, cabra macho da peste.</p>
<p>Aos 11 anos, ela se mudou com a família para a capital. Pai, mãe, um irmão e duas irmãs. A mãe, funcionária pública. O pai, funcionário da Celpe, a Companhia Energética de Pernambuco. Lá, deu suas primeiras braçadas na escola de natação Nikita. Então, foi fundada uma federação de pentatlo moderno no Estado e ela foi convidada para conhecer a modalidade. Começou a praticar em 2003. Nunca tinha dado um tiro, segurado uma espada ou montado um cavalo na vida.</p>
<p>Aprendeu rápido a seqüência de provas que formam o pentatlo moderno: tiro esportivo com pistola de ar, 10 metros; esgrima, combates-relâmpago com espada de um minuto cada, no máximo; natação, 200 m livre; hipismo, saltos com 12 obstáculos (um duplo e um triplo) com cavalo sorteado; e corrida de 3.000 m em qualquer tipo de piso — aqui será sintético.</p>
<p>Tudo no mesmo dia, começando às 8h30 e terminando quase 12 horas depois. Uma maluquice, em resumo. Yane compete sexta-feira, dia 22. Chegou ontem a Pequim, depois de 17 dias treinando em Seul, na Coréia. E conversou com este blog, que adorou o sotaque da menina e sua sinceridade: “Eu ganhei medalha de ouro no Pan e as pessoas acham que vou chegar aqui e ganhar de novo. Não é assim, não. Olimpíada é outro patamar. Me perguntam se eu vou levar medalha, e eu respondo que estou indo buscar, mas não garanto que vou trazer”, diz, divertida.</p>
<p><strong>Quando você começou, já tinha noção das outras provas além de natação?</strong></p>
<p>Tinha, não. Comecei tudo do zero. Quer dizer, eu já nadava e correr é um negócio normal, né? O resto era tudo novidade. Mas eu me adaptei bem a todas as provas. É meio complicado para treinar, porque precisa de estande de tiro, lugar para praticar equitação, mas eu tento fazer tudo lá em Recife, mesmo.</p>
<p><strong>Qual delas é a mais complicada?</strong></p>
<p>Cada uma tem a sua dificuldade, mas eu acho que é o hipismo, porque no pentatlo a gente não conhece o animal, ele é sorteado na hora da prova. Mas é igual para todo mundo.</p>
<p><strong>Os especialistas dizem que é preciso treinar pelo menos uns dez anos para se tornar um pentatleta de bom nível. Você começou outro dia e já tem bons resultados. Como é que conseguiu, tão rápido?</strong></p>
<p>Pois é, menino, eu faço cinco anos de pentatlo em outubro&#8230; Acho que é porque algumas provas exigem muito fisicamente, e eu sou nova e bem preparada. As outras são mais técnicas, é questão de treino. Não sei, acho que foi o destino. Mas treino e dedicação também ajudam.</p>
<p><strong>O ouro no Pan foi uma surpresa para você?</strong></p>
<p>Sim, claro. Achei que o ouro seria quase impossível. Mas acho que acordei num daqueles dias, sabe?</p>
<p><strong>Sei. Aqueles em que dá tudo certo&#8230;</strong></p>
<p>Pois é, menino, deu tudo certinho. Mas aqui é diferente, as pessoas precisam entender que Olimpíada é outro patamar.</p>
<p><strong>E qual seu objetivo em Pequim?</strong></p>
<p>Vim aqui para dar o meu melhor. O que tinha de treinar, foi treinado. Eu quero é sair satisfeita, independentemente do resultado, porque fiz tudo que tinha de ser feito. Mas a realidade de uma Olimpíada é bem diferente de um Pan-americano. Eu fiquei me preparando na Coréia e lá, só na esgrima, podia jogar num centro de treinamento com 20 ou 30 adversários por dia. Em Recife, somos cinco. Então, não tem comparação. Na Hungria, por exemplo, o pentatlo moderno é o esporte nacional. Fora a turma do Leste Europeu.</p>
<p><strong>Esporte nacional na Hungria?</strong></p>
<p>É, as mães colocam as crianças desde pequenininhas para fazer pentatlo. Acho que é pra elas ficarem cansadas de noite.</p>
<p><strong>Falando nisso, em que estado você termina um dia de prova?</strong></p>
<p>Menino&#8230; No começo eu ficava que não conseguia nem andar direito no outro dia. Hoje é mais tranqüilo. Uma dorzinha aqui, outra ali, uma puxadinha na coxa, mas já acostumei.</p>
<p><strong>A ordem das provas é meio cruel, não?</strong></p>
<p>A gente começa com o tiro, quando a cabecinha ainda está normalzinha. Aí vem a esgrima, e começa a ficar na pilha. Porque são todos contra todos, e aqui são 36 competidores, então vou fazer 35 lutas. Um minuto de luta, ou um toque no outro. Se empatar, os dois perdem pontos. Aí vai para a natação, que é normal, o hipismo, que tem aquele problema do cavalo sorteado, e depois a corrida, com o que sobrou do dia. Um bagaço só.</p>
<p><strong>Bom, então vamos fechar com minhas perguntas moderninhas&#8230; Cite cinco atletas que você admira.</strong></p>
<p>Deixa eu ver&#8230; Gustavo Borges, Rodrigo Pessoa&#8230; Pô, cinco?</p>
<p><strong>Podia ser pior, se você disputasse o decatlo&#8230;</strong></p>
<p>Bom, então deixa eu pensar&#8230; Coloca aí uma francesa, a Amelie Case, que vai competir comigo. Faltam dois, né?</p>
<p><strong>É. Pode ser alguém do passado.</strong></p>
<p>Do passado já falei o Gustavo Borges. Não vou ficar falando de museu, né? Mas pode colocar dois do passado, sim: o Guga e o Ayrton Senna.</p>
<p><strong>OK. Agora, cinco coisas que você gosta de comer.</strong></p>
<p>Massas, feijão, caranguejo, camarão e tudo que é doce.</p>
<p><strong>Para terminar, se você encontrasse o gênio da lâmpada e pudesse fazer cinco desejos, quais seriam?</strong></p>
<p>Bom, acho que o primeiro seria ganhar uma medalha olímpica. Depois, ter uma família bem grande, eu adoro família. O terceiro&#8230; Me realizar profissionalmente. Quero continuar trabalhando com esporte. Quarto: mais humanidade por parte dos políticos, das pessoas que comandam o mundo. E por último, mais paz e fé nos corações de todo mundo.</p>
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